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segunda-feira, 28 de setembro de 2020

Os Globulares de Messier

         

         Repetidas vezes vocês escutaram por aqui que a astronomia amadora possui muitos ritos de passagem.  

No dia 18 de setembro de 2020 acabei de passar por mais um deles.

Um pouco conhecido. Embora feito sob medida para os observadores ao sul do equador.

Observar todos os globulares do catálogo Messier.

O Catálogo Messier é um compêndio que reúne os achados de um caçador de cometas do séc. XVIII.  E engloba diversas nebulosas (o título genérico para diversos tipos de D.S.O. ´s) os quais este organizou para que estas não confundissem os observadores em busca de cometas.  Ou seja, um catálogo de coisas a não serem observadas.  E que tendo sido elaborado no hemisfério norte não é totalmente acessível para os habitantes da porção meridional do planeta. Mas seus globulares o são.

Mas vamos ao que importa. Este post não se pretende a realizar uma apresentação aprofundada de cada um dos 29 Globulares descobertos por Charles Messier. Vou apenas introduzir cada um deles e apresentar uma rápida impressão de cada um, sua aparência visual e só. A maioria (ou todos) já foram apresentados no Nuncius Australis em detalhes e quem quiser saber mais sobre a história, cosmologia, Idade, CPF, etc., etc., etc. e etc. é só clicar nos links abaixo de cada um.

Acho importante também explicitar que este tem também a intenção de recordar que é muito importante que você observe os objetos que fotografa. Em especial aqueles que pertencem aos catálogos clássico e que possuem um longo histórico de observações.  Desta forma, acredito, você pratica a astronomia amadora em que os escaladores escoceses chamam de “full conditions” (com frio, neve, neblina e rocha podre).

Antes de vermos os benditos globulares um pouco de teoria.

Estes aglomerados estelares são enormes grupos de estrelas mantidas juntas de forma muito concentrada e em um formato esférico. Aglomerados globulares possuem, em geral, centenas de milhares de estrelas reunidas em uma “bola”.

Se concentre nos Globulares mais brilhantes inicialmente. Os globulares do catálogo Messier vai apresentar diferentes graus de desafio.

Aglomerados Globulares são compostos de estrelas velhas, ao contrário dos abertos que se formam de forma contínua, todos os globulares se formaram a bilhões de anos. Parece que estes aglomerados se formam quando duas ou mais galáxias colidem; tais colisões estimulam a formação de estrelas em escalas muito maiores (devido às imensas ondas de choque). Todos os aglomerados globulares de nossa galáxia se formaram aproximadamente ao mesmo tempo. Eles são encontrados fora do disco galáctico. Na região conhecida como Halo, formando uma espécie de nuvem a redor do centro galáctico. Por causa disto é que podemos ver a sua maioria durante o inverno em direção a Sagitário que é onde se encontra o centro de nossa galáxia. Estudos mais recentes indicam que globulares podem ter histórias mais diversas que este modelo paleolítico apresentado, mas para nossos objetivos o apresentado está de bom tamanho.  Rafaelle Gratton nos diz que aglomerados globulares são grandes e densos aglomerados de estrelas. Diferindo dos aglomerados menores, eles exibem sinais de alguma evolução química. Para quem quiser se aprofundar no assunto o trabalho de Gratton é um bom começo e muito recente. (https://doi.org/10.1007/s00159-019-0119-3).

Como falei anteriormente, e sem medo de ser redundante, é importante que você observe (que é diferente de fotografar) os objetos que você observa. Mas podendo é bom fotografá-los. Quem é do meu tempo deve se lembrar de um comercial feito para o Fotoptica (Pelo “Mestre”. Paulo Dantas da Movie e Art): Fotografou? Não? Então, dançou!

Afinal observar todos os Globulares Messier (e provar) é um marco na vida de qualquer amador.

         Antes de “irmos lá” acho importante frisar que as fotos aqui apresentadas não são uniformes em seu resultado nem captura. Algumas foram empilhadas utilizando o recurso de drizzle, outras não. Todas as fotos neste post foram empilhadas no DSS, processadas com o PixInsight e no Photoshop tiveram suas curvas ajustadas nos defaults “contraste médio” ou “contraste linear”. Desta forma a impressão visual de cada um deles pode ser enganadora quando você os observar, de fato, pela ocular. E ainda algumas fotos tiveram sua captura apenas como forma de registro e são mais uma forma de garantir meus “bragging rights” que astrofotografia. Um outro detalhe; nos posts linkados muitas das fotos são anteriores ao PixInsight na minha vida. E desta forma mais “realistas” para quem não pode fotografar (e processar) os elementos do que as que você vê aqui.

 


M 2 é um aglomerado bem denso e não muito grande. Mas de alto brilho de superfície. Embora Aquário seja uma constelação miserável de se navegar você pode partir de Enif em Pegasus e chegar lá. Perceptível pela buscadora em céus razoáveis. Pequenino, mas brilhante suporta bem ampliação. Usei minha ocular 10 mm. Muito denso não espere resolver muitas estrelas. 

http://nunciusaustralis.blogspot.com/2015/11/m15-e-m2-cinema-novo-e-astrofotografia.html



M3 é um dos mais brilhantes aglomerados ao norte do equador celeste. Mas aqui do trópico de capricórnio ele é discreto. Pela buscadora só de locais escuros e mesmo assim... Melhor na minha ocular 17 mm. Não chega a se resolver, mas tem uma certa “granulosidade”. O primeiro objeto do catálogo que é uma descoberta original de Messier.

http://nunciusaustralis.blogspot.com/2017/08/m-3-o-primeiro-messier-original.html)



