sexta-feira, 29 de abril de 2011

Sketches Australis- IC 2391 e NGC 2547

O aglomerado aberto IC 2391 foi primeiro avistado por Al Sufi em 964. é também chamado de Aglomerado de Omicron Velorum.  Foi posteriormente incluido no catalogo de Lacaille em 1752.



Ascensão reta 08h 40.6m

Declinação -53° 02′

Distancia (175 pc)

 magnitude (V) 2.5

 dimensão (V) 50′

Hoje em uma rápida sessão observacional daquelas bem urbanas , lutando contra a luz dos vizinhos e dos prédios em volta fiz um rápido esboço deste e de outro aglomerado descrito por Lacaille .NGC 2547. Ambos próximos ou incluídos no asterismo do Falso Cruzeiro. Astronomia Urbana mesmo. Como a muito o Nuncius não praticava. Sempre me surpreendo como é possível avistar DSO em boas condições mesmo a partir de condições bastante extremas.
 
NGC 2547  é outro aglomerado aberto descoberto por Lacaille. Bastante delicado e menor que o anterior.
 
 



Ascensão reta 8h 10.7m

Declinação −49° 16′

Distancia 1.96 kly

magnitude (V) 4.7

 dimensão(V) 20″

Observando Venus

Você irá perceber Venus facilmente . Primeiro no Poente. A cada noite um pouco mais distante do Sol  e com isto se pondo cada vez mais tarde. Neste período você vai perceber um pequeno disco de luz. conforme se passam as semanas este disco vai crescendo e se tornando oblongo. Seu formato vai lembrar a lua passando de cheia , para meia e finalmente para um crescente. Entretanto conforme Venus vai cruzando suas fases ele muda consideravelmente de tamanho. Quando ele atinge "meio Venus" ele se apresenta três vezes maior que no começo do ciclo.. Neste momento ele se encontra a maior distancia do Sol. Este é o ponto de maior elongação. A partir dai ele se torna cada vez mais brilhante mas também começa a se por cada vez mais cedo. Um mês após a grande elongação ele atinge seu máximo brilho . Magnitude - 4.4 . Ou seja 15 x mais brilhante que Sirius. . Utilize um programa planetario ou consulte as revistas de astronomia para saber onde olhar.

A superfície de Vénus é invisível mas a alguns detalhes que podem ser observados em Venus. Suas fases são o mais óbvio.

Mas existe um grande desafio associado a observação de Vénus . Ele é apresentado em destaque no novo livro de Phil Harrigton e se chama " Ashen Light". Algo como As Cinzas da Luz .

Como já sabemos Vénus é o planeta mais facilmente observável a olho nu. Com telescópios podemos imitar galileu e observar suas fases. Mas Venus ainda trás um mistério não explicado . Se chama Ashen light e é como um fraco brilho que ilumina a lado não iluminado de Venus . Quando você o vê percebe o pequeno crescente e uma aureola bem tenue ao redor do disco.  este efeito foi primeiramente observado por Giovanni Riccioli, um padre bolognes, em 9 de janeiro de 1643. E posteriormente observado varias vezes. Ninguém sabe ao certo o que causa o efeito. Mas as possibilidades de ve-lo  cresce durante sua fase de crescente quando tem menos de 40% de seu disco iluminado. De preferência em conjunção com sua máxima declinação Sul ( Para nós).   É um grande desafio e uma rara visão. Estarei sempre atento ...

Saiba mais sobre a Ashen Light aqui

Outro dado importante ; Os transitos de Venus são raros mas haverá um em 6 de Junho de 2012.   Infelizmente não será visivel do Brasil.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

aastrolog 21 de Abril 2011

Astrolog de 21 de abril de 2011


Equipamento: Binóculo 10x50mm e Telescópio refrator 70 mm



A noite se apresentou em todo seu esplendor. A lua minguante ainda escondida e podendo-se perceber a Via Láctea, desde Orion até o Centauro.

Monto o telescópio que a muito não trabalhava. Havia esquecido como montagens equatoriais EQ1 são ruins. Até para afinar a buscadora (6x30mm) foi árduo trabalho.

