sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Ngc 253- A Grande Galaxia de Escultor

                


                 A observação visual de galaxias em pequenos telescópios é uma arte que é parente próxima das obsessões e monomanias tão citadas por Simão Bacamarte  em um dos contos mais divertidos do Mago do Cosme Velho ( Joaquim Maria Machado de Assis) . Como a busca destes universos ilhas , com muito poucas exceções,  demanda céus mais escuros que os de meu Rio de Janeiro querido geralmente preciso ir para Búzios realizar a caça. Talvez por isto sempre que penso em galaxias me recordo do "O Alienista" e da máxima de Simão Bacamarte ( O Alienista do título) : - A ciência é meu emprego único ; Itaguaí o meu universo . 
                Na verdade toda esta história  faz parte de um folclore familiar e de um terrível mal entendido geográfico. A caminho de Búzios se passa por Itaboraí. Mas esta  sem graça cidade fluminense assim como Itaguaí possui também uma casa de Orates.  Que em vez de ser chamada de Casa Verde é chamada de Clinica Ego . E sempre que minha filha  vai a Búzios vem a tona o velho sonho de se ter uma casa na serra com Cavalos, céus muito escuros  e outras cositas mais . Eu entendo o desejo ingênuo  dela e dou maior apoio. Mas lembrando sempre de minha pindaíba aviso que na atual conjuntura uma Casa na serra só se for pintada de verde. Seria um desvario... Da mesma forma que querer ver galaxias distantes em modestos telescópios.
                Buscar por  Ngc 253 talvez não garantissem uma visita forçada a Casa Verde. É uma das galaxias mais brilhantes dos céus e com um brilho de superfície relativamente alto apesar de seu grande  tamanho aparente   ela é facilmente percebida mesmo com visão direta e em céus nem tão generosos. Buzios atinge 6 na escala Bortle de Poluição Luminosa ( Subúrbios Claros) ela se apresenta até mesmo com alguns detalhes no Newton ( um telescópio refletor de 150 mm f8) .  Com Magnitude de 7.1 e um brilho de superfície de 13.2 ela é generosa com amadores.
                O´Meara nos diz que  "... de vislumbre a galaxia parece com o inicio da ordem inicial emergindo do fervilhante caos ".
                Localizada a 9.8 milhões de anos luz do nosso grupo local Ngc 253 é a galaxia mais brilhante do Aglomerado de Escultor. É o aglomerado galáctico mais próximo de nosso grupo.

                Ngc 253 foi uma descoberta de Caroline Herschel . A mesma que batiza minha cabeça equatorial e irmã de William.  Em seu primeiro catalogo " A Thousand New Nebulae" William nos diz: " Esta nebulosa foi descoberta por minha irmã Caroline Herschel,  com um excelente pequeno Newtoniano de 27 polegadas de distancia focal e com ampliação de 30.1 que possui entalhadas as iniciais C.H. de seu nome."  Caroline utilizou este telescópio para realizar varreduras dos céus entre  1782 e 1783 em busca de cometas. Herschel registrou o objeto em 30 de outubro de 1783.  Coube ao sobrinho de Caroline , John Herschel, observando a partir da Cidade do Cabo descrever a galaxia em detalhes. Em novembro de 1835 ele diz "  levemente raiada e nodosa em sua constituição e talvez seja resolvível".
                É lógico que Herschel ( filho) não resolveu estrelas individuais em Ngc 253 . Mas é compreensível ele ter esta impressão. Eu mesmo a tive com o uso de visão periférica. O efeito é bem comum em galaxia elípticas.
                Ngc 253 ´uma espiral barrada e uma das mais fáceis de ser percebidas visualmente. Muitos livros comparam Ngc 253 com M 31 ( a grande galaxia de Andrômeda)  mas creio que o único fato para tal é que ambas são facilmente observáveis com pequenos telescópios.  Com 54 mil anos luz de extensão e uma massa total de cerca de 75 bilhões de sóis  ela é  2 , 5 vezes menor e 4 vezes menos maciça que M 31.