M4 é espetacular. O Aglomerado Olho de Gato. Sua barra central de estrelas mais brilhantes aparece mesmo em pequenos instrumentos. Bem próximo a Antares é muito fácil de se localizar.  Foi o segundo aglomerado que observei na vida. (O primeiro foi Ômega Centauro). O segundo globular mais próximo da terra.  

http://nunciusaustralis.blogspot.com/2015/05/m-4-astrofotografias-de-um-globular.html



M5 parece um aglomerado modesto. No limite da resolução. Difícil na buscadora. O observei uma só vez. 17mm. Em condições bem menos que ideais. Mas é cantado em prosa e verso pelos observadores boreais. Um dos posts mais populares do Nuncius Australis. Chamado de o Aglomerado de Burnham -Asimov.

http://nunciusaustralis.blogspot.com/2017/08/m-5-o-aglomerado-de-burnham-asimov.html



M9 é o primeiro globular Messier em Ofíuco. Pequeno, mas obvio na buscadora de céus nem tão generosos. Se resolve nas bordas mesmo com visão direta. Com binóculos tem um que de “espiral”.  17 e 10 mm.

http://nunciusaustralis.blogspot.com/2017/08/m-9-suas-distancias-e-relatividade.html



M10 é bem brilhante. Surge na buscadora sem muito esforço, resolve-se bastante sem sofrimento. Adoro aglomerados abertos de baixa densidade. 17 mm

http://nunciusaustralis.blogspot.com/2017/06/m-10-um-nobre-globular.html



M12 Uma versão mais apagada e muito próximo ao anterior. Nunca o percebi pela buscadora em Búzios. Nos céus mais rurais de Lumiar ele se apresenta. Se resolve com a 17 mm. Visualmente mais frouxo que M 10. 

http://nunciusaustralis.blogspot.com/2017/05/m-12-mais-um-globular-messier.html



M13 O grande globular de Hercules. Um showpiece. O único globular boreal do naipe dos que existem aqui no sul. Fácil na Buscadora possui estrela guardiãs que fazem o quadro muito agradável. Se percebe estruturas e a “Hélice” é facilmente notada. 17 e 10 mm. Muito bom... 

http://nunciusaustralis.blogspot.com/2014/11/m-13-o-grande-aglomerado-de-hercules-e.html



M14 é um globular distante que observei apenas do Rio de Janeiro. Na época achei o mais apagado dos globulares Messier. Mas eu não sabia de nada... Não percebi nada na buscadora e não resolvi nenhuma estrela, mas creio que seja possível dadas condições mais dignas. 17 mm. (Quase sempre é essa a ocular que indico. Deve ser porque é a minha melhor ocular...)

http://nunciusaustralis.blogspot.com/2017/07/m-14-um-globular-distante.html



M15 é o grande aglomerado de Pegasus. Não é tão grande assim, mas é bem brilhante. Surge na buscadora mesmo no Rio em uma noite boa. Já o observei diversas vezes.   Com resultados variados. Nesse a 10 mm é uma boa pedida para deixá-lo “grande”.  

http://nunciusaustralis.blogspot.com/2015/11/m15-e-m2-cinema-novo-e-astrofotografia.html



M19 é meu favorito em Ofíuco. Sua forma oblata o faz diferente da multidão. Bem brilhante aparece na buscadora em um Rio de Janeiro de lua nova. Resolve-se nas bordas e o centro bem brilhante. 17 mm e 10 mm. 

http://nunciusaustralis.blogspot.com/2017/08/m-19-o-favorito-do-serpentario.html



M22 o mais favorito do firmamento. O Aglomerado de Tolkien. Um dos maiores espetáculos do Universo. Em Sagitário e facilmente localizado a partir de Kaus Borealis. Facilmente percebido a olho nu de céus escuros. Surge mesmo no centro de São Paulo com qualquer auxílio ótico.  Use todas as suas oculares. Já o observei umas 100 vezes.

http://nunciusaustralis.blogspot.com/2015/08/m-22-o-aglomerado-de-tolkien.html



M28 O primo Pobre de M 22. Ao lado de Kaus Borealis as vezes o brilho da estrela atrapalha sua percepção. Se apresenta na buscadora com atenção. Pequeno. Melhor com a 10 mm 

http://nunciusaustralis.blogspot.com/2015/10/m-28-e-os-pulsares.html.



M30 Pequenino em Capricórnio. A navegação até o mesmo pode ser trabalhosa em céus claros. Seu formato é sugestivo. De Búzios é visível pela buscadora. 10 mm

http://nunciusaustralis.blogspot.com/2016/09/m-30-cara-de-capricornio.html



M53 Observando sob céus bens escuros M 53 não chega a ser um espetáculo. Embora relativamente grande ele apenas ameaça se resolver em suas bordas com visão periférica. Difícil na buscadora Próximo a Diadem a navegação é relativamente simples. Bom esperar estar próximo ao meridiano.17 mm

http://nunciusaustralis.blogspot.com/2018/12/m-53-um-globular-na-cabeleira-de.html



M54 é um Globular na base do Bule de Sagitário. Bem discreto e difícil na buscadora. Não se resolve (se suspeita...). Cosmologia interessante. Pode ser extragaláctico. 10 mm.  

http://nunciusaustralis.blogspot.com/2015/08/m-54-um-globular-distante.html



M 55 é o menos denso aglomerado Messier. Me lembra muito um aberto (M 11). Um favorito.  Se resolve facilmente. Mas não tão fácil de se achar. 25 mm ,17 mm. Use todas as oculares...

http://nunciusaustralis.blogspot.com/2015/08/m-11-e-m-55-o-diabo-esta-nos-detalhes.html



