quarta-feira, 25 de maio de 2011

NGC 6752 -Astrolog 25 de maio 2011


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Log. de Observação – NGC 6752.

Local- Rio de Janeiro

Poluição luminosa (1 -9) 6

NELM – entre 4 e 4,5

00h00min horas



Alpha Pavo é facilmente visível a cerca de 35 graus no horizonte Sul –Sudeste. Com atenção é possível perceber também Lambda Pavo (magnitude 4.2). Eu utilizo ambas as estrelas para triangular a posição de 6752 utilizando à buscadora L.E.D. E depois vasculho a posição com a buscadora ótica (10x50mm) para inspecionar a vizinhança. Localizo HIP 94198(mag.7.5). Esta indica o aglomerado bem ao lado . Percebo a tênue nebulosidade na buscadora. Percebe-se também claramente a estrela HIP 94235 (mag. 8.3). Começo a observação com a PL 25mm e esta revela claramente a nebulosidade mas não chega a resolver estrelas no globular. Apresenta diversas estrelas tênues dentro de seu campo (Um pouco mais de 1º).

A seguir aumento a ampliação e troco a ocular para minha SPL 10 mm. Com ela ele se resolve parcialmente. Especialmente com visão periférica. Uma corrente de estrelas se resolve claramente cortando seu centro Diversas estrelas se alternam acesas no aglomerado e em seu halo Ele ocupa todo o centro da ocular. HIP 94198 ajuda a focalizar.



Resolvo abusar e fazer um teste. Coloco uma Barlow OMNI da Celestron (2x). O Aglomerado enche o campo, mas se torna um borrão irreconhecível. O foco é impossível.

Não me dou por satisfeito e coloco a 5 mm. Em tese isto apresentaria resultados semelhantes a 10 mm + Barlow. Mas fica melhor. Consigo resolver estrelas ao longo do aglomerado. Mas a qualidade da imagem é pouca e o seeing começa a acusar a grande magnificação. Só consegui alguns breves momentos de imagens aceitáveis. A maior parte do tempo um borrão.

Há 120 x foi a melhor relação. Utilizando esta ampliação fiz um esboço com lapiseira e posteriormente um render no Photo shop.

Primeira vez que observo este globular. Ele se apresenta em uma posição ideal para a observação de minha casa. Agradeço aos vizinhos que parecem estar aprendendo que suas luzes acesas atrapalham muito o Observatório do Nuncius Australis.

Outra coisa que ajudou muito a observação de hoje foi a confortável posição que se encontrava o DSO. Com isto localizá-lo foi mais fácil que o esperado. A região apresenta poucas estrelas em céus urbanos, mas mesmo assim a aproximação realizada com a buscadora L.E.D. foi bastante precisa e colocou sua companheira ótica em perfeita posição para finalizar o trabalho. Um achado bastante agradável. Utilizei o Stellarium como atlas da operação.
 A Wikipédia informa ser este o terceiro aglomerado globular mais brilhante do céu. Atrás apenas de Omega Cen e de Tuc 47. Mas eu , particularmente, fiquei mais impressionado com M 22 . E talvez M 13...

Este aglomerado foi descoberto por Dunlop em 1826. Utilizando um refletor com 225 mm (Diâmetro do espelho)

Magnitude: 5.40

Brilho da Superfície:

Dimensão: 20.4 x 20.4 '

Posição Angular: 90

Classe: VI

Nome: Dunlop 295

Constelação: Pavo

Coordenadas: Aparente

Aparente RA: 19h11m 57.7s DE:-59°57' 37"

Abaixo da data RA: 19h11m 54.1s DE:-59°57' 50"

Abaixo de J2000 RA: 19h10m 54.0s DE:-59°59'00"

terça-feira, 24 de maio de 2011

Cap. 4- Catalogo JESS Primeiras Entradas – O Caminho das Pedras

A seguir apresento um guia para a observação das entradas encontradas no capitulo anterior. Apresentarei também um breve histórico sobre os objetos em questão.

O Catalogo J.E.S.S de Nebulosas e Objetos Estelares apresentará este formato.

Após apresentação dos objetos realizada por Silvano Silva e o resgate histórico permitido pela recuperação dos textos do mesmo e apresentados no capitulo anterior, os astrônomos amadores interessados em acompanhar o caminho trilhado por estes pioneiros nos céus austrais poderão utilizar as seções “ Caminho das Pedras” que se seguirá as entradas .

Estas introduzidas seguindo a cronologia original apresentada nos textos de Silvano e Silva .

As coordenadas dos objetos terão como referencia o programa Cartes du Ciel.

Registros de observações que possam ser significativos para a localização ou de caráter histórico podem ser descritos.

Objetos interessantes nas proximidades podem ser apresentados  mas não são de forma alguma parte do Catalogo J.E.S.S.

Serão incluidas duas imagens .

A primeira panorâmica e com o objeto sobre o meridiano e uma que simula a imagem por uma buscadora com 5º TFOV(True Field of View).

A primeira pretende ajudar a localização inicial o do objeto e a segunda seu reconhecimento pela buscadora.

A capacidade o não de se perceber os objetos pela buscadora depende de diversos fatores. A dificuldade de se percebê-lo será apresentada na apresentação de cada objeto. Pressupõem-se céu escuro.

Aqui o Link que remete para o capitulo 3 ( O Catalogo original e parte de sua transcrição)


J.E.S.S. 1


.



Magnitude: 4.00

Brilho da Superfície:

Dimensão: 30.0 x 30.0 '

Posição Angular: 90

Classe: III

Nome: 47 Tucanae

Constelação: Tucana

Coordenadas: Aparente

Aparente RA: 00h24m 34.3s DE:-72°01' 31"

Abaixo da data RA: 00h24m 35.2s DE:-72°01' 20"

Abaixo de J2000 RA: 00h24m06.0s DE:-72°05'00"

Eclíptica L: +311°23'55" B:-62°21'21"

Galáctica L: +305°53'37" B:-44°53'15"



- O Aglomerado Globular NGC 104 é uma descoberta original do Abbe Lacaille. Nos registros históricos anteriores ficou registrado que ele o catalogou em 14 de setembro de 1751. Mas nada impede este de ter realizado observações anteriores do mesmo objeto durante sua viagem para a Cidade do Cabo. Há diversos registros de sua passagem pela cidade do Rio de Janeiro e este realizou diversas observações na época. O objeto é facilmente notado a olho nu em céus escuros. Na verdade é o segundo globular mais brilhante do céu. É um dos poucos objetos de Lacaille ( entres os presentes nos escritos apresentados a este por José Eustaquio) que Silvano Silva apresenta com a mesma numeração utilizada posteriormente no catalogo Lacaille . Esta é uma das mais fortes evidencias de que os escritos apresentados por José Eustaquio para Silvano silva e que se tornaram as primeiras entradas no catalogo J.E.S.S são em grande parte derivadas dos trabalhos do Abbe.

