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sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

M 45: As Plêiades Reloaded

             
                     É evidente que já falei da Plêiades aqui no Nuncius Australis. É, provavelmente, o aglomerado aberto mais famoso do todo o firmamento. No post anterior foram apresentadas a diversas das lendas que surgiram da observação desta maravilha celestial e que encantaram quase todas as civilizações que já caminharam sobre a terra. Qualquer um que já tenha percebido o conjunto que habita na constelação de Touro não terá dificuldade para entender o porque de tanta fascinação. Eu sei que não será a última vez que falarei delas por aqui.
                Mas como o post anterior aconteceu em tempos imemoriais e minha biblioteca cresceu bastante desde então resolvi que seria de bom tom apresentar a opinião de autores mais recentes que os historiadores da Babilônia, da Grécia clássica, da China dos vasos Ming e etc...

Esticadas no PI...

                Mas antes disto preciso, em uma crise ufanista, apresentar uma lenda faltante. Justamente o registro das Plêiades pelos habitantes originais do Brasil.
                A constelação do Homem Velho (Tuya em tupi) é composta de três sub-constelações. Uma delas é M 45.  (As outra são as Hiades e as “Três Marias”). O Velho engloba em si estrelas pertencentes as constelações de Touro e Orion e Eridanus.
                Nossas convidadas são chamadas de Eixu. O Ninho de Abelha ou Vespeiro. Bem apropriado para aqueles, que com a vista apurada, como o nosso legendário cacique Aporema (Patrono e sócio do Nuncius Australis) conseguem resolver mais de 7 estrelas no aglomerado.
Como em diversas das antigas civilizações as Plêiades têm papel importante no calendário das etnias indígenas tanto no Sul como no Norte do Brasil. Seu nascer helíaco marca o início do ano e os Tupinambás o conheciam muito bem. Segundo d´Abbeville eles afirmavam que as chuvas iam chegar. Como a meteorologia na época era ainda mais incerta que atualmente eles sempre acertavam. Podia demorar um pouco mais ou um pouco menos, mas as chuvas acabavam chegando. E como Eixu aparecia antes das chuvas e desaparecia no fim para retornar em igual época, eles reconheciam o intervalo de tempo decorrido entre um ano e outro com relativa precisão.
Sem drizzle. Gradiente "removido" no Fitswork. Pouquíssimo pós. processamento.

                Tendo ratificado esta injustiça com nossos antepassados mais próximos posso dizer que este post vai ter um caráter astrofotogáfico mais completo. Afinal assim como minha biblioteca meu equipamento fotográfico também cresceu.  E se no primeiro consegui obter um esboço da nebulosa que parece envelopar nossas estrelas desta vez o registro foi bem melhor. Vejam que falei “melhor”. Nunca serei um bom astro fotógrafo. É uma arte que demanda muito capricho e como já ganho meu pão às custas de fotografia dificilmente quero investir o suor do meu rosto nos meus momentos de lazer. E assim astrofotografia para mim é a melhor diversão.  Embora existam diversos objetivos fotográficos que me são auto impostos e que parecem me inspirar e obrigar a capturas mais caprichadas do que a média. Foi assim com a “Cabeça de Cavalo”, M45 e espero ainda este ano conseguir registrar tanto a Roseta como pelo menos um pedaço da Nebulosa do Véu.  No mais geralmente a qualidade por mim imposta é a do “Projeto tudo que Existe”. Neste pretendo observar (o que for possível) e fotografar até o que não conseguir observar visualmente dos DSO´s listados por Dreyer no New General Catalog (todas os aglomerados, nebulosas e galáxias registradas até 1888). Mas sem nenhuma pretensão artística. Registrou e é possível diferenciar de um carro passando em alta velocidade esta valendo. Eu tinha por princípio só fotografar o que eu conseguisse perceber (ainda que de forma tímida) visualmente. Mas vendi minha alma na encruzilhada e atualmente me conformei que certos DSO´s só se entregarão para o Newton (meu refletor 150 mm f8) com auxílio de um sensor digital em vez de minha velha retina...
                E pulando alguns milênios de história desde o post anterior vamos ver o que Messier, autor do mais famoso e um dos primeiros catálogos clássicos (e ainda antes da revolução francesa), tem a nos dizer. É importante lembrar que as Plêiades ganharam seu nome mais atual graças a ele. M 45. Ou Messier 45.
                “Aglomerado de estrelas conhecido como as Plêiades. A posição dada é da estrela Alcyone”
2 Drizzle e Luminancia do DSS.



