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quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Ngc 6397, Astrofotografia e a Derrota

Ngc 6397 -30 exp de 15 seg no  Rot n´ Stack 


Astrofotografia é  arte ingrata. Nem sempre dá certo. É com certeza uma  forma mais exigentes de se observar e registrar  o firmamento.
Quando fotografo pela janela de casa o alinhamento polar é mais difícil. E para fotografar ele não pode ser apenas aproximado. 
 Como só posso ver, de fato, o horizonte sul a coisa acontece meio por tentativa e erro. Embora eu já saiba aproximadamente a posição que as coisas devem estar é sempre tudo de novo. As marcas no chão já foram apagadas. A cabeça equatorial já não esta na mesma posição.  Ela viaja e quando viaja precisa ser ajustada para a latitude local. E assim começa tudo outra vez... É a parte mais difícil do jogo. E por isto mesmo a que deve ser jogada de novo e de novo... 
Eu sou  um observador visual. É olhando pela ocular e trocando oculares que mais me divirto. Acho também que o desenho astronômico   é a forma que permite registro mais próximo do que o astrônomo amador deve esperar encontrar quando procura por um DSO desconhecido. E assim sempre que possível faço , ainda que um esboço, dos que observo... 



Mas adoro o desafio das fotos.
Cantar vitória é fácil. Infelizmente nem sempre as coisas dão muito certo.
Ngc 6397 é um daquelas derrotas  que não revoltam. Na verdade foi muito divertido.  
Há muito sem fotografar no ambiente “full conditions” que só possuo na sala de meu apartamento eu tinha alguns DSO´S como possíveis alvos para aquela noite.
Full Conditions
Por “full conditions” entenda-se fotografar de frente para os vizinhos, com a família em casa, no meio do Rio de Janeiro e sem possuir um horizonte suficientemente amplo para tentar realizar um alinhamento por Drift nem com auxilio de marreta. Não esquecer o gato que disputa a janela com o telescópio e que por sua vez é protegida por uma tela para evitar arroubos suicidas deste mesmo gato.  Não posso esquecer:  Bortle 8 
Desta forma eu tinha em mente alguns alvos. Eram estes Ngc 6752, Ngc 6101 e 6397. Assim eu fatalmente conseguiria localizar e com sorte fotografar um deles em algum momento da noite. Era bom ter um leque de opções visto que eu dependia de uma combinação de horário, de janelas acesas no prédio em frente, da boa vontade da esposa e da filha e ainda do gato...
Como um navegador eu tinha minha derrota planejada. No mundo náutico, derrota é o planejamento de um determinado trecho navegado ou por navegar para se sair de um lugar até chegar a outro lugar. Algo como Star Hooping e mais um pouco.
Depois de algumas horas tentando um alinhamento polar com um mínimo de dignidade eu me dou por satisfeito quando consigo uma foto de Achernar sem que a estrela seja um risco no céu. Mas também não chego a tanto de conseguir que esta seja um ponto...
 Eu que comecei o alinhamento com Hadar (Beta Cen) sendo fotografada durante 15 seg. no  horizonte sudoeste acabo o processo de  alinhamento com Achernar (Alfa Eri) já no extremo sudeste permitido pela minha janela. Vejam a diferença...
Hadar                                     Achernar
Depois de algum tempo e com a boa vontade do vizinho do 16º andar eu acabo conseguindo localizar Beta Ara e sua companheira mais tênue Gama Ara a olho nu .Na verdade depois que achei meus óculos  (afinal ,full conditions incluem a bagunça ) . Daí para decidir que Ngc 6397 seria a vitima da noite foi um passo. As duas estrelas formam um belo par que sobrevive a agressões violentas do ambiente urbano.
Com a Buscadora (9x50mm) centralizada em Beta Ara é fácil saltar para Pi Ara e desta para o Globular. Ele é discreto na ocular no meio da poluição luminosa da cidade. Mas com atenção você vai ver certa nebulosidade.
Com a ocular de 25 mm ( 48 X de aumento) eu centralizo o bruto na ocular e resolvo algumas estrelas.
Agora é fotografar... A primeira foto serve para centralizar melhor o alvo. Afinal sempre que substituo a ocular pela câmera o " quadro dá uma sambada".
Bem o que importa é o desafio e apesar do alinhamento parecer razoável, já que o aglomerado se mantém durante dezenas de exposições na mesma posição, eu esqueci que o Newton (meu 150 mm) precisa de colimação de tempos em tempos...  As estrelas (que apresentam algum drift) parecem vírgulas nas fotos. Na observação visual este efeito é bem menos evidente.
 Minha câmera não apresenta live view  e  isto somado  a  minha preguiça não leva  ao foco de uma forma precisa. Na verdade tento o foco apenas com as poucas estrelas que percebo de forma extremamente discreta junto  ao viewfinder. Deveria fazer o foco com alguma estrela um pouco mais brilhante e aí enquadrar, meio que as cegas, utilizando a buscadora. Com DSO´s mais claros isto é viável. E eu , ansioso , não checava cada uma das fotos dando zoom .
 Umas melhores e outra piores eu preferia acreditar que no processamento  um milagre aconteceria.
Apesar de o Deep Sky Stacker aceitar as fotos e empilhar tudo o resultado é péssimo. Tento então o Rot n´stack e seus logaritmos doidos. Fica menos ruim.  
Mas de qualquer forma foi muito divertido e depois de tirar 30 fotos do globular eu dou mais uma espiada com a 10 mm e com a 17 mm. A melhor combinação é com a 17 mm e resolvo diversas estrelas no corpo do globular. Mesmo com visão direta. Seu formato não é exatamente circular sendo um pouco fora do esquadro em relação a outros globulares. Não é uma bola de estrelas perfeita...  Ele é um globular da classe IX na escala Shapley.

