sábado, 24 de dezembro de 2011

Poluição Luminosa no Natal e NGC 104


NGC 104

Quando mais novo ouvi sempre que a observação do céu só seria possível em locais de céu muito escuro e que do Rio de janeiro isto seria impossível.

Não é verdade.

Mesmo que não seja o ideal a observação em áreas urbanas é muito compensadora . Até porque o desafio se torna maior. A navegação é muito mais difícil e localizar DSO´S sem estrelas para lhe guiar o caminho pode ser bastante duro. Você deve estar preparado para isto . Caso contrario poderá terminar frustrado.

Cabe a você ser realista. Não espere avistar nebulosas tênues , nem galaxias de baixíssimo brilho de superfície. Na verdade em se tratando de galaxias é melhor tentar um local um pouco mais escuro. M 33 é um sonho impossível para o astrônomo urbano.

Mas mesmo assim existem centenas , quiçá milhares de DSO´S ao alcance do astrônomo urbano. Talvez não em todo seu esplendor mas ainda assim se apresentando com dignidade.

Ontem a noite eu me lembrei disso.

Pretendia o observar NGC 104 . Ou Tuc 47. São o mesmo objeto. Trata-se do segundo aglomerado globular mais brilhante do céu. Só perdendo para o gigantesco Omega Centauro.

Partí de Achernar ( Alpha Eridanus) e com grande esforço localizei Beta Hidra. Uma discreta estrela no horizonte sul carioca. A partir daí é uma rápida caçada através de minha buscadora 9x50. Caminhando lentamente para norte e oeste  o Aglomerado revela sua origem como uma pequena estrela esfumaçada pelo "finder". Vai ser uma das "estrelas" mais brilhantes desta região.  Com ela centralizada faço uma rápida inspeção usando uma 17 mm. É o aglomerado mesmo . Nem foi tão difícil de achar. Em céus mais camaradas ele é percebido facilmente a olho nu. Tem inclusive um numero Flamsteed. Que nem uma estrela...

Na verdade sempre que visito Ngc 104 centralizo Achernar na minha "red dot finder" e chuto uma posição aproximada. Em geral com a buscadora ótica eu localizo facilmente por ele na região.

Agora voltamos a poluição luminosa.

Este período natalino sofre ainda mais com a poluição luminosa. São diversos ornamento pendurados pelas janelas dos prédios a minha frente. Pequenas luzes de neon , led´s e etc.... E culminando o desperdício de energia vários  faróis de xênon  , como em uma bateria anti-aérea passeiam pelos horizontes da cidade.dois deles em especial pelo horizonte sul. Iluminando nada.São uma praga que ataca a arvore de natal que habita a Lagoa Rodrigo de Freitas durante o fim de ano.

Como apregoado na campanha Needless, a qual o Nuncius Australis   apresenta já a alguns anos, a iluminação urbana é necessária . Mas deve iluminar o chão e não o céu...

Ainda assim insisto e me preparo para fotografar mais um objeto do catalogo Lacaille.

Primeiro uma lição de astro foto. Use sempre uma estrela mais brilhante para focar. Recentemente li uma matéria dizendo que deveria fazer o foco me utilizando da estrela mais tênue que conseguisse perceber pelo viewfinder da camera de preferência aquelas que eu só percebe-se no momento em que se realiza o foco. Não é uma boa idéia. Fiz varias exposições fora de foco utilizando as fracas estrelas que percebia no campo de Ngc 104.

Assim voltei a Alpha Hyidra e fiz um foco decente. Algumas exposições para confirmar e finalmente voltei a meu tão suado Globular.

Realizei varias exposições de diversas durações. Apresento aqui alguns resultados obtidos.  O DSS apanhou para empilhar isto aí. O registro é muito próximo do que você vai ver na sua ocular.  Bem, talvez um pouco melhor...

Na ocular ou quase... 

Zoom e Crop no PhotoShop

O belo aglomerado consegue sobreviver a poluição Luminosa severa que se apresenta  durante o fim de ano.  Como já tinha percebido em outra observação o aglomerado não é perfeitamente circular. E apresenta uma coloração amarelada. Não possua olhos muito sensiveis a cores em globulares . Outra pessoas percebem um desvio para o vermelho. cada um com seu cada um....

 No fim de ano a poluição luminosa é realmente muito maior do que em outros periodos. O natal é sempre um periodo de fartura e desperdicio. Contraditório.
Não deveria...

RnS  Canon T3
P.S. Em período não natalino e anos depois fiz algumas novas fotos de Tuc 47. Desta vez o DSS aceitou quase todos os Frames . E no meio do bolo  temos também fotos empilhadas no Rot n´Stack. As quatro ultimas fotos foram realizadas com uma Canon T3. As antigas são do tempo da falecida 350D,

DSS Canon 3T

DSS Canon 3T

DSS Canon 3T


sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Sky Walk , Alinhamento Polar e NGC 2516


Ngc 2516

O clima não vem colaborando muito, mas apesar dos pesares esta ultima semana me permitiu algumas aventuras urbanas. O Nuncius Australis observa quase que exclusivamente de dois locais. Na Armação de Buzios é o observatório “escuro”. Na verdade apresenta típicas condições suburbanas. Em dias especiais apresenta um NELM (do inglês, naked eye limit magnitude) de+- 5.0 próximo ao zênite.



O outro é o observatório mais guerreiro. Janela da Sala, em condições urbanas extremas,tela de proteção para criança , gato que passeia pela janela etc.. Em dezembro tem também dois faróis de Xenon patrocinados pelo Bradesco que simulam uma bateria anti-aerea  contra os céu da cidade. Pode-se caminhar pelo horizonte sul. Cada época do ano passeia alguma coisa pela região.Chamo de Stonehedge dos pobres. Na verdade possui como área útil uma faixa de 35 graus do céu. NELM 3,5. De madrugada talvez um pouco mais.

Essa semana foi um unico e longo alinhamento polar.

Terça dia 21 começou a missão. Tinha tido uma idéia brilhante. Baixei um aplicativo no meu telefone. Sky Walk. Basicamente um programa planetário com serviço de GPS. Paguei US$ 2,99 na Apple Store. Tinha em mente fazer do alinhamento polar uma coisa simples e indolor.

O aplicativo me pareceu perfeito. Você simplesmente o aponta para o céu e ele mostra exatamente para onde e o que você esta olhando. Trás ainda um banco de dados com diversos DSO`S bem como um almanaque com todas as efemérides que você quiser. Bastante útil. E um sucesso com as crianças.

Minha idéia era bastante óbvia. Fixar o I Phone alinhado com meu eixo polar e com isto localizar o pólo sul celeste com precisão de GPS.

Não deu certo. Apesar de me permitir uma boa aproximação o sistema não tem a precisão necessária.

É um bom aplicativo para você se situar. Especialmente em constelações mais apagadas. Mas oscila muito. Às vezes fica meio perdido.

Fiz o alinhamento utilizando I Phone e cometi o primeiro erro. Mexi na minha Latitude na cabeça. Sempre a mantive no mesmo lugar e nunca deu errado. Mas empolgado com a tal da tecnologia errei. Passei essa noite tentando melhorar o alinhamento e insistindo no pequeno aplicativo.

