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quinta-feira, 24 de maio de 2012

O Astrônomo Desastrado e o Pai da Invenção



Sem visitar o posto avançado em Buzios e aproveitar de um céu um pouco mais escuro ( Bortle 5) desde o carnaval eu tinha grandes planos para a noite de quarta feira.  
Com Selene no terceiro dia após a lua nova tudo se mostrava ideal. O 7timer indicava condições bastante favoráveis à observação. Tudo estava “ideal demais”...
Saí do Rio acompanhado de minha cunhada ainda cedo. O transito ajudou. Chegamos em pouco mais de duas horas.
Montei o telescópio e com tempo sobrando resolvi inventar. Dizem que a necessidade é a mãe da invenção. Pode ser verdade. Mas o ócio é o pai...
Procurei por uma ocular com um reticulo iluminado em diversas lojas (ok, em duas...) e não encontrei. Enquanto aguardo por uma de verdade eu invento...
Possuo algumas oculares Kelner que praticamente não utilizo. Daí a  tal da invenção...
A casa passou por algumas reformas desde a ultima visita e rapidamente me assenhoreei do novo coreto.
 Com o telescópio montado na sua frente utilizei a pequena mesa como minha base.  Uma rápida visita a loja de ferragens e a padaria e “voila”.
Descasco um fio paralelo e acabo com quatro fios de cobre de+- 0,1 mm.
Com o auxilio luxuoso de um rolo de fita crepe fabrico uma ocular reticulada de 20 mm. E assim me mantenho fiel a astronomia de baixo custo. 
A ida até a padaria é também parte do plano de observação.
Quando você vai passar a noite junto a um telescópio alguns luxos são necessários. A alimentação é algo fundamental. Logo duas latas de red Bull , um queijo minas e uma barra de chocolate serão meus companheiros. Compro também meia dúzia de Stella Artois. Estas para depois de realizar o grosso das observações planejadas. Como já contei aqui os amigos, a bebida e você mesmo são os maiores inimigos que um homem pode ter. Desta vez vim sem amigos e não poderia deixar as coisas correrem tão frouxas assim. Afinal o homem é o exercício quem faz...
Quando comecei a observar me lembro de ter lido em quase todos os lugares que uma visita até um clube de astronomia e consequente convívio com outros astrônomos seriam uma das melhores coisas que eu poderia fazer.  Eu nunca realizei isto. A astronomia para mim é uma atividade solitária. E prefiro aprender (ou não...) tudo do jeito mais difícil. Admito que como nunca observei junto a outros astrônomos tenho por principio que quanto mais gente por perto pior para a pratica astronômica.
Meu plano inicial é dar continuidade a meu projeto de fotografar todo o Catalogo Lacaille.  E se possível fazer um tour visual pelo aglomerado de Coma-Virgo. È outono e assim sendo “Galaxy Time”.
Mas o objetivo principal é fotografia.
Astrofotografia demanda um alinhamento polar muito mais preciso que o costumeiro. E por isto a ocular reticulada. Veja este vídeo e você vai entender o porque de tanta criatividade....
Recentemente fiz um post falando como realizar o método do drift.   E com este texto aberto no computador e com a minha reticulada tabajara no telescópio aguardo o sol se por e poder começar o meu alinhamento. Aproveito para nivelar a cabeça. Isto é um procedimento que as vezes esquecemos e que torna o alinhamento muito mais difícil , senão impossível. Tudo correndo perfeitamente. Talvez “perfeitamente demais”...
 Como comecei as preparações muito cedo ( 3;30 pm) tive todo o tempo necessário para fazer tudo que não tinha feito. Como adoro buscadoras possuo duas ao telescópio. E assim consigo ainda dar mais uma saída e comprar uma bateria para minha “red dot”. E descubro que esta sendo de 3 volts qualquer modelo serve. A bateria indicada é a 3026 ( a mais fina...) só que Buzios em geral e Geribá em particular não oferece muitas opções . Assim compro uma 3032 ( a mais grossa). E funciona também. Vivendo e aprendendo. Tudo dando certo. Talvez “certo demais”...
Um ajuste na colimagem. Só para não perder o habito e finalmente anoitece.
Ajustar as buscadoras. As coisas começam a não dar tão certo...
E agora o bendito do alinhamento. Será que a “reticulada” vai funcionar? Faltava ainda iluminar o reticulo. Meu plano era realmente mambembe. Com minha lanterna de led vermelha presa a aranha do secundário eu iluminava o reticulo. O problema era que as estrelas que eu utilizaria para o alinhamento teriam que ser bem brilhantes. Curiosamente a ocular até que funcionou. Já o alinhamento polar nem tanto.  Nem tanto até demais...
A parte boa é que meu projeto continua na prancheta e creio que o próximo “protótipo” é promissor...
Era dia de improvisar e com minha cunhada instalando luminárias novas pela casa o meu projeto começa a desandar ( como eu disse quanto mais gente por perto pior para observar...). Assim após ver que era possível fazer o drift com a reticulada eu desisto de tanto elaboração e parto para a ignorância.
Faço algumas fotos de Ngc 6231 em Escorpião. Um horror . Em vez de me comportar da forma certa  e recolocar a “nova ocular” e refazer o drift eu prefiro ir por tentativa e erro. E abro uma cerveja...
M7 
Ao final da noite tinha algumas fotos medíocres de 6251 e de M28. M7 também foi vitimado pelo autor...  Pelo menos 6251 e M7 fazem parte do catalogo Lacaille. Respondem respectivamente pelas entradas Lac II. 13 e Lac II. 14. 
M 28

