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sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Ngc 2362- "The Mexican Jumping Star"

15 exp. 15seg Canon 350 d Newton 150mm F8 


Ngc 2362 ou o aglomerado de Tau Canis Majoris é um aglomerado aberto muito interessante.
Este ainda responde pelo apelido de “The Mexican Jumping Star”.  Não me perguntem o porquê.
Apesar de tudo isto ele é ofuscado por M 41. Quando se pensa em Cão Maior o objeto Messier é sempre o primeiro DSO a ser lembrado. Não chega a ser uma injustiça. Mas é, no mínimo, uma boa chance de se ficar calado. Eu particularmente acho 2362 muito mais charmoso e original que seu companheiro de constelação.
Talvez por sua estrela principal ser tão brilhante e esconder seus atrativos com baixas magnificações.
Enquanto M 41 revela sua natureza facilmente em qualquer buscadora Ngc 2362 se apresenta disfarçada de estrela. Alias uma estrela bem brilhante.

Recentemente resolvi fotografar 2362 e rapidamente realizei o fato. Partindo de Wezen (Delta CMj) eu imaginei que seria fácil localizar o aglomerado. E é. Tão fácil que demorei a realizar quem era a peça. Eu já o tinha visitado anteriormente e tivera o mesmo problema. Mas esqueci. A primeira vez a gente esquece...  
Imaginando que perceberia alguma nebulosidade, que denunciam aglomerados abertos, não vi nada. Depois de consultar o Sky Atlas2000 (adoro observar sem usar o computador e adoro mais ainda o meu Sky Atlas)tive certeza que o mesmo se encontrava no campo. E se encontrava. Era a estrela mais brilhante. Em um campo muito rico.
Um campo rico...

 Incrédulo me dirigi para ela e ao olhar pela ocular vi o que queria ver . Usando a 25 mm eu tinha 48X de aumento. Foi mais que suficiente. Ela se resolveu em um aglomerado bem condensado ao redor de uma estrela brilhante e cheia de spikes...
Seu formato remete a um globular. Mas sua natureza é obviamente outra.
Me recordo do catalogo Collinder, onde os aglomerados são classificados por tipo. Eu usaria 2362 como um dos tipos. Embora o mesmo seja classificado no mesmo como do tipo μ Norma eu acho ele muito mais representativo. Na verdade não localizei nenhum aglomerado relacionado a μ Norma.
O aglomerado foi descoberto por Hodierna e apresentado em seu catalogo publicado em 1654. Mas como este mesmo catalogo só foi redescoberto nos anos de 1980 ele foi achado novamente por Herschel (pai) em 4 de março de 1783. È a segunda descoberta de Herschel. No mínimo uma honra. Este posteriormente o catalogou como H VII. 17 baseado em suas medidas realizadas em 6 de março de 1785.
O aglomerado possui cerca de 60 estrelas e é bem jovem. Ao redor de 25 milhões de anos. Tão jovem que é ainda associado à nebulosidade que lhe deu origem.  Burnham destaca que apesar de ser associado a uma nebulosa (membro do catalogo Sharpless) o mesmo não se encontra envolto pela mesma. Provavelmente devido aos ferozes ventos estelares criados por suas estrelas, em especial Tau Canis Majoris.
Tau é uma estrela do tipo O8. Uma super gigante. Ela é o membro mais brilhante de um sistema binário espectroscópico e brilha com magnitude de 4.3. Ha um paper que alega que existem pelo menos cinco membros observaveis neste sistema e que no mesmo existem as duas estrelas do Tipo O mais proximas conhecidas (o par espectroscópico) . Uma orbitaria a outra em menos de 2 dias. Estas estrelas se apresentam, em um exercício de imaginação, com a forma de "dois ovos" A massa do sistema esta por volta de 40 a 50 massas solares. Se a estrela (Tau Canis Majoris) for, de fato (tudo indica que é), membro do aglomerado que se encontra a 5000 anos luz ela será uma das super gigantes mais brilhantes conhecidas. Magnitude absoluta de -7. Uma luminosidade equivalente a 50.000 sóis.
Como Tau é uma estrela tão brilhante pelo menos um membro do aglomerado é visível a olho nu. E assim o aglomerado se faz um excelente alvo para fotografia. O foco se faz fácil. Basta fazer de Tau um ponto. 
Gostaria de destacar que 2362 é um alvo interessante para qualquer telescópio. Como um alvo binocular é mais sem graça. Com meu 10x50 é uma estrela brilhante. Com o meu 15X70 percebe-se que não é bem assim. Mas não chega a ser um “showpiece”.
 Com meu 70 mm ele vira gente grande.  No 150 mm ele resiste a grandes ampliações (300x) e é ”o tal”. (ou seria “o Tau”...).
Jake Saloranta (um observador bem experiente) o descreve assim através de um Konus de 75 mm com 126 X.
“Facilmente visível mesmo a 5º de altitude e com a pequena abertura. O aglomerado se encontra ao redor – especialmente ao sul- de Tau Canis Majoris e apresenta poucos membros e um brilho ao fundo.”
Já o famoso Steve Gotlieb o descreve assim usando um telescópio com mais de 400 mm e um aumento de 100X:
“” Este é um maravilhoso, uniformemente rico, aglomerado ao redor de Tau Canis Majoris que se encontra levemente fora do centro. Uma cadeia de estrelas orientadas WNW- ESSE lhe dá um aspecto triangular (não concordo...). Cerca de 60 membros. 6´ de diâmetro.
Ngc 2362 é uma das ”estrelas da estação” estando disponível desde cedo e um alvo perfeito tanto para observação visual como para astrofotografia.
Para os astrofotografos de estomago forte e competência idem registrar a nebulosidade associada é um desafio dos mais interessantes.
Esta é da NASA e apresenta Sh-310 

