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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

M 67 : O Barrete Frígio

       


            M 67 é aquele outro aglomerado aberto em Câncer. Dividindo a constelação com M 44,O Aglomerado do Presépio, que é facilmente percebido a olho nu este mais discreto e nem por isto menos belo aglomerado é menos visitado. As apagadas estrelas do caranguejo celestial não facilitam a navegação até o mesmo em locais de poluição luminosa.  E assim M 67 sofre uma daquelas injustiças celestiais comuns a vizinhos de grandes e brilhantes aglomerados.
            O Aglomerado foi descoberto por Johann Gottfried Köhler em Dresden, Alemanha, antes de 1779. “ Uma nebulosa bastante proeminente com um formato alongado”. Como seu registro nunca foi publicado Messier redescobre M 67 de forma independente em 6 de abril de 1780. Este o resolve parcialmente. Um aglomerado de pequenas estrelas com nebulosidade”. Ambas as descrições demonstram como o equipamento destes pioneiros era modesto. Já observei M 67 com o “Galileo” (um refrator de 70 mm) e o resolvi totalmente. Nada de nebulosidade envolvida.
            William Herschel é o primeiro a resolve-lo. Ele o descreve assim:
            “Um lindo e muito comprimido aglomerado de estrelas, facilmente observável com qualquer bom telescópio e onde observei mais de 200 estrelas no campo de meu grande refletor, com um aumento de 157X”.
            Leo Brenner (um controverso e muito “criativo” observador alemão do final do século XIX e início do sec. XX. Autor do primeiro Guia observacional de Céu Profundo em língua alemã (1902)) também deixa claro como eram simples os telescópios utilizados por seus descobridores: “ Na buscadora aparenta ser um retalho nebuloso, mas já com pequenos aumentos é reconhecido como um aglomerado estelar e esplendido objeto. Cercado por um semicírculo de estrelas mais brilhantes repousam 230 estrelas de magnitude 9 a 12. ”
            O Admiral Smyth é que associa M 67 ao formato que hoje leva a seu apelido: O Barrete Frígio. Quase um século depois O ‘Meara nos conta que muitos discordam da semelhança apresentada por Smyth. Ele mesmo acha que o aglomerado lembra um Cobra-Rei pronta para o bote e destaca que Flamarion acredita que o aglomerado recorda a uma espiga de milho e que Luginbuhl e Skiff criam sua própria metáfora e associam o mesmo a “uma arvore de fibras óticas”.
Brasão da Cidade do Rio 

            Somente para esclarecer: O chapéu frígio recorda uma mitra (aquele chapéu de bispo) e é também conhecido como o Barrete de Liberdade por ter sido utilizado pelos revolucionários franceses. O mesmo está presente no brasão da cidade do Rio de Janeiro.
            M 67 é um dos mais antigos aglomerados abertos conhecidos e estudo recente (Michaud e colegas, 2004) estima uma idade de 3.7 bilhões de anos o que é quase tão antigo quanto o sistema solar. O mesmo estudo acredita que ele manterá sua dinâmica de aglomerado por mais 5 bilhões de anos.  Muitos poucos aglomerados abertos atingem idades sequer próximas a isto. Ngc 188 é o único aglomerado aberto conhecido que (sem controvérsias...) é mais antigo que nosso convidado. A razão desta longevidade esta associada a sua riqueza e a sua grande distância do plano e do centro galáctico; o que evita interações gravitacionais destrutivas.
             A idade de M 67 nos permite ver neste um grande número de estrelas altamente desenvolvidas. É rico em gigantes vermelhas, com pelo menos 20 confirmadas. Possui também um grande número de anãs brancas (150). Foram descobertas também 23 “Blue stragglers” que são mais típicas em aglomerados globulares mais densos e antigos que os tradicionais aglomerados galácticos.
            Localizada a 3000 anos luz de nós pode-se derivar um tamanho de 21 anos luz para M 67.
            Observar M 67 em locais escuros não chega a ser difícil. O´Meara nos diz que em uma noite perfeita ele é visível a olho nu. Eu duvido.... Com meu binóculo 10X50 mm em céus Bortle 6 ele é perceptível como uma pequena mancha enevoada. Com meu 15X70 ele começa a se resolver.  Com o Galileo ele se resolve e conforme aumenta-se o poder de fogo mais estrelas irão comparecer.
            Stoyan nos diz que o equipamento mínimo para resolve-lo é um telescópio de cerca de 60 mm.
            Com o Newton (um refletor de 150 mm f8) consigo perceber várias dezenas de estrelas. Em céus muito escuros podemos checar a uma centena com 120X de aumento. M 67 é um alvo telescópico e nestes é muito mais interessante que seu mais conhecido M 44. Este devido a sua enorme área aparente é melhor observado com binóculos.  

            Para se navegar até M 67 localize Acubens (Alfa Câncer) e navegando rumo a oeste passe por 60 Cnc (fraca e avermelhada). O aglomerado se apresentará discreto na buscadora em locais de poluição luminosa intensa...
            A foto que abre o post é resultado de cerca de 1 dezena de exposições de 30 segundos com ASA 3200. Na verdade foi um aquecimento na noite em que me dediquei a fotografar M 66 e M 65.  Foi utilizado o Newton montado sobre a Mdme. Herschel (uma montagem HEQ 5 pro) e uma câmera Canon T3 sem modificação. Foram feitos uns poucos “dark frames”.  A imagem foi processada no Deep Sky Stacker.

