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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

NGC 4449: Canibalismo Galáctico


Ngc 4449 abaixo a esquerda e 4449b é a galaxia avermelhada a direita e acima. 

              
       A galáxia anã Ngc 4449 habita as bordas do grupo local. Este mês ela foi destaque no S&T newsletter(http://www.skyandtelescope.com/community/skyblog/newsblog/The-Dwarfs-are-for-the-Dwarfs-138948364.html ) por ter se revelado uma galáxia canibal. Sua galáxia satélite Ngc 4449 b  apresenta uma forma que lembra a letra s ( de uma forma bem remota...) e que revela um encontro recente com sua irmã maior . Entenda como recente algo no ultimo bilhão de anos. Este encontro desencadeou um grande “starburst” na galáxia maior. Um processo semelhante pode ter (ou estar...) se desenrolado entre a nossa Via láctea e a galáxia anã de Sagitário.
            Um composite feito pelo Telescópio Subaru localizado no topo do Mauna Kea no Havaí revelou uma corrente ligando as duas e mostrando a destruição ou absorção da irmã menor pela maior. Canibalismo e incesto galáctico. Nem Douglas Adams imaginou nada assim...
            Ngc 4449 gerou divergências entre vários leitores do Newsletter com relação a fazer parte ou não do grupo local. Situada a 12.000.000 de nos luz esta estaria além do grupo local. Mas vai saber.
            O que importa é que 4449 é visível para astrônomos amadores com telescópios relativamente modestos. Brilhando com magnitude 9.4 e com uma área pequena seu brilho de superfície a torna acessível a telescópios pequenos.
 Localizada na constelação de Canis Venatici (Cães de Caça) e próxima a Beta Canis a navegação até ela é relativamente simples. Já avista- la é uma outra historia.
Ela se encontra quase que exatamente no meio do caminho na linha que liga Beta Can (Chara) a M 106.  O Stellarium indica uma estrela de 5a magnitude a menos de 30´ de Ngc 4449. Não achei. E o Cdc não concorda com a existência desta estrela fantasma. Mas o espírito que habita a região é 4449. Preste atenção pois é um esfuminho bem pequeno.
É um objeto com grande valor cosmológico que no momento esta consumido uma galáxia satélite e que provavelmente passa por uma grande onda de natalidade estelar devido a este encontro...
      Céus escuros vão ajudar. A sua parceira sendo consumida (4449 b) não apresenta registro de observação por astrônomos amadores.
           Ache Ngc 4449 e você poderá ver uma galáxia canibal ao vivo (e em preto e branco...).

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Mascara de Bathinov


Na longa caminhada para me tornar um astro fotografo melhor  descobri que um dos maiores desafios que se apresenta nesta missão é você conseguir foco em suas fotos.
Ao apresentar alguns dos primeiros resultados em um fórum de astronomia (Cloudy Nights) fui lembrado disto.
Rod Mollise atestou que os grandes desafios para o astro fotografo são alinhamento polar, acompanhamento e foco.
A idéia de uma mascara Bathinov foi apresentada e logo me interessou. Este é o tópico:
A mascara Bathinov consiste de um disco de material opaco que é colocado sobre a objetiva do telescópio e que possui um padrão  elaborado por seu criador; o astro fotografo amador russo  Pavel Bathinov.  Seu uso foi amplamente divulgado no Cloudy Nights por Dennis Sakva.
Existem outras mascaras utilizadas para o mesmo fim, sendo a Mascara de Hartman a mais famosa. A vantagem da Bathinov é indicar qual a direção em que se encontra o foco. Ou seja, se você se encontra antes ou depois da distancia focal já que o padrão de spikes vai indicar em que direção você deve ir.
O uso e efeito da Mascara pode ser claramente visto Aqui  http://www.spike-a.com/

 O site ainda oferece a possibilidade de comprar uma mascara Bathinov feita sob encomenda para seu telescópio.
Como foi dito o Nuncius Australis pretende realizar astrofotografia do jeito mais difícil. Sempre mantendo os custos baixos...
Então vamos lá.
Como construir uma mascara Bathinov com material facilmente obtido em sua casa e sem gastar nenhum centavo.  Esta foto que me foi apresentada no mesmo tópico me serviu de inspiração.
Primeiro você deve obter um gabarito. Visite este site:  http://astrojargon.net/MaskGen.aspx

  Entre com as dimensões referentes a seu telescópio. Ele vai gerar o tal gabarito.
 O arquivo será  svg. Não se desespere. O Google Chrome vai fazer o truque e abrir a bagaça. O Explorer não. Nem nada que eu possuía na maquina (Photoshop, Image Ready e adobes em geral...).

