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segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Eta Carina Reloaded

           
           


           A Grande Nebulosa de Eta Carina é um dos mais impressionantes DSO´s de todo o céu. A maior jóia da Coroa Austral. Já fiz um grande post a respeito da moça. Neste apresentei sua história cheia de reviravoltas e lances explosivos ( literalmente). E pincelei a cosmologia envolvida na estrutura.
            Desta vez vou contar a história de uma foto. Na verdade de varias fotos.
            O fim de ano é sempre tempo de astro fotografia no posto avançado do Nuncius Australis. Em ambiente mais propicio a pratica da "difícil arte" que na Stonehenge do Pobres eu não poderia perder a chance de visitar a grande dama cm o Newton ( um refletor de 150 mm). E assim obter algumas fotos um pouco mais dignas que as do ano passado realizadas com o galileu ( um refrator de 70 mm e de óptica pedestre...) .
            Como já contei o posto avançado apresenta obstaculos distintos da fotos que realizo no Rio de Janeiro. Geribá é uma espécie de área suburbana na Armação dos Búzios . Durante a Lua cheia  as condições do céu são algo como Bortle 6/7. ( Veja Escala Bortle)
            Com Eta carina do lado oposto a  lua e com um alinhamento polar recem afinado eu decido revisitar a nebulosa por volta de 00:30 de 8 de janeiro de 2015. A observação visual não chega a ser alentadora. Se percebem muitas estrelas mas a nebulosa em si esta bem lavada e é discreta. A olho nú não chego a perceber nebulosidade nenhuma na região. E com uma ocular 25 mm ela se destaca apenas utilizando visão periférica. Na verdade precisei fazer um certo star hooping a partir das Plêiades do Sul para localiza-la.
            Depois de centralizar esta na ocular substituo a 25 mm pela câmera. Como a noite esta bastante ventosa prefiro apostar em exposições bem curtas e subir um pouco a ASA. Neste fim de ano estava tentendo realizar as astrofotos utilizando exposições mais longas ( de até 1 min. A maioria com 30 seg...) e ASA mais baixa. Mas com até os galhos mais grossos da Aroeira que adorna o portão da casa balançando fortemente nas rajadas mais fortes do nordeste que limpava as nuvens eu decidi que 15 segundos e 3200 ASA seriam um método mais conservador e efetivo. O vento é um adversario terrível para astrofotografia. É como  um "pé de gancho" ( cidadão que esbarra em tudo...) rondando o seu telescópio. 
             De mais de 50 exposições realizadas só passaram pelo meu frouxo controle de qualidade 27 das fotos. O alinhamento polar estava bem honesto . Mas o vento ....
            No Processamento das 27 fotos só passaram 22 destas pelo mais rígido controle de qualidade do Deep Sky Stacker.
            Fiz duas versões das fotos neste programa . Uma sem nenhum Dark frame e outra com 17 dark frames. Ao contrario de o que se poderia imaginar a diferença não chega a ser imensa. Como não havia realizado darks na noite eu resolvi fazer alguns com a maquina utilizando uma lente 18-55 mm com a tampa na frente e com esta utilizando f8 como obturador ( o equivalente a razão focal do Newton). Vivendo e aprendendo e as fotos não servem como darks . São rejeitadas pelo DSS. Este alega que o tamanho ou outra variável não é compatível com os Light frames gerados. Retiro a lente e a coloco a tampa do corpo da Canon T3 acoplada e refaço os darks. Agora sim...
Canon T3 Newtoniano 15o mm de diametro 1200mm DF- 22 Light Frames 15 seg -22 dark frames Empilhadas no Deep Sky Stacker e posteriormente visitando o Noiseware.

Sem Darks e sem noiseware

            Apesar de estrelas não exatamente redondas fico feliz com as fotos . A região coberta pela nebulosa é imensa  (bem maior que M42) e diversas estruturas associadas a nebulosa se apresentam. A Keyhole Nebula é evidente .O Homunculus também e  diversos dos abertos que abundam na região se apresenta evidentes.
            Não poderia deixar de realizar um alinhamento também utilizando o bom e velho Rot n´ Stack. Apesar de menos poderoso que o DSS é um software que tem suas qualidades e seus logaritmos apresentam sempre resultados diferentes.  E ele sempre aceita todas as fotos. O controle de qualidade do mesmo é inexistente... O que as vezes garante efeitos mais pirotécnicos que fotográficos. Eu que gosto de Pop Art me divirto muito com o mesmo...
Rot n´Stack modo mean

           
Modo Sort... 
O Newton é uma telescópio com 1200 mm de distancia focal. Estou a me convencer que a EQ 3-2 funciona em seu limite máximo com tal set up. Na verdade um pouco sobre carregada. Mesmo com um alinhamento polar cuidadoso é rara a foto "perfeita". O erro periódico é bastante grande. Mas fico feliz de conseguir manter o meu hobby na seara do barato. E mais feliz ainda com as fotos . São um belo registro da maior jóia dos céus austrais.