 Ela responde pela sigla Sh-310.É uma nebulosa gigantesca. Um membro do catalogo Sharpless de regiões H-III. 




sexta-feira, 8 de julho de 2011

Cão Maior - O Playboy e o Salva vida.

Em certo país nasceram João e José.


José cresceu em uma bela casa cercado por todas as comodidades. Estudou nos colégios mais tradicionais e foi surfista de renome. Foi famoso e correu mundo.

João nasceu e cresceu em uma comunidade próxima e bem mais modesta. Estudou em escola publica e virou salva vida na mesma praia que José cresceu. Não teve fama, mas teve muita dignidade.

Esta pequena fabula remonta a um país “bem distante”.

A constelação de cão maior.

M 41 faz às vezes de José. O objeto mais tênue conhecido na antiguidade, Presente em quase todos os catálogos antigos, um objeto cheio de história.

M41 talvez tenha sido descoberto por Aristóteles em 325 AC. Isto lhe daria o primeiro titulo. Mas a descrição é vaga e dá espaços para duvida. É registrado com posição confirmada no catalogo realizado por Hodierna anteriormente a 1654. Messier o inclui já na sua primeira versão do seu catalogo.

Para localizá-lo é bastante simples. Olhes para o Holofote. Partindo-se de Sirius é uma fácil navegação até o nosso astro. Logo ao sul e facilmente percebido por sua buscadora.


Já o Aglomerado de Tau Canis Majoris não carrega a mesma história e nem possui um nome tão chamativo. Sua estrela hospedeira ofusca seus membros e esse belo aglomerado não se revela tão facilmente.

Ele necessita de magnificação para se revelar. Mas quando se revela é de uma gentileza eu o enobrece e dignifica. O nosso João.

Ngc 2362 é seu mais novo nome de guerra.

Mas ele traz muita história também

Foi primeiramente descoberto pelo mesmo Hodierna que catalogou seu amigo mais famoso. Passou discreto e humilde por Messier que não o inclui em seu catalogo. Foi redescoberto pelo grande William Herschell durante seu grande levantamento .

Foi batizado por ele pela discreta sigla VII 17. Posteriormente ainda foi denominado como Cr 136 e Mel 65.

Para localizá-lo você deve partir de Wezen (delta do cão) e pela buscadora vai perceber um arco de estrelas. Imagine este arco como uma ondulação e siga sua direção. Surgirão duas estrelas mais brilhantes em campo. Uma delas é Tau do cão. E Ngc 2362.

Talvez você perceba algo diferente na buscadora. Mas este João é tímido e prefere maiores magnificações para se apresentar de fato. 120 x são bons.



Então aguarde o verão quando pudermos colocar calções e poder visitar a praia deste dois admiráveis Cidadãos do céu.

Esta foi a semana mais fria do ano...