quinta-feira, 30 de junho de 2011

Longomontanus


Christen Sørensen Longomontanus (or Longberg) (4 de Outubro 1562 – 8 de Outubro 1647) foi um astrônomo dinamarquês.
Foi assistente de Tycho Brahe assim como Keppler. Mas ao contrario deste não acreditava no sistema heliocentrico e desenvolveu um sistema chamado de Semi Tycho para explicar as coisas...
Acreditava também que cometas eram um sinal do Mal.
Acreditou também que havia descoberto a solução para o problema sobre a quadrartura do circulo. Pelo menos o de raio 43. Ningúem o conseguiu dissuadir de que ele estava errado . Mas vários tentaram...
Foi inimigo de Kepler. Trabalharam juntos à Tycho Brahe no maior observatório de seu tempo. Uraniborg , na ilha de Hven. Não me perguntem como se pronuncia isso...
Escreveu vários livros e suas tábuas lunares ( há duvidas) seriam mais precisas que as de Kepler...
Seu livro Astronomia Danica foi "popular". Reeditado duas vezes
Foi enfim imortalizado na Lua tendo seu nome batizado ado uma bela cratera . Riciolli o homenageou em 1651.
Uma bela cratera que faz par com Montanari ( menor).
É uma cratera do periodo Nectariano (entre 3.92 e 3.85 bilhões de anos). Possui um diâmetro de 150 Km. Esta localizada no quadrante sudoeste. É possível avista-la utilizando um binocúlo de 10x50 mm.
Foi , juntamente com Montanari e Wilhem , o alvo escolhido para ser registrado na madrugada do dia 25 de Junho de 2011.
 Foram usadas diversas técnicas.  O primeiro desenho foi realizado junto ao telescópio com lápis H,HB,B2 e B6 e um esfuminho n1. Posteriormente foi renderado no PhotoShop. 
 O desenho final é um registro  do que observei na ocular.
E o original é, bem.... um registro rápido.
Se quiser saber mais sobre Longomontanus , clique aqui.






final

Original

domingo, 26 de junho de 2011

Observando M104 - A Galáxia do Sombrero

Observando M 104


Clique para ampliar



M 104 é uma das mais belas galaxias acessíveis ao astrônomo amador.

Conhecida como a Galaxia do Sombrero por sua silhueta ela é um DSO dos mais charmosos.

Até por seu titulo de Galaxia Perdida...

Sua entrada no catalogo Messier é pela porta dos fundos.

Foi descoberta por Pierre Mechain em 1781. Foi na o primeiro objeto Messier a não ser incluído no catalogo Messier. Mas existem provas definitivas que esta foi incluída e anotada pelo próprio Messier em sua cópia em 11 de maio de 1781. Mechain era um estreito colaborador. Posteriormente sua cópia chegou a mão de Camille Flamarion, que identificou o objeto como sendo o descrito por Herschel sob o belo nome de H I. 43. Também identificado no New General Catalog sob o ainda mais emocionante titulo de NGC 4597. O próprio Flamarion o inclui como entrada 104 do catalogo Messier.

A bela Galáxia do Sombrero se encontra a cerca de 50.000.000 de anos luz de nós . Quando sua luz começou esta viagem você praticamente podia ir a nado até a Africa. O Atlantico era bem menor e o Almir Klink não tinha nem um antepassado.
 Existem fontes que citam a galaxia como  ha meros 28.000.000 de anos luz . Ainda assim a travessia era bem mais modesta...


Cdc 5 graus
(Indicando o asterismo que citei)

Para localizar M 104 existem vários métodos. Eu particularmente acho que o melhor sistema é imaginando um triangulo formado por Gienah (Gama Corvus) , Spica (Alpha Virgo) e Porrima ( Gama Virgo). Atualmente ( junho de 2011) em vez de Porrima você pode usar Saturno. Algorab também ajuda como referncia. Agora mire  no circuncentro  .  . Lá vai estar o Sombrero. Olhe pela buscadora e você deve perceber rapidamente um asterismo envolvendo uma estrela dupla e mais uma estrela de campo bem junta. Este asterismo aponta para M 104. Na verdade ambos cabem com sobras na minha ocular de 25mm (cerca de 1º).

