terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

O Segredo dos Gêmeos



Castor e Pólux, conhecidos também pelo nome de Dióscoros, são dois heróis da mitologia grega relacionados com a constelação de Gemini, os "Gêmeos Celestes". Reza a lenda que Leda, mulher de Tindareu, gerou quatro filhos numa única gravidez, sendo dois de seu marido e os outros dois de Zeus, que se uniu a Leda sob a forma de cisne. Em conseqüência desta união bestial, Leda teve dois ovos: de um nasceram Pólux e Helena de Troia, filhos de Zeus, do outro nasceram Castor e Clitemnestra, filhos de Tindareu. Apesar de paternidade diferente, Castor e Pólux eram gêmeos e chamados Dioscuri, ou seja, filhos de Zeus. Muito unidos, tinham, no entanto, naturezas diferentes, dado que Pólux era imortal como seu pai e Castor era mortal como sua mãe. Castor era um grande cavaleiro e Pólux um grande lutador.
Como não poderia deixar de ser a lenda grega termina em tragédia e Castor morre em um duelo. Pollux fica inconsolável e Zeus resolve a parada mandando os dois para o céu. Dai nasce à constelação de Gêmeos. E nela parece que ele faz uma piada tantos são os pares que encontramos
Castor é gêmeo duas vezes e é uma bela estrela dupla que é um bom teste para pequenos telescópios. Parece que Zeus também mandou Clitemnestra para o espaço. Embora sua tumba (de Clitemenestra) tenha sido encontrada na terra...
Mas gêmeos esconde ainda outro par. Este de DSO´S.

O gêmeo imortal seria M 35. Este um alvo fácil e avistá-lo a olho nu revela um céu generoso durante o verão. Este gêmeo é composto por mais de 200 estrelas e mais de duas dúzias delas brilham acima de 10ª magnitude. Ele é facilmente avistado com binóculos mesmo em condições de bastante poluição luminosa.
O outro gêmeo, representando o nosso Castor dos céus profundos, é Ngc 2158.
Bem mais acanhando que seu irmão este é um alvo que vai requerer muita atenção e percebê-lo pela buscadora é prova de um céu cristalino.
Mas são irmãos muito próximos e assim uma vez localizando M 35 seu irmão estará a cerca de ¼ de grau (23´43´´ para ser exato).
Mas assim como os irmãos míticos eles são muito diferentes. Ngc2158 é um dos mais incomuns aglomerados abertos do céu de verão. Situado a cerca de 13.000 anos luz ele se encontra mais de quatro vezes mais distante que M35. Assim ele esta situado bem próximo aos limites da via láctea. Estudos revelam ainda que seja um dos aglomerados abertos mais antigos que se tem noticia. A se observar o seu grande numero de estrelas vermelhas e amarelas que já atingiram a maturidade é possível que ele tenha mais de um bilhão de anos. Seu companheiro cósmico, por outro lado, apresenta uma composição de estrelas azuladas e brancas bem jovens, com apenas 150 milhões de anos.

Seguindo a lado da constelação que representa Castor bem junto a seu pé você vai achar Propus ( Éta Geminni) . M35 é chamado de “Soccer Ball Cluster” por Phill Harrigton por estar bem na marca para ser chutado por este pé imaginário. A partir dele ache seu irmão mais tímido.
Ngc 2158 vai revelar apenas algumas estrelas sobre nebulosidade em telescópios pequenos e até mesmo médios (+-200 mm).
Foi descoberto por William Herschel em 1784 e pode se confundir com um globular.
Visite estes gêmeos em gêmeos e conheça um dos pares mais diferentes que se pode ver durante o verão.  M 35 é fácil e Ngc 2158 é um desafio para pequenos telescópios...

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Astrofotografia , Colimação e Carnaval





Chegou o carnaval. E apesar da data depender de varias efemérides (ele começa 40 dias antes do primeiro domingo depois da primeira lua cheia depois do equinócio ou algo assim) a pratica astronômica durante o período é, no mínimo, diferente.

E durante o período reza a lenda que um homem possui como seus maiores adversários ele mesmo, seus amigos e a bebida. Mas ele é homem e não pode recuar perante tais adversidades.

Desta forma vou em direção a Buzios.

Meu plano é perfeito.

Saio na Sexta Feira na parte da manhã. Eu, minha filha e toda a parafernália astronômica. Fizemos uma viagem tranqüila e chegamos a Buzios sem maiores percalços.

Algum tempo depois eu tenho o telescópio montado e percebo que a colimação não esta lá estas coisas. Após mexer um pouco para lá para cá me dou por satisfeito embora soubesse que a colimação poderia ser mais bem realizada. Mas no momento eu tinha outra preocupação. Alinhamento polar.

Sempre que observei em Buzios eu alinhava colocando o eixo equatorial de forma paralela ao muro da casa. Para observação visual era mais que suficiente. Mas para fotografar...