                Seguindo a cronologia de minha biblioteca vamos ver o que Smith nos conta no Volume II do “Cycles of Celestial Objects “(The Bedford Catalogue, 1881). Curiosamente este não apresenta uma entrada exclusiva para M 45. Mas ele dedica varias páginas a história ao redor destas em sua entrada sobre Alcyone. Na verdade, diversas das estrelas principais (as sete irmãs) tem entradas individuais em seu guia.  Ele ressalta que as “Plêiades são um celebrado grupo de estrelas, ou uma mini constelação, no ombro (?) de Touro.” E apresenta todos os nomes como estas são popularmente conhecidas pelos diversos europeus.
                A seguir teremos o Rev. Webb. Este logo na abertura de sua apresentação sobre a constelação de Touro em seu magnifico “Celestial Objeccts for a Common Telescopes” (1893) nos diz que esta é marcada grupos lindos e familiares de estrela. São estes as Hyades e as Plêiades. Mas destaca que nenhum dos dois agrupamentos é concentrado o suficiente para faze-los bons alvos telescópicos exceto com grandes campos. Ainda nos diz que 6 de suas estrelas são facilmente percebidas. E conta que Kepler (antes do telescópio) teria contado 14 estrelas e localizado com admirável precisão 11 destas.  Conta também que Von Littrow fala em 16 estrelas e garante que 11 destas são percebidas frequentemente.
                Dando um pulo temporal de mais de um século estes valores parecem concordar com as observações descritas por O´Meara em seu “Deep Sky Companion: The Messier Objects” (1998).
                Nenhum destes guias mais antigos fala na Nebulosidade que envolve o aglomerado e que é bastante evidente em volta de Merope. Isto serve para botar lenha na fogueira sobre a discussão se a nebulosidade em torno das Plêiades perceptível a olho nu. Mas Scot Houston (que escreveu a coluna Deep sky Wonders por décadas) garante que este feito não só é factível como tarefa simples... Tennynson em seu famoso poema Locksley Hall parece ter a mesma opinião já que fala em uma “trança prateada” ("Many a night from yonder ivied casement, ere I went to rest, /Did I look on great Orion, sloping slowly to the west. /Many a night I saw the Pleiads, rising thro' the mellow shade, / Glitter like a swarm of fireflies tangled in a silver braid.")  Eu com meu astigmatismo e sem óculos percebo só nebulosidade... Estrelas que é bom quando muito 4. Com os óculos chego ao conservador valor de 6.

1 exposição 30 seg.

