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domingo, 5 de janeiro de 2014

Ngc 3372 : A Grande Nebulosa de Eta Carina

           
           

             
       A Nebulosa de Eta Carina é um DSO de muitos DSO´S. Há anos eu fujo de apresentá-la. Ela é  a Grande Dama dos céus austrais. E assim sendo deve ser tratada com o devido respeito.



            A Nebulosa foi um dos primeiros objetos que observei. Ela é facilmente localizada de nossas latitudes. A Via Láctea passa entre Órion e Gêmeos. Ruma para o Sul passando por Sirius e segue para Canopus. As duas estrelas mais brilhantes do firmamento. Depois segue direto para o Cruzeiro do Sul. Neste trecho ela vai passar pelo asterismo do Falso Cruzeiro. Suas estrelas são um pouco mais afastadas e mais fracas que as do Cruzeiro original. Procure por um "Nó de Luz" encravado na Via Láctea entre o Falsa Cruz e o Cruzeiro do Sul. Em céus escuros ela é evidente a olho nu. Mesmo em céus menos generosos pode-se perceber uma diferença no gradiente de luminosidade do céu na região. Em sua buscadora ela se apresenta-rá como uma região enevoada.
            Use uma ocular de grande campo. 25 ,30 ou mais mm. A nebulosa vai preencher o campo. Você vai perceber um bem estruturado conjunto de áreas brilhante permeada por linhas mais escuras e diversos aglomerados e outras estruturas. Na sua parte central vai perceber uma pequena área alaranjada . É o Homunculus onde se escondem Eta Carina e suas companheiras. Linhas escuras vão constituir o que passou a ser chamada de Nebulosa da Fechadura ( Keyhole Nebula). Vários aglomerados estarão por lá também.
            Com as férias de fim de ano  fiz uma foto que pela primeira vez achei a altura da tarefa de introduzir a dama a sociedade. As experiências anteriores não eram dignas nem de tablóide inglês. E assim vou arriscar  realizar o debut da moça no Nuncius Australis.
            A nebulosa possui vários nomes : A Grande Nebulosa de Carina, A Nebulosa de Eta Carina, Ngc 3372 ou simplesmente a Grande Nébula. É uma imensa e brilhante nebulosa que possui dentro de suas fronteiras diversos aglomerados abertos e estrelas de grande interesse. É uma das maiores nebulosas difusas dos céus. Ela é quatro vezes maior e mais brilhante que a mais famosa Nebulosa de Órion. Logicamente que devido a sua localização austral é menos conhecida. Ela é um segredo do céus do sul. Provavelmente a maior jóia da Coroa Australis. 
A Grande Nebulosa de Eta Carina e adjacências-. 30 X 1 min 1600 ISO-Canon T3 -Lente Canon EF 70-300 mm @ 75 mm Esta foto é um "post scriptum.". Foi realizada anos após o post. empilhada no DSS e esticada no PI e PS. 