Após algo como meia hora consigo Saturno. Com um novo software correndo no computador (Universal Sandbox) chamo as crianças e faço uma rápida apresentação do sistema solar e em especial sobre Saturno. Depois é evidente.

A seguir parto em busca de DSO´s. A equatorial do velho Celestron faz disto tarefa bastante difícil .Os ingleses tem uma excelente expressão para definir as qualidades do sistema de suporte do Galileano. Shaky. Algo como tremulo. Uma rápida visita a M42, M44 e uma tentativa frustrada de enquadrar M67 e abandono o telescópio para o sereno. O tubo a esse momento já escorria água.

A liberdade que um binóculo oferece é diametralmente oposta à quantidade de detalhes que ele apresenta. Eles são ótimos para se obter “bodycount”. E para se observar extensos aglomerados abertos, bem como campos estelares.

Me volto para o sul e em direção a Via Láctea. A região compreendida entre o Centauro e a antiga constelação de Argos é sempre espetacular. Começando por Centauro e marchando rumo oeste se observa dezenas de “Fumarolas”. A maioria aglomerados abertos. Em rápida sucessão avistei:

• M 83- A grande estrela da noite (perdoem este péssimo trocadilho). Trata-se de uma galáxia e é incrível que Lacaille tenha descoberto isto com seus modestos telescópios. (Equivalentes a minha pequena buscadora 6x30mm).

• Omega Centauro- É enorme. Mostra alguma granulosidade até mesmo no pequeno binóculo.

• NGC 5281, 4852, 4755, 4439, 4349, 4609. Todos aglomerados abertos em Crux (Cruzeiro do Sul) e Centauro.

• Partindo agora para região entre Centauro e Argos (eu sei que Lacaille dividiu esta constelação em varias partes, mas prefiro localizar esta região do Céu como os antigos a chamavam): NGC 3766, 3532 (muito legal), 3572 e vários aglomerados envolvidos. Plêiades do Sul.

• Já na região da “Falsa Cruz”: NGC 3114, IC 2488, IC 2391 e NGC 2669.

• E na região do Cão Maior M 41, M 47, M 46 e vários aglomerados menores junto à cauda do Cão.

• Em um retorno para o horizonte norte M 44(alvo perfeito para binóculos), M 67

• E após rápido Scan no Reino das galáxias (Entre leão e Virgem) só posso confirmar de fato M87. Diversas suspeitas, mas difícil afirmar devido à visão apenas intermitente e impossível de localizar com precisão em um mar de “faint fuzzies” só percebidas de forma tênue com visão periférica.

• Próximo a Arcturus, no Boieiro (Boots), M53 um Glob. Que eu nunca tinha avistado.

Diversos objetos difíceis para binóculos. Um exercício de visão. Uma grande sessão.

E nasce a lua. Voltamos para o Telescópio. É cedo ainda.

Faço um rápido reconhecimento e aumento a Magnificação. Fico namorando uma seqüência de três crateras dominadas por Vlacq. Uma cratera com um pico central bem proeminente. Ao redor desta se encontram um matemático alemão, Rosenberger e um teólogo e matemático do Sec. XVI Pitiscus. Vlacq também foi um matemático. Holandês no caso.

Entrego o telescópio às crianças e vou beber do vinho que minha cunhada trouxe de Bordeaux.

Dia 22

Rapidamente com o 10x50.

A noite mais escura.

Por volta das 21h00min.

Varias “faint fuzzies” em Virgem. Olhando o campo, com visão periférica, vejo diversas fumarolas. Mas confesso que não sabia o que era o que. Uma beleza.

Mas a grande “descoberta” do dia foi o aglomerado aberto próximo a Gama Coma. : Mais de 5º graus. Conto mais de 20 estrelas. Bem baixo no horizonte montanhoso e emoldurado pelas araucárias.

Em um segundo round , pouco antes do nascer da lua , confirmo M 53 e apesar de não ver continuamente percebo diversas vezes M 64 . As galáxias de Coma –Virgem são desafios consideráveis para binóculos 10x50 mm . Acredito que com binóculos maiores esta região seja impressionante.

Outro “tour” pela Via Láctea.

Muitos abertos em Crux. Muitos mesmo.