M56 é um aglomerado pouco denso, mas não se resolve. Um “verdadeiro” impostor de cometas. Uma antítese.... Fácil de se localizar. Mas difícil na buscadora. 17 mm. Um post querido meu.

http://nunciusaustralis.blogspot.com/2017/10/m-56-catalogos-e-guias-observacionais.html



M62 Nada demais. Aparece na buscadora. É chamado de o globular pulsante. Mas eu discordo.  17 mm 

http://nunciusaustralis.blogspot.com/2017/08/m-62-o-globular-pulsante.html



M68 é um globular modesto em Corvo. Surge na buscadora. Centro brilhante e se resolve nas bordas. 17 mm.

http://nunciusaustralis.blogspot.com/2018/05/m-68-o-globular-do-corvo.html



M69 é mais um na Base do bule de Sagitário. Embora com estrela guia próxima não é fácil de se perceber na buscadora. Embora brilhante tem um aspecto estelar e é difícil diferenciar de outras em campo. Pequeno.10 mm

http://nunciusaustralis.blogspot.com/2015/09/m-69-um-lacaille-roubado-e-rico-em.html



M70 é outro globular na base do Bule. Bem próximo a M69. Acho ele mais interessante. Se resolve nas bordas. Também pequeno. Parece ser uma característica do grupo da “Avenida dos Globulares” no sul de Sagitário. 17 mm  

http://nunciusaustralis.blogspot.com/2015/09/m-70-e-avenida-dos-globulares.html



M71 em Sagita. O menos denso dos Globulares Messier e um eterno favorito. Se resolve com periférica. Mas com baixo brilho de superfície é difícil na buscadora. Campo lindo. 25 e 17 mm. 

http://nunciusaustralis.blogspot.com/2017/08/m-71-um-globular-aberto.html



M72 O último a ser observado. Apagado e em Aquário acho o mais difícil dos Globulares Messier. Apesar de ter observado este em noite ingrata acho que a ideia se mantém mesmo em céus mais generosos. Nada na buscadora e um esfuminho com periférica... É o único ainda sem post próprio. Em construção. Em breve colocarei o link...   https://nunciusaustralis.blogspot.com/2021/02/m-72-era-de-aquario-e-escala-de-pagel.html 



M 75 O mais denso do globulares Messier. Perdido em um canto de Sagitário e estelar na buscadora não é fácil de se achar. Não se resolve embora pequeno e brilhante. Possivelmente extragaláctico é muito distante.

http://nunciusaustralis.blogspot.com/2015/09/m-75-um-misterio-bicentenario.html



M79 Localiza-se em Lepus. O vi de uma cobertura na Rua da Passagem. Logo bem brilhante. Percebi discretamente na Buscadora. Outro imigrante. Quero visitá-lo novamente. 17 mm.

http://nunciusaustralis.blogspot.com/2016/08/m-79-um-imigrante-galactico.html



M80 Pequeno aglomerado em Escorpião. O favorito de Herschel que criou hipóteses graças ao mesmo. Bem estelar, mas resolve-se bem com aumento. Bonitinho. 10mm.

http://nunciusaustralis.blogspot.com/2019/01/m-80-o-favorito-de-herschel.html



M92 é o outro Globular de Hercules. Pequeno e brilhante. Muito antigo. Paradoxal quase.  10 mm.

http://nunciusaustralis.blogspot.com/2017/12/m-92-um-anciao-entre-ancioes.html



M 107 o último e póstumo globular. Em Ofíuco. Interessante. O observei do Rio de janeiro. Difícil na Buscadora. De Búzios ensaia uma resolução nas bordas 17 mm.

http://nunciusaustralis.blogspot.com/2017/05/m-107-o-ultimo-globular-messier.html

 

E assim se encerra uma longa jornada. Entre observar, fotografar e pesquisar  se passaram mais de 10 anos. Espero organizar todo o material em um guia observacional quando tiver tempo. O SUL PROFUNDO II: OS GLOBULARES MESSIER. Para fazer par com O SUL PROFUNDO: O CATÁLOGO LACAILLE.  Disponível na AMAZON.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Messier e Vive la Différence: M46 e M47

