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domingo, 19 de junho de 2016

Ngc 3228 ,o Duelo Halley - Lacaille e os Pubs Ingleses

             

           Ngc 3228 é um daqueles DSO´s feitos para pequenos telescópios e pouca ampliação. Descoberto por Lacaille  com uma minuscula luneta de 15 mm com 8X de aumento é uma prova da competência visual do Abade.  Em seu catalogo publicado em 1755 esta é a entrada Lac II. 7 .  Sua categoria II nos revela que ele percebeu nebulosidade entre suas estrelas. O incrível feito foi resolver algumas estrelas com tão modesto equipamento...
                "  Um " ajuntamento" de  4 ou 5 estrelas , bem pequeno e bem comprimido".
                Seguindo a tradição do céu austral ele foi posteriormente observado por Dunlop  e este acrescenta e resolve mais alguns membros  em 3228.
                Dunlop nos diz que o aglomerado é "11 Roboris Caroli".  Ou seja ele nos diz que Halley tinha percebido 3228 antes de Lacaille . Mas não sua verdadeira natureza. Ele teria incluído este como uma das estrelas da natimorta constelação de   Robur Carolinum , o carvalho de Charles . Esta se referia ao Carvalho ( uma arvore) que Charles II teria se escondido durante a batalha de Worcester. "O Carvalho Real" ( The Royal Oak).  Charles era patrono de Halley e a homenagem garantiu o seu mestrado.
                Lacaille achava que a constelação criada por Halley desfigurava a grande e antiga constelação de Argo Navis. Em mais um capitulo da rixa entre ingleses e franceses Ngc 3228 acabou por lutar junto aos franceses.  Lacaille resgatou as estrelas roubadas por Halley do navio dos argonautas desmembrando a gigantesca constelação em suas partes e assim nascem Popa , Vela e Quilha e o "Royal Oak" é cortado e se transforma no mastro da constelação de Vela.  E com já falei a estrela 11 da constelação de  Halley vira Lac II 7. 
7X30 segundos ASA 3200 -3X Drizzle no DSS e levels no photoshop.  O alinhamento polar foi feito depois de vistar alguns pubs...
                Ngc 3228 é realmente um pequeno aglomerado que possui pouco mais de 20 membros e localiza-se a 1600 anos luz do sol. Se espalha por modestos 2 anos luz de galaxia.  Suas estrelas nos indicam uma idade de cerca de 40 milhões de anos.


                Localizar Ngc 3228 é um pouco mais difícil do que sua magnitude 6.0 pode levar a supor.   Mas partindo-se de Kappa Velorum utilizando um binoculo ou sua buscadora  ( a estrela mais ao norte do asterismo do falso cruzeiro ) você irá facilmente localizar  a leste - Nordeste a estrela de 3,5 magnitude Phi Vellorum.  Seguindo pouco menos de um campo ( 40) para nordeste você vai se deparar com um pequeno asterismo que recordara o aglomerado de Omicron Vellorum ( O aglomerado da Pequena Cassiopéia) com estrelas em forma de  W ( ou M)  que terá Ngc 3228 aos seus pés. Como nos conta O´Meara irá parecer como uma pequena caixa de joias aos pés da falastrona Rainha da Etiópia ( Cassiopeia) . Isto nos leva até  pomposo apelido do aglomerado na língua Inglesa , The Queen´s Cache Cluster . A tradução é ingrata e nos daria algo como o Aglomerado da Caixa da Rainha... 



                Quanto à nomes parece que o "Carvalho de Charles"  de Halley continua envolvido em controvérsias. Segundo a British Beer and Pub Association (BBPA)  "The Royal Oak" é  o segundo nome mais comum para um  pub na Inglaterra. ( 626 pubs) . Segundo a CAMRA ( Campaign for Real Ale) este é o terceiro (541).  Red Lion é o nome mais comum. 

quinta-feira, 21 de abril de 2016

Ngc 2546: O Elefante Naif

     