Ngc 6231


Como bônus M71 foi um objeto que avistei assim meio que por acaso. Não me recordo de já o ter  avistado antes. E como se encontrava  naquela posição que foi responsável pela criação da  palavra “incomodo”  eu desisti de fotografa-lo. Definitivamente cabeças equatoriais e objetos muito próximos ao meridiano são inimigos mortais.
Por fim, já com a coluna cansada de malabarismos junto a ocular com DSO´s que vão agora próximos ao zênite  pego meu binóculo mais novo e me deito em uma canga. E faço um tour clássico. Começo pela cauda de escorpião com M7 e M6 no mesmo campo binocular. E aí é só seguir a corrente. A partir do Bico da chaleira ( asterismo que identifica a constelação de Sagitário): Ngc 6522 , M28 , M22, M8 , M21, M20. Um pulo para o outro lado do rio galáctico e M 17, M18 , Ngc 6605  e mais vários aglomerados abertos e globulares que não me dou ao trabalho de identificar ( M25 e M23 liderando o pelotão..). Depois tento os Globulares Messier mais discretos que se escondem embaixo da chaleira. M69, M70 e M54. Pequenas estrelas que nunca dão foco. Mas são alvos para mais abertura.
No final entre mortos e feridos salvaram-se todos . E a noite foi divertida.
Quanto a meu plano inicial eu me consolo que tudo estará lá pelo menos durante o próximo milhão de anos.
No dia seguinte o tempo fechou e voltei para casa e para prancheta. Espero mostrar em breve minha “nova” ocular com reticulo iluminado “home made”. Agora com 10 mm e com um Led vermelho no proprio corpo da ocular. Quase de verdade... 

P.S. - Quando já entrava no carro para retornar para o lar Murphy mandou seu recado. O tempo limpou como que por mágica. Mas aí já era tarde para abortar a missão. Tiro uma foto da Lua como consolo. Pelo menos desta vez não vi varios riscos cruzando a foto...  

sábado, 12 de março de 2011

Quais oculares comprar?

Oculares.
Você precisa delas!
Mas quais?