Com a câmera instalada no 150 mm tentei exposições de 30 seg. Parecia arte moderna. Um monte de rabiscos. 15 segundos: rabiscos menores. 10 Segundos: Ainda rabiscos. O tempo abre e fecha e eu lutando para fazer um acompanhamento mais digno de Miaplacidus.

Já vai tarde a noite quando me dou por vencido.

Quarta Feira eu volto à carga. Mas desta vez a cerveja atrapalhou. Tento alguns registros da Caixa de Jóias (Ngc 4755). Nada aproveitável.

Quinta Feira. Hoje vai . Meu objetivo é fotografar todo o catalogo Lacaille e hoje eu decidira que NGC 2516 ia ser a bola da vez.

Assim que Venus acendeu a oeste, o dia ainda era claro. Comecei os trabalhos.

Desta vez contando com técnicas menos modernas e comprovadamente eficientes fiz o alinhamento polar. Usando de uma bussola ,um inclinometro e um pouco de bom senso acabo conseguindo um alinhamento polar aceitável. Faço algumas experiências com Canopus a utilizo para focar minha câmera. Faço algumas exposições de 15 segundos e depois de varias considero  o acompanhamento aceitável. Somando-se todas as horas para esse alinhamento acontecer passaram-se muitas horas e varios dias.E ainda pode melhorar mais. Mas enfim... Um alinhamento polar correto é uma das coisas mais dificeis que voce pode esperar fazer junto a um telescópio.

Canopus (Alpha Carina)



Agora é esperar 2516 se apresentar no local certo.

Lacaille catalogou este aglomerado em seu “Nébulas do Céu Austral” coma a entrada II. 3, Sua categoria II referia-se a aglomerados estelares associados a nebulosidade. Lacaille usava refratores muito pequenos . Toda essa categoria consiste de aglomerados abertos  sem nebulosodade associada.
Ele  comenta: um aglomerado de estrelas de 7ª e 8ª magnitude que forma uma nébula visível a olho nu.

Um Aglomerado aberto bem brilhante. Com uma Magnitude de 3.8 e medindo 30´ ele é facilmente percebido pela buscadora. O a olho nu da descrição do Abbe depende de um céu um pouco mais generoso que o do Observatório do Rio. Em Buzios percebo a nébula.

Usando-se o asterismo do Falso Cruzeiro ele é facilmente localizado. È só estender a linha que liga Kappa Velorum a Avior (Épsilon Carina) no eixo maior do Falso Cruzeiro e você vai achar o belo aglomerado. Eu percebo cinco estrelas pela Buscadora.

Com o Aglomerado na Buscadora realizo algumas dezenas de exposições de 15 segundos com uma Canon 350 d. Capturo também alguns Dark Frames.

E assim o verão começa com NGC 2516 sendo registrado e assim se tornando o segundo objeto Lacaille que foi capturado. Com alguns membros já transitando no vermelho é um aglomerado colorido e uma gema do céu austral

Deu trabalho...





Ngc 2516 -20 exposições de 15 Seg. Deep Sky Stacker


Outra serie de 20 exp...


sábado, 17 de dezembro de 2011

O Centro da Via Lactea vai se acender?

Astrônomos publicaram no jornal on line Nature  a descoberta de uma nuvem de poeira e gás ionizado que se desloca diretamente para o super massivo buraco negro no centro da Via láctea.
Vai ser uma das raras oportunidades de ver a besta se alimentar. Em 2013 a nuvem vai atingir a maior proximidade de Sag A* . Apenas 260 UA. É a maior proximidade de um corpo com este , com a exceção de 2 estrelas ,desde que este começou a ser monitorado nos anos 90.
A nuvem tem cerca de 3 vezes a massa da terra e deverá se esticar como um spaghetti com um comprimento de 120 UA segundo o co-autor do artigo Steffan Gillessen.

Segundo os autores o melhor cenário seria  o centro de Via Láctea  vir a brilhar até 3 vezes mais por 10 anos. O Nuncius certa vez contou uma história sobre como seria ter o centro da via láctea ativo e sobre ver dragões se alimentando.
Como contado na história dos dragões isto é uma tarefa para o Spitzer e outros telescópio do genero...

Mais em:
http://www.skyandtelescope.com/community/skyblog/newsblog/Black-Hole-Breakfast-En-Route-135511323.html

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

O Loop de Barnard

Vem chegando o verão. Orion começa a acender no horizonte nordeste logo com o por do Sol.

Hospedando a azulada Rigel. Esta uma estrela dupla que é sempre um desafio.

Com a super gigante Betelgeuse que aguarda o momento para seu grande show final.

A Brilhante Belatrix de Bônus.

No seu cinturão carrega um dos asterismos mais conhecidos do céu.

Neste vem pendurada a espada do caçador com a nebulosa mais famosa do céu. M42.

Esta dispensa apresentações e buscadora

Claramente visível a olho nu mesmo em áreas suburbanas.

Orion domina o céu do verão

Mas desta vez não vou falar de um desafio fácil. Em um post recente falei a respeito de observar a Nebulosa Cabeça de Cavalo a olho nu. Vai ficar mais dificil.

Desta vez vou apresentar uma nebulosa um pouco mais obscura (perdoem um trocadilho...). O Loop de Barnard.

.É o mesmo Barnard da história da Cabeça de Cavalo. Aliás, ambas tem muita coisa em comum. Foi também registrada primeiramente por Pickering em uma chapa fotográfica feita no Monte Wilson. Barnard a registrou também através de foto quatro anos mais tarde. 1894.

Catalogado como Sh 2-276. O catalogo Sharpless trata de Regiões HII no céu

Apesar de citar em suas anotações o trabalho de Pickering extensivamente Barnard foi quem levou as honras.

Trata-se dos restos de uma supernova. Um imenso, tênue arco de gás inflamado. De certa forma semelhante a mais conhecida Nebulosa do Véu em Cygnus. Mas maior. Caso forma-se um circulo completo teria algo como 10 graus de diâmetro e estaria quase centralizada na espada do caçador. Sua metade Leste é bem definida . Já a oeste é quase inexistete e percebida apenas em alguns pontos.Cruza a constelação toda. E tem sua origem ainda em discussão. Outra hipotese é que ele seja fruto de varias explosões de supernovas...

Freqüentemente fotografada são raros os relatos de observação visual deste imenso segredo de Orion.

Mas ha mais coisas entre o céu e a terra que os aviões de carreira. E assim o primeiro registro visual que encontrei de uma observação do Loop foi do grande Walter Scott Houston.

Scott foi o cabeça da Coluna “Deep Sky Wonders” na Sky and Telescope de 1946 até 1993. Foi talvez um dos maiores observadores de todos os tempos. E avistou a Loop a olho nu. Ou quase. Ele já havia tentado com um 250 mm, feito por ele mesmo. Um refrator Clark de 150 mm e outro Clark de 350 mm. E nada.

Acredito que o tamanho do Loop seja demais para observar com telescópios

E é um caso típico da tal história que você não vê a floresta só porque viu uma arvore. Aqui é o conjunto da obra. Perceber pedaços dele não é o que interessa.

Quando ele já considerava o Loop um objeto somente ao alcance de fotografias ele foi realizar testes com um filtro recém lançado pela Lumicon. O III.

