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domingo, 2 de junho de 2013

Mestre João e o Cruzeiro do Sul


O mês de maio foi bastante ingrato para a astronomia. Fui transferido para um universo paralelo cheio de luzes e sombras. Uma espécie de “Wonderland” onde não existia Alice.  Realizando um comercial pra uma grande marca esportiva eu e uma imensa equipe fomos parar no mundo dos espelhos. Uma gigantesca tenda com 400 m² cheia com estes entes reflexivos nos mais variados formatos e tamanhos. Um espaço muito louco e com horários de funcionamento determinados pelas vontades de um craque de bola que não nos dava muita pelota...  Foi assim por 20 dias (ou noites). Tudo isto em um estádio “condenado”. E nunca por menos de 18 horas em cada 24...
“Voltar para casa” foi muito bom. Olhar pela janela e avistar o Cruzeiro do Sul foi extremamente reconfortante. Realmente me senti de volta ao Brasil...
A história do Cruzeiro do Sul é intimamente relacionada à história do próprio Brasil. A menor das constelações é também uma das mais famosas. Com seu característico formato de cruz ele é conhecida e cantada nos dois hemisférios.

Cruzeiro do Sul e Saco de Carvão 

Mas até ser o Cruzeiro do Sul muitas navegações foram necessárias. E segundo as lendas a primeira vez que esta teve sua forma característica identificada foi durante a viagem de Pedro Álvares Cabral. A mesma que “descobriu” o Brasil.
Embora mais famosa a carta de Pero Vaz de Caminha é aqui ofuscada pela carta de João Faras. O Mestre João. Esta deve se tratar do mais importante documento astronômico de toda expedição de Cabral. Não só ela apresenta o primeiro esboço de céus austrais, identifica a forma do Cruzeiro e levanta a lebre de que as terras visitadas por Cabral não eram novidade nenhuma...
Mas fugindo das conspirações ela não deixa duvida de que foi o Mestre João o primeiro a atribuir o Nome de Crucis (Cruz) para a constelação que agora chamamos de Cruzeiro do Sul.  Suas observações são muito mais claras e evidentes que as realizadas pelo navegador italiano Américo Vespúcio.
Há pouca informação sobre este tão esquecido explorador, coomólogo, cientista, médico, piloto e etc... Em um site de origem suspeita descobri somente o seguinte:
João Emeneslau, Johannes Meister, Meister Johanne, o Mestre João de Fares ou João Faras – conforme registro na Torre do Tombo em Lisboa – astrólogo (?), médico e piloto da esquadra de Pedro Álvares Cabral, batizou e fez o primeiro levantamento oficial das estrelas que compõe a constelação do Cruzeiro do Sul. Registrou as coordenadas de Porto Seguro e a 1 de maio de 1500, em carta a Dom Manoel, o Venturoso, rei de Portugal à época dos descobrimentos, relatou suas descobertas.
Descobri ainda, agora graças ao grande Ronaldo Rogério de Freitas Mourão, que ele era também um dos dois únicos judeus conhecidos na frota de Cabral.
Em sua carta ele fala:
“Senhor, ao propósito, estas guardas nunca se escondem, antes sempre andam em derredor sobre o horizonte e ainda estou em duvida que não sei qual de aquelas duas mais baixas seja o polo antártico; e estas estrelas, principalmente as da Cruz, são grandes como as do Carro; e a estrela do polo antártico, ou sul, é pequena como a do Norte e muito clara, e a estrela que esta acima de toda Cruz é muito pequena”.
No texto podemos perceber certa confusão. Mas de qualquer forma a referencia a Cruz e ao Cruzeiro são claras. Parece-me evidente que Mestre João talvez tenha avistado Sigma Octans (estrela polar sul) nestes tempos pré-telescópicos. E quais seriam as guardas que ele se refere também é difícil afirmar de quem se tratem. Afinal Alpha e Beta Centauro não são circumpolares da altura de Porto Seguro.  Mas sua comparação ao Carro (uma parte da Ursa Maior) e aos guardas (estrelas no Carro que apontam para a estrela polar Norte) deixa claro que ele realmente esta falando do cruzeiro e das cercanias do Polo celeste Sul.
È provável que o piloto de Cabral tenha avistado Nu Octans. E acreditado que esta trata-se da estrela polar Sul. Eu mesmo já fiz isto... E com Buscadoras, Binóculos e telescópios a meu dispor.
De novo graças ao Prof. Ronaldo Rogério de Freitas Mourão as únicas estrelas circumpolares facilmente visíveis a olho nu e logo ao alcance de Mestre João nas latitudes baianas seriam Beta e Gamma Hydra. As estrelas de Octans são bem discretas... E As estrelas do Cruzeiro não são circumpolares nas Latitudes por onde andava João quando pela Terra Brasilis.
Ainda em seu livro “A Astronomia na época dos Descobrimentos” o Prof. Mourão apresenta a poesia de Gerardo de Melo Mourão, na “Invenção do Mar” apresentando nosso herói:
“Mas na terra de Cabral
Elas foram primeiro reveladas
E nominadas por Mestre João-Mestre João Alemão-
Johannes artium et medicinae bachalaurius
descobridor de estrelas
e o físico-cartografo nelas viu o signo santo
                                              seu pentestrelo persignado
                                       desde a a estrela ao pé da cruz
                                                           até à g na cabeça.
Alpha e Gama crucis
Medidas em seus graus, chamadas por seus nomes.”

