sábado, 20 de agosto de 2016

M 79: Um Imigrante Galáctico

             

                        Lendo a coluna Strange Universe do Bob Berman de Setembro de 2016 ( é interessante como revistas de astronomia são lançadas sempre com um ou mais meses de antecedência...) na Astronomy Magazine descobri que não é só uma mania minha estabelecer testes ou desafios observacionais junto a ocular. Parece ser uma doença recorrente entre amadores.  Neste mês ele destaca alguns de seus favoritos. Você consegue ver cinco pequenas crateras dentro de Clavius? Ver sete estrelas sem auxilio óptico na Plêiades? Ver Urano a olho nu? E por aí vai...
                               Todos muito interessantes mas sou mais afeito ao céu profundo e em geral gosto de desafios temáticos e a projetos mais longos. Geralmente associados a algum tipo de DSO ou a um Catalogo específico. Sempre tenho alguns em andamento. Tendo terminado de fotografar o Catalogo Lacaille estou com dois novos  me assombrando. Um deles já vai mais adiantado e por isto este post. Pretendo fotografar todos os Globulares do Catalogo Messier. Todos ao alcance de um residente nas terras cariocas. Ao organizar minhas fotos localizei mais um que já visitei e que não prestei o devido tributo por aqui.

                                       E assim chegamos a M 79.
                               M 79 é uma descoberta do sócio menos famoso do Catalogo Messier. Pierre Méchain. Ele o observou em 26 de Outubro de 1780.  As notas de Messier sobre o mesmo são as seguintes:  " Nébula sem estrelas repousando abaixo de Lepus e no mesmo paralelo de uma estrela de 6a magnitude. Visto por M. Méchain em 26 de outubro de 1780. M. Messier o  observou no 17 de dezembro seguinte. esta é uma bela nébula, o centro é brilhante e a nebulosidade levemente difusa. Sua posição foi determinada a partir da estrela de 4a magnitude épsilon Leporis."
                               A estrela brilhante próxima indicada por Messier é ,provavelmente, a dupla h 3752 e é facilmente localizada se esticando por 4o uma linha imaginaria entre Alpha e Beta Leporis rumo ao sul. O globular se localiza a 34´ENE desta.
                               M 79 não é um dos mais brilhantes  globulares do Catalogo Messier. Mas vai se tornando mais e mais impressionante conforme o tamanho do telescópio que se aponta para o mesmo. William Hershel , com seu telescópio de 20 pés achou-o " deslumbrante e extremamente rico. Já Smyth e Webb ( autores clássicos do século XIX) o  observaram como "uma nébula arredondada "blazing" em direção ao centro". Blazing é , neste caso, uma expressão de difícil tradução. Pode significar "em chamas", "queimando" , "resplandecente" ou simplesmente " brilhante" . Todas apropriadas. Pelo Newton ( meu telescópio newtoniano de 150mm F8) o centro realmente se destaca e estrelas começa a se resolver nas bordas. Parecem se irradiar alguns "braços" de estrelas a partir do brilhante e não resolvido centro. Em telescópios maiores ( 250 mm ou mais) começam a resolver-se estrelas em direção ao  brilhante centro. 
                               Burnham no seu " Celestial Handbook" nos diz que que o diâmetro angular de M 79 é de 7.8 ´ . Isto corresponde a um tamanho de 110 anos luz sendo aceita uma distância de 50.000 anos luz. Sua magnitude aparente é de 8.39. É curioso que no mais atual e geralmente mais otimista " Messier Objects" do O´Meara o diâmetro aparente diminui para 6´ a distancia diminui para 43.000 anos luz e magnitude sobe para 7.7. E desta forma podemos assumir que seu tamanho real  é de apenas 75,3 anos  luz. Parece que apesar das diferenças ambos os livros utilizam a mesma forma para determinar o tamanho das coisas. Aplicando os valores de Burnham na formula indicada por O´Meara cheguei a exatamente 113 , 88 anos luz de tamanho. Bem perto...
                               Observei M 79 em janeiro de 2016 e na mesma noite que fotografei a "Cabeça de Cavalo" . Um outro desafio auto-imposto comum a astrônomos amadores. Sobrou pouco tempo para o registro fotográfico do mesmo. 10 exposições de 30 segundos apenas. Estas permitiram capturar claramente o brilhante centro e considerando a analise do "nova. astrometry" o aglomerado espalha alguns membros por aproximadamente 6 minutos grau de minha foto.Ponto para O´Meara.  O brilhante centro não tem mais que 2´em minha foto.




                               De qualquer forma a astronomia é repleta de divergências . No site da SEDS o globular se espalha por mais de 9´de grau e assim ponto para Burnham. Ele ocuparia  118 anos luz de universo...

                               M 79 talvez seja um imigrante na nossa galaxia. Sua posição destoa de outros globulares que geralmente  habitam mais próximos a centro galáctico. Ha fortes indícios que M 79 ( assim como  Ngc 1851 , 2298 e 2808)   seja membro do sistema de globulares da Galaxia Anã de Cão Maior. Esta esta sofrendo um encontro bem próximo com a Via Láctea e se não for totalmente  canibalizada desta vez ( parece estar em estado de continua dissolução) deixará alguns anéis para não perder todos os dedos...   
                            Desta forma M 79 é um emigrante em Cão Maior , um imigrante na Via Láctea e um migrante no universo. 