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Ngc 253- A Grande Galaxia de Escultor

                


                 A observação visual de galaxias em pequenos telescópios é uma arte que é parente próxima das obsessões e monomanias tão citadas por Simão Bacamarte  em um dos contos mais divertidos do Mago do Cosme Velho ( Joaquim Maria Machado de Assis) . Como a busca destes universos ilhas , com muito poucas exceções,  demanda céus mais escuros que os de meu Rio de Janeiro querido geralmente preciso ir para Búzios realizar a caça. Talvez por isto sempre que penso em galaxias me recordo do "O Alienista" e da máxima de Simão Bacamarte ( O Alienista do título) : - A ciência é meu emprego único ; Itaguaí o meu universo . 
                Na verdade toda esta história  faz parte de um folclore familiar e de um terrível mal entendido geográfico. A caminho de Búzios se passa por Itaboraí. Mas esta  sem graça cidade fluminense assim como Itaguaí possui também uma casa de Orates.  Que em vez de ser chamada de Casa Verde é chamada de Clinica Ego . E sempre que minha filha  vai a Búzios vem a tona o velho sonho de se ter uma casa na serra com Cavalos, céus muito escuros  e outras cositas mais . Eu entendo o desejo ingênuo  dela e dou maior apoio. Mas lembrando sempre de minha pindaíba aviso que na atual conjuntura uma Casa na serra só se for pintada de verde. Seria um desvario... Da mesma forma que querer ver galaxias distantes em modestos telescópios.
                Buscar por  Ngc 253 talvez não garantissem uma visita forçada a Casa Verde. É uma das galaxias mais brilhantes dos céus e com um brilho de superfície relativamente alto apesar de seu grande  tamanho aparente   ela é facilmente percebida mesmo com visão direta e em céus nem tão generosos. Buzios atinge 6 na escala Bortle de Poluição Luminosa ( Subúrbios Claros) ela se apresenta até mesmo com alguns detalhes no Newton ( um telescópio refletor de 150 mm f8) .  Com Magnitude de 7.1 e um brilho de superfície de 13.2 ela é generosa com amadores.
                O´Meara nos diz que  "... de vislumbre a galaxia parece com o inicio da ordem inicial emergindo do fervilhante caos ".
                Localizada a 9.8 milhões de anos luz do nosso grupo local Ngc 253 é a galaxia mais brilhante do Aglomerado de Escultor. É o aglomerado galáctico mais próximo de nosso grupo.

                Ngc 253 foi uma descoberta de Caroline Herschel . A mesma que batiza minha cabeça equatorial e irmã de William.  Em seu primeiro catalogo " A Thousand New Nebulae" William nos diz: " Esta nebulosa foi descoberta por minha irmã Caroline Herschel,  com um excelente pequeno Newtoniano de 27 polegadas de distancia focal e com ampliação de 30.1 que possui entalhadas as iniciais C.H. de seu nome."  Caroline utilizou este telescópio para realizar varreduras dos céus entre  1782 e 1783 em busca de cometas. Herschel registrou o objeto em 30 de outubro de 1783.  Coube ao sobrinho de Caroline , John Herschel, observando a partir da Cidade do Cabo descrever a galaxia em detalhes. Em novembro de 1835 ele diz "  levemente raiada e nodosa em sua constituição e talvez seja resolvível".
                É lógico que Herschel ( filho) não resolveu estrelas individuais em Ngc 253 . Mas é compreensível ele ter esta impressão. Eu mesmo a tive com o uso de visão periférica. O efeito é bem comum em galaxia elípticas.
Tratatda no PixInSight

                Ngc 253 ´uma espiral barrada e uma das mais fáceis de ser percebidas visualmente. Muitos livros comparam Ngc 253 com M 31 ( a grande galaxia de Andrômeda)  mas creio que o único fato para tal é que ambas são facilmente observáveis com pequenos telescópios.  Com 54 mil anos luz de extensão e uma massa total de cerca de 75 bilhões de sóis  ela é  2 , 5 vezes menor e 4 vezes menos maciça que M 31.

                Ngc 253 é ainda uma galaxia "starburst". Possuindo muito gás em seus braços ela produz estrelas em um passo 4 vezes maior que a maioria da espirais.  Especialmente junto a região mais próxima a seu núcleo.  Em seu núcleo habita um gigantesco aglomerado estelar parecido com a Nebulosa de tarantula na grande Nuvem de Magalhães. Esta uma região muito dinamica onde surgem aglomerados de estrelas jovens mas com massa e características semelhantes aos anciões aglomerados globulares. São elos na evolução do universo muito interessante e alvo de muitos estudos recentes.  estes surtos de nascimento estelar são , geralmente, resultado da interação de galaxias. Isto deve  ter acontecido entre 100 e 150 milhões de naos atrás. A outra galaxia envolvida não é conhecida e provavelmente e o surto é fruto da absorção da mesma. O mais recente surto de nascimento estelar deve vir se desenrolando por cerca de 20 a 30 milhões de anos. Aglomerados muito jovens foram registrados pelo Hubble Space telescope.  Ngc 253 é  mais precisamente uma espiral mixta ( SABc). Algo entre uma Espiral "grande design" e uma barrada.
                Em latitudes austrais Ngc 253 é uma das grandes damas da noite e é possível desconfiar de sua presença mesmo a olho nu de regiões e céu muito escuro. Tive este prazer a partir da Serra da Águia Branca ( S.C.) .  Desta forma ela se assemelha muito a M33. Mas M 33 é definitivamente um alvo mais difícil de ser observado. Em Búzios M33 é um objeto dificílimo e que só se apresenta com visão periférica e mesmo assim para quem já tem uma certa pratica observacional. 253 é acessível aos mais neófitos.

