quarta-feira, 3 de junho de 2015

M 7 - O Aglomerado de Ptolomeu

           

               M 7 é um dos DSO´ de mais longo registro histórico. A evidente nébula na cauda de Escorpião é certamente percebida a partir  da mais remota antiguidade quando algum representante do gênero Homo olhou para o céu com um pouco mais de atenção que seus antepassados símios. Seu primeiro registro histórico remonta a Ptolomeu. Em seu Almagesto  ele se refere a ele como " uma nébula que segue o ferrão do Escorpião".  Vem daí o seu mais formoso apelido.  O Aglomerado de Ptolomeu". Este nome foi proposto há alguns anos atrás por Hartmut Frommert e parece que pegou.
                Depois de Ptolomeu o aglomerado foi descrito e catalogado por quase todos os catálogos "clássicos".  Hodierna o observou antes de 1654. Posteriormente Halley o incluiu em seu catalogo de estrelas Austrais como sua entrada de no 29. A seguir Lacaille o registrou como Lac II.14.  Charles Messier o inclui em seu catalogo em 23 de maio de 1764. Nasce M 7.
                É curioso que apesar de sua opulência os registros de M 7   por estes pioneiros sempre tenham sido bastante concisos e modestos. Hodierna simplesmente diz : " Contam-se 30 estrelas."  Lacaille , que sempre é bem curto e grosso, fala o seguinte: " Grupo de 15 ou 20 estrelas muito juntas em um quadrado".  Messier é um pouco mais generoso mas nem tanto:"  [observado em 23 de Maio 1764] Aglomerado de estrelas maior que o anterior (M 6). Este aglomerado parece ser uma nebulosa a olho nu. Não se encontra distante do anterior. Repousa entre o arco de Sagitário e a cauda de Escorpião".  Mesmo John Herschel parece não querer muito papo: " aglomerado, muito brilhante, muito rico , pouco condensado". Parece-me que a facilidade em se perceber M7 o tornou desinteressante para os astrônomos nos séculos XVII e XVIII.
                Seguindo em minha missão auto imposta de fotografar todos os objetos do catalogo Lacaille aproveitei uma visita ao Litoral Norte de São Paulo para arrematar os habitantes deste em Escorpião. Parece que sofrendo do mesmo mal que meus antecessores deixei para o final da tarefa a fácil missão que seria capturar M 7. Ingrato eu.
                M7 é um dos mais deslumbrantes aglomerados abertos. Muito brilhante e se resolvendo com quase qualquer instrumento ele é provavelmente o mais brilhante nó de luz no rio galáctico.  Já o Observei com diversos instrumentos e não consigo decidir qual deles é o mais apto para a tarefa. O aglomerado é grande e se espalha por  quase 10  de céu. Isto o faz um ótimo alvo binocular. Mas a maior capacidade de resolução de meus telescópios  tornam também um favorito nestes. Definitivamente ele não é alvo para grandes aumentos e assim gosto de usar minha maior ocular nesta missão. Por outro lado maiores aumentos podem revelar segredos inimagináveis. Um deles é um pequeno globular que se esconde entre suas estrelas. Ngc 6453 é  um belo desafio para telescópios de médio porte. Com apenas 3´ e magnitude 9.9 já o observei com o Newton ( um refletor de 150 mm). Mas jamais o percebi com o Galileo ( refrator de 70 mm) .
                As fotos aqui apresentadas foram realizadas com o Galileu.  São o somatório de diversas exposições de 15 e 30 segundos. Apesar de considerar meu alinhamento polar bem aceitável utilizei o Rot n´ Stack como programa para empilhar os frames. Ele é menos poderoso que o DSS mas também menos exigente quanto ao material capturado.  Acho a imagem bastante fiéil ao que será observado junto a ocular. Pelo menos a feita com o RnS. O DSS chegou ao que chamo de desastre binário...
DSS e o desastre binário...
                M7 é uma aglomerado aberto de idade mediana. Suas cores deduram isto . Se comparado a M6 ( é difícil falar de um e não falar do outro. Por isto existe a duvida se Ptolomeu se refere a ambos no Almagesto ou somente a M 7...) ele tem um brilho mais dourado.
                Ele se encontra bem mais próximo que o seu antecessor no Catalogo Messier. Em função do autor as distancias deste para nós variam entre 800 e 1000 anos luz. Isto faz ele ocupar um espaço de aproximadamente 16 anos luz. Algumas outras avaliações o levam um pouco mais longe e fariam que este ocupasse quase 25 anos luz de latifúndio galáctico .  Se contam cerca de 80 membros e todos acima de 10a  magnitude. Resolver membros a olho nu seria via viável já que algumas destas estrela se encontram acima de 7a  magnitude . O´Meara fala disto. Eu nunca consegui...
                De volta a sua idade as estimativas nos levam a casa de 220 milhões de anos.
                Este é o objeto mais austral do catalogo Messier .  Por isto sua magnitude é alvo de alguma disputa. Os observadores mais ao norte oferecem uma magnitude absoluta de entre 4.4 e 5. Para nós , privilegiados moradores do hemisfério sul, algo entre 3a e 4a magnitude é evidente. O percebo a olho nú ( usando visão periférica) em noites sem lua e em locais mais defendidos que a Stonehenge dos Pobres.
                M 7 foi um dos primeiros DSO´s que observei. Tive certeza de que o tinha localizado.
                è muito facil acha-lo. Localize a cauda do Escorpião. A nebula que repousa entre este e o arco de Sagitário é o próprio... 



                Um eterno favorito.


            P.S. Em uma analise mais atenta localizei NGC 6433 na foto. Esta assinalado pelo pequeno circulo. Não o percebi junto a ocular mas confesso que a noite foi fotográfica e sequer utilizei a ocular para alinhar o telescópio para as fotos. Somente a buscadora...

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