O Aglomerado foi catalogado também como Lacaille I.1 , Dunlop 18 e Bennett 2





J.E.S.S. 2




Magnitude: 3.90

Brilho da Superfície:

Dimensão: 36.3 x 36.3 '

Posição Angular: 90

Classe: VIII

Name: Omega Centauri

Constelação: Centaurus

Coordenadas: Aparente

Aparente RA: 13h27m 31.9s DE:-47°32' 50"

Abaixo da data RA: 13h27m 29.2s DE:-47°32' 32"

Abaixo de J2000 RA: 13h26m 48.0s DE:-47°29'00"

Eclíptica L: +219°55'53" B:-35°13'56"

Galáctica L: +309°06'13" B:+14°57'51"



- Ngc139 é o maior aglomerado globular do céu. Omega Centauro. Foi primeiramente registrado por Edmund Halley em 1677. È percebido a olho nu em céus escuros. Composto por cerca de 5 milhões de massas solares . Foi o primeiro aglomerado a ter registrado diversas populações estelares. Houveram diversos períodos de formação estelar e a fortes indícios de ser um núcleo galáctico remanescente . A galáxia que o originou teria sido absorvida pela Via- láctea.

Catalogado também como De Chéseaux No. 18 ,Lacaille I.5 , Dunlop 440 e Bennett 61



J.E.S.S. 3




Magnitude: 8.30

Brilho da Superfície:

Dimensão: 20.0 x 20.0 '

Posição Angular: 90

Classe: E

Name: ESO 57-EN6

Constelação: Dorado

Coordenadas: Aparente

Aparente RA: 05h38m 27.7s DE:-69°05' 47"

Abaixo da data RA: 05h38m 31.4s DE:-69°05' 39"

Abaixo de J2000 RA: 05h38m 36.0s DE:-69°06'00"

Eclíptica L: +306°15'05" B:-86°45'15"

Galáctica L: +279°27'55" B:-31°40'53"


- Outra evidencia da relação entre José Eustaquio e Lacaille. O objeto foi historicamente registrado no por Lacaille em 5 de dezembro de 1751. È um objeto mais delicado que os anteriores e muito mais distante. Localizada na grande Nuvem de Magalhães é um gigantesco berçário estelar e pode ser lar da maior estrela conhecida. Aparente na buscadora como um pequeno X . Ou uma estrela “diferente”.

Foi catalogado também como Lacaille I.2 , Dunlop 142 e Bennett 35



J.E.S.S.4



Magnitude: 3.30

Brilho da Superfície: 12.00

Dimensão: 80.0 x 80.0 '

Posição Angular: 90

Classe: II 2 r

Name: NGC 6475

Constelação: Scorpius

Coordenadas: Aparente

Aparente RA: 17h54m 42.4s DE:-34°48'03"

Abaixo da data RA: 17h54m 39.6s DE:-34°48'06"

Abaixo de J2000 RA: 17h53m 54.0s DE:-34°48'00"

Eclíptica L: +268°53'30" B:-11°22'05"

Galáctica L: +355°51'36" B:-04°30'47"


Conhecido desde a antiguidade seu primeiro registro é feito por Ptolomeu em 130 DC. Facilmente visível a olho nu. Um grande aglomerado aberto. Houveram diversos outros .registros incluindo Hodierna antes de 1654. Posteriormente foi incluído por Halley, Lacaille e Messier em seu catálogos. Um objeto indicado para iniciantes.



J.E.S.S. 5

Magnitude: 4.20


Brilho da Superfície: 10.00

Dimensão: 20.0 x 20.0 '

Posição Angular: 90

Classe: III 2 p

Name: NGC 6405

Constelação: Scorpius

Coordenadas: Aparente

Aparente RA: 17h41m05.3s DE:-32°15' 18"

Abaixo da data RA: 17h41m02.6s DE:-32°15' 19"

Abaixo de J2000 RA: 17h40m 18.0s DE:-32°15'00"

Eclíptica L: +265°57'16" B:-08°53'01"

Galáctica L: +356°34'46" B:-00°46'09"


Outro aglomerado aberto conhecido desde a antiguidade e catalogado por Hodierna antes de 1654. Existem sugestões que Ptolomeu o incluísse juntamente com M7 como a nebulosidade na cauda de Escorpião. Mas parece ser pouco provável. Apesar de facilmente visível a olho nu ele é mais discreto. Apresenta o claro formato de uma borboleta e é um aglomerado também indicado para os iniciantes. Também se encontra no Catalogo Lacaille como quase todas as primeiras entradas do catalogo J.E.S.S.



J.E.S.S. 6



Magnitude: 5.60

Name: OCL 953

Constelação: Norma

Coordenadas: Aparente

Aparente RA: 16h14m09.8s DE:-54°14' 47"

Abaixo da data RA: 16h14m05.9s DE:-54°14' 42"

Abaixo de J2000 RA: 16h13m 12.0s DE:-54°13'00"

Eclíptica L: +252°01'52" B:-32°26'48"

Galáctica L: +329°44'54" B:-02°12'19"


Trata-se provavelmente da primeira entrada original do Catalogo José Eustaquio e Silvano Silva de Nebulosas e Objetos Estelares. Como é fruto de escritos delegados por José Eustaquio a Silvano Silva pode-se depreender que seria uma entrada realizada anteriormente por Lacaille em suas observações e os registros desta terem por fim chegado até nós. Ou seria ainda um objeto localizado pelo pai de José Eustaquio. Sua posição não deixa duvidas e o aglomerado aberto estaria ao alcance dos equipamentos que dispunham tanto José como Lacaille . E facilmente percebido por uma buscadora 6x30 e mais claramente ainda em uma 9x50. É possível se perceber certa nebulosidade na região em céus escuros com a vista desarmada.



J.E.S.S. 7




Magnitude: 5.40

Brilho da Superfície: 12.00

Dimensão: 26.3 x 26.3 '

Posição Angular: 90

Classe: IX

Name: NGC 6121

Constelação: Scorpius

Coordenadas: Aparente

Aparente RA: 16h24m 20.7s DE:-26°33' 38"

Abaixo da data RA: 16h24m 18.0s DE:-26°33' 33"

Abaixo de J2000 RA: 16h23m 36.0s DE:-26°32'00"

Eclíptica L: +248°39'36" B:-04°52'37"

Galáctica L: +350°58'09" B:+15°57'53"

Pode ser percebido de forma tênue a olho nu em locais muito escuros e se apresenta facilmente com a menor ajuda ótica . Foi descrito pela primeira vêz por De Cheseaux em 1746. Posteriormente foi incluído no catalogo de Lacaille. Um Interessante aglomerado globular próximo a Antares. É um dos globulares mais próximos da Terra.

domingo, 22 de maio de 2011

Astrolog 22 de maio 2011

Uma sessão sem a menor pretensão. Cheguei tarde de um evento na praia do Arpoador. Algumas nuvens no céu.
Observar o céu é sempre uma caixinha de surpresas. A lua com 75% de seu disco iluminado. O observatório é a janela de casa.

Pego dois binóculos para fazer uma avaliação. Já é tarde e bebi o suficiente para não me dispor a usar o telescópio. O horizonte sul resolve se mostrar e tenho o Cruzeiro e o Centauro em excelente posição . Sudoeste. Meu melhor eixo.