            Como não podia deixar de ser foi uma descoberta do nosso sócio. O Abbe Lacaille. Os primeiros registros de sua natureza nebulosa foram feitas em sua expedição ao Cabo da Boa Esperança entre 1751-52. Sua inclusão em seu catalogo foi realizada , precisamente, em 25 de janeiro de 1752. É a entrada Lac III.6 A categoria III do Catalogo Lacaille reúne o que o Abbe considerou "Estrelas Nebulosas"; E como o que ele observou foi anterior ao evento de 1843 é bem provável que a região tivesse um aspecto bem diferente.  
            Para introduzir este rico DSO creio que a melhor forma seria apresentar a dona da casa. Eta Carina.
            Eta Carina é uma estrela com uma história riquíssima e de grande interesse cosmológico . Como boa diva tem um comportamento bastante "explosivo". Sabe-se hoje que é um sistema estelar localizado entre 7.500 e 8000 anos luz de nós. Encontrei diversas distancias descritas na literatura. Uma curiosidade: em livros mais antigos chega a ser dito que a distancia do complexo poderia ser algo entre 2000 e 10.000 anos luz devido a sua posição na Via Láctea e qual seria a quantidade de poeira a ser corrigida para determinar-se a distancia. Sua estrela primaria é uma Luminosa Variável Azul ( LBV na sigla em inglês)  que possuía inicialmente algo como uma massa de 150 sóis das quais já perdeu, pelo menos, 30. Isto faz dela uma das maiores estrelas conhecidas no universo.  O sistema possui ainda uma quente super gigante com aproximadamente 30 vezes a massa solar orbitando a primaria.Infelizmente uma enorme e densa nebulosa vermelha envolve esta impedindo de se ver a secundaria. O sistema Eta Carina esta encapsulado na chamada Nebulosa do Homunculus.  Estrelas da classe de Eta Carina são muito raras. Umas poucas duzias por galaxia do tamanho da Via Láctea. Elas se aproximam , e potencialmente excedem, o Limite de Eddigton  Um lugar onde a pressão da radiação é praticamente suficiente para gerar um contra ponto para a gravidade que mantem toda radiação e gás estruturados em forma de estrela. Estrelas com mais de 120 massas solares excedem Eddigton. Provavelmente isto tem algo relacionado com o evento que causa a grande importância astrofísica de nossa amiga. A grande erupção ou o "Evento impostor de Supernova de 1843".
            Quando Eta Car foi catalogada pela primeira vez em 1667 por Edmond Halley (o do cometa)  ela era uma estrela de 4a magnitude. Em 1730 diversos observadores já haviam percebido um aumento considerável de seu brilho. Quando Lacaille esteve pela região ele deu a designação Bayer de Eta para a estrela. No momento com  2a magnitude . Posteriormente a estrela enfraqueceu de brilho e por volta de 1782 ela havia retornado a seu brilho original. Em 1827 seu brilho havia crescido mais de dez vezes e atingiu seu apíce em abril de 1843 quando atingiu a magnitude de -0.8. Se tornou a segunda estrela mais brilhante do céu. É importante lembrar que Sirius (a mais brilhante) esta a 8.6 anos luz da terra. E Eta Carina habita a 7.500 anos luz. Comparações utilizando velas, faróis e afins são desnecessárias... Falar que esta é uma candidata a supernova em futuro próximo é também redundante. E próximo, em astronomia, compreende um período que vai desde amanhã até alguns milhões de anos...



            O Homunculus é uma formação nova. Este foi formado durante e logo após a grande erupção de 1843 . Trata-se de uma nebulosa de reflexão que faz parte do conjunto que responde por Ngc3372.  Facilmente identificado na nossa foto ele não chega a apresentar claramente a  forma que lhe empresta o nome. Mas também demonstra que não é necessária tanta magnificação ou telescópios tão grandes quanto já imaginei para observa-lo.
            Como já falei ,mas não custa repetir, é outra parte do conjunto Ngc 3372 a conhecida Nebulosa da Fechadura. O Nome foi dado por John Herschel ( o filho) durante o séc. XIX. É uma nuvem poeira escura com filamentos de gás mais quentes  que aparece silhuetada contra a mais brilhante nebulosa ao fundo. A formação possui um Ngc só dela. 3224.
            Ngc 3372 é uma das mais dinâmicas regiões de formação estelar . A região há meros 2.3 kpc é a mais próxima região de formação estelar com uma população de estrelas muito maciças (com pelo menos 70 estrelas do tipo O e  4 estrelas Wolf-Rayet) Entre estas estas estão diversas das estrelas mais maciças e luminosas da galaxia ( com M>~100 massas solares). Entre elas a já citada LBV Eta Carina , HD93129Aa e diversas estrelas O3 da sequência principal.  Diversas destas estrelas residem em frouxo aglomerados próximos ao centro do complexo.
            Entre estes aglomerados podemos destacar Tr 14,15 e 16. todos eles muito jovens com idades variando de 1 a 8 milhões de anos apenas.  Tr é sigla que  identifica os aglomerados do catalogo Trumpler. O mesmo Trumpler que criou a classificação Trumpler para descrição de aglomerados galácticos. Falei nele no nosso ultimo post. A forte radiação com o feed back de estrelas tão maciças  já dispersou muita da original nuvem de gás. Levantamentos recentes indicam a formação de uma nova geração estelar nas densa nuvem remanescente , em especial na região conhecida como "Pilares do Sul ". (Southern Pillars)