Em meio a esta carta de enorme valor ele apresenta o que é o primeiro mapa celeste do Brasil. E levanta algo da bruma que seu rebuscado texto causa aos modernos leitores... O piloto, cientista, médico e etc. parece que possuía uma visão muito desenvolvida.


Pelo desenho se deduz que o Mestre João de Farras identificou as seguintes estrelas: Delta Crucis, Acrux, Gacrux, Beta Crucis, Beta Centauri, Alpha Centauri, Alpha Circini, Beta Triangulo Austral, Gamma Triangulo Austral, Alpha beta Triangulo Austral, Épsilon Apodis, Xi Pavonis, Delta Apodis, Gamma Apodis, beta Apodis, Nu e Sigma Octans. É importante ressaltar que as modernas constelações austrais só foram definitivamente estabelecidas no século XVIII com o trabalho de Lacaille.
Se o antigo astrônomo localizou, de fato, a estrela polar sul permanece um mistério. Assim como se os antigos navegadores sabiam ou não de terras por estas bandas...

Com as histórias de Mestre João ou João Alemão na cabeça e com saudades de observar algo, tirar a poeira do “Newton” (meu refletor) e mais ainda de fazer algumas fotos eu me preparo para visitar as estrelas que formam o meu hospitaleiro Cruzeiro que, nesta época do ano, fica bem de frente para a minha janela na “Stonehenge dos Pobres”.
Nunca tinha fotografado todas as principais estrelas do Cruzeiro. E com meu corpo antigo e cansado deste meu viver no “Pais da Maravilhas” acho que seria um programa legal e fácil. Usando de exposições relativamente curtas e com alvos facilmente visíveis pelo LCD da câmera eu poderia ter uma calma e tranquila noite de astrofotografia e ainda visitar a “Cruz de João” e as estrelas que o mesmo batizou. Depois poderia ainda fazer umas fotos com minha zoom 18-55 mm do conjunto da obra. De novo sem alinhamento polar, mascaras de Bathinov, duvidas sobre o foco e contorcionismos junto a ocular. E ainda me sentido de volta ao lar.
Alpha Crucis ou Acrux é um belo sistema binário facilmente separável. Mesmo as mais modestas lunetas serão capazes de resolver este belo par. Ambas com uma cor esbranquiçada. Trata-se de um sistema binário verdadeiro e ambas as estrelas dividem um centro de massa comum. Na verdade trata-se de um sistema triplo com a componente c muito próxima para ser percebida de forma ótica (apenas 1 UA). Ambas as componentes visíveis são da classe B e muito quentes. Encontram-se à aproximadamente 321 anos luz de nós e sua orbita é bastante longa ao redor do dito centro de massa. Mais de 1500 anos. É também conhecida como a “Estrela de Magalhães”. Foi a Primeira estrela dupla que observei. E creio que a primeira que fotografei...
Depois de fazer algumas exposições de 4 segundos desta eu parto para Beta Crucis ou Mimosa. 
Esta é também uma dupla. Otica e espectografica. A estrela que voce ve a sua esquerda não é relacionada a ela fisicamente. Não chega ao esplendor de sua irmã maior, mas ainda assim é um espetáculo a parte. É uma estrela do tipo B e uma variável do tipo Beta Cephei. Apesar de jovem já consumiu a maior parte do hidrogênio em seu núcleo. É possivelmente a estrela de 1ª magnitude mais quente conhecida. 27.000 k. É uma daquelas que prefere viver dez anos a mil que mil anos a dez. Se encontra há 280 anos luz do Sol. Ela serve como marco para se chegar Ngc 4755, a Caixa de Joias. O DSO mais famoso do Cruzeiro do Sul.