Ao acaso avistou o objeto. Usando apenas o filtro e um pano preto sobre sua cabeça. Sua mulher viu também.

Repetiu o feito de lugares mais escuros diversas vezes utilizando filtros UHC (ultra high contrast).

Ele mesmo indica registros de mais dois amadores, Richard Johnson e John Bartels, que tambem realizaram o feito utilizando a mesma técnica.

Por outro lado também existem registros de pessoas terem tentado com telescópios de 100 mm, de campo rico, debaixo de condições ideais e sem o uso de filtros. Todos eles terminam em desespero, amargura e uma ocular vazia...

Nos tempos do filme era um grande feito registrar o Loop de Barnard.

Por incrível que pareça este objeto tem varias coisas em comum com a brilhante M42. Assim como ele faz parte de grande nuvem molecular de Orion, a cerca d 1600 AL. Seus gases são incandescidos pela estrelas que residem dentro da grande nebulosa de Orion. E assim como sua companheira mais famosa não precisa de buscadora. Olhe em direção a Orion através de um dos filtros indicados pelo grande Scott e veja a bagaça. Ela se espalha por toda a constelação.

Nuca nem tentei. Mas como vou viajar voltarei com um UHC na bagagem...

Não tem mapa hoje. Só uma foto.

O Loop se apresenta sozinho e não precisa de buscadora.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Astrofotografia: A primeira foto


IC 2391
 IC 2391 é conhecido também como o aglomerado de Omicron Velorum. Fica logo ao lado de Delta Velorum, uma das estrelas que forma o conhecido asterismo do Falso Cruzeiro.


É um aglomerado que tenho uma forte relação sentimental. Foi o primeiro aglomerado que descobri. Ou pelo menos redescobri.

Na época o Nuncius estava dando seus primeiro passos na arte de olhar os céus. Tinha comprado meu primeiro telescópio e passado uma temporada realizando um trabalho na Serra do Mar. Céu escuro e eu tentando entender como funcionava uma cabeça equatorial. Logo após este serviço eu consegui uma nova colocação em um filme que me levaria até Foz do Iguaçu. Na tríplice fronteira, consegui ir até o Paraguai em um dia de folga.

Um amigo já tinha ido até lá e me contara que tinha visto um binóculo enorme. E que era muito barato. Eu, inocente, puro e besta, fui direto à loja que ele indicara. Era uma beleza. 80 mm com um zoom de 15 até um numero impossível de ser verdade. Suas as lentes eram “coated” com mercúrio cromo (diziam que era ruby coated, aquelas lentes vermelhas...). Mas era barato. E eram 80 mm. O Trucuçu como veio a ser conhecido achava muitas coisas pelo céu, afinal um 80 mm é um senhor diâmetro para um binóculo. Na verdade o Trucuçu tinha suas qualidades. Mostrava tudo que eu apontasse. Com certa aberração, mas mostrava. No universo tudo tinha um desvio para o magenta...

Então fui para Buzios levando o “brand new” Trucuçu e comecei a olhar o céu.

Era bem iniciante e possuía um Telescópio  com quem ainda não tinha me entendido muito bem, um atlas estelar e o Trucuçu com suas lentes ”Mercúrio cromo coated”.

Comecei a vasculhar o céu junto ao falso cruzeiro e não demorei a avistar o belo aglomerado em forma de M.

-Uau, um aglomerado aberto bonitão!

Depois de muito olhar fui ver o Atlas. Não havia nada no local. O Atlas na verdade não era exatamente um atlas . Era um daqueles genéricos que tem entre seus capítulos uma coleção de mapas mensais com destaque para alguns objetos em cada constelação. Um bom Livro até: The Star Guide de Robin Kerrod. Usei então o programa que viera junto com o telescópio e nada lá também. Pronto achei meu primeiro DSO e rapidamente batizei de BZ 1.

Posteriormente descobri a verdade, mas aí eu já tinha curtido o barato de descobrir um DSO.

Talvez por tudo isto e por estar no lugar certo na hora certa eu resolvi que IC 2391 seria o alvo para meu primeiro experimento de verdade em astrofotografia.

Preparei tudo com calma. Montei os motor-drives na cabeça do meu 150 mm. Depois fiz um alinhamento polar. Provavelmente o mais cuidadoso que já fiz. Coloquei tudo a mão e preparei a câmera, T Ring e mais todos os cacarecos necessários para o evento. Estava esperando por isto a mais de um mês.

Malditas nuvens!

Eram 19h47min quando comecei a alinhar a buscadora com Venus. Este vinha caindo a oeste.

IC 2391 não era uma escolha totalmente sentimental. Eu sabia que era um aglomerado bem “claro” com uma magnitude de 2.5. Sabia também, graças às observações feitas na véspera que estaria bem na frente de minha janela entre 23h00min e 00h30min.

Primeiro fiz alguns testes para o foco usando Miaplacidus (Beta Carina). Aguardei até que a posição fosse ideal e apontei o telescópio para a vitima. Fiz algumas exposições para afinar o foco. E sentei o dedo.

É fazendo que se aprende. Fiz diversas exposições com 15 seg. E depois varias com 30 seg.
30 seg.


15 seg.

Pode-se perceber nas fotos que as com 15 seg. são menos afetadas pela poluição luminosa e que o numero de estrelas não muda. Como é um aglomerado muito brilhante acredito que é melhor fazer um “stack” com mais fotos de 15 do que de 30 seg.

Preciso evidentemente ainda aprender a usar dark frames e fotografar em raw, mas fiquei bastante feliz com o resultado destas primeiras fotos. Pensando friamente tudo pode ficar melhor. Mas ainda assim deu mais certo do que eu esperava e nem doeu. Pretendo fotografar todo o catalogo Lacaille. Creio que será uma boa escola.

Depois fiz o Stacking com o Rot and Stack. Um programa divertido, mas que usa de licença poética. Na verdade creio que se eu fizer um crop cuidados do mosaico final possa até mesmo parecer com o que se observa. Mas em todo caso ficou bem bonito. Esse mosaico é quase uma nova descoberta. Seria um lindo Aglomerado.
Rot n stack



Mas definitivamente a ferramenta certa para o trabalho é o Deep Sky Stacker. Ainda engatinho no uso deste. Mas a interface é até amigável.

Para não perder o habito vai aqui um mapinha para quem quiser conhecer este belo aglomerado galáctico registrado por Lacaille em 1752. Ele o descobriu bem antes de mim. É um excelente alvo para os astrônomos urbanos. Sua observação visual também é linda e o aglomerado possui diversas duplas que o tornam ainda mais interessante.


Continuamos andando...

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Log de Observação- 11 de Dezembro 2011

Depois de muito tempo sem observar nada , com o final da primavera apresentando um aspecto londrino aqui pela cidade maravilhosa , finalmente o céu abriu. Fim de tarde , céu de anil e pude ver Vênus se pondo atrás do Morro Dois Irmãos. Parecia assinalar a pacificação das comunidades em seu entorno.