                Ngc 253 é ainda uma galaxia "starburst". Possuindo muito gás em seus braços ela produz estrelas em um passo 4 vezes maior que a maioria da espirais.  Especialmente junto a região mais próxima a seu núcleo.  Em seu núcleo habita um gigantesco aglomerado estelar parecido com a Nebulosa de tarantula na grande Nuvem de Magalhães. Esta uma região muito dinamica onde surgem aglomerados de estrelas jovens mas com massa e características semelhantes aos anciões aglomerados globulares. São elos na evolução do universo muito interessante e alvo de muitos estudos recentes.  estes surtos de nascimento estelar são , geralmente, resultado da interação de galaxias. Isto deve  ter acontecido entre 100 e 150 milhões de naos atrás. A outra galaxia envolvida não é conhecida e provavelmente e o surto é fruto da absorção da mesma. O mais recente surto de nascimento estelar deve vir se desenrolando por cerca de 20 a 30 milhões de anos. Aglomerados muito jovens foram registrados pelo Hubble Space telescope.  Ngc 253 é  mais precisamente uma espiral mixta ( SABc). Algo entre uma Espiral "grande design" e uma barrada.
                Em latitudes austrais Ngc 253 é uma das grandes damas da noite e é possível desconfiar de sua presença mesmo a olho nu de regiões e céu muito escuro. Tive este prazer a partir da Serra da Águia Branca ( S.C.) .  Desta forma ela se assemelha muito a M33. Mas M 33 é definitivamente um alvo mais difícil de ser observado. Em Búzios M33 é um objeto dificílimo e que só se apresenta com visão periférica e mesmo assim para quem já tem uma certa pratica observacional. 253 é acessível aos mais neófitos.

                Localizar a mesma céus suburbanos não é tão fácil quando se poderia supor a partir deste depoimento.  Olhe bem o mapa e calcule a posição a partir de Diphda e Alpha Sculptoris. A região não é muito povoada e como  a galaxia se revela discretamente mesmo para binóculos uma tentativa de aproximação e erro costuma funcionar bem. É comum se esbarrar em Ngc 288 ( Um globular ) quando se parte de Alpha Sculptoris. A Galaxia tem quase 30´ de tamanho aparente e não se confunde um com o outro nem com muita vontade. Em meu 7X50 ( binoculo)  posso enquadrar 253 e 288 juntos. Com isto é possível comprimir mais de 9.000.000 de anos luz em um único campo visual. Um conceito de 3D que deixaria os realizadores de Hollywood morrendo de inveja...
                Ngc 253 é popular e possui vários nomes. A Grande galaxia de Escultor é o mais famoso. Mas A Galaxia "Moeda de Prata" é tão ou mais apropriado. ( The Silver Coin). É  também a entrada  de numero 65 da Catalogo Caldwell ( C 65) , uma lista observcional organizada pelo finado Patrick Moore.
                Em fotografias mais esmeradas que as que realizei ela revela muito s detalhes. densos nós estelares onde habitam os novos aglomerados citados são evidentes. Com paciência e insistência estas estruturas são espíritos insistente para observadores visuais aplicados.
1 unica exposição de 30 segundos. É muito semelhante ao que você ver´com visão direta em uma ocular wide field.

                As fotos  que ilustram este post foram fruto de algumas dezenas de exposições de 30 segundos ( algumas 25 e outras 32...) com ASA 3200 em uma Canon T3 sem modificação alguma. O telescópio utilizado foi um newtoniano 150 mm f8 montado em uma HEQ 5. Sem acompanhamento. Passaram por diferentes processos de "revelação". Foram utilizados programas como o DSS ( Deep SkyStacker) , Rot n´ Stack , Fits , Photoshop , Noiseware e talvez mais alguma coisa...  Foram utilizados dark frames também.
                Nestas é possível perceber bem os dois braços principais e seu ativo núcleo. A estrutura nodosa e fruto do seus numerosos aglomerados também se apresenta timidamente. A granulosidade que deve ter dado a Herschel sua sensação de resolver  estrelas é bem evidente.

                A Moeda de Prata é um dos mais interessantes alvos extragalácticos da primavera e de todo céu Austral . E visualiza-la não irá colocar em risco sua sanidade nem sua paciência.