Phil Harrington, em seu livro Star Watch , propõe uma outra aproximação. Partindo de Gienah ( Gama Corvus) procure uma estrela de sexta magnitude logo ao norte dela. Siga uma série de cinco estrelas de 6ª e 7ª mag. , em direção nordeste, isto vai conduzir você até um triângulo que apontará para um pequeno nó de estrelas que forma um  asterismo. Parecem um triângulo de estrelas dentro de outro triângulo.Ou seja um monte de triângulos... Harrington ainda apresenta o nome e o autor do asterismo. Um amador texano de nome John Wagoner. O nome: Stargate. Não é o  mesmo que citei anteriormente...  ( a estrela dupla e sua companheira de campo)

Eu acho meu método mais fácil. Evidentemente que você usa uma buscadora 9x50 mm.

M 104 apresenta (para uma galáxia, ok...) um alto brilho de superfície o que a torna um alvo que “suporta” alguma poluição luminosa.

M 104 é uma das galáxias mais gratificantes de observar-se. Ela apresenta detalhamento mesmo em telescópios pequenos. Sua faixas escuras são facilmente percebidas com visão periférica . Com telescópios médios ( de 150 à 200 mm)até mesmo com visão direta se percebe detalhes.

Magnitude: 8.00. Seu brilho da Superfície: 11.60. Apresenta a seguinte dimensão: 8.6 x 4.2 '

Coordenada Aparente RA: 12h40m 37.1s DE:-11°40' 56"






Uma noite com Messier

Uma noite com Messier

Feriado de Corpus Christi. Tudo em ordem para partir. Eu e minha filha. Destino Buzios.

Telescópio embarcado. Acompanha-me o Sky Atlas 2000.0 e Phill Harrington.

Desta vez eu vou garimpar todas as galáxias de Coma virgo.

Sonho meu...

Os dois primeiros dias tudo nublado.

Sexta à noite o tempo abre.

16h30min Estou em casa começando o evento. Como querem organizar o Bobó simultaneamente eu fico com o quintal da frente. Ainda claro e eu faço um a calculo aproximado do sul. Um alinhamento polar pró-forma...

Aproveito o muro ainda iluminado para checar a colimação. 1200 mm são bastante condescendentes. Parece ótima apesar da viagem e seus trancos.

Organizo a papelada. Abro o Sky Atlas na pagina certa. Mr. Harrigton a postos. Lanterna vermelha no bolso e o kit de desenho na mesa

Arcturus acende no horizonte norte. 17h: 40 min.

Mais um pouco e meu primeiro alvo se acende. Saturno.

Não sou um tipo muito planetário. Mesmo assim provo as mais diversas magnificações e com a 17 mm acho um ótimo de conforto. Os anéis não estão exatamente em uma posição favorável. Esta fazendo um belo par como Porrima. Percebo que o seeing não esta lá estas coisas. Com a 5 (240x) a imagem começa a degradar-se.



O quintal da frente, as crianças e a família não chegam a colaborar. Cogito quebrar uma lâmpada do poste a noroeste. Sou impedido.

Com Saturno na ocular começo as melhoras nas buscadoras. Estas não tão condescendentes como a colimação. Finalmente consigo ter as coisas no esquadro. Sempre.

A 10 mm sempre acha!

Pelo menos até o próximo duelo entre meu nariz e a buscadora...

Calço a 25 mm no telescópio.

Meus planos são claros. A noite será dedicada a Messier.

Assim que o céu se apresenta escuro o suficiente eu me lanço ao primeiro objetivo. Na verdade a única parte da sessão que eu tinha determinado como “sine qua non”.

M104. A Galáxia do Sombrero. Localizada há 50.000.000 de anos luz.

Magnitude: 8.00. Brilho da Superfície: 11.60. Sua dimensão: 8.6 x 4.2.

É uma entrada tardia do catalogo Messier e consta da cópia de pessoal de Messier. A entrada é confirmada também por correspondência de Pierre Mechain( que foi o descobridor da mesma em 11 de maio de 1781). Na ultima edição do catalogo (publicada em 1784) não consta M104. Esta só é realmente incluída no catalogo por Camille Flamarion em 1921. Ele adquiriu a cópia pessoal do catalogo de Messier e encontrou as anotações.


M 104 Newtoniano 150 mm


M104 foi durante muito tempo uma das “galáxias perdidas de Messier”.