Começo com o 20x50. Brinco ao redor do Cruzeiro. Sua maior magnificação não colabora com a embriaguez e não consigo um foco realmente bom. Ele é mais escuro também. embora tenha maior poder de resolução é um binóculo mais temperamental.

Mudo para o 10x50. Muito melhor.

Continuo pelo Cruzeiro. A Caixa de Jóias  se apresenta como uma nebulosidade bastante presente. Menor mas muito mais clara que com o 20x50.
Fico brincando pelo Cruzeiro e percebendo diversa "faint fuzzies". Ngc4852 é percebida até com visão direta. 4439 me faz querer perceber. Não consigo perceber a companheira da Rubiacea.

Vamos ao Centauro . Rapidamente localizo Omega. É o glob mais brilhante do céu. Fico passeando por ali.
Aí vem a surpresa . Uma nebulosidade pouco discreta. Ngc 5128. Uma galáxia bastante brilhante . Mag 6.8. Galáxias não gostam de céus urbanos . Mas 5128 não se intimida e é claramente avistada . Pequena mas claramente visivel no 10x50. Ganhei a noite. O céu é sempre uma caixinha de surpresas. Já não avistei diversos destes DSO em noites que a principio eram muito mais propicias. Vai saber.
Para tornar as coisa ainda mais misteriosas eu parto em busca de M 7 . É praticamente a prova de bala. Esta lá . Mais de forma bem discreta. M6 requer atenção. Os aglomerados e campos próximos a Norma também. Vai entender. M4 comparece . Mas de forma bem discreta.   A maior proximidade da lua talvez explique. Mas também estão mais proximos ao zenite. 

Mais tarde olhando para o sul consigo perceber Tuc47. Ainda baixo no horizonte. Um fantasma. Mas um fantasma de corpo presente. Visivel de forma continua e melhor percebido com visão periférica.A area em volta com um esboço de claridade. É a PNM. 

Gosto de acreditar que o horizonte Sudoeste apresentava uma maior transparencia. A razão não sei. As coisas são o que são e não o que a gante ache que deveriam ser. Nada melhor que observar o céu para se observar o céu.

"Rose is a rose is a rose is a rose" 

 Gertrude Stein

quinta-feira, 19 de maio de 2011

O Centro da Via-Láctea,Einstein,Baade,alguns amigos , NGC 6522 e Sgr A*

              O Centro da Via-Láctea,Einstein,Baade,alguns amigos , NGC 6522 e Sgr A*


Vamos olhar bem para o centro de nossa galáxia. É ao redor desse ponto que todas as estrelas gravitam. Na verdade a observação deste ponto central só e possível com tecnologias como a do Spitzer ( infravermelho). A região é cercada de poeira interestelar. Mas devido à posição favorável este mês e a beleza do local, eu não poderia deixar de fazer uma visita a região. E apresentar o caminho até um DSO que se esconde lá .

Astrônomos amadores e restritos a parcela visível do barraco podem visitar ao centro utilizando dois faróis bem conhecidos. Este passeio é bom de fazer usando Binóculos. Você vai localizar dois aglomerados galácticos famosos desde a antiguidade. Usando M6 (o aglomerado da borboleta) e M7 (o aglomerado de Ptolomeu) para triangular. Ambos cabem dentro do mesmo campo ocular de um 10x 50 mm.


Imagine uma linha ligando M 6 à Gama Sag e puxe uma linha ligando M7 meio desta linha. Com o 10x50 e com M6 logo fora do campo, e você estará lá.

O mais perto que você provavelmente pode chegar do centro , com meios amadores , é através da Janela de Baade. Esta “janela” é um buraco na poeira intra estelar que cobre o centro da Via –láctea e de seu bojo .Com menos de 1º de abertura e um perimetro irregular esta janela observacional nos permite observar uma pequena porção do “downtown”. Ela foi batizada em homenagem de Walter Baade que realizou levantamentos na região em busca do centro da galáxia. Circa 1940...

Para a sorte do astrônomo amador existe um DSO marcando o meio da Janela. É atrás dele que vamos. NGC 6522. Este aglomerado globular carrega a fama de ser o mais antigo da galáxia. E ao alcance de pequenos telescópios.



NGC 6522

Magnitude: 9.90 ou 8.6 ( CdC e Stellarium)

Dimensão: 5.6 x 5.6 '

Posição Angular: 90

Classe: VI

Constelação: Sagittarius

Coordenadas: Aparente

Aparente RA: 18h04m 22.3s DE:-30°01' 53"

Abaixo da data RA: 18h04m 19.8s DE:-30°01' 56"

Abaixo de J2000 RA: 18h03m 36.0s DE:-30°02'00"

Eclíptica L: +270°57'09" B:-06°35'50"

Galáctica L: +01°01'43" B:-03°55'53"



Com um telesccópio de 150 mm ele é um alvo viável. E um campo com estrelas de magnitude semelhante. Requer atenção. Recomendo 100x. Você agora já conhece o centro da cidade...


Mas o passeio não acabou . No centro da Via lactea se encontra SgrA* . Um imenso buraco negro. E cercado de diversos DSO se esconde esse dragão , agora adormecido. Esta parte de nosso passeio implica em algumas explicações sobre astrofísica e afins. É inevitável.

Não posso falar de Buracos Negros sem falar de Einstein. Aposto que vocês já sabiam disso. Quando se fala em coisas estranhas no zoológico cósmico, certos nomes são recorrentes.

Como você já ouviu falar neles todos, mas não lembra bem quem é quem vou fazer uma rápida apresentação de pessoas e idéias com o nome destas pessoas que deve clarear suas idéias.

• Albert Einstein- Físico Alemão

• Relatividade Restrita- Nessa teoria ele (o físico alemão) mostrou que o espaço e o tempo são relativos, isto é, dependem do movimento do observador. Essa teoria, no entanto, só vale para observadores em movimento retilíneo uniforme, sem aceleração. Isso quer dizer que a teoria só vale para referenciais inerciais.

• Teoria da Relatividade Geral - válida para sistemas não-inerciais. Pode-se dizer que é uma teoria da gravidade. A aceleração e a gravidade... Sacou.

• Equações de Campo de Einstein – É a fundamentação matemática da teoria (ou pelo menos de parte dela). Realizadas por David Hilbert.

• Schwarzschild- Astrofísico alemão.

• Raio de Schwarzschild- Quando o raio de uma determinada estrela é muito pequeno. Isto leva a ocorrências estranhas. As equações (de campo de Einstein) começam a divergir de Newton. Em caso extremo, o termo de correção pode ter um denominador nulo! Em outras palavras, surge uma singularidade. Para uma dada massa, isso ocorre a um raio chamado de Raio de Schwarzschild. Se uma estrela tivesse um raio menor do que esse valor, não poderíamos vê-la.

• Subramanyan Chandrasekhar- Físico Indiano.

• Limite de Chandrasekhar- É o limite de Massa que determina o comportamento das estrelas em sua morte. O limite de Anãs brancas é equivalente a 40% mais massa que o nosso Sol. Depois disso, explosões sensacionais e criaturas exóticas começam a existir.

