Translate

Mostrando postagens com marcador equipamentos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador equipamentos. Mostrar todas as postagens

sábado, 27 de junho de 2015

Desconstruindo Newton

             
             Com a chegada da minha nova cabeça equatorial SkyWatcher  HEQ 5 SynsScan o Newton teve que passar por um check-up completo. Meu bom e velho telescópio já lutou muitas batalhas e finalmente foi atingido ainda que de forma não letal. É sempre importante lembrar que a maioria das pessoas não possui o mesmo carinho que você por suas tranqueiras astrônomicas e ao deixar seu telescópio aos cuidados de terceiros coisas impensáveis podem acontecer. E assim em uma volta de Búzios aos cuidados de meu irmão e minha esposa o focalizador do mesmo acabou se empenando. E Depois de uma desastrada tentativa de "ajuste" acabei  indo além do chamado PNR ( abreviação para "point of no return" ). Perda total...
                Como sempre peças de reposição para um telescópio não são ,exatamente , fáceis de serem achadas na Terra Brasilis. Depois de muito pesquisar e de só encontrar Focalizadores Dual Speed por preços absurdos acabei encomendando um modelo de cremalheira semelhante ao original de um fornecedor chinês.  Chegou diretamente no correio mais próximo . Foi taxado. Com tudo incluído saiu por aproximadamente R$300,00.

adaptador com t- ring instalado
Adaptador feito a partir do anel do velho focalizador

                Este não vinha com a rosca necessária para adaptar meu T-Ring.  Rapidamente canibalizo os restos do velho focalizador e com a ajuda de um torneiro mecânico refaço uma de suas roscas para a bitola do novo focalizador e por mais R$ 50,00  tenho um novo adaptador e posso voltar a sonhar com as fotos que vou tirar com minha nova , sensacional e computadorizada cabeça. Já falei por aqui que astro fotografia é a parte  mais cara de um hobby não muito barato...
                Ao retirar o antigo focalizador  percebi que meu espelho secundário se encontrava imundo. Em rápida inspeção decidi que o Primário também.
                Desconstruir o Newton se faz necessário. Em tese uma tarefa fácil. Mas desmontar todo seu telescópio sempre é algo emocionante. Retiro o secundário e sua aranha sem nenhum sobressalto. O primário tem uma parafuso que em um descuido acaba com a cabeça espanada. Lá vou eu com uma serra de arco abrir uma fenda em um finado parafuso tipo Phillips.... Depois deste pequeno esquartejamento finalmente tenho todas as peças desmembradas da OTA ( Optical Tube Assembly ou "o tubo do telescópio"...)  e vou começar os trabalhos mais delicados .

                Reza a lenda que não se deve limpar seus espelhos a não ser em ultimo caso. Era o caso e aproveitando que teria que refazer a furação para o novo focalizador desmontei o Newton inteiro e submeti a sua ótica a uma faxina completa.  Um pincel fotográfico e Rosco Tissue ( um papel especial para limpeza de lentes fotográficas) e esta feito  o serviço. Nenhuma das desgraças descritas em vários livros ou sites aconteceram. Espelho limpos e funcionando. Nada demais...   Nenhum arranhão ou danos ao coating. Embora alguns autores defendam que seus espelhos nunca devem ser tocados , limpos ou até mesmo que se olhe para eles me parece um certo exagero. Trabalho as vezes com lentes que custam mais caro que quase qualquer telescópios e com assistentes de câmera mais xiitas que qualquer ATM. E eles limpam esta lentes... Com muito cuidado e Rosco tissue. Parece que isto basta.

                Aproveitando que o secundário e sua aranha foram retirados para faxina refaço a furação para o novo focalizador.
Caneta branca...

Verruma

                Desde minha mais tenra infância sempre adorei comprar ferramentas. Com uma reforma em andamento e o Newton sendo desconstruído não podia perder esta oportunidade. Na verdade desmontar todo o telescópio , limpar suas lentes e instalar um novo focalizador era uma desculpa boa demais para não comprar alguns brinquedos . Em rápida visita a uma loja de ferragens comprei um jogo de brocas acompanhado de uma daqueles Jogos de chaves universais e uma nova parafusadeira.  Fazer a nova furação para o focalizador era a tarefa que mais me preocupava. E assim pensei bem como realizar a operação . Cheguei a conclusão que minha furadeira talvez fosse muito potente para o serviço. E assim uma parafusadeira faria o serviço de forma mais gentil. Utilizei uma caneta branca para marcar a posição dos furos . Depois utilizei uma verruma para iniciar a furação . Somente uma guia  . Depois utilizei uma broca 2,5 para iniciar a furação e depois uma de 5 para terminar o serviço.  Sucesso total e o novo focalizador esta instalado. Achei que este tinha um pouco de jogo na engrenagem e então a abri. Um pequeno martelo de joalheiro permite um "ajuste" nas pequena tiras de latão que seguram a peça ao focalizador e ele fica a contento.