Rapidamente percebo que preciso afinar melhor o alinhamento. E é ai que a porca torce o rabo...

Seis horas mais tarde e com diversas fotos imprestáveis colecionadas consigo um alinhamento razoável. Bom não. Mas acredito que possa melhorá-lo mais e mais ao longo do carnaval. Isto iria implicar em manter o tripé morando fora de casa, mas me parecia ser um projeto viável.

Ao contrario do que se imagina a pratica astronômica é um evento com muita atividade física envolvida. Depois de seis horas levantando e movendo o telescópio para lá e para cá em busca do pólo sempre tendo que me colocar em posições pouco ortodoxas para acompanhar estrelas junto à ocular minha coluna começa a achar que estou de sacanagem com ela. Já que é assim ela me sacaneia com mais força. É hora de dormir e tentar esticar a lombar.

No dia seguinte chegam dois fortes adversários. Meu amigo mais pinguço e varias caixas de Cerveja. O Espírito das Highlands eu havia levado pessoalmente...

Depois de um dia de praia imagino que a noite promete. Eu estava certo. Só não sabia o que ela prometia.

Crente que o alinhamento polar seria satisfatório eu retiro a lona que cobria a cabeça e o tripé e instalo o telescópio. Dirijo-me para Naos (Zeta Popa) e rapidamente localizo Ngc 2477 na buscadora. E só. Olho na ocular e nada...

Afina daqui afina de lá e nada...

Com Júpiter se pondo resolvo que vou afinar a buscadora com precisão “nano métrica”. Enquanto isso meu camarada vai me garantindo um fornecimento continuo de Stella Artois. E outros drinks que levariam qualquer um a acreditar que se trata de um químico frustrado.

Percebo que a colimação estava péssima e tenho a brilhante idéia de chamar meu camarada para me ajudar na operação. Eu ficaria com o olho na ocular enquanto ele moveria os parafusos do espelho primário. O objetivo seria ter aquele padrão perfeito de um ponto negro no meio de um Júpiter fora de foco. Rapidamente o planeta parecia um quarto crescente...

A colimação ficou tão fora de esquadro que se tornou impossível afinar a buscadora. Lá pelas tantas eu pensava em colocar um pequeno calço no suporte da buscadora.

Este post teve vários nomes até chegar ao que vos apresento. Um deles foi "Carnaval, Colimação e o astrônomo bêbado".

Finalmente tomo uma dose de “Faísca” e resolvo que a única solução seria colimar o telescópio de uma forma mais ortodoxa. Amanhã.

A poluição luminosa também se apresentava muito acima da média. A cidade muito cheia fazia que domos de luz povoassem os horizontes. O horizonte sul era o menos mau. O norte só acima de 30º

Colimação é algo relativamente simples. Mas uma colimação perfeita é bastante trabalhosa para ser obtida. Agradeço por meu telescópio ser F8. Um telescópio mais claro me levaria à loucura. Minha próxima aquisição será um colimador laser.

O que eu não sabia é que além de causar coma (um aspecto de vírgula quando olha para estrelas) uma má colimação torna difícil até mesmo afinar uma buscadora. Surpreendeu-me a precisão necessária. Outra lição é que nunca deixe alguém leigo tocar nos parafusos de ajuste do seu secundário. Quando você fala girar um pouquinho para este ele desconhece quão pouco é um pouquinho. Astronomia e ciências em geral quando falam de pouco é muito pouco. E quando falam de muito em geral usam notação cientifica...

Finalmente chega a terceira noite. E um pouco de sobriedade. Finalmente começo a noite me dedicando a observação visual e apresentando alguns DSO as crianças. Plêiades do Sul, Eta Carina, NGC3766 e uma enorme série de aglomerados abertos que seguem a Via láctea. Pouco depois Marte se apresenta e parto para magnificações maiores. O seeing não esta lá grandes coisas, mas percebo algum detalhes. As calotas são evidentes e com bastante atenção percebo Syrtis Major e de relance consigo notar a mancha do Mare Acidalium. Mas os momentos de seeing são raros.

Resolvo me arriscar em algumas fotos e rapidamente percebo que o alinhamento não é suficiente.

Começo com exposições de 20 seg. com a nebulosa de Eta Carina. Depois caio para 15 e finalmente 10 seg.
Eta Carina

Mexe para lá e para cá e nada de melhorar. Decido fazer algumas fotos em Piggy Back.

Outra aquisição que vai ser útil é uma ocular com reticulo iluminado. O Drift para o alinhamento polar vai ser bem mais eficiente e rápido.