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

M 29 - O Aglomerado Nuclear

              
             M 29 é um pequeno aglomerado aberto em Cygnus ,o Cisne.  Já o tinha observado de latitudes boreais com um binóculo 10X50. Não tinha achado nada de notável no pequeno ajuntamento de estrelas. Com um diâmetro aparente de 9´ e com menos de 50 membros não chega a ser nenhum espetáculo . E habitando a riquíssima região de Cygnus e do grande Rift não se destaca muito entre os maravilhosos campos estelares que abundam na área. 
                Estrelas se organizam de diferentes formas mas todas se formam de nuvens de hidrogênio , hélio e uma pitada de outros elementos . O tempero depende de quando estas se formaram ao longo da história química do universo. A grosso modo quanto mais antigas menos tempero terão...
                Em uma hierarquia de agrupamentos estelares podemos iniciar com o que astrofísicos em geral e Stevenson em particular  definem como uma afiliação difusa de estrelas  também  chamados de associações estelares. Estes são agrupamentos frouxos de estrelas que iniciam sua vida em uma única nuvem de gás e que se movem pelo espaço juntas.  Suas estrelas são tipicamente separadas  por 1 ou mais anos luz e não são "cimentadas" umas as outras pela gravidade. São como carros em um mesmo engarrafamento que se movem em um mesmo passo.  cedo ou tarde seus membros vão acabar se afastando uns dos outros e seguir seu caminho. Um dos exemplos mais famosos destas associações é o Cinturão de Órion. Tais associações tem sua expectativa de vida na casa dos milhões ou dezenas de milhões de anos. Quase  nada em termos estelares...
                Subindo um degrau na hierarquia chegamos a M 29. Um aglomerado aberto.. Assim como as associações aglomerados abertos podem possuir centenas ou mesmo milhares de membros mas neste caso a gravidade dos membros atua sobre outros membros. E assim como nas associações seus cidadãos tem uma idade semelhante. No universo associações estelares podem conter um ou mais aglomerados abertos em seu conjunto. Algo como um vale com diversas vilas ao longo...
                M 29 é um aglomerado pobre. Com menos de uma centena de membros. De qualquer forma segue o modelo padrão destes. Um distinto e evidente núcleo central mais populoso com uns poucos anos luz  e um halo mais disperso com membros mais afastados uns dos outros.  Como a gravidade entre seus membros não é exagerada aglomerados abertos também acabam por se dispersar mas tem uma expectativa de vida maior que as associações e de um modo geral são constituídos de estrelas bem jovens. Existem casos de aglomerados abertos que se mantem unidos por bilhões de anos. Mas como regra geral suas idades são expressas na casa de dezenas a centenas de milhões de anos.  Isto vai depender muito da massa  e da densidade do aglomerado. Bem como de sua localização na galaxia.
                M 29 é uma descoberta de Messier que o observou em 29 de julho de 1764: " Aglomerado com 7 ou oito estrelas fracas que esta abaixo de Gama Cygni e que se parece com uma nébula em um refrator simples de três pés e meio. Sua posição foi determinada a partir de Gama Cygni. Sua posição foi marcada na carta do cometa de 1779"
                Com equipamentos menos toscos que os de Messier se contam algumas dezenas de estrelas no aglomerado e percebem-se claramente as oito as quais ele se refere. Com uma magnitude de 6.6 ha registros de o mesmo ser percebido a olho nu como uma pequena estrela próxima a Sadr ( Gama Cygni).

                Localizar o mesmo é bastante simples a partir da estrela já citada. O mesmo será discreto mas mesmo assim obvio em quase qualquer buscadora óptica. Como um bom representante dos aglomerados abertos M 29 é um jovem de 10 milhões de anos e habita a associação OB 1  Cygnus.  Localizado a 4.400 anos luz de nós ocupa cerca de 11 anos luz de galaxia.
                Acabei por visitar M 29 novamente utilizando o Newton ( um refletor de 150 mm f8) devido ao apelido pelo qual o mesmo é apresentado no Stellarium. "Torre de Refrigeração". E definitivamente ele se parece com isto. A mim lembrou muito as chaminés de uma fabrica. Primeiro me ocorreram  a Refinaria de Duque de Caxias e a  Companhia Siderúrgica Nacional. Mas depois lembrei da usina nuclear de Three Miles Island na Pensilvânia e palco de um desastre nuclear nos anos 70.  

                Achei que ele é mais interessante sem grandes ampliações. Parece ser uma opinião unanime entre quase todos os relatos que localizei. Minha visão favorita  foi realizada com minha ocular de 40 mm (30X). A região é bem interessante e a pequena torre acaba sendo como um pingente na rica região de Cygnus.  Existe alguma nebulosidade na região.

