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sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Sky Walk , Alinhamento Polar e NGC 2516


Ngc 2516

O clima não vem colaborando muito, mas apesar dos pesares esta ultima semana me permitiu algumas aventuras urbanas. O Nuncius Australis observa quase que exclusivamente de dois locais. Na Armação de Buzios é o observatório “escuro”. Na verdade apresenta típicas condições suburbanas. Em dias especiais apresenta um NELM (do inglês, naked eye limit magnitude) de+- 5.0 próximo ao zênite.



O outro é o observatório mais guerreiro. Janela da Sala, em condições urbanas extremas,tela de proteção para criança , gato que passeia pela janela etc.. Em dezembro tem também dois faróis de Xenon patrocinados pelo Bradesco que simulam uma bateria anti-aerea  contra os céu da cidade. Pode-se caminhar pelo horizonte sul. Cada época do ano passeia alguma coisa pela região.Chamo de Stonehedge dos pobres. Na verdade possui como área útil uma faixa de 35 graus do céu. NELM 3,5. De madrugada talvez um pouco mais.

Essa semana foi um unico e longo alinhamento polar.

Terça dia 21 começou a missão. Tinha tido uma idéia brilhante. Baixei um aplicativo no meu telefone. Sky Walk. Basicamente um programa planetário com serviço de GPS. Paguei US$ 2,99 na Apple Store. Tinha em mente fazer do alinhamento polar uma coisa simples e indolor.

O aplicativo me pareceu perfeito. Você simplesmente o aponta para o céu e ele mostra exatamente para onde e o que você esta olhando. Trás ainda um banco de dados com diversos DSO`S bem como um almanaque com todas as efemérides que você quiser. Bastante útil. E um sucesso com as crianças.

Minha idéia era bastante óbvia. Fixar o I Phone alinhado com meu eixo polar e com isto localizar o pólo sul celeste com precisão de GPS.

Não deu certo. Apesar de me permitir uma boa aproximação o sistema não tem a precisão necessária.

É um bom aplicativo para você se situar. Especialmente em constelações mais apagadas. Mas oscila muito. Às vezes fica meio perdido.

Fiz o alinhamento utilizando I Phone e cometi o primeiro erro. Mexi na minha Latitude na cabeça. Sempre a mantive no mesmo lugar e nunca deu errado. Mas empolgado com a tal da tecnologia errei. Passei essa noite tentando melhorar o alinhamento e insistindo no pequeno aplicativo.

Com a câmera instalada no 150 mm tentei exposições de 30 seg. Parecia arte moderna. Um monte de rabiscos. 15 segundos: rabiscos menores. 10 Segundos: Ainda rabiscos. O tempo abre e fecha e eu lutando para fazer um acompanhamento mais digno de Miaplacidus.

Já vai tarde a noite quando me dou por vencido.

Quarta Feira eu volto à carga. Mas desta vez a cerveja atrapalhou. Tento alguns registros da Caixa de Jóias (Ngc 4755). Nada aproveitável.

Quinta Feira. Hoje vai . Meu objetivo é fotografar todo o catalogo Lacaille e hoje eu decidira que NGC 2516 ia ser a bola da vez.

Assim que Venus acendeu a oeste, o dia ainda era claro. Comecei os trabalhos.

Desta vez contando com técnicas menos modernas e comprovadamente eficientes fiz o alinhamento polar. Usando de uma bussola ,um inclinometro e um pouco de bom senso acabo conseguindo um alinhamento polar aceitável. Faço algumas experiências com Canopus a utilizo para focar minha câmera. Faço algumas exposições de 15 segundos e depois de varias considero  o acompanhamento aceitável. Somando-se todas as horas para esse alinhamento acontecer passaram-se muitas horas e varios dias.E ainda pode melhorar mais. Mas enfim... Um alinhamento polar correto é uma das coisas mais dificeis que voce pode esperar fazer junto a um telescópio.

Canopus (Alpha Carina)



Agora é esperar 2516 se apresentar no local certo.

Lacaille catalogou este aglomerado em seu “Nébulas do Céu Austral” coma a entrada II. 3, Sua categoria II referia-se a aglomerados estelares associados a nebulosidade. Lacaille usava refratores muito pequenos . Toda essa categoria consiste de aglomerados abertos  sem nebulosodade associada.
Ele  comenta: um aglomerado de estrelas de 7ª e 8ª magnitude que forma uma nébula visível a olho nu.

Um Aglomerado aberto bem brilhante. Com uma Magnitude de 3.8 e medindo 30´ ele é facilmente percebido pela buscadora. O a olho nu da descrição do Abbe depende de um céu um pouco mais generoso que o do Observatório do Rio. Em Buzios percebo a nébula.

Usando-se o asterismo do Falso Cruzeiro ele é facilmente localizado. È só estender a linha que liga Kappa Velorum a Avior (Épsilon Carina) no eixo maior do Falso Cruzeiro e você vai achar o belo aglomerado. Eu percebo cinco estrelas pela Buscadora.

Com o Aglomerado na Buscadora realizo algumas dezenas de exposições de 15 segundos com uma Canon 350 d. Capturo também alguns Dark Frames.

E assim o verão começa com NGC 2516 sendo registrado e assim se tornando o segundo objeto Lacaille que foi capturado. Com alguns membros já transitando no vermelho é um aglomerado colorido e uma gema do céu austral

Deu trabalho...





Ngc 2516 -20 exposições de 15 Seg. Deep Sky Stacker


Outra serie de 20 exp...


terça-feira, 16 de agosto de 2011

Galaxias em Pegasus- The Deer Lick Group


A primavera vem por aí. E durante este período abundam pelos céus pequenos buquês de galáxias. Alguns mais conhecidos e outros menos.

Vou apresentar um grupo menos famoso e nem por isso menos desafiador.

The Deer Lick Group, como é chamado por nossos amigos anglo fonéticos não deve ter seu nome traduzido.

Seu maior expoente,  por si só uma boa razão para caçar este delicado grupo de Galáxias situadas em Pegasus, o cavalo alado, é Ngc 7331.

Esta bela galáxia recorda em muito a mais famosa Galáxia do Sombrero, M104. Em céus muito escuros ela é um senhor desafio para binóculos de 50 mm.

O Deer Lick Group é um desafio para mais abertura. É um grande desafio para telescópios de 150 a 200 mm.

Ngc 7331 poderá revelar alguma textura e uma faixa preta que faz seu halo parecer descentralizado. Com 120 x de aumento você talvez perceba indícios de seus braços espirais que se revelam claramente em fotografias.

Para localizar o grupo ache Eta Pegasus ,a noroeste de Sheta ( Beta Pegasus), Daí um campo binocular em direção Norte- Nordeste e você esta bem perto. Paciência.

Os outros membros do grupo são mais discretos e um grande desafio. Visão periférica, controle da respiração e todos os truques que você conhece.