Faço algumas imagens do Cruzeiro. Como podem perceber o Rot n´ Stack é um programa bem criativo. Um dos Logaritmos que ele usa nas fotos finais é realmente um artista...
Cruzeiro do Sul Numa Visão do Rn´Stack

Os dias se sucedem e eu desisti de manter a cabeça do lado de fora da casa. Todo dia eu começo fazendo um alinhamento polar e um drift. E sempre demora. E Os resultados são diferentes a cada dia.


Não poderia deixar de fotografar M42. O Alinhamento poderia ser melhor. Mas a Nebulosa é linda de qualquer maneira...

Desta forma também visito Saturno. Embora uma DSLR não seja o ideal fiz alguns registros. As exposições curtas não careciam de alinhamento. Utilizei uma barlow 2x para o planeta dos anéis. Mas ainda não me entendi com o Registax...

Durante os alinhamentos acabo empenando um dos parafusos da cabeça. Removo uma pequena peça que fica a frente da cabeça e que serve para fixação deste. É incrível como a remoção deste torna a cabeça mais instável. O espelho da câmera causa trepidação suficiente para inviabilizar a maior parte das fotos.

Após retirar e substituir o parafuso a cabeça volta a sua forma.

Aproxima-se o ultimo dia e meu plano de fotografar vários Lacaille começa a parecer distante.

Resolvo ir para o jardim de frente da casa. Parece que apesar de um pouco mais exposto as luzes da cidade foi uma decisão acertada. O povo fica mais pelo jardim dos fundos e a solidão é amiga do astrônomo. Bem como uma distancia maior do isopor com as cervejas...

Coloco o tripé no chão e coloco o telescópio. Não faço drift. Simplesmente aponto para Regor (Gama Vela) e faço uma foto. 15 seg. e... Voilá. Nenhum risco. O alinhamento esta pronto. O melhor da semana.

2547 sem dark frames

Com dark frames...

Começo com Ngc 2547, um aglomerado aberto que o Abbe catalogou como Lac III. 2. O enquadramento poderia ser mais digno, mas ainda assim ele preserva sua forma de coração. O Aglomerado também é chamado como “The Broken Heart Cluster”. Faço diversas exposições de 15 seg. E por incrível que pareça o DSS aceita quase todas na hora de empilhar.

Ao contrario do Rot n´Stack o DSS não é muito criativo e adora recusar seus frames.

Ngc 3766 é o próximo. Começo a realizar o plano inicial. Este é o DSO Lac III. 7.


Novamente varias exposições de 15 seg.

Um fato interessante destes dois últimos aglomerados é que suas fotos finais (Tiff), APÓS PROCESSAMENTO NO DSS, apresentaram mais ruído quando foi adicionado Black frames. As fotos sem adição de Black frames apresentaram menos ruído e menos desvio de cor para o azul. Não sei a razão disto.

A noite vai indo bem e rapidamente coloco mais um Lacaille no finder. Lac I. 5 ou Ngc 5139. O Imenso globular de Omega Centauro. Muitas fotos. 15 e 20 seg. E muitos dark frames. Dá tudo certo. 1600 asa e pouco ruído. Vai entender¿¿¿



Agora tirei o atraso. Ngc 4755, a Caixa de Jóias. Lac II. 12 é um de meus favoritos. Novamente sento o dedo e só paro quando recebo a mensagem “full card”.

Com isto resolvo que é hora de caçar mais algumas coisinhas a moda antiga.

Calço a 25 mm na ocular e coloco a 10 mm no bolso.

Steve O´Mehara em seu Hidden Treasures faz um paralelo entre astrônomos amadores e piratas.

Segundo ele os piratas se apresentavam de duas formas. Aqueles que abordavam um navio e o saqueavam rapidamente. Passavam poucos minutos a bordo e seguiam sua viagem rumo à próxima vitima. Outros não gostavam desse frenesi. Chegavam a bordo. Tomavam chá com capitão atacado. Olhavam o porão calmamente e visitavam cada parte do navio presa.

Eu me identifico mais com os primeiros. Quando estou fazendo uma observação visual sou do estilo “body count”. Olho o DSO com uma ou duas oculares. Pratico um pouco de visão periférica e assim que tenho certeza do avistamento sigo em busca de outros botins. Já quando fotografo o objetivo é fazer um registro mais apurado. Mas ainda assim sou um pouco apressado. Na verdade gosto de preservar alguma semelhança do que o ser humano é capaz de ver. Então quaisquer tantas dezenas de exposição me satisfazem. Mas a astrofotografia demanda maiores cuidados. E conseqüentemente visitas mais longas ao navio... Sua buscadora tem que estar bem alinhada. A colimação correta. O alinhamento polar idem. Através dela me faço um astrônomo mais caprichoso. Não por gosto. Mas por necessidade.

Astrofotografia não é uma atividade momesca. Depende de duas coisas que não são tão triviais quanto dizem. Alinhamento Polar e Colimação. Isto para não falar em outras cositas más...