            As vezes é difícil dizer quem é quem na minha modesta fotografia, realizada com meios bastante amadores, mas fiz um esforço para identificar todos os abertos que vou apresentar neste post.
            Tr 14 é facilmente percebido a direita e acima da região mais densa da Nebulosa.Possui cerca de 290 estrelas e sendo bem jovem  ainda tem muito membros em estágios pré sequência principal. O Tal equilíbrio hidro estático é algo difícil de ser atingido por estas plagas. Seja por causa de Edidgton ou por causa de Hayashi.  
            Tr 16 é visto do mesmo lado da nebulosa mas mais abaixo  de nosso quadro e pode ser considerado um parente muito próximo de nosso aglomerado anterior. São os dois mais populosos aglomerados da região de Ngc 3372 e são a maior aproximação que temos das coisas que acontecem em 30 Douradus na Grande Nuvem de Magalhães. Não poderia deixar de perceber  e chamar atenção para as relações entre a região e a muto mias distante Nebulosa da Tarantula. Ambos os aglomerados ajudaram a determinar a extinção na região e encurtar uma discussão que já durava muito tempo. A quem interessar possa este é um paper bastante completo sobre os rapazes. http://iopscience.iop.org/0004-637X/549/1/578/pdf/0004-637X_549_1_578.pdf
            Tr 15 é também parente próximo e sofre das mesmas questões . Mas diversos papers consultados indicam que os aglomerados aqui indicados surgem a mesma distancia e tem idades semelhantes sendo associados a fenômenos relacionados a dinâmica da região de Ngc 3372.  Mais em Tr 15 em: http://mnras.oxfordjournals.org/content/331/3/785.full.pdf+html
            Cr232 é um aglomerado aberto bem próximo ao  Homunculus e em posição bem central no complexo. É evidente na foto e me permitiu ver que as vezes o que parece uma estrela com rastro devido a um mal acompanhamento polar na captura das imagens é na verdade um difícil aglomerado aberto. Astronomia e óptica são a mesma matéria...
            Cr 234 é outro que indico na meu modesto levantamento ótico da Grande Nebulosa de Carina. Sua história parece ser semelhantes aos demais...
            Cr 228 já se encontra mais afastado da região central mas compõe o quadro. Tenho duvidas se o identifiquei corretamente  na minha foto. Mas não sou o único com duvidas a respeito de sua real localização. É provavelmente  composto de estrelas recém formadas do material da nebulosa. Segundo Ronald Stoyan a posição e descrição dadas por Lacaille em seu catalogo indicam que o "perdido" objeto Lac.III.5 seria o aglomerado e não uma parte de  Lac III.6 como se sustentou durante muito tempo. Lacaille define III.5 como "Duas pequenas estrelas cercadas de nebulosidade.". Difícil imaginar ele resolvendo duas estrelas aqui com uma luneta de 25 mm.


            Na imagem do Cartes do Ciel existem ainda mais aglomerados abertos espalhados pela região. Não os identifiquei na foto realizada por clareza e por não localiza-los claramente na imagem.
            E o o Catalogo Bochum é , no minimo, bastante obscuro...  Para dizerem que não falei de flores desccobri que trata-se de um catalogo publicado em 1975 e elaborado no Astronomical Intitute, Ruhr Univ. Bochum, Germany...

            Segundo um dos meus livros mais queridos " Turn Left at Orion" a melhor época para se observar a região de Ngc 3372 é em abril. Queimei a largada e não me arrependo. Gosto de observar em horários mais tardios e assim conseguir céus um pouco mais escuros em meus tão claros céus urbanos... A Grande Nebulosa de Eta Carina já é uma mocinha bem crescida e passa a noite quase toda fora.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Cometa C / 2012 S1 ( ISON)- Será que é desta vez?

