terça-feira, 30 de agosto de 2011

Fotografia astronomica - Método Afocal

A muito tempo que não tentava nada relacionado a fotogarafia astronomica. Minha camera reflex era uma OM 1 da Olympus . Pelicula.  

E nunca tinha me disposto a comprar nada alem de cameras point and shoot digitais.

Depois de algumas aventuras ( ou desventuras...) no Mercado Livre acabei comprando uma Canon 350 d de um fotografo amigo. Bem mais em conta do que qualquer uma que tenha visto no Mercado. O preço médio obtido no site em questão com uma lente 18-55 mm é de R$ 850 ,00.

Paguei R$ 600,00 . A camera em perfeito estado . Acompanhando 2 Cartões de 1G. E duas baterias.

Com isto desencavei um suporte para fotografia afocal que jazia perdido dentro de meu case de oculares.

Nunca funcionou a contento com minhas Point and Shoot . Tive varias. Sony , Samsung e mais recentemente uma casio Exilim.
A Samsung ainda conseguia realizar alguma coisa em prol da coisa...

Com a camera nova resolvi fazer uma experiencia com o tal suporte.

Não foi exatamente a NASA. Mas registrou-se algo . E pode ficar bem melhor.

Na verdade aguardo um motor drive para meu telescópio.

 Mas enquanto isto faço alguns registros com a nova camera.

A 350 foi montada em com sua lente reguladaa para 18 mm em conjunto com uma Plossl 17 mm e uma barlow 2x ( celestron OMNI).




Nas fotos abaixos voces podem ver o que Jupiter proporcionou neste set up.


15 fotos de 1/60  registax
 
1 seg. de exposição 1600 asa

Não é exatamente o Hubble mas se pode perceber os cinturões e alguma estrutura.


Caçando Cometas- Log de 29 de agosto de 2011

Lua nova. Ainda bem jovem. Dia 29 de Agosto de 2011.

Parto rumo ao posto avançado em Buzios. É segunda feira e saio às 15h30min do Rio. As 17h40min chego a Padaria próxima da casa.

Quando observando é importante manter uma alimentação bem equilibrada para resistir a frio e as longas horas em posições improváveis junto ao telescópio. Compro dois pacotes de Doritos e um molho de Cheddar para cobertura. 150 gramas de mussarela e outras tantas de Mortadela. Dois miojos. Uma lata de energético e uma garrafa de mate.

Tudo bem balanceado.

18h30min estou afinando a minha buscadora. Continuo sem bateria na minha “red dot”. Muito preguiçoso. Agora vou ter mais trabalho para iniciar as buscas.

Lyra
 Vega é a estrela mais brilhante a esquerda do centro

Com Vega  na buscadora começo a buscar (perdão...) com a ocular de 25 mm. Com um pouco de sorte esta bela estrela não demora muito a aparecer e depois de centralizá-la eu afino melhor a buscadora. Depois repito o processo com a 10 mm. Não levo as coisas até as ultimas conseqüências e deixo a 4 mm no case.

Ainda sem uma boa visão noturna escolho algo fácil com o que começar e dou um pulo até M13. O grande aglomerado em Hercules. Cantado em prosa e verso. Foi descoberto por Edmond Halley em 1714. Halley anotou que este “.. mostra-se ao olho nu quando o céu encontra-se sereno e a noite sem Lua.”

Messier o inclui em seu catalogo em 1 de junho de 1764.

Apesar de tanta prosa e tanto verso M13 se apresenta sem muito caráter esta noite.

Com todas as combinações de oculares.

Na verdade eu acho que M 13 deixa um pouco a desejar. Talvez mais ao norte. Mas acho que diversos aglomerados o superam em muito. Isto sem falar em Omega Centauro e Tucana 47 (Ngc 107). M22 me encanta mais e Ngc 6752 em Pavo se destaca muito mais. Confesso que esta noite ele se encontrava especialmente sem resolução. Era cedo e meu olho ainda não estava completamente aclimatado. Mas fica aqui meu registro. No começo de 2012 vou para o hemisfério norte. Terei de tirar isto a limpo. Infelizmente ao amanhecer...

Uma curiosidade: M13 foi selecionado como alvo para uma das primeiras radio mensagens mandada para possíveis Alienígenas. Se alguém lá estiver esperando faltam apenas cerca de 24.963 anos para ela chegar. A mensagem foi enviada pelo radio telescópio do Observatório de Arecibo.