Novo focalizador instalado
                Uma das partes da astronomia amadora que mais respeito é justamente esta junto a oficina. Com  as dificuldades para se obter peças e acessórios no Brasil é fundamental ao amador ser um pouco torneiro, marceneiro , joalheiro e um rei do  gatilho...
Pronto para fotografar...
                Depois de desmontar o Newton inteiro e monta-lo de novo faltava apenas colimar. Como a parte ótica foi toda mexida, montada , desmontada e participado de uma tremenda festa com um novo focalizador comandando as pick ups a colimação foi um pouco mais delicada do que normalmente. Ainda estou aguardando que Newgear se canse para poder chegar se ela esta digna e a altura para a inauguração da HEQ 5 SynsScan.  
              Acho que ela vai se chamar Caroline...
              

                

domingo, 14 de junho de 2015

Skywatcher HEQ 5 SynsScan- A Chegada




          Irão fazer 10 anos desde a compra de meu 1o telescópio. Um Celestron Fisrstscope 70mm que me acompanha até hoje e que acabou sendo carinhosamente batizado como Galileu. Estou com ele até hoje embora sua montagem EQ1 esteja guardada em algum lugar desconhecido de minha casa. Não a utilizo desde 2010. Foi neste ano que adquiri o Newton (um refletor de 150 mm).  Este veio acompanhado por uma EQ 3 e a velha e  bamboleante montagem foi aposentada.
            A EQ 3 foi uma companheira fiel e serviu de plataforma honesta para meus primeiros passos na "dificil arte" da astrofotografia e também nos caminhos celestes. Acompanhado desta e do Newton refinei minhas técnicas do starhooping e descobri as delicias da caça. Localizar discretos objetos de céu profundo apenas usando minha buscadora, um ocular wide field , paciência e teimosia...
            Durante anos achei que estes eram os meios justos para a pratica astronômica e imaginava que Lacaille, Dunlop , Messier , Herschel e outros grandes astrônomos haviam visto muito mais do que eu possuindo recursos muito  mais escassos do que os meus.
            Mas os anos foram se passando e cada vez mais minhas noitadas de observação descambaram para  a captura de imagens. E então me vi em uma encruzilhada. Ou eu aceitava que precisava de uma montagem mais precisa ou teria que me contentar com capturas no máximo aceitáveis de objetos brilhantes. 
            Outra coisa que me incomodava é que apesar de já conhecer bem os céus , as constelações  e mesmo identificar estrelas de 5a  magnitude com bastante facilidade as vezes perdia uma noite inteira para localizar 2 DSO´s em áreas mais obscuras do firmamento. Ou mesmo não localizar...
            Acho fundamental para o astrónomo noviço esta fase. Não recomendaria a nenhum iniciante começar suas aventuras utilizando uma cabeça com o recurso de Go-To. Ao queimar esta etapa do seu aprendizado ele não só vai se fazer um astrônomo menor como não vai aprender o que o faz um astrônomo de fato. O objetivo maior da astronomia é conhecer os céus e saber como navegar pelas estrelas.
            A astrofotografia é sem duvida uma das facetas mais fascinantes do hobby. Mas é importante não torna-la um fim em si mesma. Antes de ser um astrofotografo é fundamental ser astrônomo. Conhecer a natureza dos objetos fotografados é condição sine-qua-non até mesmo para saber como e que técnicas utilizar para capturar suas imagens. Saber ótica e como se comporta o espectro eletro magnético não só é mais importante que as fotos que você venha a fazer como é fundamental para que consiga capturar as nuances de cada DSO que pretender fotografar.
            Posto isto dei o braço ( e a conta bancaria) a torcer e comprei minha nova cabeça. Uma HEQ 5 Synscan da Skywatcher. Uma maravilha tecnológica. Milênios de sabedoria, Galileu, Kepler e Newton se encontrando em um artefato humano ( ganha uma lata de presuntada quem adivinhar  o nome do meu futuro telescópio... Ainda que faltem pelo menos dez meses para eu poder pensar nisto) .
            Agora que já observei todo o Catalogo Lacaille , boa parte do Messier e algumas entradas obscuras do Ngc acho que estou pronto para aproveitar as mordomias de um Go-To. E finalmente fazer as fotos que sempre quis.
            Não posso aqui deixar de agradecer o Armazém do Telescópio que realizou a entrega em um prazo muito inferior ao combinado e por um preço inferior ao do Estados Unidos. Achei a cabeça oferecida por US$ 1245,00. Ao cambio atual isto seria algo em torno de R$ 3980,00. Paguei R$3590,00 mais frete. Em 10X sem juros. Inacreditável. Não é barato . Mas é justo.
            Parece que dei sorte. O site agora apresenta a mesma como esgotada. Acho que levei a ultima. Quando comprei havia uma previsão de chegada a partir de 11 de Julho. Qual foi minha surpresa quando chego em casa 12 de junho e estão lá as duas caixas que trazem o conjunto.
            Em uma das caixas vem o novo tripé e dois contrapesos. Na outra a cabeça e os eletrônicos envolvidos. Inclusive uma fonte que não constava na  descrição do produto na loja americana.
            Parece que dei sorte. O site agora apresenta a mesma como esgotada. Acho que levei a ultima. Quando comprei havia uma previsão de chegada a partir de 11 de Julho. Qual foi minha surpresa quando chego em casa 12 de junho e estão lá as duas caixas que trazem o conjunto.
            Em uma das caixas vem o novo tripé e dois contrapesos. Na outra a cabeça e os eletrônicos envolvidos. Inclusive uma fonte que não constava na  descrição do produto na loja americana.
       