Ngc 7335, 7336, 7337 e 7340 são como as moscas que habitam o veado do nome (deer).

Pequenas galáxias não necessariamente relacionadas gravitacionalmente. Na verdade elas se encontram a distancias muito diferentes umas das outras.

Ngc 7338 é uma estrela dupla relacionada ao grupo que também se encontra no campo.

Ngc 7331 não é uma solitária. Ela é relacionada gravitacionalmente com Ngc 7320. Esta situada a 5´ sudoeste e a contrario de sua madrinha não faz parte do chamado Deer Lick Group. Ela se encontra associada a um buque mais famoso. O Quinteto de Stephan.

Este um desafio para possuidores de telescópio maiores.



Pesquisando a região no New general Catalog você vai encontrar diversas outras galáxia nesta região que pode ser comparada a um belo campo de flores primaveril.

Nada mau ...

quarta-feira, 27 de julho de 2011

NGC 7006- Outro vagabundo Intergaláctico.


Ngc 7006 é outro globular distante. Assim como o já apresentado NGC 2419 em Lince.
Este se encontra em Delphinus. É provavelmente o segundo globular mais distante do centro galactico. Ambos são tão distantes que Burnham , em seu Celestial Handbook, chegou a cogitar que estes fossem objetos extra galácticos. NGC 7006 se encontra a cerca de 150.000 anos luz do centro galáctico e 185.000 do sistema solar. Distancias comparáveis as nuvens de Magalhães . Isto é que deu sustentação a teoria de ambos seriam objetos extra galácticos.

Apesar da imensa distancia que separa o aglomerado de nós ele é visível a telescópios de 150 mm como uma pequena bola de algodão com magnitude 11.5 e cerca de 1´de diâmetro aparente. O diametro se amplia para 2.2´em fotografias. Isto corresponde a um tamanho real de 120 anos luz. 
Este é um dos globulares mais difíceis de se resolver já que seus membros mais brilhantes não ultrapassam 16a mag.

Harlow Shapley ( que criou as classes para globulares em função de sua concentração estelar) em seu Livro " Star Clusters" (1930) utilizou a distancia entre NGC 7006 e NGC 2298 (Puppis) , que se encontram em lados opostos da galáxia , para determinar o tamanho da Via Láctea em algo em torno de 250.000 anos luz.
A validade deste método é controversa mas mantém seu valor histórico.

NGC 7006 foi descoberto por William Herschel em 1784 com o uso de um refletor de 18,5 polegadas.

Vá em busca deste vagabundo intergaláctico ainda nesta estação. Ele estará alto no céu no inicio da madrugada.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Um Rapido Tour em Escorpião

Uma Rápida Sessão Binocular


A muito que não brincava com meus binóculos. Apesar da facilidade que eles emprestam a observação estavam estacionados na estante há algum tempo.

Hoje resolvi fazer uma rápida visita a Escorpião e visitar velhos amigos.

Com preguiça para montar o telescópio e visitar a cobertura peguei meu 20x50 e me dirigi à janela de casa. Apesar dos vizinhos com luzes acesas e a habitual poluição luminosa da vizinhança eu consegui vislumbrar algo.

Após adaptar meus olhos ficou mais fácil e até mesmo me surpreendi.

Escorpião ia bem alto no céu e depois de ficar navegando meio que ao deus dará por sua calda comecei a vislumbrar M 7. Até mesmo ele sofre em tanta poluição luminosa. Mas com insistência algumas estrelas chegaram até mesmo a se resolver.

M 6 é só um borrãozinho no canto do mesmo campo ocular.

Agora já tinha migrado para o 10x50 que tornava mais fácil a navegação em tamanha poluição luminosa. Com ele me dirijo até Antares. Surpreendentemente consigo perceber, ainda que de forma bastante discreta e com visão periférica M4.

Pego o 20x50 e consigo enquadrar o Globular. Nada demais, mas se faz presente.

Volto a M7 e com olhos mais adaptados consigo percebê-lo melhor e resolvo até mesmo com visão direta.

Fazendo um tour pela constelação e percebo Zeta como a bela dupla que é. Logo ao lado esta Ngc 6231. Claramente presente e bastante enevoado.

Uma sessão rápida e em condições bastante extremas de poluição luminosa. Mas ainda assim cheia de recompensas pelo esforço. E uma lembrança de como binóculos podem ser práticos para o astrônomo urbano.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

NGC 2419- O Vagabundo Intergaláctico

Ngc 2419 – O Vagabundo Intergaláctico.





Ngc 2419 é um aglomerado globular com características únicas.

Logo de cara ele repousa na obscura constelação de Lince, uma região quase sem estrelas ao norte de Gêmeos. Esta área é dominada por galáxias e um globular parece bastante deslocado nesta posição distante do centro galáctico. Globulares abundam próximos a Sagitário, Ophyucus e Escorpião. Mas em Lince?

Assim como os cerca de 150 globulares conhecidos Ngc 2419 orbita o centro da galáxia. Mas sua orbita altamente excêntrica faz com que ele demore cerca de 3 bilhões de anos em seu trajeto. No presente momento Ngc 2419 se encontra entre 275.000 e 300.000 anos luz do sistema solar e a aproximadamente a mesma distancia do centro galáctico. Isto é mais distante que duas das galáxias anãs que participam do grupo local (A Pequena e a Grande nuvem de Magalhães). Isto faz dele merecedor de seu titulo: O Vagabundo Intergaláctico.

A melhor maneira de se localizar Ngc 2419 é partindo de Castor (Alpha de Gêmeos). Daí ache Omicron. Ngc vai se encontrar a menos de 5 graus ao norte . A partir daí siga seu atlas e dependendo do seu catalogo estelar você vai navegar utilizando estrelas de 7ª mag. Use seus instintos. O aglomerado vai aparecer de forma sutil com cerca de 100x de aumento. Não é um alvo fácil para pequenos telescópios e um desafio mesmo para telescópios médios. Quanto mais ao norte mais fácil será...


Com brilho de 10.3 mag. e com suas estrelas mais brilhantes brilhando em 17ª mag. não espere resolve-lo mesmo em grandes telescópios. O maximo que perceberás é um centro um pouco mais brilhante.

Não é um alvo fácil e demanda um local escuro e uma noite especial para ser percebido.

Um vagabundo que anda pela sombra. Boa sorte...

terça-feira, 12 de julho de 2011

Observando M 53

M 53 não é exatamente um dos maiores destaques do tão cantado Catalogo Messier.
Partindo de Bootes , mais precisamente de Arcturus (Alpha Bootes)  dirija-se até Muprhid (Eta Bootes) e continue seguindo para o Oeste. Você vai conseguir perceber Alpha Coma. Mesmo em locais com alguma poluição luminosa.  M 53 vai estar bem próxima . Caso você possua uma ocular com um campo de visão ambas se encontrarão no mesmo campo de visão. Com uma 25 mm uma rápida escaneada nos arredores de Alpha Coma me colocam M53 dentro do campo.
Binóculos vão mostrar um disco nebuloso com um centro levemente mais brilhante. Pequenos telescópios também . Mesmo telescópios com 200 mm terão dificuldade de resolver estrelas individuais. E mesmo assim  somente em condições favoráveis. 