P.S. Localizei entre as sobras do fim de ano uma foto que não sabia de onde era. Com auxilio do Astrometry descobri tratar-se de um dos campos estelares que compõe 3372 ( A nebulosa de Eta Carina..) . Para não deixa-la perdida no HD a adicionei aqui  
 




quarta-feira, 23 de julho de 2014

Ngc 4463 : Fotografando em RAW

         
          Eu já falei por aqui sobre dois diferentes tipos de piratas.  Um deles é o pirata cavalheiro. Este depois da necessárias grosserias iniciais termina por tomar chá com o capitão do navio pilhado.  Faz um levantamento detalhado do carregamento  que será tomado. Separa o joio do trigo e se demora as vezes dias nesta missão. Acredita na  Síndrome de Estocolmo (Stockholssyndromet em sueco) e trata os saqueados que nem a Patty Hearst.
            E existe um outro tipo. Mais para Atila , o Huno.  O que importa é a contagem de corpos, o saque e o incêndio. Eu , particularmente , me identifico mais com este tipo.
            Quando vou observar gosto de saquear o maior numero de DSO´s possíveis em uma única noite . Sendo viável  fotografa-los para levar como butim. Mas nada de centenas de exposições nem vários filtros. Uma vez  a vítima localizada uma uma rápida inspeção com diferentes oculares,tomar algumas notas e realizar algumas uma dezenas de exposições. Um alinhamento polar é bom. Mas se não estiver lá muito bom também não chega a ser o fim do mundo. O objetivo é obter um registro que permita a identificação da vitima . Mesmo que para isto seja necessária alguma forma de tortura. Importante frisar que o torturado sou eu mesmo. Pode ser necessária varias estripulias no pós processamento das fotos para que o finado tenha sua aparência não muito desfigurada. Assim com alguma pesquisa  (em casos extremos uma visita ao Astrometry.com) atrás de outras imagens do "navio" atacado na web  você identifica a vitima e leva seu butim...
            Desta forma o que pode ser bom para alguns pode ser um M... para outros.
            Sempre escutei que eu deveria realizar minhas capturas fotográficas em RAW.  Isto garantiria muito mais riqueza de detalhes, cores e possibilidades para minhas fotos.
            Os arquivos RAW são o equivalente digital do filme não revelado. Arquivos RAW não são imagens- são uma coleção de dados não comprimidos do sensor da câmera e informações sobre as configurações usadas no momento do disparo. Os arquivos em RAW permite que você tenha muito mais margem para corrigir erros de exposição no pós processamento. Em teoria os arquivos em RAW possibilitam controle total sobre as Imagens.
            Como eu desconfio de tudo que é bom demais achei que já era tempo de eu experimentar algumas fotos em RAW.
            Faria um "tour de force". Primeiro fotos durante o dia. Pegar a bicicleta e fazer algumas fotos no Arpoador. E depois , já a noite, realizar um saque em algum DSO desavisado que passa-se ao alcance dos canhões na Stonehenge dos Pobres (também conhecida como " O Observatório mais Urbano do Mundo).
            Uma vez com as imagens no cartão comecei a perceber que as coisas não seriam tão suaves quanto supunha o artigo da Digital Photographer...
            Como arquivos RAW são como a emulsão de um filme não revelado você deve se preparar para um monte de pós processamento. E vai também precisar de algum programa que possa lidar com arquivos RAW. Como possuo o Photoshop a opção obvia é o Adobe Camera Raw.
            Como cada fabricante possui um RAW " diferente" é necessário ( há outras formas...) converter o RAW nativo de sua câmera. Para tal eu já tive que baixar mais um programa. Adobe Digital Negative Converter.  Este vai  transformar meus arquivo .CR2  (RAW da Canon) em .DNG.
            Calma você continua trabalhando em RAW. DNG é um formato RAW gratuito. E assim "mais democrático". Fosse um software seria open code...
            Em geral arquivos em Raw são de 12 ou 14 bits o que significa eles tem 4.096 ou 16.384 níveis de brilho. Isto permite grande área de manobra para correções e edições. Arquivos JPEG são de 8 bits , o que faz com que tenham apenas 256 niveis de brilho.
            Outra dita vantagem dos arquivos em RAW sobre JPEG é a forma de se lidar com o Ruído. Os algoritmos de redução de ruido do Camera Raw é muito mais poderoso que o do firmware da câmera. Se bem aplicados eles vão superar a redução de ruido que já foi aplicada aos arquivos JPEG . Mas eu percebi um pequeno detalhe. Embora seja possível lidar bem com o ruido através do Camera Raw não é um trabalho trivial. E como o seu arquivo RAW possui muita informação os níveis de ruido podem ser bastante elevados especialmente utilizando ASA muito alta ( como é comum nas fotos astronômicas) .
            Uma vantagem do RAW que realmente me agradou é que este permite "bater o branco" depois do disparo. Isto é bastante útil para se fotografar em condições de iluminação variadas e/ ou artificiais. Nas fotos astronômicas ajuda muito a lidar com os efeitos da poluição luminosa que trás algumas dominantes cromáticas para o fundo do céu e que são sempre diferentes em cada local . Variam dia a dia aqui na Stonehege dos Pobres dependendo de qual porcaria acenderam nas obras do metro...