Assim que consigo ver Corvus claramente meus outros faróis já estavam acesos. Com Algorab, Spica e Saturno a triangulação não é difícil. Tinha pesquisado bem a posição e o Sky Atlas indica claramente um grupo de três estrelas bem próximas (Uma dupla e outra no desenho) que estão bem próximas a M 104. No mesmo campo com uma 25 mm. (1200 mm Df).

Suspeito sua presença na buscadora ótica (9x50mm).

O asterismo é descrito por Harrington e segundo o próprio foi batizado por um astrônomo amador americano (mas precisamente do Texas) com Stargate. Não me parece... Parece uma estrela dupla com outra de campo bem juntas. Esta formação é obvia no Sky Atlas.

M104 se mostra claramente. Utilizo a 10 mm. Percebem-se mais detalhes da galáxia. A faixa de poeira se mostra bem com visão periférica. Assim como na 25 mm.

O melhor custo- beneficio foi com a 17 mm. Bastante detalhe em periférica. As “dust lanes” são detalhe obvio.

Um bom começo. Faço um rápido esboço para registrar.

Parto para Coma-Virgo cheio de certeza.

Seguindo os conselhos de Mr. Harrington resolvo começar com a chamada Campanha do oeste. Mr. Harrington propõe o seguinte” approach” para o aglomerado de galáxias: uma campanha começando pelo oeste. Porto de saída: Denebola ou Beta Leo. A partir desta você deve achar um asterismo que consiste de um triangulo e um pequeno diamante acima deste. Ao redor deste conjunto de estrelas você vai localizar M 98, 99, 100 e 85. Segundo o renomado colega a campanha do oeste é mais fácil.

E uma campanha de Leste. Tem como ponto de partida Vindemiatrix em Virgem. Esta mais comprometida.

Coma- Virgo é cruel. Um monte de galáxias. A maior parte bem apagada. (Se você tem algo com mais de 300 mm ainda vai ter de usar “averted” na maior parte do caldo).

Nem Messier compareceu. Ngc então...

Depois de mais de uma hora e não localizar os asterismos referencia que meu amigo Harrington comentou eu ponho minha viola no saco.

Percebo que o destino será o mesmo se mudar meu plano de ação para um ataque pelo flanco leste. Às vezes é melhor recuar para lutar outro dia.

Desisto. A transparência é pouca e o seeing idem. Me servem de desculpa.

Retorno para Corvus. Na verdade começo com Corvus. Apesar das aparencias dizerem o contrario M 104 se encontra em Virgem...

M 68
M 68. Um Aglomerado globular. Não o conheço. Mas bem próximo ao Zênite é viável. Há suspensão mais baixo no horizonte. Um alinhamento fácil seguindo a linha entre Algorab e Beta Corvus. Segue mais um pouco e pronto!

Discreto na buscadora. Acredito que deva ter dias melhores... Hoje é uma mancha... Mas dois Messier novos no hit list é sempre melhor que um Abell que você não sabe se viu mesmo ou se quis ver. Não se apresenta arredondado , pelo menos não perfeitamente.

Algorab (e Corvus em geral) é um farol muito útil. Tema uma companheira visível a olho nu e a dupla é certeza de posição. Mesmo no céu urbano. Ela permite localizar com certa facilidade ambos Messier avistados.



O aglomerado de Virgem agora já vai mais baixo no horizonte e está fora de cogitação.

Estou tentando manter um registro das observações e me demoro desenhando os DSO´S. Realizando pequenos esboços para referencia.

Utilizo basicamente um conjunto de lápis (H, 2B, 6B e lapiseiras 0,5 e 0,9 com grafite HB) e um esfuminho 1. Uma boa borracha. Depois faço uma versão no Photoshop. Meu scanner está com problemas. Espero postar os originais em breve...



Mantenho a intenção de dedicar à noite a Monsigneur Messier.



Arcturus, Saturno e Vendimiatrix alinham e consigo perceber Alpha Coma. Segundo o amigo, achando a tímida estrela você vai achar M53.

Não foi tão fácil assim. Ela não exatamente salta a vista na buscadora. Na verdade centralizei Alpha e navegando (ou escaneando) com a 25 mm acabei por encontrar. Mais definido que M68. Novamente a 17 mm foi a melhor opção.

Acho que o seeing está muito fraco para suportar a 10 mm.

Com “averted” se percebe uma granulosidade e suspeito perceber estrelinhas “ flicando“.