Agora já mais aclimatado vou à busca de um dos objetivos planejados.

M 57. A nebulosa do Anel. Localizada entre Shelyak (Beta Lyra) e Sulafat (Gama Lyra) não é exatamente difícil de achar. Diferenciar quem é quem no campo da buscadora já é outros quinhentos. Mas não chega a demorar.


Nos momentos de bom seeing percebo o anel claramente. Nem sinal de estrela central. Com a 10 mm chego a perceber alguma estrutura no anel. O vento não esta ajudando, mas nos instantes de calmaria a nebulosa se resolva claramente. Com a 10 mm (120 X).

Agora chegou à hora. A razão desta rápida fuga até Buzios. Como a previsão do tempo não era boa durante o fim de semana aguardei o momento certo. Segundo o Accuweather a noite de segunda feira é perfeita para o ataque. Exatamente em uma janela de bom tempo. A noite de terça-feira já corre o risco de estar comprometida e é prevista chuva para quarta. Mas pode ser ainda a ultima chance de se visitar o Cometa Garrard nessa lua nova.

O cometa se encontra perto de Sagitta (a flecha).



Cometa Garrard



E não foi nada fácil...,

Sagitta é uma constelação sem vergonha. Um monte de estrelas fracas e que se recusavam a permanecer visíveis com visão direta. Com o alvo bem no meridiano começa a busca. Porém chego a meu objetivo de uma forma bastante sinuosa.

Mas muito interessante...

Albireo. A rainha das estrelas duplas. Partindo deste nobre porto vou rapidamente até o aglomerado de Brocchi. Este conhecido como o cabide e já é um destino em si. Catalogado como Cr 399 é um lindo asterismo. Não se trata de um aglomerado verdadeiro sendo apenas um alinhamento casual de estrelas. Mas engana muito bem. É um alvo ideal para binóculos. Ele se apresenta melhor na buscadora, sendo muito grande até mesmo para a 25 mm. Cobre mais de 1º. O Cdc diz que é facilmente percebido a olho nu. Eu não vejo nada... Mas a partir de Albireo fica um campo de buscadora acima.

A partir de Cr 399 e navegando pela buscadora consigo localizar Sagitta. Mais precisamente o triangulo formado por Alfa, Beta e Delta Sagitta. Esta ultima faz par com Zeta Sagitta.

Entre Zeta Sagitta e Cr 399 esta 9 de Vulpecula. Uma estrela de 5ª mag. que se destaca no campo de estrelas bem fracas. Entre ela e Zeta Sagitta eu achei o cometa. Não foi uma navegação fácil e passei cerca de uma hora nestas buscas... Usei a 10 mm durante as buscas por distração. Seria mais fácil com uma ocular com maior campo. O cometa em si esta bem brilhante. Tinha lido uma observação sobre o mesmo e o autor o comparava com M1.

Achei mais brilhante.

Fiquei um bom tempo namorando aquela estrela cabeluda. A Coma não esta grande mais é bastante aparente. Em todas as combinações de oculares (25 mm, 17 mm e 10 mm).

São 21h30min.

De volta a Sagitta percebo linhas negras em uma espécie de aglomerado. Uma área bastante interessante a sul de Delta. Não descobri nada especifico. Ficam aí duas entradas do catalogo Sharpless de nebulosas (84 e 87) como constatei no CdC. Mas acho muito difícil que meu telescópio apresente todo este poder de fogo. Realmente se nota “algo” na região. A transparência hoje parece bastante boa.

A viagem já esta paga.

Parto em busca de algo mais fácil.

Gamma Delphinus. Uma bela dupla. Em uma constelação cheia de história. Pela primeira vez na noite uso a 4 mm. Não que precise para dividir os componentes desta dupla. Mas para testar o seeing. Não é de todo mal. O problema é o vento no telescópio. Nos momentos de calmaria aparecem bem definidas.

Estrelas Duplas são um habito adquirido. Depois que você toma gosto são muito divertidas.

Aproveitando a posição favorável faço uma visita a um dos aglomerados abertos mais sem graça do catalogo Messier. Sua entrada de numero 29 é bastante sem sal.