Imprima o Gabarito e corte o papel em volta dele da forma mais precisa possível. Eu usei a tesoura de minha filha.










Agora cole ele sobre uma cartolina ou um papel mais “encorpado. Serve caixa de cerveja, Pôster, caixa de pizza. Eu utilizei um folder de um evento... Novamente roubei a cola da criança. Lembrem-se: custo zero...







Depois recorte este e deixe uma pequena sobra. Tentem ser precisos e manter as coisas o mais “redondas” e no esquadro o possível.









Com um estilete recorte o padrão que esta no gabarito. Com cuidado... Eu que não nasci para cirurgião e nem dentista consegui...









Depois de uma hora, mais ou menos, você vai ter sua Mascara Bathinov.


Posteriormente pintarei tudo com tinta spray preta.







Eu uso fita crepe para fixá-la no telescópio.

















Depois é só apontar para uma estrela brilhante e obter um foco preciso. Depois trave o focalizador e de seu jeito para centralizar NGC 1947 ou qualquer outra coisa que evidentemente você não vai estar vendo pelo view finder ou mesmo pela buscadora. Retire a mascara.
E boa sorte...

Agora se quiser saber mais sobre o assunto visite este tópico do Cloudy Nights.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

A Luneta de Lacaille




Nicholas Louis de la Caille, o Abbe Lacaille, é um dos astrônomos mais queridos do Nuncius Australis. Apesar de ter detestado a cidade do Rio de Janeiro, que é tão querida a este que vos escreve, ele não deve ter mentido. Os odores que a cidade exalava no período que este esteve por aqui (o Verão de 1751) não deveriam realmente ser os mais agradáveis. E como eu sei a temperatura pode de fato ser excruciante. Seu observatório durante o período fica na atual Rua do Rosário...

Mas o nosso irritadiço e afrescalhado abade (ele também reclamou de enjôos que sentiu durante cada momento que passou no Le Glorieux, navio que o trouxe até aqui) realizou uma tarefa hercúlea e de uma forma bastante difícil. Possuo diversos amigos que diriam ser impossível realizar tanto com tão poucos meios.

Lacaille nos deixou como herança uma família inteira de constelações. Das oitenta e oito constelações ocidentais modernas ele estabeleceu 13 (14 se considerarmos Bussola).

A família Lacaille consiste em:

• Norma – O Esquadro

• Fornax – A Fornalha

• Circinus – O Compasso

• Microscopium – O Microscópio

• Sculptor – O Escultor

• Caelum – O Buril

• Mensa – A Mesa

• Reticulum – O Reticulo

• Pictor – O Pintor

• Antlia – A Bomba de Ar

• Telescopium – O Telescópio

• Horologium – O Relógio

• Octans – O Oitante



Dividiu ainda a antiga constelação de Argus, o navio, em três partes: popa, Vela e Quilha.

Para tal feito ele catalogou e localizou mais de 10.000 estrelas do então ainda muito desconhecido céu austral.

E não bastando isto ainda elaborou um catalogo com diversas estrelas nebulosas, muitas das quais desconhecidas.

Mas isto não é nada. Ele fez tudo isto com Lunetas com apenas ½ polegadas de diâmetro. Algo como 12,5 mm. Aproximadamente. No espaço de dois anos e habitando o que viria a ser a moderna Cidade do Cabo. Pesquisando posteriormente descobri que embora existam controvérsias sobre o quão modestas eram as lunetas que Lacaille possuía durante a viagem estas não ultrapassavam, com certeza, mais que 30 mm de diâmetro. Menores que minha buscadora...

A buscadora ao fundo é uma Skywatcher 6x30mm
Nunca entendi como uma expedição cientifica tenha ido tão longe com equipamento tão modesto.