Flicar é um anglicismo. No cinema se usa para se expressar um problema de freqüência. Quando sua luz funciona a 60 hertz e você filma com a velocidade de 25 quadros por segundo pode ocorrer o “Flick”. Vai lembrar o efeito de uma luz estroboscópica. O efeito é muito semelhante. M53 flica com “averted” (averted não é um anglicismo. É inglês mesmo)

O plano deve ser flexível.

Nasceu Sagitário. Serei fiel a Messier (a estratégia). Mas farei uma mudança tática (o plano).

São objetivos mais claros e em território conhecido. E na verdade muito mais bonito que o horizonte norte que pretendia atacar.

M8. Para abrir os trabalhos. A nebulosa da lagoa. É uma bela definição.

Gastei um pouco mais de tempo desenhando. A noite não é ideal... Mas a lagoa sempre se apresenta. Cada vez de um jeito. Aqui é para jogar campão. 25 mm. Com a 17 fica bom e com a 10 mm se resolvem muitas estrelas, mas se perdem os reflexos.



Sagitário é sensacional. Girei os botões de ambos os eixos e topei com M 28.

O melhor Glob da noite. Flicando muito,



M17 é a favorita do camarada Harrington. Vamos lá. Fácil. A transparência para o horizonte sul esta melhor. A Via Láctea apresenta-se. E meio calculo, meio chute a nebulosa aparece na buscadora. Claramente. Até interessante.

Com 25 mm ela é o cisne. Com a 17 mm ela é a ferradura. Com a 10 mm novamente o mesmo problema. Mais estrelas, mas sem névoa (bem... com um pouco)

M 17 é conhecida por vários nomes. Nebulosa do Cisne, da Ferradura ou Omega. Eu percebo bem a ferradura. Foi descoberta por de Chéseaux a redor de 1746.

O céu nubla. Me resigno . Abro uma cerveja.

Vou esperar a lua nascer.

A lua se apresenta as 03h00min da manhã. Um rápido levantamento com a 25 mm e escolho meus alvos.

Troco a ocular. 120 x vão ser o suficiente. Desenharei somente uma parte do campo.

Um grupo de três crateras alinhadas no terminator.

Longomontanus é a maior delas. Batizada em tributo a um astrônomo dinamarquês do Sec. XVII. Foi assistente de Tycho Brahe e parece que inimigo figadal de Kepler...

A seguir Wilhelm. Este um estadista e astrônomo nascido alemão durante o Sec. XVI.

Menor e espremido entre os dois está Montanari. Esta batizada em tributo a Geminiano Montanari. Italiano obviamente. E astrônomo.

Depois de vários esboços resolvo que é hora de me preparar para dormir.

Pretendo utilizar os esboços para produzir alguns sketches da região utilizando algumas técnicas diferentes. Achei um livro interessante a respeito da matéria. E apesar da total inaptidão para as artes plástica pretendo testar as possibilidades apresentadas.

Minha cunhada dá o golpe final e me traz uma caipirinha de Cajá.

PS- Sabado o céu  acabou abrindo. Mas infelizmente era dia de churrasco e o dever junto a churrasqueira me mantém ocupado.  Apresento Saturno aos visitantes. Sempre funciona... E depois visito Ngc 4755 . E só...

sexta-feira, 17 de junho de 2011

O que você vai ver em um binóculo 10x50mm

O que você vê utilizando um binóculo 10x50 mm



Quando buscamos por pequenas bolas de algodão em meio de um campo de estrelas, ter uma idéia de como se parece essa bola ajuda muito.

Aglomerados globulares, nebulosas e até mesmo galáxias estão ao alcance de binóculos 10x50mm ou até menores. Aglomerados abertos são amigos de binóculos. Mas os mais tênues serão também esfuminhos no céu.

Existe um termo em inglês que não consigo traduzir ao pé da letra, mas que é perfeito para descrever o que procuramos.” Faint fuzzies” .

O que complica é que quando queremos saber como estes se parecem ao binóculo só conseguimos imagens deles ao telescópio e com muito mais magnificação do que estaremos utilizando.

Achei um post no Cloudy Nights aonde um cidadão levantou que as imagens mais próximas que ele consegue obter e que se aproximam da realidade são obtidas no Stellarium.

Como São Tomé resolvi ver para crer.

Abri o Stellarium e brincando com ele obtive algumas respostas.

