terça-feira, 31 de agosto de 2010

Binoculo Super Zenith 20x50mm



Passeando pele Feira de Antiguidades da Gávea , Domingo 29 de Agosto, encontrei um binóculo russo Zenith. Mais conhecida por suas robustas cameras fotográficas a fabrica russa apresenta também tradição na construção de Binóculos. Apesar de encontrado em meio as antiguidades o binóculo é novíssimo e se encontra em sua caixa protetora original. Apresenta grande magnificação (20x) e uma qualidade óptica boa. De construção sólida ( uma tradição russa) não apresenta nenhum tipo de jogo e apresenta um mecanismo de foco sem nehnhuma folga. Seu campo de visão é de 3 graus . Bem apertado para um binóculo. Isto permite a grande magnificação A sua saida pupilar é bem justa e seu uso com óculos não é ideal. Seu campo de visão é de 3 graus.
 Suas oculares poderiam ser de melhor qualidade.

Na segunda feira o céu deu a chance esperada para um teste de campo. O Binoculo mostrou suas potencialidades apesar da transparencia do céu não ter estado das melhores. Em uma rápida sessão ele mostrou seu poder de fogo resolvendo diversas estrelas no Aglomerado da caixa de jóias e dividindo Acrux e sua companheira. Um feito invejável para um binóculo de 50mm. O Sumax 10X50 nunca resolveu a Caixa de Jóias da mesma maneira ( evidentemente a magnificação faz diferença.)

Em uma rápida escaneada em volta dos apontadores diversos pontos nebulosos ( todos Aglomerados abertos) foram percebidos como pequenas nebulosas. Campos estelares próximos a Alpha Triangualo Australis foram observados e o binóculo se revelou bastante poderoso. Observando Venus não percebeu nenhum tipo de aberração cromática.
Mais tarde Escorpião se apresentou na janela de observação e foi possivel realizar uma boa sessão . Utilizando simultaneamente o Sumax 10x50 e o Novo Zenith foi possivel perceber a grande qualidade optica do novo aparelho bem como o poder de magnificação do mesmo. Primeiro alvo: M4 . Facilmente notado no Zenith é uma presença menos notavel no Sumax. Ainda que tenue foi percebido com visão direta no russo . O Sumax só permitiu sua percepção com visão periférica , também devido a seu grande campo de visão. A seguir Ngc 6231 e Zeta Scorpio. O Zenith separa bastante as componentes de Zeta e resolve estrelas no aglomerado. É uma bela visão.
M7 se resolve em muitas estrelas ainda que não completamente.Em M6 resolvem-se poucas estrelas , embora não se perceba o formato tipico de borboleta que batiza o aglomerado. M62 é uma achado mais dificil. Uma pequena estrela fora de foco. Mas estava lá. Somente no Zenith. Uma grata surpresa.
O peso do binóculo e seu pequeno FOV. permite seu uso com mão desarmada porém uma posição que permita boa estabilidade se faz necessária . Gostei de utiliza-lo recostado ,podendo utilizar as pernas para estabilizar o binóculo melhor. O Nuncius aguarda ansioso pela opurtunidade de leva-lo a um posto avançado e testa-lo sob céu verdadeiramente escuro.
O Nuncius está muito feliz com a nova aquisição para o observatório. Os binóculos da Zenith embora sem distribuidores fixos pode ser encontrados esporadicamente em alguns importadores. São uma boa aquisiçaõ mesmo usados . O Nuncius tem o contato para mais um disponivel junto á um amigo que possui um circa 1960 porém em excelente estado. O preço pode oscilar entre 100 e 300 reais...

Pontos altos- Solidez, preço e capacidade de resolução.

Pontos Baixos- Eye relief, ocular.