           Ngc 2546 é um grande aglomerado aberto em Puppis. Mais uma descoberta original de Lacaille . Lac II.4 . Ou seja a quarta entrada de sua categoria II. Por isto entende-se que se trata de uma nebulosa somente para a vista desarmada e que se resolverá em pequenas estrelas com qualquer auxilio óptico. Como Lacaille utilizou lunetas 8X15 mm em seu levantamento dos céus austrais isto é muito verdade. E como disse Walton Welsh  todas as grandes verdades são simples ,se não são , não são verdade alguma.
            A descrição deixada por Lacaille demonstra claramente a natureza de sua classificação: " O que se vê a olho nu são dois confusos grupos de estrelas enevoadas ; mas com o telescópio eles são diversas pequenas estrelas distintas em grande numero e muito próximas."
            O Abbe é bem mais prolixo que na maioria de suas descrições ( ele é bem curto e grosso em sua descrições...) .
            É evidente a a capacidade visual de Lacaille era absurda. Perceber 2546 a olho nu mesmo em céus escuros é uma tarefa para olhos jovens e bem treinados. Com relação ao segundo grupo de estrelas é provável que ele se refira a um brilhante asterismo junto a Lambda Puppis. Este bem mais fácil de ser percebido. Ngc 2546 foi um dos últimos Objetos do catalogo que observei . Pois apesar de sua magnitude na casa de 6 ele habita um riquíssimo campo estelar e pela minha buscadora muitas vezes achei tratar-se apenas de um belo campo estelar em meio a Via Láctea. O Asterismo junto a Lambda ainda ajudava mais nisto. Por minha 10X50 me é duvidoso quem é o asterismo e quem é o DSO. Um daqueles casos que de tão a vista esta bem escondido.
            Para complicar ainda mais as coisas habita  a região o obscuro porém nem tanto aglomerado VdB-Ha 23.  Dunlop na entrada 563 de seu catalogo ( e que é aceita como sendo Ngc 2546)  nos fala em " um grande aglomerado de estrelas de magnitudes variadas , uma figura das mais extensas, não muito rico em fracas estrelas." Sua ultima frase leva a duvida se ele viu ou registrou Ngc 2546 ou VdB-Ha 23. Ngc 2456 é rico em estrela tênues. já VdB- Ha não. Mas é muto provável que ele tenha visto ambos já que seu poder de fogo era bem superior ao de Lacaille.
                   

            Para observar  Ngc 2546 localize  Naos (Zeta Puppis )e pesquisando a região ao redor com qualquer auxilio óptico você ira localizar sua vitima . Busque por  h1 é uma estrela de 4,5 magnitude e bem alaranjada que se encontra em seu caminho e servirá de marco para o starhoop. Lembre-se que Ngc 2546 será o ajuntamento evidente de estrelas na ocular . O mais chamativo na região com vários campos estelares interessantes.

            2546 é um aglomerado bem jovem como a maioria nesta região e tem cerca de 30 milhões de anos. Aceitando-se que sua distancia de nós é de 3.200 anos luz suas estrelas ocupam um latifúndio de quase 65 anos luz de Via Láctea.
Versão Rot n´Stack
            Um dos autores favoritos do Nuncius Australis adora realizar um exercício lúdico que também muito me atrai. Consiste em tentar descobrir padrões cotidianos para coisas além do nosso cotidiano. É assim batizar aglomerado (especialmente os abertos) com apelidos das coisa da Terra. O´Meara dá dois apelidos para Ngc 2546. "O Aglomerado do Coração Partido"  ( que nem ele consegue desenhar ) e o " Adaga e Coração " que lembra a clássica tatuagem de piratas com uma adaga cruzando um coração. Eu já vi seu desenho que apesar de bem bonito sofre do grave problema de as estrelas não estarem exatamente onde deveriam estar .
O Aglomerado do Elefante Naif . Reparem que ele ainda carrega uma pessoa montada.... 


            Eu em um esforço imaginativo sobre humano consegui ,no máximo, chegar a imagem de um Elefante estilo naif , mesmo assim desenhado por uma criança bem nova. Daí o apelido que dei ao aglomerado. "O Elefante Naif".  Confesso que não acho Ngc 2546 um dos mais atraentes aglomerados abertos do céus. Sua foto também foi realizada de forma meio estabanada.  Apesar disto acho que ele não merecia ser tão sacaneado.  Como disse Ibsen  " a beleza é um acordo entre o conteúdo e a forma".  