                Localizar a mesma céus suburbanos não é tão fácil quando se poderia supor a partir deste depoimento.  Olhe bem o mapa e calcule a posição a partir de Diphda e Alpha Sculptoris. A região não é muito povoada e como  a galaxia se revela discretamente mesmo para binóculos uma tentativa de aproximação e erro costuma funcionar bem. É comum se esbarrar em Ngc 288 ( Um globular ) quando se parte de Alpha Sculptoris. A Galaxia tem quase 30´ de tamanho aparente e não se confunde um com o outro nem com muita vontade. Em meu 7X50 ( binoculo)  posso enquadrar 253 e 288 juntos. Com isto é possível comprimir mais de 9.000.000 de anos luz em um único campo visual. Um conceito de 3D que deixaria os realizadores de Hollywood morrendo de inveja...
                Ngc 253 é popular e possui vários nomes. A Grande galaxia de Escultor é o mais famoso. Mas A Galaxia "Moeda de Prata" é tão ou mais apropriado. ( The Silver Coin). É  também a entrada  de numero 65 da Catalogo Caldwell ( C 65) , uma lista observacional organizada pelo finado Patrick Moore.
                Em fotografias mais esmeradas que as que realizei ela revela muito s detalhes. densos nós estelares onde habitam os novos aglomerados citados são evidentes. Com paciência e insistência estas estruturas são espíritos insistente para observadores visuais aplicados.
1 unica exposição de 30 segundos. É muito semelhante ao que você ver´com visão direta em uma ocular wide field.

                As fotos  que ilustram este post foram fruto de algumas dezenas de exposições de 30 segundos ( algumas 25 e outras 32...) com ASA 3200 em uma Canon T3 sem modificação alguma. O telescópio utilizado foi um newtoniano 150 mm f8 montado em uma HEQ 5. Sem acompanhamento. Passaram por diferentes processos de "revelação". Foram utilizados programas como o DSS ( Deep SkyStacker) , Rot n´ Stack , Fits , Photoshop , Noiseware e talvez mais alguma coisa...  Foram utilizados dark frames também.
                Nestas é possível perceber bem os dois braços principais e seu ativo núcleo. A estrutura nodosa e fruto do seus numerosos aglomerados também se apresenta timidamente. A granulosidade que deve ter dado a Herschel sua sensação de resolver  estrelas é bem evidente.

                A Moeda de Prata é um dos mais interessantes alvos extragalácticos da primavera e de todo céu Austral . E visualiza-la não irá colocar em risco sua sanidade nem sua paciência.

quinta-feira, 12 de maio de 2016

The Eyes: Ngc 4435 e 4438

         

    
            Alguns DSO´s (1)  possuem nomes próprios que os tornam personagens quase mitológicos no firmamento.   Geralmente eles são resultados da necessidade humana de trazer coisas tão enormes e distantes  de nossa realidade cotidiana  para algo mais palpável. Também um exercício lúdico.  As vezes a semelhança é inegável... A Nebulosa Cabeça de Cavalo e a Constelação de Escorpião são dois exemplos que me ocorrem quase imediatamente.
            O DSO que falarei a respeito neste post é um destes casos . Responde pela a alcunha de " The Eyes" ( " Os Olhos") . E sem duvida merece o nome.
            Quando você está navegando pelo  mais próximo grande aglomerado de galaxias  ( Coma-Virgo) e esbarra com as evidentes e gigantes galaxias M84 e M86 você também esta ou observando "The Eyes " ou a menos de 30´de grau de o fazê-lo.
            Formado pelas galaxias Ngc 4438 e 4435  "The Eyes" é evidente no Newton ( meu telescópio refletor 150 mm f8) .  Ambas tem um aspecto de espirais e são tão próximas ( 4´) uma da outra que lembram a todos aqueles que as veem  um par de olhos cósmico a nos espreitar.  Quando você olha o abismo ele também te olha... Mas desta vez com consequências bem menos nefastas do que as previstas por Nietzsche.
            James Mullaney ( em seu "The Herschel´s Objects and How to Observe Them) nos lembra que este efeito se perde em telescópios muito grandes já que a separação tende a aumentar muito e  aí a  ilusão se desfaz. Segundo o mesmo telescópios entre 150 e 200 mm são a  melhor  relação " peso-potência" para se olhar olhos nos olhos...
            Dizem que as lendas são mentiras que ganharam a autoridade do tempo. Outros vão dizer que toda lenda tem um fundo de verdade. E assim reza a lenda que quem batizou ( ou pelo menos registrou a patente) " The Eyes" foi  Leland Copeland  em um artigo da Sky and Telescope em 1955.
            A descoberta de Ngc 4438 e 4435 foi realizada por William Herschel em 8 de abril de 1784.   Sua registro é bastante incomum e ele naturalmente percebeu a natureza atípica do objeto . Ele registrou 4435 com H I. 28 1 e 4438 como H I. 28.2 .
" Muito brilhante , consideravelmente grande, arredondada precedendo o norte ( Noroeste) / Brilhante , consideravelmente grande , muito pouco extensa , resolvível ( salteado, não resolvido...) sudeste(?) ( following south)"
                        