2 X  Drizzle -DSS
                Sendo um alvo brilhante realizei um registro fotográfico rápido. Apenas 4 exposições de 30 segundos foram suficientes para apresentar M 29 de forma honesta e permitir sua fácil identificação. Mas não capturei nebulosidade envolvida.

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Corona Australis e o Céu Profundo

          

          Corona Australis  é uma constelação de  elegância discreta. Espremida entre as ostentadoras e zodiacais Sagitário e Escorpião    e com suas estrelas mais brilhantes atingindo não mais que magnitude 4.1 ela não chega a se destacar. Mas seu formato é evidente e esta é uma  das 48 constelações listadas por Ptolomeu no seculo II.  Os antigos gregos não percebiam uma coroa. Para estes ela mais se parecia com uma grinalda e a associavam a Sagitário ou a Centauros. 
                Sua estrela mais brilhante é Alpha CrA. Esta é a única estrela na constelação que recebe um nome próprio. Alfecca  Meridiana. Sua 11 estrelas mais proeminentes foram destacadas pelo padrinho do Nuncius Australis , o Abbe Lacaille, que utilizou as letras gregas de Alpha até Lambda para as registrar. Por alguma razão desconhecida o mesmo designou duas das estrelas de CrA como Eta e omitiu Iota...
                Apesar de disputar com duas das constelações mais ricas em DSO´s dos céu Corona Austrina ( seu outro nome...) possui peças dignas de nota e uma notável região.  Ela possui um adas regiões de formação estelar mais próximas do sistema solar.  Uma poeirenta e escura nebulosa denominada de "Nuvem Molecular de Corona Australis". Por isto a nossa discreta e educada Coroa possui diversas estrelas e proto estrelas muito especiais e no começo de suas vidas. R e TY CrA são dois tipos de variáveis que são modelos clássicos de estrelas que estão ainda assentando a sequencia principal.  A Região é rica também em nebulosas de reflexão que são alimentadas por estrelas jovens e sem massa suficiente para criarem nebulosas de emissão. Na região também se encontram diversos objetos Herbing-Haro ( proto estrelas).
                Registrei ainda que de forma tímida e preguiçosa uma das áreas da constelação de maior interesse para astrônomos amadores. Nesta pequena area de menos de 1ox1o  se encontram diversos DSO´s de características diferentes e todos bastante atraentes para pequenos telescópios.
                Na foto de abertura  podemos perceber claramente Ngc  6723 ( um aglomerado globular) ,Ngc 6726-27 (nebulosas de reflexão)  e  Ngc 6729 ( Nebulosa variável) de forma mais discreta. Se esconde ainda IC 4812.
                Ngc 6723 curiosamente escapou as observações de Lacaille. E este apesar de utilizar um refrator minusculo ( 8X 12,5 mm) descobriu globulares bem mais difíceis de serem observados e percebidos .  Desta forma sua descoberta teve que esperar por Dunlop iniciar seu levantamento em Paramatta , Nova Gales do Sul na Austrália. Este é a entrada 559 de seu catalogo e foi avistado em 3 de Junho de 1826.
                Ele escreveu: " Uma bela nébula arredondada e brilhante , com 3  1/2´ de diâmetro , moderada e gradualmente condensada e para o centro.  Ela se resolve. A moderada condensação e a cora azulada das estrelas que o compõe lhe dão  uma aparência suave e agradável. É muito difícil de se resolver ainda que a condensação não seja muito grande."  
                Segundo Glen Cozens  em sua tese de Phd " An analysis of the first Three Catalogues  of Southern Star Clusters and Nebulae" o telescópio de Dunlop teria o mesmo poder de fogo de um moderno refletor de 150mm. E desta forma o que percebo com o "Newton"  em muito se assemelha ao que o "Astrônomo Cavalheiro" viu.