   Ikeya-Seki (1965)- O mais brilhante do Seculo e quiçá em milenios
(Mag. -10)


Eu comecei a observar o céu de uma forma mais obsessiva quando descobri um catalogo elaborado por um caçador de cometas. Desta forma sempre que um cometa se apresenta eu tento avista-lo. Quando me dizem que este vai ser o cometa mais brilhante de todos eu fico doido. Talvez mais brilhante que o Ikeya. Como cantam por aí: Tomara meu deus tomara...
O cometa C/2012 (ISON) irá se encontrar em seu periélio em exatamente 1 ano (escrevo estas linha no dia 28 de novembro de 2012) e se anuncia como o cometa mais brilhante visto por algum ente vivente.
Ele foi descoberto pelos astrônomos russos Vitali  Nevsky e Airton Novichonok com imagens obtidas  em 21 de setembro de 2012. Eles usavam o telescópio de 400 mm  do Observatório Kislovodsk , o qual faz parte da “ Russias International Scientific Optical Network.”  ISON..
Cometas já fizeram de bobos astrônomos de muito mais experiência que eu. Mas o astrônomo é antes de qualquer coisa um forte. E como um bom conquistador do inútil a esperança é o que nos move.
Desta forma vamos ao que importa. Como serão as condições de observação do que pode vir a ser o maior espetáculo da terra em 2013.
Nunca é suficiente lembrar que é perigoso olhar objetos muito próximos ao sol. Use de prudência. Como dizem os americanos:“at your own risk”...

Como já diz o nome o periélio é o momento que o cometa se encontra mais perto do sol Assim sendo o cometa vai estar a menos de 2º do sol. Cuidado para não ficar cego. Mas ele provavelmente dará um show no amanhecer. Seu horizonte leste tem que ser limpo. No Rio eu recomendo estar na Pedra do Arpoador. Brilhando (segundo o Stellarium) com impressionantes -6.37 ele vai ser visível e espetacular mesmo com o sol atrapalhando. Ele estará extinto para -2.8. Ou seja, visível mesmo de dia. E sua cauda vai ser uma coisa de doido...
Amanhecer de 28 de Novembro 2013

Mas meu plano de voo começa bem antes disso.

20 Outubro de 2013

Um pouco mais de um mês antes disso, no dia 20 de outubro, ele vai se encontrar do lado de marte no horizonte leste. E estará brilhando com 8ª Magnitude bem perto de marte. Fácil alvo Binocular.
04  Novembro de 2013

No dia 04 de novembro de 2013 ele cruza a barreira da visibilidade a olho nu em ambientes escuros. Estará cruzando o reino das Galáxias entre Leão e Virgem e brilhando com Magnitude 5.9.
Agora as coisas começam a acontecer bem rápido. Ele vai pular uma magnitude a cada três dias ou menos.
18 de novembro 2013

No dia 18 de Novembro ele se encontrará ao lado de Spica (Alpha Virgo) e Brilhando com 2.8 de Magnitude.

E este é meu esboço de observação.  Baixe os elementos orbitais do ISON no Stellarium ou no CdC e fique , assim como eu,tentando descobrir qual será o melhor momento par ver o show...
Grosso modo em outubro e novembro ou eu só vou dormir quando amanhecer ou eu vou ter de acordar por volta das 04h00min AM.
Depois do Periélio...

Depois do periélio a posição vai ficar ruim especialmente aqui das terras austrais. Embora sua cauda enorme provavelmente ainda possa fazer o show. Ele vai estar se pondo antes do sol e você deve aí ir buscar um horizonte oeste liberado. Cuidado com o sol.
Aguardando ansioso...
P.S- 25 de agosto 2013 . Tudo indica que o espetáculo será bem mais modesto do que o previsto...

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Caçando Cometas- Log de 29 de agosto de 2011

Lua nova. Ainda bem jovem. Dia 29 de Agosto de 2011.

Parto rumo ao posto avançado em Buzios. É segunda feira e saio às 15h30min do Rio. As 17h40min chego a Padaria próxima da casa.

Quando observando é importante manter uma alimentação bem equilibrada para resistir a frio e as longas horas em posições improváveis junto ao telescópio. Compro dois pacotes de Doritos e um molho de Cheddar para cobertura. 150 gramas de mussarela e outras tantas de Mortadela. Dois miojos. Uma lata de energético e uma garrafa de mate.

Tudo bem balanceado.