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Ngc 5662: O Aglomerado da Mariposa Cigana

               

                 A lua nova sempre me inspira a tentar a sorte contra a poluição luminosa carioca. Como obtive algum sucesso com C 84 esta semana e acabei por conseguir um alinhamento polar com alguma qualidade estou eu de volta a "Stonehenge dos Pobres".   O outono traz de volta a janela meu tão querido Centauro. E com ele um dos objetos descobertos por Lacaille em seu levantamento dos céus austrais realizado no século XVIII. 
                Ngc 5662 é a Lac. III.8 . Isto significa que Lacaille o colocou na categoria de estrela e /ou estrelas acompanhadas de nebulosidade. É difícil imaginar quias seriam as duas estrelas que ele resolveu. Mas levando em conta suas modestas lunetas é um achado bastante interessante. V Cen se encontra na região é é provavelmente um membro do aglomerado e é séria candidata a uma das estrelas em questão.  Mas ela é extremamente destacada d aglomeração central para se parecer envolta em nebulosidade mesmo para os modestos equipamentos do Abbe. Assim eu imagino que ele se referiu a  HD 127753 e HD 127866.
                John Herschel (o filho) a descreveu assim : "Grande, bem brilhante,um aglomerado esparso da classe VII que mais que preenche o campo 50 estrelas mais ou menos de 9a  a 12a magnitude; estrela principal 7a magnitude um pouco isolada. utilizada para localizar o aglomerado."
                Já no catalogo NGC: "Aglomerado , grande, bem rico,  pouco comprimido, estrelas de 9a magnitude e  mais fracas."
                Devido a uma daquelas coincidências que nada tem a ver com as leis mais fundamentais do Universo James Dunlop registrou o aglomerado exatamente 145 anos antes do meu nascimento e 177 anos antes do nascimento de minha filha . Naquela noite de 10 de julho de 1826 ele parece ter sido o primeiro a perceber a natureza alongada e dividida do aglomerado.
                    Seus 280 membros possuem uma distribuição bastante peculiar. O "núcleo" do aglomerado é esparsamente povoado embora perceba-se uma concentração obvia junto ao centro e uma outra  mais esparsa bem ao sul. Parece que o aglomerado sofreu um puxão simultâneo ao norte e ao sul e tenha sido" estripado" formando uma espécie de aglomerado duplo.
                Estudos mais recentes (Sagar 1997) demonstram que o aglomerado possui duas gigantes vermelhas. Uma delas com 7a magnitude é certamente a estrela que Herschel usou para situar o aglomerado (HD 127753). Seu tipo espectral é K5. Sagar ainda confirma que V Cen ( esta  uma variável cepheida com período um pouco superior a 5 dias)  é um membro nas bordas do  aglomerado . É fácil acompanhar seu ciclo e vale a pena conferir esta estrela variável. Ngc 5662 tem uma massa de 256 sóis e  sua extensão é de 17.5 anos luz com uma densidade de 0.5 estrelas por parsec cúbico. Sua idade é em torno de 80 milhões de anos fazendo dele um aglomerado relativamente jovem e contemporaneo da Plêiades. Sua metalicidade é semelhante ao sol.



                Apesar de sua magnitude de 5,5 localizar Ngc 5662 em locais de muita poluição luminosa não é tão fácil como seria de se supor. Eu parti de Alfa centauro e com o auxilio do Stellarium calculei a distancia até V Cen. 4,5o . Aproximadamente um campo de buscadora rumo norte. Depois de algumas tentativas cheguei a estrela ( que pelas minhas contas se encontrava quase em seu máximo). Com a ocular 25 mm e uma rápida escaneada acabo percebendo o aglomerado que possui estrelas fracas. Ele se resolve e não percebo nenhuma nebulosidade. cobre uma bela parte do campo de visão.  Cobrindo uma área semelhante a da lua cheia ele é melhor observado com pequenas magnificações. Nem tentei a 10 mm.
                Agora uma história interessante. Steve O´Meara batizou o aglomerado como " Gypsy Moth Cluster" não só devido a sua fantasia como em uma homenagem a  Etienne Leopold Trouvelot , um grande astrônomo, que trabalhando com o grande refrator do Observatório Universidade de Harvard realizou alguns dos mais belos desenhos de DSO´s conhecidos.

                Mas não é lembrado por isto. Ele importou as "Gypsys Moths" ( uma espécie de mariposa.  L. Dyspar) para implementar a industria da seda nos E.U.A. . Não deu certo e as pequenas criaturas tornaram-se uma praga na nação. Há registros de chuvas de lagartas pela região. A primeira infestação foi registrada em 1899 e o programa para sua erradicação começou em 1890. Continua ativo...
5 exposições de 30 segundos ASA 6400 . Newtoniano 150 mm F8

                Realizei alguma poucas exposições de Ngc 5662 quando esta estava praticamente cruzando o meridiano. E assim acabei com o Telescópio travado contra o tripé logo após poucas exposições.. Mas o registro ficou bem fiel e apresenta claramente a estrutura dividida e o formato que lha dá seu apelido. 