P.S. Com o uso, o pequeno campo  de 3 graus , se revela um pouco restritivo. Para localização de objetos mais tênues ele é um limitador já que dificulta o uso de visão periférica. O Uso de tripé melhora isto.  As imagens são relativamente escuras . A lente se revela bastante reflexiva e com isto é um binoculo escuro. Utilizo ele atualmente mais para observações diurnas.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

AstroLog 24 e 25 de agosto

Apesar da lua cheia o Nuncius resolveu fazer uma rapida inspeção na area de Escorpião ( dia 24 ) e junto a Alfa e Beta Centauro(dia 25)
Utilizando o binoculo 10x50.

No dia 24 conseguiu a muito custo observar com visão periférica M7 e M6 . Sem resolver estrelas. Muito apagados devido a lua e a poluição luminosa no horizonte sudoeste. M4 não foi confirmado. Uma vaga luminosidade porém não posso afirmar ter percebido de fato o globular.
Dia 25 olhando para o horizonte sul pude vislumbrar ainda que de forma muito tenue NGC 5281 , mais um do catalogo Lacaille ( faltam somente 7 objetos para o Nuncius completar o catalogo). Bem tenue. dentro do mesmo campo se percebe também NGC 5316. Ambos com visão periférica. Em uma rapida olhada junto a Alpha do Centauro , também com periférica, percebi o já conhecido NGC 5662.
NGC 5617 apareceu apenas como suspeita bem próxima a Rigel Kentaurus ( Alpha Cen,)

Uma rapida sessão com condições bem adversas.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

O Catalogo J.E.S.S. de Objetos Estelares

A Cosmologia de José Eustaquio

Como já devem ter notado Silvano Silva, o padre, era um letrado estudante do céu. José Eustaquio o conhecia de fato. Era o primeiro um intelectual. O segundo um sábio. Curiosamente Dom João é o autor da obra que hoje se torna conhecida como o “Catalogo J.E.S.S. de Objetos Estelares”. A obra que me foi deixada por meus antepassados consiste nos manuscritos desorganizados deixados por Silvano Silva. Esta é a razão de ter eu colocado suas inicias (S.S.) no nome do catalogo.
Um dos textos mais confusos deste legado trata de como Dom João Silvano e Silva organiza a forma como seu colega organiza e compreende as coisas que eles caçam pelos céus. Como o caro leitor já deve ter percebido o nosso querido José fazia constantemente associações entre os corpos celestes e o mar. Claro que ele tinha um entendimento muito mais complexo do céu que isto. A partir daqui conto a história como contada por Dom João. Permiti-me transformar seu português arcaico em um mais contemporâneo e menos “empolado”.
“José sempre me diz, ao inicio de nossas jornadas, qual o tipo de pesca que vamos realizar. Eu já acostumado sei o que me aguarda. Cardumes, Tocas e Parcéis são seus objetos. Isto quando conversamos junto a telescópio. Porém em suas notas (ele as possui) ele utiliza outro sistema. Esta é a parte secreta de sua cosmologia.
JOSÉ É UM PECULIAR ESPECIME DE HOMEM (como grafado por Dom João). Não sei como, mas ele possui um conhecimento acadêmico que ele não pode ter. Ele certamente conheceu Hodierna. Mas isto é impossível.
Giovanni Batista Hodierna nasceu em 1597 e faleceu em 1660. Meu colega teria que ter mais de 100 anos. Eu que sou homem de grande saber o conheço e vi sua obra. Hodierna foi astrônomo da corte do Duque de Montechiaro e escreveu uma bela obra: ”De Admirandis Coeli Characteribus”. Neste tratado ele apresenta 40 objetos nebulosos. Era um homem com aparelhos simples com cerca de 20 vezes de magnificação. Eu e Messier só confirmamos 19 de suas entradas. Mesmo assim é um grande feito. De alguma forma José conhece todos estes objetos e eu sei que os classifica da mesma forma que Hodierna em suas anotações.
Luminosae- Estrelas (conjunto) visíveis a olho nu
Nebulosae- Nebulosas a olho nu, mas que se resolve em estrelas ao telescópio.
Occultae- Não se resolvem nem mesmo ao telescópio.