De fato, utilizando o Stellarium calibrado com o FOV (Field of view) entre a 6º e 3º graus que é o aproximadamente o campo de meus Binóculos (um 10x50 e um 20x50) as imagens se assemelhavam ao que eu espero ver ao binóculo ou buscadora. .

A maior diferença é que em geral os DSO´S são mais tênues que o que vemos ao monitor.

Outra impressão é que ele (o programa) nivela o brilho destes. Alguns DSO´S são muito mais tênues do que parecem no computador e outros nem tanto. Algo como se o brilho de superfície destes objetos fosse sempre muito próximo.

Mas definitivamente é um recurso que pode ajudar muito a reconhecer seus alvos ao binóculo e ajudar você a se localizar. Especialmente em campos muito ricos em estrelas e/ou DSO´S.

Outro programa que resolvi testar e que apresentou resultados semelhante e possivelmente mais realistas foi o Cartes du Ciel 3.2 .

Suas imagens em preto e branco são mais semelhantes às imagens captadas por nossa visão. (A menos que você possua um binóculo Ruby Coated horroroso como um que tive e que tinha a propriedade de colorir as imagens. De sépia. E com “desvio para o vermelho.”).

Outra vantagem é o maior banco de imagens do CDC. Enquanto no Stellarium somente os Messier possuem imagens realistas o CDC tem todas as imagens para o NGC. Messier e NGC são catálogos de DSO´S ( Deep Sky Objects ou objetos que se encontram além do sistema solar)

Outra opção para você conseguir saber como se parecem os objetos que você procura vistos de um binóculo são livros como Turn left at Orion ou Skywatch que apresentam desenhos de seus alvos como vistos por uma buscadora 9x50mm.



Mostro abaixo a área próxima a M 8 com o Stellarium e com o CDC. O Stellarium a 6º de FOV e o CDC com 5º. Alguns ajustes podem levar a imagens ainda mais próximas da realidade. Mas ambos dão uma boa idéia do que você pretende ver.

Ainda que um pouco otimista...

P.S. - Recentemente descobri um programa na web , um beíissimo trabalho , que permite você fazer simulações do que esperar com uma determinada ocular em um determinado telescópio. Com imagens reais de DSO´s .

http://www.universum.pt/coa/index.php



segunda-feira, 13 de junho de 2011

O Olho de Marte- Solis Lacus

O Olho de Marte




O Planeta Marte costuma ser uma das maiores decepções para os astrônomos amadores.

Cercado de lendas e mistérios. O Planeta Vermelho, o Deus da Guerra, os Canais de Schiaparelli e os protagonistas de vários filmes. Uma História Cheia de Maiúsculas.

Definitivamente a história das descobertas marcianas caminha em paralelo com a história da astronomia.

E que se desenrolou em capítulos espalhados por intervalos de dois anos.

As oposições Marcianas ocorrem a cada dois anos. São os momentos em que este se encontra mais próximo à terra .

Algumas são melhores que as outras.

A próxima será em março de 2012. Vai se a pior da década. A melhor delas será em julho de 2018. A distancia que separa uma e outra é expressiva. Na de 2018 será pouco mais que a metade da distancia que nos separará no próximo ano.

As oposições que ocorrem próximas ao periélio marciano são melhores que as que ocorrem próximas ao afélio. Nas primeiras o planeta pode estar a menos de 56 milhões de km da terra. Nas outras ele jamais se aproxima mais que 81 milhões de km.

Ou seja: nas melhores condições ele não terá mais que 25´´ de diâmetro.

Com isto em mente buscar estruturas na superfície do planeta.

Apesar de ser atualmente bem conhecido e inclusive possuir jipes com o logo da NASA passeando por sua superfície o planeta vermelho ilude os astrônomos amadores.



Agora vamos ao que interessa. Solis Lacus.

Solis Lacus foi assim batizado por Schiaparelli em seu primeiro mapa de 1877. Mas o seu registro é mais antigo e foi primeiro batizado como Terby Sea por William Dawes.

O do Limite de Dawes.

Solis Lacus ou o “olho de marte”.

O “olho” é a estrutura planetária  assim como as  calotas polares. Com pequenos telescópios (entre 75 e 125 mm) será provavelmente uma das mais delicadas  que você irá perceber.