Seguindo o sentido horário chego até Gama Crucis. A Rubiácea. Minha favorita. Uma bela dupla ótica de esquisito colorido. Sua principal merece o nome. Parece um grão de café cereja. Maduro e pronto para a colheita. O colorido da dupla garante o espetáculo. Também conhecida como Gacrux é a gigante vermelha mais próxima do Sol. 88 anos luz. Sua companheira ótica se encontra a 400 AL...






A próxima parada é Delta Crucis . A Pálida. Já mais apagada que suas colegas ela chega a sumir em noites de lua cheia e de forte poluição luminosa. Com um brilho branco azulado ela merece seu nome. Uma beleza pálida. Seu colorido me lembra de alguns filmes de vampiro. Ela já se encontra saindo da sequencia principal e esta se desenvolvendo rumo a tornar-se uma gigante vermelha. Seu tipo é B2 IV (subgigante) e ela se encontra a 345 AL da terra. Ela também é candidata a ser uma variável do tipo beta Cephei



E finalmente a Intrometida. A estrela que não devia estar lá. Apagada e avermelhada ela é difícil de perceber a olho nu aqui no Rio de Janeiro. Ela é uma gigante laranja da classe K3 III. Encontra-se há 228 anos luz da terra.









Como já vem se tornando um habito apresento abaixo as fotos realizadas e devidamente empilhadas tanto pelo Rot n Stack como pelo Deep Sky Stacker. Nem sempre consigo me decidir sobre qual é o melhor resultado. Embora saiba que o DSS é mais poderoso...
 
DSS - 50 exp. X 20 Seg  Canon 18-55 @ 35 mm f5


 
RnS- 50 X 20 seg Canon 18-55 @ 35 mm f5 ( Modo Mean)

Novamente percebo mais detalhes no DSS . Mas mais cores no RnS. Achei que tinha descoberto um meio de aumentar a saturação das fotos no proprio DSS. Mas desta vez não funcionou...

As fotos não sofreram grandes processamentos. E o resultado é "pretty much" o que sai do resultado de empilhamento. No DSS eu apenas ( como sempre é necessario) "desço na curva" RGB. No Rns (como sempre) faço um pequeno crop no Photo shop. 
As fotos das estrelas são apenas uma exposição de 4 segundos em cada uma sem acompanhamento. 


sábado, 23 de fevereiro de 2013

Canon T3 : Primeiras Impressões



Finalmente chegou minha nova câmera fotográfica. Foi uma longa espera.            Minha Canon 350 D se “afogou” no final de janeiro em uma viagem ao litoral sul do Rio.  Contei os seus últimos momentos aqui noNuncius Australis.

Depois de uma rápida pesquisa me convenci que a Canon T3 seria uma excelente opção para substituir a já velha e antiquada 350 D. Evidentemente que um dos principais motivos da escolha foi o preço. Afinal é um compromisso (e uma necessidade agora mais acentuada ainda com a gravidez) manter os custos do hobby os mais baixos possíveis...