            A descrição incomum de Herschel sugere que ele percebeu as duas galaxias como duas partes de um mesmo objeto.  Enquanto H  I 28. 1 é arredondada e com um brilho mais uniforme H I 28 . 2 é maior , alongada e possui indícios de um núcleo.
            Ngc 4438 e 4435 fazem parte da Corrente de Makarian ( um sub grupo dentro da aglomerado de Virgem que possui diversos parâmetros astronômicos e cosmológicos em comum...) . Se encontram a cerca de 55.000.000 de anos luz. Ngc 4435 tem uma magnitude de 10.8 e é uma lenticular barrada ( SB0 ).   Ngc 4438 é um agalaxia lenticular peculiar (SA0/peculiar) . Mais brilhante tem magnitude de 10.2.  
            Ngc 4438 é certamente a vedete do grupo . Sendo uma "espiral" bem perturbada é uma das maiores atrações do Aglomerado.  Suas estrelas são evidentemente perturbadas e retorcidas pela gravidade associada a um esbarrão cósmico com outra galaxia. Tanto que esta  ganhou seu lugar no "Atlas Arp de Galaxias Peculiares" . Uma espécie de show de horrores cósmico que reúne diversas galaxias com características bem especias e que sustentariam uma opção para o Big Bang. Ela é Arp 120. As ideias de Arp nunca foram levadas muito a sério mas o Atlas é sensacional e observar todo o catalogo um senhor desafio...

            Mas mais ainda perturbado é o gás de Ngc 4438. Este choque gravitacional  "empurrou" o gás para oeste das estrelas e o o aqueceu.  E isto os leva  duas questões bem pertinentes e levantadas por Jeffrey Kenney ( Yale) : Com quem Ngc 4438 colidiu? Porque o gás foi tão afetado?
            A proximidade de Ngc 4435 a coloca na linha de frente dos suspeitos. Mas sua estrutura não é nem de perto tão afetada como a de 4438. E 4438 é uma galaxia bem maior que ela. Possui 140.000 anos luz.  Um outro problema é quem ambas possuem redshift diferente e o encontro teria que ter ocorrido com velocidade impressionante. O estrago em 4435 teria de ser considerável.
            Pesquisas atuais ( suportadas por observações) indicam que 4435 provavelmente sofreu um encontro com M86 no passado. Esta sim uma besta-fera capaz de aquecer os gases e distorcer, dobrar e arrebentar com 4435. Uma tremenda covardia. Kenney encontrou  " filamentos monumentais" de Hidrogênio ionizado ( 400.000 anos luz)  ligando ambas a galaxias. Estes são umas das "mais   claras evidencias de colisões em alta velocidade de galaxias".
            É atualmente aceito que houve uma interação entre as três galaxias a milhões de anos atrás. Gás foi "estripado" M 86 bem como de 4438 enquanto a menor e menos maciça 4435 perdeu parte de seu gás mas não sua fisionomia. Diversos papers estudam as interações do meio intergaláctico na região e o tópico é bem animado no meio...  A alta densidade de galaxias por estas bandas do universo suportam bem a hipótese de interação gravitacional entre estes três membros da Corrente de Makarian.
            Ngc 4435  é uma das chamadas ETG´s ( early type galaxies) e se inclina 45 graus de nós. Seu boje central e núcleo dominam a paisagem e ela é  envelopada por uma nebulosidade esférica. Ela apresenta indicio de formação estelar e estudos com o Spitzer Telescope indicam que este " starburst" teve seu pico a cerca de 190.000.000 de anos e o período dá suporte para a hipótese de interação com 4438.
            ETG´s são também um tópico bem em voga e são fundamentais para o estudo da evolução galactica em aglomerados. Voltaremos a falar delas ...
            A observação visual do "Olhos" é bastante divertida. embora não se perceba tantos detalhes como em astro fotos ( mesmo que modestas) é possível perceber bastantes detalhes e o conjunto da obra merece o nome. É uma satisfação perceber ambas as galaxias em um mesmo campo mesmo com grandes aumentos . 120 X ou mais . O "Newton" possui uma distancia focal de 1200 mm.   Localizar " The Eyes" é  basicamente localizar M 84 e M86. Navegar sem uma cabeça com go-to pelo aglomerado de Virgem é um exercício para céus escuros e olhos relativamente treinados. Mas nada que vontade e paciência não resolvam.  Todas as galaxias aqui citadas estão ao alcance de binóculos 15X70 ou menores. Mas não espere perceber muito mias que seus núcleos disfarçados de tênues estrelas. São alvos telescópicos...
             Você vai perceber diversos "esfuminhos " na região utilizando uma ocular wide field. Com minha 40 mm você  vai caçar "The Eyes" nesta paisagem. Depois troque a ocular e use mais aumento.  
"The Eyes" são os dois esfuminhos a esquerda do centro da foto. Este é o resultado de uma única exposição de 30 segundos  asa 3200

                    

            As fotos aqui apresentadas foram feitas com ele e uma câmera Canon T3 montados sobre Mme Herschel ( uma cabeça equatorial HEQ 5 pro ) . Foram realizadas 40 exposições de 30 segundos com ASA 3200. 10 black frames. 
            Todas elas são resultado de processo ou de crop ( Photoshop) ou de drizzle ( DSS) realizados da foto acima   que cobre a região a leste da Corrente de Makarian.  
            Utilizei ( juntos , misturados e em solitário...) os seguintes softwares de processamento : Deep Sky Stacker, Rot n Stack , Fitsworks, Photoshop e Noiseware.

               Posteriormente revisitei a região e com o PixIn sight obtive mais detalhes da dupla... ( A foto que atualmente abre o post é fruto desta segunda rodada).





terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Fotografando a Cabeça do Cavalo

              


            Ritos de passagem são celebrações  que marcam a mudança de status  de um individuo perante sua comunidade e /ou ele mesmo . São eles que marcam momentos significativamente importantes na vida de uma pessoa.  
                Geralmente são associados a praticas religiosa e/ou culturais. Entre alguns povos os jovens , ao atingirem a puberdade, devem inserir sua mão em uma luva feita de palha e recheada de formigas de fogo.
                São ritos de passagem  comuns para um carioca nascido no  seculo XX:
Ø  A primeira comunhão
Ø  A primeira cerveja
Ø  A Primeira transa.