Ngc 6397 é um globular bem brilhante. Mag. 5.7 e um alvo austral por excelência.
É uma descoberta do Abbe Lacaille . Este o registrou como Lac III. 11 em sua viagem 1751/52 para Cape Town.   É um dos dois aglomerados mais próximos da terra (o outro é M 4).
Foi alvo de estudos para calcular a idade da galáxia e possui cerca de 400.000 estrelas.
É um dos 20 globulares de nossa galáxia que sofreu um colapso de seu núcleo. Ou seja, seu núcleo se contraiu para uma densa aglomeração estelar. É o mais próximo globular a passar por este processo.
Agora é levantar a poeira e se preparar para lutar a boa batalha novamente.
Em meio a tudo isto percebi que a lua se apresenta em boa posição para fotos logo ao anoitecer. E Selene costuma ser mais dadivosa e muito menos tímida  que DSO´s quando se trata de astrofotografia...     
 Como já contei aqui  a astrofotografia me faz um astrônomo melhor.
Amanhã é uma outra noite...

sábado, 26 de novembro de 2011

Petavius


Petavius

 Petavius é uma bela cratera que faz par com Wrottesley. Petavius "itself" tem 182 km de diametro e é percebida até mesmo com binoculos 10x50. Uma formação do Imbriano (3.85 bi) .
Localizadas nas mergens sul do Mare Fecunditatis ela é melhor observada  3 dias depois da lua nova ou 2 dias depois da cheia.
Seu nome é uma homenagem a Denis Pétau um teologo e historiador francês do sec XVII.
O desenho foi feito com Pen and Ink ( 0.1 , 0.5 e 0.8) e esboçado com uma lapiseira 0.3 com grafite H.
Um pouco estilizada eu diria...
Interessante perceber as sombras da Rimae Petavius, que são as montanhas no centro da Cratera. Possuem cerca de 170 mm e são um alvo para grandes telescópios.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Cyrillus , Teophilus e Beaumont

Um sketch lunar realizado no ultimo dia 21 de Junho.  Por volta de 3:30 am.