            Desta forma começa a " peregrinação dos meus frames " capturados em RAW.
A esquerda antes de visitar o Camera Raw. Infelizmente a compressão do Blogger não é fiel a riqueza de cores e detalhes obtidas no original... Nas fotos abaixo o processo é semelhante. As fotos da esquerda são uma cópia da captura como na Camera ( em RAW) e as a direita são o produto final depois do Camera Raw e do Photoshop, Para facilidades na web os arquivos finais são em JPEG . As fotos que mais gosto salvo em TIFF para meus arquivos.

          






                

           
Arpex...



      Primeiro começo com as capturas que fiz no Arpoador. Dia lindo e ensolarado. Definitivamente o potencial das fotos é enorme e os recursos possibilitados pelos arquivos e, RAW se fazem rapidamente notar. Mas também percebo que toda foto implica em uma boa quantidade de processamento e que eu vou ter que treinar bastante para dominar o camera Raw.  As fotos foram feitas com ASA 100 e 400.  Depois do Camera Raw você ainda dá  uma " envenenada" no Photoshop. O ruido é um conceito bastante presente nas fotos em Raw. É necessário ficar esperto para não confundir ele com a detalhe que você consegue extrair tanto das sombras como dos Highlights . E isto com ASAS baixas. Começo a pensar o que me aguarda com as fotos de Ngc 4463. ASA 6400.
            Vamos falar um pouco sobre o nosso saque desta noite ( e sobre astronomia...)  antes de retornamos ao tiroteio entre Raw, JPEG e outros codecs mais... ( este post é sobre fotografia still mas poderia ser sobre cinema. Neste samba se misturam filmes de Piratas, Bang -Bang,  épicos ( Atila , o Huno) , e Documentários...)
Ngc 4463 se apresenta aí claramente. Junto a Ocular de 25 mm você vai perceber inicialmente a dupla central. Com um exame mais atento notara a existência de outros membros. Sob a forte poluição luminosa as outras estrelas demoram a ser percebidas e demandam visão periférica. Esta foto é um crop do modo mean  do Rot n, Stack. Posteriormente foi trabalhado apenas com a ferramenta níveis de Photoshop. 
            Ngc 4463 é um obscuro aglomerado aberto na Constelação de Musca. Ele foi um "navio azarado". Eu tinha saído em caça de Ngc 4609 em Crux. Mas aqui no Nuncius Australis é sempre a "La Raul". Não sei para onde estou indo mas sei que vou no meu caminho. E assim este pequeno aglomerado galáctico com apenas 5´ de diâmetro acabou caindo nas minhas garras. Partindo-se de Acrux  ( Alpha do Cruzeiro) ele é bem próximo e não chega a ser difícil. Mas ele se disfarça bem. Em um desavisado olhar ele se passa por uma estrela dupla. Mas para bom entendor meia ... E ele se revela.