Com vontade de caçar parto em busca de M 104. É um dos “star hops “ que mais gosto. Vou pulando de estrela em estrela. A partir de Algorab vá até Eta Corvus. E daí siga para HIP 61212 e mais um pouco até HIP61296. Daí ache três pequenas estrelas que formam um pequeno triangulo. E deste mais um grupo triplo ainda mais discreto. Tudo pela buscadora. Do pequeno grupo parta para a ocular e você vai achar... Olhe no Cdc ou no Stellarium. O caminho é bem legal e fácil.

Depois quero mais uma abordagem antes do fim. Um rápido pulo a Beta Corvus e um pulinho lhe deixa em M68. Um discreto globular que fica no mesmo campo que HIP 61621. Tire a estrela do campo para não intimidar o discreto globular.

Acabou o carnaval e entre mortos e feridos salvaram-se todos.


M 41 também sofreu saques...


segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

NGC 4449: Canibalismo Galáctico


Ngc 4449 abaixo a esquerda e 4449b é a galaxia avermelhada a direita e acima. 

              
       A galáxia anã Ngc 4449 habita as bordas do grupo local. Este mês ela foi destaque no S&T newsletter(http://www.skyandtelescope.com/community/skyblog/newsblog/The-Dwarfs-are-for-the-Dwarfs-138948364.html ) por ter se revelado uma galáxia canibal. Sua galáxia satélite Ngc 4449 b  apresenta uma forma que lembra a letra s ( de uma forma bem remota...) e que revela um encontro recente com sua irmã maior . Entenda como recente algo no ultimo bilhão de anos. Este encontro desencadeou um grande “starburst” na galáxia maior. Um processo semelhante pode ter (ou estar...) se desenrolado entre a nossa Via láctea e a galáxia anã de Sagitário.
            Um composite feito pelo Telescópio Subaru localizado no topo do Mauna Kea no Havaí revelou uma corrente ligando as duas e mostrando a destruição ou absorção da irmã menor pela maior. Canibalismo e incesto galáctico. Nem Douglas Adams imaginou nada assim...
            Ngc 4449 gerou divergências entre vários leitores do Newsletter com relação a fazer parte ou não do grupo local. Situada a 12.000.000 de nos luz esta estaria além do grupo local. Mas vai saber.
            O que importa é que 4449 é visível para astrônomos amadores com telescópios relativamente modestos. Brilhando com magnitude 9.4 e com uma área pequena seu brilho de superfície a torna acessível a telescópios pequenos.
 Localizada na constelação de Canis Venatici (Cães de Caça) e próxima a Beta Canis a navegação até ela é relativamente simples. Já avista- la é uma outra historia.
Ela se encontra quase que exatamente no meio do caminho na linha que liga Beta Can (Chara) a M 106.  O Stellarium indica uma estrela de 5a magnitude a menos de 30´ de Ngc 4449. Não achei. E o Cdc não concorda com a existência desta estrela fantasma. Mas o espírito que habita a região é 4449. Preste atenção pois é um esfuminho bem pequeno.
É um objeto com grande valor cosmológico que no momento esta consumido uma galáxia satélite e que provavelmente passa por uma grande onda de natalidade estelar devido a este encontro...
      Céus escuros vão ajudar. A sua parceira sendo consumida (4449 b) não apresenta registro de observação por astrônomos amadores.
           Ache Ngc 4449 e você poderá ver uma galáxia canibal ao vivo (e em preto e branco...).

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Mascara de Bathinov


Na longa caminhada para me tornar um astro fotografo melhor  descobri que um dos maiores desafios que se apresenta nesta missão é você conseguir foco em suas fotos.
Ao apresentar alguns dos primeiros resultados em um fórum de astronomia (Cloudy Nights) fui lembrado disto.
Rod Mollise atestou que os grandes desafios para o astro fotografo são alinhamento polar, acompanhamento e foco.
A idéia de uma mascara Bathinov foi apresentada e logo me interessou. Este é o tópico:
A mascara Bathinov consiste de um disco de material opaco que é colocado sobre a objetiva do telescópio e que possui um padrão  elaborado por seu criador; o astro fotografo amador russo  Pavel Bathinov.  Seu uso foi amplamente divulgado no Cloudy Nights por Dennis Sakva.
Existem outras mascaras utilizadas para o mesmo fim, sendo a Mascara de Hartman a mais famosa. A vantagem da Bathinov é indicar qual a direção em que se encontra o foco. Ou seja, se você se encontra antes ou depois da distancia focal já que o padrão de spikes vai indicar em que direção você deve ir.
O uso e efeito da Mascara pode ser claramente visto Aqui  http://www.spike-a.com/

 O site ainda oferece a possibilidade de comprar uma mascara Bathinov feita sob encomenda para seu telescópio.
Como foi dito o Nuncius Australis pretende realizar astrofotografia do jeito mais difícil. Sempre mantendo os custos baixos...
Então vamos lá.
Como construir uma mascara Bathinov com material facilmente obtido em sua casa e sem gastar nenhum centavo.  Esta foto que me foi apresentada no mesmo tópico me serviu de inspiração.
Primeiro você deve obter um gabarito. Visite este site:  http://astrojargon.net/MaskGen.aspx

  Entre com as dimensões referentes a seu telescópio. Ele vai gerar o tal gabarito.
 O arquivo será  svg. Não se desespere. O Google Chrome vai fazer o truque e abrir a bagaça. O Explorer não. Nem nada que eu possuía na maquina (Photoshop, Image Ready e adobes em geral...).