                Mas a razão deste post é contar como consegui fotografar a Nebulosidade que envolve o aglomerado. Então vamos visitar o meu Guia observacional favorito. The Burnham´s Celestial Handbook” (1978). O Volume 3 para ser mais exato.
                Burnham dedica 21 paginas de seu tratado com M 45 e é o primeiro dos guias observacionais que possuo que aborda especificamente a nebulosa ou nebulosas em torno das Plêiades.  Em debate recente em um grupo de Astronomia! que participo em uma mídia social e que teve suas origens no pré-histórico ORKUT chegamos a conclusão que esta é a nebulosa mais próxima da terra. Embora seja discutível se esta é realmente associada as estrelas do aglomerado ou apenas uma nebulosa de primeiro plano ela ainda assim será muito mais próxima (400 anos luz) que M 42 (1500 AL) ...  Atualmente a nebulosa é por muitos considerada um alinhamento casual e a velocidade radial da nebulosa e das estrelas parece corroborar a tese. Mas há controvérsias. E imagens falam muito e o que se observa parece só permitir que não haja nenhuma relação entre a nebulosa e as Plêiades em si em uma grande armadilha das leis fundamentais do universo.
                Burnham acredita que estas são relacionadas. Lá pela 15 ou 16 pagina de sua apresentação ele cria um tópico específica para falar da nebulosidade envolvida. Ele começa chamando atenção para o fato do “aglomerado inteiro ser envelopado em uma tênue e difusa nebulosidade de uma grande extensão (a trança prateada de Tennynson) que parece brilhar por uma luz refletida. Esta nuvem cósmica pode ser elusiva visualmente apresenta muito detalhes peculiares com fotografias de longa exposição”. Fico muito feliz em perceber que minhas fotos não chegam a deixar muito a desejar quando comparadas com uma foto por ele apresentada como impressionante e feita com o astrográfo de 13 polegadas do Observatório Lowell. Na verdade, das fotos apresentadas no Handbook, a única que realmente deixa minhas experiências com mais de uma volta atrás foi feita pelo telescópio de 100 polegadas do Monte Palomar.  Em defesa da tese que a nebulosidade e o aglomerado são companheiro de fato ele apresenta que Slipher, em 1912, obteve espectros idênticos para a nebulosidade e para as estrelas do aglomerado.  
3 drizzle + Fitswork+ Photoshop. 

                Burnham ainda nos conta que a porção mais brilhante da nebulosidade envelopa a estrela Merope e se estende por cerca de 20´para o sul; ela foi primeiramente percebida por Tempel com um refrator de 100 mm observando de Venice em 19 de outubro de 1859 (portanto antes de Smith escrever seu livro.) Ele descreve esta como o efeito de ”um bafo sobre um espelho”. Lewis Swift também a achou detectável com um modesto telescópio de 50 mm com 25X. T.W. Backhouse confirmou sua realidade com um refrator de 114 mm,” ainda que para percebe-la tivesse que manter Merope fora de campo”. Por outro lado S.W. Burnham não achou nem sinal desta com o grande (18 polegadas) refrator Dearborn em Illinois. Desta forma a nebulosa foi considerada variável por um curto período. Com o advento da fotografia esta hipótese foi descartada e desde seu primeiro registro fotográfico (Paul and Prosper Henry, Paris 1885) nada parece ter mudado. Agnes Clerk, uma de minhas autoras favoritas e um dos motores da divulgação cientifica no início do século passado nos fala de uma impressão de que “as massas das nebulosas em vários instantes, parecem se estivessem sendo puxadas para fora da forma e sendo atraídas para guirlandas pela atração das estrelas vizinhas...”
                Depois de muito pesquisar achei que deveria me preparar para fotografar as Plêiades a contento. Ha alguns anos tinha feito uma foto onde se ensaiei perceber a nebulosidade, mas confesso que não ficara completamente satisfeito. A impressão que me dava é que a lente estava um pouco embaçada e não havia, de fato, o efeito e o registro desejado.
                Seguindo o conselho do Reverendo Webb e sabendo que o alvo é muito grande para o campo de meu telescópio escolho como arma mina zoom 75- 300 mm @ 300 mm f 5.6; assim garantiria cobrir todo o campo e ainda assim ter ampliação suficiente para com o recurso de drizzle oferecido conseguir destacar bem a nebulosa. Outro fator é que com apenas 300 mm o acompanhamento fica mais generoso e mesmo um alinhamento polar abaixo do perfeito consegue ser menos miserável para as fotos finais. Fotografando de Friburgo e sempre com pouco tempo as vezes as coisas têm que ser feitas com dá e não como deveriam ser feitas...
                Realizei 80 exposições de 30 segundos cada com ISSO 1600. Posteriormente reduzi estas a 71 apenas descartando as piores. Canon T3 montada em pigback em uma cabeça HEQ 5 pro. Sem darks, Flats ou Bias frames.
                As fotos foram empilhadas utilizando o Deep Sky Stacker. A primeira versão foi realizada sem drizzle. Ao sair do DSS percebi que havia capturado boa parte da nebulosidade embora a imagem não apresentasse a ampliação necessária para destaca-la. Ainda seria necessário também aplicar diversos processos no Photoshop para conseguir realçar a nebulosidade.  As imagens foram capturadas em RAW e o DSS me gera um arquivo TIFF. Acho que as imagens estão bastante cinzentas. Quase em escala de cinza. Como vou realizar vários tratamentos deixo a matriz assim e no Photoshop dou uma puxada no azul que costuma caracterizar as fotos da Plêiades e que são característica de suas nebulosidades. Não sei até que ponto isto é resultado do pós-processamento utilizado. Nas fotos do Celestial Handbook as coisas são P&B.
                Nas diversas imagens aqui apresentadas apresento o tratamento a que cada uma foi submetida nas  legendas abaio das mesmas.