Estes dois conceitos podem servir como uma espécie de fronteira. Quando falamos que se esta para lá do raio de Schwarzschild e depois do limite de Chandrasekhar é porque é quase à hora de se preparar para metafísica. E para o tal do limite de Volkoff-Oppenheimer. Depois desse viriam quasares , buracos negros e sabe-se lá mais o que...

Um pouco acima do Raio se encontram estrelas de Nêutrons. Estas estavam acima do Limite, mas não tinham massa suficiente. Elas resultam de supernovas. Se tornam Pulsares.

Mas agora vamos visitar o Reino dos Dragões. Vamos olhar para o centro real da Via Láctea. E para tudo que se esconde atrás de tanta poeira. E para um lugar onde a Relatividade Geral, As Equações de Campo de Einstein, Schwarzschild e Chandrasekhar se encontraram. E se ultrapassa também o tal do limite de Volkoff-Oppenheimer.

Aqui habita Sgr A*. Um Buraco negro. Aqui como foi dito o raio foi atingido e o limite excedido. Outro tipo de super nova aconteceu. Maior, mais forte. E outro animal no zoológico Cósmico...

A astrofísica, aqui no Nuncius, é de botequim. O blog é devotado a astronomia observacional. Assim sendo a foto do centro e uma “brief explanation” sobre o que se passa no centrão pode ser vista aqui.





Para nós que estamos do lado de cá do Raio e do limite ao localizar o centro da Via Láctea nós não vamos ver nada disso. A poeira esconde. E o Centro da Via- Láctea é bem congestionado. Veja só o downtown:



E quanto ao Raio, o Limite, Schwarzschild , Chandrasekhar e Volkoff-Oppenheimer ?

Deixe isto para o Spitzer... E busque por Aglomerados( Abertos e Globulares) , Nebulosas de diversos tipos e outras belezas que habitam a região do centro da Via-Lactea . Não é a toa que Sagitário é constelação do céu com maior numero de objetos Messier.

Mas lembre-se um buraco negro pode se alimentar. Acho que nunca vimos dragões se alimentando tão de perto... O que será que você veria se a Via Láctea tivesse, de repente, um núcleo ativo?

No visível e para mortais.  10 exp. de 10 segundos .Canon 350 D zoom 70-300 mm Rot n´Stack


Só para concluir:

• Schwarzschild faz as contas já moribundo, no Hospital. Ele tinha sido mandado para o front oeste na 1ª guerra mundial. Ele apresenta suas contas em (na verdade Einstein as apresenta em seu nome) em Janeiro de 1916 e falece em Junho.

• Einstein concordava com a matemática, mas não acreditava que estruturas deste tipo realmente existissem. Ele inclusive diz, em 1939: “O resultado essencial dessa investigação é o claro entendimento de porque as “singularidades de Schwarzschild” não ocorrem na realidade física”.

• Chandrasekhar esperou por seu Nobel por 52 anos. Ele fez suas descobertas com 21 anos de idade.

• Os pesquisadores do Instituto para Física Extraterrestre Max-Planck na Alemanha disseram que o buraco negro está a 27 mil anos-luz da Terra.

• O buraco negro tem uma massa quatro milhões de vezes maior do que a do nosso Sol, de acordo com o trabalho científico publicado em The Astrophysical Journal.

• E parece que devido a uma estrela (S2) que se encontra próxima e apresenta SgrA* como um dos focos de sua orbita ( que é uma elipse) este calculo pode ser realizado utilizando nossos bons e velhos Kepler e Newton. Sua orbita dura 15 anos.

• Ele foi “descoberto” em fevereiro de 1974 por Bruce Balick and Robert Brown.

• Em Novembro de 2004 foi descoberto um buraco negro menor orbitando Sgr A*. Isto sustenta a teoria de que Buracos negros Super massivos se alimentam de buracos negros menores.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Cartes du Ciel 3.2





Cartes Du Ciel versão 3.2
Software astronômico é um pouco ao contrário de equipamento astronômico. Quanto mais caro melhor não é a regra. Dois dos melhores softwares astronômicos que existem são freeware. Estão disponíveis na rede para quem quiser e são ainda “open code”. Você pode até modificá-los. Embora eu não veja razão para isto.



Após anos utilizando o Cartes Du Ciel 2.76 o Nuncius Australis atualizou suas maquinas e instalou o CDC 3.2. Sua versão mais recente ( que se esconde atrás nome de arquivo cdc3alpha5) . O Cartes Du Ciel é um velho conhecido. Tive sua versão 2.4. Esta foi o pai da versão 2.76, um dos programas de astronomia mais utilizado no mundo. Ele rodava macio no win 2000. Sempre rodou sem problemas nas mais diferentes versões de Windows que se sucederam. Por volta de 2002 sua versão 2.76 chegava á web. Naquele tempo eu tinha uma conexão discada e realizar o download do CDC podia ser bem demorado e tedioso.

Desta vez o processo inteiro demorou cerca de 20 minutos e ainda instalei vários outros catálogos na sua database.

Ele , assim como as conexões de rede , evoluiu.

Sua apresentação se tornou mais bem acabada. Todos os recursos continuam lá e a possibilidade de acrescentar catálogos permite que você enriqueça seu CDC conforme suas necessidades.

Em seu pacote básico ele vem com o SAC (Saguaro Astronomy Club) Deep Sky catalogo instalado e na própria pagina do CDC você pode incluir todo o catalogo NGC, PGC e o catalogo Tycho 2 de estrelas. Com isto você terá todas as estrelas até 12ª mag. e quase 2.000.000 de DSO.( a maioria galáxias). Pode ainda acrescentar estrelas até a 16ª mag com a adição do Catalogo CUAC. Coisa que não fiz. Afinal não preciso engarrafar o display com estrelas que não verei com meu equipamento.




Mas o Cartes melhorou em outros pontos. Ele agora vem com uma interface mais amigável que a anterior e dá mais possibilidade de personalização que o anterior. O visual se tornou melhor e mais bem acabado. A velocidade de tudo acelerou.

O Download pode ser realizado aqui (http://www.ap-i.net/skychart/en/download). Bem como a de todos os catálogos adicionais. Basta você escolher a versão que melhor combine com o seu sistema e a instalação é bastante simples. O site sempre oferece uma versão beta, que apresenta novos desenvolvimentos. Eu preferi a versão Alpha por ser mais estável e já completamente desenvolvida. Diversos sites lhe darão espelhos . Mas recomendo que baixe o arquivo diretamente da pagina de Patrick Chevalley . O processo inteiro não demora 20 min.

Depois disto vai abrir um "Instalation Wizard” e você em minutos terá seu ícone na área de trabalho. O novo logo ficou muito mais bem acabado.

Você vai configurar todos os recursos do CDC. Quem conheceu o antigo não terá nenhum problema. E quem não conheceu provavelmente também não. O programa continua bastante compreensível e amigável. Você pode escolher a língua que você quer. Ou seja, não tem como dar errado.