                Depois disto vem mais mais cerveja , mais sexo e finalmente o casamento  e os filhos. O casamento e os filhos são ritos de passagem que só terminam com o passamento do cidadão.
                Assim como nas ditas culturas "mais primitivas" a astronomia também tem seus ritos de passagem . Quem já viu um astrônomo de joelhos tentando chegar até a ocular para observar uma obscura galaxia próxima ao zênite vai entender  bem que a religião e a ciência podem ter um parentesco remoto  evidente.
                Alguns ritos de passagem para o Astrônomo Amador :
Ø  Identificar o Cruzeiro do Sul ( astrônomos abaixo do equador...)
Ø  Observar a Lua com Telescópio.
Ø  Observar Júpiter , Saturno e os planetas em geral...
Ø  Observar a Grande Mancha em Júpiter
Ø  Observar a Caixinha de Joias
Ø  Observar Omega Centauro
Ø  Observar a galaxia de Andrômeda
Ø  Aprender a realizar o alinhamento polar de uma cabeça equatorial

             O alinhamento polar é algo como meter a mão na luva cheia de formigas. Você já esta  autorizado a pensar em astrofotografia. Assim como a astronomia a astrofotografia é como um teatro da vida.  E assim têm seus próprios ritos de passagem.
             Na astrofotografia existe   um importante rito de passagem: a compra do equipamento. Sem este não tem  brincadeira .  Hoje em dia com um investimento modesto você vai conseguir fazer fotos da Lua. Um pouco mais dos planetas. Mais ainda vai poder fazer da Lua , dos planetas e de DSos mais brilhantes. Mais grana  vai conseguir fotografar quase qualquer coisa.

             Com o dolar a R$ 4,00  um pacote completo para astrofotografia vai estar saindo por algo em torno de R$ 10.000,00. Talvez você consiga gastar um pouco menos . Comprando tudo separadamente e declinando de um sistema de acompanhamento... De uma olhada neste pacote oferecido por uma tradicional loja brasileira. http://www.armazemdotelescopio.com.br/loja/index.php/telescopios/ed80azeq5asi120mc-detail   .  É sempre bom lembrar que uma boa montagem é sempre uma boa montagem...
             Acrescente aí o preço de uma câmera DSLR low end e você estará apto a fotografar todos os ritos de passagem acima citados ( O Cruzeiro do Sul , a Lua ( com detalhes...) Os planetas, a Caixinha de Joias ( Ngc 4755)  Omega Centauro , A Galaxia de Andrômeda , todo o catalogo Messier e muito mais...) .
             Depois disto você pode novamente tentar meter a mão na luva de formigas .
             Você vai querer  fotografar a Nebulosa cabeça de Cavalo em Órion.  O São Jorge extra-lunar . B33 e/ou IC 434.
             Este foi um rito que durou anos para mim. Uma espécie de vestibular onde levei pau diversas vezes.

Esta foto foi realizada a partir do autosave ( com drizzle) original feito no DSS e que gerou diversas das demais fotos aqui apresentadas. Porém anos depois da captura inicial e foi trabalhada no PixINSight.  Percebe-se muito aberração cromática. O maior poder de processamento mostra mais detalhes mais também ressalta defeitos. As Lentes da Serie EF da Canon são de qualidade mais baixa... 

             Sendo uma foto que você vê em diversas revistas , fóruns e paginas da web é possível que você acredite ser uma tarefa simples.  Mas conseguir fazer esta foto é a culminância de uma longa curva de aprendizado.  Um rito de passagem.
            
              A tal curva de aprendizado a que me referi acima se inicia no momento em que você começa ao observar frequentemente os céus utilizando algum tipo de equipamento óptico. Ao longo desta curva você vai passar por dois momentos muito importantes. Um é entender como funciona uma cabeça equatorial e como funcionam os céus. Depois disto você vai sintetizar isto em um rito de passagem chamado de alinhamento polar. Neste momento sua cabeça equatorial , seja ela qual for , será capaz de acompanhar ( em tese) o movimento dos astros sendo corrigida apenas em um eixo. Acho importante lembrar que quanto melhor for sua cabeça equatorial mais fácil será realizar o alinhamento polar e melhor será o acompanhamento das estrelas pela cabeça.  Sei que é possível conseguir resultados muito bons mesmo com uma cabeça equatorial Eq1. Especialmente em fotos com grandes campos e utilizando-se lentes e/ou telescópios de pequena distância focal. No meu caminho eu só comecei a obter resultados com um minimo de dignidade utilizando uma Eq 3-2. A exceção são fotos da lua. estas podem ser realizadas mesmo com tripés fotográficos utilizando-se até  telescópios de grande distancia focal com barlows ( Uma lente que "dobra" a distancia focal destes) .
             Na minha batalha para fotografar a Nebulosa Cabeça de Cavalo eu descobri que objetos tênues e de caráter mais fotográfico que observacional implicam em tempos de captura muito maiores do que utilizamos em DSO´s brilhantes e facilmente visíveis de forma visual. Desta forma aprendi que uma cabeça com Go-to realmente ajuda muito a realização de tais projetos. Importante dizer que o iniciante deve evitar iniciar seu caminho utilizando-se de tal recurso. Ele deve aprender a navegar entre as estrelas ( o prazer da caça..) antes de utilizar a tecnologia para fazer o trabalho por ele.
             Sempre que imagino a foto da cabeça de cavalo me vem a mente uma imagem muito maior . Imagino sempre um quadro que engloba a banda sul da constelação de Órion. Nesta foto se apresentam diversos DSO´s. M 42, Running Man nebula, A nebulosa da chama e diversos abertos compõem a cena.  Destas a mais difícil de "imprimir" é a Cabeça de Cavalo. também conhecida por B 33. O primeiro a perceber esta nebulosa escura foi E. Barnard.
             É atrás desta foto que vou desde o começo.
             Desta forma determino a escolha do equipamento. Minha Cabeça de cavalo será fotografada utilizando minha zoom 70-300 mm. Assim poderei ter um caampo bem maior que com meus telescópios e uma razão focal mais veloz.
             Minha primeira tentativa foi ha alguns anos atrás e o resultado abaixo demonstra claramente que falhei. Compareceram diversos dos DSO´s citados mas nada da cabeça. Na verdade apenas M42 ( e 43) e os abertos da região se apresentaram de fato. Posso suspeitar a presença da Nebulosa da Chama.  A foto foi feita com minha Eq 3-2 com motorização em ambos os eixos.  Algumas dezenas de fotos com 30 segundos de exposição em 1600 ASA.