M 53 foi descoberto por Johann Elert Bode em 1775.  É um dos Globulares mais exteriores estando a cerca de 62 .000 anos luz do centro galáctico e a cerca de 58.000 do sistema solar.

 Ascensão reta 13 : 12.9 (h:m)


Declinação +18 : 10 (deg:m)

Distancia 58.0000 AL

 7.6 (mag)

 Dimensão Aparente 13.0 (arc min)

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Cão Maior - O Playboy e o Salva vida.

Em certo país nasceram João e José.


José cresceu em uma bela casa cercado por todas as comodidades. Estudou nos colégios mais tradicionais e foi surfista de renome. Foi famoso e correu mundo.

João nasceu e cresceu em uma comunidade próxima e bem mais modesta. Estudou em escola publica e virou salva vida na mesma praia que José cresceu. Não teve fama, mas teve muita dignidade.

Esta pequena fabula remonta a um país “bem distante”.

A constelação de cão maior.

M 41 faz às vezes de José. O objeto mais tênue conhecido na antiguidade, Presente em quase todos os catálogos antigos, um objeto cheio de história.

M41 talvez tenha sido descoberto por Aristóteles em 325 AC. Isto lhe daria o primeiro titulo. Mas a descrição é vaga e dá espaços para duvida. É registrado com posição confirmada no catalogo realizado por Hodierna anteriormente a 1654. Messier o inclui já na sua primeira versão do seu catalogo.

Para localizá-lo é bastante simples. Olhes para o Holofote. Partindo-se de Sirius é uma fácil navegação até o nosso astro. Logo ao sul e facilmente percebido por sua buscadora.


Já o Aglomerado de Tau Canis Majoris não carrega a mesma história e nem possui um nome tão chamativo. Sua estrela hospedeira ofusca seus membros e esse belo aglomerado não se revela tão facilmente.

Ele necessita de magnificação para se revelar. Mas quando se revela é de uma gentileza eu o enobrece e dignifica. O nosso João.

Ngc 2362 é seu mais novo nome de guerra.

Mas ele traz muita história também

Foi primeiramente descoberto pelo mesmo Hodierna que catalogou seu amigo mais famoso. Passou discreto e humilde por Messier que não o inclui em seu catalogo. Foi redescoberto pelo grande William Herschell durante seu grande levantamento .

Foi batizado por ele pela discreta sigla VII 17. Posteriormente ainda foi denominado como Cr 136 e Mel 65.

Para localizá-lo você deve partir de Wezen (delta do cão) e pela buscadora vai perceber um arco de estrelas. Imagine este arco como uma ondulação e siga sua direção. Surgirão duas estrelas mais brilhantes em campo. Uma delas é Tau do cão. E Ngc 2362.

Talvez você perceba algo diferente na buscadora. Mas este João é tímido e prefere maiores magnificações para se apresentar de fato. 120 x são bons.



Então aguarde o verão quando pudermos colocar calções e poder visitar a praia deste dois admiráveis Cidadãos do céu.

Esta foi a semana mais fria do ano...

domingo, 26 de junho de 2011

Observando M104 - A Galáxia do Sombrero

Observando M 104


Clique para ampliar



M 104 é uma das mais belas galaxias acessíveis ao astrônomo amador.

Conhecida como a Galaxia do Sombrero por sua silhueta ela é um DSO dos mais charmosos.

Até por seu titulo de Galaxia Perdida...

Sua entrada no catalogo Messier é pela porta dos fundos.

Foi descoberta por Pierre Mechain em 1781. Foi na o primeiro objeto Messier a não ser incluído no catalogo Messier. Mas existem provas definitivas que esta foi incluída e anotada pelo próprio Messier em sua cópia em 11 de maio de 1781. Mechain era um estreito colaborador. Posteriormente sua cópia chegou a mão de Camille Flamarion, que identificou o objeto como sendo o descrito por Herschel sob o belo nome de H I. 43. Também identificado no New General Catalog sob o ainda mais emocionante titulo de NGC 4597. O próprio Flamarion o inclui como entrada 104 do catalogo Messier.

A bela Galáxia do Sombrero se encontra a cerca de 50.000.000 de anos luz de nós . Quando sua luz começou esta viagem você praticamente podia ir a nado até a Africa. O Atlantico era bem menor e o Almir Klink não tinha nem um antepassado.
 Existem fontes que citam a galaxia como  ha meros 28.000.000 de anos luz . Ainda assim a travessia era bem mais modesta...


Cdc 5 graus
(Indicando o asterismo que citei)

Para localizar M 104 existem vários métodos. Eu particularmente acho que o melhor sistema é imaginando um triangulo formado por Gienah (Gama Corvus) , Spica (Alpha Virgo) e Porrima ( Gama Virgo). Atualmente ( junho de 2011) em vez de Porrima você pode usar Saturno. Algorab também ajuda como referncia. Agora mire  no circuncentro  .  . Lá vai estar o Sombrero. Olhe pela buscadora e você deve perceber rapidamente um asterismo envolvendo uma estrela dupla e mais uma estrela de campo bem junta. Este asterismo aponta para M 104. Na verdade ambos cabem com sobras na minha ocular de 25mm (cerca de 1º).

Phil Harrington, em seu livro Star Watch , propõe uma outra aproximação. Partindo de Gienah ( Gama Corvus) procure uma estrela de sexta magnitude logo ao norte dela. Siga uma série de cinco estrelas de 6ª e 7ª mag. , em direção nordeste, isto vai conduzir você até um triângulo que apontará para um pequeno nó de estrelas que forma um  asterismo. Parecem um triângulo de estrelas dentro de outro triângulo.Ou seja um monte de triângulos... Harrington ainda apresenta o nome e o autor do asterismo. Um amador texano de nome John Wagoner. O nome: Stargate. Não é o  mesmo que citei anteriormente...  ( a estrela dupla e sua companheira de campo)

Eu acho meu método mais fácil. Evidentemente que você usa uma buscadora 9x50 mm.

M 104 apresenta (para uma galáxia, ok...) um alto brilho de superfície o que a torna um alvo que “suporta” alguma poluição luminosa.

M 104 é uma das galáxias mais gratificantes de observar-se. Ela apresenta detalhamento mesmo em telescópios pequenos. Sua faixas escuras são facilmente percebidas com visão periférica . Com telescópios médios ( de 150 à 200 mm)até mesmo com visão direta se percebe detalhes.