Bem próxima a Sadr (Gamma Cygnus) é facilmente localizável pela buscadora. Consiste de aproximadamente 20 estrelas de 8ª mag.

É uma descoberta original de Messier e ele a inclui em seu catalogo em 29 de Junho de1764.

A luz de M 29 é obstruída por muita matéria inter estelar e se seu campo e visão fosse mais desimpedido suas estrela chegariam a ser 3 mag. mais claras.



Parto para o horizonte sul.



Em um tiro certeiro achei Ngc 104 quase que por mágica. Achernar, Alpha e Beta Hydra e um chute e ele aparece bem no meio da buscadora.

Como já falei Tuc 47 e Ngc 104 são a mesma pessoa...

O segundo globular mais brilhante da galáxia. Só perdendo para o pai de todos: Omega Centauro. E pulverizando M13.

Começo a resolver estrelas com 120 X. Com 140 resolvo varias estrelas nas bordas. Mesmo com 48x percebe-se certa granulosidade.



Júpiter já vai mais alto no céu.

Meu olho cansou de caçar D.S.O.

São 00h35min

Resolvo partir para um pouco de exploração planetária e fazer algumas experiências com minha nova câmera fotográfica.

Tratarei disto no póximo post.

Depois de me entender com Registax 5....

Bons Céus.




quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Supernova em M101

Foi observada uma supernova em M101 em 24 de agosto 2011.Ela foi vista ainda subindo de magnitude e é do tipo 1 a.
A galxia em si foi descoberta por Machain em 1781 e se encontra a cerca de 20 milhoes de anos luz .  Isto faz desta a supernova mais proxima deste tipo  nos ultimos 40 anos. Localizada proxima a Ursa Maior  é um objeto dificil das latitudes austrais. Na verdade quase impossivel esta epoca do ano. Veja o mapa para a latitude do Rio de Janeiro.


Veja a imagem do Virtual telescope , em Ceccano Italia.

http://virtualtelescope.bellatrixobservatory.org/m101sn.html

Mais em   http://www.sciencedaily.com/releases/2011/08/110825122421.htm

sábado, 20 de agosto de 2011

O Desafio de Barlow- Log de 18 e 19 de Agosto de 2011




Saída do Rio rumo a Buzios. Minha filha diretamente da COTRAUMA. Aonde acabou ganhando uma tala de gesso . São 18:30 .

21h30min estamos em Buzios. Um rápido Jantar. As dez e pouco estou começando a montar meu circo. Balancear bem o telescópio. Quero colocar minha câmera em “piggyback”. Depois alinhar a buscadora (9x50).

Eu gosto muito de buscadoras. Possuo uma “red dot” e a ótica já citada. Infelizmente estou sem bateria para o pequeno led. Confesso que gosto muito de começar a navegação com o auxilio do pequeno led. E só depois procurar com a ótica.

Depois de algum tempo batendo cabeça e com a lua já no céu consigo afinar a buscadora com o auxilio luxuoso de Júpiter.

Todas as quatro luas presentes. Há muito não visitava o gigante. O cinturão equatorial Sul já voltou ao normal. Um pouco mais anêmico que o Norte.

Resolvo fazer uns testes que há muito queria. Testo a Barlow que acompanha o Skywatcher (não sei o fabricante, mas poderia ser Synta...) e fico alternado entre esta e uma Celestron Omni. Ambas 2x. E com uma Plossl 25 mm calçada eu tenho 98 x de aumento. Não se nota diferença significativa. Tenho a impressão de que a Skywatcher tem cor mais vivida. Mas é muito tênue a diferença. E o seeing não estava lá muito bom. Isto pode influenciar a comparação. Percebem-se algumas “marolas” ao longo do limite dos cinturões com ambas as "barlows". Já sem elas coloco a 10 mm (120 X). Percebem-se mais detalhes.

São ambas lentes Barlow de baixo custo e facilmente achadas no Brasil.

O seeing não suporta mais que isto. Tanto a combinação da 10 mm + Barlow como a 4 mm apresentam-se muito instáveis e quase impossível de focar.

Há muita umidade no ar. Com a Lua e este spray no ar os D.S.O´s não são exatamente o prato do dia.

Resolvo continuar o teste com as Barlow.

A lua, bem acima de Júpiter no horizonte leste, é um bom campo de prova.