Na primeira viagem ele vai pedir os dados de seu local de observação. Você entra com estes dados facilmente seguindo os menus do próprio CDC.

Apesar de gratuito tem todos os recursos de seus concorrentes mais caros.

Você pode utilizá-lo para controlar seu telescópio facilmente. Basta uma visita a pagina da ASCOM e baixando o famoso programa de controle você será um observatório... Ele se entende perfeitamente com o CDC e creio que venham a se tornar a mesma pagina. Lá você baixa os drivers para seu telescópio especifico também.

O Cartes Du Ciel vai permitir também que você baixe arquivos com fotos de mais de 10.000 D.S.O. Isto vai ocupar cerca de 30 Mb. Se você quiser você habilita o programa ha mostrar fotos destes objetos quando você fizer um zoom neles. E também vai permitir a visita aos arquivos do DSS quando quiser mais imagens.

O Cartes Du Ciel 3.0 já nasce como um campeão. Um programa que com mais de dez anos de idade que continua atual e uma das melhores opções do mercado. Na verdade, pelo seu preço (grátis), fica difícil a concorrência se estabelecer.

Um eterno favorito e um exemplo. Devemos muito seu autor. O suíço Patrick Chevalley .

domingo, 15 de maio de 2011

Estrelas Duplas


Acrux

Estrelas Duplas


Estrelas duplas são grandes amigas dos Astrônomos Urbanos. Resistem bem à poluição luminosa e apresentam grande quantidade e diversidade. Enquanto nebulosas e galáxias logo desaparecem dos céus urbanos devido ao brilho de fundo do céu as Estrelas Duplas não sofrem deste mal. Embora localizá-las possa se tornar um pouco mais difícil o uso de uma boa buscadora será mais que o suficiente para localizar seus alvos. Em vez de espalhar sua luz ao longo de da área de um disco (como nebulosas e galáxias) elas o concentram sua energia luminosa em um único ponto. Conseguem assim “penetrar” a poluição luminosa.

Pelo menos metade do universo – alguns estudos sugerem que ao menos 85% - não são constituídos de apenas um ponto de luz, mas pertencem a sistemas estelares duplos ou múltiplos.

O Nuncius Australis vai apresentar algumas das suas duplas favoritas. Elas podem ser duplas visuais, que se encontram alinhadas segundo o nosso ponto de vista, mas não tem uma relação gravitacional direta entre seus membros. Ou verdadeiros sistemas binários, onde as estrelas do sistema partilham em centro de gravidade.

Estrelas duplas dependem mais do “seeing” do que das condições de transparência e do brilho de fundo. Quanto mais estável estiver à atmosfera maior será sua capacidade de resolução. Todas as estrelas aqui apresentadas são viáveis para pequenos telescópios. Mas não todos os dias. Se o seeing não colaborar guarde suas forças e volte em uma noite mais estável.



Objeto Constelação R.A. Dec. Mag. Sep. Magnificação Recomendada

Acrux (Α) Crux 12h26.6m -63° 06' 1.4, 1.9 4" 100x

Alpha (α) Centauri Centaurus 14h39.6m -60° 50' 0.0, 1.4 14" 25x

Gamma (γ) Leo 10h20.0m 19° 51' 2.2, 3.5 4" 100x

Gama ( Rubiácea) Crux 12h31.09m -57º 06´ 1.59,6.42 126´´ 10x

Albireo (Β) Cygnus 19h30.7m 27° 58' 3.1, 5.1 34" 25x

Alpha (α)Herculis Hercules 17h14.6m 14° 23' 3.5, 5.4 5" 100x

Double-Double (ε) Lyra 18h44.3m 39° 40' 5.0, 6.1,5.2, 5.5 208", 2",2" 7x, 100x

Rigel (Β) Orion 5h14.5m -08° 12' 0.1, 6.8 10" 100x

Sigma (σ) Orion 5h38.7m -02° 36' 4.0, 7.5,6.5 13",43" 50x

Castor (α) Gemini 7h34.6m 31° 53' 1.9, 2.9 2" 100x

Gamma (γ) Andromeda 2h03.9m 42° 20' 2.3, 5.5 10" 50x

Beta (β) Monoceros 6h28.8m -07° 02' 4.7, 5.2 7" 50x

Porrima (Γ) Virgo 12h41.7m -01° 27' 3.5, 3.5 4" 100x





Estas são algumas das duplas favoritas aqui no Nuncius Australis. É uma bela introdução ao tema. Nenhuma delas será difícil de localizar em ambientes suburbanos e mesmo em áreas muito agredidas a maioria será visível. Com o uso de um Binóculo todas serão localizadas.



A magnificação necessária apresentada pressupõe um seeing bom. Na verdade a maioria das estrelas que requerem 100x será dividida mais facilmente com mais magnificação. Em geral quando quero dividi-las utilizo 240x. Comprei uma ocular de 5 mm quase que exclusivamente para isto.




Albireo

Estrelas duplas aceitam (em sua maioria) grandes magnificações e eu mesmo já me pequei utilizando 480 x de aumento para conseguir separar Castor e Porrima. Os componentes desta ultima estão atualmente a menos de 3´´.
Estrelas Duplas são amigas do Astrônomo Urbano e apresentam diversidade. Algumas , como Albireo, apresentam contraste gritante entre as cores de seus membros. Outra a magnitude é tão distinta que o desafio é perceber aquele fraco candeeiro ao lado do potente farol. Outras ainda vão se multiplicando enquanto você sobe a magnficação. São garantia de diversão por toda a vida. 



































sexta-feira, 13 de maio de 2011

Astronomia Econômica

Astronomia Econômica 101


Esta matéria tem como limite R$ 500,00 como o teto Maximo de investimento que você pode realizar. E considera apenas o uso de telescópios (baratos). Binóculos são tratados em Astronomia Econômica 102. Este é considerado suficiente para cobrir todos os custos para que você veja algumas imagens inspiradoras através de um telescópio. É claro que isto implica em algumas limitações.

Por menos de R$500,00 você não vai:

• Realizar nenhum tipo de fotografia astronômica

• Fazer nenhum tipo de contribuição significativa para a pesquisa astronômica (a menos que você seja o cidadão mais borrado do mundo)

• Impressionar alguém com seu equipamento – A menos outros duros que nem você

O tipo mais comum de telescópio barato que você vai achar tem as seguintes características:

• Um sistema ótico razoável seja ele um refletor ou um refrator. Provavelmente feito na China    

• Oculares quase adequadas para permitir uma razoável magnificação. Ai incluído uma Barlow imprestável que você, em geral, poderá jogar fora.

• Uma montagem equatorial barata e pronta a chacoalhar a mais leve brisa – e ao mais leve toque no controle de foco

• E uma buscadora pequena e difícil de ajustar.