Imprima o Gabarito e corte o papel em volta dele da forma mais precisa possível. Eu usei a tesoura de minha filha.










Agora cole ele sobre uma cartolina ou um papel mais “encorpado. Serve caixa de cerveja, Pôster, caixa de pizza. Eu utilizei um folder de um evento... Novamente roubei a cola da criança. Lembrem-se: custo zero...







Depois recorte este e deixe uma pequena sobra. Tentem ser precisos e manter as coisas o mais “redondas” e no esquadro o possível.









Com um estilete recorte o padrão que esta no gabarito. Com cuidado... Eu que não nasci para cirurgião e nem dentista consegui...









Depois de uma hora, mais ou menos, você vai ter sua Mascara Bathinov.


Posteriormente pintarei tudo com tinta spray preta.







Eu uso fita crepe para fixá-la no telescópio.

















Depois é só apontar para uma estrela brilhante e obter um foco preciso. Depois trave o focalizador e de seu jeito para centralizar NGC 1947 ou qualquer outra coisa que evidentemente você não vai estar vendo pelo view finder ou mesmo pela buscadora. Retire a mascara.
E boa sorte...

Agora se quiser saber mais sobre o assunto visite este tópico do Cloudy Nights.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

A Luneta de Lacaille




Nicholas Louis de la Caille, o Abbe Lacaille, é um dos astrônomos mais queridos do Nuncius Australis. Apesar de ter detestado a cidade do Rio de Janeiro, que é tão querida a este que vos escreve, ele não deve ter mentido. Os odores que a cidade exalava no período que este esteve por aqui (o Verão de 1751) não deveriam realmente ser os mais agradáveis. E como eu sei a temperatura pode de fato ser excruciante. Seu observatório durante o período fica na atual Rua do Rosário...

Mas o nosso irritadiço e afrescalhado abade (ele também reclamou de enjôos que sentiu durante cada momento que passou no Le Glorieux, navio que o trouxe até aqui) realizou uma tarefa hercúlea e de uma forma bastante difícil. Possuo diversos amigos que diriam ser impossível realizar tanto com tão poucos meios.

Lacaille nos deixou como herança uma família inteira de constelações. Das oitenta e oito constelações ocidentais modernas ele estabeleceu 13 (14 se considerarmos Bussola).

A família Lacaille consiste em:

• Norma – O Esquadro

• Fornax – A Fornalha

• Circinus – O Compasso

• Microscopium – O Microscópio

• Sculptor – O Escultor

• Caelum – O Buril

• Mensa – A Mesa

• Reticulum – O Reticulo

• Pictor – O Pintor

• Antlia – A Bomba de Ar

• Telescopium – O Telescópio

• Horologium – O Relógio

• Octans – O Oitante



Dividiu ainda a antiga constelação de Argus, o navio, em três partes: popa, Vela e Quilha.

Para tal feito ele catalogou e localizou mais de 10.000 estrelas do então ainda muito desconhecido céu austral.

E não bastando isto ainda elaborou um catalogo com diversas estrelas nebulosas, muitas das quais desconhecidas.

Mas isto não é nada. Ele fez tudo isto com Lunetas com apenas ½ polegadas de diâmetro. Algo como 12,5 mm. Aproximadamente. No espaço de dois anos e habitando o que viria a ser a moderna Cidade do Cabo. Pesquisando posteriormente descobri que embora existam controvérsias sobre o quão modestas eram as lunetas que Lacaille possuía durante a viagem estas não ultrapassavam, com certeza, mais que 30 mm de diâmetro. Menores que minha buscadora...

A buscadora ao fundo é uma Skywatcher 6x30mm
Nunca entendi como uma expedição cientifica tenha ido tão longe com equipamento tão modesto.

Mas isto ia mudar e eu ainda ia entender a curiosa classificação que Lacaille fazia de nebulosas. E ia ver meu respeito pelo abade crescer ainda mais...