            A HEQ5 não é simplesmente uma EQ5 com kit go-to. Ela possui componentes de melhor qualidade que proporcionam um acompanhamento mais preciso e suporta mais carga sua irmã menor. Seu peso total sem os contrapesos é de 15 kilos. E possui 9.024,000 passos por revolução. O peso máximo indicado é de 13,7 kilos. O que faz o Newton um bom companheiro. 
            Não resisto e monto a cabeça no tripé e começo a fuçar. Minha primeira surpresa é que a mesma vem equipada com uma buscadora polar já instalada e que serve a ambos os hemisférios. Demoro um pouco para descobrir que tenho que alinhar a mesma com o buraco no eixo dos contrapesos. Apesar desta vir com um dovetail o antigo se encaixa perfeitamente. Ainda não decidi se vou trocá-los.
            É claro que Newgear e o Paradoxo quedefende os segredos do universo  se apresentaram e o tempo não só esta nublado como eu tenho uma viagem marcada para Salvador que irá durar uma semana a fim de  realizar um comercial de produtos de beleza com uma certa cantora. Depois disto  3 diárias filmando um reallity show...
            Astrofotografia é a parte mais cara do hobby. Mas poder realizar exposições de mais de um minuto, sem ter de descartar 90% das fotos, vale cada centavo.
            Me resta começar a ler o manual e descobrir que terei de rever alguns conceitos como alinhamento polar, alinhamento do telescópio, alinhamento da buscadora com o telescópio,  da buscadora com  e outras "cositas más" para aproveitar toda a potencialidade de minha nova cabeça.
            Quanto ao Synscan e como controlar tudo utilizando meu laptop será mais um desafio. Já sonho em realizar alinhamentos utilizando 3 estrelas e chegar a DSO´s novos apenas teclando alguns comandos. Parece que ao final minha parca flexibilidade será desnecessária. Minha lombar já agradece...  
            Assim que a maratona em busca de recursos financeiros terminar irei para Búzios fazer o test drive da HEQ 5 Synscan. E provavelmente levar uma surra dela. Vai ser divertidíssimo...

              

domingo, 30 de setembro de 2012

Celestron Skymaster15X70 e o Paradoxo de Newgear



Existem certas coincidências que parecem ser um efeito colateral das Leis mais Fundamentais do Universo.
Depois desta bombástica declaração eu gostaria de apresentar como prova disto o fenômeno  batizado de “O Paradoxo de Newgear”.

O “Paradoxo de Newgear” consiste em que sempre que alguém adquire uma ferramenta que vai permitir ampliar o conhecimento astronômico deste mesmo alguém o universo conspira para proteger seus segredos. O fenômeno é assim: sempre que algum tipo de equipamento óptico destinado a observação astronômica chega as mãos de um astrônomo o clima do planeta conspira para que este não consiga observar nada por um longo período.

Evidentemente isto se trata de uma coincidência que não tem relação nenhuma com leis fundamentais do universo. Ou ainda pode ser associado a um problema causado por um projeto descrito na obra magna de Douglas Adams . 

 O Paradoxo de Newgear aguarda ainda uma prova definitiva.

Enquanto isto não acontece  podemos rebaixa-lo a uma simples maldição...  Teria sido lançada por um padre obscuro convidado a olhar os satélites Jovianos no sec. XV.

De qualquer forma, com a chegada de meu novo Binóculo, o Paradoxo de Newgear e a maldição do padre obscuro marcaram uma reunião aqui no Rio de Janeiro e eu fiquei a ver navios.