Ha muito não caçava objetos do Catalogo Messier. Na Stonehenge dos Pobres sua grande maioria fica fora de meu alcance. O horizonte sul do Rio de Janeiro não compartilha o mesmo latifúndio celeste que a torre do Hotel de Cluny.  Lá Messier fez as observações que levaram ao mais famoso catalogo de nebulosas de todos.  
O Catalogo Messier traz o curioso karma de ser uma coleção de objetos a não serem observados. Messier nos diz no Almanaque francês "Coinassance du Temp"  para 1801 o seguinte:
"O que me levou a realizar o catalogo foi a nébula que descobri sobre o chifre sul de Taurus em 12 de setembro de 1758 enquanto observando pelo cometa daquele ano...  Aquela nébula tinha tal semelhança com um cometa em forma e brilho que me prontifiquei a descobrir outras para que astrônomos não as confundam com cometas que estão começando a brilhar."
Embora Messier e seus contemporâneos ainda não soubessem exatamente do que se tratava as nebulosas que observavam seu catalogo tornou-se um excelente mostruário das estruturas celestes ( DSO´s) que se apresentam no universo. Em suas 110 entradas  encontramos 39 galaxias , 57 aglomerados estelares , 9 nebulosas, os restos  de uma  supernova, um pedaço da Via-Láctea , um pequeno "ajuntamento de estrelas , uma estrela dupla e segundo alguns autores uma figurinha repetida...
Todos os objetos Messier se encontram ao alcance de modestos telescópios  sob céus escuros e sua maioria é viável até mesmo com binóculos. Muitos se apresentam até para a vista desarmada.  O catalogo Messier é o campo de provas que ajudou varias gerações de astrônomos amadores a desenvolverem sua técnica e suas capacidade observacional. Observar todos os objetos Messier é um marco na carreira de qualquer astrónomo amador ou não. É como tocar "Brasileirinho" para violonistas nacionais . Mesmo sabendo que nem todo catalogo é visível de terras austrais ele é fundamental.
Logo que me interessei pela astronomia e comprei meu primeiro telescópio meu  objetivo era conhecer o céu de uma forma geral. Saber as constelações , reconhecer as estrelas mais brilhante e coisas do gênero. Na minha inocente concepção eu descobri um meio que poderia garantir que eu estivesse observando o que eu achava que estava observando. Sabia que existiam "coisas"lá fora que eu não veria sem o auxilio de um telescópio. E usando as brilhantes estrelas que eu achava estar localizando como faróis para localizar estas coisas eu desenvolveria um método infalível para ter certeza do que eu estava vendo. Na época( isto continua valendo..) todas as revistas de astronomia disponíveis eram publicações estrangeiras e quase todos os guias também. De uma forma ou de outra acabei descobrindo o catalogo Messier . Pronto. Tinha todos os ingredientes necessários para uma obsessão...
E assim me recordo claramente de meus primeiros DSO´s. Como não poderia deixar de ser foram alguns dos mais famosos membros do Catalogo. E em pouco tempo eu tinha tido a feliz oportunidade de conhecer M45 ( As Plêiades), M42 ( A grande nebulosa de Órion) , M7 ( o aglomerado de Ptolomeu) , M6 (o aglomerado da borboleta) e M4 ( um dos globulares mais próximos da terra) . O tempo passou e fui conhecendo quase todo o catalogo. Alguns de seu membros fui visitar na terra de Messier .
O tempo passou e acabei tomando um imenso gosto por aglomerados abertos. 
As coisas estavam neste pé até minha ultima viagem até Búzios. Com um observatório mais generoso que a modesta janela da Stonehege do Pobres eu tive a oportunidade de revisitar e fotografar pela primeira vez dois dos meus favoritos aglomerados abertos do Catalogo de nosso caçador de Cometas do século XVIII.  M46 e M47.
M 46 é uma descoberta original de Messier. E é curiosamente a primeira entrada da segunda parte do levantamento que levou  ao que é o atual Catalogo Messier. Ele o descobriu em 19 de fevereiro de 1771.  Apenas três dias após ter publicado a primeira edição de sua obra que cobria de M1 a M45.

Por uma razão "navegacional" vou abordar M47 inicialmente. Localizar M 47 é mais fácil e estes é um porto fundamental no caminho que nos levará até M46.
Localizado dentro das fronteiras de Puppis ( Popa) o caminho até M 47 começa na mais brilhante estrela do céu.  Sirius. Após centralizar esta na sua buscadora eu acho localizar M47 bastante simples. Indo rumo leste e usando a Via láctea como guia M47 vai se apresentar  em sua buscadora .Mesmo como minha 7x30 mm ele é perceptível. Com a 9x50 ele é evidente e muitos membros se resolvem.
 Em condições mais extremas de poluição luminosa ou se habitas muito ao norte Phil Harrigton apresenta  um caminho mais geométrico. Em seu "Starwatch" ele coloca que localizar M 47 é uma questão de seguir triângulos . Três triângulos. Primeiro localize um formado por Sirius , Iotan Can Ma e Mulliphen mais a leste. Seguindo o lado Sirius- Mulliphein ainda mais a leste localize um triangulo menor e mais estreito ainda mais a leste; Seguindo ainda mais a leste um outro pequeno triangulo com um perfil semelhante e com mais estrelas em seu interior.Este ultimo triangulo  apresenta mais estrelas tênues em seu interior . São estas M47 e M46.
Nunca fiz o caminho proposto por Harrigton. Não foi necessário  e parece-me confuso.
M47 tem a honra de poder ser considerado um "Objeto Messier Perdido". Em seu amarelado livro de registros que hoje habita um vitrine no Observatório de Paris sua entrada de numero 47 apresenta coordenadas que nos levam a lugar nenhum.  Somente em  1934 Oswald Thomas identificou M 47  como Ngc 2422 . Segundo O´Meara 25 anos se passariam ainda até que T.F Morris descobrisse o erro de transcrição que levou ao erro por parte de Messier.
M47-  12 X 15 seg asa 3200