             Depois deste fracasso minha Cabeça de Cavalo foi para pasta de projetos futuros por um bom tempo.
             Com a chegada de Mme. herschel e com uma fatura de mais de R$ 3000,00 a ser paga achei que era hora de justificar o investimento. Era hora de começar a fotografar as coisas que nunca tinha fotografado.
             Quando iniciei na astrofotografia tinha estabelecido uma meta. Fotografar todo o Catalogo Lacaille.  Com este "na lata" ( na verdade falta M 83...) . Era a hora de partir para outro projeto. Desarquivei a Cabeça de Cavalo.
             No fim do ano de 2015 parti para Búzios com tudo que precisava para tal projeto. Inclusive uma lua nova no céu.
             Na noite da primeira tentativa eu, ingenuamente, acreditei que a nova cabeça e sua maior capacidade de acompanhamento fariam o truque quase sozinhas . Para garantir  eu realizei 90 fotos com trinta segundos de exposição. ASA 1600. 45 minutos de exposição total. Metade de um jogo de futebol.   Foi pouco!!   Muito para o que sempre faço!!! 
              A preguiça é um pecado capital na astronomia  também...
             A noite não estava com uma boa transparência e o tempo total de exposição não foi sequer próximo do que eu necessitava. Mesmo a Nebulosa da Chama compareceu timidamente.

             Na verdade capturar a Nebulosa da Cabeça de Cavalo é capturar IC 434. Esta é a Nebulosa de Emissão contra a qual B33 aparece estampada. Na Verdade a Cabeça de Cavalo é uma nebulosa escura que "apaga" IC 434 mais ao fundo. O nome é claro:  Nebulosa escura. IC 434 é bastante tênue e com uma grande área apresenta um brilho de superfície bem baixo...  
             Dois dias depois eu achei que a condição  de transparência havia melhorado. Para garantir o sucesso achei melhor realizar 200 exposições de 30 segundos . 


            Fiz 217 exposições de 30 segundos com ASA 3200.  Me ocorreu processar a Cânon caso não arrumasse nada desta vez. Afinal a tal da eficiência quântica de meu sensor deveria registrar até mesmo assombração desta forma.  
             Realizar centenas de exposições de um mesmo objeto com uma cabeça equatorial implica em um outro problema logístico e geografico.  Ou todas elas acontecem antes do objeto realizar seu trânsito naquela noite ou depois. Isto significa que ou todas as fotos acontecem antes ou depois do objeto cruzar o Meridiano. Ou ele esta "Nascendo" ou " se pondo".  Claro que você pode realizar a operação em dois ou mais dias. Não gosto da ideia...
             Ao se observar uma única exposição pode parecer que deu errado. Ou você fez exposições enormes que implicam em um alinhamento polar perfeito , uma montagem sem erro periódico e mesmo assim um sistema de acompanhamento que não possuo.


             Como trabalhava com uma lente de 70 mm o erro periódico passava disfarçado . Mas o alinhamento polar teria que ser digno. Ele foi! Não fui obrigado a corrigir o quadro  nenhum momento , as estrelas estão redondas e o DSS aceitou todos os frames.  
             O Plano foi começar cedo a fim de ter o máximo de tempo antes de B33 cruzar o meridiano. Começando assim que o céu se tornou escuro o suficiente para saber para onde olhava consegui ir de 20:50 até as 23:15. Entre capturas , intervalos e etc... foi possível realizar uma exposição total de 108 minutos e 30 segundos. Uma hora,  quarenta e oito minutos e trinta segundos.
             Aí vem a outra parte da astrofotografia e outros ritos de passagem... O pós processamento.
             Sempre achei que você deveria pegar leve no pós processamento  para evitar que sua foto virasse pintura. E como sempre registrei objetos bem claros isto me parecia uma verdade. Não é.
             Depois de realizar o processo de "stacking" ( empilhamento) das 217 fotos no Deep Sky Stacker ( DSS) percebi que havia capturado a Cabeça do Cavalo.  Mas estava assim . Não era exatamente uma brastemp.
             E assim fui me dignar a brincar de pós processamento com alguma seriedade.