Eram cerca de 19:30. Ainda bem claro. Termino minha corrida correndo mais ainda .  Chego em casa e começa o furacão . Afasto a mesa , cadeiras e poltrona liberando a janela. Arrasto o telescópio ( o Newton, um refletor de 150 mm ) e aponto o eixo polar para o sul . Aqui da janela eu sei exatamente onde ele deve olhar.  Milagrosamente a buscadora esta bem afinada apesar do telescópio ter ficado no canto da sala por mais de 20 dias , sem uso... 
Tudo bem a tempo de dar uma olhada na Deusa ainda descendo.
Muito brilhante coloco a tampa no telescópio e o uso com apenas 50 mm . Mais que isto ofuscava minha vista. Coloco a SP10 mm . Mesmo com toda poluição luminosa do mundo percebo ela com cerca de 80% de sua face iluminada. E só.
Vênus não é de se revelar facilmente e a fase não permite tentativas heróicas do tipo ver " Ashen Venus".  

Depois disto aguardo a vizinhança sossegar .
As 23:45 volto a carga.
Minha filha já dormiu. E percebo a Falsa Cruz indicando o caminho. Com Canopus já bem alta.  
Calço a SP 25 mm na porta ocular e vamos em frente
Observar de uma janela limita muito a area do céu que você pode olhar. Mas já sei por onde vou passear. Carina é uma velha conhecida.  Apesar do vizinho da frente não quere colaborar muito e ter a maior parte das suas luzes acesas eu sei que vou ver algo de belo na região. 
Rapidamente e quase sem querer percebo um pequeno nó de luz em meio as estrelas desta rica região da Via Láctea. Centralizo na buscadora . Um velho conhecido que há muito não visitava.
 NGC 3532 é uma descoberta do Abbe Lacaille e com  tem cerca de 50´ x50´. Apresenta um colorido interessante com estrelas de diversas cores. Bem bonito e grande . Um Clássico.  Troco a ocular para minha 17 mm e percebo ainda mais detalhes .  Tento alguma fotos por método afocal . Os motor drives estão guardados esperando por um local mais espaçoso. Não dá muito certo...

Parto em busca de um eterno favorito  IC 2602 . As Plêiades do Sul ao redor de Theta Carina. Coloco a 25 mm de novo para abarcar este monstro.  Dispensa comentários . Em uma rapida contegem percebo 22 estrelas . 

Por fim  , navegando pela ocular chego até  a area de NGC 3372 . A nebulosa sofre muito com a poluição mas o diversos aglomerados pela região fazem o serviço e fico passeando por ali mais um pouco.

Esta região que visitei é esteio para o observador urbano carioca. Muitos aglomerados abertos brilhantes o suficiente para sobreviverem até mesmo a mega cidades. E o Horizonte sul na zona sul do Rio é bem defendido . Tirando as  Ilhas Cagarras  você só encontra terra depois lá nas Falklands...

Não foi muito mas como diz o ditado é melhor pingar do que secar. E depois de mais de um mês de tempo nublado foi uma alegria....
São 00:45

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Sigma Orionis - Um Sistema Multiplo.


O sistema de Sigma Orionis esta localizado a cerca de 1200 anos-luz de nós . Consiste de um sistema quíntuplo. Seus componentes A e são estrelas muito brilhantes e massivas  separada por apenas 100 UA (unidades astronômicas). Muito próximas para  telescópios amadores. As estrelas  C e D estão separadas por uma distancia maior . Algo como 3000 UA e 4500 UA respectivamente.  E  E se encontra a quase 1/3 de ano-luz de A.

Para localizar Sigma Orionis primeiro localize a constelação de Órion ( claro...). Localize então o cinturão do caçador. São as Três Marias. O nome das santas é Alnitak , Alnilam e Mintaka.
Alnitak é a estrela mais a leste  . Logo acima (sul) você vai perceber  uma estrela levemente menos brilhante . É Sigma Orionis.

O campo da buscadora é bem congestionado. Sigma é claramente a quarta estrela mais brilhante da buscadora só sendo ofuscada  pelas Três Marias . Forma claramente um triangulo com Alnitak e Alnilam. É um alvo fácil.

O telescópio vai revelar  A e B como uma única estrela de 3.8 mag. de cor branca.  A leste de A/B está a estrela D , de mag. 7.2 e levemente avermelhada. A cerca de três vezes esta distancia  encontra-se E de 6.5 mag e cor azulada. Telescópios de pelo menos 150 mm podem revelar ainda o componente C do outro lado de A/B.  Ela brilha com esbranquiçada com uma magnitude de apenas 10.

Nunca consegui separar C. Mas confesso que só visitei Sigma uma única vez. E seeing é tudo quando se fala de duplas difíceis.

Sigma Orionis é o sistema que " inflama" IC 434. Essa por sua vez cria B 33. E todo o conjunto  desta região  de Órion viaja junto pelo espaço. Tanto Alnitak como Mintaka  ( das Três Marias...) também são estrelas duplas. Alnitak é bem difícil de separar. Já Mintaka é mais dada...

Órion vai dominar o céu pelos próximos meses e isto é sempre uma alegria.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Nebulosa Cabeça de Cavalo


Tenho medo de cair em um lugar comum. Mas ela ,  a Nebulosa Cabeça de Cavalo, é um destes símbolos que não podem ser evitados . Ela é um  DSO ( deep sky object)  que marcou a minha memória desde que vi sua primeira foto. Na verdade imagino que isto aconteça com quase todos os astrônomos.Ela( percebem.. )  é sempre tratada na terceira pessoa. Ela é parte do imaginário coletivo da astronomia amadora.

O universo é muito mais doido do que somos capazes de supor. E assim Ela é também conhecida por Barnard 33 (B33). Uma nebulosa escura. É considerada um alvo fotografico por excelência.
Sua história  nos conta isto.
Ela é uma nebulosa escura que se percebe porque encobre uma outra nebulosa , IC 434. Esta por sua vez é avermelhada e é alimentada pela energia de Sigma Orionis e foi descoberta através de uma chapa fotográfica feita por Pickering em 1889. A Cabeça só foi realmente registrada , também através de foto feita por Isaac Robertson em 1900. É possível que seu primeiro registro tenha sido feito Williamina Fleming que trabalhou como assistente de Pickering e ela registrou algo que poderia ser Ela . Podemos perceber a clara natureza feminina desta beleza. 

Posteriormente a primeira publicação a seu respeito foi feita por Barnard em 1913. Se tornou a entrada de numero 33 de seu catalogo de 1919.

Tanto IC 434 como B 33 fazem parte da  Nuvem Molecular de Orion.Outros membros desta mesma nuvem são M78, M42 ( a grande nebulosa de Orion) e a Nebulosa da Flama (NGC 2024)

Como já disse ela é uma modelo fotográfica das mais requisitadas. Porém se mostra tímida a observações visuais.

Sendo um glóbulo de poeira e gases não luminosos que nasce ao apagar a luz de moderadamente brilhante nebulosa IC 434 não me parece estranho que seja difícil  vê-la usando seus olhos  e não de CCD´s , CMOS ou antigos filmes sensibilizados.

Mas reza a lenda que isto não é impossível . Então vamos tentar.

Outro dia recebi um E-mail de um grupo de discussão que participo no yahoo.
 The 60 mm Telescope Group.
É um dos grupos ou forums de astronomia mais ativos que conheço.