Magnitude: 8.00. Seu brilho da Superfície: 11.60. Apresenta a seguinte dimensão: 8.6 x 4.2 '

Coordenada Aparente RA: 12h40m 37.1s DE:-11°40' 56"






sexta-feira, 17 de junho de 2011

O que você vai ver em um binóculo 10x50mm

O que você vê utilizando um binóculo 10x50 mm



Quando buscamos por pequenas bolas de algodão em meio de um campo de estrelas, ter uma idéia de como se parece essa bola ajuda muito.

Aglomerados globulares, nebulosas e até mesmo galáxias estão ao alcance de binóculos 10x50mm ou até menores. Aglomerados abertos são amigos de binóculos. Mas os mais tênues serão também esfuminhos no céu.

Existe um termo em inglês que não consigo traduzir ao pé da letra, mas que é perfeito para descrever o que procuramos.” Faint fuzzies” .

O que complica é que quando queremos saber como estes se parecem ao binóculo só conseguimos imagens deles ao telescópio e com muito mais magnificação do que estaremos utilizando.

Achei um post no Cloudy Nights aonde um cidadão levantou que as imagens mais próximas que ele consegue obter e que se aproximam da realidade são obtidas no Stellarium.

Como São Tomé resolvi ver para crer.

Abri o Stellarium e brincando com ele obtive algumas respostas.

De fato, utilizando o Stellarium calibrado com o FOV (Field of view) entre a 6º e 3º graus que é o aproximadamente o campo de meus Binóculos (um 10x50 e um 20x50) as imagens se assemelhavam ao que eu espero ver ao binóculo ou buscadora. .

A maior diferença é que em geral os DSO´S são mais tênues que o que vemos ao monitor.

Outra impressão é que ele (o programa) nivela o brilho destes. Alguns DSO´S são muito mais tênues do que parecem no computador e outros nem tanto. Algo como se o brilho de superfície destes objetos fosse sempre muito próximo.

Mas definitivamente é um recurso que pode ajudar muito a reconhecer seus alvos ao binóculo e ajudar você a se localizar. Especialmente em campos muito ricos em estrelas e/ou DSO´S.

Outro programa que resolvi testar e que apresentou resultados semelhante e possivelmente mais realistas foi o Cartes du Ciel 3.2 .

Suas imagens em preto e branco são mais semelhantes às imagens captadas por nossa visão. (A menos que você possua um binóculo Ruby Coated horroroso como um que tive e que tinha a propriedade de colorir as imagens. De sépia. E com “desvio para o vermelho.”).

Outra vantagem é o maior banco de imagens do CDC. Enquanto no Stellarium somente os Messier possuem imagens realistas o CDC tem todas as imagens para o NGC. Messier e NGC são catálogos de DSO´S ( Deep Sky Objects ou objetos que se encontram além do sistema solar)

Outra opção para você conseguir saber como se parecem os objetos que você procura vistos de um binóculo são livros como Turn left at Orion ou Skywatch que apresentam desenhos de seus alvos como vistos por uma buscadora 9x50mm.



Mostro abaixo a área próxima a M 8 com o Stellarium e com o CDC. O Stellarium a 6º de FOV e o CDC com 5º. Alguns ajustes podem levar a imagens ainda mais próximas da realidade. Mas ambos dão uma boa idéia do que você pretende ver.

Ainda que um pouco otimista...

P.S. - Recentemente descobri um programa na web , um beíissimo trabalho , que permite você fazer simulações do que esperar com uma determinada ocular em um determinado telescópio. Com imagens reais de DSO´s .

http://www.universum.pt/coa/index.php



terça-feira, 7 de junho de 2011

Ngc 6025- Log

Uma rapida olhada para o céu . Cerca de 1:00 AM e eu insone.
 Percebo Triangulo Austral bem defronte a minha Janela.
Após rapida reorganização do espaço eu coloco o 150 mm na janela.
Primeiro centro Alpha Tri Aus na buscadora. Também conhecida com Atria. Uma bela estrela avermelhada.
Próxima parada Beta Tri Aus. A buscadora esta bem calibrada e a partir desta estrela é um rapido passeio até NGC 6025 .
 Com Mag. 5.1 ele se apresenta na buscadora. Começo a observa-lo com a 25 mm. ( 45 x). 
Conto cerca de 20 estrelas e percebo um formato de S no DSO.  Na verdade duas cadeias paralelas de estrelas em forma de S . Dominada por um triangulo de estrelas em sua extremidade Leste e uma estreçla mais brilhante na extremidade oposta.
Subo a Magnificação para 120x . (10 mm) . O aglomerado enche o campo . Mas não obtenho muito mais estrelas. A transparencia é muito ruim e o foco dificil. Observo durante alguns minutos e tento me recordar bem do aglomerado. farei um pequeno esboço posteriormente.
Um aglomerado pequeno e sem estrelas muito brilhantes . Porém muito bem colocado para a observação. Ñunca o tinha observado com o Newtoniano . Mas já havia realizado um sketch do mesmo com meu velho refrator. Não chega a se impressionante .  O desnho realizado com o 70 mm foi feito junto a ocular. O outro é uma recordação. De fato se percebe mais estrelas mas o primeiro é mais fiel...
 Não chega a ser impressionante Delicado . Mas é digno de nota. Vale o passeio e é um alvo facil.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Astrolog 21 de abril 2011

Astrolog 20 de Abril 2011


Binóculo 10x50mm

Vale de Santa Clara – Visconde de Mauá. El Méson hotel.



Após árdua jornada (seis horas de viagem) chegamos ao nosso destino. A Páscoa se anuncia sensacional. Apesar da lua ainda quase cheia.

Em uma rápida parada na “Capelinha” não resisti e pegando a pequena buscadora (6x30mm) vislumbrei em poucos segundos Omega Centauro.

Subimos a Serra e ao chegar ao hotel rapidamente me localizei. O horizonte norte é bem desimpedido. Saturno como farol.

Pego o Binóculo (afinal depois de horas ao volante não ia montar o telescópio.).

Um velho Sumax. Nada demais. Mas com aquele céu.

Rápida olhada em Saturno. É Saturno mesmo. Aquela coisa meio oblonga e amarela. 10x é pouco para resolver anéis ou algo do gênero. Titã faz as honras e mostra sua cara.

Me volto para o Sul. O Cruzeiro do Sul. Na estrada tinha escutado Neil Young cantando Southern Cross mais de uma vez. Não poderia evitar. O Cruzeiro cabe certinho dentro do campo binocular. E vários “faint fuzzies” se apresentam com visão periférica. Ngc 4755 resolve até as três centrais. Mas o mais legal é perceber ainda que de relance Ngc 4852 e 4609. A ultima na borda do Coalsack.