A descrição de Messier sobre o DSO deixa pouca duvida  de Ngc 2422 ser de fato M 47:
" (19 de Fevereiro de 1771) Aglomerado de estrelas não distante do anterior (M46). As estrelas são mais brilhantes. O centro do aglomerado foi determinado usando-se a mesma estrela . Flamsteed 2 Argo Navis ( hoje Puppis2)  . O aglomerado não possui nebulosidade".
Observado pelo Newton ( um refletor com 150mm e f8) é melhor observado com pouco aumento . Usando minha ocular 26 mm percebo algumas dezenas de estrelas  levemente azuladas como aguas marinhas vagabundas.  O campo onde habita M47 apresenta em sua proximidade uma outra bela gema vermelho alaranjada que não faz parte do aglomerado. Trata-se de KQ Puppis. Parece um rubi solitário. O conjunto forma um belo tesouro.
M 47 apresenta em estudos mais sérios pelo menos 117 membros com seus membros mais brilhantes atingindo 5a e 6a  magnitude.  Ele cobre algo com 25´de diâmetro (uma lua cheia).  Estando a não mais que 1550 anos luz de nós significa que o mesmo se espalha por cerca de 14 anos luz. É bem pequeno.  
A primeira pessoa a observar M47 foi Giovanni Batista Hodierna antes de 1654.
Depois de localizar M47 chegar até M 46 é bastante fácil. Com uma ocular wide field é só calcular um pequeno salto de cerca de 1 grau na direção certa e este vai se apresentar. Perceber M 46 pela buscadora não chega a ser um grande feito mas pode ser difícil em locais de muita poluição luminosa. Ele não chega a se resolver e apresenta-se apenas como uma tênue "nuvem de luz". Com meu binoculo 15X70 percebo algumas estrelas se resolvendo.
A comparação entre M46 e M47 é um excelente exemplo de como dois aglomerados abertos podem ser diferentes ( com o binóculo e os dois no mesmo campo isto é evidente). M46 é muito mais denso que M47 mas como suas estrelas são mais tênues a paisagem é muito diferente. E também nos mostra como as coisas são relativas. M 46 esta  5.300 anos luz de nós . Seu brilho menos intenso é somente por causa da distancia de nós. Ele possui no minimo 180 membros e com 300.000.000 é um ancião em comparação ao jovem M47 (55.000.000 anos) . E este se espalha por mais de 40 ano luz.  M 46 é muito mais gracioso que M 47 quando observado pelo Newton.  Com estrelas brilhando entre 10a  e 13a  magnitude e ocupando quase a mesma area que seu vizinho comprar um ao outro é quase comparar vegetais com minerais... Uma flor e uma rocha.            Messier  descreveu o aglomerado  assim:
" (19 de fevereiro de 1771)  Aglomerado de estrelas muito tênues , sem nebulosidade. Este aglomerado é próximo a três estrelas que repousam na base da cauda de Monoceros."
M46 é um dos aglomerados abertos que mais gosto. Extremamente denso e com grande concentração apresenta diversas estrelas duplas e com um olhar atento revela mais e mais estrelas. É um excelente exercício para praticar sua visão periférica e descobrir mais e mais  segredos encrustados. Em telescópios menores ( 60 mm e etc..) le não chega a se resolver . com visão periférica uma poucas estrelas podem ser percebidas e uma estrutura "arenosa" parece se apresentar.
M46 apresenta claramente uma estrutura espiralada . E guarda ainda um segredo. Ao aumentar a magnificação ( com a 10mm eu começo a perceber[120X]...) pode-se notar uma pequena nebulosidade ao norte do aglomerado.
M46 e Ngc 2438-12X 15  seg.  A nebulosa Planetaria é evidente abaixo do centro do aglomerado

Trata-se de uma nebulosa planetária. Ngc 2438. Os restos de uma estrela semelhante ao nosso sol estão lá. É apenas uma coincidência. A nebulosa se encontra penas na mesma linha de visada . Ela se encontra muito mais próxima que o aglomerado a "apenas" 2900 anos luz. E é fruto de uma estrela muito mais antiga que as "mocinhas" que formam M46.  Assume-se que a bela nebulosa planetária começou a se formar a meros 46.000 anos. A estrela central que alimenta esta nebulosa brilha com uma modesta 16a magnitude.
Ngc 2438
Messier ou não percebeu ou não diferenciou esta nebulosa do aglomerado. Em seu catalogo  existem nebulosas planetárias.

 Mas isto já é uma outra história....

domingo, 21 de julho de 2013

Halton Arp, Amazônia e o Céu e a Terra

         

        Depois de muito tempo sem ver um céu verdadeiramente escuro surgiu uma colocação em um documentário que iria me levar para muito além do esperado. Eu, que sonhava com um fim de semana no céu suburbano da Armação dos Buzios fazia muito tempo, fui parar na Amazônia.
            Desta vez em uma pequena aldeia a cerca de cem km de Manaus em um afluente do baixo Rio Negro. No extremo leste do Arquipélago das Anavilhanas.


            A lua ainda bem modesta com apenas 20 % do seu disco iluminado e deixando os céus antes da meia noite.
            Já no dia da chegada percebi o que me aguardava. Enquanto terminávamos os preparativos para nossa saída, no Cais do Hotel Tropical, comecei a namorar o céu. Como sempre ,quando a serviço, meu companheiro seria o “Pau de Dar em Doido”. Meu Celestron Skymaster 15x70 mm.
            Assim que nos afastamos um pouco da cidade o céu se apresentou em grande estilo. A via láctea dominando o Céu. 
            Como uma introdução eu resolvi passear por campos bem conhecidos e fazer logo um belo “bodycount” para começar os trabalhos.
            Só para ser um pouco diferente iniciei com M83. A primeira galáxia de um longo plano. Mas isto eu vou contar depois... A primeira galáxia descoberta fora do grupo local. Pelo Abbe Lacaille. Fácil...
            Com Escorpião e Sagitário já raiados eu parto para um “Tour Messier” de dar inveja.
Em pouco menos de 30 minutos, deitado no teto do “Victoria Amazônica”, eu tinha colocado na bagagem nada menos que M4, M80, M7, M6, M22, M28, M21, M20, M23, M17, M18, M16, M25, M26 e M11. Sem contar um numero próximo de NGC´s mais discretos que residem sobre a Via láctea.  Adoro observar de Binóculo...  Isto para não falar nas bobagens que vejo sempre no meu Rio de Janeiro no entorno do Cruzeiro, Centauro e Cia. Ltda. Que aqui são todos óbvios objetos mesmo a olho nu. Foi curioso ver Eta Carina passeando tão baixa pelo horizonte.
            Mas agora me preparo para os convidados menos chegados. Estando a apenas 3º do Equador todo um horizonte norte que raramente vejo esta ao meu dispor.
            Começo a olho nu. O grande Rift se apresenta obvio agora que já estamos rio acima e as luzes de Manaus não mais perturbam. Fico olhando fascinado para toda região de Cygnus e com o Triangulo de Inverno dominando o Horizonte norte resolvo partir para outras plagas que não me são tão conhecidas. 
            Meus planos para a viagem são bem diferentes. Como companheiro de viagem estou levando Halton Arp, seu “Catalogo de Galáxias Peculiares” e seu” O Universo Vermelho”.