Coloco novamente o set up com as barlows e a 25 mm. Passeio um pouco pelo “terminator” e acabo me concentrando em um grupo de crateras. Pesquisando o Moon atlas tudo me leva a crer que se trata de Pitiscus e Hommel A, B e C.

Novamente acho a imagem da Skywatcher levemente melhor. Pouca coisa. Um sentimento.

Faço um esboço da região com um lápis HB.

É tarde.

Vou dormir.

LOG de 19 de agosto 2011

Hoje começo cedo. As 18h30min já estava com o telescópio no quintal. Novamente começo alinhando a buscadora. Hoje preciso dela funcionando mesmo. Apesar da suspensão esta noite se anuncia mais clara. Com poucas estrelas no céu começo por Arcturus, já no horizonte oeste.

Depois faço um rápido tributo a Saturno que já vai se escondendo.

Ainda não satisfeito com a buscadora parto para Acrux.

Em vôo cego visito dois velhos conhecidos no Horizonte sudoeste. As Plêiades do Sul em Carina e Ngc 3766 em Centauros. Este é conhecido como “The Gem Cluster”. Dois belos aglomerado abertos. Dois clássicos austrais.



Sagitário vai alto ao céu e pretendo caçar alguns globulares que habitam próximos a Janela de Baade. Dirijo-me para Alnasl (Gama Sag.). O bico do bule. Vai ser nosso ponto de saída. Depois de centralizá-la na buscadora parto para a ocular (25 mm). Deixando Alnasl sempre bem na borda do campo e escaneando a região a sua volta você vai rapidamente vai achar Ngc 6528.

É um aglomerado Globular. Fica dentro da janela de Baade. Este pequeno buraco na poeira estelar nos permite ver bem perto do centro galáctico. Logo ao lado e menor esta Ngc 6522. Este é menor e parece mais com uma pequena estrela esfumaçada. Talvez seja o aglomerado mais antigo da galáxia.

Ngc 6528 é mais chamativo. Bem denso não chega a se resolver. Mas apresente o centro bem estelar e certa granulosidade nas bordas. O visito com todos os set up´s. Com a 10 mm é o melhor resultado.

As "barlows” o deixam muito escuro. Não percebo diferença na visualização entre elas.

Ngc 6522 é objeto de disputa entre o CdC e o Stellarium. O primeiro dá mag. de 9.90. O outro fala em 8.6. Me parece que o CdC é mais correto.

Ngc 6528 brilha a 9.60. É bem maior que o seu companheiro: 17´ arc. contra 5. 4.

Vou rapidamente checar M4. Mas a nebulosidade na região atrapalha muito e o Globular é um fantasma...


Albireo /Beta Cigny

O tempo começa a piorar e acabo partindo para Albireo.

Cantada em prosa e verso é minha dupla favorita. O contraste entre seus componentes é realmente incrível. Eu acho que a primaria é de um amarelo alaranjado e a secundaria apresenta uma coloração levemente turquesa.

Existem diversas descrições e cada observador percebe nuances de cores particulares. Cada olho, um olhar.

Qual a cor das estrelas de Albireo para você?

Roubou a noite. Ficamos namorando Albireo por um bom tempo.

Um teste final com as barlow´s. Ngc 6281. Um belo aglomerado aberto. Novamente tenho aquela impressão. A Sky watcher “rende um pouco mais que a OMNI da Celestron...

E a 10 mm resolve mais estrelas que ambas.

Nunca fui muito de usar lentes Barlow. Mas confesso que o maior eye relief às vezes ajuda. Em objetos claros elas se fazem uteis. E agrega conforto a observação mesmo com maiores magnificações.

São ótimas para observação lunar e planetária. Em dias de bom seeing é possível obter aumentos absurdos. E com paciência vislumbrar detalhes de superfície bem sutis.

Seu uso para “Deep Sky” é mais restrito. Ao dobrar a razão focal de seu telescópio ele “come muita luz. Assim seu uso se torna restrito a objetos mais claros. De preferência com alto brilho de superfície. Me ocorrem algumas nebulosas planetárias. Seus pequenos diâmetros vão beneficiar-se do maior aumento.

P.S. A Barlow Sky Watcher possui rosca para adaptar camera DSLR com T Ring. A Celestron OMNI não possui rosca.