                Ngc 6723 é um globular muito antigo. Sua metalicidade esta no limite inferior dos globulares . Trata-se de um Globular do bojo galáctico com  cerca de 1/16  do ferro presente no Sol ( por atomo de hidrogênio). Isto indica que ele se formou em um momento em que a história química do universo ainda estava nos primórdios.  Sua metalicidade combina com a variáveis RR Lyrae que habitam  bojo. A idade idem. Isto nos leva até 13.5 bilhões de anos atrás quando o bojo galáctico estava se formando e os disco espirais que hoje enfeitam nossa galaxia sequer existiam.  Acredita-se que  a formação do bojo galáctico levou cerca de 8 bilhões de anos.
                Muito próximo de Ngc  6723 esta Barnes 157, uma nebulosa escura e parte da Nuvem Molecular de CrA. Pelo menos para quem as observa. Barnes 157 esta a meros 420 anos luz da nós enquanto 6723 esta a  29.000 anos luz.    Esta proximidade ajudaria a sustentar uma hipótese defendida por William Herschel que embora equivocada é bastante poética e faz parte da evolução da cosmologia.  Herschel , no seculo XVIII, tivesse visto Be 157 e Ngc 6723 iria denominar a escura nebulosa como mais um Loch im Himmel  , um buraco nos céus , "um curioso vazio através do qual parecia que navegamos por um infinito ininterrupto". Herschel achava uma coincidência que estes vazios encontravam-se frequentemente próximos a a ricos aglomerados. Ele suspeitava que estes aglomerados coletavam o seu material destas regiões e deixavam para trás estes vazios.  Ele considerava o conjunto de   Rho Ophiuchi com M 80 um modelo padrão. Tivesse ele avistado 6723 e e Be 157 provavelmente suspeita iria fortalecer-se.
                Ngc 6726-27(descoberta por Julius Schimdt em 1861)   e Ngc 6729 são nebulosas de reflexão que  me recordam muito M 78 em Orion. Nebulosas de reflexão são uma das faces que regiões de formação estelar podem tomar.   Alimentadas por TY Corona Australis e  R Corona Australis , um interessante objeto que é melhor observado em infravermelho e que trata-se de uma protoestrela que continua acretando material e que tem a luz de HIP 93425 e HiP 93371 ( ambos sistemas múltiplos)  participando da brincadeira  vemos uma das  nebulosas de reflexão  mais fáceis de serem observadas no céu. ( M 78 é a mais fácil...) .
                Esta é uma região de formação estelar.  Neste caso especifico temos estrelas de massa intermediaria se formando. ( menos de 10 massas solares) que nunca alcançarão temperatura suficiente para fissão do Ferro. As estrelas no extremo desta categoria poderão terminar sua vida como supernovas mas a maioria ( entre 7 e 2 massas solares)  jamais viverá este fim tão glorioso.  Estas não atingirão temperaturas para queimar nada muito mais complexo que Helio. Mas devido a suas interações com a física , a química e o universo elas criarão nos inicio de sua vidas belas nebulosas de reflexão. Sem força suficiente para ionizar suas bandas do universo e emitindo  a maior parte de sua energia no parte azul e ultravioleta do espectro elas vão formar belas nebulosas de reflexão ao se relacionarem com a matéria interestelar poeirenta de suas matrizes. Um processo parecido com o que faz nosso céu azul.  Diversas destas Nebulosas se espalham por Be 157 e por estas plagas do universo.
Esta foto passou por menos pós processamento e ée bastane semelhante ao que você verá com uma buscadora wide field ( no meu caso uma Plossl 26 mm) 

                Ngc 6729 , embora seja a  mais discreta em nossa foto, é uma das favoritas de Sir Patrick Moore e a entrada de numero 68 de seu Catalogo Caldwell. Foi o ultimo DSO a ser descoberto de nossa lista até o momento.  Não só escapou de Dunlop como de John Herschel e só foi descrito por Alberth Marth também em 1861 com o uso de um telescópio de 48 polegadas.
                6729 assim como R Corona Australis é uma variável. Uma nebulosa variável cujo o brilho de superfície varia. Sua estrutura também é bem dinâmica. Em fotos feitas entre Junho de 1920 e agosto de 1921 demonstram clara mudança de brilho e formato da nebulosa. Seu brilho pode apresentar modificações em menos de 24 horas. Estrelas pré sequencia principal são bem temperamentais...
                Localizar todos os DSO aqui descritos é bem fácil. Ache Epsilon CrA. E com uma ocular wide field estarão todos lá . E mais alguns convidados.

                Corona Australis é uma pequena constelação riquíssima em DSO´s bastante interessantes tanto pelo desafio observacional como por sua importância cosmológica.