Localizado 85º Oeste de long. e 26º Sul de lat. o olho vai se apresentar (em boas condições de observação) tênue, vago e sutil. Atenção e concentração serão importantes na sua percepção.

O equipamento a ser utilizado pode variar. Porém para a observação planetária parece-me melhor o uso de refratores ou de newtonianos de longa distancia focal. Devido ao maior contraste que estes tendem a apresentar. Gostarei de comparar os resultados de meu refrator com o Newton.

Oculares wide Field Ethos ou etc.. podem apresentar vistas sensacionais do universo. Mas para ver o Olho de Marte serão mais adequadas oculares mais simples e com bastante magnificação. Ortoscópicas ou Plossl. Vão ser o carro chefe. Comece com pelo menos 200x.
 E esqueça limites teóricos.




terça-feira, 7 de junho de 2011

Ngc 6025- Log

Uma rapida olhada para o céu . Cerca de 1:00 AM e eu insone.
 Percebo Triangulo Austral bem defronte a minha Janela.
Após rapida reorganização do espaço eu coloco o 150 mm na janela.
Primeiro centro Alpha Tri Aus na buscadora. Também conhecida com Atria. Uma bela estrela avermelhada.
Próxima parada Beta Tri Aus. A buscadora esta bem calibrada e a partir desta estrela é um rapido passeio até NGC 6025 .
 Com Mag. 5.1 ele se apresenta na buscadora. Começo a observa-lo com a 25 mm. ( 45 x). 
Conto cerca de 20 estrelas e percebo um formato de S no DSO.  Na verdade duas cadeias paralelas de estrelas em forma de S . Dominada por um triangulo de estrelas em sua extremidade Leste e uma estreçla mais brilhante na extremidade oposta.
Subo a Magnificação para 120x . (10 mm) . O aglomerado enche o campo . Mas não obtenho muito mais estrelas. A transparencia é muito ruim e o foco dificil. Observo durante alguns minutos e tento me recordar bem do aglomerado. farei um pequeno esboço posteriormente.
Um aglomerado pequeno e sem estrelas muito brilhantes . Porém muito bem colocado para a observação. Ñunca o tinha observado com o Newtoniano . Mas já havia realizado um sketch do mesmo com meu velho refrator. Não chega a se impressionante .  O desnho realizado com o 70 mm foi feito junto a ocular. O outro é uma recordação. De fato se percebe mais estrelas mas o primeiro é mais fiel...
 Não chega a ser impressionante Delicado . Mas é digno de nota. Vale o passeio e é um alvo facil.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Supernova em M 51

Foi constatada a erupção de uma super nova em M51. Há seis anos ocorreu outra supernova nesta mesma galaxia.  A primeira evidencia da supernova foi em 31 de maio quando o astronomo amador francesAmédée Riou  percebeu uma estrela de 14 mag. onde antes não havia nada. Ainda é cedo para dizer se ela esta se tornando mais brilhante ou apagando. Imagens feitas pelo proprio Amédée anteriormente em maio não mostram nada. A supernova esta ao alcance de amadores com telescópios médio- grandes.
Segue o link para reportagem da Sky and telescope e uma animação que mostra a Supernova claramente.
http://www.skyandtelescope.com/community/skyblog/observingblog/123110228.html

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Catalogo J.E.S.S. - Cap. 5

Cap. 5- Os telescópios e equipamentos




Os equipamentos disponíveis para a realização do Catalogo José Eustaquio e Silvano Silva de Nebulosas e Objetos Estelares foram utilizados  em um metódico levantamento dos céus austrais por nossos dois astrônomos pioneiros e era também o resultado de avanços tecnológicos que se desenrolaram ao longo de vários séculos de pesquisa astronômica.

Sabemos pelos textos de Silvano e Silva que José Eustaquio “herdara” um dos telescópios que Lacaille trouxera em sua expedição para o Sul. Este teria ficado em poder de seu pai que segundo dados circunstanciais parece ter servido ao Abade em sua estada no Rio de Janeiro.



Sabemos por diversas fontes que o grande astrônomo francês não deixara saudade e tampouco a sentia em relação a cidade maravilhosa . Em diversos textos o abade falava da sujeira e do mau cheiro que invadia a Rua do Rosario. Foi ali que ele montou sua banca. Apesar da grande herança deixada por Lacaille ele realizou todos os seus feitos com telescópios deveras simples. Na realidade pouco mais que pequenas lunetas. Instrumentos de cerca de 25 mm de diâmetro de objetiva. E com aumentos da ordem de 6 a 9 vezes. É impressionante que este homem tenha deixado seu catalogo e mais uma família de constelações nos céus austrais com equipamento tão simples.