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Astrofotografia, Oculares 40 mm , Poluição Luminosa , Lacaille e a Rua da Passagem

                              


                              Uma das lendas astronômicas mais famosas é ser impossível  observar em cidades grandes.  Trata-se de uma grande bobagem.
                               Segundo uma escala de poluição luminosa , chamada de Bortle devido a seu criador, a escuridão do céu pode ser determinada entre 1 e 9. Quanto mais  alto o valor menos do céu se poderá perceber. Já abordei a escala Bortle  e podem conhece-la melhor clicando aqui.
                               Possuía planos para aproveitar o mês de agosto e revisitar vários alvos do Catalogo Lacaille  nos céus ,  que embora não sejam de um negrume ímpar , de Buzios ( Bortle 5/6).  Meus plano foi destroçado por uma  coincidência (que desta vez até tinha  algo com as leis mais fundamentais do universo) e acabei passando a lua nova acampado na casa de meu sogro no início da Rua da Passagem  . Um local de nome apropriado para se viver um luto. Bem no coração de Botafogo.
                               Rapidamente descobri que a "Stonehenge dos Pobres" como batizei meu observatório  no bairro do Leblon no Rio de Janeiro dificilmente merece o título de "O Observatório mais Urbano do Mundo" com o qual as vezes é tratado neste blog. Na verdade o Observatório do Valongo é muito mais urbano que este e com isto sofre de prolemas de Poluição Luminosa muito maiores que os meus... Não que a " Stonehenge dos Pobres" seja uma maravilha. Mas seu horizonte sul ( ha apenas duas quadras do oceano atlântico) não chega a ser um desastre completo. Devido a geografia após um bafo de sódio, Mércurio e outros vapores iluminando a praia as próximas fontes de luz a poluírem o céu serão  o farol da Ilha Rasa e depois disto apenas  Port Stanley na Ilhas Falklands...  Com o fim das obras do Metro no entorno de meu prédio voltamos para Bortle 7. O Cruzeiro do Sul é percebido com a Intrometida sendo  um membro visível .
                               De volta a Rua da Passagem  vou conhecer o terraço do Prédio. Em um primeiro momento me animo e acho as instalações bem superiores as da "sobreloja" na Stonehenge dos Pobres. Ao anoitecer percebo que nem tudo é o que parece ser. Com a lua nova procuro pelo Cruzeiro do Sul e as únicas estrelas que percebo facilmente na região inteira são Acrux, Gacrux, Alpha e Beta Centauros . No zênite percebo facilmente apenas Marte , Saturno e uma tímida Antares. É difícil localizar constelações que sempre percebi sem maiores esforços.
                               Devido a um vacilo não possuía nenhuma buscadora óptica e apenas com uma velha "red dot finder" acabo me vendo de calças bem curtas na caça de DSO´s em meio a um mar de luz. Novamente devido a uma daquelas coincidências ( que desta vez nada tinha a ver com as leis fundamentais do universo) acabo conseguindo um alinhamento polar próximo ao perfeito com a buscadora polar de Madame Herschel ( minha montagem equatorial HEQ 5 Pro). Não que fosse possível ver alguma das estrelas de Octans Mas com a utilização de minha técnica favorita consegui capturar Sigma Triangulo Australis no exato momento que esta cruzava o meridiano. E mesmo sem tentar muito cravei a latitude daquele telhado que mais lembrava um palco de show de Rock.
                               A seguir consigo a prova cabal que é possível observar mesmo em áreas de Bortle 10 ( a escala original vai somente até 9...) . Uma das primeiras coisas que descobri é que em tais condições possuir uma buscadora óptica poderosa é fundamental. Sem esta me vi obrigado a contar muito com a sorte e com minha paciência para realizar longas caçadas a partir de um ponto aproximado que conseguia com a "Red Dot".  Fosse eu mais verde e menos conhecedor dos céus sobre minha cidade ia ficar muito difícil de localizar algo...  Mesmo assim preferi um passeio bem conservador e me conformei em visitar alvos bem brilhantes e meus velhos conhecidos.
                               Agora venho fazer um elogio a tecnologia. Sem uma cabeça equatorial com Go-to e sem recursos para a pratica da astrofotografia a noite teria sido bem insonsa. Mas mesmo sem uma boa buscadora óptica e assim sofrendo para alinhar o go-to  é possível realizar registros que seriam  muito difíceis de serem obtidos mesmo com grandes telescópios em locais bem mais  escuros ha poucas décadas atrás.
                               Uma ferramenta útil para mim foi minha nova ocular 40 mm. Seu grande campo permite utiliza-la como uma especie de buscadora diretamente na Ocular do Newton ( meu telescópio 150 mm f8) . Aqui acho importante fazer uma ressalva. Oculares 40 mm tem sua funcionalidade mas não são a pedra de salvação para se caçar DSO´s . Comprei esta usada  e por um preço muito em conta . Uma Plossl. Ainda não tinha lido a critica de Harrigton em seu "Starware" a respeito dessas. 