Um pulo até o Centauro e no campo próximo à Alfa e Beta posso perceber diversos aglomerados (fumarolas, digamos assim). Em tese Ngc 5617, 5316 e 5281. . Um pouco mais acima 5662.

Agora com os olhos mais habituados me volto para o norte e rapidamente lanço os dados em direção ao aglomerado de Virgem. Com a ajuda de Saturno e do Corvo vasculho a região. E Apesar da lua percebo duas fumarolas. Pela posição posso supor tratarem-se ser M 104 (o Sombrero) e provavelmente Ngc 4697. Dois para a serie de desafios Binoculares. M 104 avistei com certeza . 4697 só suspeitando. De forma intermitente.

Um bom começo de temporada. O mês promete.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Log e reflexões em 19/04/2011

O Nuncius acordou hoje pensando no futuro.
 Amanhã parto para Visconde de Maua. Céu escuro apesar de uma lua bem presente.
Retorno e no próximo fim de semana estarei em Búzios . Meu bom e velho subúrbio.
 E na outra semana um programa sensacional. travessia da Ilha Grande. Na verdade apenas do lado Oceânico. Céu escuro mesmo.
Estou torcendo por um outono seco e ensolarado.
É também tempo de tirar a poeira de vários equipamentos que estão de molho a algum tempo.
No passeio a Maua vou tirar da gaveta meu bom e velho refrator de 70mm . O carro vai cheio  e a estrada é de terra . Vai ser divertido mostrar as crianças Saturno e alguns DSO mais claros. Afinal é um passeio com a família . Vai mulher , filha , cunhada e marido. Mais duas sobrinhas . Uma bela pousada no Vale de Santa Clara e se observar algo será lucro.
O outro fim de semana será mais sério . Encontro marcado com Coma -Virgem. E o Newton vai fazer sua aparição.
E finalmente durante a travessia só poderei contar com meu Binóculo . Afinal terei que carregar todo meu mundo em uma mochila. Mas acredito que ele será capaz de revelar muito do céu austral devido a absoluta escuridão ao longo da Travessia. Não sei ainda se o 10x50mm ou o 20x50mm. Estou mais inclinado a levar o segundo.

Após tanto pensar nisto, olhei pela janela, e enquanto minha mulher pensava o que fazer para redecorar a sala , peguei o velho 10x50 e fiz uma rápida sessão contra o poluído céu do Rio de Janeiro.

NGC 4755- Sempre sobrevive tanto a lua como a PL. Mas se mostrou tímida e não resolvi nenhuma estrela.
Omega Centauro- Outro que é quase a prova de bala. Estava lá mesmo com a lua próxima e tudo mais. Um alvo urbano com certeza.

NGC 2516 - Baixo no horizonte se fez discreta.

Fazendo um rápido tour pela "falsa cruz" registrei em rápida sucessão IC 2391 e ainda mais discreto  NGC2669. Em outro scan NGC 3766 faz as honras.  A noite é fraca e a transparência não me inspira. Mas é melhor um pouco de céu que nenhum céu. E observar de binóculos é um prazer diferente que a muito não sentia.

E como diz meu querido Phill Harrigton ; 
- Melhor dois olhos que um!   

terça-feira, 15 de março de 2011

Os Segredos de Norma



    Norma é uma constelação Austral. Este post nasceu de um tópico que realizei no meio do ano passado no Cloudy Nights.
  Com as ilustres visita de Steve Coe e  Steve Gotlieb o tópico se tornou um excelente projeto observacional para o ainda distante inverno.

    Norma apresenta fracas estrelas . Mas se encontra encravada no meio da Via Láctea. Inclusive nomeia um de seus "braços". Seus campos estelares se comparam as "nuvens estelares" tão cantadas de Scutum.
A única razão de não serem mais famosas são sua posição tão austral. A Via Láctea quando observada do Hemisfério Norte parece "esmaecer" abaixo de escorpião . isto Não poderia ser mais equivocado.  Aqui vou mostrar os segredos de Norma.
    Vou apresentar algumas das "estrelas" da constelação. ( Não resisti ao trocadilho):

NGC 6067
    NGC 6067- É a nossa principal atração . Um Belíssimo aglomerado , altamente condensado. Mas além disso é emoldurado por um grandioso campo . Um dos mais belos aglomerados abertos do céu. Tivesse sua localização em uma constelação mais ao norte seria tão famoso quanto M 11.

    NGC 6087- Outro belo aglomerado aberto . Bastante brilhante (Mag. 5.4). Não é muito facíl de se localizar . Poucas estrelas por perto. Em céu escuros é possível perceber um brilho na região. Bem interessante.

     NGC 6167- Um aglomerado mais delicado. Bastante bonito . Na fronteira com a constelação de Ara.

     NGC 6134- Outra pequena jóia . Ainda mais "faint". Mag 7.2.

  NGC 6031- Um aglomerado aberto ainda mais desafiador. Bem pequeno. Ao norte de NGC 6067.   Mag.8.5

   Norma ( A Régua) é mergulhada na Via Láctea . Por isso tão rica em aglomerados abertos. Mas apresenta surpresas.
   
     Aglomerados globulares e Nebulosas planetárias. Nebulosas escuras e diversos outro objetos difíceis.

   Como apresentado por Gotlieb ( visite o site dele) no tópico do Cloudy Nights existem em Norma objetos mais difíceis e pouco visitados : Secrets of Norma

   Dos objetos apontados por nosso nobre convidado só visitei um . O Globular  NGC 5946. Brilhando com 9.5 Mag. é um globular apagado. Uma manchinha...

   Aguardo uma nova oportunidade este inverno para tentar  mais alguns deles. Me parecem alvos bastante complexos. 
   A maior parte das descrições foram realizadas em um telescopio  de 450mm.

   Outro link para Logs a respeito de segredos de Norma pode ser encontrados em:


   Como a cereja do bolo tente separar os componentes de Gama Norma . Uma facíl dupla a olho nu na qual ambos os componentes são também sistemas duplos. Gama 1 eu não separei...

terça-feira, 8 de março de 2011

O Reino das Galáxias

Como não poderia deixar de ser este mês o Nuncius Australis  vai apresentar um projeto para se observar o Aglomerado de Virgem. Vem aí o outono e com isto  é tempo de olhar para longe.