            Em um primeiro momento eu creditava ter localizado o meu destino oficial . Mas por obvias razões eu rapidamente percebi que não seria possível. Pelo Stellarium eu desconfio. E em uma rápida visita ao cartes du Ciel e já de posse de algumas fotos processadas eu identifico o DSO acima de qualquer duvida. Entre as Jóias da Coroa Austral ele seria algo como um pingente sem colar. Ou uma perola solta no fundo da caixa.
             O Saque continua conforme o habito e  observo com a ocular 25 mm. Onde ele é bem discreto. E depois com a 10 mm. Com esta sua natureza se revela de forma mais obvia e permite algumas analises . Não percebo  muita cor  e acredito ser um jovem e distante aglomerado.  Depois de visitar a pagina da WEBDA confirmo minhas suspeitas. As vezes eu acerto...
               Ngc 4463 tem cerca de 7,5 milhões de anos e localiza-se a 11 mil de anos luz de nós.
            Encontrei poucos papers a respeito da peça. E nenhum só dele. Tadinho. Um deles me pareceu interessante e associa o aglomerado a alguma nebulosas planetárias. Mas a fonte eu não digo e não conto.  Como um bônus de minha aventura em RAW creio ter localizado uma obscura Nebulosa Planetária e quase impossível de ser percebida ( Totalmente impossível a olho nu). Por uma daquelas coincidências que nada tem  a ver com as leis fundamentais do universo localizei uma foto que a apresentava. E fui buscar por aquele pequeno ponto estelar levemente enevoado. PK 200 2.1. Na melhor das fotos que consegui acho que a localizei. Com certeza esta no campo Mas tenho 3 suspeitos. E vou fazer que nem o governo prender todos. A foto que a revelou eu coloco no fim do post. Se alguém quiser tentar a sorte ... Não espere nada mais que uma tênue estrela. Para percebe-la como uma nebulosa planetária é necessário um telescópio grande e magnificações superiores a 400 X.   
            De volta a fotografia. Fiz 22 fotos com 13 segundos de exposição. A captura foi realizada em um pequeno intervalo que a casa estava vazia e assim o alinhamento polar deixou um pouco a desejar. Simplesmente coloquei o telescópio aonde eu achei que devia e fiz as fotos. Nem um chute foi dado no tripé...
            Escolhi uma que apresenta-se menor drift e depois de passar pelo DNG e o camera RAW salvei um arquivo JPEG ( o PS não salva arquivos em RAW ou DNG) para fazer uma visita ao Astrometry e garantir a identificação.
            Problemas . Os níveis de ruido e a péssima qualidade da captura levam a repetidos fracassos por parte do programa do site.
            Vai dar trabalho...
            Capturar imagens em RAW em astro fotografia pode ser bom para os puristas. Eu rapidamente percebi que com a quantidade de fotos envolvidas isto não serviria para minha paciência "Atiliniana". Pelo menos descubro que é possível tratar todos os arquivos no Camera RAW ao mesmo tempo. E assim ajustar o balanço de branco e outros bric-a-bracs  ( No caso só a exposição ) em lotes. Bem como nomear e salvar estes arquivos.
            O problema é que mesmo tendo brincado com o nível de ruido no Camera Raw estes continuam bem altos. Com longas exposições e ASA muito alta a coisa fica feia em RAW. E eu não tenho total dominio sobre os tais poderosos logaritmos do programa.
            Desta forma o Deep Sky Stacker começa o seu show e eu, já de saco cheio , prefiro utilizar o Rot n´Stack. Para isto preciso transformar todas as fotos de DNG em JPEG. 22 fotos... E depois passar todas estas no Noiseware... Aiiii!!! ( Na verdade o Rot n, Stack consegue alinhar todas elas sem este procedimento. E í você só precisa passar pelo Noise depois de alinhar as fotos. O Deep Sky é mais exigente.)
            Mas depois de empilhar as fotos e realizar a já tradicional peregrinação de frames pelo Rot n´Stack ( ou Deep Sky Satacker) , Noiseware (este me pareceu muito mais fundamental para a realização da operação quando trabalhando em RAW) ,Iris e Photoshop  consigo obter alguns resultados razoáveis.
 Depois foi só apresentar os resultados ao Astrometry e confirmar o que eu já sabia.
          











        Abaixo uma série de resultados obtidos através de diferentes caminhos. Os programas empregados em cada um dos resultados. Todos eles tem como ponto de inicio as imagens capturadas em RAW em uma Canon T3. O telescópio utilizado foi o Newton ( refletor newtoniano com distância focal1200mm / f8)


Um mal resultado para muito processamento. Depois de ter todos os 22 frames alinhados No Rot n, Stack escolhi o modo Sort ( o mais pirotécnico mas também o que captura mais detalhes) e retirei a vinheta e o gradiente ( enorme...) de fundo com o Iris. Posteriormente trabalhei os níveis , contraste e brilho no Photoshop CS5. Por fim Noiseware para reduzir o ruido...
Este é o modo minimo do Rot n´ Stack. Seu algoritmo reúne os pixels de menor intensidade encontrados nas fotos alinhadas. Ao contrario do que possa parecer isto tem suas qualidades. Como seu olho não é um sensor e nem possui pixels a imagens obtidas por este modo são sempre as que mais se aproximam do que você vê na ocular; e sem precisar de visão periférica. 
Desta vez o Modo Maximo do Rot n´Stack. Este reune os pixels mais brilhantes das fotos alinhadas. Eu fico imaginando que estou no capo e que a obra do metro acabou. Nesta foto ainda dei uma incrementada no contraste no Photoshop CS5.