18h30min estou afinando a minha buscadora. Continuo sem bateria na minha “red dot”. Muito preguiçoso. Agora vou ter mais trabalho para iniciar as buscas.

Lyra
 Vega é a estrela mais brilhante a esquerda do centro

Com Vega  na buscadora começo a buscar (perdão...) com a ocular de 25 mm. Com um pouco de sorte esta bela estrela não demora muito a aparecer e depois de centralizá-la eu afino melhor a buscadora. Depois repito o processo com a 10 mm. Não levo as coisas até as ultimas conseqüências e deixo a 4 mm no case.

Ainda sem uma boa visão noturna escolho algo fácil com o que começar e dou um pulo até M13. O grande aglomerado em Hercules. Cantado em prosa e verso. Foi descoberto por Edmond Halley em 1714. Halley anotou que este “.. mostra-se ao olho nu quando o céu encontra-se sereno e a noite sem Lua.”

Messier o inclui em seu catalogo em 1 de junho de 1764.

Apesar de tanta prosa e tanto verso M13 se apresenta sem muito caráter esta noite.

Com todas as combinações de oculares.

Na verdade eu acho que M 13 deixa um pouco a desejar. Talvez mais ao norte. Mas acho que diversos aglomerados o superam em muito. Isto sem falar em Omega Centauro e Tucana 47 (Ngc 107). M22 me encanta mais e Ngc 6752 em Pavo se destaca muito mais. Confesso que esta noite ele se encontrava especialmente sem resolução. Era cedo e meu olho ainda não estava completamente aclimatado. Mas fica aqui meu registro. No começo de 2012 vou para o hemisfério norte. Terei de tirar isto a limpo. Infelizmente ao amanhecer...

Uma curiosidade: M13 foi selecionado como alvo para uma das primeiras radio mensagens mandada para possíveis Alienígenas. Se alguém lá estiver esperando faltam apenas cerca de 24.963 anos para ela chegar. A mensagem foi enviada pelo radio telescópio do Observatório de Arecibo.

Agora já mais aclimatado vou à busca de um dos objetivos planejados.

M 57. A nebulosa do Anel. Localizada entre Shelyak (Beta Lyra) e Sulafat (Gama Lyra) não é exatamente difícil de achar. Diferenciar quem é quem no campo da buscadora já é outros quinhentos. Mas não chega a demorar.


Nos momentos de bom seeing percebo o anel claramente. Nem sinal de estrela central. Com a 10 mm chego a perceber alguma estrutura no anel. O vento não esta ajudando, mas nos instantes de calmaria a nebulosa se resolva claramente. Com a 10 mm (120 X).

Agora chegou à hora. A razão desta rápida fuga até Buzios. Como a previsão do tempo não era boa durante o fim de semana aguardei o momento certo. Segundo o Accuweather a noite de segunda feira é perfeita para o ataque. Exatamente em uma janela de bom tempo. A noite de terça-feira já corre o risco de estar comprometida e é prevista chuva para quarta. Mas pode ser ainda a ultima chance de se visitar o Cometa Garrard nessa lua nova.

O cometa se encontra perto de Sagitta (a flecha).



Cometa Garrard



E não foi nada fácil...,

Sagitta é uma constelação sem vergonha. Um monte de estrelas fracas e que se recusavam a permanecer visíveis com visão direta. Com o alvo bem no meridiano começa a busca. Porém chego a meu objetivo de uma forma bastante sinuosa.

Mas muito interessante...

Albireo. A rainha das estrelas duplas. Partindo deste nobre porto vou rapidamente até o aglomerado de Brocchi. Este conhecido como o cabide e já é um destino em si. Catalogado como Cr 399 é um lindo asterismo. Não se trata de um aglomerado verdadeiro sendo apenas um alinhamento casual de estrelas. Mas engana muito bem. É um alvo ideal para binóculos. Ele se apresenta melhor na buscadora, sendo muito grande até mesmo para a 25 mm. Cobre mais de 1º. O Cdc diz que é facilmente percebido a olho nu. Eu não vejo nada... Mas a partir de Albireo fica um campo de buscadora acima.