Apresento a região de Cyrillus. Acompanham Teophilus , Beaumont e Madler.

O desenho inicial foi realizado com Lápis H,B,2B e 6B. Alguns detalhes foram feitos com caneta de pigmento negro ( ink black) 0.2. Foi utilizado um esfuminho n. 1.

O registro foi feito com uma ocular plossl de 10 mm. Telescópio newtoniano 150 mm . 1200 mm de distancia focal. 

O segundo desenho foi obtido a partir da imagem escaneada. E posteriormente tratada no Photo Shop.



desenho 1
Grafite e Black ink

Desenho 2
Cyrillus é do período Nectariano( entre 3.92 e 3.85 bilhões de anos). Tem 100 km de diâmetro. Fica no quadrante sudeste e pode ser percebida com refratores de 50mm.

Cyrillus foi batizada assim por Riciolli em 1651. Homenageou um filosofo e jurista grego do séc. V.
Foi um estudioso sobre a encarnação de Cristo e condenou Nestor por heresia.
Nasceu em 376 e morreu em 444.  Viveu em Alexandria.  Foi papa da igreja copta e é também Santo Cirilio de Alexandria.  

Theophilus possui 104 km de diâmetro e é mais recente . Do período Erathosteniano.3.2 e 1.1 bilhões de ano. Se revela a binóculos com 10x.. Foi ele também um Filosofo grego do sec. IV.

Se pode perceber também a direita do desenho Beaumont. Com 54 km. de diâmetro. Do período Imbriano( de 4.55 a3.85 bilhões de anos). Pode ser percebida com o uso de refratores de 50 mm. O desenho não faz justiça a formação. Beaumont foi um geólogo francês do sec XIX. Foi batizada assim por Madler em 1837.

Madler é o nome da cratera mais abaixo e totalmente sombreada abaixo no desenho. É tambêm do Erathosteniano e Madler foi um astronomo alemão do séc XIX.
 
 

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Longomontanus


Christen Sørensen Longomontanus (or Longberg) (4 de Outubro 1562 – 8 de Outubro 1647) foi um astrônomo dinamarquês.
Foi assistente de Tycho Brahe assim como Keppler. Mas ao contrario deste não acreditava no sistema heliocentrico e desenvolveu um sistema chamado de Semi Tycho para explicar as coisas...
Acreditava também que cometas eram um sinal do Mal.
Acreditou também que havia descoberto a solução para o problema sobre a quadrartura do circulo. Pelo menos o de raio 43. Ningúem o conseguiu dissuadir de que ele estava errado . Mas vários tentaram...
Foi inimigo de Kepler. Trabalharam juntos à Tycho Brahe no maior observatório de seu tempo. Uraniborg , na ilha de Hven. Não me perguntem como se pronuncia isso...
Escreveu vários livros e suas tábuas lunares ( há duvidas) seriam mais precisas que as de Kepler...
Seu livro Astronomia Danica foi "popular". Reeditado duas vezes
Foi enfim imortalizado na Lua tendo seu nome batizado ado uma bela cratera . Riciolli o homenageou em 1651.
Uma bela cratera que faz par com Montanari ( menor).
É uma cratera do periodo Nectariano (entre 3.92 e 3.85 bilhões de anos). Possui um diâmetro de 150 Km. Esta localizada no quadrante sudoeste. É possível avista-la utilizando um binocúlo de 10x50 mm.
Foi , juntamente com Montanari e Wilhem , o alvo escolhido para ser registrado na madrugada do dia 25 de Junho de 2011.
 Foram usadas diversas técnicas.  O primeiro desenho foi realizado junto ao telescópio com lápis H,HB,B2 e B6 e um esfuminho n1. Posteriormente foi renderado no PhotoShop. 
 O desenho final é um registro  do que observei na ocular.
E o original é, bem.... um registro rápido.
Se quiser saber mais sobre Longomontanus , clique aqui.






final

Original

quarta-feira, 25 de maio de 2011

NGC 6752 -Astrolog 25 de maio 2011


Clique para ampliar

                                            
Log. de Observação – NGC 6752.