Tenho certeza de ter percebido Hogg 14 . Um obscuro e escuro aglomerado aberto de um catalogo pouco conhecido . Com magnitude de 9.5 esta no limite superior do pequeno binóculo. Gostaria de ter um telescópio maior comigo.Ou pelo menos uma montagem mais estável.

Na verdade isto se tornou uma viagem binocular. Não me acostumo mais com a montagem do 70 mm. É bom para a lua e planetas mais não permite precisão para DSO´s mais difíceis. E esta sofrendo com com um problema recorrente na serra: condensação... Vou acrescentar um secador de cabelo a meu kit de sobrevivência.

Astrolog 21 de abril 2011

Astrolog 20 de Abril 2011


Binóculo 10x50mm

Vale de Santa Clara – Visconde de Mauá. El Méson hotel.



Após árdua jornada (seis horas de viagem) chegamos ao nosso destino. A Páscoa se anuncia sensacional. Apesar da lua ainda quase cheia.

Em uma rápida parada na “Capelinha” não resisti e pegando a pequena buscadora (6x30mm) vislumbrei em poucos segundos Omega Centauro.

Subimos a Serra e ao chegar ao hotel rapidamente me localizei. O horizonte norte é bem desimpedido. Saturno como farol.

Pego o Binóculo (afinal depois de horas ao volante não ia montar o telescópio.).

Um velho Sumax. Nada demais. Mas com aquele céu.

Rápida olhada em Saturno. É Saturno mesmo. Aquela coisa meio oblonga e amarela. 10x é pouco para resolver anéis ou algo do gênero. Titã faz as honras e mostra sua cara.

Me volto para o Sul. O Cruzeiro do Sul. Na estrada tinha escutado Neil Young cantando Southern Cross mais de uma vez. Não poderia evitar. O Cruzeiro cabe certinho dentro do campo binocular. E vários “faint fuzzies” se apresentam com visão periférica. Ngc 4755 resolve até as três centrais. Mas o mais legal é perceber ainda que de relance Ngc 4852 e 4609. A ultima na borda do Coalsack.

Um pulo até o Centauro e no campo próximo à Alfa e Beta posso perceber diversos aglomerados (fumarolas, digamos assim). Em tese Ngc 5617, 5316 e 5281. . Um pouco mais acima 5662.

Agora com os olhos mais habituados me volto para o norte e rapidamente lanço os dados em direção ao aglomerado de Virgem. Com a ajuda de Saturno e do Corvo vasculho a região. E Apesar da lua percebo duas fumarolas. Pela posição posso supor tratarem-se ser M 104 (o Sombrero) e provavelmente Ngc 4697. Dois para a serie de desafios Binoculares. M 104 avistei com certeza . 4697 só suspeitando. De forma intermitente.

Um bom começo de temporada. O mês promete.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Log e reflexões em 19/04/2011

O Nuncius acordou hoje pensando no futuro.
 Amanhã parto para Visconde de Maua. Céu escuro apesar de uma lua bem presente.
Retorno e no próximo fim de semana estarei em Búzios . Meu bom e velho subúrbio.
 E na outra semana um programa sensacional. travessia da Ilha Grande. Na verdade apenas do lado Oceânico. Céu escuro mesmo.
Estou torcendo por um outono seco e ensolarado.
É também tempo de tirar a poeira de vários equipamentos que estão de molho a algum tempo.
No passeio a Maua vou tirar da gaveta meu bom e velho refrator de 70mm . O carro vai cheio  e a estrada é de terra . Vai ser divertido mostrar as crianças Saturno e alguns DSO mais claros. Afinal é um passeio com a família . Vai mulher , filha , cunhada e marido. Mais duas sobrinhas . Uma bela pousada no Vale de Santa Clara e se observar algo será lucro.
O outro fim de semana será mais sério . Encontro marcado com Coma -Virgem. E o Newton vai fazer sua aparição.
E finalmente durante a travessia só poderei contar com meu Binóculo . Afinal terei que carregar todo meu mundo em uma mochila. Mas acredito que ele será capaz de revelar muito do céu austral devido a absoluta escuridão ao longo da Travessia. Não sei ainda se o 10x50mm ou o 20x50mm. Estou mais inclinado a levar o segundo.