Mas isto ia mudar e eu ainda ia entender a curiosa classificação que Lacaille fazia de nebulosas. E ia ver meu respeito pelo abade crescer ainda mais...

Caminhando por uma pequena transversal que liga o Boulevard St. Germain, uma das ruas mais animadas de Paris, a avenida que passa na Beira do Sena, na Rive Gauche, passo por uma discreta loja .Che Homa , Atelie de Ambiance. Ele produzem muitas das peças expostas . Misturam antiguidades com decoração. Eu que ia apressado rumo ao Museu d`Orsay e com minha cabeça já no terreno do impressionismo nem reparo. Um amigo me chama a atenção e volto para ver uma pequena luneta que esta na vitrine. Pronto. Fui fisgado.

A pequena Luneta, de latão, e com uma objetiva  de uma polegada de diâmetro me lembrou imediatamente do Abade.

Venho trabalhando (agora a mais de um ano) em um livro que tem como tema o antigo catalogo e vi ali a oportunidade de ter uma idéia do trabalho monumental realizado por Lacaille.

Tive na minha infância uma luneta de plástico muito modesta. Era uma “coisa” semelhante ao objeto que via. Porém agora o que eu olhava me lembrava mais uma pequena jóia que um brinquedo chinês e feito de plástico.

Entrei na loja e enquanto minha esposa e uma amiga fuçavam todos os cacarecos decorativos disponíveis eu namorava a luneta. Não era cara. Nem barata. Eur$ 50,00.

Percebi que não apresentava quase nenhuma magnificação (+- 3x). Mas as imagens se tornavam bem mais claras que a vista desarmada. A mecânica dela é bem acabada e os tubos correm macios uns nos outros . O acabamento em couro  me atrai. É macia para se manipular. Conseguia perceber detalhes em uma vitrine do outro lado da rua. Minha esposa da um empurrãzinho dizendo que vai ficar linda na estante ao lado do relógio que ela comprara e eu me dou por vencido. Ela é menor que minha buscadora 6x30mm. E com uma distancia focal mínima.

Na mesma hora a batizei: “A Luneta de Lacaille”

Só a retiro da embalagem quando chego no Brasil. Veio bem embalada e escondida dentro da mala. Plástico bolha e etc...




Quando finalmente olho através dela, em direção a Alpha e Beta Centauro, vejo o achado que tinha feito e ao mesmo tempo tenho o choque de como o Abbe era um homem com olhos muito especiais.

Seu campo é bem amplo e consigo perceber claramente Alpha e Beta. Mas aí vem a surpresa. Uma pequena estrela. Daquelas que não faz foco. E mexo para lá e para cá e nada de foco. Mas Alpha esta lá. Focalizada.

- Meu deus! É 5662.

O aglomerado aberto NGC 5662 é uma descoberta original do Abbe. E é incrível que ele tenha percebido sua natureza diferente das outras estrelas dentro do campo com tão modesta visão. Catalogado como Lac III 8 Lacaille o considerava uma estrela com nébula (a categoria III do seu catalogo). As classificações utilizadas pelo Abbe tem apenas significado histórico, mas suas descobertas (quase todas) se revelaram DSO´ S genuínos.

Aproveito a posição e inspeciono o Cruzeiro. Outra estrela enevoada se apresenta. Esta eu sei logo de cara que é a visão mais modesta que já tive da Caixa de Jóias ( Ngc 4755) . Mas esta lá.

E a pequena luneta passou a integrar o equipamento que utilizo nas observações do Catalogo durante a realização da pesquisa para meu livro. Acredito que vá ajudar em muito no entendimento das descrições do próprio Lacaille.


E a Luneta de Lacaille ficou, de fato, linda compondo a decoração da estante da sala.


terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Cassiopéia : A Rainha Boreal

Cassiopéia é uma constelação boreal por excelência. Melhor observada durante os outonos ao norte do equador.Na verdade circumpolar para os habitantes de latitudes boreais mais elevadas. Aqui de meu observatório austral ela nunca supera mais que 10º 29´ de elevação. Isto falando de Shedar (Alpha Cassiopéia) que é a que passa mais alta no horizonte norte. Assim sendo completamente inviável aqui de perto do Trópico de Capricórnio. Desta forma apresento o mapa deste post como se eu habitasse o Ceará.