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Catalogo J.E.S.S. - Cap. 5

Cap. 5- Os telescópios e equipamentos




Os equipamentos disponíveis para a realização do Catalogo José Eustaquio e Silvano Silva de Nebulosas e Objetos Estelares foram utilizados  em um metódico levantamento dos céus austrais por nossos dois astrônomos pioneiros e era também o resultado de avanços tecnológicos que se desenrolaram ao longo de vários séculos de pesquisa astronômica.

Sabemos pelos textos de Silvano e Silva que José Eustaquio “herdara” um dos telescópios que Lacaille trouxera em sua expedição para o Sul. Este teria ficado em poder de seu pai que segundo dados circunstanciais parece ter servido ao Abade em sua estada no Rio de Janeiro.



Sabemos por diversas fontes que o grande astrônomo francês não deixara saudade e tampouco a sentia em relação a cidade maravilhosa . Em diversos textos o abade falava da sujeira e do mau cheiro que invadia a Rua do Rosario. Foi ali que ele montou sua banca. Apesar da grande herança deixada por Lacaille ele realizou todos os seus feitos com telescópios deveras simples. Na realidade pouco mais que pequenas lunetas. Instrumentos de cerca de 25 mm de diâmetro de objetiva. E com aumentos da ordem de 6 a 9 vezes. É impressionante que este homem tenha deixado seu catalogo e mais uma família de constelações nos céus austrais com equipamento tão simples.

O próprio Silvano Silva nos diz:

“... o telescópio de Eustaquio pouco mais é que um monóculo de opera. E apesar disto ele reconhece centenas de nebulosas. Sua criação junto aos marinheiros deixou-lhe um profundo conhecimento dos céus e de seu comportamento.”


Já o equipamento de que dispunha o padre parecia ser mais sofisticado. Segundo suas próprias palavras seu aparelho era em muito superior ao pequeno newtoniano de Messier. Porém com uma menor distancia focal. Apesar de não citar valores em nenhum dos textos encontrados podemos fazer algumas suposições.

Os telescópios que Messier utilizou são conhecidos pela história e pelas palvras de Silvano podemos fazer sérias conjecturas .

Segundo Frommert e Kronenberg (SEDS) Charles Messier observou e/ou possui alguns telescópios;

1. Refrator de 8 metros de Distancia focal, Mag. 138x

2. Refrator Acromático, 4 metros DF Mag. 120x

3. Refletor Newtoniano 1500 mm  DF, Mag. 60x

4. Refrator Acromatico, 1200 mm DF (Dollond), Mag. 120x

5.  RefratorCampani, de propriedade do M. Maraldi, Mag. 64x

6. Refrator 6 m DF, Observatorio de Paris, Mag. 76x

Estes são apenas alguns dos telescópios utilizados por Messier . É importante lembrar que devido a tecnologia da época eles eram bem mais limitados do que sugerem as grandes distancias focais. Percebe-se também que na época a idéia de oculares variadas ainda não havia feito escola.

Mas devido a um pequeno recorte encontrado entre os escritos de Silvano Silva dois destes aparelhos se mostram muito significativos para minha pesquisa.

“... Tive a felicidade de conservar comigo dois belos aparelhos que ainda curtos me apresentam alta qualidade e aumento de 60x e 120x. O primeiro um modelo como o de Newton e o outro , meu favorito , um belo modelo inspirado em Galileu.
São muito semelhantes aos telescópios que utilizei em França . Sendo que um deles é um Dollond...”



Até devido a viagem que trouxe Silvano Silva ao Brasil lhe era impossível possuir um telescópio de grande porte aqui na Colônia. Mas sua temporada em Paris o ensinou a conhecer equipamento astronômico e ter acesso ao que havia de melhor em seu tempo.

Messier utilizou com freqüência telescópios com objetivas de 90 mm e 1200mm de distancia focal e 120 x de magnificação. Um deles feito por   Dollond. Silvano Silva se refere ao mesmo textualmente.