O Aglomerado de Virgem é uma coleção de galáxias  e possui 15 objetos Messier.
E é um dos pedaços do céu mais dificeis de serem navegados pelo astrónomo amador. São centenas de galáxias e de "faint fuzzies"  . Não apresenta muitas estrelas e as vezes você esta navegando de um galáxia ténue para outra galáxia mais ténue ainda.  É fácil estar olhando sabe -se lá o que.
A área é englobada por um circulo de 15o de diâmetro . Apesar do nome o aglomerado se espalha pelas constelações de Coma Berenice e também Leão.
Além dos objetos Messier o Aglomerado apresenta mais diversos objetos ao alcance de telescópios amadores. Atá mesmo alguns alvos binoculares.
Para se passear pelo Aglomerado um local com céu bem escuro é o ideal. Em áreas com mais poluição luminosa  você terá de se contentar com os objetos mais brilhantes. E pouco ou nenhum detalhe.
Há Duas formas de se navegar o aglomerado. Uma é proposta na Revista Astronomy deste mês( Março 2011). Na matéria de Tom Polakis é proposto que se ataque o aglomerado a partir de seu coração. Você iniciaria localizando M84 e M86 . Ambas no limite oeste  da Corrente de Markarian. Na mesma região você vai poder ver NGC 4388. Ao longo da corrente existem oito galáxias relacionadas gravitacionalmente. Ngc 4477 é outra galáxia que você poderá ver.

O Nuncius vai apresentar um outro "approach" para  tratar o Aglomerado. O sistema se inspira no tratamento proposto por Phill harrigton em seu Livro StarWatch.
O instrumento ideal para se explorar a região é , evidentemente , o maior telescópio que você possuir.
Os objetos aqui apresentados são visiveis para telescópios refratores com mais de 80mm.
O nosso ataque pode ser dividido em duas campanhas; A campanha do Oeste se inicia partindo de Denebola  (Beta Leonis) .
A partir de dela salte cerca de 7o para leste e procure um pequeno asterismo em forma de triangulo formado por 4 estrelas . Ou ainda uma diamante .São estrelas fracas.  6 Coma esta entre elas. Aí você esta por perto de M 98 , M99,M 100 e M85. Olhe o mapa , use um programa etc.. O reino das galáxias demanda paciência e alguma experiência. Olhos experientes talvez revelem alguma estrutura em M99 com telescópios com mais de 150mm .  Dificilmente você vai perceber qualquer coisa pela buscadora. Use sua maior ocular para localizar.
A campanha do Leste é mais longa. E agora você vai realmente entender o que o quis dizer de "galáxia ténue em galáxia tenue'.
Partindo de Vindemiatrix (Epsilon Virgo) localize Rho (4.8 mag) . Próximo ao meio do caminho  um pouco ao norte há Ngc 4762 . Magnitude de 10. 2 é uma das galáxias mais brilhantes do reino  ( além das Messier).
Uma vez em Rho sigo um arco de estrelas entre 5 e 6 mag. em direção ao sul chegue até M49. É a galáxia mais brilhante deste aglomerado. É também uma das maiores . Cobre cerca de 150.000 anos luz. Mais ao sul ainda você vai encontrar M61. Esta apresenta baixo brilho de superfície. Alvo difícil.
Agora volte para Rho e vamos rumo norte. Sempre usando sua maior ocular ( eu uso uma 25mm).
Agora vamos de uma em uma. Começamos em M60 e M59. Provavelmente você vai conseguir espremer as duas em uma ocular. M59 é bem visível. M60 mais ainda. Depois M58. Siga uma curva imaginaria entre M59 e M58 e ache M89. M89 vai ser dureza para telescópios menores em áreas suburbanas( menores que 100mm). M90 vai aparecer na mesma ocular (25mm).  Siga o arco que você esta seguindo e chegue a M91.
Agora volte para M89 e siga rumo oeste e localize M87. Esta é fácil mesmo com um Binóculo.Uma galáxia enorme.
Ficam faltando M84 e 86. Formam um par...

O Aglomerado de Coma-Virgem se encontra a cerca de 60.000.000 de anos . É o maior aglomerado galáctico próximo ao Grupo Local.



Além dos objetos Messier apontados aqui há outros objetos interessantes viáveis para telescópios de tamanho médio. ( 150 a 200mm).
Uma lista interessante deveria incluir ainda ;
Ngc 4567 e 4568 ( As irmãs siamesas)
Ngc 4302 4298 podes ser espremidas em uma ocular. Ngc 4216 estará ao alcance até de pequenos telescópios.
por fim um desafio interessante para quem possuir telescópio grande:
PGC 40598 . Com magnitude 16.5 não há registros de observação amadora desta galáxia. (segundo Polakis). Ela é a galáxia conhecida com maior desvio para o azul conhecida. ela estaria se aproximando de nós mais rapidamente que a expansão cosmológica...

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Observando M22 e M28

M22 é um dos mais brilhantes globulares do céu . No hemisfério sul  ele é incrível. Se compara a M13.
E é um objeto facilmente observável. Com magnitude de 5.10 ele é percebido a olho nu a partir de locais escuros. Caso seja necessário localiza Kaus Borealis no asterismo do bule em Sagitário ( é a estrela do topo do "bule"). De lá escaneie a região a norte ( Nordeste quando este estiver a leste e noroeste quando a oeste do meridiano) deste  . O globular será facilmente visível em uma buscadora de 6x 30mm. Binóculos tornam sua localização ainda mais fácil.
 Foi provavelmente o primeiro globular a ser descoberto . Foi registrado por Abraham Ihle em 1665. Hevelius talvez o tenha observado ainda antes... Consta do catalogo elaborado por Halley em 1715. Esta também no catalogo de Lacaille e foi incluído por Messier em 5 de junho de 1764.Esta a cerca de 10.400 anos luz.

M 28 fica ainda mais próximo de Kaus Borealis e embora menor e mais apagado é também facilmente percebido na buscadora e em binoculos. Foi o segundo globular onde foi descoberto um Pulsar de Milisec. ( primeiro foi M4). Apresenta diversas estrelas variáveis e se encontra a cerca de 19.000 anos luz. Cobre uma area de cerca de 60 anos luz. É uma descoberta original de Messier e foi catalogado em 27 de Julho de 1764.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Observando M65 e M66

Galáxias são sempre alvos mais difíceis para o observador que gosta de céu profundo. Elas são longe, ténues e geralmente não visíveis por sua buscadora.
Esta época do ano há um premio interessante ao alcance de pequenos telescópios. Talvez até mesmo de binóculos ( Veja Desafios Binoculares). São as galáxias M65 e M66. Localizadas em Leão
Vamos até Chertan nos quartos traseiros... De lá um salto e se chega até Eta Leo. Daí para frente vale o faro. Localize HIP 55262 uma discreta estrela de 7.6 magnitude. Você está muito perto. M66 e M65 estão na ocular. Junto a M66 de 9.0 mag. existe algumas estrelas muito fracas.  Na região você talvez também perceba NGC 3628. Uma terceira galáxia que pertence ao "Triplet" de Leão. Ela é mais apagada que as outras e brilha com 9.5 mag.