Gostaria de dizer que a entrega transcorreu de forma rápida e fácil. Não posso.

A EGD Eletro demorou exatamente um mês (30 dias) para entregar o produto. No inicio do processo o combinado era 10 dias.

 Existe atualmente um tipo de loja que é muito comum na web. Elas não possuem nada em estoque. São na realidade importadoras nas quais seu pedido dispara o gatilho que vai fazer com que o produto comprado inicie seu trajeto do exterior para sua casa. O produto pode estar saindo da China, dos EUA, ou do Paraguai.

 Já realizei compras assim e em geral o importador nos conta o sistema e pede até um mês para a entrega. Muito justo.

 A minha impressão é que a EGD tenta apresentar uma imagem de firma mais séria. Não é. È exatamente igual às tantas outras importadoras da web. Mas no querendo ser o que não é se enrola, atrasa e inventa varias desculpas. Além de ter um atendente no SAC muito do mal educado.

Em sua defesa posso dizer apenas que depois de mudar a data diversas vezes e contarem muita história acabaram enviando minha encomenda via SEDEX. Eu paguei por PAC.

Creio que devido a uma pratica da justiça. Depois da primeira notificação (que aconteceu em 23 de Janeiro) a empresa responsável tem até 30 dias para entregar o produto. Depois perde o processo. Se mandassem pelo PAC a câmera não chegaria a tempo de livra-los da lei.

Mas enfim, depois deste parto a fórceps, a câmera chegou (provavelmente do Paraguai) em bom estado.

Uma surpresa que me deixou bastante feliz. O Kit que comprei acompanha uma lente EF-S 18-55 mm 3.5-5.6. Chegou uma EF-S 18-55 mm IS II. Ou seja, uma lente mais nova e com imagem estabilizada.  

A Canon T3 é a DSLR no “low end” da serie EOS. Evidentemente que ainda assim é um grande upgrade sobre a antiga 350 D. No mercado europeu ela é denominada 1100D.   O set-up com a 18-55 mm saiu, com frete incluso, por R$ 1352,00. . Inclua aí mais 85 reais que paguei em um novo cartão SDHC de 8 GB (serie 10).

 Na B&H o mesmo kit sai por US$ 549,00. Ou seja, quase o mesmo preço. Se colocar o frete sairia até mais caro.  O preço mais baixo que achei foi US$ 449,00.

É inevitável que este post apresente um caráter comparativo entre minha falecida 350 D e a nova 3T. Mesmo sendo uma tremenda covardia.

Minha antiga câmera tinha um sensor CMOS de 8.0 MP. Já a T3 apresenta um CMOS de 12.2 MP.

Mas confesso um detalhe que realmente faz uma bárbara diferença (especialmente para astrofotografia) é a possibilidade de se focalizar utilizando o LCD nas costas da câmera. Na minha falecida só se podia enquadrar e focar pelo view finder. É claro que este é um auxilio fundamental para uma câmera que pode realizar vídeos. A 350 d era uma câmera exclusivamente Still.

Outro avanço é sua maior sensibilidade. Enquanto a velha XT só possuía ASA entre 100 e 1600 a T 3 possui um leque bem mais amplo e muito maior sensibilidade. Vai de 100 a 6400.  

As comparações com a 350 D devem terminar por aqui. A Canon 350 D foi lançada em 2006. A T3 em 2011. Assim sendo é infrutífera qualquer comparação entre as mesmas. Na verdade ela vem para substituir a Canon XS (1000D).

Vamos tornar as coisas mais justas.

O processador de imagens da T3 é o Digic 4. O mesmo de suas irmãs maiores T3i e T2i. A T3 é a irmão mais pobre destas.

O LCD da T3 não é móvel. E possui 2.7 polegadas.

Sua única vantagem sobre suas irmãs mais nobres é sua autonomia. Ela é capaz de tirar até 700 fotos com um ciclo de bateria. As outras não excedem 550. Sem utilizar o LCD. Utilizando este continuamente não espere mais que 220 fotos.   