Curiosamente meu amigo escreve em latim estes termos. Outra incrível semelhança é que assim como Hodierna ele acredita que todos os objetos que vemos são formados de estrelas. Nós é que não conseguimos resolver alguns grupos em detalhes.
È a partir destas premissas que José define então de sua forma natural os objetos. Todos os dois primeiros grupos ele classifica como cardumes. Os objetos que ele percebe somente como nebulosos ele divide em dois grupos. Tocas são objetos nebulosos com forma perfeitamente arredondada ou quase. Objetos com outras formas ele classifica como parcéis.”

Este texto é tudo que consegui extrair da garranchada deixada por Dom João. O bom padre foi se tornando um grandíssimo bêbado e o parte final de sua grande obra, como ele chamava suas memórias, é bastante confusa.
De qualquer forma é importante para elaboração do catalogo J.E.S.S. ,que só possui o complemento "de Objetos Estelares" em seu titulo devido ao respeito a esse entendimento por parte de José.
Giovanni Batista Hodierna é um astrônomo bastante obscuro e o conhecimento deste por Dom João é muito estranha. Nada leva a crer que Messier tenha conhecimento de sua obra. Seu catalogo foi publicado em Palermo em 1654. Na verdade como a segunda parte de uma obra mais ampla (pouparei vocês e eu do nome em latim): Sobre a sistematização da orbita dos cometas e sobre os admiráveis objetos do céu.
Este trabalho foi posteriormente acrescentado como uma espécie de apêndice ao trabalho de Lalande ‘Bibliographie Astronomique’ em 1803. Jerome de La Lanche é outro obscuro astrônomo. Desta vez Frances.

Entre os objetos verdadeiros descritos por Hodierna, portanto parte do catalogo J.E.S.S. estão:
Luminosae ou Cardumes:
M45 – As Plêiades
Hyades (Mel 45)
O Aglomerado de Coma Berenice (Mel 111)
O Aglomerado de Alpha Persei (Mel 20)
M42 – Classificada como Nebulosae por José Eustaquio.
NGC 6231-Próximo a Zeta Scorpio.

Nebulosae ou cardumes
M44 – O presépio em Câncer
M7- O aglomerado de Ptolomeu.
NGC869 / 884 – Em Perseu (este não faz parte do catalogo J.E.S.S)
M6- O aglomerado da borboleta em Escorpião.
M8- A nebulosa da Lagoa. José considerava um parcel no dia a dia. É provável que Hodierna só percebesse o aglomerado aberto Ngc 6530. Este ilumina a nebulosa.
M36, M37 e M38- todos em Auriga. Provavelmente descobertas originais de Hodierna.
Cr 399- O Aglomerado do Cabide. É na verdade um asterismo

Occultae ou Parcéis.
M31- Dispensa apresentações...

Diversos destes objetos são descobertas originais de Hodierna. A questão é que o trabalho do amigo ficou perdido durante anos e só foi resgatado, de fato, recentemente. O trabalho de Hodierna pode ser encontrado na Net no seguinte site
http://xoomer.virgilio.it/fdemaria2/pag1.html.

Esta em Latim. Porém podem lhe encaminhar para uma tradução para o italiano.



Este é um desenho de M42 deixado por Hodierna.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Efemerides

7 de Agosto -Mercúrio em sua máxima elongação - 27o do sol
10 de Agosto - Lua nova. Lua no perigeu, menor dist. da terra 357.857 km da terra
12 de Agosto - Máxima da chuva de Meteoros Persidios. Visível no horizonte norte no amanhecer. Previsão de 50 - 100 meteoros hora
13 de Agosto - Alinhamento Lua, Saturno , Marte e Vénus
20 de Agosto- Vénus em sua maior elongação . 46o do sol (vesper)
24 de Agosto- lua cheia. Apogeu 406.389 km da terra

terça-feira, 3 de agosto de 2010

NGC 4755 - A Caixa de Jóias



     O aglomerado de Kappa Crucis ( Cruzeiro do Sul) é um brilhante e espetacular aglomerado galáctico. Um dos mais belos e chamativos do hemisfério sul.