M65 é uma galáxia espiral que apesar de sofrer influencia dos outros membros do triplet não sofreu grandes influencias o perturbações dos outros membros. É uma descoberta original de Messier e foi catalogada em  1 de Março de 1780. Algumas fontes atribuem a descoberta a Mechain. Mas Messier não o faz e como este sempre foi justo para com Mechain é provável que isto seja um erro.Mag.9.3

M66 é também uma galáxia em espiral e é a mais brilhante do grupo. Seu braços apresentam algum grau de perturbação . Provavelmente devido a um encontro com NGC 3628. É o maior membro do grupo que batiza. Foi catalogada juntamente com M65 em 1780.Mag.9.0
Veja o Log desta observação em http://nunciusaustralis.blogspot.com/2011/02/astrolog-12-de-fevereiro-2011.html
Curiosamente ele não percebeu estas galáxias em 1773 quando um cometa passou por entre as mesmas. Provavelmente devido ao brilho do cometa.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Desafios Binoculares

Dos autores de livros de astronomia pratica ( Guias e afins...) Phil  Harrigton é um de meus favoritos. Possua alguns livros dele e sua coluna no Cloudy Nights , Phil Harrigton´s Binocular Universe. Este mês ele apresenta alguns desafios que ele propõem em seu novo livro "Cosmic Challenge".
Ele descreve como conseguiu ver a nebulosa cabeça de cavalo com um Fujinon 10x70mm . A formula inclui um céu perfeito , um super binóculo e um mapa bastante detalhado da região.
Mas há um desafio mais "factível". Observar M78 com um 10x50. Segundo o artigo o objeto será visível, ainda que ténue, em céus suburbanos.  Seria ainda um indicador da qualidade do céu. Em céu escuro seria bem evidente. Veja o post sobre M78 no Nuncius. Existe um truque bastante útil para localizar a nebulosa. 
Ele apresenta também um alvo bem fácil. Cr 70 . O Aglomerado que compõem o cinturão de Orion. Um objeto só visível por binóculos tão grande é o aglomerado. Pode parecer incrível mas centenas de estrelas viajam juntas pela Via Láctea. É um aglomerado aberto de fato. Phil diz que a maior parte de seus componentes são estrelas de 9a magnitude . Logo dentro do alcance de binóculos 10x50 em ambientes suburbanos.( Este já observei . É obrigatório)
Isto me colocou com a pulga atrás da orelha . Se 9 magnitude esta dentro do alcance me ocorreu um outro desafio . Será M66 visível com um 10x50mm. E sua parceira M65?

Pretendo tentar a sorte na próxima lua nova. Orion ainda estará bem alto no inicio da noite...

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Astrolog 12 de fevereiro 2011

Sessão observacional : 22:45.
Saquarema
Equipamento: Binóculo 20x50 mm

Uma rapida sessão utilizando meu binóculo. O 20x50 apresenta uma maior magnificação e consequentemente uma imagem um pouco mais escura que o meu habitual 10x50. Por outro lado ele apresenta um maior poder de resolução. Ou seja ele resolve estrelas em aglomerados que o 10x50 só percebe nébula.
Foi uma sessão bem rapida. Comecei pela lua onde pude perceber junto a terminator Longomontanus,Wilhelm e Blancanus. Todas grandes crateras com mais de 100km quadrados . Outras crateras se percebem mais não tão claramenete.
Posteriormente fiz uma rapida inspeção sobre os aglomerados no Falso Cruzeiro. Em uma rapida sucessão percebi claramente :
IC 2391- Junto a Delta Velorum. Resolve-se em varias estrelas.
NGC 2669- Proximo ao anterior. . Só se percebe nebulosidade . Com visão periférica percebi estrelas nos limiar da resolução.
NGC 2516- Se resolve e é um dos mais interessantes aglomerados da região. Proximo a Avior.
IC 2488- Se resolve. Bem brilhante. Próximo a Aspidiske ( Iota Carina)   .
Caixa de Jóias (NGC 4755)- Não chega a se resolver . Se percebem estrlelas com periférica. A lado de beta Crucis. 

Foi só. Acabei por volta de 23:00.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Astrolog 9 de fevereiro 2011

Astrolog de 09/02/11


Equipamento: Newtoniano 150 mm

Oculares utilizadas: SP 25 mm, 17 mm e 10 mm + Barlow 2x

Seeing : Bom

Lunação : 6.8 dias 36.6% iluminada.

Inicio a observação ainda dia claro . A lua vai alta ainda a noroeste. Sigo tendo a oportunidade de acompanhar a lunação aqui de Buzios. As crateras que se destacaram junto a “terminator” (a área da fronteira clara / escura da lua) foram varias .

Ao sul do Mare Tranquilitatis já me dirigindo para o Nectaris (utilizando a ocular de 25 mm) percebo de cara Delambre. Uma cratera muito interessante com 54 km quadrados. Com uma altitude de 1500m desde seu chão acidentado. Apresenta uma montanha central e diversas craterlets. (10 mm).

No extremo norte do Mare Serenitatis (mar da serenidade) observo com a 10 mm Aristóteles e Eudoxus formando um par sensacional. Duas crateras grandes lado a lado no sentido norte-sul.

Aristóteles tem 90 km quadrados. Uma área de chão extensa e plana. Rampas bem íngremes a leste conduzem a Cratera Mitchell.

Mais ao sul Eudoxus. Apresenta um pico central e têm 70 km quadrados. Ao oeste é possível observar os Montes Apeninos cortados pelo “terminator”.

Agora já mais próximo ao Equador lunar percebo próximas e mais a oeste das nossas estrelas de ontem (Theophilus e Cia) as duas crateras que inicialmente me chamaram mais atenção hoje. Abulfeda e Almanon.

Abulfeda é uma cratera danificada com idade entre 3.92 e 3.85 bilhões de anos. (Período Nectaris). Seu nome vem de Ismail Abu- Al- Nida. Um historiador árabe do sec. XIV.

Almanon por sua vez tem cerca de 50 km quadrados e é do mesmo período.

A seguir me encantam três Crateras muito próximas e bem no terminator.

Agrippa, uma Cratera mais recente (3.2 a 1.1 bilhões de anos) flanqueada por uma muito antiga a leste, Tempel. È interessante perceber suas diferenças. Tempel é do período pré- imbriano (entre 4.55 e 3.55 bilhões de anos). E coroando o trio a mais jovem delas: Godin. Do período copernicano (entre 1.1 bilhões até hoje em dia.). É interessante poder comparar as características morfológicas de três crateras de períodos distintos em um único campo ocular.

Finalmente chegamos a sul do terminator e lá eu destacaria Maurolycus e Clairaut.

Clairaut tem 77 km e esta mais ao sul. Apresenta diversas crateras associadas (a, b, c, d e etc..).

Maurolycus é a maior com 117 km quadrados. É uma cratera chamativa.

Com isto estava resolvida a minha observação lunar. Hoje foi um dia realmente valido. Acordei cedo e fui a três diferentes praias. Depois realizei toda a observação de nossa parceira mais próxima até cerca de 20h45min.

