terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Cassiopéia : A Rainha Boreal

Cassiopéia é uma constelação boreal por excelência. Melhor observada durante os outonos ao norte do equador.Na verdade circumpolar para os habitantes de latitudes boreais mais elevadas. Aqui de meu observatório austral ela nunca supera mais que 10º 29´ de elevação. Isto falando de Shedar (Alpha Cassiopéia) que é a que passa mais alta no horizonte norte. Assim sendo completamente inviável aqui de perto do Trópico de Capricórnio. Desta forma apresento o mapa deste post como se eu habitasse o Ceará.

Só observei esta constelação de latitudes boreais, mas os belíssimos campos estelares que habitam esta região fazem desta pequena constelação encravada na via láctea uma jóia. Eu não posso deixar de imaginar um paralelo com o Cruzeiro do Sul. Uma escondida dos habitantes do Norte e outra do Homo Australis... Duas pequenas constelações que representam os segredos de dois lados opostos da galáxia...

Cassiopéia é uma constelação cheia de história. E um dos membros da família real da Etiópia que se encontram emoldurados no céu. Junto com Cepheus e Andrômeda protagoniza uma famosa história que envolve diversos membros da família das constelações e é roteiro de filme. Fúria de Titãs.

A bela e fútil rainha se disse mais bela que as Ninfas do mar e o pai destas (Posseidon) não gostou de tanta presunção. Para evitar uma tragédia maior seu marido dá sua filha, Andrômeda em sacrifício. O final a história é feliz e envolve ainda vários outros membros da família celeste.

Agora voltando a nossa rainha vou apresentar a constelação e seus DSO´S. Como o Nuncius só teve a oportunidade de visitar seus campos com o uso de binóculos vou fazer uma lista (parcial) dos diversos aglomerados galácticos qua habitam esta pequena e rica área do céu. E depois vou apresentar suas cinco maiores atrações (a meu ver...). Desta forma posso garantir que os alvos apresentados se encontram ao alcance de pequenos telescópios e de binóculos 10x50mm. E de quebra um brinde: uma estrela dupla que vai demandar grandes ampliações e um bom seeing para apresentar-se.

Eta Cassiopéia é visível a olho nu e ao telescópio revela-se uma dupla de cores contrastantes. Sua primaria avermelhada e sua companheira mais fraca amarela. A quem diga que percebe um toque de verde. Eu não vi.

A lista de aglomerados abertos é bem extensa: NGC 129, 225, 436, 457, 637, 654, 659, 663 e 7789.

E mais dois membros do Catalogo Messier: M 52 e M 103.

E isto é apenas uma parte dos aglomerados abertos que habitam a região. Segundo fontes (Turn left at Orion) a constelação possui mais de 24 aglomerados em suas fronteiras.

NGC 654, 659 são bem apagadas e demandam céus muito escuros para serem observadas. Creio que não sejam visíveis para pequenos telescópios da Terra Brasilis... Nem para binóculos mesmo em condições ideais, pois os cacei debaixo de céus bem escuros e muito ao norte do equador e não vi nada...

Ngc 7789 é um desafio binocular. Incluo-o na categoria de “espíritos”.



Curiosamente as duas grandes estrelas da constelação não são as entradas de Messier em seu catalogo. Levam a coroa NGC 457 e 663. E logo atrás viria NGC 129. E só depois chegaria a vez de M 52. E fechando o conjunto da obra à discreta entrada de numero 103 do catalogo Messier.

Na verdade M 103 passa facilmente despercebida devido a sua proximidade com Ngc 663 que rouba a cena. Como observei a constelação apenas de binóculo ambas se encontram dentro do mesmo campo ocular e O NGC rouba completamente a cena.

Algum lugar em Cassiopéia...  1exp.10 seg 75mm F4

De qualquer forma um passeio pela região com binóculos é um belíssimo exercício devido à grande quantidade de “esfuminhos” que se escondem em uma área riquíssima de estrelas na via láctea.

Agora saber quem é quem um exercício difícil. E muito divertido.





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