Pitiscus e Hommel
Bons céus.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Galaxias em Pegasus- The Deer Lick Group


A primavera vem por aí. E durante este período abundam pelos céus pequenos buquês de galáxias. Alguns mais conhecidos e outros menos.

Vou apresentar um grupo menos famoso e nem por isso menos desafiador.

The Deer Lick Group, como é chamado por nossos amigos anglo fonéticos não deve ter seu nome traduzido.

Seu maior expoente,  por si só uma boa razão para caçar este delicado grupo de Galáxias situadas em Pegasus, o cavalo alado, é Ngc 7331.

Esta bela galáxia recorda em muito a mais famosa Galáxia do Sombrero, M104. Em céus muito escuros ela é um senhor desafio para binóculos de 50 mm.

O Deer Lick Group é um desafio para mais abertura. É um grande desafio para telescópios de 150 a 200 mm.

Ngc 7331 poderá revelar alguma textura e uma faixa preta que faz seu halo parecer descentralizado. Com 120 x de aumento você talvez perceba indícios de seus braços espirais que se revelam claramente em fotografias.

Para localizar o grupo ache Eta Pegasus ,a noroeste de Sheta ( Beta Pegasus), Daí um campo binocular em direção Norte- Nordeste e você esta bem perto. Paciência.

Os outros membros do grupo são mais discretos e um grande desafio. Visão periférica, controle da respiração e todos os truques que você conhece.

Ngc 7335, 7336, 7337 e 7340 são como as moscas que habitam o veado do nome (deer).

Pequenas galáxias não necessariamente relacionadas gravitacionalmente. Na verdade elas se encontram a distancias muito diferentes umas das outras.

Ngc 7338 é uma estrela dupla relacionada ao grupo que também se encontra no campo.

Ngc 7331 não é uma solitária. Ela é relacionada gravitacionalmente com Ngc 7320. Esta situada a 5´ sudoeste e a contrario de sua madrinha não faz parte do chamado Deer Lick Group. Ela se encontra associada a um buque mais famoso. O Quinteto de Stephan.

Este um desafio para possuidores de telescópio maiores.



Pesquisando a região no New general Catalog você vai encontrar diversas outras galáxia nesta região que pode ser comparada a um belo campo de flores primaveril.

Nada mau ...

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

O Catalogo JESS de Nebulosas e Objetos Estelares1768 e 1769

Cap. 6- 1768 e 1769


Vou apresentar neste capitulo as diversos achados que foram registradas no diário de Silvano Silva no período compreendido entre os anos de 1768 e 69.

De forma que todas elas são anteriores as atualizações do catalogo Messier original. Este publicado em 1771.

Sabemos que Silvano Silva possuía os levantamentos realizados por Messier até a sua entrada de numero 40. E diversas das entradas seguintes do catalogo se referem a objetos conhecidos desde a antiguidade.

De qualquer forma diversas das entradas de Silvano Silva realizou durante este período se referem a objetos que foram incluídos no catalogo Messier somente em versões posteriores. Estas entradas, se não originais, são com certeza “redescoberta” realizadas de forma independente por Silvano Silva e José Eustaquio.

Uma curiosidade: Silvano Silva, na maioria das entradas (mas não em todas), classifica os objetos com os seguintes termos:

• Luminosae

• Nebulosae

• Occultae

E define Luminosae como agrupamentos de estrelas perceptíveis com a vista desarmada.

Nebulosae são objetos nebulosos que se resolvem em estrelas com o uso de telescópios.

Occultae seriam as nebulosas que não se resolveriam em estrelas.

Em seus escritos ele deixa transparecer que todas as nebulosas seriam compostas de aglomerados estelares.

“... as nebulosas são aqueles aglomerados mais distantes e que escapam a potencia de meu telescópio.”

Ele escreve em um pequeno texto solto que encontrei. Neste mesmo texto ele apresenta que José não acreditava tão ceticamente com relação a isto e acreditava que certos objetos eram de outra natureza.

“... o meu amigo crê que alguns objetos nebulosos apresentam características diferentes e podem ser compostos por estruturas diferentes de estrelas”



Curioso de fato é sua classificação ser idêntica a utilizada por Hodierna.