O próprio Silvano Silva nos diz:

“... o telescópio de Eustaquio pouco mais é que um monóculo de opera. E apesar disto ele reconhece centenas de nebulosas. Sua criação junto aos marinheiros deixou-lhe um profundo conhecimento dos céus e de seu comportamento.”


Já o equipamento de que dispunha o padre parecia ser mais sofisticado. Segundo suas próprias palavras seu aparelho era em muito superior ao pequeno newtoniano de Messier. Porém com uma menor distancia focal. Apesar de não citar valores em nenhum dos textos encontrados podemos fazer algumas suposições.

Os telescópios que Messier utilizou são conhecidos pela história e pelas palvras de Silvano podemos fazer sérias conjecturas .

Segundo Frommert e Kronenberg (SEDS) Charles Messier observou e/ou possui alguns telescópios;

1. Refrator de 8 metros de Distancia focal, Mag. 138x

2. Refrator Acromático, 4 metros DF Mag. 120x

3. Refletor Newtoniano 1500 mm  DF, Mag. 60x

4. Refrator Acromatico, 1200 mm DF (Dollond), Mag. 120x

5.  RefratorCampani, de propriedade do M. Maraldi, Mag. 64x

6. Refrator 6 m DF, Observatorio de Paris, Mag. 76x

Estes são apenas alguns dos telescópios utilizados por Messier . É importante lembrar que devido a tecnologia da época eles eram bem mais limitados do que sugerem as grandes distancias focais. Percebe-se também que na época a idéia de oculares variadas ainda não havia feito escola.

Mas devido a um pequeno recorte encontrado entre os escritos de Silvano Silva dois destes aparelhos se mostram muito significativos para minha pesquisa.

“... Tive a felicidade de conservar comigo dois belos aparelhos que ainda curtos me apresentam alta qualidade e aumento de 60x e 120x. O primeiro um modelo como o de Newton e o outro , meu favorito , um belo modelo inspirado em Galileu.
São muito semelhantes aos telescópios que utilizei em França . Sendo que um deles é um Dollond...”



Até devido a viagem que trouxe Silvano Silva ao Brasil lhe era impossível possuir um telescópio de grande porte aqui na Colônia. Mas sua temporada em Paris o ensinou a conhecer equipamento astronômico e ter acesso ao que havia de melhor em seu tempo.

Messier utilizou com freqüência telescópios com objetivas de 90 mm e 1200mm de distancia focal e 120 x de magnificação. Um deles feito por   Dollond. Silvano Silva se refere ao mesmo textualmente.

Estes refratores acromáticos são capazes de observar todo o catalogo Messier assim como alguns alvos mais difíceis.

Como já foi dito quando se observa o céu o obsevador é tão ou mais importante que o diâmetro ou qualidade ótica do próprio telescópio.

E a descrição do Newtoniano não deixa muitas duvidas de se tratar de um aparelho semelhante ao descrito por Messier. Com 1500 mm de ditancia focal e com cerca de 90 mm de espelho. Na época os newtonianos sofriam do uso de espelhos especulares e isto seria aproximandamente um 60 mm moderno.

Já o  Refrator acromático era um show de tecnologia em uma das fronteiras do mundo conhecido. E Silvano Silva sabia disto.

E ele sabia também que ele poderia descobrir o véu sobre o céu profundo que vivia escondido abaixo do Equador.

Em outro trecho ele deixa clara sua ambição:

“... com os meus equipamentos em muito superiores serei capaz de mapear um numero de nebulosas  muito maior que os encontrados pelo Abbe... e com isto enaltecer o brilhantismo da Terra Lusitana e a gloria de nosso Rei.”


Acredita-se que a pequena luneta de José Eustaquio e o Refrator de Silvano Silva foram a tecnologia que nos levou até o Catalogo J.E.S.S. O pequeno Newtoniano também ha de ser lembrado e coforme saberemos este torna-se um favorito de José. Segundo alguns escritos pode-se suspeitar que este tinha um grande campo de visão. Seria um telescopio de menor razão focal e por isto util para observação do céu profundo. Bem como mais portatil.