O Celestron Skymaster 15X70 mm chegou em uma tarde de segunda feira. Foram exatos 20 dias desde a encomenda. Creio que seria justo dar creditos a loja virtual que realizou a operação. Ela tem o nada poético nome de “AdoroComprarOnline.com” e pode ser acessada em www.adorocompraronline.com. Para fazer justiça foi a loja brasileira que ofereceu o melhor custo beneficio na operação. O preço do binóculo, sem frete, é de R$ 239,69 pagando-se a vistahttp://adorocompraronline.com/produto/Bin%F3culos-Celestron-Skymaster-15x70-Gigantes-com-adaptador-trip%E9.html.
Um pouco mais de US$ 120,00.  Seu preço na Amazon é de US$ 82,99.  Como a Amzon não entrega binóculos no Brasil percebi que um novo tipo de negócio vem proliferando pela Internet. Um camarada que tem um “primo” residindo nos E.U.A .Compra equipamento em lojas americanas  ,envia para  o endereço de seu primo , em geral Miami, e este despacha a bagaça de lá. Não sei com lidam com a alfândega brasileira.
Com ou sem jeitinho meu binóculo chegou embalado (poderia estar mais bem embalado) e em perfeitas condições.
O pacote é bem grande. Com o auxilio de um estilete abro e boto os olhos na peça.
Vem acompanhado de uma valise de lona e com uma correia relativamente fina. São itens da barganha. A alça terá de ser substituída por uma mais larga a menos que deseje ter um corte em seu em seu pescoço após uma sessão mais longa.
O Celestron Skymaster 15x70 é o que se chama de binóculo gigante. Seu caráter astronômico é obvio.
Trata-se de um Binóculo porro-prismático. (Bak-4) Suas lentes e prismas são “multicoated”. Com uma saída pupilar de 4.7. Um eye relief (descanso visual seria uma opção a este anglicismo. Mas não seria tão exato...) de 18 mm ele é bom amigo de quem usa óculos. Imagine que se trata de algo semelhante a dois telescópios com 300 mm de distancia focal calçando oculares de 20 mm. Ele pesa “apenas” 1361 gramas.  Não chega a ser pesado se você ver o tamanho do bruto.  Com este tamanho ele cabe direitinho em minha mochila e acredito que será um bom companheiro de viagens e visitará céus bem escuros...
Pesquisei bastante antes de comprar este binóculo. Afinal é provavelmente o ultimo que pretendo comprar. E como já possuía três binóculos “pequenos” (um Vanguard 10x50, Um Sumax 10X50 e Um Zenith 20X50) era obvio que eu queria algo para substituir meu antigo“Trucuçu”. Este um Binóculo gigante de 80 mm. Com lente ‘Mercúrio Cromo coated” eu dei ele de presente para meu tio.
Ele é o binóculo mais vendido na Amazon e em todos os reviews que vi ele foi considerado o melhor custo beneficio que existe com boa margem de vantagem.  Mesmo com o “custo Brasil” ele não chega a ser caro. E eu não queria pagar 300 reais e depois ficar com aquele sentimento de que rasquei dinheiro. E como eu já possuo um telescópio de 70 mm não haveria porque buscar por um telescópio nesta faixa de preço e tamanho. Se um dia comprar outro refrator será muito mais caro que isso...
O bino é “Multi- Coated”. Isto significa que ao menos uma das suas principais superfícies ópticas é recoberta por diversas camadas de Fluoreto de cálcio ou de magnésio. Isto garante um excelente tratamento antirreflexivo e um aumento da transmissão de luz. Lembrando que se trata de um binóculo barato...
O Celestron revelou-se bem versátil. Devido ao Paradoxo de Newgear me peguei observando gaivotas e urubus em sua jornada diária em volta do Morro dois Irmãos. Com um campo de visão de 4.4º ele é muito mais versátil que 20x50. E apresenta imagens mais claras e é muito mais confortável devido a seu eye relief.
Agora vamos falar de peso. Um binóculo gigante (maior que 60 mm) é sempre lembrado como um monstro que só funciona com o auxilio de tripés. O Celestron vem com um adaptador plástico para permitir seu uso com tripés fotográficos. Não é um adaptador “top de linha”, mas faz seu serviço. E de qualquer forma o binóculo é perfeitamente utilizável sem tripé. Na verdade utilizando-se ele com alguma forma de apoio ou mesmo utilizando-se uma cadeira de praia ele é perfeito para o uso se tripé. Mesmo minha filha, com nove anos, é capaz de mira-lo com eficiência. Em sessões mais longas é necessário um pouco mais de força. Eu possuo 92 kilos e 1,80. Sou capaz de utiliza-lo em pé e por mais de 30 minutos sem sofrimento.
Quanto a seu eye relief o Skymaster é o melhor equipamento que possuo. Nunca consegui observar bem utilizando meus óculos. Com ele é moleza. Seus 18 mm de eye relief são mais que suficientes.  Este ponto é definitivamente um ponto fortíssimo no binóculo. É, disparado, o aparelho mais confortável para se observar que já usei.
Não observei nenhuma aberração cromática com o aparelho.
Sua parte mecânica funciona de maneira satisfatória e o foco tanto na ocular como no anel central se revelam suaves e precisos. 
Ha diversos casos de pessoas que reclamam da colimação do Skymaster 15X70. Existe inclusive um tópico a respeito no (incompleto) manual que acompanha o produto. Eu não tenho do que reclamar. Tudo no esquadro...
É claro que o brinquedo possui algumas limitações. Afinal com 250 reais não se pode ter tudo.    
A imagem nas bordas se torna levemente fora de foco.
A corrente que acompanha é péssima. E o adaptador para tripés e bastante sofrível. O manual é muito incompleto. Conta-se que é de difícil colimação. E a garantia só é valida nos E.U.A. e Canadá.  
Mas não achei nada que comprometa. Os últimos itens são evidentemente formas encontradas pela fabrica para locar recursos em partes mais importantes do pacote.
Na categoria "binóculos baratos” este é um seriíssimo candidato a premio de melhor custo-benefício.
Li um review realizado por Phil Harrigton, autor da coluna Binocular Universe durante anos e agora no Cloudy Nights, comparando o Skymaster com um Fujinon 16X70. Embora o Fujinon tenha vencido em todos os quesitos o próprio Harrington diz que não se trata de um massacre e que levando-se em conta os preços os Celestron não deveria deixar de ser considerado .Um Fujinon 16X70 esta custando US$712,00 na Amazon. E mais de US$1000,00 em outras lojas...
Agora vamos ao que mais importa.
Apesar do Paradoxo e da maldição fiz o primeiro uso do binóculo na noite de 27 de setembro. Uma noite medonha.
Mas consegui, ainda que por pouco tempo, dar uma passeada próxima a Achernar.
Já no primeiro vislumbre percebi muito mais estrelas do que normalmente. Afinal 70 mm é muito mais que 50... E assim estrelinhas que normalmente não dão as caras se apresentaram prontamente.
Fiquei um tempo com Achernar ali parada. Como se trata de uma estrela bem brilhante fiquei passeando com ela pelo campo para tentar perceber alguma aberração cromática ou distorções de algum tipo. Tudo perfeito.
A partir de Achernar segui o Rio Eridanus. Mesmo sendo uma constelação com estrelas relativamente tênues com os 4,4º de campo e com os 70 mm de diâmetro nunca tinha navegado tamanha extensão dele a partir de minha janela. Achernar é sempre bela, mas com o 15X70 é um campo interessantíssimo. Ela fica emoldurada por diversas estrelas de cerca de 6 mag. que são muito claras com 70 mm. E suas parceiras são bem avermelhadas oferecendo um belo contraste com o brilho branco azulado de Achernar uma gigante, ainda jovem, da classe B.  
Apesar da noite e de Newgear ter soltado os cachorros ainda consegui fazer um rápido tour por Phoenix Apesar de ser uma constelação menos conhecida ela apresentas muitas estrelas interessantes.  Mas por hoje basta dizer que o melhor da noite foi Beta Phoenix. A posteridade é ingrata com ela, pois apesar de bem brilhante lhe deixaram sem nome próprio. Ela faz um belo par alaranjado (ótico) com BSC HR 299. 
Depois disto ainda tentei algo, mas finalmente o Newgear fez um ultimo esforço para confirmar sua teoria e a primeira noite acabou por ali. 
Passam-se dias e finalmente o tempo abre pelo Rio de Janeiro. E aí a Lua é cheia.
Mas o Skymaster se mostra a altura do desafio. Não se esqueça de acrescentar a já natural poluição luminosa das 19h00min a tal Lua Cheia.
Escorpião vai alto ao céu e em boa posição para ser inspecionado de minha janela.
O Campo de Provas


