quinta-feira, 22 de março de 2012

O Cidadão e M 50



Segundo o “Pai dos Burros” cidadão é o habitante da cidade.  A história, evidentemente, é um pouco mais longa. Como a maioria das coisas remonta a  Grécia antiga. Lá havia várias cidades independentes, constituídas em Estados autônomos, que assim eram chamados por possuírem liberdade da administração pública e política. Cidadão era o habitante dessas cidades.Devido a essa origem histórica o termo cidadão muitas vezes foi apropriado pelos futuros citadinos.
   E assim nasce o conflito entre o campo e a cidade...
            Esta oposição permaneceu durante muito tempo e o preconceito permanece, ainda que de forma mais discreta até hoje. O habitantes do interior são muitas vezes considerados cidadãos de segunda e  chamados de termos pejorativos  e  considerados bichos do mato e ignorantes. Um terrível equivoco.
               Ainda mais se tratando de matéria celestial.
            Se você é um cidadão citadino  e vive debaixo de céus cheios de poluição luminosa e vazios de estrelas, a  tênue e enevoada faixa  do céu que é a Via Lactea , lhe é caelum incognitum.
            Já o cidadão “provinciano” a conhece  perfeitamente e vê claramente pequenos nós de luz  que a enfeitam.
            Mas o ignorante cidadão citadino possui neste pequenos nós um dos esteios para o astrônomo urbano. Um cidadão de poucos direitos...
            São  os aglomerados abertos.  Um tipo de DSO que se não  destaca-se como na província pelo menos sobrevive nas poluídas noites citadinas.
            Aglomerados abertos são também chamados de aglomerados galácticos. São grupos de estrelas que viajam juntas, pelo menos por enquanto,  pelos braços da Via Lactea.  
Assim seguindo-se a nossa galaxia, com o auxilio de um binóculo,vários destes serão percebidos.
Uma das partes mais ricas nestes adornos ao longo do rio galáctico corre através de Puppis , ao longo do Cão Maior e deságua em Monoceros. Essa região é pontuada pelos aglomerados abertos. Varios objetos Messier residem nesta área. M 47, M46, M93 e o convidado de hoje; M 50.

Localizado em Monoceros M 50 vai se apresentar ao pobre astrônomo citadino , especialmente com um simples binóculo, de forma muito semelhante a um pequeno cometa com algumas estrelas podendo ou não se resolver. Assim como Messier o viu. Ele era também um cidadão  e um citadino. E numa das cidades com maior poluição luminosa de seu tempo. Em céus rurais ele pode ser percebido a olho nu por olhos treinados.
Mas agora vamos deixar de lado esse papo de campo cidade e tratar de M 50.
M 50  é um aglomerado aberto que brilha com magnitude de 5.9 e que se situa  a 3.200 anos luz. Ele cobre uma área de aproximadamente 16´de arco.  Isto confere a ele uma extensão linear de aproximadamente 20 anos luz. Sua parte mais densa e central cobre apenas cerca de 10 anos luz.  O cidadão ( perdão...) tem cerca de 78 milhões de anos.
            Sua descoberta é disputada. Messier o descobriu de forma independente em 5 de Abril de 1772 do observatório de Cluny. Mas a fortes índicos de que ele foi primeiramente avistado por  G.D. Cassini   em 1711 de acordo com o relato de seu filho , Jaques Cassini, no livro “Os Elementos do Céu” de 1740. Há uma pequena diferença na posição mas não chega  a ser um absurdo.  Quando visto com telescópio,especialmente um  pequeno , a forma de um coração é bastante evidente.
            Localizar M 50 não é difícil. Localize Sirius ( a estrela mais brilhante do céu). Imagine uma linha que a ligue até Theta do Cão Maior ( visível mesmo no Rio de Janeiro). Agora siga neste rumo por mais um campo binocular ( 5º ) . M 50 estará  no seu campo de visão.
            Agora se voce achou M50 facilmente tente perceber também Ngc 2343 e 2335. Eles estarão dentro do mesmo campo com um 10x50 .  Boa sorte  cidadão.

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