É aceito hoje que nenhum dos telescópios descritos aqui seja superior a um refrator de 100 mm ou um refletor newtoniano de 150 mm moderno. Segundo algumas opiniões até mesmo um bom refrator de 60 mm de diametro seria  um forte opositor.

Todos os objetos descritos nesta pesquisa são acessíveis a tais telescópios e em sua grande maioria estão ao alcance de Binóculos 10x50. A pequena luneta descrita por Silvano Silva como de propriedade de José não superaria de forma alguma um bom binóculo moderno. Mas novamente sou obrigado a lembrar que o observador é parte importante do equipamento. A mais importante.

Buscando Buscadoras

Buscadoras para Astronomia Urbana.


Quando falamos em buscadoras me ocorrem 3 modelos básicos.

• Buscadoras Óticas

• Buscadores de L.E.D. (red dot finder)

• Buscadoras Laser
Ótica (RACI)

Para o astrônomo urbano cercado de poluição luminosa a necessidade de buscadora se amplifica. E isto reduz a possibilidades.

Até alguns anos só havia buscadoras óticas. O que variava era o seu tamanho. O menor tamanho que me parece viável são as 6x30mm.

Estas buscadoras são pequenos telescópios refratores que apresentam algum poder de magnificação e um grande TFOV (True Field of view).

Laser
Eu acredito que uma buscadora 9x50 mm ou aproximadamente isto é a que mais se adapta ao uso urbano. Ela será capaz de perceber estrelas bastantes tênues mesmo sob forte poluição luminosa. Algo como 9 mag. Isto será o suficiente para você navegar pelos apagados céus de cidades grandes. Há modelos de visão direta que obrigam a que você traduza as suas cartas. A imagem aparece invertida. Existem modelos prismados (RACI) que corrigem isto. São mais caros. E no Brasil difícil de achar.

Em áreas urbanas dificilmente você verá estrelas suficientes a olho nu para que a utilização de Buscadoras de L.E.D. ou “Telrads”. Estes são uma versão mais chique dos “red dot finders”. Apresentam um reticulo com círculos demarcando áreas de ½, 2 e 4 graus. Parece uma mira de avião. Existem inclusive mapas especialmente desenhados para serem usados com “Telrads”. Porém como não apresentam magnificação é bastante ineficiente em ambientes urbanos. E no Brasil é difícil de achar.

Telrad


As buscadoras a L.E.D. mais tradicionais apresentam o mesmo problema em áreas urbanas. Mas apesar disto elas são extremamente uteis para iniciar o processo de busca.

Eu utilizo sempre duas buscadoras em meus telescópios. Uma de L.E.D. que permite que eu localize estrelas brilhantes já próximas a região que estou buscando e a partir daí sigo em frente como minha 10 x 50 mm. Em áreas fortemente iluminadas todo e qualquer recurso que ajude na localização de seu alvo é bem vindo.

Quanto às buscadoras laser há uma controvérsia. São do tipo que as pessoas ou amam ou odeiam. Apresentam sérios problemas de segurança. Mas o laser verde sobrevive bem à poluição luminosa e permitem que você cace aquela estrela de 4,5 mag. sem tirarmos o olho dela. Isto ajuda muito quando este é quase seu limite a olho nu. É uma boa opção para substituir a buscadora a L.E.D. neste primeiro contato. E em geral precisam que se adapte uma sapata para ela .

Outra opção é o uso de um red dot finder (L.E.D.) combinado com uma ocular Ultra wide Field. Essas oculares quando combinadas à refletores de razão focal rápida apresentam até 3º graus de TFOV e permitem que a partir de uma estrela localizada pelo outro finder se navegue diretamente pela a ocular sem o uso de uma buscadora ótica.
L.E.D. (red dot)






Resumindo

Em ambientes urbanos uma buscadora ótica e com capacidade de ampliação é indispensável. O tamanho mínimo útil seria de 6 x 30mm . Quanto maior melhor. Eu recomendo uma 9 x 50 mm.

O uso de outro modelo para que se inicie a navegação é bem útil. Se este vai ser uma a laser ou a L.E.D. é uma questão de gosto. O uso de Laser recomenda cuidados. Mas é mais fácil de localizar estrelas mais tênues.

O uso de uma ocular ultra wide depende muito do telescópio que você possui. Se for algo com f 5 ou mais veloz é uma ótima opção.