Aponto para Antares focalizo o binóculo. Poucos segundos e percebo M4 claramente. Mesmo com visão direta. E o Skymaster faz seu primeiro ponto.
Vou me dirigindo para a cauda e paro para dar uma namorada na bela dupla Mu Scorpio. Ambas esbranquiçadas e de magnitude semelhante.
Seguindo rumo a leste e a curva natural na cauda do escorpião chegamos a uma das áreas mais interessantes do céu. Uma coleção de aglomerados abertos se esconde entre Mu  e Zeta Scorpio. A partir de Mu o Skymaster vai identificando Ngc 6242. Este não chega a se resolver, mas é bastante evidente e creio que resolva-se em parte em condições um pouco melhores. Na verdade chego a resolver algumas estrelas individuais com visão periférica. Depois o falso cometa se apresenta e é possível se deliciar com o conjunto formado por Trumpler 24 e Ngc 6231(O falso cometa.). Zeta Scorpio é também uma interessante dupla e facilmente percebida mesmo a olho nu. No Skymaster a separação é enorme. 
Seguindo a ordem natural das coisas os próximos DSO´S a serem visitados são M7 e M6.
M7 e M6
M 7 foi feito para o Skymaster. Se resolve e cabe perfeitamente em seu campo ocular . M6 se resolve parcialmente. Mas se percebe o seu característico “shape” borboleta. Muito bonito. E de novo o Skymaster certamente conseguirá resultados melhores em condições mais dignas.
Depois disso pego meu bom e nem tão velho Vanguard 10X50 e faço exatamente o mesmo tour.
M4 não deu as caras. E o resto se mostrou bastante sem graça e em menos de um minuto e estava com Skymaster de novo nas mãos e inspecionado outras áreas do céu.  A foto abaixo deixa bem clara a diferença ...
Celestron Skymaster 15X70 e Vanguard 10X50
Mesmo com Alpha e Beta Centauros bem baixas já no horizonte o Skymaster vislumbrou, embora sem resolver nada, diversos aglomerados abertos bem modestos que se escondem por perto da dupla. Ngc 5617, 5316,5281 e 5662. Todos apenas como condensações. Mas claramente presentes. 5662 bastante obvio. Uma agradável surpresa.