Por incrível que pareça é possível se iniciar na astronomia com este set up. (Existem alguns truques e você vai descobri-los na web)



O que vale a pena olhar através de telescópios baratos

Um telescópio barato é mais que suficiente para você ter visões inspiradoras do céu noturno. Por exemplo;

• Os anéis de Saturno e as luas de Júpiter

• Crateras individuais na lua

• As nebulosas de Orion e de Eta Carina

• Alguns aglomerados abertos e globulares

• Estrelas duplas como Acrux e Alpha Centauro





Como começar

Astronomia Econômica 101 promove um método de “apontar e observar” como alternativa a uma leitura de cerca de 30 min. sobre como alinhar o seu eixo equatorial e os anéis de declinação de seu telescópio. Este tipo de preparação é fundamental para telescópios maiores e mais caros aonde você pretende acompanhar objetos com grande magnificação – e para astrofotografia, é claro. Mas se você pretende observar o universo através de um telescópio barato você pode pular esta parte inteiramente.

Infelizmente não há como evitar alinhar sua buscadora e seu telescópio. Se você pretende achar algo no céu noturno eles tem que apontar para a mesma coisa. Este alinhamento pode ser feito durante o dia usando objetos familiares no horizonte ou à noite se utilizando as luzes da cidade ou a lua. Você precisa de algo grande e facilmente identificável para em um primeiro momento localizar com sua ocular com maior campo de visão e posteriormente alinhar na sua pequena e tosca buscadora.

Algumas dicas. Lembre-se que devido à ótica tudo aparece de cabeça para baixo. Os parafusos que permitem alinhar a buscadora nunca travam exatamente na cruzeta. Não ligue. Perto é bom o suficiente. Lembre –se – O ótimo é inimigo do bom. Tente não trombar com o telescópio e desalinhar tudo. É um trabalho para cinco minutos, mas cinco longos minutos se você tiver uma galera aguardando para ver imagens sensacionais do universo a sua volta.

Feito isto esta tudo pronto. A menos que você desalinhe a buscadora. Nesse caso volte dois parágrafos.

Achar um objeto estelar em uma buscadora pode ser um desafio. Especialmente porque quase tudo lá em cima é um objeto estelar e esta tudo de cabeça para baixo e invertido. Lembre se de manter os dois olhos abertos e quando você conseguir sobrepor o que você vê com o olho fora da buscadora com o que você esta vendo na buscadora é mais fácil fazer um ajuste fino.

Comece com a Lua. Depois parta para alvos estelares.

Depois de colocar seu alvo na ocular espere tudo parar de tremer e observe o lindo universo a seu redor.

Posteriormente procure o que é exatamente que você esta vendo no Stellarium e descubra seu nome exato. A seguir de uma olhada na Wikipédia e descubra mais do que o necessário a respeito daquela edificante imagem que você conseguiu capturar com seus próprios olhos.

O que você vai estar fazendo então é misturando um pouco de observação com um pouco de pesquisa . É basicamente do que trata a astronomia. Se você sobreviver a isto gaste mais um pouco e compre um telescópio de verdade. Você realmente gostou de astronomia.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Sketches Australis-IC 2944 e Log de Ngc 5316

Um aglomerado aberto pouco visitado porém facilmente localizado junto a lambda do Centauro. Eu em geral parto de Acrux onde desloco um pouco mais de uma campo da buscadora rumo Oeste e ele surge claramente junto a Lambda. Um alvo fácil em ambientes urbanos e que apresenta algum colorido. Algumas de suas estrelas com caracteristica coloração avermelhada.  Embora associada a nebulosidade segundo o CDC não percebi. Somente o aglomerado se destaca. Conhecido também como o Aglomerado de Lambda Centauro ou "The Running Chicken  Nebula".   Desenho realizado a mão junto ao telescópio e posteriormente utilizado como referencia para este"render"no Photo Shop.  Um equivoco no texto do desenho onde se le 120 x ler  70 x . Foi utilizada uma Ocular S. plossl de 17 mm.
IC 2944 Cr 249


Constelação: Centaurus

Dimensão: 60.0'x 35.0'

Magnitude: 4.50


NGC 5316- Discreto aglomerado galactico bem próximo a Beta Centauro . Muito tenue e discreto pela buscadora. (10x50mm) . Observado com  50x e com 120x. Não suportou bem a ampliação . A noite apresentava já uma transparencia mais baixa(nunca esteve boa). Contei cerca de 20 estrelas . Todas bem homogeneas. Um aglomerado discreto e caso não se encontra-se póximo a Beta do centauro seria um alvo mais dificil. Bem pequeno . Não é exatamente um" show piece".


NGC 5316 OCL 913


Constelação: Centaurus

Dimensão: 14.0'x 14.0'

Magnitude: 6.00


Dreyer: Cl,pL,pC,st11

A vizinha secreta de M 87 - NGC 4486 A

Não é comum que uma Galáxia visível a pequenos telescópios mesmo em áreas de grande poluição luminosa passe despercebida. Mas acontece. Após receber um post de um grupo de discussão a que pertenço fui verificar a veracidade das afirmações de nosso amigo ( Thomas) Astrojensen, da Dinamarca. E confirmei.

O amigo apresentou-me a galáxia Ngc 4486 A. Uma companheira próxima a M 87.

                             Ngc 4486 é a Galaxia central com M 87 na parte superior da foto


M 87é um dos alvos mais fáceis do reino das Galáxias, no Aglomerado de Coma - Virgem. Já a havia observado diversas vezes. Sempre com uma tênue “estrela” bem ao sul desta.

Esta “estrela”, como apontando por Jensen nada mais é que Ngc 4486 A”. Após a duvida e diversas pesquisas posso afirmar com certeza que esta pequena galáxia é de fato a “ estrela companheira” de M87.

Apesar de seu aspecto estelar (em pequenos telescópios) se trata de fato de uma galáxia. Embora pequena ela apresente altíssimo brilho de superfície e por isto se torna alvo viável mesmo em ares de poluição luminosa em instrumentos de 60 mm.

Uma consulta ao Cartes do Ciel confirmou o que já era esperado. Com um Brilho de Superfície de 10.3 por arc./min^2 ela supera em muito a maioria das galáxias Messier.


E com isto é uma galáxia que suporta bem grandes magnificações. Posteriormente utilizando um Dobsoniano de 300 mm há 220x tive a observação confirmada de forma categórica. E aquela pequena “estrela” de 11ª Mag. foi promovida. Uma galáxia nova para o hit list... Apesar de sua aparência estelar, com visão periférica, percebe-se uma leve estrutura ao redor de seu núcleo estelar. Bem parecido com uma pequena Nebulosa Planetária. Também tive esta mesma impressão com um 150 mm há 240x. A pequena galáxia realmente suporta bem grandes aumentos . Um belo alvo para o astrônomo urbano .

Galaxia


NGC 4486A UGC 7658

Constelação: Virgo

Dimensão: 0.8'x 0.7'

Magnitude: 11.20

Brilho de Superficie: 10.31





J2000 RA: 12h31m00.00s DE:+12°16'00.0"

Date RA: 12h31m34.47s DE:+12°12'14.5"



segunda-feira, 9 de maio de 2011

Capitulo 3 – O Catalogo J.E.S.S. – Primeiras Entradas.

Capitulo 3 – O Catalogo J.E.S.S. – Primeiras Entradas.