Pude aproveitar bem o nascer da noite.

As 19h47min Sirius e júpiter já brilhavam no céu. As 19h52min começo a perceber Orion. Primeiro Betelgeuse e Rigel com as Três Marias de forma discreta. Saiph da o ar de sua graça as 20h00min PM. Pouco depois o céu esta todo aceso.

É tempo de céu profundo. Ainda que com a lua no céu.

Me viro para o horizonte sudeste e assim afasto ao maximo a poluição luminosa gerada pela Sister Moon.



Vamos visitar Puppis, a Popa do navio do Argonautas. Três belos alvos para o inicio da noite.


NGC 2451- Aglomerado facilmente localizável acima da estrela Naos. Brilha com 2.80 de magnitude e é fácil de ser localizado. Primeiro localize Naos. A partir do asterismo do Falso Cruzeiro siga a trilha das estrelas mais brilhantes em direção a Sirius. Naos vai ser a segunda acima de Delta Velorum no falso Cruzeiro. Ou a primeira abaixo de Aludra, bem na ponta do rabo do Cão Maior (constelação). Ele é facilmente visto pela buscadora e c Puppis é uma estrela gigante vermelha que marca bem o seu centro. Utilizei o Stellarium como programa planetário esta noite e ele foi muito bem. É perfeito para estes alvos brilhantes.

NGC 2477- mais discreto que o aglomerado acima. Uma jóia bem mais delicada que brilha com 5.80 de mag.. Fica logo ao sul do aglomerado acima e acho mais fácil localiza-lo a partir de 2451 navegando com uma ocular wide angle (no caso a minha 25 mm). Depois de localizado utilizei a 17 mm para resolver melhor suas estrelas mais fracas. Pode-se partir de Naos e localizar a estrela b Puppis pela buscadora. Ele vai estar bem próximo.Acho o aglomerado mais interessante desta região próxima a Naos.

NGC 2546 – Um aglomerado maior que o anterior ainda que de magnitude 6.30. Achei que é mais claro que isto. Percebi pela buscadora. Partindo-se de Naos calcule um campo de buscadora para Leste. Ele vai aparecer. Usei novamente o Stellarium para calcular a posição aproximada e o achei facilmente combinando as duas buscadoras.

Já mais tarde (23h40min PM) vou atrás de uma conta antiga. Finalmente separo os membros de Algieba. Esta dupla em Leo é em tese fácil. Não separei com 50x. Em 120x desconfio que com um seeing ótimo seja fácil. Em 240 x (10 mm + Barlow) separei claramente. Algieba 1 me parece mais amarelada que sua companheira. Mas pode ser um truque que a tal da ótica esta me pregando...

Visitando o Leão; galáxias por perto. São 00h00min aproximadamente. Vamos até Chertan nos quartos traseiros... De lá um salto e chego até Eta Leo. Daí para frente vale o faro. Localize HIP 55262 uma discreta estrela de 7.6 magnitudes. Você está muito perto. M66 e M65 estão na ocular. Junto a M66 de 9.0 mag. existe algumas estrelas muito fracas. Vejo as duas com visão periférica. Regulo a respiração e percebo uma leve nebulosidade com visão direta. Fico minutos vendo aquelas tênues nebulosidades no campo da ocular de 25 mm. Coloco a 10 mm. Graças às estrelas junto à M66 consigo enquadrar M66. M65 se revela mais difícil. Volto para a 25 mm. E fico namorando as duas um bom tempo. Galáxias são sempre um premio especial. E duas no mesmo campo... Só alegria. M66 apresenta mais “forma”. Ainda que muito pequena nas 25 mm. Nas 10 mm ela fica maior, mas muito escura e é difícil o foco. Céu muito profundo. M 65 e M66, juntamente com NGC 3628 formam o Grupo M66. Há 35.000.000 de anos luz de nós. M65 tem 9.3 de mag. e M66 8.9. M66 é maior e tem braços mais proeminentes sendo ambas espirais. Influenciam-se gravitacional mente. São todas galáxias espirais. M66 é mais fácil de notar a espiral. Podem perceber que M66 foi citada como de magnitude 8.9 e 9.0. Depende da fonte. No Stellarium 9.0 e na pagina da SEDS 8.9.

Voltando a águas mais rasas. Saturno se torna viável por volta da 00h40min. Livra-se das arvores e aparece entre Porrima e Spica ; em Virgem. É sempre um espetáculo. 50x e 120x. Percebo quatro luas e duas estrelas de campo. Ou serão três luas e três estrelas de campo. Depois de uma rápida visita ao Stellarium e decido que vi Titã (essa eu sabia...) e Réia de um lado do planeta e provavelmente Tétis do outro. Poderia ainda ser Dione. As duas estrelas são decididamente HIP 63938 e uma companheira sem batismo. E uma das luas era vontade...

São 00h56min AM. Abro meu vinho e termino a brincadeira de Lobo Solitário. Amanhã volto para o Rio de Janeiro e para a família. Foi uma sessão de observação das mais prazerosas que já tive.

Opa! Ficou faltando observar Ngc 2392 em Gêmeos. A nebulosa do Esquimó. Era o objeto que pretendia desde o começo. Mais cedo achei que 10ª mag. era querer demais com a lua no céu. Agora é tarde. Fica para próxima.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Obsevando M45


Um dos aglomerados abertos mais conhecidos. Facilmente localizavel a olho nú. Siga as "Tres Marias" em direção a Aldebarã (Alpha Tauri) siga em frente e vai ver claramente o aglomerado. Em condições urbanas ela me aparece como uma nebulosidade. em Ambientes menos iluminados resolvo seis estrelas.Há quem veja sete. São conhecidas como as "sete irmãs".Existem registros de pessoas de olhos muito afiados e em locais muito escuros que conseguiram visualizar até 18 estrelas a olho nú.  São melhor observaveis entre outubro e março.
As Pleiades são um alvo excelente para binoculos . Cobrem uma area enorme do céu. com telescópios com mais de 150mm é possivel começar a se perceber alguma nebulosidade envolvida. Há controvérsias se a nebulosidade é resto da nebulosa que criou o aglomerado ou se está apenas " na frente do aglomerado". Mais de 200 estrelas já foram contadas.  Esta a cerca de 400 anos luz de nós. A maioria das estrelas se espalha por cerca de 8 anos luz porém suas bordas mais externas apresentam membros por mais de 30  anos luz.
Conhecida desde a antiguidade o aglomerado foi citado por Homero ( c. 750 ac.) . Messier inclui em seu catalogo em 4 de março de 1769. Composta principalmente por estrelas de classe espectral A e B ( jovens estrelas azuis). Como nenhum dos componentes ainda evolui em gigantes vermelhas é amplamente aceito que o aglomerado é bastante jovem . cerca de 50.000.000 de anos ( 1% da idade do Sol).