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terça-feira, 7 de junho de 2016

IC 2602- As Plêiades do Sul

         

                IC 2602 é a entrada mais popular do Index Catalog. Este é o irmão caçula do famoso New General Catalog organizado por Dreyer e que reuniu e organizou todo o trabalho realizado pelo time de pai e filho dos Herschel , Messier e todos os outros conquistadores do inútil que buscaram por nebulosas até o ano de 1888.Neste ele reuniu 7840 entradas.  O Index Catalog foi o primeiro puxadinho sobre a imensa mansão e foi concluído em 1895 e teve ainda mais um anexo incluído em 1905.  Juntando-se ambos  se reuniram mais 5386 objetos astronômicos.
                IC 2602 é uma descoberta original de Lacaille e foi incluído por este em seu catalogo de Nebulosas sobre os céus austrais publicado em 1755. Foi ele que acabou por  dar ao aglomerado seu muito apropriado nome de " As Plêiades do Sul". Lacaille destripou a finada constelação de Argo Navis (o navio dos Argonautas) . Mas preservou suas partes. Asim surgiram as modernas constelações de Puppis ( Popa), Carina ( Quilha) e Velorum ( Vela). Pela descrição feita de IC 2602 ele registrou esta maravilha antes de convocar os marceneiros...
" 10:34:15, -63:06:16  Lac II.9 -A estrela Theta Navis, de terceira magnitude ou menos, é cercada por um grande numero de estrelas de sexta , sétima e oitava magnitude, as quais recordam as Plêiades".  
                A categoria II do Catalogo Lacaille  reúne o que ele considerava aglomerados  nebulosos.
                Atualmente Theta Carina é o nome da  estrela mais brilhante de nosso aglomerado e facilmente observada a olho nu de qualquer local no hemisfério sul. É uma das mais evidentes nebulosidades no rico campo da Via Láctea que sobe rumo a o Cão Maior e forma a chamada "Linha Magica" do mitológico catalogo JESS de Objetos Estelares. Quantas estrelas você será capaz de resolver no aglomerado vai depender exclusivamente de sua acuidade visual. Com certamente mais de 60 membros verdadeiros e cobrindo cerca de 100´ é um alvo evidente para o observador austral.
                IC 2602 é um aglomerado muito jovem e queimou seus casulos a cerca de 30 milhões de anos. Diversos de seus membros se encontram em estágios pré-sequencia principal. Sua origem remonta a já famosa associação OB de Scorpius -Centaurus e diversos parâmetros em sua população a ligam ao já citado aqui pelo Nuncius Australis Cinturão deGould.  Sua idade as colocam como irmãs mais jovens de sua contra parte boreal. Tem cerca da metade da idade das Plêiades. Um dos indicios mais fortes desta juventude é a velocidade que seus membros giram. Alguns de seus membros completam um giro em menos de 0.2 dias ( um dos períodos mais curtos conhecidos para estrelas de aglomerados). EM membros de massa mais baixa ela se aproxima muito com os modelos previstos e com membros de suas irmãs mais famosas.
                A distancia mais aceita para IC 2602 é de 390 anos luz. Mais distante que as Originais em mais de 80 anos luz. Porém tem um tamanho físico quase igual. 14 anos luz.
Theta Carina 

                Ao observar IC 2602 eu noto dois subgrupos envolvidos . Uma linha onde Theta Carina se destaca como uma espécie de zagueiro central e a frente um grupo que mais parece uma gravata borboleta . Segundo a analise feita pelo Astrometry algumas destas estrelas do segundo grupo são invasores de campo e não membros reais.
                As Plêiades do Sul são um grande alvo para observar-se de binóculos e pela buscadora. Mesmo tendo a visitado centenas de vezes nunca tinha dedicado um post especifico a elas . Provavelmente por nunca ter conseguido um enquadramento decente para nossas damas. Finalmente achei que tinha chegado perto. 


                A fim de garantir um retrato justo achei de bem incluir uma outra foto fruto de um crop e um drizzle que foi realizado com uma zoom 70-300 mm e que cobre uma grande área na região e apresenta bem uma das mais belas e dinâmicas regiões da Via Láctea Austral.


                IC 2602 foi um daqueles DSO´s que "descobri". Logo nos primórdios de minhas observações possui um imenso binoculo de 80 mm com zoom e lentes "vermelho cromo coated". Com ele fui inspecionar a obvia nebulosidade e pronto... Tinha certeza que havia achado algo interessante. Sempre volto.  

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

O Segundo Encontro, Alinhamento, IC 2602 e o DSS.