 E a discussão seria sobre a possibilidade de avistar a Cabeça de Cavalo com o uso de instrumentos pequenos. "By the book" nada menor que 200 mm tem chance.

Mas a história esta só começando...

Me lembrei de um post que li no Uncle Rod a respeito de como a observar. Ele falava que era de extrema importância saber sua exata posição. Pois afinal ela era pequena , obscura e tímida . Saber exatamente onde olhar é fundamental.  Ele acaba por avista la . Parecia mais um pequeno caroço de feijão que propriamente a grandiosa Cabeça de cavalo. mas estava lá. O uso de filtros H beta ajuda muito.

Uma coisa ficou na minha cabeça . O Tamanho pequeno. Mas isto ia mudar.

Em meio a discussão do forum se levantou que M 57 , a nebulosa do anel , seria muito menor com uma area de apenas 1´ de arco. E ningúem diz que ela é pequena.  A Cabeça de Cavalo se espalha por uma area de 6x4 arcmin. 

Apesar de sua natureza ser totalmente distinta de M57 ela não é pequena. 

Existem registros da observação da cabeça de cavalo usando binóculos em grande quantidade. A mais conhecida virou um post de Phill Harrigton ( Sky watch , Cosmic Challenge...)  no qual ele conta como a avistou juntamente com Tom Lorenzino na Florida usando um 10x70 no qual eles colaram dois Hidrogênio - beta filtro em cada ocular. Ambos a viram . Pequena mais com certeza estava lá. 

Consegui localizar diversos registros de pessoas que avistaram a dama com pequenos telescópios. Um tal de Roger Clarks alega ter visto ela com um refrator de 75 mm em um céu muito escuro. Scotty Houston afirma observa-la freqüentemente com seu 100 mm Clark ( um senhor telescópio). David Knisely , no forum da  Cloudy Nights ,  relatou observa-la com seu Orion 100mm F6 usando um filtro H- Beta.

Existem diversos registros de observações visuais com pequenos aparelhos ao longo dos últimos 20 anos.
Todos tem como ponto em comum céus muito escuros. O uso de filtros H-beta também são muito comuns. Seu uso em telescópios grandes é quase como magica para observa-la.

Saber exatamente onde procurar é condição sine-qua-non.

 Last but not least B33 fica a  menos de 0,5 graus sul-sueste de Zeta Orionis, também conhecida como Alnitak. É a estrela mais a leste do cinturão de Orion. Este conhecido como "As Três Marias".












domingo, 4 de dezembro de 2011

Galaxias Seyfert

Galáxias Seyfert foram assim batizadas em homenagem a Carl K. Seyfert que em 1943 as descreveu como uma classe de galáxias que apresentam em comum um núcleo com linhas de emissão notáveis.

Em seu trabalho ele elaborou uma lista com 12 galáxias relacionadas e posteriormente fez uma pesquisa mais detalhada em seis destas. Não confundir as chamadas seis galáxias Seyferts originais com o Sexteto de Seyfert. São coisas completamente diferentes.

O Sexteto é um aglomerado galáctico cujo membro mais brilhante é Ngc 6027. Com magnitude de 14,7 é muito além das pretensões deste post.

Já na lista de 12 galáxias primeiro descritas por Seyfert em 1943 existem diversos alvos ao alcance de telescópios pequenos.

As galáxias Seyfert fazem parte das chamadas galáxias com núcleos ativos. Um dos tópicos mais badalados da pesquisa astrofísica. Na verdade antes mesmo de sabermos que eram galáxias, diversos destes objetos já chamavam atenção dos astrônomos.

Seus núcleos são alimentados por buracos negros super massivos. Isto os faz super brilhantes. E com isto alvos perfeitos para os astrônomos amadores. 

 M 77, NGC 1275, NGC 3516, NGC 4051, NGC 4151, and NGC 7469. Estas são as seis Seyferts originais. Hoje em dia calcula-se que cerca de 10 % de todas as galáxias sejam Seyferts.

O Nuncius Australis vai apresentar uma lista com algumas das mais belas e brilhantes galáxias Seyfert.

Como o arquétipo de galáxias Seyfert poderia citar M 77.


Localizada em Cetus, a menos de 1º de Delta Cetus esta galáxia teve suas unusuais características notadas já no inicio do sec. XIX por William Ross devido a sua cor azulada em seu gigantesco telescópio (1800 mm). M 77 é uma galáxia gigantesca com massa superior a 1 trilhão de sóis. Seus braços cobrem mais de 170.000 anos luz.

Um alvo austral e uma das mais brilhantes Seyfert no céu é NGC 1365.


Uma das galáxias mais brilhantes do aglomerado de Fornax. Apresenta-se com uma espiral barrada com braços bem desenvolvidos e com estrutura visível (em locais escuros) ao alcance de pequenos telescópios (90 mm). Seu núcleo é um pouco menos brilhante do que é esperado de uma Seyfert já que é obscurecido por linha de poeira bem notável.



Outro exemplar deste tipo de galáxia AGN (da sigla em inglês para active galaxy nucleus) é NGC 3227.

 A menos de 1º a leste de Algieba (Gamma Leonis) você vai localizar esta espiral barrada. Ela brilha com magnitude 10.4 e apresenta uma companheira menor, NGC 3226. Esta é uma pequena elíptica que apresenta 11.4 como magnitude. O conjunto lembra um pouco M51, a galáxia do redemoinho. É aceito que a interação entre ambas tenha aumentado o fluxo de material presente no disco do buraco negro central de NGC 3227.

Entre Leão e Virgem habita o reino das galáxias e próximo a seu coração está M88.

 Esta também uma galáxia Seyfert. Localizada praticamente no maio da linha que liga Denebola (Beta Leonis) e Vendimiatrix (Épsilon Virgo). Mais precisamente a 10.4º de Denebola. Trata-se de uma espiral com os braços extremamente fechados e com um núcleo que hospeda um buraco negro com a massa de 80 milhões de sóis...

Outra Seyfert que se encontra no catalogo Messier é M106.

 Porém mais difícil para os astrônomos austrais. É uma espiral barrada altamente inclinada para nossa linha de visada. Isto a faz bem notável com quase qualquer instrumento. Apresenta 8.4 de magnitude

As galáxias Seyfert, em geral, apresentam um alto brilho de superfície e com isto são (pelo menos seus núcleos) bons alvos para astrônomos que sofrem com poluição luminosa.

Nem todas as galáxias Seyfert são espirais (sua grande maioria é). A lista de 12 galáxias inicialmente utilizada por Seyfert para a criação desta classe consistia em:

NGC 1068 (M 77), NGC 1275, NGC 2782, NGC 3077, NGC 3227, NGC 3516, NGC 4051, NGC 4151, NGC 4258 (M 106), NGC 5548, NGC 6814, and NGC 7469.

Posteriormente NGC 3077 e 2782 foram retiradas da lista e consideradas galáxias de outra classe.

A web apresenta muito material sobre galáxias Seyfert e AGN em geral.

Aqui um bom começo.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Vivendo e Aprendendo

Semana passada contei minhas aventuras em astrofotografia com foco direto. Os primeiros passos mesmo. Como acoplar a câmera a meu telescópio. Não foi um processo tão simples como eu acreditava.
Após algum tempo eu tinha um problemão com relação ao foco. Eu não conseguia foco.
A história é engraçada e o tutorial que se segue pode ser útil. Existe ainda um post anterior falando de equipamento que interage com estes.