Giovanni Batista Hodierna (1597-1660) foi um astrônomo italiano bastante desconhecido e que por razões obvias não pode ter se encontrado com nenhum de nossos heróis. De qualquer forma ele deixou um catalogo com cerca de 40 entradas e com 19 objetos confirmados como autênticos . Seu trabalho foi pouquíssimo conhecido em seu tempo e embora pouco provável que Silvano Silva o tenha tido em mãos tudo indica que ele foi apresentado a esta obra ou pelo menos as suas idéias. O catalogo original de Hodierna foi publicado em 1654. Diversas entradas do catalogo J.E.S.S. são divididas com este catalogo antigo. Se forem descobertas ou compilações foram algo que se perdeu.

O Catalogo Hodierna é como um catalogo secreto. Ficou desaparecido durante séculos e foi redescoberto nos Anos de 1980. Apesar de utilizar uma nomenclatura semelhante à de Hodierna eu acho muito pouco provável o conhecimento prévio de Silvano Silva sobre o catalogo italiano. Os objetos em comum são bastante luminosos e provavelmente são descobertas originais de Silvano Silva ou de José Eustaquio.



Apresento abaixo os registros de Silvano Silva de entradas em comum entre estes dois Catálogos. São elas NGC 2362, 2451, 6231, M41 e M47.

8 - 07h18m 57.9s ,:-24°57' 47" “ Nebulosae, este são revela sua verdadeira natureza com grandes aumentos . Bem Junto à cauda do Cão Maior. “Não creio que o tenha resolvido na integralidade.”



Esta entrada é um objeto que devemos considerar como original. O texto de Silvano Silva não deixa muitas duvidas que ele desconheça o catalogo de Hodierna. Anteriormente ele sempre deu crédito a descobertas anteriormente registradas e que ele tinha conhecimento. Trata-se do aglomerado de Tau Canis Majoris. Ele só foi registrado posteriormente por Herschel como H VII.17. Trata-se de um aglomerado aberto contem cerca de 60 estrelas e 25 milhões de anos, o que o faz bastante jovem. E ainda é associado a alguma nebulosidade. É possível que Silvano Silva e hodierna apenas o identificassem como uma estrela esfumada...

É curioso o comentário em relação a grandes aumentos. Por minhas pesquisas os telescópios da época, bem como os telescópios dos próprios, não apresentavam oculares intercambiáveis. O comentário leva a acreditar que Silvano Silva confeccionou diversas oculares para seu telescópio. O comentário sugere também que talvez Silvano Silva resolvesse alguns elementos do grupo.



9- 07h45m 31.9s , -37°59'02" “ Nebulosae .Aglomerado Em Puppis . Dominado por uma grande estrela vermelha. Diversos membros...”



Bastante sucinto na apresentação o aglomerado junto a c Puppis é perceptível a olho nu. Resolve-se facilmente com qualquer auxilio ótico. Foi descrito também por Hodierna e posteriormente só é redescoberto por John Herschel (o filho) já no sec. XIX. Discutem se trata realmente de um aglomerado verdadeiro o somente um alinhamento casual.



10- 16h54m 31.7s , :-41°49' 37" “ Luminosae -Aglomerado já bastante conhecido . Na base da cauda do escorpião, Bem próxima a uma estrela dupla.”

Ngc 6321 evidentemente. Um aglomerado aberto que na época já havia sido incluído em quase todos os catálogos clássicos. Hodierna, Halley, Lacaille. Zeta Scorpio (dupla) indica facilmente sua posição. Aglomerado muito jovem com idade estimada em menos de 3.5 milhões de anos.



11- 06h46m05.9s , :-20°45' 11" “ Nebulosae – Outro aglomerado conhecido desde antiguidade . “Messier o inclui na cópia que não possuo de seu catalogo como a entrada 41”

M41 dispensa comentários e é um aglomerado talvez descrito por Aristóteles. O que faria dele o objeto mais tênue descrito na antiguidade clássica.



12- 07h36m 42.2s , :-14°29' 17" “ Luminosae Grande aglomerado em Puppis , resolve-se em dezenas de membros. Foi-me indicado por José. “Uma leve nebulosidade percebida se prolongado a pata do Cão Maior...”