Caminhando por uma pequena transversal que liga o Boulevard St. Germain, uma das ruas mais animadas de Paris, a avenida que passa na Beira do Sena, na Rive Gauche, passo por uma discreta loja .Che Homa , Atelie de Ambiance. Ele produzem muitas das peças expostas . Misturam antiguidades com decoração. Eu que ia apressado rumo ao Museu d`Orsay e com minha cabeça já no terreno do impressionismo nem reparo. Um amigo me chama a atenção e volto para ver uma pequena luneta que esta na vitrine. Pronto. Fui fisgado.

A pequena Luneta, de latão, e com uma objetiva  de uma polegada de diâmetro me lembrou imediatamente do Abade.

Venho trabalhando (agora a mais de um ano) em um livro que tem como tema o antigo catalogo e vi ali a oportunidade de ter uma idéia do trabalho monumental realizado por Lacaille.

Tive na minha infância uma luneta de plástico muito modesta. Era uma “coisa” semelhante ao objeto que via. Porém agora o que eu olhava me lembrava mais uma pequena jóia que um brinquedo chinês e feito de plástico.

Entrei na loja e enquanto minha esposa e uma amiga fuçavam todos os cacarecos decorativos disponíveis eu namorava a luneta. Não era cara. Nem barata. Eur$ 50,00.

Percebi que não apresentava quase nenhuma magnificação (+- 3x). Mas as imagens se tornavam bem mais claras que a vista desarmada. A mecânica dela é bem acabada e os tubos correm macios uns nos outros . O acabamento em couro  me atrai. É macia para se manipular. Conseguia perceber detalhes em uma vitrine do outro lado da rua. Minha esposa da um empurrãzinho dizendo que vai ficar linda na estante ao lado do relógio que ela comprara e eu me dou por vencido. Ela é menor que minha buscadora 6x30mm. E com uma distancia focal mínima.

Na mesma hora a batizei: “A Luneta de Lacaille”

Só a retiro da embalagem quando chego no Brasil. Veio bem embalada e escondida dentro da mala. Plástico bolha e etc...




Quando finalmente olho através dela, em direção a Alpha e Beta Centauro, vejo o achado que tinha feito e ao mesmo tempo tenho o choque de como o Abbe era um homem com olhos muito especiais.

Seu campo é bem amplo e consigo perceber claramente Alpha e Beta. Mas aí vem a surpresa. Uma pequena estrela. Daquelas que não faz foco. E mexo para lá e para cá e nada de foco. Mas Alpha esta lá. Focalizada.

- Meu deus! É 5662.

O aglomerado aberto NGC 5662 é uma descoberta original do Abbe. E é incrível que ele tenha percebido sua natureza diferente das outras estrelas dentro do campo com tão modesta visão. Catalogado como Lac III 8 Lacaille o considerava uma estrela com nébula (a categoria III do seu catalogo). As classificações utilizadas pelo Abbe tem apenas significado histórico, mas suas descobertas (quase todas) se revelaram DSO´ S genuínos.

Aproveito a posição e inspeciono o Cruzeiro. Outra estrela enevoada se apresenta. Esta eu sei logo de cara que é a visão mais modesta que já tive da Caixa de Jóias ( Ngc 4755) . Mas esta lá.

E a pequena luneta passou a integrar o equipamento que utilizo nas observações do Catalogo durante a realização da pesquisa para meu livro. Acredito que vá ajudar em muito no entendimento das descrições do próprio Lacaille.


E a Luneta de Lacaille ficou, de fato, linda compondo a decoração da estante da sala.


terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Cassiopéia : A Rainha Boreal

Cassiopéia é uma constelação boreal por excelência. Melhor observada durante os outonos ao norte do equador.Na verdade circumpolar para os habitantes de latitudes boreais mais elevadas. Aqui de meu observatório austral ela nunca supera mais que 10º 29´ de elevação. Isto falando de Shedar (Alpha Cassiopéia) que é a que passa mais alta no horizonte norte. Assim sendo completamente inviável aqui de perto do Trópico de Capricórnio. Desta forma apresento o mapa deste post como se eu habitasse o Ceará.

Só observei esta constelação de latitudes boreais, mas os belíssimos campos estelares que habitam esta região fazem desta pequena constelação encravada na via láctea uma jóia. Eu não posso deixar de imaginar um paralelo com o Cruzeiro do Sul. Uma escondida dos habitantes do Norte e outra do Homo Australis... Duas pequenas constelações que representam os segredos de dois lados opostos da galáxia...

Cassiopéia é uma constelação cheia de história. E um dos membros da família real da Etiópia que se encontram emoldurados no céu. Junto com Cepheus e Andrômeda protagoniza uma famosa história que envolve diversos membros da família das constelações e é roteiro de filme. Fúria de Titãs.

A bela e fútil rainha se disse mais bela que as Ninfas do mar e o pai destas (Posseidon) não gostou de tanta presunção. Para evitar uma tragédia maior seu marido dá sua filha, Andrômeda em sacrifício. O final a história é feliz e envolve ainda vários outros membros da família celeste.