Astronomia é um hobby legal porque é uma ciência. E então as vezes você aprende algo. Melhor : descobre.

Por que eu não obtinha foco ?

Acabei por solucionar o problema de forma empírica e pela experimentação .

Muito bom mas ficava faltando a outra parte para ser ciência.

Então tendo um problema e  uma solução faltava saber porque finalmente deu certo.

Meu problema : Falta de foco....


Para resolver isto é bom sabermos de quantas formas pode se organizar o conjunto da obra:

Montagens para fotografia



E eu buscava acoplar a câmera com o método de foco primário.  
E só conseguia foco utilizando uma barlow . Utilizando o método de projeção negativa

Agora é necessário compreendermos que existem diversos tipos de formas de se montar um telescópio. E pequenas nuances na forma como estes vão se acoplar a sua camera.
Refratores e refletores. Estas duas famílias se subdividem em vários membros. Existem diversos artigos na web que tratam disto e mais ainda .
Elaborados por físicos e óticos muito mais competentes que o Nuncius Australis para tratar do assunto.
 Assim sendo vou pular uma parte e dar mais um dado .
 O meu telescópio é um Newtoniano.


Logo :



Olhando o outro post você vai entender o que aconteceu comigo . E entender que você tem que obter o adaptador certo para seu equipamento. E como usar ele certo. 
Assim você não comete nenhuma das loucuras que me ocorreram 
E nem precisa ( eu pelo menos não precisei) mover seu secundário .
 O que alias, me parece ser uma péssima idéia . Eu recomendo que você não tente isto . 

Astro fotografia é ótica aplicada no meu hobby favorito . Por isso que astronomia é uma ciência onde você aprende ciências... E ainda se diverte com isso.

Vivendo e aprendendo.

sábado, 26 de novembro de 2011

Petavius


Petavius

 Petavius é uma bela cratera que faz par com Wrottesley. Petavius "itself" tem 182 km de diametro e é percebida até mesmo com binoculos 10x50. Uma formação do Imbriano (3.85 bi) .
Localizadas nas mergens sul do Mare Fecunditatis ela é melhor observada  3 dias depois da lua nova ou 2 dias depois da cheia.
Seu nome é uma homenagem a Denis Pétau um teologo e historiador francês do sec XVII.
O desenho foi feito com Pen and Ink ( 0.1 , 0.5 e 0.8) e esboçado com uma lapiseira 0.3 com grafite H.
Um pouco estilizada eu diria...
Interessante perceber as sombras da Rimae Petavius, que são as montanhas no centro da Cratera. Possuem cerca de 170 mm e são um alvo para grandes telescópios.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Usando um T Ring

T Ring para canon EOS
Como foi dito antes o Nuncius Australis decidiu se aventurar pela astrofotografia . Em um dos últimos posts eu apresentei uma kit básico de sobrevivencia.
Com achegada de meu T Ring este se tornou completo . Faltava fazer tudo funcionar ao mesmo tempo agora. Aí começou a complicar.

Como já foi dito vou fazer tudo da forma mais dificil. Assim sendo foi bom o T Ring ter vindo sem nenhum manual.

Em tese a  rosca do tal T Ring ia rosquear em algum lugar do focalizador ou se prender a ele de alguma forma.

Olhei o porta ocular e havia uma rosca . Mas do lado errado.

 Rapidamente notei que  minha Barlow da Skywatcher tinha a rosca na bitola certa para realizar a operação.

E como usar sem a barlow? Moleza . Só tirar a lente e usar o corpo restante como um adaptador.

Só que aí o caldo entornou. Assim o curso do focalizador fica grande e não tenho foco.

Continuando com o metodo dificil eu tento de tudo .

 Quando finalmente me vejo retirando os pequenos parafusos Allen que prendem o anel rosqueado a bainoeta do TRing e colocando estes , ao contrario , através dos furos que se usa para fixar a uma ocular e depois usando os parafusos que normalmente fixam a ocular para fixar a baioneta no anel rosqueado do T Ring chego a conclusão que não pode ser assim. Tá errado...

Mandar fazer uma peça, serrar o corpo da barlow e outras loucuras começam a me ocorrer.

Já meio de madruga entro em um fórum de astronomia na web em busca de alguma luz. Embora não tenha resolvido na hora uma alma caridosa  deixou bem claro que havia um jeito mais fácil.

-Pensar , professor , pensar!!!

Finalmente a luz . Preciso desmontar mais um pedaço da porta ocular ( que me parecia ser uma peça única).

Agora ficou claro. Eu sou uma besta . Mas em todo caso vou apresentar um passo à passo só para  garantir que ninguem , em um momento de desespero,  serre algo em seu equipamento.


   Primeiro retire o porta ocular do focalizador. É só desrosquear e ele sairá inteiro.









Agora desmonte completamente o porta ocular para conseguir o anel que vai fazer o truque. O Porta ocular só parece uma peça única mas ele se divide . O negocio precisou de um pouco de cuspe e jeito mas a rosca acabou cedendo . ( eu sei..)






Rosqueie os dois . O anel que você tirou da porta ocular e o T Ring . Eles se encaixam perfeitamente.










Você vai terminar com isto em suas mãos. A tal peça que eu queria encomendar para um torneiro...








Agora atarraxe tudo no focalizador.






E encaixando a camera a baioneta do T Ring esta tudo resolvido.

Com Barlow e sem Barlow...







 E com uma chave allen  ( não incluida)você pode soltar os parafusos que prendem a baioneta ao anel rosqueado ( os mesmos que eu ia colocar no porta ocular...) do T Ring e colocar o LCD ou viewfinder na posição mais favorável que você achar.  





A caminhada prossegue ...

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Observando Asteróides

Vesta, o quarto asteróide a ser descoberto e um dos mais brilhantes

Em 1 de janeiro de 1801 Giuseppi Piazzi percebeu um tênue objeto na constelação de Touro. Curiosamente aquela estrela não aparecia em nenhuma de suas cartas celestes. Ele marcou a posição desta “estrela" em relação as outras e retornou alguns dias depois para observar a mesma região. Aquela estrela tinha andado.

Futuras observações provaram que o objeto que Piazzi observou era novo e que orbitava o sol a uma distancia de 2.77 UA. (Unidades astronômicas).

Piazzi achou o primeiro asteróide. Pelo menos até que Ceres tenha sido transformado em planeta anão. Como ele foi o descobridor e morava na Sicilia batizou o então asteróide e agora planeta anão em nome de da Deusa protetora da Sicilia. Ceres.

Depois disto centenas de milhares de asteróides foram descobertos e estimativas sugerem que existam mais de um milhão destes objetos com mais de 1 km de diâmetro ou mais...

A maioria dos asteróides se situa entre as orbitas de marte e júpiter. Já ouviu falar no cinturão de asteróides?

Os asteróides mais comuns são conhecidos como carbonáceos. Ricos em carbono. São objetos escuros e que refletem apenas de 3 a 4% da luz solar.