            Arp tem ideias cosmológicas bastante originais (para se dizer o mínimo). Mas suas galáxias peculiares são algumas das mais belas paisagens que podem ser representadas por DSO´s. E apesar de sua maioria ir muito além das possibilidades de meu modesto aparelho diversas delas serão alvos viáveis em céus tão escuros e nesta latitude.
            Devido ao horário devo deixar para o dia seguinte meus objetivos primordiais. Mas ainda assim percebo que a temporada será boa e cheia de novidades. E encerrando o dia, com um barco em movimento e vibrando sobre seu imenso motor diesel ainda faço um belo tour pelo o “novo” horizonte que se apresenta.  Diversos Messier´s que nunca tinha visto com tanta dignidade se apresentam. M39 faz belo par com Ngc 7082. A região é tão rica que é difícil saber exatamente o que esta se vendo. Mas no meio deste lindo campo colhi Ngc7062, 7039 e 7082.  Do Index Catalog (uma continuação do Ngc...) se apresentou e não deve ser esquecida IC 5146 (A Nebulosa do Casulo). Isto somente entre os DSO´s mais óbvios próximos a Deneb (Alpha Cygnus). Diversos outros estavam lá mais se camuflam em meio à multidão. Subindo um pouco e ao redor de Sadr vejo M29 e Ngc 6910. Isto sem procurar... Todo região de Cygnus é encantadora e são dezenas (ou centenas) de DSO´s em campos estelares riquíssimos. Uma das vizinhanças mais povoadas da Galáxia que espero conhecer melhor...
            Para encerrar a noite e descansar depois de um longo dia visitei um belo aberto que é pouco lembrado, mas que merece respeito. Brilhando com 4ª mag. e se espalhando por mais de 40´ de grau IC4665 fica pertinho de Celbarai (Beta Ophiucus) e é um alvo excelente para binóculos.
            De volta a Halton Arp e suas galáxias peculiares eu tenho em mente procurar por dois membros que são peculiares e também membros do tradicional Catalogo Messier. E assim ao alcance de meus modestos meios.
            Arp é um físico impar. Como falei trouxe como companheiro de viagem seu “O Universo Vermelho”. Livro o qual achei em um garimpo na Livraria de Travessa e que me permitiu conhecer (e me divertir) com sua cosmologia diferente. Nada que tenha mudado meu modo de ver as coisas. Mas é divertido ver até onde vai a imaginação humana. Uma das passagens que achei mais significativa é uma conversa que ele tem com Arthur C. Clark. Nesta passagem ambos encontram-se na Índia e Arp chega ansioso em levar-lhe alguma novidade cientifica que fosse surpreender ao escritor de Sci-fi. E ele esqueceu que ciência não é ficção cientifica e que sua louca teoria já havia passado pela cabeça do mesmo. Só que este a manteve no terreno da ficção. E assim quando ele fala:
“Há raios cósmicos com energia extremamente alta, raios gamas e raios X vindos do centro do Superaglomerado Local”.
Ele simplesmente responde, como se não fosse nada demais:
-“Oh, sim, criação de matéria”...
            Arp apresenta em seu “O Universo Vermelho” e seu livro anterior” Quasars, Redshifts and Controversies” uma hipótese das mais doidas que poderia ser resumida da seguinte forma: A evidência empírica estabelece um padrão onde se pode estabelecer que galáxias grandes e velhas ativas ejetam material mais jovem que forma galáxias companheiras menores, que por sua vez ejetam material que dão origem a quasares e objetos BL Lac ainda mais jovens. Segundo Arp a hierarquia etária é evidente a partir das propriedades dos objetos nos grupos característicos em que aparecem as galáxias. Em uma geometria muito “Mandrake” ele vê em diversas de suas galáxias velhas um emparelhamento que ocorre lado a lado (às vezes paralelo, às vezes perpendicular, às vezes os dois e etc..) dos núcleos ativos, de suas conexões luminosas de volta até os centros ativos e da propensão geral para a ejeção de material emitindo radio, raios X e gás excitado.
            O samba do crioulo doido "Arpiano" continua com uma relação a respeito de uma correspondência um a um com a hierarquia etária, há uma hierarquia de desvio para o vermelho. Toda linha de evidência analisável mostra (segundo Arp, eu não tenho nada com isto...) que quanto mais jovem o objeto mais alto é seu desvio para o vermelho intrínseco. O que significa jovem para estrelas e galáxia é outra longa discussão em meu FEBEAPA (procurem por Stanislaw Ponte Preta no GOOGLE...) cosmológico. De uma forma curta e grossa ele renega Hubble e determina que o desvio para o vermelho não possui nenhuma relação com distancia. Ma sim com idades... Isto por sua vez tem alguma relação com o fato de que elétrons jovens não viram muito do universo e por isto tem menor massa. Ele utiliza Fred Hoyle para embasar este ponto de sua ideia...
            De qualquer forma o livro é divertido (já falei porque) e graças a ele eu tenho meus dois alvos para o inicio de minha segunda noite. São M106 e M51. Ambos os casos de desvios para o vermelho esquizoides e membros do grande Livro de Arp. A frisar “The Atlas of Peculiar Galaxies” (1966). Baixe-o aqui.
E claro ao alcance teórico do “Pau de Dar em Doido”.   São objetos Messier.
Após um longo dia visitando as locações onde filmaríamos o nosso hibrido de comercial com documentário volto para o “Vitória Amazônica” e fico aguardando anoitecer com mala e cuia para observar e fazer fotos de campo aberto. As observações hoje devem se limitar aos dois alvos determinados e tem hora para acontecer. E assim fico pelo convés superior vendo os espetáculos da natureza se sucederam sob um calor equatorial...
Anoitece. Estou pronto para ao ataque.
Com tudo combinado e nada pronto.
E assim a grande presença da noite foi M101... Como já é habito por aqui o que esta combinado não esta muito certo.
Formando figura geométrica (adivinhem qual...) com Mizar e Alkalid foi vitimada rapidamente.  Clara e obvia ela seria presente mesmo em minha buscadora 9x50 mm. A diferença entre o “Pau de dar em doido” e a buscadora é como um filtro ND 6 em um refletor. ND significa “Neutral Density”.
N6 são filtros ou gelatinas que irão comer luz de sua foto. N6 vai comer algo como um ponto de diafragma (maybe more...) de sua foto. E assim permitir maiores aberturas e menor profundidade de campo. N6 é jargão “local” para “Neutral density 6”. Que por sua vez é o primo- irmão do código Morse...
O processo aqui foi simples. Bortle 2. Se não conhece a Escala Bortle clique aqui.  
-Se percebia uma luz de fundo a Sueste, Manaus!
Mas nada que atrapalha-se. Na verdade fiquei impressionado como uma única fonte de luz (sendo única...) pode se fazer presente de tão longe.
M 101 se torna uma de minhas galáxias favoritas e o esfuminho dela é obvio e claro.  Conhecida como a Galaxia do Cata Vento ela é um exemplo clássico  de espiral.
M 101 (Hubble)
Quanto às galáxias de Arp que tinha em mente observar eu as observei. Nada de estrutura e nem fogos de artifício. Mas bastante fáceis e com nebulosidade evidente com visão periférica. M51 não eram duas galáxias em colisão. Mas um esfuminho onde com vontade, poderiam existir duas condensações mais brilhantes. Você sabendo poderia até mesmo imaginar dois núcleos galácticos. Mas só sabendo...
M 106 só se apresenta com visão periférica, mas não chega a ser difícil. Uma vez localizada é possível percebe-la com a visão direta, mas apenas como uma estrela de baixa magnitude. Utilizando-se novamente de sua visão periférica ela novamente se apresenta como uma condensação evidente e de bom tamanho. Quanto mais olho maior fica... Na região habitam mais galaxias e desconfio de sua presença sendo que com visão periférica consigo perceber pequenas mudanças do gradiente de luz  mas nada muito notável. O 15x70 funcionando no seu limite.
O céu neste pequeno poço amazônico é algo surreal. A noite vai seguindo e depois de diversos registros fotográficos percebi que M7 estava muito exibido.  Apareceu em diversos dos ângulos escolhidos. Um verdadeiro ator.
M 6 “shows off”. Assim com Ngc 6231...