Possui ainda Live View e sua velocidade de obturador vai de 1/4000 até 30 seg. mais modo Bulb (para exposições mais longas). É necessário comprar um disparador para operar em Bulb. Ou operar via PC.   

De uma olhada nas especificações técnicas da moça comparada a algumas outras companheiras da série EOS... (todas mais avançadas que a falecida)

Canon EOS
Rebel XS
Canon EOS Rebel T3
Canon EOS Rebel
XSi
Canon EOS Rebel T1i
Canon Eos
Rebel T2i
Canon EOS Rebel
T3i
Sensor



Resolução
Efetiva
10.1-megapixel CMOS
12.2-megapixel CMOS
12.2-megapixel CMOS
15.1-megapixel CMOS
18-megapixel CMOS
18-megapixel CMOS
22.2 x 14.8mm
22.2 x 14.7mm
22.2 x 14.8mm
22.3 x 14.9mm
22.3 x 14.9mm
22.3 x 14.9mm
Processador de
Imagem
Digic III
Digic 4
Digic III
Digic 4
Digic 4
Digic 4
 Escala
Sensibilidade
(ASA)
ISO 100 - ISO 1,600
ISO 100 - ISO 6,400
ISO 100 - ISO 1,600
ISO 100 - ISO 3,200/12,800 (expandido)
ISO 100 - ISO 6,400/ 12,800 (expandido)
ISO 100 - ISO 6,400/ 12,800 (expandido)
Disparos
Contimuos
3fps
5 raw/ilimitada JPEG
3fps JPEG/2 fps raw
5 raw/830 JPEG
3.5fps
6 raw/53 JPEG
3.5fps
6 raw/53 JPEG
3.7fps
6 raw/34 JPEG
3.7fps
11 raw/34 JPEG
Viewfinder (mag/ effective mag)
95% cobertura
0.81x/0.51x
95% cobertura
0.80x/0.50x
95% cobertura
0.87x/0.54x
95% cobertura
0.87x/0.54x
95% cobertura
0.87x/0.54x
95% cobertura
0.87x/0.54x
Autofocus
7-pt AF
n/d
9-pt AF
all cross-type; center dual cross to f5.6
9-pt AF
center cross-type
9-pt AF
center cross-type
9-pt AF
center cross-type to f2.8
9-pt AF
center cross-type to f2.8
Velocidade
Obturador
1/4,000 to 30 segs; bulb; 1/160 x-sync
1/4,000 to 30 segs; bulb; 1/200 x-sync
1/4,000 to 30 segs; bulb; 1/160 x-sync
1/4,000 to 30 segs; bulb; 1/160 x-sync
1/4,000 to 30 segs; bulb; 1/160 x-sync
1/4,000 to 30 segs; bulb; 1/160 x-sync
Medição
35 zonas
63-zonas iFCL
35 zonas
35 zonas
63-zona iFCL
63-zona iFCL
Live View
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Video
Não
H.264 QuickTime MOV 720/25p/30p
Não
H.264 QuickTime MOV 1080/20p; 720/30p
H.264 QuickTime MOV 1080/24p/ 25p/30p; 720/50p/ 60p
H.264 QuickTime MOV 1080/24p/ 25p/30p; 720/50p/ 60p
Controle de
Abertura e obturador –Video
n/d
Não
n/d
Não
Sim
Sim
Audio
n/a
Mono
n/a
Mono
Mono;Ent mic
Mono; Ent mic
Estabilização Imagem
Optical
Optical
Optical
Optical
Optical
Optical
LCD
2.5 inches fixed
230,000 pixels
2.7 inches fixed
230,000 pixels
2 inches fixed
230,000 pixels
3 inches fixed
920,000 pixels
3 inches fixed
1.04 megapixels
3 inches articulated
1.04 megapixels
Memória
1 x SDHC
1 x SDXC
1 x SDHC
1 x SDHC
1 x SDXC
1 x SDXC
Wireless flash
Não
Não
Não
Não
Não
Sim
Autonomia
500 fotos
700 fotos
500 fotos
400 fotos
550 fotos
440 fotos
Dimensões
(polegadas)
5.0 x 3.8 x 2.4
5.1 x 3.9 x 3.1
5.1 x 3.8 x 2.4
5.1 x 3.8 x 2.4
5.1 x 3.8 x 3.0
5.1 x 3.8 x 3.0
Lançamento
Agosto 2008
Março 2011
Abril 2008
Abril 2009
Março 2010
Março 2011