                                Fazendo curta uma história longa eles nos diz basicamente o seguinte : Evite  qualquer Plossl ( um modelo de ocular criado 1860 e popular a pertir dos 1980) de barill 1,25 com 40 mm . Apesar da baixíssima ampliação seu campo de visão aparente é menor que em Plossls 32 mm com 1,25 pol. No final o campo que você vai de fato ver será o mesmo em ambas mas a maior ampliação na 32 mm  vai permitir uma imagem com maior contraste. Alem disto a utilização destas  (40 mm) obriga a manter sua cabeça muito em posição muito  estável para que a imagem não desapareça completamente da ocular ( blackout). Plossls com o barril de 2 pol. são outra história
                               É  uma meia verdade. Com o habito você acaba se entendendo com a ocular e elas são muito baratas. E funcionam bem para caçar alvos e também para grandes aglomerados abertos. As Plêiades pela 40 mm é sensacional. M 44 idem.
                               De volta  poluição luminosa ela afeta suas fotos mas não as torna impossíveis . e com o auxilio de uma câmera é possível  registrar-se detalhes e alvos que são impossíveis visualmente para o astrônomo urbano.
                               Logico que é necessário realizar mais exposições e fazer estas mais curtas. Mas astrofotografia é a maior diversão e  não será Bortle que irá acabar com a única diversão que restou para o mês de agosto que honrou as tradições e  para quem não esta em um espirito muito olímpico...

Serrinha
Rua da Passagem

                               Faço algumas fotos de M7 e percebo que o alinhamento polar esta bem bom. É interessante perceber como 20 fotos de 30 segundos no Rio são diferentes de 10 fotos de 20 segundos na Serrinha do Alambari ...


                                   M 22 foi surpreendende. Tanto visual como fotograficamente foi impressionante como "The Arkenstone of Thrain" sofreu para a P.L.
Ngc 4755 ensaiando o foco ainda....

                               Mas a grande estrela da noite foi M 8 . A nebulosa da Lagoa. om 50 f0t0s de 30 segundos acabou por ser a melhor captura que já realizei desta. Demonstrando como um sensor fotográfico é uma maravilha da tecnologia. Para não falar nos softwares de processamento...

                               Astrofografia é possível em grandes centros bem como a observação visual.  A boa astronomia  é feita a partir de confirmação  de projetos observacionais . E posso garantir que é possivel fotografar e observar todo o catalogo Lacaille do Rio de Janeiro.   Um projeto que me tomou alguns anos mas que considero completo com a imagem de M 8 feita da Rua da Passagem.

O Catalogo Lacaille


                               Espero que quando entrar setembro e a boa nova andar nos campos tenha a chance de visitar Búzios e ter a chance de vistar as Galaxias em Sculptor iniciar as fotos para o Projeto Dunlop ... Afinal embora seja possível sobreviver a Bortle 9 não é exatamente "só alegria"....  Acho que mais de um terço do Catalogo Dunlop não é visualmente viável do Stonehenge dos Pobres ( o registro fotográfico creio possível). Mas a confirmação empírica é necessária .  Veremos.. 

domingo, 17 de julho de 2016

Ngc 4755 - A Caixinha de Joias

          
             Em sua única e magna obra ( The Burnham´s Celestial Hanbook) Robert Burnham jr. ,o cavaleiro da triste figura astronômico, nos apresenta logo na introdução  a mais poética e precisa descrição da astronomia em geral e da astronomia amadora em particular que seria possível ser realizada em tinta e pena.
            "  Se a astronomia é a mais antiga das ciências , certamente a astronomia amadora tem o direito de clamar o título de " o mais antigo dos hobbies científicos". Ninguém pode precisar  a data que a astronomia se iniciou- podemos apenas dizer que a fascinação dos céus é tão velha quanto a habilidade do homem pensar ; tão antiga quanto a capacidade deste se maravilhar e sonhar. E na companhia com os maiores encantamentos da vida humana , a astronomia tem um apelo único que é incomunicável mas facilmente compreendido com a experiência direta... "
               "...  O charme da astronomia é simultaneamente estético e intelectual; ela combina a 
emoção da exploração  e  da descoberta  , a diversão da observação , o puro prazer do conhecimento
 em primeira mão de  maravilhas e de coisas maravilhosas. 
Mas também oferece o privilégio , que não deve ser levado com o animo leve,  de estar contribuído 
para o saber e o conhecimento do  homem".