Vivendo em um barco você não possui a base mais estável possível para realizar fotografias. E com o contra regras querendo pescar lulas na Amazônia e assim perturbando minha sessão fotográfica usando uma lanterna das mais potentes consegui resultados diferentes em pontos diferentes do céu. Se voltar aqui trarei “pads” antivibração, pois “Victoria’ apesar de ser um barcão e muito bem fundeado ainda é um “Alvo Móvel”“. Mas este nem é o problema maior. Este é a vibração de seu gerador sempre ligado. É um “filme de bacana” e assim o interior do veiculo esta sempre “climatizado”.
Na fronteira. Modo Sort R n´S

Conta um amigo que a invenção do Ar-condicionado e a do Gin tônica tornou possível habitação dos trópicos.
E que assim seja!
Desta forma depois de ter cumprido a “Missão Arp” e tirado umas fotos. Eu vou fazer o que este céu merece. Freestyle.
No conjunto Centauros- Scorpio e mais algumas constelações mais obscuras somadas a Via Láctea (Ok, norma, Ara e Cia Ltda...) eu contava, a olho nu, nove DSO´S óbvios. A Via Láctea se apresentava como uma nuvem densa.
De volta à janela favorita do Nuncius, vi coisas que um dia achei ter visto. O 15X70 se apresentava devorador.
Ngc 5662 eu acho que é novidade. . Depois uma coleção de Ngc´s na fronteira Centauro-Lupus.
Depois de ficar estupefato com NGC 6067, obvia a olho nu, resolvendo estrelas para meu binóculo eu ainda fico mais feliz em perceber uma vasta coleção de abertos entre Alpha Centauro e o aberto em questão.
“Subindo o rio Nilo” chego ao “Falso Cometa”. Ngc 6231, Trumpler desconhecido, Ngc 6242 e mais umas belezuras se apresentam de tal forma para o “Pau de Dar em Doido” que eu demorei a entender o que estava vendo. Uma das paisagens mais deslumbrante que já tive olhando o céu. Eu não sabia que o conjunto da obra era assim... O que é um céu escuro.
Eu percebia claramente dezenas de DSO´s óbvios a olho nu.
Ngc 6067, Ngc 6087 e 6031 forma uma nuvem entre as nuvens que compõem o que chamamos de Via láctea de uma densidade nunca observada por este que vos escreve. M7 e M6 são ridiculamente óbvios. O falso cometa é  o falso cometa de meus sonhos mais apocalípticos.  Mas tem mais. M8 evidente. Varias condensações menores bastante claras. Pelo “Pau de dar em doido e visão periférica parecia até o ‘Stellarium”... 
Dias após dia a lua se tornava maior.  E o trabalho também. No terceiro dia resolvi fazer mais algumas fotos. Morando em um barco a plataforma não chega a ser ideal. Mas mesmo assim o miolo da Galáxia sempre se apresenta. Novamente M7 a melindrosa mais metida de quase todas as fotos que realizei. Sem muito foco nem muita mira. Nas fotos abaixo é possível localizar diversos DSO´s . Eu mesmo chego a diferentes resultados cada vez que as inspeciono. Quantos DSO´s você localiza aqui?
Deep Sky Stacker- 9x 15 seg. Asa 3200. 