     Extremamente fácil de ser localizado  será facilmente visível pela sua buscadora no mesmo campo que Beta Crucis ( também conhecida como Mimosa é a estrela que marca o braço leste do Cruzeiro do sul). A caixinha se apresenta obvia para qualquer buscadora otica. Um discreto triangulo de estrelas com dois "apontadores". HIP 62732 juntamente com  HIP62646 forma estes apontadores e juntamente com o triangulo propriamente dito são facilmente percebidas com minha pequena 6X30. HIP 62732 é uma variável também conhecida como DS Crux. Os "apontadores" não são membros do aglomerado...



 
 




  Seu nome popular , Caixa de Jóias, é derivado de Sir John Herschel, que disse que aquele aglomerado lhe produzia a impressão de estar frente a uma soberba peça de joalheria.  Cerca de 50 membros mais brilhantes estão comprimidos em um espaço de cerca de 10´de diâmetro , o que representa algo como 25 anos luz . Sua area total se aproxima de 50 anos luz.
 
   O Aglomerado foi "descoberto"  pelo sócio do "Nuncius Australis".   O Abbe Lacaille . Em seu levantamento dos céus Austrais relizado na Cidade do Cabo entre 1751-52. Respondia pela entrada Lac II. 12 de seu catalogo . Sua categoria II indica aglomerados com nebulosidade. Com aparelhos oticos mais eficientes que as pequenas lunetas de Lacaille o aglomerado se resolve na integra e não apresenta nebulosidade envolvida.
       
      As estrelas mais brilhantes são super gigantes e incluem algumas das estrelas mais luminosas conhecidas em nossa galáxia.Das 10 mais brilhantes 9 são do tipo B.  A estrela mais brilhante do aglomerado brilha como 80.000 sóis.
    A luminosidade de suas estrelas foi calculada por Radcliffe . Segundo seus estudos, ha informações discrepantes na literatura.
      A região apresenta muito poeira inter estelar o que torna difícil calcular a  distancia e a magnitude real de suas estrelas. São aceitas  distancias entre 8000  e 5.500 anos luz .   
     NGC 4755 é um dos aglomerados mais jovens conhecido e é comparável em idade e tipo ao famoso duplo aglomerado em Perseu. A presença de super gigantes super brilhantes indicam uma idade de poucos milhões de anos. A presença de super gigantes vermelhas indica que estrelas muito massivas já estão chegando ao fim do seu ciclo de queima de hidrogênio. As brilhantes estrelas azuis de 4755 vão , presumivelmente, iniciar sua expansão evolucionaria em um futuro astronômico próximo.
    O aglomerado habita uma região riquíssima do céu e toda a região merece a exploração com um telescópio de campo largo ou mesmo de um binóculo. Logo ao sul se pode encontrar o Saco de Carvão, provavelmente a nebulosa escura visível a olho nu mais famosa do céu. Com uma area de 7x5 graus é facilmente percebido como uma área sem estrelas a leste de Alpha Crucis. É a nebulosa escura mais próxima a terra.




 
       Fotografar Ngc 4755 é um excelente começo na "arte difícil". Como é um DSO bastante brilhante  ( Mag. 4.2) e bastante próximo de uma estrela extremamente brilhante é bastante fácil de te-lo na ocular.
     Daí a substituir esta pela câmera é um passo. E com DS Crux dentro do campo de minha Canon T3 e o DSO idem o foco é bastante facil pelo Live View da câmera. Por isso  ele já foi vitimado diversas vezes aqui no Nuncius. Na verdade cheguei em tempos primevos a fotografa-la por método afocal. Infelizmente este arquivo perdeu-se em meio aos HD´s.


     
Perceba Ngc 4755 claramente visivel como um pequeno triangulo logo abaixo de Beta Crux.



A mais antiga. Com o "Velho Galileo" ( um refrator de 70 mm)