                Como as Plêiades habitam muito próximas da eclíptica um sonho que tenho é fotografa-las de novo durante uma ocultação planetária.  Como disse no começo eu devo falar de M 45 de novo...
                   Por fim uma curiosidade: M 45 não possui numero Ngc. Nem IC. Mas a nebulosas em torno de Merope e  Maia possuem entradas no New General Catalog ( Ngc) . São Ngc 1435 e 1432 respectivamente. 

domingo, 19 de janeiro de 2014

As Plêiades e a Inveja de Messier

          

          Não sei se o conceito que vou apresentar agora tem algum valor acadêmico. Mas aqui vai: A transição entre a chamada pré-historia e a História tem como um marco a invenção da escrita.  Eu sei que desta forma certas culturas que coabitam comigo ainda se encontram na pré-história . Mas...
            M45 ( o nome "moderno" das Plêiades) é provavelmente um dos DSO´s mais antigos conhecidos pela humanidade. Na verdade acredito que mesmo em tempos que ancestrais dos atuais Homo Sapiens caminhavam sobre a terra este grupo de estrelas já devia chamar-lhes  atenção. Em períodos históricos e com alguns passos evolutivos tendo sido dados seus registros pipocam em quase todas as culturas da antiguidade. Com a invenção da escrita e das maravilhas que esta permitiu os registros históricos mais antigos que encontrei sobre este aglomerado aberto remontam há 2.300 anos AC. Babilônia.... Em seus catálogos estelares eles chamam o grupo de MULMUL. Um nome muito apropriado. "A estrela de estrelas".  Apesar de serem os criadores de uma das  primeiras escritas eles ainda não tinham descoberto o que viria a ser chamado  de Aglomerados abertos e depois ainda de DSO´s           
          Depois são cantadas em verso pelos gregos. E como quase tudo em nossa cultura ainda Greco Romana ganham seu nome atual mais prosaico. As Plêiades.
            Mas este pequeno grupo de estrelas relativamente próximos de nós é também  descrito pelas mais diversas culturas e por suas respectivas mitologias.
            Mitologia não nos diz nada enquanto este Blog se dedica a Astronomia . Mas como aqui também se conta muitos "causos" achei importante fazer um levantamento das diferentes  histórias que cercam este DSO de muitas lendas.
            E assim rezam as Lendas que mais gostei. Infelizmente um levantamento completo destas seria um trabalho para um outro Ícone da Cultura Grega. Hércules...
            Tuaregues são os habitantes do deserto no Norte da Africa. Para eles as Plêiades são chamadas de Cat Ahad .  " As Filhas da Noite". Um provérbio Berbere ( Grupo de Povos que compartilham uma língua semelhante e que habitam este mesmo  Deserto no norte de Africa. Entre eles os Tuaregues)  diz o seguinte :
"Cat ahăḍ as uḍănăt, ttukayeɣ ttegmyeɣ, anwar daɣ ttsasseɣ. As d-gmaḍent, ttukayeɣ ttegmyeɣ tabruq ttelseɣ."
"Quando as "Filhas da Noite" se poem eu acordo olhando para meu cantil de couro de Carneiro para  algo beber. Quando as "Filhas da Noite" nascem eu acordo procurando roupas para vestir".