Após tanto pensar nisto, olhei pela janela, e enquanto minha mulher pensava o que fazer para redecorar a sala , peguei o velho 10x50 e fiz uma rápida sessão contra o poluído céu do Rio de Janeiro.

NGC 4755- Sempre sobrevive tanto a lua como a PL. Mas se mostrou tímida e não resolvi nenhuma estrela.
Omega Centauro- Outro que é quase a prova de bala. Estava lá mesmo com a lua próxima e tudo mais. Um alvo urbano com certeza.

NGC 2516 - Baixo no horizonte se fez discreta.

Fazendo um rápido tour pela "falsa cruz" registrei em rápida sucessão IC 2391 e ainda mais discreto  NGC2669. Em outro scan NGC 3766 faz as honras.  A noite é fraca e a transparência não me inspira. Mas é melhor um pouco de céu que nenhum céu. E observar de binóculos é um prazer diferente que a muito não sentia.

E como diz meu querido Phill Harrigton ; 
- Melhor dois olhos que um!   

domingo, 17 de abril de 2011

Cometa Elenim - Ultimas Noticias

                                         Foto Giovanni Sostero & Ernesto Guido
Ainda é cedo para afirmar, mas registros fotográficos demonstram que a euforia causada pelo cometa Elenim talvez tenha sido um pouco exagerada. Provavelmente este será visível por binóculos, mas dificilmente romperá o limite de objeto visível a olho nu. Isto poderá acontecer por volta de 10 de setembro quando este atinge o periélio.


Diversos observadores que vem acompanhando o cometa o tem achado bastante elusivo. Avistamentos visuais tem sido raros e de difícil confirmação.

Observações com câmera ccd indicam uma magnitude por volta de 16. Abaixo do esperado. O previsto seria algo em volta de 15.3 e 14.9.

A magnitude de seis seria de se esperar, caso o cometa sobreviva à passagem do periélio, fará deste um belo objeto binocular.

Ele passará a apenas 72 milhões de Km do Sol (0,48 UA).

Os absurdos ditos a respeito do cometa podem ser ignorados. Ele não apresenta risco nenhum. Esta bobagem parece ter se iniciado com Post de uma blogueira desequilibrada de nome Laura Knight Jadczyk nos meados de janeiro.

Aguardando novidades...

Atualização 6 de setembro 2011

O nucleo do cometa Elenim se partiu em dois e sua magnitude vem caindo . É muito provavel que não sobreviva a sua passagem pelo sol. O grande acontecimento se revelou um cometa menor. E os apocalipticos tem que arrumar algo novo. kkkkkkkkkkkkkkk

Mais em :
http://www.skyandtelescope.com/community/skyblog/observingblog/128708798.html

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Observando Mercúrio

O Nuncius Australis vai iniciar uma série de artigos voltados para a observação planetária. O nosso primeiro planeta visitado não poderia deixar de ser Mercúrio. O plantea mais interno do sistema solar.
Mercúrio é o menor e mais interno planeta do Sistema Solar, orbitando o Sol a cada 87,969 dias terrestres. Sua órbita tem a maior excentricidade e seu eixo apresenta a menor inclinação em relação ao plano da órbita dentre todos os planetas do Sistema Solar.


Caracteristicas Fisicas:

Diâmetro equatorial 4 879,4 km


0,3829 Terras

Achatamento 0 

Área da superfície 7,48 × 107 km²

0,147 Terras                                                                                               Foto : Messenger / NASA.