È uma descoberta de Hodierna. Posteriormente foi redescoberto por Messier e foi sua entrada de numero 47. Tudo indica que é uma descoberta de José Eustaquio. José deveria ter a vista muito apurada, já que percebe-lo a olho nu é uma tarefa bastante difícil. Os textos de Silvano Silva levem a crer que ele achava se tratar de uma descoberta original.

Estas são entradas que não apresentam nenhuma duvida junto a material encontrado e que curiosamente aproximam o catalogo J.E.S.S. do clássico texto de Hodierna.

Estranhamente parece tratar-se de conhecidência tanto a nomenclatura como as entradas em comum entre estes catálogos tão distantes no tempo e no espaço. Outra entrada em comum levam a uma eterna suspeita. A de que Silvano silva tenha tido contato com o antigo catalogo italiano.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Cometa C/2009 P1 Garrard

A grande estrela do misticismo é o Elenim. Mas deveriamos voltar nossos olhos para a eminência parda :O Cometa C/2009 P1 Garrard.
Este esta se apresentando de forma magnifica e ao alcance de equipamentos amadores. Há inclusive diversos registros de observações com binoculos. Sua atual magnitude é por volta de 8,5. Algo como a Nebulosa do Carangueijo (M1).
Localizando-se entre as constelações de Pegasus e Delphinus ele é a grande "estrela" deste mês. No momento bem próximo a M 15 . Ambos no mesmo campo foi recentemente a foto do APOD.
Não perca a chance de visitar este cometa.
Não tão comentado quanto o Elenim este cometa vai surpreender e você não vai ser obrigado a explicar para ninguem que o mundo não vai acabar e nem o chão vai tremer.
Ele já consta do database do Cartes du Ciel (Skycharts).

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Orvalho , Condensação e o Zero Absoluto

O Inimigo mais comum a perturbar o astrônomo amador durante a noite é a água. Menos comum é o uísque. De qualquer maneira é curioso que as pessoas se surpreendam que as coisas não permaneçam secas em noites claras e sem chuva.


Infelizmente as mesmas condições que levam a aquelas visões telescópicas estáveis, limpas e cristalinas ocorrem sob as mesmas condições atmosféricas que levam a formação de orvalho.

Na ocular primeiro se percebe que as estrelas diminuem de brilho e galáxias se tornam mais difíceis de perceber. Depois as estrelas mais brilhantes começam a desenvolver halos desfocados, brilhantes e coloridos ao seu redor. Uma rápida checada em seu sistema, com a ajuda de uma lanterna, vai revelar uma “neblina” se formando sobre todas as superfícies óticas. Em condições mais severas o telescópio começa a pingar água. Enxugar não adianta já que mais água se condensa no momento que você para. Tipo secar gelo.

Em geral é neste momento que o observador se dá por vencido. E o uísque que falei entra em cena.

Mas é possível, repito: é possível, manter suas lentes e espelhos cristalinos mesmo sob severas condições de condensação. Só é necessário que você compreenda o inimigo e tomar as contramedidas necessárias.

O orvalho não “Cai” do céu. Por isto também pode ser chamado de condensação. Não é tão poético, mas é exatamente isto. Ele se condensa do ar ao redor de qualquer objeto que esteja mais frio que o ponto de condensação do ar. O ponto de condensação depende da temperatura e da umidade do ar. Quando a umidade atinge 100% o ponto de condensação é igual ao da temperatura do ar. Em níveis mais baixos de umidade o ponto de condensação é mais frio que a temperatura do ar.

Malandrinho vai dizer: - Mas o meu telescópio não pode ficar mais frio que o ar. Ele estava mais quente quando eu o trouxe para o quintal. A segunda lei da termodinâmica diz que isto é impossível.

Se fosse verdade o orvalho não seria problema. Só a chuva.

Mas malandrinho falou besteira.

Objetos realmente tentam atingir a temperatura ambiente e então permanecer lá. Como previsto pela tal da segunda lei.

Mas telescópios olham para bem longe e trocam seu calor não só com o ar ao seu redor. Eles também trocam calor com objetos distantes, através de radiação. Aliás, a temperatura do cosmic back ground é pouco acima do zero absoluto. Quando você olha para o céu noturno qual é a temperatura em que as coisas devem se estabilizar? Entenderam. Eis a Segunda Lei da termodinâmica...