            O sentido é bastante obvio. Quando as Plêiades se poem a oeste junto com o sol é porque se aproxima o calor. E quando estas começam a nascer ao leste é tempo de frio...
            Maomé diz ter contado 12 estrelas no nosso aglomerado. Isto faz do Profeta um dos humanos de visão mais aguçada de que tenho noticias. Pessoas com excelente visão contam 7 estrelas no agrupamento. Walther Houston ,que escreveu o coluna Deep Sky Wonders por décadas na revista "Sky&Telescope", dizia poder contar 14 estrelas no aglomerado. Eu nunca passei de 4. E a maioria das pessoas que conheço só percebe uma nebulosidade na Área.
            Na cultura Tailandesa o Aglomerado é conhecido como ""ดาวลูกไก่
                .Isto se pronuncia mais ou menos assim "Dao Luk Kao".  Algo como a "Família de Galinhas Estelar". A Lenda nos conta que um casal de idosos morava em uma floresta afastada e  que eles criavam uma família de galinhas. Uma Galinha Mãe e seis pintinhos. Certa dia receberam a visita de um monge que estava em uma peregrinação muito importante.  Algo haver com as praticas do Dhutanga. Com medo de não ter nada digno para servir ao monge eles decidem fazer uma canja com a galinha mãe. Esta percebe a situação e corre para contar aos seus pintinhos. Mas retorna . Afinal este era seu destino e ela e seus pintinhos eram bem tratados pela casal de idosos.  Desta forma quando sua mãe foi para o fogo os seis pintinhos se atiraram neste e morreram juntos com sua mãe. Os deuses ficaram muito impressionados com tanto carinho e devoção que colocaram os sete nos céus.
            Os deuses tailandeses e gregos devem ter uma visão semelhante. Pois ambos contaram sete membros nas respectivas famílias cósmicas.
            As Plêiades , segundo a lenda grega, são reconhecidas como  Sete Irmãs. São as filhas do titã Atlas  com a Ninfa dos Mares Plêione. todas muito bonitas foram sempre galanteadas pelos principais chefões do Olimpo.
            Maia , a mais velha, foi a mãe de Hermes em um caso com Zeus.
            Electra foi a mãe de Dardanus. Zeus de Novo.
            Taygeta foi a mãe de Lacademus. Zeus é muito safado...
            Alcione foi a Mãe de três filhos de Poseidon.
            Celaeno foi mãe de Lycus. Poseidon também não valia nada...
            Sterope teve Oenomaus com Aries.
            E a mais jovem Merope foi prometida a Órion.
            Mas  Órion não negava a raça e começou a perseguir todas as Plêiades.
            O pai destas tinha sido condenado a carregar os céus por todo o sempre e Zeus  com pena deste e querendo  sacanear  Órion primeiro as transforma em Cisnes e depois as coloca no céus juntamente com seu Pai. 
             O nome Plêiades , segundo Burnham,  deriva da palavra grega para "Velejar". E que elas serviam como um meio seguro para se determinar estações seguras para navegação no Mediterrano. Outra possibilidade é que o nome derive do nome da mãe das mesmas: Plêione...