Noultimo post apresentei o primeiro encontro com a Canon T3. Eu planejara fotografar IC 2602. As Plêiades Austrais. Não aconteceu e numa sessão afobada, como em geral são primeiros encontros, fiz algumas imagens estabanadas de Ngc 4755. A Caixa de Joias de J. Herschel.

Na noite seguinte a lua se encontrava ainda mais brilhante, mas não me intimidou. Aproveitando o “desalinhamento polar” do primeiro encontro eu consigo melhorar as coisas. Com o auxilio de minha pequena 6X30 mm eu improviso uma buscadora polar e quando consigo ter Sigma, Chi, Nu e Tau Octans do lado certo e com Sigma bem próxima de onde deveria estar eu me dou por satisfeito. O alinhamento polar estava feito. E ficou bem razoável. Embora a lenda conte que Sigma é uma estrela muito apagada ela é facilmente visivel com uma buscadora. E o triangulo formado com as outras duas é caracteristico.

"Buscadora Polar"


Este método de utilizar uma buscadora polar improvisada é rápido e indolor. E em locais que o método do drift é impraticável permite alguma dignidade. É claro requer atenção e um programa planetário já que vendo tudo de “cabeça para baixo” e espelhado pela pequena buscadora colocar Sigma Octans no lugar certo (ela fica a 1º 5´do polo) é muito parecido com um exercício de Ioga. A direção que ela deve estar deslocada do eixo polar depende do horário. Por isso o programa planetário.



Eu continuo insistindo em utilizar o pequeno “Galileu”. Meu refrator barato de 70 mm.  IC 2602 cobre uma área do céu de quase 1º . Ou seja, duas Luas cheias. E desta forma o 150 com seus 1200 mm de distancia focal iria ter um inverno longo e duro para enquadrar tudo isto.
As Plêiades Austrais são facilmente localizadas mesmo a olho nu e em locais de forte poluição luminosa. Em uma noite de Lua cheia fica um pouco mais difícil, mas mesmo assim é bastante simples de localiza-las pela buscadora 10X50 mm.  Theta Carina, que é membro do aglomerado, brilha com magnitude 2,7 e não é nenhum problema avista-la. Eu percebo claramente alguma “nebulosidade” ao redor das mesmas. Esta se resolve com qualquer auxilio óptico em dezenas de estrelas. É um daqueles aglomerados que combinam muito com binóculos...


IC 2602 é uma descoberta original do Abbe Lacaille de 1751 realizada durante sua viagem a Cidade do Cabo para mapear os céus austrais. É a entrada II. 9 de seu catalogo. O próprio Lacaille percebeu sua semelhança com suas irmãs boreais, as Plêiades originais.
É um aglomerado relativamente jovem com 50.000.000 de anos estimados. E se encontra a 479 anos luz de nós segundo o satélite Hipparchos. Possui aproximadamente 60 membros. Theta é o único acima de 5ª magnitude.  
Com o DSO enquadrado eu começo o meu segundo “tête-à-tête” com minha nova Canon T3. Rapidamente descubro que Theta se apresenta no LCD. Isto é um maná para se focar o objeto. A câmera oferece o recurso de se selecionar uma parte do LCD e ampliar a imagem. Então centralizo a janela em Theta e amplio a imagem. Fazer o foco se torna bem fácil e não preciso mais ficar caçando algo para ver através de um Viewfinder espremido e em uma posição difícil.  
Janelado Auto focus e " Guider"... Perceba Theta Carina.


Depois disto ainda descubro mais uma utilidade para esta janela. Com a imagem já em tamanho normal eu centralizo o quadrado em Theta e com isto poso ter uma boa ideia sobre a qualidade do alinhamento polar. A estrela deve se manter centralizada na janela. E serve até como uma espécie de “auto guider”.  Bem, nem tão “auto” assim...
Com tudo transcorrendo bem o meu encontro parece que vai ser feliz. Lógico que não pode dar tudo tão certo e apanho um pouco para ajustar a buscadora depois de um esbarrão. Mas depois de alguns ajustes esta tudo de volta no esquadro e Theta Carina de volta ao centro da janela do Auto focus.
Fotografando com ASA 3200 faço algumas experiências. E descubro algo interessante. Em primeiro lugar que as exposições que eu fazia na antiga 350 D (geralmente em 800 ASA e às vezes em 1600 apesar do ruído) podiam ser reduzidas a metade. E que com o advento da obra do metro a poluição luminosa aumentou mais ainda na fronteira da Republica do Leblon com Reino Unido de Ipanema. E assim as exposições de 30 segundos são exageradas e sofrem barbaramente com a bela iluminação com lâmpadas de Vapor de Sódio. Com a câmera regulada para “daylight” (5200 k) o bafo laranja é evidente.

10 seg.                                                            30seg.   