Com isto fica bem claro que a única forma de se manter livre do orvalho é mantendo suas superfícies ópticas acima do ponto de condensação.

Há diversos sistemas. Eu gosto particularmente de ter um pequeno secador de cabelos por perto. Ou poder observar em dias de baixa umidade. Manter o telescópio com tampas ajuda. Embora não garanta já que as tampas não o selam a vácuo e é do ar que se condensa o orvalho. Outra coisa que embora não seja muito efetiva é mantê-lo o mais baixo possível (o espelho). O ar mais próximo ao solo tende a ser mais quente.

Outra boa opção é observar de um lugar coberto e cercado, um observatório, mas isso não é para todos. Mas o uso de um guarda sol, da mesma forma que protege do sol, pode te proteger do “frio universal”. Termômetros embaixo de um guarda sol têm leituras de até 6º Celsius mais quentes que termômetros expostos durante a noite.

Um truque bom para refratores é esticar o “dew cap” com Cartolina ou cinefoil. (uma espécie de papel alumínio preto).

Quanto às oculares vale o mesmo. As mantenha tampadas. E no bolso. Seu corpo as esquenta.

E lembre-se o secador de cabelos...Existem os chamados "dew heaters" , que se parecem com ventoinhas de computadores com uma resistencia. São comuns em locais onde o orvalho é gelo . Ou seja o ponto de condensação é abaixo de zero. Raros no Brasil. Mas um belo brinquedo para se construir...



E não deixe ela ( a condensação) se instalar.

Depois fica difícil reverter o quadro.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

O Golfinho, O Astrônomo Esperto e Gama Delphini, uma estrela dupla.

O Golfinho, O Astrônomo Esperto e Gama Delphini, uma estrela dupla.




A constelação de Delphinus (o golfinho do titulo) é bem discreta. Mas ela conta uma piada astronômica que já dura quase 200 anos.

Niccolò Cacciatore (26 Janeiro, 1770 – 28 Janeiro,1841), astrônomo italiano foi assistente na elaboração do catalogo de Palermo, um importante catalogo de estrelas publicado em 1814. Foi também um piadista.

Como assistente ele foi realizador do trabalho pesado de pesquisa e registro.
Era o “bucha”.
Graças a isto Alpha Delphini e Beta Delphini são umas das poucas, senão as únicas, estrelas batizadas em homenagem ao seu “descobridor”.Em meio a milhares de estrelas os dois nomes estranhos não se sobressaiam. Sualocin e Rotanev na verdade passavam de forma natural entre nomes árabes e latinos.

Na verdade Cacciatore latinizou e inverteu seu nome e assim batizou as duas estrelas de 4 mag. que são os dois faróis mais brilhantes da constelação de Golfinho ( Delphinus).
Niccolo tornou-se Nicolaus e Cacciatore tornou-se Venator (caçador). Posteriormente e mais mascaradas tornaram-se Sualocin e Rotanev.

A brincadeira "colou" e elas e o autor desta brincadeira entraram para a história.

Nicollo ainda foi o descobridor de Ngc 6541. Um aglomerado Globular.

A brincadeira só foi desmascarada quando Thomas William Webb (14 Dezembro, 1807 – 19 Maio, 1885) percebeu isto. Mas aí já era tarde. Webb é o autor do clássico Celestial Objects for Common Telescopes, de 1859.

Mas a pequena constelação ainda traz mais uma surpresa para astrônomo amador. E ao alcance de pequenos telescópios.

A constelação possui o formato de uma pequena pipa e em um de seus vértices, leste, habita uma discreta estrela percebida com facilidade em ambientes suburbanos. Gama Delphini.

Sendo a estrela mais afastada da ponta da Cauda ( "rabiola") de nossa pipa ela é facilmente localizada.

A melhor forma de observar este delicado par de colorido controverso é com grande magnificação. Comece com 120 X.

Há depoimentos descrevendo a cor de sua estrela primaria entre o laranja e o amarelo. Sua secundaria varia em depoimentos entre um pigmento verde até um branco azulado. Um belo par.


A pequena constelação também traz escondido o 2º globular mais distante conhecido.

A pequena Delphinus é facilmente localizada próxima a Altair , a brilhante Alpha Aquila.

Cace esta dupla. É um dos clássicos da estação.

P.S. Nova em Delphini - 2013 ---   Imagens