Volume 6,083 × 1010 km³

0,056 Terras

Massa 3,3022 × 1023 kg

0,055 Terras

Densidade média 5,43 g/cm³

Gravidade superficial 3,7 m/s²

0,38 g 

Velocidade de escape 4,25 km/s

Período de rotação 58,646 dias

1407,5 horas 

Inclinação axial 0,01°

Albedo 0,10-0,12

Temperatura no equador min: -173 °C

med: 67 °C

max: 427 °C

Observando Mercúrio:
Mercúrio é um objeto bem elusivo. Se move muito rapidamente. E muito perto do Sol assim sendo ele só é visivel ao entardecer no horizonte oeste por uma ou duas semans a cada quatro meses. E visível ao amanhecer ( no horizonte leste) aproximadamente cerca de seis semanas após estas datas. São os momentos que este se encontra mais a Leste ou a Oeste do sol ( respectivamente). Assim mesmo só será visivel por cerca de uma hora antes do sol se por ou nascer.
Em maio ele será visivel ao redor do dia 5 ( O MELHOR) antes do amanhecer.Mercurio é um objeto simpatico aos observadores austrais e é melhor avistado do hemisfério sul. Pelo menos por alguns seculos. Isto porque o melhor momento para se observar netunoacontece quando ele se encontra em sua maior elongação leste proxima a seu afélio. o que pode eleva-lo até cinco graus do horizionte. E em razão da orientação de sua orbita isto acontece  nossa primavera (no hemisfério sul) quando  a ecliptica esta mais alta para nós que para o norte. 
Ao amanhecer ou seja na elongação oeste isto não acontece. E assim será por alguns séculos.

Mercúrio ao Telescópio: Nos seus melhores momentos pequenos telescópio ( 70 mm) com sua maxima magnificação serão capazes de mostrar um pequeno (=~7´´) meio disco. Assim como Venus Mercurio apresenta fases. Mas ele mais facilmente avistado quando se encontra como um meio disco. Pois nos outros momentos estará muito proximo ao sol.  Mesmo em Telescopios maiores ele não revelará detalhes de sua superfície.

domingo, 3 de abril de 2011

Observando M20 e M21

M20 é a famosa Nebulosa Trifida . Em Sagitario é localizada partindo-se de Kaus Borealis ( Gama Sag) e seguindo-se a Via Lactea rumo ao norte você vai perceber ambas pela buscadora . No mesmo campo. É uma nebulosa pequena e para  perceber-se em todo seu esplendor requer algum aumento ( 240x no meu 150mm) e céus escuros. M21 é um aglomerado aberto bem proximo a leste e é facilmente percebido em ambiente suburbanos . Ambos foram registrados em uma mesma entrada por Messiem em 5 de junho de 1764. São provavelmente  descobertas originais . M2o tem magnitude de 6.5 ( parece mais) E M21 apresenta mag. de 5.9. Me recorda o desenho de um boneco infantil.... Se percebem ambas em binóculos mas as faixas escuras da nebulosa requerem mais aumento como já foi dito.



M 20 NGC 6514
Constelação: Sagittarius

Dimensão: 28.0'x 28.0'

Magnitude: 6.30
 
M 21 NGC 6531


Constelatção: Sagittarius

Dimensão: 13.0'x 13.0'

Magnitude: 5.90

Catalogo J.E.S.S. - Index

O Catalogo J.E.S. S de Nebulosas e Objetos Estelares é o que se pode chamar de "romance histórico astronômico”. Vai distrair enquanto realiza um trabalho de divulgação cientifica. Pretende ainda ser um belo projeto observacional para latitudes próximas ao Trópico de Capricórnio. Divide-se até o momento em duas fases. As Lendas que são um primeiro tratamento. Este mais “blogistico" e descompromissado.


E a história “verdadeira” que tem um tratamento mais formal, próximo ao jornalismo cientifico.

Espero que gostem. É um projeto em evolução...

Abaixo segue um Índice que busca facilitar e organizar o trabalho até agora realizado.

Perceba que a “história verdadeira” vai organizar muitos dos fatos até agora desencontrados reunidos na seção “ Lendas”.

Os três capítulos na seção “Sem data são de certa forma associados a “história verdadeira” mas se encontram fora da cronologia que agora foi estabelecida para o trabalho e podem ser lidas sem preocupação com esta.

Os links abaixo apresentam a ordem mais adequada para se inteirar no trabalho e na história.