Aqui esta a transcrição dos escritos de Silvano Silva relativos aos primeiros objetos que ele relacionou tanto a José Eustaquio como a Lacaille. Há seis objetos que são certamente entradas do catalogo elaborado pelo Abade. O de numero 6 , como veremos , parece ser um objeto descrito por José Eustaquio e novo entre a lista de objetos de céu profundo conhecidos até aquele momento. As coordenadas celestes são as indicadas por Silvano Silva e seriam relativas ao Sec. XVI. O catalogo Lacaille propriamente dito foi publicado em 1755. As coordenadas apresentadas são exatamente iguais as desta primeira edição. O que confirma o encontro de José Eustaquio (pai) com Lacaille.

“... a seguir as nebulosas as quais já confirmei as posições entre as que me foram confiadas nos escritos doados pelo Sr José Eustaquio do Nascimento no mês passado. Alguns dos objetos não constam do Catalogo elaborado por Mnsr. Messier. O catalogo completo elaborado pelo Abbe Lacaille foi publicado em França em 1755 porém não possuo uma cópia. Recordo-me de que possuía 42 entradas e por isto insisti que Mnsr. Messier incluísse nebulosas já conhecidas em seu catalogo para que este superasse seu antecessor... De qualquer forma os alfarrábios que José me disponibilizou apresenta a nomenclatura utilizada pelo Abbe em seu catalogo. Tenho agora certeza que o telescópio por ele apresentado foi outrora do Abbe Lacaille...”

“... Espero conseguir que me enviem de Europa uma cópia em breve.”


1- OO:22:54 , -73:26:50 – Como pude observar este seria o Objeto denominado por Abbe Lacaille com 1.1 . È provável, portanto que ele tenha começado seu levantamento dos céus Austrais antes de se estabelecer na Cidade do Cabo. “Eu mesmo nunca tinha avistado tal nebulosa e não percebi nenhuma característica estelar.”



Esta entrada é clara o bastante e demonstra que Silvano Silva obtivera um esboço do que veio a ser o catálogo elaborado por Lacaille. É fato publico que Lacaille observou o céu e inclusive determinou posições em sua estada no Rio de Janeiro. O Objeto em questão é o aglomerado globular Tuc 47. Na constelação de Tucano. Esta mesma criada por Lacaille. É o segundo aglomerado globular mais brilhante do céu e não há duvidas sobre esta entrada. (N.A)


2- 13:12:09 , -46:10:45- Este é a entrada I.2 do catalogo de Abbe Lacaille. Semelhante ao objeto anterior, porém mais brilhante. Recorda-me a entrada 13 de Mnsr. Messier. Ainda mais brilhante. Percebo como uma pequena névoa mesmo a vista desarmada. “

Outra entrada obvia e que não deixa nenhuma duvida. Trata-se de Omega Centauro. O Maior aglomerado globular conhecido Porém no catálogo publicado em 1755 este objeto é registrado como Lac I.5 .(N.A)


3- 05:40;01 ,- 69:17:20 – “O Abbe o classificou como I .3 .Um belo objeto . Parece um pequeno x. Parece-me levemente estelar. É engolfado na grande nuvem.”

Este é outro que mudou de numero no catalogo publicado. Trata-se da Nebulosa da Tarântula. Na grande nuvem de Magalhães. Ele foi denominado de Lac I. 2 na publicação oficial. É o suposto lar da maior estrela conhecida pelo homem. (N.A)


4- 17:37:12 , -34:39:55 – “Lac II .1 . Este me é conhecido. .É um ajuntamento estelar incluído por Mnsr. Messier como sua entrada de numero 7. Na cauda do Escorpião. Facilmente percebido a olho nu.”

Como dito é M7. É curioso que Lacaille posteriormente alterou a entrada para Lac II. 14. Outro dado importante é que Lacaille classificou seus objetos da seguinte forma:

I- Nebulosas sem estrelas

II- Aglomerados estelares nebulosos

III- Estrelas acompanhadas de nebulosidade


5- 17:24:00 ,-32:02:45 “Lac III. 1 . Outro objeto reconhecido por Mnsr. Messier Entrada de numero 6 . Este aglomerado estelar em forma de losango me recorda uma borboleta. Na cauda do Escorpião. Próximo a ultima entrada”

Dispensa qualquer comentário (M6). Apenas foi alterada a numeração do catalogo original. Veio a se tornar Lac III.11


6- 15:54:20. ,-53:33:43 “Curiosamente este objeto não apresentou sua classificação. Mas consiste de um belíssimo campo estelar que envolve um pequeno aglomerado estelar acompanhado de certa nebulosidade . Nas anotações que chegaram as minhas mãos ele não possuía sequer descrição sendo apenas uma coordenada”



Esta é uma entrada curiosa. O aglomerado em questão, segundo minhas pesquisas é NGC 6067, que é um aglomerado aberto que se resolve com óticas melhores. É um delicado aglomerado aberto que se vê acompanhado de um belíssimo campo estelar. Este é um objeto novo a lista de objetos de céu profundo históricos conhecidos até o levantamento sistemático realizado por Herschel (a partir de 17820) e posteriormente por seu filho. Esta entrada seria original do catalogo J.E.S.S. e a primeira vez que este objeto teria sido descrito é nos escritos de Silvano Silva. As coordenadas apresentadas seriam corretas para o objeto em 1750. Hoje (2000) ele se encontra em RA: 16h13m12.00s DE:-54°13'00.0"


7- 16:08:33, -25:54:55 “Classificado como I . 4 Outro objeto que Mnsr. Messier catalogou. É a 4ª entrada do catalogo e parece um pequeno cometa sem cauda”

Outro velho conhecido (M4) que teve sua numeração alterada para Lac I.9

Com isto temos esta tabua de equivalências e coordenadas atualizadas das primeiras entradas do Catalogo José Eustaquio e Silvano Silva de Nebulosas e Objetos Estelares



JESS 1 – NGC 104 - RA: 0h24m06.00s DE:-72°05'00.0"

JESS2 - NGC 5139 - RA: 13h26m48.00s DE:-47°29'00.0"

JESS3 - NGC 2070 - RA: 5h38m36.00s DE:-69°05'60.0"

JESS4 - M 7 - RA: 17h53m54.00s DE:-34°48'00.0"

JESS5 - M 6 - RA: 17h40m18.00s DE:-32°15'00.0"

JESS6 – NGC 6067 -RA: 16h13m12.00s DE:-54°13'00.0"

JESS7 - M 4 -RA: 16h23m36.00s DE:-26°32'00.0"

domingo, 8 de maio de 2011

Observando M83

M83 –Um dos mais difíceis objetos Lacaille . Esta galáxia foi a primeira a ser localizada além do grupo local. Quinze milhões de anos luz da terra. descoberta por Lacaille em 23 de fevereiro de 1752. É a galaxia mais ao sul no catalogo Messier. Levando em conta os equipamentos de lacaille é um achado impressionante.