A partir de Cr 399 e navegando pela buscadora consigo localizar Sagitta. Mais precisamente o triangulo formado por Alfa, Beta e Delta Sagitta. Esta ultima faz par com Zeta Sagitta.

Entre Zeta Sagitta e Cr 399 esta 9 de Vulpecula. Uma estrela de 5ª mag. que se destaca no campo de estrelas bem fracas. Entre ela e Zeta Sagitta eu achei o cometa. Não foi uma navegação fácil e passei cerca de uma hora nestas buscas... Usei a 10 mm durante as buscas por distração. Seria mais fácil com uma ocular com maior campo. O cometa em si esta bem brilhante. Tinha lido uma observação sobre o mesmo e o autor o comparava com M1.

Achei mais brilhante.

Fiquei um bom tempo namorando aquela estrela cabeluda. A Coma não esta grande mais é bastante aparente. Em todas as combinações de oculares (25 mm, 17 mm e 10 mm).

São 21h30min.

De volta a Sagitta percebo linhas negras em uma espécie de aglomerado. Uma área bastante interessante a sul de Delta. Não descobri nada especifico. Ficam aí duas entradas do catalogo Sharpless de nebulosas (84 e 87) como constatei no CdC. Mas acho muito difícil que meu telescópio apresente todo este poder de fogo. Realmente se nota “algo” na região. A transparência hoje parece bastante boa.

A viagem já esta paga.

Parto em busca de algo mais fácil.

Gamma Delphinus. Uma bela dupla. Em uma constelação cheia de história. Pela primeira vez na noite uso a 4 mm. Não que precise para dividir os componentes desta dupla. Mas para testar o seeing. Não é de todo mal. O problema é o vento no telescópio. Nos momentos de calmaria aparecem bem definidas.

Estrelas Duplas são um habito adquirido. Depois que você toma gosto são muito divertidas.

Aproveitando a posição favorável faço uma visita a um dos aglomerados abertos mais sem graça do catalogo Messier. Sua entrada de numero 29 é bastante sem sal.

Bem próxima a Sadr (Gamma Cygnus) é facilmente localizável pela buscadora. Consiste de aproximadamente 20 estrelas de 8ª mag.

É uma descoberta original de Messier e ele a inclui em seu catalogo em 29 de Junho de1764.

A luz de M 29 é obstruída por muita matéria inter estelar e se seu campo e visão fosse mais desimpedido suas estrela chegariam a ser 3 mag. mais claras.



Parto para o horizonte sul.



Em um tiro certeiro achei Ngc 104 quase que por mágica. Achernar, Alpha e Beta Hydra e um chute e ele aparece bem no meio da buscadora.

Como já falei Tuc 47 e Ngc 104 são a mesma pessoa...

O segundo globular mais brilhante da galáxia. Só perdendo para o pai de todos: Omega Centauro. E pulverizando M13.

Começo a resolver estrelas com 120 X. Com 140 resolvo varias estrelas nas bordas. Mesmo com 48x percebe-se certa granulosidade.



Júpiter já vai mais alto no céu.

Meu olho cansou de caçar D.S.O.

São 00h35min

Resolvo partir para um pouco de exploração planetária e fazer algumas experiências com minha nova câmera fotográfica.

Tratarei disto no póximo post.

Depois de me entender com Registax 5....

Bons Céus.




quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Cometa C/2009 P1 Garrard

A grande estrela do misticismo é o Elenim. Mas deveriamos voltar nossos olhos para a eminência parda :O Cometa C/2009 P1 Garrard.
Este esta se apresentando de forma magnifica e ao alcance de equipamentos amadores. Há inclusive diversos registros de observações com binoculos. Sua atual magnitude é por volta de 8,5. Algo como a Nebulosa do Carangueijo (M1).
Localizando-se entre as constelações de Pegasus e Delphinus ele é a grande "estrela" deste mês. No momento bem próximo a M 15 . Ambos no mesmo campo foi recentemente a foto do APOD.
Não perca a chance de visitar este cometa.
Não tão comentado quanto o Elenim este cometa vai surpreender e você não vai ser obrigado a explicar para ninguem que o mundo não vai acabar e nem o chão vai tremer.
Ele já consta do database do Cartes du Ciel (Skycharts).