            Ao ler estas palavras não posso deixar de me lembrar da primeira vez que avistei Ngc 4755 , A Caixinha de Joias ( assim batizada por John Herschel) ao montar pela primeira vez meu primeiro telescópio.
            Todo desajeitado e apanhando de um cabeça equatorial EQ1 eu nervosamente buscava confirmar minha teoria que com o uso de um telescópio ( e portanto podendo ver coisa que antes não podia...)  eu confirmaria que as estrelas que eu achava que estava olhando eram elas mesmas. Eu já sabia diferenciar o Cruzeiro do Sul( Crux) do Falso Cruzeiro. Mas como São Tomé eu precisava ver para crer. E com Ngc 4755 logo abaixo  de Mimosa ( Beta Crux)  me parecia ser um fácil e bom começo em meu experimento. Lutando para me entender com a buscadora ( que me parecia uma invenção de Lewis Caroll em noitada de rock  e  sido importada de dentro do espelho de Alice) eu finalmente  enquadrei a Mimosa. Dela e com uma ocular Kelner ( bem tabajara) de 20 mm cheguei até meu destino. Imediatamente entendi o que estava vendo. Ainda que não fosse em nada semelhante as fotos que possuia em meu ( na época) único guia astronômico eu imediatamente tive certeza de onde estava e compreendi claramente as palavras de Burnham: "  ... , a astronomia tem um apelo único que é incomunicável mas facilmente compreendido com a experiência direta...
            Tinha concluído um dos ritos de passagem fundamentais para um astrônomo amador  abaixo do equador. Eu tinha certeza de quem era o Cruzeiro e de quem era o Falso. A presença do Apontadores do Cruzeiro (Alpha e Beta Centauro) não bastavam para sossegar minha alma. Agora a Caixinha de Jóias e seu formato triangular com um coração vermelho (a estrela CD59 4459) e que recorda muito o simbolo "anarquista"   me davam profunda paz de espirito...
            Tendo concluído a observação e registro fotográfico de todo o Catalogo Lacaille me vi na obrigação de realizar um post dedicado a um dos mais icônicos DSOS austrais.             Como nunca realizei uma foto que achasse a altura de tal tarefa o post sobre o primeiro DSO que observei foi ficando para trás. Na verdade acho que nunca farei uma foto de Ngc 4755 que supere a impressão deste primeiro avistamento. Mesmo que registre mais estrelas , mais cores e mais tudo o prazer e o susto que levei na primeira vez que estive de frente ao original jamais serão superados por um registro que não for realizado pelo meus próprios olhos. A Caixinha de Joias é um daqueles DSOs que , para mim, são alvos visuais por excelência.  O Catalogo Lacaille é repleto deles...
            Já é evidente que o primeiro homem a registrar a existência de Ngc 4755 foi Lacaille.  É a décima segunda entrada na segunda categoria ( aglomerados estelares nebulosos)  de seu catalogo e registro mais antigo é Lac II 12.
Esta é uma unica exposição realizada com o Galileu ( um refrator de 70 mm f 13)

            Seu registro não pode ser chamado de prolixo:  " Cinco a seis estrelas entre segunda e sexta magnitude"
            Posteriormente Dunlop também nos dá noticias de 4755 mas ainda não canta todas as suas maravilhas embora destaque que o que seria Kappa Crucis é na verdade um aglomerado: " k Crucis...são cinco estrelas de 7a magnitude  formando uma figura triangular, e uma estrela de uma esttrela de 9a magnitude entre a segunda e a terceira
            Cheia de apelidos 4755  é também chamada de o Aglomerado de Kappa Crucis devido a seu mais brilhante membro ( mas não o mais belo). É um brilhante e lindo aglomerado aberto e se destaca entre ( sendo repetitivo , mas é inevitável)  as joias da coroa austral. O tratamento de Caixinha de Joias deriva das palavras de Sir John Herschel nas quais ele diz que sua visão produziu nele a impressão de uma soberba peça de joalheria. Em sua primeira descrição ele já revela seu encanto : "  A estrela central ( extremamente vermelha. O mais vivido e belo aglomerado de 50 a 100 estrelas. Entre as maiores existem uma ou duas evidentemente esverdeadas; ao sul da estrela vermelha existe mais uma de 13a magnitude também vermelha e acima uma azulada". Ao longo da história rubis e esmeraldas são figuras comuns na descrição de Ngc 4755. Um mistura encantadora de geologia com astronomia...
Suas estrelas mais brilhantes são super gigantes e incluem algumas das mais luminosas estrelas conhecidas em nossa galaxia. Seus 50 ( ou quase isto) membros mais brilhantes estão comprimidos em 10´ de diâmetro aparente. 25 anos luz de espaço. O conjunto completo ocupa cerca de 50 anos -luz... ( segundo Burnham) Livros  mais recentes ( O´Meara) falam em 240 membros em  14 anos luz ( o 10´de diâmetro continuam os mesmos. O aglomerado se aproximou de nós...Atualmente localizam-no a 4900 anos luz contra 7500 nos tempos de Burnham ).Quase todas  estrelas mais brilhantes são  do tipo B.


