sábado, 17 de novembro de 2012

IC 418- A Nebulosa do Espirógrafo

Hubble


            
             Esta nebulosa planetária é muito mais conhecida por suas fotos, em cores falsas, feitas pelo Hubble em 1999 do que por sua verdadeira aparência.
            Membro do Catalogo IC (Index Catalog) compilado por Dreyer entre 1888 e 1907 a maioria dos amadores supõe que esta seja de difícil visualização. Não deixa de ser uma hipótese razoável. A maioria das Nebulosas Planetárias do catalogo IC assim o são.
            Mas trata-se de um terrível preconceito. IC 418 não só esta ao alcance de pequenos telescópios como apresenta alguma cor mesmo em aparelhos bastante modestos.
            Nebulosas Planetárias são os restos de estrelas semelhantes ao nosso sol.
O termo “Nebulosa Planetária” se deve a um mal entendido.
Devido à semelhança visual entre Urano e estes escombros estelares Herschel fez um “melê astronômico linguístico”.  E como ele é o descobridor de Urano e de algumas das primeiras nebulosas planetárias catalogadas não é preciso dizer que o nome pegou...
            Mas devido  ao preconceito com relação ao catalogo IC  o disco que brilha com magnitude 10.7 permanece pouco visitado pelos astrônomos amadores nas noites do verão austral. Provavelmente devido a tanta riqueza no céu do  período. Faço questão de avisar aos incautos que trata-se de um tremendo desperdício. Mas até mesmo o próprio Herschel, em seu sistemático levantamento, deixou IC 418 passar despercebida. Coube a Dreyer identificar esta joia escondida na modesta constelação de Lepus, a Lebre.
            Situada ao pé de Orion a modesta constelação carrega diversos DSO`s em seu campo...

            Para localizar IC 418 parta de Rigel (Beta Orion). Ao sul desta você vai localizar um paralelogramo formado pelas estrelas Iota, Kappa, Lambda e Nu Leporis. Todas entre 4ª e 5ª magnitude. Trace uma linha entre Iota e Nu. Depois dobre esta distancia rumo a leste. No caminho você vai avistar HIP 25353 de 6.5 magnitude. IC 418 estará a aproximadamente 35´ a leste. Com minha 25 mm consigo ter ambas no mesmo campo com folga. Prestando atenção você vai perceber que IC 418 se apresenta com um pequeno disco. É o suficiente para diferencia-la das estrelas no campo. Um leve desvio para o verde poderá ajudar na tarefa.
            Assim que localizar a nebulosa utilize a maior magnificação que o seeing suportar. Nebulosas planetárias suportam bem magnificação.
Em meu bloco de notas localizei a seguinte descrição:
 “... utilizando 240 X percebo um pequeno e brilhante disco.     Não percebo cor. Acinzentado. Não percebo nenhuma estrutura, mas o centro levemente mais escuro leva a supor alguma estrutura anelar (a La M57). Estrela central discreta, mas evidentemente presente. (12ª mag.?)”.

Utilizando menos magnificação percebo um brilho esverdeado na nebulosa.
Qual a cor de IC 418?
Na famosa foto do Hubble ela apresenta um anel alaranjado que se funde em um disco algo violeta. E Uma estrela esbranquiçada no centro.
São cores falsas que visam acentuar o contraste e apresentar a estrutura que batiza a nebulosa. A única coisa que lembra o que eu vi é a cor da estrela central.
Segundo Harrington os observadores parecem não chegar a um acordo. A maioria parece concordar que ela se apresenta acinzentada com um leve desvio para o verde. Outros destacam um desvio para o rosa ou o vermelho. Parece que quanto maior o telescópio mais avermelhada fica a paisagem.
Como percebi é lógico que a magnificação tem um papel importante na aparência. Quanto mais ampliação menos cor...
O mesmo Harrington avisa para manter a magnificação abaixo de 175X se você pretende perceber os “traços” carmines na Nebulosa  e que lhe emprestam outro apelido: Nebulosa Framboesa.
Não percebi esta característica nem mesmo usando 120X. E com 60X ela se tornou quase estelar.  
È uma descoberta original de Dreyer e faz parte da Primeira edição do Index Catalog. Mas não consegui descobrir o ano da descoberta. Consta ainda do catálogo Pickering  (Pk).

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