Estes refratores acromáticos são capazes de observar todo o catalogo Messier assim como alguns alvos mais difíceis.

Como já foi dito quando se observa o céu o obsevador é tão ou mais importante que o diâmetro ou qualidade ótica do próprio telescópio.

E a descrição do Newtoniano não deixa muitas duvidas de se tratar de um aparelho semelhante ao descrito por Messier. Com 1500 mm de ditancia focal e com cerca de 90 mm de espelho. Na época os newtonianos sofriam do uso de espelhos especulares e isto seria aproximandamente um 60 mm moderno.

Já o  Refrator acromático era um show de tecnologia em uma das fronteiras do mundo conhecido. E Silvano Silva sabia disto.

E ele sabia também que ele poderia descobrir o véu sobre o céu profundo que vivia escondido abaixo do Equador.

Em outro trecho ele deixa clara sua ambição:

“... com os meus equipamentos em muito superiores serei capaz de mapear um numero de nebulosas  muito maior que os encontrados pelo Abbe... e com isto enaltecer o brilhantismo da Terra Lusitana e a gloria de nosso Rei.”


Acredita-se que a pequena luneta de José Eustaquio e o Refrator de Silvano Silva foram a tecnologia que nos levou até o Catalogo J.E.S.S. O pequeno Newtoniano também ha de ser lembrado e coforme saberemos este torna-se um favorito de José. Segundo alguns escritos pode-se suspeitar que este tinha um grande campo de visão. Seria um telescopio de menor razão focal e por isto util para observação do céu profundo. Bem como mais portatil.

É aceito hoje que nenhum dos telescópios descritos aqui seja superior a um refrator de 100 mm ou um refletor newtoniano de 150 mm moderno. Segundo algumas opiniões até mesmo um bom refrator de 60 mm de diametro seria  um forte opositor.

Todos os objetos descritos nesta pesquisa são acessíveis a tais telescópios e em sua grande maioria estão ao alcance de Binóculos 10x50. A pequena luneta descrita por Silvano Silva como de propriedade de José não superaria de forma alguma um bom binóculo moderno. Mas novamente sou obrigado a lembrar que o observador é parte importante do equipamento. A mais importante.

domingo, 8 de maio de 2011

Observando M83

M83 –Um dos mais difíceis objetos Lacaille . Esta galáxia foi a primeira a ser localizada além do grupo local. Quinze milhões de anos luz da terra. descoberta por Lacaille em 23 de fevereiro de 1752. É a galaxia mais ao sul no catalogo Messier. Levando em conta os equipamentos de lacaille é um achado impressionante.

Aonde olhar: Partindo de Eta Centauro localize Theta. A partir de Theta (Talvez já pela buscadora) ache uma estrela vermelha (2 do centauro) e em seguida uma branca (1 do Centauro). A pouco menos de um campo da buscadora (4º 30´) vai se encontrar a galáxia. Utilize a estrela Pi Hidra para triangular a posição
.Na Buscadora: Muita Atenção. Talvez você perceba uma leve nevoa na posição. Pequena e tênue. Use visão periférica. Escaneie um pouco se for preciso. Esta é uma presa difícil.
Ao telescópio:
Em ambiente urbano você provavelmente vai notar apenas seu nucleo. Em locais de céu mais escuro talvez note alguma estrutura. Com 150mm e céu muito escuro talvez note seus braços. Galaxias espirais viradas de frente para nós são um dos objetos mais decepcionantes de Céu Profundo. Muito sensiveis a poluição luminosa. Mas se o céu for escuro podem ser os mais recompensadores. Aqui um telescópio grande realmente faz diferença.  Os mapas para localizar M83 podem sr vistos neste post.
RA  13 : 37.0 (h:m)




Decl -29 : 52 (deg:m)



Distancia 15000 (kly)



Visual Mag. 7.6 (mag)



 Dimensão 11x10 (arc min)

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

O catalogo Lacaille - III- estrelas com nebulosidade.