Local- Rio de Janeiro

Poluição luminosa (1 -9) 6

NELM – entre 4 e 4,5

00h00min horas



Alpha Pavo é facilmente visível a cerca de 35 graus no horizonte Sul –Sudeste. Com atenção é possível perceber também Lambda Pavo (magnitude 4.2). Eu utilizo ambas as estrelas para triangular a posição de 6752 utilizando à buscadora L.E.D. E depois vasculho a posição com a buscadora ótica (10x50mm) para inspecionar a vizinhança. Localizo HIP 94198(mag.7.5). Esta indica o aglomerado bem ao lado . Percebo a tênue nebulosidade na buscadora. Percebe-se também claramente a estrela HIP 94235 (mag. 8.3). Começo a observação com a PL 25mm e esta revela claramente a nebulosidade mas não chega a resolver estrelas no globular. Apresenta diversas estrelas tênues dentro de seu campo (Um pouco mais de 1º).

A seguir aumento a ampliação e troco a ocular para minha SPL 10 mm. Com ela ele se resolve parcialmente. Especialmente com visão periférica. Uma corrente de estrelas se resolve claramente cortando seu centro Diversas estrelas se alternam acesas no aglomerado e em seu halo Ele ocupa todo o centro da ocular. HIP 94198 ajuda a focalizar.



Resolvo abusar e fazer um teste. Coloco uma Barlow OMNI da Celestron (2x). O Aglomerado enche o campo, mas se torna um borrão irreconhecível. O foco é impossível.

Não me dou por satisfeito e coloco a 5 mm. Em tese isto apresentaria resultados semelhantes a 10 mm + Barlow. Mas fica melhor. Consigo resolver estrelas ao longo do aglomerado. Mas a qualidade da imagem é pouca e o seeing começa a acusar a grande magnificação. Só consegui alguns breves momentos de imagens aceitáveis. A maior parte do tempo um borrão.

Há 120 x foi a melhor relação. Utilizando esta ampliação fiz um esboço com lapiseira e posteriormente um render no Photo shop.

Primeira vez que observo este globular. Ele se apresenta em uma posição ideal para a observação de minha casa. Agradeço aos vizinhos que parecem estar aprendendo que suas luzes acesas atrapalham muito o Observatório do Nuncius Australis.

Outra coisa que ajudou muito a observação de hoje foi a confortável posição que se encontrava o DSO. Com isto localizá-lo foi mais fácil que o esperado. A região apresenta poucas estrelas em céus urbanos, mas mesmo assim a aproximação realizada com a buscadora L.E.D. foi bastante precisa e colocou sua companheira ótica em perfeita posição para finalizar o trabalho. Um achado bastante agradável. Utilizei o Stellarium como atlas da operação.
 A Wikipédia informa ser este o terceiro aglomerado globular mais brilhante do céu. Atrás apenas de Omega Cen e de Tuc 47. Mas eu , particularmente, fiquei mais impressionado com M 22 . E talvez M 13...

Este aglomerado foi descoberto por Dunlop em 1826. Utilizando um refletor com 225 mm (Diâmetro do espelho)

Magnitude: 5.40

Brilho da Superfície:

Dimensão: 20.4 x 20.4 '

Posição Angular: 90

Classe: VI

Nome: Dunlop 295

Constelação: Pavo

Coordenadas: Aparente

Aparente RA: 19h11m 57.7s DE:-59°57' 37"

Abaixo da data RA: 19h11m 54.1s DE:-59°57' 50"

Abaixo de J2000 RA: 19h10m 54.0s DE:-59°59'00"