Mais tarde  Tuc 47 e Ngc 362 mostraram sua cara no horizonte sul. Sempre mais escuro que os outros aqui na área. Tuc 47 se apresentou claramente e enorme mesmo com visão direta. E 362 , mesmo mais modesto, também não foi difícil de se perceber com direta. 

Testado apenas longe de condições ideais o Skymaster atendeu a todas as expectativas que eu tinha e mostrou-se exatamente o binóculo que eu queria. Acredito ter completado meu quiver binocular com a nova aquisição e espero ansioso a oportunidade de usa-lo sob céus verdadeiramente escuros.

Por fim eu acrescentaria  que o Skymaster é um excelente binoculo e que apresenta uma relação custo beneficio difícil de ser batida por qualquer equipamento astronômico. Apresenta muito poder de fogo para um binoculo e ainda assim não é pesado demais para impedir seu uso sem um tripé. É lógico que dependerá muito do observador e de sua condição física mas não creio que nenhum adulto saudável tenha problemas para utiliza-lo sem um suporte por curtos períodos de tempo. 
Sua capacidade de magnificação permite resolver muitos DSO`S que seriam apenas pequenas nuvens de luz em aparelhos menores. Claro que isto também devido ao diâmetro de 70 mm de suas lentes. 
Um excelente aparelho.




terça-feira, 24 de julho de 2012

Observando de Ouvido e com Partitura.



Depois de algum tempo sem me dedicar a nobre arte da observação astronômica (com a exceção de alguns rápidos passeios binoculares) estava de volta a carga e à meu velho conhecido : o  céu mais escuro da Armação dos Buzios.
 Desta vez com um projeto novo. 
Como iria com toda a família e com o veiculo abarrotado decidi ressuscitar meu bom e velho refrator : Galileo.
Mas com novos trejeitos.
Minha ideia parecia muito boa. Levo o meu velho Celestron 70 mm, mas levo também a montagem EQ-3. Com o pequeno telescópio ela vai ser mais estável que um Kart.
Eu que aprendi a observar naquele modesto telescópio galileano em uma montagem que tremia mais que bambu verde em noite de temporal realmente achei que houve uma grande melhora. E outra grande vantagem é que o peso do conjunto realmente se tornou muito menor. O telescópio é muito mais leve e maleável que o “Newton” (150 mm) e a necessidade de contrapeso também se torna menor. 
E apesar das controvérsias que meu argumento possa causar um quilo de chumbo a menos é muito peso a menos. E foi mais de um kilo a menos...