A câmera chega e vem acompanhada de uma bateria, uma alça, carregador, cabo USB para conectar ao PC, dois CDs de instruções e um CD com diversos softwares para ajudar na operação da câmera (EOS utilities) e na edição de imagens.  Vem ainda o manual impresso que serve para referencias rápidas. Os manuais em Cd são bem completos. O manual de instruções sobre os softwares que acompanham a câmera é importante ler. Mas não é neste post que vou tratar disto seriamente. Em uma rápida olhada descobri possibilidades que, tenho certeza, vão levar minhas fotos para outro patamar. Mas preciso estudar um pouco e elaborar um setup que, tenho certeza (cheio de certezas. Sei não...), vai ficar muito bacana. Os próximos meses prometem...

De volta a terra...

Abri a caixa e em poucos minutos estava com a câmera montada. Ela lembra a minha velha 350 D e não apresenta nenhum mistério insondável. Uma das maiores diferenças é que utiliza cartões de Memória SD, SDHC, SDXC. Bem menores e mais práticos que os antigos CF da falecida.  O cartão não vem incluído. Felizmente eu possuo um de 2 GB na minha velha “saboneteira” (uma Casio EX100) que vai fazer o truque até que eu compre algo maior.  Capturando em JPEG o pequeno cartão suporta 413 fotos. Em RAW 103.  

Outra coisa que se faz necessária comprar é ao menos mais uma bateria. Esta deve ser modelo LP-E10.

Como o brinquedo é novo e eu sou homem começo a ler o manual impresso calmamente. Adoro ler manuais.  Conforme vou me adiantando na leitura percebo que poucas coisas mudaram em (pelo menos na interface) relação a minha velha conhecida. Todos os “modos” continuam lá close-up, esportes, paisagem, automático e etc...

 Existe uma novidade o Modo CA.  Creative automatic. É um modo para iniciantes que vai permitir que você controle a “ambiance” da cena sem precisar saber o que significam termos como profundidade de campo ou velocidade do obturador...

E possui modo filme que era ausente na falecida. Ou seja, ela também filma. E em HD.

Outra grande melhoria, embora em nada astronômica, é com a possibilidade de se determinar o ponto do auto focus no Live view de uma forma muito simples. Através dos botões de direção você direciona um pequeno quadrado para o ponto da imagem onde quer o foco. Bem pratico. Quando o quadrado fica verde esta em foco. Infelizmente demora um pouco.

Para a obtenção de um foco perfeito é melhor usar o foco manual, ampliar a imagem e fazer o foco você mesmo. Para fotografia astronômica não existe auto foco...

Alguns outros recursos foram introduzidos e ainda estou me familiarizando com tantos novos menus.

Um dos recursos que me chamou logo a atenção se chama Lighting Optimizer. É uma espécie de auto brilho. Ou auto contraste. O recurso só funciona em JPEG. Em RAW não.  Acho melhor desabilitar...

Mas chega a hora de me preparar para testar a câmera em sua principal função. Fotografia astronômica.

 Preparo o telescópio. Para esta primeira experiência acho uma boa ideia reabilitar o “Galileu”. E Assim coloco o velho refrator de 70 mm na montagem EQ3-2. É necessário um pouco de Silver Tape e um pouco de criatividade mas apesar de parecer meio tosco o “rig” é bem eficiente . E muito leve.


Aproveito a brincadeira para fazer algumas fotos com o brinquedo novo do brinquedo velho. Tudo no automático. Acredito ter percebido algo que já tinha lido a respeito em uma review sobre a T3 na web. Com o White balance standard (default) as áreas mais sombreadas da imagem podem apresentar um leve desvio para o azul. É muito discreto, mas acredito ter percebido isto na panorâmica que fiz da janela. Tudo em modo automático.
Desvio para  o azul nas sombras?