             Começando com a resultado que obtive parti no DSS levei minha foto para o Photoshop onde um ajuste de Niveis melhorou um pouco as coisas . Mas ela continuava discreta. O cavalo estava mais para potro...  Então uma visita ao fitswork melhorou ainda mais o processo . Existe em um dos menus deste uma opçao chamada "Normalizar Nbulosas". Ajuda muito. 
             Mas ainda queria mais. Fui forçado a admitir que o pós processamento é importante e um mandamento:
                   "Só através deste conseguirei extrair detalhes de outra forma impossíveis."

             Um outro rito de passagem moderno é a especialização.  Acho importante lembrar que a astrofotografia é um ramo da astronomia. Eu sempre acreditei em um olhar amplo sobre as coisas . Holístico.  E assim preciso me lembrar sempre que dento de "minha" astronomia a fotografia não pode ser um fim.
             Mas me vejo obrigado a sempre lembrar de utilizar diversas oculares  e "ver" o que pretendo a observar.
             A Cabeça de Cavalo é algo que nunca observei. Mas ficará no HD o projetoi de vê-la visualmente.    A final a fotografia  um exercício fundamentalmente do  sentido da visão. Um sentimento.  Do verbo sentir.
             Para encerrar gostaria de dizer que depois de um rito de passagem sempre tem outro rito de passagem.  O ultimo é a morte.
             Então posso incluir mais dois mandamentos na astrofotografia:
Ø  Muito tempo de exposição . Não seja preguiçoso na captura.
Ø  Capturar bons frames subexpostos
Ø  Aprender a usar os softwres de pós proceessamento

                Realizar centenas de exposições sera o caminho. Depois garantir que estas foram realizadas com acompanhamento , no minimo , bom. Estudar e testar seu softwares .
                Quanto ao  ultimo rito eu ainda estou em observação., mas já aprendi algumas coisa que podem ser uteis :

Ø  Ao realizar o Stacking com  o DSS utilize  o metodo HDR. Especialmente se você possuir muitos frames.
Ø  Não são necessário milhares de dark frames. Bias e flats idem. ( Destes não fiz nenhum. - Já falei que a preguiça é um pecado?) 
Ø  Usar o Drizzle é importante. Ajuda muito com relação a problemas de acompanhamento e permite você obter resolução  utilizando distancias focais menores. 
Ø  Testar todas as possibilidades de pós processamento e procurar novas soluções. Conheça os softwares. E venho vivendo de uma dieta de DSS+ Fitswork ( outro Freeware)+ Photoshop CS 5  e  Noiseware.
               
                               
                E como não poderia deixar de ser:
                               -Fotografei a Horsehead.  Olalao oila!  Hoje é dia de festa!!  Dos tequilas, por favor.!!!
               
                               





quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

M 104- Uma Fotografia do Sombreiro

                  

                       M 104  pode ser chamada de a "primeira entrada da póstuma" do Catalogo Messier. O original , publicado no Conossaince dus Temps, termina em M 103. Sua entrada "oficial" só ocorreu em 1821 quando Flammarion , de posse da cópia pessoal de Messier, encontrou uma nota  escrita a mão.  A descoberta se deve a Mechain e foi feita em 11 de  maio de 1781. É a única entrada além de M 103 aceita por Burnham em seu " Celestiall Handbook" e a anotação de Messier na sua cópia pessoal justifica sua presença no catalogo acima de qualquer questão ética. Não ha duvida de que ele observou o objeto. Nesta anotação ele descreve a galaxia como " Uma nebulosa bem tênue." Herschel a descobriu de forma independente  em 9 de Maio de 1784. É possivelmente o primeiro a perceber a grande faixa de poeira que torna M 104 tão característica.

33 frames empilhados pelo método HDR no DSS 2X Drizzle + PS CS apenas para converter em Jpeg. Noiseware para melhorar o ruido. 

                Com um bojo central muito preponderante ela é um objeto de caráter quimérico na classificação Hubble de Galaxias já que o bojo dominante indica uma coisa mas a presença de poeira demonstra um grau mais evoluído no ramo das galaxias espirais.
                Foi ainda uma das primeiras galaxias a ter um grande  desvio para o vermelho medido e afastando-se de nós a 1120 km/s foi um dos pregos no caixão da tese  de que as nebulosas espirais fariam parte de nossa galaxia. Durante o seculo XIX sua aparência levou muitos astrônomos a acharem que tratava-se de uma grande estrela "arrodeada" de um disco proto-planetário. Foi ainda a primeira galaxia , alem da nossa, onde foi confirmado movimento de rotação. Vesto Slipher ao estudar seu espectro registrou que um lado dela se afastava de nós enquanto o outro se aproximava...
Esta ainda seguiu ao Fitswork onde foi reduzido o gradiente de fundo e teve o ruido mais tratado...

                Parecendo ser afeita a confusões sua distância já foi alvo de controvérsias. Enquanto encontrei tanto no "Messier Objects " do O´Meara quanto na pagina da SEDS distancias entre 50 e 70 milhões de anos luz fontes mais recentes ( Hubblesite. org e Wiki...) falam em algo ao redor de 30 milhões de anos luz. De qualquer forma é uma habitante das margens do Grande Aglomerado de Virgem.  Imagens do Hubble registraram um enorme sistema de Globulares . Cerca de dois mil . Dez vezes mais que em nossa galaxia. Possui seu próprio grupo e algumas pequenas galaxias a acompanham por aí .


Esta é igual a que abre o post mas ainda mais simples ; Não visitou sequer o Noiseware.Foi utilizado o DSS no método de proporção  e 3X Drizzle. Depois o nivel foi ajustado no PS CS5  e o arquivo convertido para Jpeg. 