O Nuncius Australis, em sua serie devotada à realização da maratona Lacaille prevista para o final do verão apresenta agora a 3ª parte do Catalogo Lacaille. O caminho das pedras para observar o terceiro grupo do catalogo. Os dois primeiros grupos e todos os mapas e dicas podem ser encontrados respectivamente em:

I – Nébula sem estrelas. – O catalogo Lacaille- http://nunciusaustralis.blogspot.com/2010/04/o-catalogo-lacaille.html

O Catalogo Lacaille – cont.

http://nunciusaustralis.blogspot.com/2010/04/catalogo-lacaille-cont.html

II- -Aglomerados estelares nebulosos.

http://nunciusaustralis.blogspot.com/2010/09/o-catalogo-lacaille-segunda-parte-lacii.html



A Terceira categoria do catálogo, elaborado pelo abade durante o sec. XVIII compreende as Estrelas acompanhadas de Nébula. Só serão listados os objetos Lacaille realmente identificados a objetos de céu profundo. Os objetos de identificação duvidosa não são discutidos ou apresentados neste post.  O melhor horário para observação durante a maratona está disponível em:

http://nunciusaustralis.blogspot.com/2010/12/maratona-lacaille.html

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Vamos ao que interessa.


Lac III 2 – (Ngc 2477) Junto a Naos (Zeta Puppis) é facilmente localizado. Interessante aglomerado aberto. Mag. 5.80 Dim. 27´x27´. (O Mapa apresentado como No final de dezembro as 05h00min UT.).




Lac III 4 –(IC 2488) Localizado em vela este aglomerado galáctico se localiza dentro do asterismo do Falso Cruzeiro. Mag. 7.4 Dimensão 12´x 12´ Lacaille o descreve como uma fraca estrela rodeada de Nebulosidade. . (O Mapa apresentado como No final de dezembro as 05h00min UT.).





Lac III 6- (Ngc 3372) – A nebulosa de Eta Carina . Um dos maiores espetáculos do céu austral. È uma descoberta original de Lacaille. Mag. 3.0 Dim. 120´x120´. Muito grande. . (O Mapa apresentado como No final de dezembro as 05h00min UT.).








Lac III 7 - (Ngc 3766) Já localizado em Centauro este belo aglomerado galáctico é outra descoberta original do Abade. Conhecido também como O Aglomerado da Pérola. ( The Pearl Cluster). Mag. 5.3 Dim. 12´x12´. (O Mapa apresentado como No final de dezembro as 05h00min UT.).






Lac III 8 – (Ngc 5662) Pequeno aglomerado em Centauro. Também uma descoberta do Abbe. Mag. 5.50 dim. 12´arc. Próximo a Alfa Centauro.

Mapa 05h00min U.T. no inicio de Março.






Lac III 10 (Ngc 6025) Aglomerado aberto na constelação de Triangulo Australis. Pequeno e delicado aglomerado bem ao sul. Mag. 5.10 Dim. 12´x12´.





Lac III 11- Ngc 6397- Aglomerado Glob. Em Ara. Abaixo da cauda do Escorpião Mag. 5.7 . Dim. 27´x 27´ Março 05h00min UT.





Lac III 12 – M seis – O Aglomerado da Borboleta. Na cauda do escorpião. Visível a olho nu como ara enevoada. Bonito. Mag. 4.20 Dim. 20´x20´ Catalogado(?) por Hodierna antes de 1634.


Lac III 13- (M 8)- Em Sagitário. A nebulosa da Lagoa. Um Objeto também descoberto por Hodierna em seu catalogo do sec. XVII. Fecho de Ouro... Um berçário estelar.

Com este post o Nuncius Australis espera que tenha tornado possivel auxiliar  a todos em conhecer este antigo e pouco conhecido catalogo. Todo devotado aos céus do sul.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Maratona Lacaille