            Fotografei Ngc 4755 diversas vezes. Confesso que não gosto de nenhuma das fotos... Embora sejam registros honestos nunca me pareceram chegar perto de prazeres que obtive junto a ocular. Especialmente com o Newton ( um refletor de 150 mm f8) com aumentos entre 60 e 120 X.   Visualmente o aglomerado se revela de diferente formas e emoldurado de diversas maneiras. E o colorido ( estranhamente me parece mais vivido e real que nas fotos ) é mais agradável .  Espero um dia retornar e fotografa-lo com mais delicadeza. Acredito que talvez devido a sua beleza natural nunca tenha me dado ao trabalho de fotógrafa-lo "by the book". E assim a difícil arte não se faz arte...  Os resultados podem ser vistos ao longo do Post. As fotos foram realizadas ao longo de anos e com os mais diversos equipamentos. Confesso que o que foi feito em cada uma delas se perdeu no tempo

terça-feira, 12 de julho de 2016

Ngc 4608 e 4596 : "The Rho Twins"

               

            Sempre que vou falar de galaxias me lembro da longa história que nos levou até o entendimento do que ,por alguns momentos históricos, foi chamados de Universos Ilhas.  É importante fazer uma autocritica quando achamos engraçado que os antigos não soubessem do que se tratavam o que então se chamava de nebulosas espirais. Os telescópios do Seculo XIX não tinham poder de fogo para resolver estrelas em estes distantes universos. E assim supor que eles apenas eram nebulosas dentro da própria via láctea não parecia ser o absurdo que sabemos ser hoje. Nenhumas das velas padrões ainda haviam sido descobertas (pelo menos não com esta utilidade...) e as distancias para as galaxias mais próximas já é suficiente grande para parecerem impensáveis em um universo na época ainda estático.            
                O conhecimento destes seria semelhante ao dos atuais defensores de ideias como a terra plana, a terra oca e a terra jovem. Como disse Simenon :  "Uma pequena ilha em um vasto oceano de desconhecimento".
                Mesmo assim alguns visionários parecem ter percebido a natureza destas nebulosas de uma forma quase profética. Kant e antes dele Giordano Bruno pareciam já ter entendido a escala do universo e suas estruturas de uma forma futurista.
                Quando penso em universos ilhas e o caminho para seu entendimento sempre me ocorre o Aglomerado de Virgem. O Maior aglomerado galáctico em nossas plagas de universo.
                Visitar o mesmo é um desafio para os astrônomos amadores. especialmente os iniciantes. São centenas de galaxias e sem muitas estrelas por perto navegar pelo aglomerado é mais um exercício de "galaxy Hopping" que de "star hopping".

                Phill Harrigton em seu "Star Watch; The  Amateur Astronomer´s Guide to Finding, Observing and Learningabout over 125 Celestial Objects"  no conta muito sobre o aglomerado de Virgem. Na verdade ele o batiza de Aglomerado de coma Virgo já que este se espalha por entre as constelações de Virgem e Coma Berenice ( A Cabeleira de Berenice). Localizado a uma distancia média de 60 milhões de anos luz é o mais próximo grande aglomerado galáctico em relação ao nosso grupo local. Nós mesmos seriamos habitantes marginais desta imensa estrutura. Isto implicaria que apesar de estarmos nos afastando da maioria das galaxias no aglomerado a gravidade destas ( em um futuro distante) iria reverter este quadro e nós iriamos acabar por nos unir ao mega aglomerado.
                Harrigton nos alerta logo no inicio de seu texto que apesar de ser , teoricamente , possível observar todas as galaxias Messier no aglomerado com binóculos 10X50 mm estes não são alvos para os novatos . Ele recomenda que o novato desenvolva suas técnicas observacionais  com objetos Messier mais acessíveis antes de tentar tal empreitada. Mesmo com pequenos telescópios a maior parte das galaxias será um alvo discreto e em muitos casos alvos quase estelares.
                O que acho interessante no texto de Harrington é que ele aborda o aglomerado com um único alvo. E não galaxia a galaxia. Em seu projeto ele estabelece duas campanhas para se observar o aglomerado. Uma se iniciando o ataque a partir de oeste e outra escaramuça a partir do Leste.      
         
                Seguindo sua estratégia mas não sua tática apresento uma saída diferente para a campanha  do leste. Da mesma forma que  Harrington  iniciamos a campanha sem ser por objetos Messier. Mas enquanto este aposta em Vindemiatrix e Ngc 4762 ( um dos objetos não Messier mais brilhantes no aglomerado)  eu prefiro  iniciar  partindo de Rho Virgem e do que batizei de " The Rho Twins" ( em inglês mesmo pois me pareceu mais musical e me lembrou do Twisted Sisters...) . Ngc  4608 e 4596  formam um par de galaxias que habitam o mesmo campo que Rho Virginis. Como localizar Rho Virginis e sua parceira 27 Virgo ( GG Virgo) em uma área pobre em estrelas mais brilhantes é moleza mesmo em céus com alguma poluição luminosa nossas gêmeas são um excelente inicio para seu ataque ao aglomerado.  Visualmente são semelhante e apesar de pequenas apresentam um brilho de superfície amigável e que as revela sem maiores esforços mesmo com pequenos aumentos. Utilizando Minha 40 mm e com Rho em quadro as duas são notadas como esfuminhos mesmo com visão direta. 
                Apesar de sua aparente semelhança as gêmeas não são univitelinas e tem diferenças .  Ngc 4608 é um daqueles objetos quiméricos que se tornam cada vez mais comuns em classificações galácticas. Um interessante trabalho realizado por pesquisadores da USP nos apresentam Ngc 4608 como uma galaxia barrada sem disco. Isto a colocaria como um estranho no ninho. Sua classificação normal é de galaxia elíptica. ( SB0). Mas neste estudo ( e em alguns outros estudos com outras galaxias de morfologia semelhante) parece que nem tudo é o que parece ser . E assim é possível que galaxias elipticas possuam estruturas barradas "escondidas" em meio a suas estrelas. (http://iopscience.iop.org/article/10.1086/368159/pdf)