Modo sort. Pirotecnia em ação. Mas as vezes ele revela alguma coisa que não seria possível sem tanta loucura. Me lembra sempre de Pollock...


                    
             Como eu disse no inicio do texto existem dois tipos de piratas  , provavelmente mais, e cada um age de uma forma. Da mesma forma existem diferentes astrofotografos. No meu caso capturar imagens em RAW pareceu-me uma péssima idéia. A necessidade de horas de pós processamento e o uso de diversos programas e rotinas não serve para mim. Mas compreendo quem as faz. Minhas pretensões fotográficas são modestas. Apenas um registro . De preferência semelhante ao que observo pela ocular. Realizando minhas astro fotos em JPEG eu consigo isto ( na verdade consigo mais que isto...) e economizo muito trabalho. Com relação a 4463 eu duvido que alguem perceba alguma diferença entre a captura em RAW ou JPEG. Um céu escuro e exposições mais longas serão a única coisa que poderá
revelar mais detalhes. Ou um telescópio mais poderoso. Ou do Deep Sky Stacker...

             
               Posteriormente consegui me entender melhor com o Camera Raw e melhorando o Ruido nos originais consegui que o Deep Sky Stacker se entende-se com o material; Este é definitivamente mais poderoso que o Rot n´ Stack. depois de algumas manobras e ajustes ele acabou aceitando os 22 frames e como é praxe gerou um arquivo Tiff de 32 bits e outro de 16 bits. Com a utilização de 5 dark frames fabricados as pressas o resultado foi surpreendente. E quase igual utilizando como matriz a captura em RAW como o material previamente convertido em JPEG. Abaixo o resultado antes e depois de um ajuste de Níveis no Photoshop CS 5. Levando em conta o material com tudo começou só me ocorre uma palavra. Milagre... A tecnologia ainda nos fará Deus ( tenho estado as voltas com Espinoza e muito filosófico nos últimos dias...)



     22 X 13 Segundos + 5 dark Frames . Alinhados no DSS.         
       
Novamente o ruido junto a parte mais brilhante da foto . Mas com resultado bem melhor que no périplo da foto do Rot n´Stack que passou pelo Noiseware, Iris , Photoshop e Camera Raw. E esta foto não foi ao Noiseware... . E nela creio ter localizado PK300 ( na de cima também). Na verdade o ruido nesta foto aumentou muito na compressão do Blogger. Ela é melhor ao vivo. Aqui eu prefiro a de cima.
   

         Quanto a fotografia do cotidiano o uso de RAW me agradou muito. As potencialidades de cor , brilho , efeitos e de edição em geral são enormes. Pretendo me aprimorar no uso do Camera Raw. Por enquanto creio que o firmware da camera que é aplicado aos arquivo JPEG é mais competente que eu pra lidar com o ruido das imagens digitais.

            Acho importante ainda frisar que certos DSO como nebulosas e galaxias devem se beneficiar mais da captura em Raw. Estas apresentam mais riqueza de cores e brilho que o discreto Ngc 4663. Este , especialmente, não apresenta características que justifiquem a trabalheira de se capturar em RAW.
            Acredito que "piratas' mais pacientes e dedicados podem se beneficiar enormemente dos recursos que a captura em RAW permite. Eu voltarei ao bom e velho JPEG. Uma outra razão de me apegar a este mal habito é poder trabalhar com arquivos bem menores e a facilidade de trafegar com este material pelo Blog. Em ultima instancia o material aqui apresentado é sempre em JPEG. E sempre terei os TIffs gerados pelo DSS em algum lugar...  

            E também continuo acreditando que binóculos 15X70 dispensam o uso de tripés...

            Astrofotografia é a maior diversão. 

          P.S. Mais diversão...  Para quem quiser brincar de jogo do erros segue a foto que indica PK3 300 2.1 .  Existe poucas imagens disponiveis na web de 4463. .  


Localizei esta foto em http://www.surastronomico.com/ mas ele não apresenta os créditos. 

sábado, 10 de agosto de 2013

Softwares Amplo Espectro




Comprei um novo  laptop. O meu antigo sofreu muitos baques e abusos nos últimos tempos. E com um tour amazônico ele realmente começou a apresentar sintomas de alguma doença tropical grave e desconhecida. Desta forma comprei um Pen drive e pesquei do HD o que realmente interessava e me conformei em manda-lo para o sacrifício.
      O meu novo lap é em tudo superior ao anterior e  fiquei bastante feliz com a nova aquisição. Após alguns dias de choque cultural causado pelos Windows 8 acabei me acostumando com o nova paisagem e também com o novo sotaque.
     Mas aí começa a trabalheira. Afinal meu computador é também astrônomo. E com o passar dos anos meu antigo lap tinha acumulado muito lixo em seu HD. Algumas dezenas de softs destinados a observação e a astrofotografia tinham sido instalados e em sua maioria eram apenas entulho. Apesar de agora possuir 1TB de espaço vazio no me novo HD não queria já começar entulhando a área de trabalho com diversos atalhos para programas que eu nunca usaria.
      Desta forma organizei uma lista dos softwares que eu quero  instalados em minha maquina e que são realmente uteis.
       Vou iniciar pelos Freewares. Seguindo a ordem dos downloads que realizei :