Maratona Lacaille
O Abade Nicholas Louis Lacaille deixou uma herança. Um dos primeiros catálogos de céu profundo da história. E todo ele voltado para o horizonte Sul. Deixou varias constelações em áreas antes desconhecidas (ou muito pouco conhecidas). Ele foi realizado durante uma expedição entre 1751 e 1752 a Africa do Sul. O “Abbe” inclusive passou pelo Rio de janeiro em seu caminho para Cape Town.
O objetivo da Maratona Lacaille é observar todos os 32 objetos considerados entradas validas no Catalogo em questão no intervalo de uma noite.A Maratona só é possivel ao sul do equador. A janela ideal para este desafio será na noite do dia 3 para 4 de março de 2011 com as noites de 5 para 6 e 6 para 7 como backup. Entre 5ª e domingo.
Abaixo apresento a ordem de observação que me parece mais adequada. Há opções...
Os dois últimos alvos são críticos. M55 especialmente.
Em tese todos os objetos são visíveis com um binóculo 10x50 mm.
Eu particularmente acho que você estará mais bem calçado para esta maratona com um telescópio que permita mais aumento que isto. O catalogo foi realizado com lunetas muito pequenas. Céu escuro ajudará muito. Um horizonte Les-Sudeste desimpedido é fundamental; M55 estará a cerca de 28 graus em seu melhor momento. Pouco antes do amanhecer.
Eu dividiria a Maratona em três blocos.
1º Bloco: Até o objeto #9 (Ngc 2547) – Começo por volta das 07h20min. É uma etapa bastante fácil com objetos brilhantes. #1 e #2 são os mais difíceis. Você pode fazer esta etapa bem rápido. Seu limite é por volta de 22h30min. Dá para fazer calmamente.
2º Bloco- mais puxado um pouco. De #10 a #21. M83 pode ser difícil em local com poluição luminosa. Ngc 4833 também. É um objeto bem ao sul e pode ser bem baixo dependendo de onde se observa. Os Aglomerados abertos em Carina são bem fáceis e pode-se ganhar bastante tempo nesta etapa. Limite: 01h30min AM
3º Bloco Agora é o tudo o nada. Os dois últimos aglomerados (M69 e M55) são difíceis. Especialmente M55 que não tem nada muito brilhante por perto. As 04h30min AM estará claro demais...Os outros objetos são bem fáceis . O #22 (Ngc 6124) pode dar um pouco mais de trabalho.
1º -47 Tuc - Ngc 104 (PNM) Inicio: 19:20PM
2º - Nebulosa da Tarântula –NGC 2070 (GNM)
3º Ngc 2516 – Carina (Falso Cruzeiro)
4º IC 2391 – Omicron Velorum (Falso Cruzeiro)
5º Ngc 2477 – Puppis (perto de Naos)
6º Ngc 2546 - Puppis (perto de Naos)
7º IC 2488 - Vela (Falso Cruzeiro)
8º Ngc 3228 – Puppis
9º Ngc 2547 - Vela (horário Limite 22h30min)
10º IC 2602 - Plêiades do Sul
11º Ngc 3532- Carina
12º Ngc 3372 – ETA Carina
13º Ngc 3293- Carina
14º Ngc 2547 – Vela
15º Ngc 4755- Caixa de jóias
16º Ngc 5139 – Omega Centauro
17º M83 Entre Hidra e Centauro. Galáxia
18º Ngc 4833 – Globular em Musca
19º Ngc 3766 – Centauro
20º Ngc 5662- Centauro (Lupus)
21º Ngc 6025- Triangulo Australis (atingindo este ponto por volta de 1:30 AM)
22º Ngc 6124- Norma (Escorpião)
23º Ngc 6242- Escorpião (próximo a Zeta)
24º Ngc 6231 Escorpião (Mais próximo a Zeta ainda.)
25º M4 – Escorpião (Antares)
26º M7- Escorpião
27º M6- Escorpião
28º Ngc 6397 – Globular em Ara
29º M8 – Nebulosa da Lagoa – Sagitário
30º M22 Sagitário
31º M69 Sagitário
32º M55 – Sagitário (acabando até 04h20min AM)
Aqui esta um link para o Catalogo Lacaille l. ( traduzido para o inglês). É uma versão editada em 1755.
http://www.seds.org/messier/xtra/history/lac1755.html

terça-feira, 3 de agosto de 2010

NGC 4755 - A Caixa de Jóias



     O aglomerado de Kappa Crucis ( Cruzeiro do Sul) é um brilhante e espetacular aglomerado galáctico. Um dos mais belos e chamativos do hemisfério sul.

     Extremamente fácil de ser localizado  será facilmente visível pela sua buscadora no mesmo campo que Beta Crucis ( também conhecida como Mimosa é a estrela que marca o braço leste do Cruzeiro do sul). A caixinha se apresenta obvia para qualquer buscadora otica. Um discreto triangulo de estrelas com dois "apontadores". HIP 62732 juntamente com  HIP62646 forma estes apontadores e juntamente com o triangulo propriamente dito são facilmente percebidas com minha pequena 6X30. HIP 62732 é uma variável também conhecida como DS Crux. Os "apontadores" não são membros do aglomerado...