Agora voltando a nossa rainha vou apresentar a constelação e seus DSO´S. Como o Nuncius só teve a oportunidade de visitar seus campos com o uso de binóculos vou fazer uma lista (parcial) dos diversos aglomerados galácticos qua habitam esta pequena e rica área do céu. E depois vou apresentar suas cinco maiores atrações (a meu ver...). Desta forma posso garantir que os alvos apresentados se encontram ao alcance de pequenos telescópios e de binóculos 10x50mm. E de quebra um brinde: uma estrela dupla que vai demandar grandes ampliações e um bom seeing para apresentar-se.

Eta Cassiopéia é visível a olho nu e ao telescópio revela-se uma dupla de cores contrastantes. Sua primaria avermelhada e sua companheira mais fraca amarela. A quem diga que percebe um toque de verde. Eu não vi.

A lista de aglomerados abertos é bem extensa: NGC 129, 225, 436, 457, 637, 654, 659, 663 e 7789.

E mais dois membros do Catalogo Messier: M 52 e M 103.

E isto é apenas uma parte dos aglomerados abertos que habitam a região. Segundo fontes (Turn left at Orion) a constelação possui mais de 24 aglomerados em suas fronteiras.

NGC 654, 659 são bem apagadas e demandam céus muito escuros para serem observadas. Creio que não sejam visíveis para pequenos telescópios da Terra Brasilis... Nem para binóculos mesmo em condições ideais, pois os cacei debaixo de céus bem escuros e muito ao norte do equador e não vi nada...

Ngc 7789 é um desafio binocular. Incluo-o na categoria de “espíritos”.



Curiosamente as duas grandes estrelas da constelação não são as entradas de Messier em seu catalogo. Levam a coroa NGC 457 e 663. E logo atrás viria NGC 129. E só depois chegaria a vez de M 52. E fechando o conjunto da obra à discreta entrada de numero 103 do catalogo Messier.

Na verdade M 103 passa facilmente despercebida devido a sua proximidade com Ngc 663 que rouba a cena. Como observei a constelação apenas de binóculo ambas se encontram dentro do mesmo campo ocular e O NGC rouba completamente a cena.

Algum lugar em Cassiopéia...  1exp.10 seg 75mm F4

De qualquer forma um passeio pela região com binóculos é um belíssimo exercício devido à grande quantidade de “esfuminhos” que se escondem em uma área riquíssima de estrelas na via láctea.

Agora saber quem é quem um exercício difícil. E muito divertido.





sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

De volta ao Sul - Log de 3 de Fevereiro 2012

Apesar da lua a primeira sessão de observação com o Vanguard 10x50 abaixo do equador Foi surpreendente. O Novo binóculo revelou diversos esfuminhos que sequer eram possíveis de se suspeitar utilizando o Sumax.


Navegando por um céu conhecido e com o uso de todas as técnicas que conheço (averted vision, balançar o binóculo, respiração e etc...) ele revelou diversos DSO que são desafiadores em céus urbanos e especialmente com a presença da lua.

Este log. pode ser considerado um post-scriptum da avaliação que apresentei no ultimo post.

Já de madrugada resolvo aproveitar que os vizinhos já tinham encerrado suas funções e aproveitar a boa transparência que o céu apresentava.

Começo pelo Cruzeiro. Tudo no lugar. Percebo a caixa de Jóias e seu shape triangular. Noto que a noite esta boa. Resolvo forçar a barra. E com paciência percebo de forma discreta vários aglomerados galácticos que existem na constelação. Todos bem discretos e alvos binoculares difíceis. NGC 4609 na borda do Saco de Carvão se faz presente. Ngc 4349 idem. Alvos difíceis. Quase um espírito...

Depois o Centauro. Omega sempre faz uma graça e começo por ali. Bem melhor que no Sumax. Percebe-se alguma granulosidade.

Escondido abaixo de Beta Cen NGC 5281 também comparece. Apesar de sua magnitude é bem discreto e raramente o percebo no Rio. Mas bem presente com averted.

Outro desafio esta em Musca e o novo binóculo não desaponta. A pequena estrela enevoada não deixa duvida. Ngc 4833 um dos globs mais austrais.

Parto para Carina e aí é festa. Eta Carina e a nebulosa, Plêiades do Sul e Ngc 4766 em um rápido passeio.

Encerrando os clássicos próximos ao Falso Cruzeiro. IC 2391 (que gosto de chamar de a Pequena Cassiopéia) e Ngc 2516 com bastantes detalhes.

