terça-feira, 13 de novembro de 2012

A Grande Nebulosa de Orion - M 42

M42 - Grande Nebulosa de Orion


A Grande Nebulosa de Orion se tornou a 42ª entrada do catalogo Messier de Nebulosas. E assim ganhou seu mais famoso “apelido”: M 42.
Sua história remonta até a pré-história sendo que existem registros de sua presença nos céus em diversas culturas espalhadas pelo mundo. Chineses, Maias, Tribos espalhadas pela América do Norte deixaram registros que podem ser associados a grande nebulosa.
Devido a seu aspecto alguns a associaram a fumaça de fogueiras realizadas por diversos deuses... Os Maias, em seu mito da criação, falam na fumaça do incenso Copal.
A nebulosa é facilmente percebida a olho nu mesmo em locais de relativa poluição luminosa.
Curiosamente nem o Almagesto (escrito por Ptolomeu no Sec. II) ou “O Livro das estrelas Fixas” de Al Sufi (964 A.D.) registram a Nebulosa embora ambos registrem regiões nebulosas em outros pontos do céu.  Al Sufi nos deixa os primeiros registros das Nuvens de Magalhães que visíveis do sul do atual Iêmen.
Região de M42 desenhada por Galileu

Galileu Galilei também não fala a respeito da nebulosa embora tenha apontado seu telescópio para região e deixado registros das estrelas na área. Inclusive percebendo três das quatro estrelas que compõem o “Trapézio” (asterismo no coração da Nebulosa).
A natureza nebulosa da região é , em geral, creditada ao astrônomo francês Nicolas- Claude Fabri de Peirsec . Ele a teria avistado em 26 de novembro de 1610 utilizando um telescópio refrator de propriedade de seu patrão Guillaume du Vair.
A primeira observação publicada a respeito da Nebulosa foi obra de do matemático e astrônomo Jesuíta Johan Baptist Cysat de Lucerna. Aconteceu em 1619 em uma monografia sobre cometas. Suas observações podem remontar ao ano de 1611.  
Messier 

Messier a percebeu em 4 de março de 1769 e a inclui na primeira edição de seu catalogo publicado em 1774.
A real natureza da Nebulosa é uma história a parte. Assim como de todas as s nebulosas.

Em seu HALF-HOURS WITH THE TELESCOPE: Being a popular guide to the use of the telescope as a means of amusement and instruction escrito em 1868 Richard A. Proctor demonstra em que pé se encontravam as coisas no final do século XIX.

È importante ressaltar que Proctor era um astrônomo britânico respeitado e trabalhou em conjunto com William Dawes (o do limite de Dawes)

Segundo Proctor:

““... O que é esta maravilhosa nuvem de Luz?

 Telescópio após telescópio se voltaram para este maravilhoso objeto na esperança de resolver sua luz em estrelas. Mas ela se mostrou intratável para o grande refletor de Herschel, para o refrator de dois pés de Lassel, para o refletor de três pés de Lord Ross...  Lord Ross mesmo escreveu para o Professor Nichol (?) em 1846:

 Eu posso dizer com segurança que ha pouca, ou nenhuma, duvida a respeito da” resolvibilidade” da Nebulosa – tudo na região do Trapézio é uma massa de estrelas e o resto da nébula abunda em estrelas.”

Ele segue:

“Não foi com pouca surpresa que os astrônomos receberam a analise espectral realizada por Huygens que prova que a nebulosa é composta por matéria gasosa.

 Qual o verdadeiro tamanho de universo gasoso não nos é permitido saber.

É opinião geral de que a Nébula se encontra muito mais distante que as estrelas fixas. Se isto for verdade o tamanho da nebulosas de Orion é de fato imensa. Muito maior que todo o sistema solar.

 Eu acredito que esta opinião é fundada em insuficiente evidencia...

 Eu gostaria apenas de apontar que a nébula ocorre em uma região rica em estrelas, e se não, como a grande nébula em Argo (Hoje em Carina...) aglomerada em volta de uma estrela notável. 

 O fato de a nebulosa possuir o mesmo movimento aparente das estrelas do trapézio me parece inexplicável se a nebulosa se encontrar espacialmente separada das estrelas do Trapézio.”

Henry Draper- Primeira foto

O interesse do texto de Proctor é, historicamente, enorme e demonstra como desconhecíamos o tamanho do universo antes de Hubble.  É impressionante a evolução da cosmologia (e da tecnologia) em pouco mais de um século.

Atualmente sabemos que M 42 um dos componentes da Nuvem de Órion, uma imensa nuvem de gás e poeira que se espalha por mais de 10º do céu e que inclui diversos outros DSO`s notáveis.

A região mais brilhante deste conjunto é M 42. E como foi desenhada por Huygens em 1659 a região mais brilhante de M42 é chamada de “Região Huygens”.

Huygengs region (Herschel)

Mais um dos golpes de sorte da astronomia.

Hodierna

O primeiro desenho de M42 foi de Hodierna. Mas como seu obscuro catalogo só foi redescoberto nos anos de 1980 ele não foi lembrado...

Possui cerca de três Anos Luz.  Isto demonstra que ,apesar da incredulidade de Proctor, o sistema solar é de fato muito menor que a nebulosa...

A nebulosa é uma área de intensa formação estelar e um verdadeiro berçário. Protoestrelas, estrelas jovens, discos protoplanetários, aglomerados e diversas estruturas galácticas compõem o cenário e torna M 42 um dos objetos mais estudados e fotografados do céu.

Para o astrônomo amador ela apresenta enorme interesse apresentando-se par qualquer equipamento. Pequenos binóculos são suficientes para revelar sua aparência nebulosa. Pequenos telescópios vão revelar o trapézio e as estrelas que iluminam M 42.

Você vai encontrar todos os componentes para estudar evolução estelar espalhadas em M42 e na região ao seu redor.

M 42 foi a primeira nebulosa que vi por um telescópio.

 Lembro-me claramente desta noite.É um alvo fácil.  

Ache as Três Marias. E “penduradas” esta a espada de Orion. A sua “Estrela” central é a Nebulosa. 

 


M 43 é um apêndice a M 42 e faz parte do conjunto. Nunca entendi a razão de Messier a catalogar separada da matriz...

M 42 com M 43 acima

Esta foto foi feita mais de 100 anos depois da foto acima.
Com um telescópio muito menor. E um tempo de exposição também muito menor. Assim caminha a Humanidade.
M 42 faz parte desta evolução desde os primórdios...

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