Todas as fotos astronômicas aqui apresentadas foram feitas  com uma zoom 18-55 mm e minha Canon T3.  Foram utilizados os seguinte programas para o processamento das imagens finais: Deep Sky Stacker, Rot n´ Stack, Photoshop e Noiseware  
Já com 60 % do disco lunar iluminado eu ainda localizo M9, M10 e M12. Todos globulares em Ophiucus. Não me recordo de ter jamais observado os dois últimos. E M9 somente de Paraty . Também com o 15X70...
Apesar de meus planos anteriores (que seriam uma coleção do Catalogo Arp de Galáxias Peculiares) eu acabo me esbaldando nos braços do rio galáctico. Nas proximidades das Anavilhanas e com a galáxia dominando o meu céu era fatal que eu caminha-se de arquipélago em arquipélago pela Via láctea . E Assim, noite após noite. Eu visitei uma centena de aglomerados abertos, nebulosas e globulares. Minha viagem foi “fluvial”.
            De novo o “efeito Arp” atua. Em meus sonhos mais loucos começo a ver uma conexão entre nós e o universo (mas não consigo perceber nada como “criação de matéria”...).
A presença de Escorpião e Sagitário dominando o céu e me “obrigando” a olhar para o umbigo galáctico esculhambou meus planos (as evidencia empíricas de Arp...) e as coisa aconteceram de uma forma bem orgânica.Seu nome é  a Via láctea.
Esta quando se apresenta, em alto estilo, explica o termo “Umbilical”.
 Na companhia de Arp e vivendo nas margens do Rio Cueiras eu começo a viajar. Ocorrem-me expressões como “Geografia galáctica” e "Astronomia Terrena”.

A “Geografia galáctica” nos diz que habitam os braços galácticos nebulosas, que são berçários estelares, Aglomerados abertos, que são um conjunto de estrelas que residem no braço galáctico e que nasceram destas nebulosas antes citadas (às vezes coabitam...). Estes são organizações familiares.  
Diz-nos também que aglomerados Globulares habitam o halo galáctico (subúrbios...).
Quanto a “Astronomia terrestre”: existe o Rio (no caso o Negro e alguns afluentes) onde habitam grupos familiares basicamente compostos de carbono que são a menor organização da terra. (Formigueiros e Cia ltda. possuem muito mais indivíduos que os tais grupos familiares). Conheci dois aglomerados terrestres bastante interessantes. Um responde por Aldeia Kaunã e o outro por Aldeia Três Unidos. Como já estive no Alto Xingu eu diria que são dois aglomerados próximos. Mas como aglomerados abertos cada um não tem o mesmo caráter (já discuti o assunto aqui). Ainda sob o termo poderia falar do efeito que o céu tinha sobre os meus companheiro de trabalho. Acostumados ao céus urbanos a presença de tanta beleza os tornou grandes interessados em fenômenos que jamais habitaram seus interesses. E assim o pequeno laser verde apresentou muitas novidades aos meus companheiros.
Na verdade a viagem foi tanta que acabei realizando mais relações entre estrutura humanas na terra e estruturas galácticas. Uma espécie de viagem fractal.
Com o tempo a Lua foi crescendo, o trabalho aumentando e acabou a birita
E aprendi como a lua pode influenciar o céu. Comecei observando com Bortle 8 (veja a escala Bortle de Escuridão aqui). A Via láctea cortando o céu de cabo a rabo. Evidente desde o extremo sul. Por perto do Cruzeiro. Até Cygnus no lado norte. Depois de algum tempo ela só foi evidente próxima a Sagitário. Até finalmente ser muito discreta. Se via dezenas de DSO´s olho nu no inicio da jornada ao final mesmo M7 (uma “franga” que gosta de aparecer...) era uma senhora recatada.
"Cygnus Rising"

Já  Selene nos brinda com um belíssimo halo lunar. O maior que já vi.



Outra lembrança que devo a mim mesmo é Vênus  ao entardecer.

A Amazônia é enorme. Mas a galáxia é maior. Se podem ver os aglomerados humanos na beira do Baixo rio Negro muito mais de perto...
Convivendo com o Povo da Floresta eu aprendi que o objeto celeste que posso observar mais de perto é a Terra. E assim fujo um pouco do que chamas-se astrofotografia.  E se as astro fotos do céu mais escuro que visitei no ultimo ano ficaram a desejar as estruturas da tal “Astronomia Terrena” foram as estrelas da festa.
Como imagens falam mais que mil palavras eu encerro com algum dos Aglomerados Humanos que habitaram as margens do Rio Cueiras em julho de 2013. Afinal não posso excluir deste post o pequeno grupo móvel do qual fiz parte e que embora tenha tido breve existência habitou este rincão do universo...
Luz




Aglomerado

Lei

Iauaretê

Vitoria

Igapó

Luas

Saber

Pitúna

Amizade

Reflexo

aglomerado II

Japiim

fome

Katu Pitúna

Polarizador

Katuara

Alegria



Globalização



lkjmlkjm
Globular

Beleza

farinha

Aglomerado II

Desconhecido

Scorpio

Steady Cam...