                M 104 é uma das mais interessantes galaxias para possuidores de pequenos telescópios. Apesar da Wiki  nos dizer que  é necessário, no minimo, um telescópio de 250 mm para se perceber o disco de poeira da galaxia eu posso garantir que ele é visível com um modesto refrator de 70 mm f 10 com 90X de aumento. Eu vi e tenho outras testemunhas que viram também. Garanto mais testemunhos que nos casos do ET de Varginha e de Roswel somados... 
                Sendo tão brilhante e cheia de detalhes M 104 foi um alvo obvio para eu tentar realizar minha primeira foto de uma outra galaxia ( Andrômeda não conta...) .
                Fotografar outras galaxias ( e nebulosas mais discretas...)  exige um exercício de captura  um pouco mais refinado que os meus já conhecidos aglomerados . Abertos ou Globulares. Para se obter algum tipo de detalhe  descobri que é necessário um tempo bem maior de captura , condições atmosféricas no minimo aceitáveis e se possível pouca poluição luminosa...
                Na madrugada do dia 8 de janeiro de 2016 a maior partes destes pressupostos pareciam ter se reunido sobre a Armação dos Búzios.
                O equipamento utilizado foi uma câmera Canon 3T não modificada regulada para 3200 ASA, um telescópio Newtoniano de 150 mm f8 (conhecido como Newton) e uma montagem equatorial HEQ 5Pro da Skywatcher. Todo este equipamento pode ser considerado bastante modesto para  missão. Já fotografei muito com uma Montagem 3-2 com motor drive em ambos o eixos. A minha vida se tornou bem mais simples e as fotos melhores com a aquisição da nova cabeça ( batizada Mme. Herschel).
                M 104 é um bom alvo para se iniciar na astrofotografia de galaxias por um motivo bem simples . Ela é um bom alvo para você se iniciar na observação de galaxias. Com um brilho de superfície alto ela é facilmente percebida na ocular ( no caso uma plossl 17 mm) mesmo com visão direta. Com olhos treinados e com pouca luz você vai notar ela mesmo em sua buscadora.
               
                Depois de enquadra la e de refinar a máximo o foco eu começo a captura. Alguns truques podem ajudar nesta hora.
                O foco no Newton é bem difícil . Primeiro utilizo uma estrela bem brilhante e que eu consiga perceber no live view da câmera. Depois de fazer o foco por esta estrela ( neste dia foi Aldebarã) eu marco o tubo do focalizador com uma fita branca. Depois de localizar a galaxia com o uso do go-to de Mme. Herschel eu substituo a ocular pela câmera e movo o focalizador para a posição marcada. O focalizador do Newton é de cremalheira e bem tosco. O foco é difícil e de precisão bem aquém do que eu gostaria. Assim que tiver algum dinheiro sobrando ( se tiver...) comprarei um focalizador melhor.  Depois faço uma primeira foto e ajusto a diferença o melhor possível.
                Como não possuo um sistema de acompanhamento utilizo uma técnica simples mas eficiente para que se a precisão do acompanhamento não chegar na casa dos pixeis pelo menos sobreviva na região dos milímetros... Como vai-se capturar varias dezenas de frames não realizar nenhum sistema de correção levará a desastres como da foto abaixo.  

                   Então marco o núcleo da galaxia no LCD da câmera com auxilio de uma seta de papel ou fita e corrijo o desvio causado pelo erro periódico e/ou um alinhamento polar menos que perfeito a cada poucas exposições. Neste caso de 25 segundos cada uma.
Sistema de "acompanhamento" tabajara...
                Depois de tudo isto começa a função do pós processamento. Este é bem maior e mais delicado quando tratam-se de tênues galaxias ou nebulosas.
O Famoso "over processing". Visitou todos os programas e não sei bem ao certo o que foi feito em cada um deles. Depois sofreu um crop no PS... 

                Geralmente o processo começa no Deep Sky Stacker ( a menos em capturas bem descompromissadas que podem começar e terminar no Rot n Stack...).
                Foram feitas 48 imagens de M 104 ( Light Frames daqui para frente) . Depois capturei mais 8 Dark frames ( são fotos feitas com  telescópio fechado e com o meso tempo e ASA da captura utilizada nos light frames). Estes servem para calibrar a exposição e a eescala e cinza da foto final. Não utilizei nem Flats nem Bias. Estes também servem para calibrar a foto final...
                No DSS existem vários set ups possíveis. Utilizei tanto o método de Proporção como o HDR.  Com alguns set ups foram aceitas todas a fotos capturadas. Mas com um threshold um pouco mais alto foram aproveitadas apenas as 33 melhores. Com isto as exposições finais ficam em 12 minutos.
                Geralmente faço um pequeno ajuste nas saídas RGB ainda no DSS. Dai salvo um arquivo TIFF  16 bits .
                As fotos  seguiram  para o Photoshop CS 5 onde fiz um pequeno ajuste de níveis e curvas .
                Depois uma visita a o  Fitswork onde foram utilizadas diversos recursos. Algumas delas ainda visitaram em algum momento do processo o Noiseware.  
                     Utilizar ASA 3200 é uma faca de dois gumes . Diminuo o tempo de captura necessária e assim posso conviver com um tempo de captura mais modesto . Mas o ruído..,É muito ruído.
                     Os resultados são visíveis ao longo deste post. Embaixo de cada uma das fotos esta a legenda descrevendo os programas e técnicas que utilizei. Nunca sei ao certo qual é o melhor resultado final com certeza. Nem mesmo o   "menos ruim".