Caçar asteróides é como procurar por agulhas em um palheiro. Mas uma boa carta celeste vai ajudar muito. Sempre que um asteróide atinge 8ª magnitude ou mais e se torna visível a Astronomy e a Sky and telescope vão publicar uma carta detalhada mostrando o caminho deste contra as estrelas de fundo. Diversos programas planetários também são capazes de gerar tais cartas.

De posse de uma destas cartas aponte seu telescópio para o campo estelar mostrado nestas. Uma vez certo de que esta olhando para o local certo passe para a ocular, que deve ser a de maior campo que você possua. Comparando o que vê com sua carta procure por padrões e deduza quem é o asteróide. Faça um desenho acurado da região. Aí aguarde um dois dias e volte ao mesmo ponto no céu. Se você fez tudo certo a estrela que você escolheu terá se movido em relação às outras em seu desenho (ou foto).

Asteróides, por maiores que sejam só serão percebidos como pontos estelares. Aliás, asteróide significa “como uma estrela”. Assim sendo asteróides só podem ser notados graças a seu movimento contra o fundo de estrelas.

É um exercício de astronomia bastante interessante e um desafio para astrônomos amadores.

Boa sorte...





segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Em Monoceros: Uma estrela tripla, Beta Monocerotis

Escondida na discreta constelação do Unicórnio (Monoceros) se esconde um sistema estelar interessantíssimo. E ao alcance de pequenos telescópios.

Sua estrela beta é um sistema quádruplo. Três de suas estrelas são razoavelmente brilhantes e próximas uma da outra. A quarta é mais apagada e distante (muito apagada para ser percebida por telescópios amadores). O grupo se encontra a cerca de 450 anos-luz de nós. A sua estrela principal, Beta A, está a cerca de 1000 UA de B. A estrela B encontra-se a 400 AU de C. Dadas as distancias expressivas elas levam alguns milhares de anos para completarem sua dança em orbita uma das outras...


Para localizar Beta Monocerotis comece por Orion. Localize Betelgeuse que é o ombro do caçador. Logo a sudeste você vai ver as Três Marias. Elas formam o cinturão do caçador. Seguindo seu alinhamento rumo a leste você chegará a Sirius, a estrela mais brilhante do céu. Em uma linha imaginaria entre Sirius e Betelgeuse (que é uma estrela bem vermelha) você vai encontrar Beta Monocerotis aproximadamente no meio.

Na região há apenas duas estrelas relativamente brilhantes. Mire na mais ao leste. É Beta Monocerotis.

Aplique a maior magnificação que puder. Geralmente uso 120x para começar podendo chegar a 240 se o seeing permitir. Estrelas múltiplas gostam de magnificação. São bem brilhantes.

Na ocular você vai ver uma estrela primaria branca, A, sendo orbitada por um par bem próximo de estrelas azuladas, B e C.

Um mau seeing não vai permitir muita magnifcação e pouca talvez só permita perceber duas estrela . A e B. Ainda assim forma um belo par colorido.



A é de magnitude 4.6

B é de magnitude 5.2

C é de magnitude 5.6



Beta Monocerotis é um alvo fácil e muito bonito para o céu de verão. A constelação do Unicórnio embora discreta apresenta diversos objetos de grande interesse astronômico e astrofísico.

Astrofotografia: Aprendendo Andar


O Nuncius Australis decidiu que chegou a hora de ele aprender a tirar fotos do céu. Evidentemente que da forma mais difícil.

Sempre utilizando um esquema auto didata e tentando manter um hobby caro na seara do barato ele pretende apresentar para vocês suas aventuras e desventuras no glamoroso mundo da astrofotografia.

Neste post vou apresentar o que acredito ser o equipamento mínimo necessário para a pratica da astrofotografia com um algo de qualidade.

Senão de qualidade  algo com  chance de registrar DSO´s com um mínimo de integridade.

Não que eu tenha a pretensão de ser um Cartier-Bresson da astrofotografia.

Minhas ambições são registros honestos que permitam a identificação dos objetos fotografados.

Não creio que venha algum dia adentrar o seleto grupo dos astrofotografos que habitam as colunas de fotos da Astronomy e da Sky and Telescope.

Primeiro por acreditar que não seja do tipo que é capaz de realizar varias exposições longas, com diversos filtros e outros truques de um mesmo DSO. Projetos que podem durar vários dias ou até mais. Isto é coisa para pessoas mais “single minded” que eu.

Sou  um  homem de muitas  paixões  . Observação visual, a caça de vários objetos ao longo da noite, desenhar e outras mais.

E de novo porque tento manter o meu hobby do lado mais em conta da astronomia.

Agora vamos tratar de equipamento. E do lado menos em conta...

A câmera será um equipamento fundamental. Esqueça câmeras “point and shoot” e também seu celular. Ainda que fotos pelo método afocal seja viáveis não é disso que estou tratando aqui.

Como busco pelo lado “barato da coisa” uma câmera dedicada é impossível. A minha câmera deve também tirar fotos de pessoas, lugares e etc... Isto elimina as câmeras especiais  para astrofotografia.

A escolha obvia recai sobre as DSLR.

São câmeras com recursos de exposição e velocidade bem como com recursos para a utilização de diversas lentes. No caso da astrofotografia esta lente será também seu telescópio.

Um rápido levantamento em fóruns e pela web  vai rapidamente mostrar que existem dois mundos: O Nikon e o Canon.

Um pouco mais de pesquisa e você vai perceber que se pretende manter sua conta bancaria no azul as câmeras da serie EOS da Canon são as mais indicada.

Acabei por comprar uma Canon EOS 350 Rebel. Usada. Recomendo uma pesquisa no Mercado Livre e você vai ter varias opções. Gastei 600,00 R$. Incluído aí uma lente zoom 28-70 mm, duas baterias, dois cartões de memória e mais uns badulaques. Esta é certamente a câmera mais barata que apresenta os recursos necessário mínimos. ( Posteriormente comprei uma Canon T3. Essa continua sendo uma "low end" da serie EOS. Mas é muito mais desenvolvida que a 350 D. É atualmente (2013) a DSLR mais barata que você vai encontrar facilmente no mercado. Veja a avaliação dela neste post: http://nunciusaustralis.blogspot.com.br/2013/02/canon-t3-primeiras-impressoes.html )

A menos que você tenha grandes pretensões em outros campos da fotografia você não precisa de câmeras com CCD´s enormes. Estes serão subaproveitados pela ótica de seu telescópio. A câmera citada possui um sensor CMOS que é menos sensível que os CCD´s. Mas vai fazer o truque.

Você vai também precisar de um telescópio, é obvio. Mas no caso o que me importa aqui é a cabeça equatorial que você precisa ter no mesmo. O mínimo (mínimo mesmo) é uma EQ -3 motorizada.


No meu caso para adentrar no tapete vermelho eu precisei comprar um motor duplo axis da Orion distribuído pelo Armazém do Telescópio.  Some 430,00R$.

Pode-se usar um motor single axis. Se você achar...

Para finalizar você vai precisar de um anel T. Este vai adaptar sua câmera ao telescópio. Cada pessoa vai acabar com a câmera “riggada” de uma forma um pouco diferente. Olhe para o T Ring, olhe para o suporte da ocular e para os parafusos disponíveis e tenho certeza de que você vai conseguir acoplar a câmera ao telescópio. E gaste mais cerca de 80,00R$.