O dove tail mais barato do mundo
Montar o velho Galileu na “nova” montagem foi bem simples. Um projeto que apesar de um pouco tosco revelou-se extremamente funcional e, sobretudo (mantendo a tradição) bem barato. Uma rápida visita a madeireira próxima a casa, uma passagem na vidraçaria, um pouco de simpatia e um rolo de gaffer tape e pronto. Uma sobra de esquadria de alumínio e um pedaço de sarrafo de madeira e eis pronto o Dove Tail mais barato do mundo. Custo Zero.
Tá lá o telescópio sentado na EQ-3.
Como sempre gosto de recordar a presença de outros humanos me atrapalha(uns mais e outros menos)  barbaramente na observação. Pessoas sempre querem luzes acesas e afins. E eu, do contra, não.
Agora em uma casa cheia  e com uma moqueca sendo preparada pela cunhada começamos a “astronomia de guerrilha”. Luzes acesas em todas as direções e pessoa passando para lá e para cá e eu tentando apresentar alguma coisa para “o mais interessado”. Um sobrinho de 13 anos de minha cunhada estava disposto a ver Saturno.
Em um voo as cegas, onde até mesmo para se perceber a cruzeta da buscadora era necessário se fantasiar de lambe-lambe,  eu consigo alinhar e colocar o Senhor dos Anéis na ocular.
 É infalível. Forma-se fila e todos visitam o planeta. " Uau!!!" pra lá e pra cá...
Com o som rolando AC/DC no ultimo furo eu continuo fazendo meu tradicional tour de Ouvido (sem cartas, Stellarium e afins.)  Numa rápida sucessão apresento os clássicos da guerrilha. Caixa de Joias, M7 e M6. Ainda de ouvido apresento os aglomerados próximos a Zeta Scorpio (Ngc 6231, 6232 e outras entradas mais obscuras do New General Catalog...). São clássicos eternos que vou visitar para sempre. Assim como o som que vai nas pick ups. Se sucedem Pearl Jam, Aretha Franklin e outro mais. Realmente não parece uma sessão de observação e assim que a moqueca fica pronta se suspendem os trabalhos.
Depois de cumprir minhas obrigações paternas e levar as crianças para passear a 10 metros do chão em um circuito de arvorismo (um esporte que apesar do nome é praticado,no mais das vezes, sobre cabos de aço ligado por postes...) eu me vejo em condições de tentar algo um pouco mais elaborado.
O povo todo se animou a ver um show que aconteceria na praça da cidade e eu e o “mais interessado” damos um perdido e retornamos para casa. A banda “Casuarina” não entra no hall dos gigantes já citados dentro de minha humilde e solitária opinião. E Graças a isto consigo finalmente ter o telescópio montado no quintal dos fundos e a maioria das luzes da casa apagadas. Os postes da rua são um projeto que venho elaborando há algum tempo e talvez um dia consiga me livrar de pelo menos um deles...
Como eu não conto nem debaixo de  tortura.
No quintal dos fundos agora se encontram eu, o sobrinho e meu irmão (que tinha dado o perdido antes do arvorismo) com o telescópio apontado, ainda de ouvido, para M4. O Globular próximo a Antares se apresenta discreto. Seu formato meio fora de esquadro é inconfundível. O sobrinho se mostra fascinado com as histórias que conto. Parece que teremos mais um amador no Maranhão. O fato de ser o segundo (provavelmente) globular mais próximo da Terra parece ser relevante para o jovem. Junto com aglomerados abertos, Saturno e algumas duplas o garoto estava fisgado.
Com Sagitário ainda em posição muito incomoda resolvo fazer uma visita breve ao horizonte norte.
Albireo (ß Cygnus) é provavelmente a minha dupla favorita. E um alvo fácil para pequeno refrator. Divide-se facilmente com pequenos aumentos ( hoje 36x) e toda vez eu percebo colorações levemente diferentes. Hoje ela estava laranja (primaria) e “quase verde” (secundaria). O calouro ficou boquiaberto. Nunca ouviu (ou viu.) falar de estrela verde.
Na verdade é possível que não existam estrelas verdes de fato. E o contraste entre as componentes preguem uma peça no ingênuo cérebro humano. Mas eu mesmo já vi outras estrelas verdes. 
No ló creo en Brujas. Mas que las hay las hay...
Decidido a testar o seeing e o meu velho telescópio continuo navegando nas águas do Triangulo de Inverno (Asterismo formado pelas estrelas Altair, Vega e Deneb) e me dirijo para Vega.
A partir da brilhante estrela se percebe facilmente a dupla Épsilon Lyra No mesmo campo de buscadora. Já na ocular tente dividir suas componentes mais uma vez. È um bom teste tanto para o modesto telescópio como para a estabilidade da atmosfera. Com 90x divido um dos membros. Mas o outro se recusa. A “Dupla –Dupla “ na se rende tão facilmente . Meto uma Barlow 2x no conjunto da obra e acredito que em alguns momentos separo todos os componentes, depois já acho que não, e depois acho que sim de novo...
A estrela épsilon da harpa é sempre diversão garantida.
Agora chegou a vez de Sagitário. Ainda tocando de ouvido apresento M8 para meu amiguinho. O Aglomerado aberto é bem visível. A nebulosa requer um pouco de averted vision. Enquanto tento explicar a técnica começo aperceber mais e mais nebulosidade na estrutura.
Dali resolvo apresentar um globular mais impressionante e rapidamente estou em M22.
Este é um globular de outro naipe. Considero ele parte da trindade dos aglomerados. Junto com Omega centauro e Tuc 30.
O tão cantado M 13 fica no chinelo. Cheira-me a premio de consolação dos amigos boreais...
O próximo alvo se recusa a sair de ouvido. E então pego as partituras. Na verdade apenas ligo o computador e traço uma rota até ele com o auxilio do Stellarium.  M69 é uma musica mais difícil.
Primeiro centralize Kaus Australis (Épsilon Sag), na base do "bule"( é o asterismo que reúne a maior parte das estrelas de Sagitário ). Com ela no canto de cima da buscadora (sul) você vai perceber claramente duas estrelas de aproximadamente 5ª magnitude. São HIP 90763 (que possui um pequeno “nozinho” de estrelas ao sul) e HIP 91014. Centralize em HIP 90763 (a menos brilhante) e vá para a ocular do telescópio. Com a 25 mm eu encontro M 69 no mesmo campo. O brilho da estrela ofusca um pouco o pequeno globular, mas ele se apresenta claramente. Com a 10 mm fica ainda mais fácil. É um globular bem modesto na ocular. Mas a navegação até o mesmo é bem divertida. Depois de ler a partitura achamos melhor encerrar e aguardar pelo próximo dia para combater de novo. Espero sinceramente que meus camaradas se encantem com a musica de novo e que resolvam ver meu querido Jards Macalé que se apresentará na mesma praça...   
Na noite seguinte a observação praticamente se resume a Lua. Jards Macalé conta com menos fãs do que eu supunha...
Sem Barlow