São diversos modelos e a diferença de preços é enorme. O astronomo amador vai juntando, com o tempo, uma grande coleção delas.  No final acaba usando apenas 2 ou 3 delas. Algumas oculares são muito especificas para um tipo de observação. Você realmente é um especialista nisto ou naquilo?
Eu particularmente gosto muito de observar deep sky. Mas também gosto de visitar os planetas. A lua também me faz boa companhia. Assim este artigo busca apresentar uma lista de "amplo espectro". Ou seja propõe uma serie de oculares que servirão bem a todos os gostos.

É importante ter em mente a distancia focal de seu telescópio para dimensionar suas oculares.

Telescópios ,em geral, vem acompanhados de pelo menos uma delas.

Atualmente costumam vir com uma Plossl de 25ou 20 mm.
 No passado e na compra de telescópios mais baratos eles costumam vir acompanhados de uma ou duas Kellner. Neste caso são oculares, em geral, inúteis.Normalmente virão duas : uma 20mm e uma 10 mm. A maior ainda servirá de algo . com maior eye relief ela servirá para observar objetos de céu profundo mais brilhantes. A 10mm será bem tosca com pouco eye relief e com um campo útil bem pequeno. Apresentará distorções e coma em quase todo campo ocular. Na parte central servirá para observações planetária.Com ressalvas.

Voltando as Plossl. Estas serão seu cavalo de batalha. Hoje em dia quase todas apresentam boa qualidade óptica . Mesmo as de origem chinesa . E na relação custo beneficio serão difíceis de serem batidas.

Dito isto quais são as oculares que você realmente necessita?
Um jogo mínimo a meu ver seria o seguinte:
Uma Plossl wide field de 25 à 30 mm ( que em geral acompanha o telescópio)
Uma Plossl medio formato . De 10 à 12 mm
Uma Plossl pequena . Para grandes aumentos. Basicamentepara observações planetárias. Algo por volta de 5 mm
Esta ultima pode ser substituída por uma ortoscópica de mesmo comprimento. Esta se destacará em observações planetárias.

Isto seria seu kit básico de sobrevivencia.

Na compra de uma ocular você deve se basear principalmente no nível de contraste que se precisa
obter (em função do tipo de objeto), no tamanho do campo que se deseja e no nível de ampliação de que se precisa.
 O eyerelieve também pode ser um quesito importante especialmente para quem usa óculos.

Outra aquisição útil seria uma Barlow . São baratas e muitas apresentam uma qualidade ao menos razoável. Isto dobraria sua oculares e permitiria você a trabalhar com um maior eye relief . Além de serem muito úteis para pratica de fotografia com web cams ( para imagens lunares e planetárias.)
Com dinheiro sobrando no bolso uma outra boa aquisição é uma ocular bem grande . tipo uma 40mm. São sensacionais para navegar em campos enormes e ter uma sensação de imersão enquanto "caminha" pelo céu. Naegler se o orçamento suportar.

Eu possuo as seguintes oculares:
Plossl : 4 , 10 , 17 , 25 mm e 40 mm
Ortoscópica: 5mm
Kellner: 20mm , 10mm

Na verdade possuo varias Kellner . Herança de velhos Tascos e outros cacarecos. Todas medíocres.
Pretendo adquirir ainda  (um dia) uma  Naegler da Tele Vue. Este um sonho de consumo.

É importante ressaltar que o tubo otico de um de meus telescópios é de 1200mm e o outro de 900mm.

As duas oculares que mais uso são definitivamente a 25mm para localizar os objetos de Deep Sky e a de 10mm para ampliar estes. Esta segunda ainda "apaga" mais a poluição de fundo e permite uma melhor visualização de detalhes .  Este set up é o mínimo necessário para observação. A 17 mm é um meio termo muito util e é a minha melhor ocular( em termos de qualidade). E a mais cara.  Comprei na Edmund Scientific.

Atualmente é dificil se bater o custo beneficio obtido pelas Plossl. 

São oculares simples e com excelnte qualidade. Marcas como GSO , Cintrax , Meade , Celestron são facilmente encontradas e apresentam qualidade muito semelhante.  Televue , Pentax e cia. serão ainda melhores. E mais caras.