         Stellarium: Um programa planetário que deve ser conhecido de quase todos os leitores. É um programa fundamental para você planejar as suas observações e saber aonde procurar os objetos que lhe interessam. Uma descoberta interessante é que como fiquei muito tempo acomodado e não atualizei nenhum destes programas diversos melhoramentos foram realizados. O Stellarium especialmente se tornou um programa melhor. Os menus sobre DSO´s e estrela que se abrem quando se clica sobre um determinado objeto se tornaram muito mais completos. Um maior banco de imagens ( que agora também inclui  NGC´s interessantes além dos Messier´s...) foi implementado. Outra melhoria é com relação a possibilidade de se ver a imagem com diversas combinações de oculares , Barlows e afins... O programa se aprimorou em cerca de 1 ano ( talvez um pouco mais) .


          Outra melhoria é poder se passear pelo céu virtual utilizando qualquer uma das combinações de oculares. E assim pode-se ensaiar o Star Hooping para se localizar objetos mais difíceis
               Baixe em :  http://www.stellarium.org/


               •         Cartes du Ciel -  Outro programa planetário. Nunca consegui decidir entre este e o Stellarium. O CdC possui mais catálogos e um banco de imagens superior aos do Stellarium . Mas o primeiro tem uma apresentação mais bonita do céu. Acho que ambos acabam por se completar. Por isto ambos vão para o HD. O cartes du Ciel não evolui tanto desde a ultima versão que eu possuía instalada. Parece ter se acomodado mais. Mas ainda possui mais informações nas abas sobre DSO específicos e  todo o catalogo NGC apresenta fotos .

           Ainda que de baixa qualidade.   Ambos permitem controlar montagens computadorizadas...
           Baixe aqui:  http://www.ap-i.net/skychart/start



         Deep Sky Stacker - Um programa devotado a astrofotografia. Ele permite que você empilhe fotos e assim consiga melhorar a "Razão Sinal- Ruído" de suas fotos astronômicas. É um programa bem poderoso e fundamental para quem pretende praticar astrofotografia com alguma dignidade.


         Rot n´Stack- Semelhante ao DSS mas mais pé de boi . Ele aceita empilhar imagens que o DSS pode vir a recusar. Esta em uma nova versão que aumentou suas potencialidades e com a possibilidade de se utilizar Dark frames capturados por você ou auto gerados por ele tornaram suas fotos mais bem acabadas. Sua interface é mais amigável e ele é muto mais complacente com capturas de imagens mais mambembes que o Deep Sky Stacker ( DSS)

         Ainda na seara da astrofotografia eu baixei o IRIS. Este é um programa bastante poderoso e que poderia se comparar ao caríssimo MAXIM. Ele realiza todas as operações imagináveis . Desde permitir o controle da captura das imagens em sua câmera até o processamento final das imagens. Mas é bastante complexo e eu o uso quase que exclusivamente para reduzir o gradiente e a vinhetagem comum em fotos astronômicas.
         Baixe aqui:  http://www.astrosurf.com/buil/us/iris/iris.htm

  • Outro programa util , poderoso e gratuito com diversos recuersos para tratamento de astrofotos é o Fitswork.  Bom possuir embora já tenha sido mais fão dele. possui uma boa ferramenta para retirar gradiente e evitar flats frames...  
  • http://www.fitswork.de/software/


         Finalizando a coleção de freewares eu recomendo que se instale o Noiseware Community Edition. Ele permite que se diminua o ruido tão comum em fotos realizadas com ASA muito alta e  também o ruido térmico causado  em por exposições muito longas. Este apresenta também uma versão paga ( Pro) a qual permite você trabalhar com mais formatos ( Tiff ) . Na sua versão gratuita somente Jpeg é aceito...