 Quando fotografando aqui no Rio eu raramente faço exposições superiores a 15 seg. Eu prefiro fazer mais exposições em vez de exposições mais longas.  Acredito que assim consigo reduzir o efeito de Poluição Luminosa (PL daqui para frente).  
Agora com o auxilio luxuoso da ASA mais alta eu pude reduzir as exposições para 10 segundos. Seria o equivalente a exposições de 20 seg. em 1600 ASA. E as Plêiades Austrais são um DSO muito brilhante e assim não necessitam de exposições muito longas para registrar até seus mais tênues membros.  E as fotos não acusam (tanto) a presença do canteiro de obras...
Decido capturar em JPEG. Eu sei que deveria usar RAW. Mas prefiro aguardar isto para uma noite mais escura e mais digna. Continuo em modo teste...
Faço 43 fotos de IC 2602. Isto vai nos dar mais de 7 minutos de exposição somada.
Depois faço ainda 27 Dark frames.
Agora chegou a hora de visitar o DSS. Deep Sky Stacker.
Um colega astrônomo que frequenta o “Cosmoforum” certa vez colocou que o DSS é um programa meio temperamental. E que depois que você selecionou as fotos que quer empilhar deve, antes de dar “enter” no processo, providenciar uma galinha preta, Cidra e charutos “dos bons” e levar tudo até a encruzilhada mais próxima.
Parece que o programa esta de bom humor. O DSS seleciona 39 das 41 fotos para empilhar.


O resultado me deixa satisfeito. Embora fotografar através da tela da janela não ajude o registro fica bem fiel. E revela também algumas deficiências do telescópio que eu já havia notado no primeiro encontro.
Percebo uma forte vinheta nesta imagem e assim resolvo fazer alguns Flat frames para ver se melhoro a situação.  Abaixo apresento duas versões deste stacking. Sem flats. Utilizando a ferramenta Levels no Photo shop eu acho que consegui reduzir a vinheta em uma das fotos. Mas à custa de contraste. E não foi uma solução definitiva.
39 Lights, 24 darks.  Sem Photo Shop



Levels no Photo Shop + Noiseware


Astrofotografia pode se tornar um eterno processamento. Não é exatamente a minha parte favorita, mas acredito que com a nova câmera eu acabe estudando mais as possibilidades de diversos softwares. Tanto para a captura como para o processamento das imagens.
Para realizar os flats eu utilizei um método descrito pelo astro fotografo Fabrício Siqueira. Não me lembro de exatamente aonde. Mas é bem simples. Com o telescópio na mesma posição e mesmo foco e a câmera com os mesmo parâmetros utilizados no Light frames você cobre a objetiva do telescópio com uma camiseta branca, coloca um computador com a tela toda branca colada à camiseta e captura esta imagem. Via ficar tudo branco.
Em tese estes flat frames vão ajudar a me livrar da vinheta.
Não tenho certeza se fez muita diferença... 
39 Light, 24 darks , 16 flats- DSS + Photoshop Levels +Noiseware


O DSS oferece diversas formas de se realizar o Stacking. Nesta foto, especialmente, eu utilizei o método por eles chamado de Kappa Sigma Clipping. É mais pesado do que o Average que em geral uso. Mas me parece um pouco mais eficiente.
Depois as fotos visitaram também o Noiseware...
Este é post scriptum: \DSS+PS+IRIS+Noiseware. Melhorou o "vignetting"...
Mesmo antes do Noiseware pude perceber claramente que o nível de ruído da T3 é muito mais baixo que da antiga câmera.  Fiz um stacking somente de Light frames (sem darks) que demonstra bem isto. Mesmo em 3200 asa o ruído é aceitável. A vinheta é barabara...
39 Lights - DSS 

E também aprendi que os arquivos da T3 são muito maiores. E com as fotos tem 4272 por 2848 pixels o DSS vai bem. Mas o Rot n´Stack tem dificuldade para manipular estes arquivos. Se faz necessário reduzir o tamanho das fotos no Photo Shop para que o RnS conseguisse empilhar algumas fotos de NGC 3532 que embora fora de foco ( e, portanto não aceitas pelo DSS nem com “reza braba”) serviram para fazer algumas experiências sobre processamento. Eu gosto de utilizar o Rot n´Stack, pois ele empilha qualquer coisa e apesar de mais mambembe que o DSS é uma ferramenta útil. É uma pena que ele não suporte os arquivos maiores da T3. É um saco ter de reduzir dezenas de fotos...  De qualquer maneira utilizei o aglomerado para ajustar o alinhamento polar e sobraram umas fotos, meio toscas e disfarçadas de desenho, deste belo aglomerado.


 Será provavelmente o local que levarei a T3 no nosso próximo encontro astronômico...