            Como Órion continua até hoje a perseguir as moças localizar as Plêiades é tarefa simples. Localize as Três Marias. Estas são o cinturão de Órion. A linha ligando as Três Marias em direção a norte vai apontar para Aldebaran. Uma estrela bem vermelha e que marca o olho de Touro. Prosseguindo nesta mesma linha ainda rumo norte você vai perceber rapidamente uma região enevoada em uma área relativamente vazia do céu. São as Plêiades.
            Você consegue perceber quantas estrelas ?  Não se preocupe se só perceber a nebulosidade.  Pela buscadora o aglomerado se resolverá facilmente. As Plêiades são um grande alvo para Binóculos. Se espalhando por mais de  30´ de grau ( algo como uma lua cheia) as meninas são  bastante esparramadas para a maioria dos telescópios.
            Na verdade esta caracteristica delas acabou por fazer que este post demorasse anos para acontecer .  Há muito tentava tirar uma foto que fosse digna da beleza das ninfas cósmicas. E que capturasse algo da nebulosidade que é associada a este DSO.  Isto é bastante difícil com o uso de meus telescópios. Mas finalmente tive uma luz. Por que não utilizar uma lente tele objetiva nesta missão?  E assim foi. 
            A foto que  abre este post é o resultado de diversas exposições de 15 segundo feitas com uma Canon T3 calçada com uma zoom 75-300 mm @ 100 mm. Com f-4.0 de diafragma a nebulosidade envolvida ficou bem obvia . É claro que esta foto passou pela tradicional peregrinação até chegar ao resultado final. Diversos light frames (fotos "comuns") foram combinados com cerca de 6  dark frames ( frames negros destinados a reduzir o ruido em exposições muito longas)  e visitaram o Deep Sky Stacker  e o Photoshop. Desta vez como o ruido foi menor devido a ASA mais baixa (1600) utilizada eu dispensei o " blur" do Noiseware... 
Nesta versão da foto um erro de ajuste no DSS acabou com a natural coloração azulada da Nebulosidade ao redor do Aglomerado.

            Agora que já consegui falar das lendas e um pouco de astro fotografia vamos falar um pouco de astronomia e apresentar a parte dita séria desta história.
            M 45 , Plêiades ou as Sete Irmãs são um aglomerado Galáctico localizado entre 390 e 460 anos luz do sol. Em escalas  astronômicas isto é logo ali. Composta , principalmente, por estrelas azuis extremamente brilhantes e formadas a cerca de 100.000.000 de anos.  Se percebe muita nebulosidade na área (especialmente em fotografias) mas esta não é fruto de restos da nebulosa de onde o aglomerado se formou . Embora no passado o aglomerado e a nébula fossem associados hoje é sabido que é apenas um encontro casual e que as distancias e velocidades aparentes  confirmam origens distintas. Simulações computado rizadas levam a crer que as Plêiades formaram-se em uma área semelhante a atual Nebulosa de Órion (m 42). Estima-se que o aglomerado se manterá coeso por pelo menos mais 250.000.000 anos.
            Como já contei e vou contar de novo  as Plêiades são conhecidas desde a pré história e posteriormente citadas na Babilônia , por Homero (750 A.C,) ,Amos ( ~750A.C.) e Hesíodo ( 700 A.C.). Posteriormente elas foram crescendo ao longo da história. As Sete Irmãs proliferaram mesmo em tempos pré- telescópicos. Mostlin as desenhou com 11 membros e o desenho é fidedigno. Posteriormente Kepler deixa registros falando em 14 membros. Hoje é sabido que o aglomerado possui mais de 500 membros e se espalho por mais de 60´de firmamento.
            As Plêiades oferecem um pequeno quebra cabeça em evolução estelar. Algumas estrelas que são fisicamente associadas ao aglomerado apresentam características de anãs brancas. Mas com apenas 100 milhões  de anos como estrelas que precisam de bilhões de anos para existirem podem estar lá? Alguns processos foram propostos e parece que a charada foi resolvida. Estrelas do Tipo O devido a grandes velocidades de rotação acabara por expelir suas camadas mais externas e mantendo-se abaixo de Chandrasekhar passaram por fases como nebulosas planetárias e os núcleos estelares restantes seriam as tais anãs brancas que encontram-se escondidas no meio das jovens gigantes Plêidianas.