                Já Ngc 4596 é uma espiral barrada clássica (SB0-a) e assim com a anterior foi uma descoberta de  William Herschel  em 15 de março 1784.  São galaxias discretas e que não adentraram nenhuma lista famosa como os "400 de Herschel" ou outros . Mas sua composição com Rho Virgo e GG Virgo é um adorável campo estelar e uma fácil porta de entrada para o aglomerado de coma Virgo. A Partir destas acessar o coração do aglomerado junto a M 86 e m 84 é um pequeno passeio e facilmente realizável junto a ocular.  

segunda-feira, 27 de junho de 2016

M 64- A Galaxia do Olho Roxo

         
                      O termo ícone sempre teve grande relação com a religião. No seu sentido mais comum ele é representação de um santo. Com o alvorecer das ideias o conceito tomou um significado mais amplo e pode ser definido como: " O ícone é algo que se caracteriza por estabelecer uma relação lógica e visual entre o significado e o significante. Um bom ícone guardará uma espécie de parentesco entre o representante e  o representado e , de certa forma, lhe remete algum tipo de semelhança que torna fácil de entender a relação e possibilita perceber o simbolo embora se veja este pela primeira vez."
                M 64 é um DSO icônico. Mesmo em um primeiro encontro e utilizando um instrumento ótico pequeno rapidamente se percebe o "olho roxo".
                Segundo a história a relação não se deu tão rapidamente assim. Mas como a qualidade óptica dos aparelhos melhorou muito desde o começo de nossa história tudo que foi dito acima pode ser levado a sério.
                M 64 foi descoberta diversas vezes em um curto espaço de tempo. Entre 23 de março de 1779 e 1 de Março de 1780 ( portanto pouquinho menos de um ano...) ela foi registrada 3 vezes por três astrônomos diferentes. O primeiro d foi Edward Piggot , o segundo Ellert Bode e o terceiro Charles Messier. E como na canção infantil " o terceiro foi aquele a quem ela deu a mão" e que acabou por batiza-la. Ou quase.
                Poucos anos depois ela ganha seu apelido das mãos de William Herschel:
                " 13 de Fevereiro de 1787 ( Sw. 699) Um objeto memorável , mE ( "muito alongado") com cerca de 12´ de comprimento com 4 ou 5´de largura contém um ponto "Lúcido" com um pequeno arco negro logo abaixo que nos dá uma ideia do que é chamado de "olho roxo" e que advém de um luta."
                Nasce M 64 , a Galaxia do Olho Roxo. ( Black Eye Galaxy , em inglês).

                Para localizar M 64 você deve partir de Alpha Coma e seguir até 36 Coma. Depois seguindo rumo noroeste localize 35 Coma . M 64 estará muito perto e possivelmente dentro do mesmo campo ocular de uma ocular 25 ou 30 mm.    
                Utilizando uma buscadora de 9X50 mm ou um binoculo 10X50 a galaxia de 8a magnitude estará ao seu alcance em céus relativamente escuros e para olhos já treinados. Será como uma pequena condensação de luz  oval com um centro levemente mais brilhante. Use visão periférica e paciência.
                No Newton ( meu refletor de 150 mm f8) com 48 X de aumento rapidamente percebo o mesmo brilho oval com um núcleo bem mais brilhante e levemente fora do centro. Com cerca de 100X de aumento o hematoma começa a se tornar aparente e com o uso de visão periférica bastante óbvio.

                Atualmente é aceito que M 64 esteja a apenas 19 milhões de anos luz de nós. Mas ha controvérsias e certos autores a colocam a mais de 40 milhões. Pelos valores atuais a galaxia possui um diâmetro real de aproximadamente 50 mil anos luz.
                Uma das maiores peculiaridades de nossa galaxia é que a faixa de matéria escura que a apelida é também uma especie de zona fronteiriça que separa a galaxia em duas. A parte interna do núcleo possui cerca de 6000 anos luz e gira na direção oposta a parte mais externa. A razão mais aceita para isto é que seja resultado de uma colisão cósmica onde uma galaxia menor ( matéria prima para o "hematoma") foi absorvida por outra maior e que este processo ainda se encontre em fase de assentamento.
Quase um desenho. Foram utilizadas varias camadas e pincéis sobre a foto original . O Photoshop é um programa poderoso e sem a menor vergonha... 