       Baixe aqui:http://en.kioskea.net/download/download-439-noiseware-community-edition

Agora apresento alguns Softwares que não são gratuitos mas que são extremamente uteis para a pratica da Astrofotografia:


         Photoshop CS- O Photoshop é um programa não só importante para a pratica da Astrofotografia ( especialmente as ferramentas Levels e Curves...) como para a fotografia em geral. O Potencial dele é enorme e seus recursos são imensos. Na verdade sempre se pode descobrir algum recurso novo. O Photoshop é um programa caro. Embora não apóie a pirataria sei que é possível  obtê-lo de forma "gratuita" em sites com Kickass Torrent e Pirate Bay. Cuidado em ambos os sites. Você pode acabar  com vários invasores e ainda terminar sem o Photoshop. 
      Uma opção freeware é o GUIMP. Eu acho o Photoshop mais poderoso por algumas centenas de dolar... Mas é uma excelente opção.        http://www.gimp.org/




         Canon Utilities: É o programa que acompanha as câmeras Canon e que permite o controle da câmera a partir do computador . É a forma mais rápida de se controlar a aquisição de imagens e de se poder obter exposições superiores a 30 segundos.
         Digital Photo Professional - Outro programa   que vem " bundled" com as câmeras Canon. Permitiu você manipular fotos em RAW.
      Os dois últimos programas provavelmente você obterá facilmente na web.
     Acredito serem estes os programas necessários para fazer de qualquer computador uma plataforma útil para Astronomia em geral e Astrofotografia em particular. Claro que sua câmera deve ser uma Canon. Senão um pequeno ajuste se fará necessário... 


  •        Astrophotography Tools- É um parente do Canon Utilitiies envenenado para astrofotografia. Atualmente é o prrograma  que utilizo para as captturas. Sua versão gratuita posssi quase todas as funções liberadas. Muito bom.
       
      Provavelmente instalarei ainda o Registax. Pretendo um dia ter uma web cam para fotografia planetária...
    
   Outro programa que é interessante mas que depois de algum uso acaba perdendo o interesse é o Celestia.  Permite simulações . Ou o Universal Sandbox.
      De uma forma geral estes são os programas que acho interessante possuir em meu computador.
   Pessoas tem necessidades diferentes mas a coleção apresentada vai atender a maior parte das necessidade de astrônomos amadores.
       Sei que existem alguns outros programas que podem ser fundamentais para a pratica astronômica . Mas já no terreno da especialização. E aí cada um tem a sua... 

         Esta lista seria uma proposta " amplo espectro".

      

sábado, 11 de maio de 2013

Rot n´Stack 1.2- A Nova Versão


            

            Saiu uma nova versão do Rot n´ Stack
O Rot n´Stack é um programa que , como diz seu nome, serve para girar e empilhar fotos. Vejam que eu disse girar e não rotacionar . A razão é simples. O verbo rotacionar  existe . Mas...
           O motivo deste post  é um freeware e foi criado Guillaume Dargaud.
            Nas palavras do próprio criador (ou quase):
“Este programa é similar a diversos programas astronômicos no qual o objetivo é obter diversas imagens e junta-las em uma única. Este processo é usado , principalmente, em imagens escuras para remover o ruído. A diferença entre ele e outros programas “mais profissionais”: ele é grátis , ele aceita imagens  no formato  Jpeg e PNG e assim compatíveis com a maioria das câmera digitais, e por fim é muito simples. Você pode tirar uma série de fotos com 30 segundos de exposição do céu noturno (mais que isto as estrelas deixarão trilhas) e depois empilha-las para realçar o contraste”.
            Sua primeira versão foi lançada em 2005 (1.0). Ainda neste ano foram corrigidos alguns pequenos bugs e lançou-se a Versão 1.1.
            Durante 2 anos usei esta versão.
            Apesar de não tão poderoso como o Deep Sky Stacker eu sempre gostei do Rot n´ Stack. Ele é mais “pé de boi” e apesar de certas limitações ele sempre foi garantia de que suas fotos seriam empilhadas. Mesmo  que a captura das imagens fosse realizada de forma estabanada e com um alinhamento polar abaixo da critica.
 O DSS muitas vezes se recusa a aceitar imagens com muitas trilhas ou outros problemas que nâo sei quais são. É mais fresco.
            Desta forma o Rot n´Stack sempre foi uma ferramenta fundamental aqui no Nuncius Australis...
            Seu uso é bastante simples.
            Primeiro faça o download dele - http://www.gdargaud.net/Hack/RotAndStack.html
                Abra o programa em seu PC (creio que não roda em Mac). Ele vai apresentar esta tela.

            Depois clique em “open” e na janela que ira se abrir escolha as fotos que você pretende utilizar. Todas as imagens devem estar na mesma pasta. 


                Clique em “Add” e dê “OK”. O Rot n´ Stack vai carregar as fotos e abrir a 1ª foto.
            Selecione duas estrelas usando o botâo esquerdo do mouse para a primeira e o direito para a segunda nesta primeira imagem. 