Só observei esta constelação de latitudes boreais, mas os belíssimos campos estelares que habitam esta região fazem desta pequena constelação encravada na via láctea uma jóia. Eu não posso deixar de imaginar um paralelo com o Cruzeiro do Sul. Uma escondida dos habitantes do Norte e outra do Homo Australis... Duas pequenas constelações que representam os segredos de dois lados opostos da galáxia...

Cassiopéia é uma constelação cheia de história. E um dos membros da família real da Etiópia que se encontram emoldurados no céu. Junto com Cepheus e Andrômeda protagoniza uma famosa história que envolve diversos membros da família das constelações e é roteiro de filme. Fúria de Titãs.

A bela e fútil rainha se disse mais bela que as Ninfas do mar e o pai destas (Posseidon) não gostou de tanta presunção. Para evitar uma tragédia maior seu marido dá sua filha, Andrômeda em sacrifício. O final a história é feliz e envolve ainda vários outros membros da família celeste.

Agora voltando a nossa rainha vou apresentar a constelação e seus DSO´S. Como o Nuncius só teve a oportunidade de visitar seus campos com o uso de binóculos vou fazer uma lista (parcial) dos diversos aglomerados galácticos qua habitam esta pequena e rica área do céu. E depois vou apresentar suas cinco maiores atrações (a meu ver...). Desta forma posso garantir que os alvos apresentados se encontram ao alcance de pequenos telescópios e de binóculos 10x50mm. E de quebra um brinde: uma estrela dupla que vai demandar grandes ampliações e um bom seeing para apresentar-se.

Eta Cassiopéia é visível a olho nu e ao telescópio revela-se uma dupla de cores contrastantes. Sua primaria avermelhada e sua companheira mais fraca amarela. A quem diga que percebe um toque de verde. Eu não vi.

A lista de aglomerados abertos é bem extensa: NGC 129, 225, 436, 457, 637, 654, 659, 663 e 7789.

E mais dois membros do Catalogo Messier: M 52 e M 103.

E isto é apenas uma parte dos aglomerados abertos que habitam a região. Segundo fontes (Turn left at Orion) a constelação possui mais de 24 aglomerados em suas fronteiras.

NGC 654, 659 são bem apagadas e demandam céus muito escuros para serem observadas. Creio que não sejam visíveis para pequenos telescópios da Terra Brasilis... Nem para binóculos mesmo em condições ideais, pois os cacei debaixo de céus bem escuros e muito ao norte do equador e não vi nada...

Ngc 7789 é um desafio binocular. Incluo-o na categoria de “espíritos”.



Curiosamente as duas grandes estrelas da constelação não são as entradas de Messier em seu catalogo. Levam a coroa NGC 457 e 663. E logo atrás viria NGC 129. E só depois chegaria a vez de M 52. E fechando o conjunto da obra à discreta entrada de numero 103 do catalogo Messier.

Na verdade M 103 passa facilmente despercebida devido a sua proximidade com Ngc 663 que rouba a cena. Como observei a constelação apenas de binóculo ambas se encontram dentro do mesmo campo ocular e O NGC rouba completamente a cena.


Algum lugar em Cassiopéia...  1exp.10 seg 75mm F4


De qualquer forma um passeio pela região com binóculos é um belíssimo exercício devido à grande quantidade de “esfuminhos” que se escondem em uma área riquíssima de estrelas na via láctea.

Agora saber o que é o que é um exercício difícil. E muito divertido.





sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

De volta ao Sul - Log de 3 de Fevereiro 2012

Apesar da lua a primeira sessão de observação com o Vanguard 10x50 abaixo do equador Foi surpreendente. O Novo binóculo revelou diversos esfuminhos que sequer eram possíveis de se suspeitar utilizando o Sumax.


Navegando por um céu conhecido e com o uso de todas as técnicas que conheço (averted vision, balançar o binóculo, respiração e etc...) ele revelou diversos DSO que são desafiadores em céus urbanos e especialmente com a presença da lua.

Este log. pode ser considerado um post-scriptum da avaliação que apresentei no ultimo post.

Já de madrugada resolvo aproveitar que os vizinhos já tinham encerrado suas funções e aproveitar a boa transparência que o céu apresentava.