Aonde olhar: Partindo de Eta Centauro localize Theta. A partir de Theta (Talvez já pela buscadora) ache uma estrela vermelha (2 do centauro) e em seguida uma branca (1 do Centauro). A pouco menos de um campo da buscadora (4º 30´) vai se encontrar a galáxia. Utilize a estrela Pi Hidra para triangular a posição
.Na Buscadora: Muita Atenção. Talvez você perceba uma leve nevoa na posição. Pequena e tênue. Use visão periférica. Escaneie um pouco se for preciso. Esta é uma presa difícil.
Ao telescópio:
Em ambiente urbano você provavelmente vai notar apenas seu nucleo. Em locais de céu mais escuro talvez note alguma estrutura. Com 150mm e céu muito escuro talvez note seus braços. Galaxias espirais viradas de frente para nós são um dos objetos mais decepcionantes de Céu Profundo. Muito sensiveis a poluição luminosa. Mas se o céu for escuro podem ser os mais recompensadores. Aqui um telescópio grande realmente faz diferença.  Os mapas para localizar M83 podem sr vistos neste post.
RA  13 : 37.0 (h:m)




Decl -29 : 52 (deg:m)



Distancia 15000 (kly)



Visual Mag. 7.6 (mag)



 Dimensão 11x10 (arc min)

terça-feira, 3 de maio de 2011

Catalogo J.E.S.S. de Nebulosas e Objetos Estelares- Cap. 2

Capitulo 2- As Origens de José Eustaquio


José Eustaquio tem uma origem mais difícil de ser rastreada. É uma figura mais misteriosa e sua história anterior ao seu encontro com Silvano Silva deixou pouquíssimos traços.

O único registro que possivelmente existe de sua vida pregressa é um velho e borrado registro encontrado na Biblioteca Nacional entre registros da Intendência de Policia.

Na época o conceito de policia que conhecemos hoje ainda não existia. A intendência de Policia era um órgão de caráter administrativo. A ordem publica era mantida pelos chamados quadrilheiros. Estes eram ligados aos senhores dominantes da colônia e também ligados de certa maneira as incipientes Maltas que se organizavam nas regiões centrais do Rio.

De qualquer maneira uma desavença em relação a uma garrafa de aguardente levou o registro de um crime na Intendência de Policia.

Por esta o cidadão de nome José Eustaquio do Nascimento e Islas, natural da Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro foi responsabilizado pela agressão ao escravo Manuel Congola de propriedade do cidadão José Hermeto Pereira. O ano que conseguimos ler no documento o localiza na cidade também no ano de 1768.

O documento dá a entender que José Eustaquio seria nascido no Brasil. Isto é um pouco duvidoso em função de alguns relatos que encontrei posteriormente. De qualquer maneira isto nos permite localizar o momento em que Silvano Silva e José Eustaquio se encontraram. E permite perceber que José possuía uma origem simples porém de certo prestigio . Se por um lado envolvera-se numa briga com um escravo ele é tratado como cidadão no documento em questão. Escravos eram um bem de grande valor e o fato de José Eustaquio ter agredido e impossibilitado este para o trabalho levou seu proprietário a buscar reparação.

Sua pena teria o levado a prestar serviços junto a Paróquia de Santo Antonio.

O primeiro registro sobre ele por Silvano Silva é bastante interessante. Ele fala com certo respeito e também com certo temor. E revela um segredo de confissão.

Ele roubou. Mas como a males que vem para bem este foi um exemplo claro disto.

“... um dos contraventores que foram enviados pela justiça para ajudar na pintura da fachada de minha paróquia pediu-me para realizar uma confissão. Levei-o até o confessionário e ele me contou que percebera a presença de uma luneta na Casa Paroquial. E aquilo só poderia ser um sinal do Senhor. Disse-me seu nome: José...”

Este trecho assim como depoimento a seguir estava no diário mais mal tratado que encontrei na fazenda de Buzios.

Após muita luta e o trabalho de uma grande amiga que realiza conservação e recuperação de livros junto a Biblioteca Nacional consegui recuperar diversos trechos deste diário.

A grosso modo pude descobrir que José contou ao padre uma série de varios crimes. Todos eles associados à diversos furtos . Mas também que ele não era responsável por estes crimes . Sua culpa teria sido ocultar o responsável pelos mesmos. Mas infelizmente não dá evidencia nenhuma de quem seria o responsável. Em uma abstração deduzi que este seria seu pai. E que seu pai seria também responsável por apresentar José Eustaquio aos mistérios do céu.

Como apresentando em um dos capítulos das lendas a passagem de Lacaille pelo Brasil foi um fato que realmente ocorreu e registrado em diversas fontes. Conforme os escritos de Silvano Silva um dos Telescópios de Lacaille foi deixado no Brasil. Aos cuidados do pais de José Eustaquio. Segundo o próprio seu pai teria trabalhado no Observatório estabelecido por Lacaille na Rua do Rosário.

Outro trcho do relato que me chamou atenção foi relativo a uma pequena série de objetos que fariam parte de um catalogo que estaria sendo organizado por Lacaille. Estas podem ser consideradas as primeiras entrada do Catalogo J.E.S.S. .



Isto levou o padre a pedir que o preso fosse posto a seu serviço e que o auxiliasse em seus afazeres.

“ ... o Sr. José Eustaquio me revelou grandes fatos sobre a passagem de Abbe Lacaille pelo Brasil. Estou encantado com seu conhecimento a respeito do céu austral e ele me prometeu levar até o telescópio que foi confiado a seu pai. Acredito que o objeto tenha sido subtraído pelo pai de meu novo funcionário. Mas prefiro relevar. Aguardo ansioso ... E pretendo confirmar as posições das nebulosas que estão no papéis que ele me apresentou”.

Os objetos indicados por José de fato existiam e os cataloguei como J.E.S.S 1 ,2, 3, 4,5,6 e 7.

Isto provavelmente ocorreu entre 1768 e 69. È difícil afirmar .

Observando M41


M 41 é um dos aglomerados abertos que eu mais gosto .Ele é suficientemente discreto para ser necessário procurar .Mas também é próximo o suficiente de Sirius para ser facilmente localizado.
 Em céus muito escuros ele pode ser percebido a olho nu de uma forma muito discreta . E pelo telescópio apresenta detalhes e cores para anos de novidades. Cada vez que o observo se apresenta de um forma. Na verdade adoro começar por ele para ter uma idéia da transparencia e seeing que a noite apresenta . E Sirius que é o farol que devemos usar para guiar o caminho é um alvo ideal para afinar minhas buscadoras em cada começo de observação.

Para localiza-lo ache Sirius e busque um pouco ao sul. Ele será notado pela buscadora de uma forma discreta em ambientes urbanos e de forma mais explicita em céus mais escuros.

O aglomerado foi catalogado por Hodierna antes de 1654. E possivelmente foi percebido por Aristóteles na antiguidade , o que o tornaria o objeto mais tenue conhecido durante o período clássico .  Por volta de 324 AC(Burnham).
Ascensão reta 06 : 46.0 (h:m)




Declinação -20 : 44 (deg:m)



Distancia 2.3 (kly)



Magnitude Visual 4.5 (mag)



Dimensão Aparente 38.0 (arc min)

Pagina da SEDS