A História “Verdadeira”:

http://nunciusaustralis.blogspot.com/2011/03/o-catalogo-jess-de-nebulosas-e-objetos.html

http://nunciusaustralis.blogspot.com/2011/04/o-catalogo-jess-de-nebulosas-e-objetos.html

http://nunciusaustralis.blogspot.com/2011/05/catalogo-jess-de-nebulosas-e-objetos.html

http://nunciusaustralis.blogspot.com/2011/05/capitulo-3-o-catalogo-jess-primeiras.html

http://nunciusaustralis.blogspot.com/2011/05/cap-4-catalogo-jess-primeiras-entradas.html

http://nunciusaustralis.blogspot.com/2011/06/catalogo-jess-cap-5.html

Sem data:

http://nunciusaustralis.blogspot.com/2010/08/o-catalogo-jess-de-objetos-estelares.html

http://nunciusaustralis.blogspot.com/2010/12/o-catalogo-jess-os-escritos-de-jose.html

http://nunciusaustralis.blogspot.com/2011/01/o-catalogo-jess-de-objetos-estelares.html

http://nunciusaustralis.blogspot.com/2011/03/catlogo-jess-o-cinturao-de-jupiter.html



As Lendas:


http://nunciusaustralis.blogspot.com/2009/07/o-catalogo-jess-de-objetos-estelares.html

http://nunciusaustralis.blogspot.com/2009/09/catalogo-jess-de-objetos-estelares-cap.html

http://nunciusaustralis.blogspot.com/2010/09/catalogo-jess-de-objetos-estelares.html

http://nunciusaustralis.blogspot.com/2009/10/o-catalogo-jess-de-objetos-estelares.html

http://nunciusaustralis.blogspot.com/2009/10/o-catalogo-jess-de-objetos-estelares_25.html

http://nunciusaustralis.blogspot.com/2009/12/o-catalogo-jess-de-objetos-estelares.html

http://nunciusaustralis.blogspot.com/2010/02/o-catalogo-jess-de-objetos-estelares.html

http://nunciusaustralis.blogspot.com/2010/03/o-catalogo-jess-de-objetos-estelare.html

http://nunciusaustralis.blogspot.com/2010/05/o-catalogo-jess-de-objetos-estelares-o.html

sábado, 2 de abril de 2011

O Catalogo J.E.S.S. de Nebulosas e Objetos Estelares

Capitulo 1- Silvano Silva e seu Caminho até o Brasil


A história da chegada de Dom João do Silvano e Silva até sua chegada ao Brasil foi um pouco diferente da lenda contada no intitulado Catalogo J.E.S.S. de objetos estelares.

Na verdade ele nunca teve nenhum parentesco com o autor e suas aventuras européias são muito mais obscuras do que pode parecer no primeiro tratamento.

Após visitar diversas paróquias de Lisboa localizei o que parece ser o registro de seu batizado.

Ele nasceu em 1734. Em Lisboa. Seu pai chamava-se Manuel Silvano e Silva.

Fidalgos o rapaz parece realmente ter seguido o caminho do seminário. Era um caminho comum aos segundos filhos naqueles tempos.

Encontrei registros dele em visita ao Vaticano onde se reunem todos os documentos relativos a Congregação de Seminarios e atas de suas reuniões.

O Papa Bento XIV criou a Congregação dos Seminários, em prol das vocações eclesiásticas. O Papa, que se tornaria Bento XII, é o único Papa descendente da família real portuguesa. Isto é a única razão que encontro para encontrar o nome de Silvano e Silva em uma das atas da Congregação. A vocação de Silvano e Silva é altamente discutível como já foi apresentado no primeiro tratamento desta pesquisa. Só como uma curiosidade: O Papa Bento XII só assume este nome posteriormente. No momento de sua ascensão a trono de Pedro ele se denominou Bento XIV, pois acreditava ser o numero 13 negativo.

Finalmente a relação deste com Messier parece ter ocorrido de fato. São diversos os textos encontrados em posse de meu avô onde o próprio Silvano Silva discorreu sobre estes encontros.

Ele escreve em um de seus diários (um dos mais bem conservados apesar de ser um dos mais antigos: “... Messier estava à procura do cometa de Halley, e o procurava todas as noites. Ele acreditava piamente no retorno deste previsto por Halley para ocorrer ainda naquele ano. Isto era apenas uma hipótese naqueles tempos. De qualquer forma ele trabalhava para o Sr. Joseph Nicolas Delisle, astrônomo da marinha. Ele fora empregado por sua bela caligrafia e acabou sendo instruído no uso de telescópios e afins. Estava ele buscando o cometa de Halley na região prevista para seu retorno quando encontrou uma pequena nebulosidade a qual acreditou ser o cometa. Era o dia 12 de setembro do ano do Senhor de 1758.