Começo pelo Cruzeiro. Tudo no lugar. Percebo a caixa de Jóias e seu shape triangular. Noto que a noite esta boa. Resolvo forçar a barra. E com paciência percebo de forma discreta vários aglomerados galácticos que existem na constelação. Todos bem discretos e alvos binoculares difíceis. NGC 4609 na borda do Saco de Carvão se faz presente. Ngc 4349 idem. Alvos difíceis. Quase um espírito...

Depois o Centauro. Omega sempre faz uma graça e começo por ali. Bem melhor que no Sumax. Percebe-se alguma granulosidade.

Escondido abaixo de Beta Cen NGC 5281 também comparece. Apesar de sua magnitude é bem discreto e raramente o percebo no Rio. Mas bem presente com averted.

Outro desafio esta em Musca e o novo binóculo não desaponta. A pequena estrela enevoada não deixa duvida. Ngc 4833 um dos globs mais austrais.

Parto para Carina e aí é festa. Eta Carina e a nebulosa, Plêiades do Sul e Ngc 4766 em um rápido passeio.

Encerrando os clássicos próximos ao Falso Cruzeiro. IC 2391 (que gosto de chamar de a Pequena Cassiopéia) e Ngc 2516 com bastantes detalhes.

Um belo retorno ao céu austral e bastante satisfeito com a nova aquisição...



quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Vanguard 10x50



                Em uma visita a Maison de L´Astronomie, situada na Rua Rivoli 33 (bem próxima ao Museu do Louvre) comprei um binóculo Vanguard 10x50. 
                Cercado de Fujinons, Nikons, Leicas e Swaroskis e etc... ele era a ovelha negra da loja. E também o único que cabia em meu orçamento. Eur$ 99,00. 
                É um Binóculo porro prismático, Bak 4. Suas imagens são muito claras e definidas.
                Em observações diurnas, usando o Sumax 10x50 como comparação, ele suplantou o meu antigo favorito em todos os quesitos. As imagens sempre mais claras e melhor definidas. O foco mais fácil e bla bla bla...
                Em Paris a observação astronômica é possível, mas não é exatamente o que se pode chamar de “piece de Resistance”.
                Em sua missão-turístico-astronômica o Nuncius Australis achou melhor abandonar a Cidade Luz para testar sua nova aquisição. A próxima perna da viagem era mais promissora. O sul da França prometia céus mais escuros. E Assim foi.
                A próxima parada foi em Grasse. Próxima a Cannes a antiga cidade é conhecida como a capital do perfume. E apresenta um céu bastante honesto (Bortle 4) .
Com tudo de cabeça para baixo e um monte de constelações novas para explorar me dispus a sair do apartamento de minha cunhada com um frio de rachar e caçar um canto escuro no condomínio para testar a nova peça.
O binóculo apresenta excelentes características e o anel de foco central é bem justo. Assim como a dioptria (somente no olho direito). Um pouco pesado para um 10x50. Atribui isso a uma possível ótica mais apurada que o meu querido Sumax.
Seu corpo é emborrachado e ele se diz” weather resistant” ( resistente ao clima).A empunhadura é confortável. Mas devido ao frio a condensação vai me perseguir ao longo de toda viagem. Mantinha sempre o bino dentro de meu casaco quando não observando.
Para começar os trabalhos recorro a constelações bem conhecidas e começo a gostar da brincadeira. Com Orion e Auriga muito altos no céu (o céu aqui é diferente...) rapidamente reconheço todos os clássicos. M42, M36, M37, M38 e mais varias “fuzzies” do NGC que não me dou a trabalho de tirar a limpo.
A seguir M45 mostra toda a potencialidade do no Binóculo. Dezenas de estrelas se revelam e praticamente lotam o campo de 7 graus do Vanguard. A posição muito alta da Pleyades nesta latitude deve colaborar mas eu nunca a tinha visto tão rica. O novo brinquedo marca vários pontos.
As Hyades também se mostram “a vero”. Grandes aglomerados abertos são o máximo no Vanguard. Seu campo grande, de 7º, mostra-se muito útil.  
Agora as novidades.
A próxima parada é em Valberg. O pequeno vilarejo encravado no Departamento do Alpes Provençais é conhecido como o porto de entrada para o Parque de Mercantour. Não vou falar mais sobre céu escuro. ( Talvez um pouco...) 
Depois de subir uma pequena encosta e me afastar das luzes do vilarejo parto para as novidades.
A Ursa maior é a constelação boreal por excelência. “Le Cassaroule” é como é chamado por aqui um dos asterismos mais famosos de todos. O Arado em português. Big Diper para os americanos. The Plough para ingleses.  É a parte mais conhecida da constelação.
Mizar e Alcor foram o primeiro par estelar registrado.  Fiz a mesma coisa. Fácil.
A fim de deixar os olhos se adaptarem ainda mais parto atrás dos Aglomerados abertos de Cassiopéia. A rainha é outra constelação boreal tradicionalíssima. M 103 é obvio. Mas não resolvo.  NGC 129 idem. Os campos estelares são incríveis e percebo tantas “fuzzies” que não consigo nem contar. Realmente um pedaço riquíssimo da via láctea.
Algum lugar em Cassiopéia
Volto para a Ursa Maior. E agora vou mais longe. M81 é bastante obvia e com averted percebo também M82. O céu do Mercantour é realmente impressionante.  A NELM (naked eye limit magnitude) era facilmente de 6.5. Provavelmente mais. O Vanguard se aproveita disso e faz bonito.
Na outra noite, bem mais cedo, capturo M33 como nunca antes. A galáxia se estendia pelo campo do binóculo e se apresentou melhor que em qualquer observação telescópica que já tenho feito desta galáxia com baixo brilho de Superfície. M 31 era claramente visível a olho nu e consegui perceber claramente M32 e M110 com o uso de visão periférica (Averted vision). E nem estavam no meridiano. 
Um bom binóculo. O melhor que possuo. E com o auxilio de céus de cristal ele mostrou ser uma grande aquisição para a coleção.