Um belo retorno ao céu austral e bastante satisfeito com a nova aquisição...



quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Vanguard 10x50



                Em uma visita a Maison de L´Astronomie, situada na Rua Rivoli 33 (bem próxima ao Museu do Louvre) comprei um binóculo Vanguard 10x50. 
                Cercado de Fujinons, Nikons, Leicas e Swaroskis e etc... ele era a ovelha negra da loja. E também o único que cabia em meu orçamento. Eur$ 99,00. 
                É um Binóculo porro prismático, Bak 4. Suas imagens são muito claras e definidas. Carrega a sina de ser Made in China...
                   O Vanguard é facilmente encontrado no Brasil .
                Em observações diurnas, usando o Sumax 10x50 como comparação, ele suplantou o meu antigo favorito em todos os quesitos. As imagens sempre mais claras e melhor definidas. O foco mais fácil e bla bla bla...
                Em Paris a observação astronômica é possível, mas não é exatamente o que se pode chamar de “piece de Resistance”.
                Em sua missão-turístico-astronômica o Nuncius Australis achou melhor abandonar a Cidade Luz para testar sua nova aquisição. A próxima perna da viagem era mais promissora. O sul da França prometia céus mais escuros. E Assim foi.
                A próxima parada foi em Grasse. Próxima a Cannes a antiga cidade é conhecida como a capital do perfume. E apresenta um céu bastante honesto (Bortle 4) .
Com tudo de cabeça para baixo e um monte de constelações novas para explorar me dispus a sair do apartamento de minha cunhada com um frio de rachar e caçar um canto escuro no condomínio para testar a nova peça.
O binóculo apresenta excelentes características e o anel de foco central é bem justo. Assim como a dioptria (somente no olho direito). Um pouco pesado para um 10x50. Atribui isso a uma possível ótica mais apurada que o meu querido Sumax.
Seu corpo é emborrachado e ele se diz” weather resistant” ( resistente ao clima).A empunhadura é confortável. Mas devido ao frio a condensação vai me perseguir ao longo de toda viagem. Mantinha sempre o bino dentro de meu casaco quando não observando. Apresenta um bom eye relief e o utilizei com e sem óculos. O uso de lentes não chega a atrapalhar o usuário. 
Para começar os trabalhos recorro a constelações bem conhecidas e começo a gostar da brincadeira. Com Orion e Auriga muito altos no céu (o céu aqui é diferente...) rapidamente reconheço todos os clássicos. M42, M36, M37, M38 e mais varias “fuzzies” do NGC que não me dou a trabalho de tirar a limpo.
A seguir M45 mostra toda a potencialidade do no Binóculo. Dezenas de estrelas se revelam e praticamente lotam o campo de 7 graus do Vanguard. A posição muito alta da Pleyades nesta latitude deve colaborar mas eu nunca a tinha visto tão rica. O novo brinquedo marca vários pontos.
As Hyades também se mostram “a vero”. Grandes aglomerados abertos são o máximo no Vanguard. Seu campo grande, de 7º, mostra-se muito útil.  
Agora as novidades.
A próxima parada é em Valberg. O pequeno vilarejo encravado no Departamento do Alpes Provençais é conhecido como o porto de entrada para o Parque de Mercantour. Não vou falar mais sobre céu escuro. ( Talvez um pouco...) 
Depois de subir uma pequena encosta e me afastar das luzes do vilarejo parto para as novidades.
A Ursa maior é a constelação boreal por excelência. “Le Cassaroule” é como é chamado por aqui um dos asterismos mais famosos de todos. O Arado em português. Big Diper para os americanos. The Plough para ingleses.  É a parte mais conhecida da constelação.
Mizar e Alcor foram o primeiro par estelar registrado.  Fiz a mesma coisa. Fácil.
A fim de deixar os olhos se adaptarem ainda mais parto atrás dos Aglomerados abertos de Cassiopéia. A rainha é outra constelação boreal tradicionalíssima. M 103 é obvio. Mas não resolvo.  NGC 129 idem. Os campos estelares são incríveis e percebo tantas “fuzzies” que não consigo nem contar. Realmente um pedaço riquíssimo da via láctea.
Algum lugar em Cassiopéia
Volto para a Ursa Maior. E agora vou mais longe. M81 é bastante obvia e com averted percebo também M82. O céu do Mercantour é realmente impressionante.  A NELM (naked eye limit magnitude) era facilmente de 6.5. Provavelmente mais. O Vanguard se aproveita disso e faz bonito.
Na outra noite, bem mais cedo, capturo M33 como nunca antes. A galáxia se estendia pelo campo do binóculo e se apresentou melhor que em qualquer observação telescópica que já tenho feito desta galáxia com baixo brilho de Superfície. M 31 era claramente visível a olho nu e consegui perceber claramente M32 e M110 com o uso de visão periférica (Averted vision). E nem estavam no meridiano. 
Um bom binóculo. E com o auxilio de céus de cristal ele mostrou ser uma grande aquisição para a coleção.

P.S. Pé de Boi . Descolimou depois de algum tempo. Mas foi bem maltratado...