Como astrônomo precavido que era e ciente de seus deveres para o Senhor Delisle ele nada anunciou e continuou suas observações por mais alguns dias. Logo percebeu que aquele cometa não se movia em relação às estrelas de fundo. Não era um cometa e sim uma nevoa que habitava aquele lugar do espaço. Esta nevoa viria e se tornar o objeto Messier numero 1 ou M1.”

Diversos outros trechos deste diário descrevem as descobertas de Messier.

Parece bastante claro seu convívio bastante intimo com Messier durante o período que compreendeu entre 1758 e 1765. O que compreende a elaboração da primeira parte do catalogo Messier. Ou seja, até o objeto M45. Na verdade a primeira versão só foi publicada em 1771.

Aqui apresento alguns trechos selecionados dos diários deste período. Apesar de desorganizado e afeito as bebidas como foi fácil perceber pelas notas manchadas de vinho, Dom João era um escritor compulsivo. Um habito que ele não perdeu durante toda sua vida.

“Reuníamos-nos sempre em Clugny (Faziam observações quase diárias do observatório da marinha situado em uma torre no hotel de Clugny em Paris. O prédio fora construído em 1480 sobre fundações de uma ruína romana de sec. IV. Era perfeito, escuro e com um horizonte livre em todas as direções.). O maior objetivo de Messier era localizar cometas.”

De fato Charles Messier criou a profissão de caçador de cometas. Uma profissão que poderia ser considerada um “trade Mark” do iluminismo. A sua especialização é precursora das teses atuais. Quase um conquistador do inútil. É importante lembrar aqui que o catalogo por ele organizado foi feito com o objetivo de registrar áreas nebulosas no céu para que estas não fossem confundidas com cometas. Os cometas eram seu santo graal e o objeto mais puro. Estes homens estavam descobrindo que cometas circulavam o sol. De uma forma diferente dos planetas. Estes pequenos blocos de gelo eram verdadeira amostra do ignoto.

“esperávamos o retorno do Cometa descrito por Halley em 1682. Já passava do natal de 1758 e Messier procurava pelo cometa conforme indicações do Sr. Delisle. Nada acontecera desde então. A nebulosa observada por Messier me encanta. Extremamente tênue. Parece uma concha pequena.”

Silvano Silva se refere constantemente a esta pequena nébula. Ele na verdade era obcecado por estas pequenas nebulosas que não se provavam cometas. Suas anotações levavam a crer que ele conhecia diversas delas antes mesmo do catalogo Messier começar a ser organizado. Na verdade é bastante claro que ele já conhecia claramente a natureza nebulosa de diversos objetos que viriam a pertencer ao catalogo Messier. Objetos como a grande nebulosa de Orion, O Presépio em Orion e diversa outras nebulosas conhecidas desde a antiguidade são citadas freqüentemente em seus registros. Ele também conhecia diversos trabalhos pioneiros e catálogos pouco conhecidos. O pequeno catalogo que Halley escreveu em Santa Helena e o Catalogo também austral desenvolvido pelo Abbe Lacaille (como ele sempre se refere a Nicholas Louis de La Caille (1713-1762)) lhe eram conhecidos.

( Tudo indica que ele só viria a conhecer o Cataloga de Lacaille anos mais tarde e por um caminho surpreendente.)

Eram tempos curiosos. Enquanto a inquisição espanhola ainda torturava pessoas idéias cientificas tinham ampla difusão entre certas classes em Paris.

Passaram-se dois anos antes que Messier registra-se uma nova entrada em seu catalogo. Na verdade nem catalogo ainda. Esta idéia só iria se firmar com o objeto conhecido como M3.

“... Era a madrugada de 3 de maio de 1764. Estávamos com frio. Messier notara esta “manche” arredondada. Ele a registrou assim :

3. 13h 31m 08s(202d 51´19´´)+29d 32´57´´ (Maio 3, 1764) - Nebulosa descoberta entre Bootes e um dos Cães de caça de Hevelius [Canes Venatici] , não contém nenhuma estrela. Seu centro é brilhante e vai enfraquecendo em direção as bordas. Ela foi avistada com um telescópio de 1 Pé.”