 Afino a buscadora assim que o Hotel Marina se acende.

Para adaptar o a câmera com foco direto basta utilizar a barlow do Skywatcher .Mas somente o barril, que se rosquea no T- Ring . Sem a lente barlow propriamente dita. Este sistema é muito pratico.

Eu tinha feito uma preview do céu na véspera com meu Zenith 20X50 mm. E sabia que teria vários DSO´s bem brilhantes na cara do gol do “Stonehenge dos Pobres”.

Quando vem chegando o fim do verão a parte sul da Via Láctea começa a se apresentar bem defronte a janela no meio da noite.

E assim meu plano não era em nada ambicioso.  Eu pretendia fotografar IC 2602. As Plêiades do Sul.

É um DSO visível a olho nu mesmo em uma megacidade e com a lua com mais de 90% do disco iluminado. Eu adoro observar com “Full Conditions”. Os ingleses aplicam a expressão na pratica do montanhismo. Significa que esta frio, nevando, ventando muito e sem nenhuma visibilidade. É claro que as encostas estão também apresentando risco de avalanches... 

Curiosamente IC 2602 é membro do catalogo Lacaille, facilmente visível de minha janela e eu nunca o tentei fotografar. Mas acho que vai fazer um bom par com o Galileu. Com 900 mm ele tem um campo maior que o 150 mm (que tem uma distancia focal de 1200 mm) e sendo bem brilhante não será problema para os modestos 70 mm do refrator. 

Com tudo pronto o Paradoxo de Newgear e a maldição do padre começam a rondar. O vento esfria e vem do sudoeste. O céu começa a fechar...

Mas eu não esmoreço. O alinhamento polar a partir da janela de casa é, na teoria, fácil. E eu vou em frente e monto o motor apenas no eixo de RA.  Deixo tudo pronto e só me resta esperar.

Se a terra não parar por volta das 23h00min estará tudo no lugar. E as luzes da vizinhança já terão dado um descanso. Assim espero. Curiosamente sextas feiras costuma ser um bom dia (ou noite) para se fotografar. Os vizinhos costumam sair e as luzes no prédio em frente estarão apagadas.

Claro que com tudo tão planejado as coisas não aconteceram exatamente como o esperado.

Por razões ergonômicas desisto de IC 2602 acabo fazendo algumas fotos da Caixa de Joias. Também chamada de Ngc 4755 é bem menor que as Plêiades Austrais. Vamos ver o que o pequeno telescópio poderá conseguir. .

 O alinhamento polar a partir de casa não é tão fácil como gosto de acreditar. Eu mexi na cabeça em Itaipava e agora não esta como deveria. Alinhamento polar é um saco...    

Mas depois de mexer com a cabeça um pouco para lá e para cá eu me dou por satisfeito, Ficou uma porcaria. Mas eu quero testar a câmera e o tempo vai se tornando cada vez mais nebuloso.

Assim vou testar o foco com Acrux.  

Pânico!!!

Não consigo ver nada nem no finder nem no LCD. Mexe dali mexe de cá. E nada. Começo a desesperar. Mas aí resolvo testar a câmera apontando ela para uma lâmpada. Nem assim. Porra tem algo quebrado.
Finalmente retiro o T- Ring e a Barlow e olho para eles. A barlow esta com sua tampa... Não podia dar certo. Retiro a tampa.

O resultado deste estresse foi  um tremendo suadouro. A sensação térmica no Rio tem batido 50 graus diariamente. Mas agora vai...

Descubro a maravilha que é fazer foco utilizando o LCD. Não preciso mais ficar caçando o finder da Câmera em posições kama sutricas.

O seeing esta horroroso. Não é só o alinhamento polar que esta ruim. Quando amplio a imagem para focar melhor Acrux pula mais que pipoca no LCD. Isto é um péssimo seeing.

As nuvens apagam a estrela. Alguns minutos depois deixam-na brilhar...