            Sua classificação pelo sistema Trumpler também é alvo de disputa. Segundo Kenneth Glyn jones ela seria T II ,3, r. E segundo Gotz e o Sky Catalog 2000.0 elas seriam T I , r,n . Isto significa que suas estrelas se destacam do fundo e são ou muito ou moderadamente concentradas em direção ao centro do aglomerado, apresentam uma grande variedade de magnitudes e são ricas ( mais de 100 membros). O simbolo "n" significa nebulosidade envolvida. como já falamos é hoje aceito que a nebulosidade -e um encontro casual . Mas de qualquer forma as nebulosidades em volta das estrelas membros do aglomera possuem diversos catálogos associados . As estrelas das Plêiades e suas nebulosidades associadas podem ser vistas aqui:
            Observações mais recentes ( desde 1995) indicam a presença de anãs marrons escondidas entre as irmãs...
            As Plêiades são melhor observadas com binóculos. Ou usando as menores magnificações que você tiver disponível em seu telescópio e de preferência com oculares com um grande AFOV. ( Aparent Field of View)..


            Com tantas história as Plêiades não conseguiram se manter afastadas de fofocas nem na Academia Francesa de Ciências. A mais famosa é associada a dois dos sócios aqui do Nuncius Australis.
           Messier , como muitos cientistas, era um dono de um ego considerável. e desta forma não queria lançar a primeira versão de seu famoso catalogo de objetos para "não serem observados" com menos entradas que o catalogo de nosso querido Abbe Lacaille. E desta forma acrescentou 6 entradas que jamais poderiam ser confundidas com "falsos cometas".
            M40 é um estrela dupla e a entrada mais sem graça do catalogo.
            M41 é conhecida deste a antiguidade clássica e mesmo Galileo já o tinha resolvido em estrelas.
            M42 é  conhecida desde a pré história.
            M43 é parte de M42 e um ato de desespero...
            M44 Já era  conhecido até pelo astrólogo da corte da Etiópia...
            M45 Dispensa comentários .  É uma das entradas mais controversas do catalogo
            Com estas ultimas entradas a primeira versão do catalogo Messier foi lançada com mais duas entradas que Lacaille em 1771.  Posteriormente o Catalogo foi expandido pelo próprio Messier . Mas isto já é outra história.
            A Inveja é uma M....

           
             


             

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Obsevando M45


Um dos aglomerados abertos mais conhecidos. Facilmente localizavel a olho nú. Siga as "Tres Marias" em direção a Aldebarã (Alpha Tauri) siga em frente e vai ver claramente o aglomerado. Em condições urbanas ela me aparece como uma nebulosidade. em Ambientes menos iluminados resolvo seis estrelas.Há quem veja sete. São conhecidas como as "sete irmãs".Existem registros de pessoas de olhos muito afiados e em locais muito escuros que conseguiram visualizar até 18 estrelas a olho nú.  São melhor observaveis entre outubro e março.
As Pleiades são um alvo excelente para binoculos . Cobrem uma area enorme do céu. com telescópios com mais de 150mm é possivel começar a se perceber alguma nebulosidade envolvida. Há controvérsias se a nebulosidade é resto da nebulosa que criou o aglomerado ou se está apenas " na frente do aglomerado". Mais de 200 estrelas já foram contadas.  Esta a cerca de 400 anos luz de nós. A maioria das estrelas se espalha por cerca de 8 anos luz porém suas bordas mais externas apresentam membros por mais de 30  anos luz.
Conhecida desde a antiguidade o aglomerado foi citado por Homero ( c. 750 ac.) . Messier inclui em seu catalogo em 4 de março de 1769. Composta principalmente por estrelas de classe espectral A e B ( jovens estrelas azuis). Como nenhum dos componentes ainda evolui em gigantes vermelhas é amplamente aceito que o aglomerado é bastante jovem . cerca de 50.000.000 de anos ( 1% da idade do Sol).