O texto é quase idêntico ao encontrado no catalogo Messier original. È praticamente uma tradução exata para o português do catalogo Messier. Foi neste momento que comecei a acreditar na relação entre ambos.

Curiosamente esta entrada no catalogo Messier é uma espécie de pedra fundamental. É a primeira descoberta original de Messier. Naquele momento descrito por Silvano Silva o homem registrava o septuagésimo sexto objeto de céu profundo registrado por olhos humanos ( com e sem telescópios). Ainda que na época fossem apenas cinqüenta e cinco sendo outros vinte e um “objetos perdidos”. Foi apenas a partir deste terceiro objeto (M3) que Messier passou a se dedicar de uma forma sistemática para a localização destas nebulosas que poderiam confundir o astrônomo de seu tempo na caça por seus tão fundamentais cometas. Na verdade foi um ano onde Messier foi extremamente ativo e há diversos registros nos diários de Silvano Silva referentes ao ano de 1764. Entre maio e o fim do ano Messier registrou quarenta entradas em seu catalogo.

“Messier finalmente percebeu a necessidade de organizar as descobertas realizadas em Clugny. Está organizando todas as nebulosas localizadas no ano passado e com isto acredito termos acrescentado cerca de 20 novas nebulosas aos céus.”

Este trecho demonstra a extrema proximidade entre ele e Messier. E seus cálculos eram bem precisos para um tempo onde o saber não estava tão à disposição. Na verdade no ano de 1764 Messier descobriu 18 novos objetos de céu profundo nunca antes avistados. Sendo esse catalogados como M3,M9,M10,M12,M14,M18,M19,M20,M21,M23,M24,M26,M27,M28,M29,M30,M39 e M40.

Logo após o ano de 1765 os escritos apresentam um vazio. Parece ter sido um período conturbado para Silvano Silva e em sua ultima entrada podemos perceber certa urgência:

“... parto de Paris. Sentirei falta de Clugny. E de nada mais. Messier me presenteou com uma bela cópia de seus achados. Foi feita por uma copista de altíssimo nível e acredito não possuir ninguém mais uma cópia deste material. Vou à busca de uma saída...”

Não sei o que de fato se passou no decorrer dos próximos três anos. Entre os diários e notas que me chegaram não há nenhum registro dos caminhos percorridos por Silvano Silva.

Mas fica claro que ele deixou Paris com uma cópia das descobertas de Messier até o ano de 1764. Isto seria fundamental no desenvolvimento do Catalogo José Eustaquio e Silvano Silva de Objetos Nebulosos.

Este material não seria disponível até o ano de 1771. Neste ano Messier apresentaria a primeira versão de seu catalogo com as entradas de M1 a M45. Como já sabemos Silvano Silva conhecia todos os objetos do catálogo até a entrada de numero 40. Os outros cinco objetos incluídos por Messier nesta primeira versão eram conhecidos desde a antiguidade e certamente conhecidos por Silvano Silva. Com isto ele se tornou dono da primeira cópia do Catalogo Messier. E isto será de fundamental importância para a criação do Catalogo J.E.S.S. de Nebulosas e Objetos Estelares.

O próximo registro do padre só ocorre em 1768. E já no Brasil. Mas precisamente na Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. Um registro de Casamento na Paróquia de Santo Antonio é o primeiro indicio da presença Dom João Silvano e Silva nas terras do Brasil. Santo Antonio é a região hoje conhecida como a Lapa. 1 de Maio de 1768.



“ ...o aqueduto foi inaugurado a mais de uma década e se encontra em excelente estado . Domina a paisagem e liga o santo Antonio a Santa Teresa, esporadicamente vou ao convento. “

Este pequeno trecho foi extraído de um texto mais longo onde alguém parece descrever a paisagem na região nos meados do Sec. Xvii.. Foi encontrado por uma tia minha eue foi reclusa no Convento Parece-me muito com a caligrafia de Silvano Silva. E os Arcos da Lapa foram inaugurados em 1750. Isto permite estabelecer com certeza a presença de Silvano Silva no Rio em 1768.

Acredito que os escritos que encontrei com meu avô tenham vindo da mesma origem.