 
 




  Seu nome popular , Caixa de Jóias, é derivado de Sir John Herschel, que disse que aquele aglomerado lhe produzia a impressão de estar frente a uma soberba peça de joalheria.  Cerca de 50 membros mais brilhantes estão comprimidos em um espaço de cerca de 10´de diâmetro , o que representa algo como 25 anos luz . Sua area total se aproxima de 50 anos luz.
 
   O Aglomerado foi "descoberto"  pelo sócio do "Nuncius Australis".   O Abbe Lacaille . Em seu levantamento dos céus Austrais relizado na Cidade do Cabo entre 1751-52. Respondia pela entrada Lac II. 12 de seu catalogo . Sua categoria II indica aglomerados com nebulosidade. Com aparelhos oticos mais eficientes que as pequenas lunetas de Lacaille o aglomerado se resolve na integra e não apresenta nebulosidade envolvida.
       
      As estrelas mais brilhantes são super gigantes e incluem algumas das estrelas mais luminosas conhecidas em nossa galáxia.Das 10 mais brilhantes 9 são do tipo B.  A estrela mais brilhante do aglomerado brilha como 80.000 sóis.
    A luminosidade de suas estrelas foi calculada por Radcliffe . Segundo seus estudos, ha informações discrepantes na literatura.
      A região apresenta muito poeira inter estelar o que torna difícil calcular a  distancia e a magnitude real de suas estrelas. São aceitas  distancias entre 8000  e 5.500 anos luz .   
     NGC 4755 é um dos aglomerados mais jovens conhecido e é comparável em idade e tipo ao famoso duplo aglomerado em Perseu. A presença de super gigantes super brilhantes indicam uma idade de poucos milhões de anos. A presença de super gigantes vermelhas indica que estrelas muito massivas já estão chegando ao fim do seu ciclo de queima de hidrogênio. As brilhantes estrelas azuis de 4755 vão , presumivelmente, iniciar sua expansão evolucionaria em um futuro astronômico próximo.
    O aglomerado habita uma região riquíssima do céu e toda a região merece a exploração com um telescópio de campo largo ou mesmo de um binóculo. Logo ao sul se pode encontrar o Saco de Carvão, provavelmente a nebulosa escura visível a olho nu mais famosa do céu. Com uma area de 7x5 graus é facilmente percebido como uma área sem estrelas a leste de Alpha Crucis. É a nebulosa escura mais próxima a terra.




 
       Fotografar Ngc 4755 é um excelente começo na "arte difícil". Como é um DSO bastante brilhante  ( Mag. 4.2) e bastante próximo de uma estrela extremamente brilhante é bastante fácil de te-lo na ocular.
     Daí a substituir esta pela câmera é um passo. E com DS Crux dentro do campo de minha Canon T3 e o DSO idem o foco é bastante facil pelo Live View da câmera. Por isso  ele já foi vitimado diversas vezes aqui no Nuncius. Na verdade cheguei em tempos primevos a fotografa-la por método afocal. Infelizmente este arquivo perdeu-se em meio aos HD´s.


     
Perceba Ngc 4755 claramente visivel como um pequeno triangulo logo abaixo de Beta Crux.



A mais antiga. Com o "Velho Galileo" ( um refrator de 70 mm)

terça-feira, 11 de maio de 2010

ngc 2516




Este belo aglomerado aberto , (tr I 3 r segundo o catalogo Ngc (II 3 m segundo o N.A) Localiza-se logo a sul de Avior no asterismo do falso Cruzeiro . Incluído no catalogo Lacaille como Lac II 3 é um dos aglomerados austrais mais interessantes para binóculos e pequenos telescópios. Catalogo J.E.S.S. Com magnitude de 3.8 é percebido até a olho nú. A descrição de Dreyer é perfeita . Cl ( Cluster/Aglomerado)vB(Very Bright/muito brilhante)vL (very large/muito grande)pRi(pretty rich/bem rico)*7...13 ( estrelas de 7a a 13a mag). Para conhecer mais sobre os siglas Dreyer e a classificação tr (Trumpler) de aglomerados abertos ,visite: Patio de estrelas (http://astrosurf.com/carreira/info_tabelas.html#class_enxaberto.)
Facilmente localizado se seguindo a linha formada por Delta Velorum e Epsilon Carina (O eixo longo do falso Cruzeiro). Bom "objeto urbano".
Descrito por Lacaille em 1751. Catalogado também como Cr (Collinder) 172 , Mel (Mellote)82, Lund 441 e também conhecido como "the running man cluster"(?).