 Divido Acrux e faço a primeira foto da nova câmera.

Acrux- Repare na Terceira estrela no canto direito . Acrux é um sistema triplo...

Marco a cremalheira com uma fita para guiar o foco.

Coloco a 25 mm e me encaminho para o DSO. Com ele centralizado troco a ocular pela câmera e tiro a primeira foto. O foco esta ruim. Faço um pequeno ajuste. E tiro outra. 15 segundos de exposição será o suficiente.
Rapidamente descubro algo que eu sempre soube e procurei esquecer. A qualidade ótica do Galileu é fraquinha. É um refrator da serie firstscope da Celestron que faz o seu serviço. Mas só isso. Com uma câmera sensível e pela primeira vez fotografando DSO´s ele manca. Muitas distorções, aberrações, e outras doenças se apresentam. Ainda mais acentuadas por um alinhamento medíocre e por um seeing ridículo. Definitivamente o 150 mm faz fotos muito melhores. Mesmo exigindo muito mais da montagem.
 Faço apenas cinco fotos antes das nuvens começaram a me boicotar para o deleite de Newgear.  O resultado das fotos é muito semelhante ao que se observa pela ocular. Percebem-se algumas estrelas mais tênues. O pequeno 70 mm só revela, para a visão, as mais brilhantes. 

Ngc 4755 - A Caixa de Joias 

Mesmo sem ter ainda feito uma sessão digna percebo diversas qualidades na nova câmera.

Ela é infinitamente superior a 350 D. Um detalhe que percebo logo de cara é a menor quantidade de hot pixels nas imagens. Mesmo sem dark frames e empilhadas de forma estabanada no Rot ´n Stack eu não percebo as tradicionais trilhas de hot pixels que o Rot apresenta no modo Max das series de quatro fotos que ele (o Rot n´stack) faz para cada set de empilhadas. Como sempre o modo Mean dele é o que me parece mais fiel.
Os "logaritmos" do Rot n´stack: Minimo, Mean , Maximo e Sort.


Com relação às fotos é interessante perceber que apesar de usar asa 3200 o ruído é menos acentuado que com 1600 na velha câmera.
Repara na foto da esquerda os "rastros de hot pixels".A foto foi feita na 350 D com 1600 asa. 

 Isto permite reduzir o tempo das exposições. Sempre útil quando não se é possível fazer o drift para alinhar o eixo polar...
Infelizmente o LCD só consegue apresentar as estrelas mais brilhantes. Assim como no finder. Então para realizar o foco continua valendo o método de focar em uma estrela mais brilhante próxima e depois centralizar o DSO que será fotografado. Com o campo enorme o 70 mm torna isto mais fácil que no 150 mm. A afinação da buscadora se torna um pouco menos critica.  
Espero que o tempo permita e assim que a lua der uma pequena trégua quero fazer um jogo mais sério com o 150 mm. Deixo tudo no lugar para atacar as Plêiades na próxima noite.

   Embora longe das potencialidades do novo equipamento fico feliz com o resultado. Primeiros encontros são sempre delicados. E no final foi feliz.
Abro uma garrafa de Colorado Indica. É uma India Pale Ale. Uma cerveja. Feita em Ribeirão Preto. Graduação: 8%

 E volto para o manual do EOS Utilities... .

P.S. Fiz as primeiras experiências utilizando a câmera plugada ao computador e operada de forma remota pelo EOS Utilities. A interface é simplíssima e não tive problema nenhum . Você  consegue controlar todos os parâmetros da exposição e ainda operar em BULB ( exposições com mais de 30 segundos) sem ter necessidade de comprar um disparador. O programa ainda oferece a possibilidade de colocar duas exposições em over lay e assim saber se o acompanhamento vai bem... Muito bom. Além de que o driver funciona perfeitamente com o Win 7 . Na 350 D era necessário utilizar o XP e mesmo assim a operação não era tão simples e não apresentava metade do controle possível na T3. Possuindo uma montagem com go-to você pode observar pela tela do PC.
 Estou ficando velho...