                Realizei diversas ( poucas...) fotos de M 64 de forma apressada no ultimo mês. O registro se não bom é bem fiel ao que se pode perceber pelo Newton depois de muito esforço. Espero poder realizar um registro mais organizado e com tempo de um alvo que tem forte apelo visual. Como disse:  um  DSO icônico...   

domingo, 19 de junho de 2016

Ngc 3228 ,o Duelo Halley - Lacaille e os Pubs Ingleses

             

           Ngc 3228 é um daqueles DSO´s feitos para pequenos telescópios e pouca ampliação. Descoberto por Lacaille  com uma minuscula luneta de 15 mm com 8X de aumento é uma prova da competência visual do Abade.  Em seu catalogo publicado em 1755 esta é a entrada Lac II. 7 .  Sua categoria II nos revela que ele percebeu nebulosidade entre suas estrelas. O incrível feito foi resolver algumas estrelas com tão modesto equipamento...
                "  Um " ajuntamento" de  4 ou 5 estrelas , bem pequeno e bem comprimido".
                Seguindo a tradição do céu austral ele foi posteriormente observado por Dunlop  e este acrescenta e resolve mais alguns membros  em 3228.
                Dunlop nos diz que o aglomerado é "11 Roboris Caroli".  Ou seja ele nos diz que Halley tinha percebido 3228 antes de Lacaille . Mas não sua verdadeira natureza. Ele teria incluído este como uma das estrelas da natimorta constelação de   Robur Carolinum , o carvalho de Charles . Esta se referia ao Carvalho ( uma arvore) que Charles II teria se escondido durante a batalha de Worcester. "O Carvalho Real" ( The Royal Oak).  Charles era patrono de Halley e a homenagem garantiu o seu mestrado.
                Lacaille achava que a constelação criada por Halley desfigurava a grande e antiga constelação de Argo Navis. Em mais um capitulo da rixa entre ingleses e franceses Ngc 3228 acabou por lutar junto aos franceses.  Lacaille resgatou as estrelas roubadas por Halley do navio dos argonautas desmembrando a gigantesca constelação em suas partes e assim nascem Popa , Vela e Quilha e o "Royal Oak" é cortado e se transforma no mastro da constelação de Vela.  E com já falei a estrela 11 da constelação de  Halley vira Lac II 7. 
7X30 segundos ASA 3200 -3X Drizzle no DSS e levels no photoshop.  O alinhamento polar foi feito depois de vistar alguns pubs...
                Ngc 3228 é realmente um pequeno aglomerado que possui pouco mais de 20 membros e localiza-se a 1600 anos luz do sol. Se espalha por modestos 2 anos luz de galaxia.  Suas estrelas nos indicam uma idade de cerca de 40 milhões de anos.


                Localizar Ngc 3228 é um pouco mais difícil do que sua magnitude 6.0 pode levar a supor.   Mas partindo-se de Kappa Velorum utilizando um binoculo ou sua buscadora  ( a estrela mais ao norte do asterismo do falso cruzeiro ) você irá facilmente localizar  a leste - Nordeste a estrela de 3,5 magnitude Phi Vellorum.  Seguindo pouco menos de um campo ( 40) para nordeste você vai se deparar com um pequeno asterismo que recordara o aglomerado de Omicron Vellorum ( O aglomerado da Pequena Cassiopéia) com estrelas em forma de  W ( ou M)  que terá Ngc 3228 aos seus pés. Como nos conta O´Meara irá parecer como uma pequena caixa de joias aos pés da falastrona Rainha da Etiópia ( Cassiopeia) . Isto nos leva até  pomposo apelido do aglomerado na língua Inglesa , The Queen´s Cache Cluster . A tradução é ingrata e nos daria algo como o Aglomerado da Caixa da Rainha... 



                Quanto à nomes parece que o "Carvalho de Charles"  de Halley continua envolvido em controvérsias. Segundo a British Beer and Pub Association (BBPA)  "The Royal Oak" é  o segundo nome mais comum para um  pub na Inglaterra. ( 626 pubs) . Segundo a CAMRA ( Campaign for Real Ale) este é o terceiro (541).  Red Lion é o nome mais comum. 

terça-feira, 7 de junho de 2016

Ngc 4697- Uma Galaxia na Margem Sul de Virgem"

     
   
        Ngc 4697 é  um alvo galáctico dos mais interessantes. Com um brilho de superfície considerável é um alvo fácil e que foge das mais manjadas galaxias Messier no Aglomerado de Virgem. Residindo próxima a Galaxia do Sombreiro ( M 104) nas margens ao sul do conjunto eu nunca tinha ouvido falar da mesma. Mas em uma noite em que lutava contra nuvens e com o auxilio do Stellarium percebi que ela se encontrava em um vazio propicio para um ataque e sendo a entrada 52 do Catalogo Caldwell ( C 52)  deveria ser acessível ao Newton , meu refletor 150 mm f8 .  Com o auxilio de Mme. Herschel ( uma cabeça equatorial HEQ 5 pro da Skywatcher)   eu rapidamente a localizo.  Na noite enevoada  eu estava caçando   estrelas duplas e já me encontrava em Porrima . Mme. Herschel oferece sempre "tours" temáticos no Synscan ( uma especie de computador de bordo) . Estes podem ser "Deep Sky", "Estrelas Duplas" " Estrelas com Nomes " e etc.. Desta forma já havia visitado varias das duplas que se apresentavam no céu. Como já falei vislumbrei a possibilidade de ver C 52. Logo ao lado...
                C 52 é visível , de forma discreta , na minha buscadora. E com o "go-to"  em um dia bastante preciso localiza-la foi "mamão".   