Acredito ser este o pacote básico para o inicio da aventura chamada astrofotografia.

Incluindo um telescópio com uma cabeça digna o suficiente e uma lente barlow você vai gastar algo por volta de 2500,00 R$. Para começar. E se você for atento vai perceber que mínimo, mínimos, mínima e adjetivos do tipo são bastante comuns neste post. Desculpem-me, mas foi inevitável...



Depois disto você ainda vai ter que aprender muito.

Mas isto fica para outros posts. Vai ser um longo caminho.

P.S -  Se voce é do tipo o céu é o limite ( não resisti...) e dinheiro não é um problema recomendo que de uma olhada aqui

sábado, 12 de novembro de 2011

NGC 2237- A Nebulosa da Roseta

A nebulosa da Roseta ( NGC 2237-39) esta visível logo a leste de Orion, na discreta constelação de Monoceros.


Situada aproximadamente entre Betelgeuse (Alpha Orionis) e Procyon (Alpha Canis Minus).

Ela é dificilmente avistada sem o uso de filtros.

Mas em céus escuros é possível observá-la “Au natureil”.

O uso de filtros UHC a torna perceptível mesmo a olho nu. Walter Scott Houston e Brian Skiff registraram observações desta em 1983 “piscando” um filtro em frente a seus olhos…

A Roseta é um DSO que é mais facilmente percebido através de buscadoras e binóculos que com telescópios.

É uma de minhas nebulosas favoritas.

Sua história e cheia de reviravoltas e sua nomenclatura no New general catalog é bastante confusa.

Na verdade quando falamos da Roseta se podem incluir aí diversos objetos. NGC 2237, 2238 2246 são todas partes de uma grande região HII. Envolta nesta nebulosa se encontra um brilhante aglomerado aberto que também possui dois números no NGC.

NGC 2239=NGC 2244. O Aglomerado foi observado por Herschel.

Já Albert Marth parece ser o descobridor de uma parte da Nebulosa (NGC 2238) embora Lewis Swift fosse o primeiro a chamar atenção para o grande tamanho desta nebulosa. Barnard também assinala algo em 1883. Sua descoberta oficial é registrada por Swift em 1884. Quem viu que parte e quando é ainda objeto de discussão...

A nebulosa de Roseta e seu aglomerado 2244 são um espetáculo durante o céu de verão no hemisfério sul sua localização não é difícil. E esta ao alcance de todos os tipos de aparelhos. Cada um vai apresentar uma faceta deste belíssimo DSO.

Com finalidade didática prefiro denominar NGC 2237 com sendo a Nebulosa da Roseta...

NGC 2237

Magnitude: 5.50

Brilho da Superfície:

Dimensão: 80.0 x 60.0 '

Posição Angular: 90

Classe: E

Descrição: pB

vvL

dif

part of eL nebs ring ar 2239

Rosette nebula

Name: OCL 511

Constelação: Monoceros

Coordenadas: Aparente

Aparente RA: 06h31m 33.8s DE:+05°02' 28"

Abaixo da data RA: 06h31m 31.9s DE:+05°02' 28"

Abaixo de J2000 RA: 06h30m 54.0s DE:+05°03'00"

Eclíptica L: +98°16'32" B:-18°10'13"

Galáctica L: +206°05'34" B:-02°14'47"

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Villegaignon, Magalhães, Cinema e as Nuvens.

O Nuncius Australis encontra-se em animação suspensa.

Em uma espécie de viagem no tempo. Mais precisamente para o período entre 1555 e 1559.

O cinema é responsável por tal fenomeno .

 O período acima citado se comprime em apenas dois meses.

Este é o tempo em que um grupo de diversas nacionalidades dedicará sua vida a recriar a saga de Villegaignon em sua missão de estabelecer a França Antartica. 

A história é interessante e recomendo que assistam o filme que será lançado.
Rouge Brésil.
Uma co- produção Franco Brasileira e Canadense.

 A globalização se repetindo.


Globalização em 1555
  A própria França Antartica foi um co- produção. No caso envolvia franceses , portugueses, protestantes suíços, Tupinambas e outra etnias...

Mais sobre Villegaignon aqui.

Graças a esta incrível viagem no tempo o Nuncius teve a oportunidade de passar uma longa temporada em Trindade. Uma pequena vila no litoral do  Estado do Rio de Janeiro que se encontra cercada por uma reserva.

Céu Escuro de verdade. E ainda por cima lua nova.

Por razões óbvias não tive muito tempo livre para observar e muito menos a possibilidade de levar algum telescópio. Mas como trabalho com a luz posso garantir a escuridão nas horas vagas... Ou a ausência da mesma durante as filmagens. Veja nossa lua particular...

Lua???
Nos anos de 1555 não existia nada sequer semelhante ao meu pequeno binóculo 10x50mm.

E assim sendo esta viagem é quase toda a olho nu.

A muito tempo não tinha a oportunidade de olhar para um céu escuro de verdade.

As duas grandes estrelas desta temporada foram as Nuvens de Magalhães.

Imaginei como aquelas duas enormes nebulosas devem ter espantado os antigos navegantes. Ocupam áreas enormes do céu e são muito brilhantes. Muito mais brilhantes do que este urbano observador jamais imaginou. Mesmo de céus suburbanos ela se mostram muito timidas.

Dominando o horizonte sul elas são deslumbrantes e apresentam muita estrutura. Não são uma manchinha como outras nebulosas que pipocam no céu escuro que eu via. Mesmo M 42 é uma manchinha discreta em comparação.

Na primeira noite fiz um pequeno tour com meu binóculo pela via láctea. Todo o miolo central , entre Sagitário, Escorpião e adjacências se apresentou e diversos DSO´s se apresentaram . M8 em grande estilo.

Mas as Nuvens roubavam o show. Mesmo a olho nú.

E apenas com o modesto binóculo pude perceber o potencial desta pequenas galáxias.

A pequena e a grande Nuvem de Magalhães são conhecidas desde a antiguidade e seu primeiro registro é atribuido a Al Sufi  em 964. Pigaffeta  as descreve durante sua viagem com Magalhães ( 1519-22).
Lacaille as inclui em seu livro e as chama de pequena e grande nuvem. Nuvens de Magalhães é um nome que passa a ser adotado somente depois do sec. XVIII.

Guy Consolmagno e Dan Davis em seu famoso livro " Turn Left at Orion" concedem apenas as duas nuvens e a M42 a cotação máxima de 5 telescópios.

As duas nuvens só são visíveis abaixo de 10 graus sul. Objetos austrais por exelencia.

Imagine uma linha unindo Achernar e Canopus . são uma perfeita referencia para se localizar as Nunvens.

Ambas as nuvens demandam céus escuros para serem percebidas em toda sua beleza. E neste são tão óbvias que não é preciso nada além de seus olhos para as perceber.

 Escondem diversos objetos NGC . E são alvos fantasticos para serem escaneadas de telescópios. Nos mapas abaixo estão indicados os DSO que as habitam .

PNM

GNM

 Quantos destes você é capaz de perceber?.

Eu ,particularmente, gosto mais de passear pela GNM.

E é bom lembrar que Tuc 47 não faz parte da PNM. Mas que parece ,  parece...