Depois ele pedirá para você fazer a mesma coisa na segunda imagem. E depois ele irá perguntar se você quer fazer isto manualmente ou automaticamente.
            Escolha manualmente e selecione as mesmas estrelas em todas as fotos que você carregou.  Com isto ele vai girar e alinhar as fotos da melhor forma possível.
            Na nova versão (1.2) lançada em 29 de dezembro de 2012 surgiram mais algumas opções na aba Advanced. 


             Com ela é possível se subtrair um Dark frame das imagens e assim se livrar de hot pixels e outras coisas nefastas . Ele pode utilizar um dark frame definido por você ou gerar um ele mesmo. Foi um grande avanço mas ainda é um recurso experimental.
            Uma vez feito isto pressione “Rot n´ Stack” na aba superior direita da barra de ferramentas do programa.
            E espere. Quanto mais fotos mais tempo...
            O Rot n´Stack vai gerar quatro arquivos com quatro resultados diferentes:
·         Uma imagem onde cada pixel é o mais brilhante das imagens originais. (modo Max)
·         Uma imagem onde cada pixel é o menos brilhante  das imagens originais (modo Min)
·         Uma imagem onde cada pixel é a média  de todas as imagens originais (modo Mean)
·         Uma imagem onde cada pixel passa por um algoritmo muito doido e que maximiza o contraste. Os resultados parecem arte pop ou surrealismo. Depende do dia... ( modo Sort)


O modo Max é interessante . Mas somente utilizando-se dark frame. Caso contrario se perceberá muito hot pixels.

O modo Min  não é exatamente o que se procura quando esta se empilhando fotos sub expostas... Mas em alguns DSO´s ele resolve

O modo Mean é o mais realista e o que eu acho que apresenta os melhores resultados.

O Modo Sort não gera imagens realistas mas pode revelar detalhes que não seriam percebidos de outra forma.  

Um dos maiores avanços da nova versão é suportar fotos maiores. Com o aumento do formato das fotos em câmeras mais modernas e com mais resolução  a antiga versão 1.2 não estava suportando. Quando troquei minha câmera Canon Rebel 350D pela Canon T3 ele alegava ( na maioria das vezes ) não possuir memória ( na verdade alegava ter que aumentar a memória da pagina...) para empilhar as fotos . Na nova versão isto foi solucionado.
O Rot n´Stack é um bom programa. Apesar de algumas limitações ele é bem amigável e com seus novos recursos ele consegue obter bons resultados e ajudar o amador na astrofotografia mesmo quando lutando contra recursos insuficientes para realizar captura de imagens “perfeitas”.
Vejam estes resultados em um rápido teste com um velho conhecido. Ngc 3766.

Primeiro foram escolhidas 16 de 24 fotos feitas com uma Cannon T3 acoplada a meu newtoniano de 150mm. Foi utilizada ASA 3200 e as exposições foram de apenas 10 segundos.  O alinhamento polar foi feito no chute. Dei um chute no pé esquerdo do tripé e um no direito e pronto...
Abaixo o modo Min. Sem  e com o uso de um dark frame auto-gerado.
Min

Modo Mean
Mean

Modo Max
Max

Modo Sort
Sort


Percebo que o uso do dark auto-gerado reduz o ruído, resolve em parte os hot pixels no modo Max e apresenta um certo desvio para o verde. Veja o Master dark gerado...

 O modo Sort é um exagero. Mas com o tempo aprendi que se passando por maciças doses de processamento pode revelar coisas que nenhum outro pode... Em um post futuro apresentarei uma das surpresas que ele me causou.
Mesmas fotos no Deep Sky Stacker

Ainda que achando o DSS “o programa” pare empilhar não posso deixar de elogiar o Rot n´Stack e suas características mais rústicas.Ele é  mais simples de se utilizar que o DSS mas também implica em muito mais trabalho manual (clicks e mais clicks de mouse para se marcar as estrelas que servirão pra o alinhamento de todas as fotos capturadas...) para se obter resultados bastante honestos. È amigável com iniciantes e sua interface é bem instintiva. É um excelente programa e a iniciativa de Dargaud em disponibiliza-lo gratuitamente é elogiável. Sua nova versão continua muito simples de se utilizar e possui mais recursos. Acredito que o processo de subtração de Darks, que ainda esta  na fase experimental, vai evoluir e que o RnS  possa melhorar mais ainda. Serve ainda para se empilhar fotos "terrestres". E aí não é necessário se marcar os pontos para alinhamento. 
P.S. O recurso de utilizar um dark frame realizado por você mesmo melhora muito o resultado sobre o dark frame auto gerado. O equilíbrio de cores se torna muito mais fidedigno. A unica ressalva é que você deve obter o dark frame em raw ou Jpeg (pelo menos na minha câmera...) e antes de utiliza-lo deve converte-lo para PNG no photoshop. O RnsS só aceita darks neste formato.