terça-feira, 31 de janeiro de 2012

A Trilha Planetária


O Sentier Planétaire é uma trilha bastante diferente. É ao mesmo tempo um itinerário de caminhada, uma representação do sistema solar em escala e um a ferramenta pedagógica. Ainda, um planetário a céu aberto e cercado pela natureza.


Valberg é uma pequena vila escondida nas montanhas dos Alpes da Provence, na França. É considerada como a porta de entrada do Parque do Mercantour. Uma das maiores biodiversidades da Europa e também um dos céus mais escuros do continente.

O Nuncius Australis foi à busca de ski, céu escuro e ganhou de bônus um passeio pelo sistema solar bastante diferente.

A pouco mais de uma hora de Nice (de ônibus) fica Valberg. Uma pequena vila agradabilíssima  e com um povo muito simpatico. Bons restaurantes e um dominio esquiavel enorme. Logo a lado fica Beuil que se une a esta e em anos especiais é também uma area de ski. A estrada que leva até lá sobe costeando o Rio Var e é uma experiencia bem radical. Um canion com parede verticais e uma estrada de mão dupla das mais estreitas.

O tal Sentier Planétaire é uma representação em escala do sistema solar. 1 metro para cada milhão de kilometros. Isto implica em uma trilha que pode ser percorrida a pé no verão ou de raquetes no inverno (Ou a pé caso um inverno muito seco...).

É uma experiência inesquecível. Partindo-se da vila siga em rumo aos planetas representados por diversas expressões artísticas. Existe um guia GPSmultimídia disponível no “Office du Turisme”. O caminho é balizado.
O percurso apresenta diversas possibilidades.

Um é o chamado percurso telúrico e consiste em visitar o sistema solar até Marte. Se faz este passeio em cerca de 1hora.
Mercurio
Outro pacote é ir até Júpiter. O percurso azul (itinéraire bleu) o leva até Lac du Senateur e dura cerca de 3 horas.

E o passeio completo vai até Netuno. Plutão já tinha sido rebaixado quando criaram o passeio... Descubra todos os planetas terrestres mais os gigantes gasosos e diversos outros temas astronômicos. Este uma empreitada para um dia inteiro e vai demonstrar ao caminhante de forma clara a Lei de Titus – Bode. Netuno é longe... ¨
Netuno

Um belíssimo passeio e mais uma mostra de que se querendo ciência é algo que se ensina de uma forma leve e interessante. É só querer...