                Trata-se de uma galaxia que assim como nossa ultima convidada ( C 53, The Spindle Galaxy)  no Nuncius Australis habita uma zona fronteiriça na classificação Hubble de galaxias. É uma Galaxia Elíptica ( E 6) quase lenticular ( S0) . Justamente o oposto da nossa ultima convidada. É um interessante exercício compara-las e chegar a suas próprias conclusões. Eu concorda com a maioria e acho que  C52 é uma elíptica (E6) e C53  é uma lenticular pura (S0).
                De qualquer forma Ngc 4697 é  considerada por vários autores uma especie de hibrido. Tanto lenticulares como elípticas podem apresentar um formato de lente mas elipticas puro sangue não apresentam sinais de bojo central , disco ou braços. Uma galaxia elíptica é simplesmente  uma concha  ovalada de antiga luz estelar e cercada de uma vasta coleção de globulares com luz estelar tão ou mais antiga que a mesma. Galaxias elípticas não apresentam grandes ( as vezes nenhuma)  quantidades de gás ou poeira e assim já fecharam ou ao menos diminuíram quase completamente a produção de novas estrelas.  Suas estrelas se concentram em direção ao seu centro ( reparem que não falei núcleo) e sua população é dominada por  estrelas de baixa massa. Como a produção estelar já foi encerrada  estrelas de grande massa já "fumaram" todo seu hidrogênio , Helio e o que mais puderam , partiram para o infinito e viraram constelação.
                Herschel percebeu esta concentração central em Ngc 4697:
"[Observado em24 de Abril de 1784] Muito brilhante , muito grande , repentinamente muito mais brilhante em direção ao centro. Núcleo resolvível. ( H I-39)"
Trabalhada no Photshop e Fits

                Herschel parece ter tido a ilusão de resolver estrelas em seu núcleo. Com a galaxia a 76 milhões de anos luz de nós não só é pouco provável que isto tenha acontecido como é impossível mesmo. Mas perceber uma certa "granulosidade" em galaxias elípticas é um fenômeno comum a diversos observadores e eu mesmo tenho esta impressão em diversas elípticas que já observei. M 87 é um caso extremo deste efeito.  Embora eu não saiba a causa ( acho que ninguém...) acredito que possa ser um efeito dos milhares de globulares passeando ao redor destas. O´Meara prefere acreditar que este efeito seja efeito de estrelas de campo muito fracas que se interpõem sem se revelarem. Quase como uma daquelas coincidências que nada tem a ver com as leis fundamentais do universo.
                Recentemente li uma frase atribuída a Einstein de que "coincidências são a forma que Deus encontrou para permanecer no anonimato". Em rápida pesquisa não descobri nada que prove a existência ou não de Deus nem nenhuma coincidência suspeita. Mas descobri que a frase não é de Einstein e que ele nada tem com isto.  Na verdade a frase passou a ser atribuída ao mesmo com o fenômeno das redes sociais a partir do anos 2000 e sua primeirara aparição foi rastreada até uma pagina adventista. A citação original e que parece ter levado a toda esta história remonta à 1777 ( portanto anterior a descoberta de Ngc 4697) e foi dita por Horace Wallpole: " O que é chamado de coincidência é um instrumento da Providência".
                Ngc 4697 é o primeiro objeto no Catalogo Caldwell localizado ao sul do equador celeste e carrega a enorme honra de ser a única galaxia do catalogo localizada em Virgem. Não me parece uma coincidência . Soa mais como milagre...

                A galaxia é realmente bem brilhante e facilmente acessível a binóculos. Não espere muitos detalhes. Partindo-se de Porrima existe uma corrente de estrelas de aproximadamente 6a magnitude direcionada praticamente norte sul. Com a ultima destas estrelas em campo nosso alvo estará a menos de 40´ a nordeste. 

RnS no Modo Pop Art

                Algum brilho pode ser percebido no setor norte da galaxia. Grandes telescópios podem perceber o que parece se uma estrutura como um disco escondida dentro da galaxia dita elíptica. Há hoje em dia alguns indícios que em meio ao caos das orbitas em galaxias elípticas é possível que existam estruturas inobserváveis e que esconderiam discos e braços onde estes não deveriam existir. A classificação de galaxias e sua morfologia é como boa ciência um objeo em evolução.
Um único frame 30 segundos 3200 asa

                Ngc 4697 apresenta um diâmetro aparente de 7 ´X6´ que demostra bem sua elipsidade. ( Varia de E4 até E6 dependendo da fonte) . Isto representaria uma impressionante esfera amorfa com mais de 150.000 anos luz de antiga luz estelar...

                Um belo, interessante e "fácil" alvo galáctico para possuidores de quase qualquer equipamento óptico.