Com Barlow 2x

Fico feliz em descobrir que o 70 mm se revela um bom fotografo. Ainda que sem tempo para motorizar a montagem e muito menos realizar algo parecido com alinhamento polar faço algumas fotos de Selene. Com e sem barlow. Nas fotos originais se percebem mais detalhes ( evidentemente ...) na foto  em que utilizei a  barlow . Mas o compressão do Blogger parece que nivelou as coisas. Vai entender...  De qualquer forma o Mare Crisium domina a cena flanqueado por Cleomedes , Burk hardt e Geminus ( acima do  Mare  na foto...) . Abaixo se sobressai Langrenus . Todas belas crateras ao alcance de pequenos telescópios.
Ainda que pressionado para iniciar os trabalhos junto à churrasqueira consigo fazer um sketch    apressado de Ngc 5617 . Trata-se de um discreto aglomerado aberto bem proximo a Alpha Centauro. Recomendo que retire Alpha do campo ocular .
ngc 5617
 Depois de  operar churrasqueira e beber algumas garrafas de vinho a vaca foi pro brejo (ou para a brasa) em definitivo e guardo o telescópio antes que algo pior aconteça.
Na verdade  nem guardo o telescópio que é encontrado ao sol   ao  amanhecer.
No domingo resolvo tocar com partitura. Diversos globulares do catalogo Messier que eu evitava  (ou eles a mim...)  ha anos demandavam uma aproximação  mais conservadora.
Com Partitura ( no caso somente o Stellarium e o Cartes du Ciel que habitam meu HD)  parto em busca destes fantasmas. Apesar do catalogo Messier ser (em tese...) possível com 70 mm nem tudo será   exatamente musica popular...

Ainda cedo consigo me reencontrar com M69. È um alvo “fácil”.
M 70 não tem nada muito brilhante perto para ajudar no star hop. Assim parto de M 69 em busca de HIP 91386 e depois de HIP 91713 A. Entre 7ª e 8ª mag não são exatamente faróis na buscadora. À noite ainda cedo e a luz das vizinhanças não colabora. Mas depois de algum tempo e com muita hiperventilação, visão periférica e reza forte percebo um fantasminha na ocular. No limite do pequeno refrator. Mas tava lá. Meu jovem assistente não consegue resolver, mas creio que lhe falta experiência para algo tão tênue. Para garantir  a paz do espirito toda a navegação e encontrei o fantasma novamente . E com isto confirmo ao avistamento.
M 54 é bem tênue, mas com Ascella bem próxima foi bem mais fácil de ser localizado. O pequeno refrator torna o desafio bem maior . Começo a sentir falta de uma abertura maior. O elemento ainda vai relativamente baixo no horizonte e creio que seja mais obvio em melhor posição.
Nunca fui muito amigo da região do  Serpentario celestial. Na verdade três constelações que me parecem ser só uma. Ofiuco ( o encantador) , Serpente ( a cauda) e Serpente ( a cabeça). 
 Sua posição sempre muito alta é bem incomoda .  Mas  com pouca atmosfera no meu caminho alvos tênues se mostram promissores. 
 Por fim uma outra possível razão para a antipatia é que sempre que falo Ofiuco tem alguêm que faz associações improprias e joguetes de palavra de gosto duvidoso. 
Após estudar a partitura eu parto ( aaaaiii!!!) em busca de M9.
O primeiro movimento consiste em identificar Sabik ( Eta Ofiuco).
Não conheço muito bem a constelação e como tenho que dividir meu computador com minha amada esposa faço visitas de tempos em tempos até a sala da casa para confirmar a navegação.
 Depois de me enrolar um pouco misturando Eta com Fi acabo por me entender em grego e começo a procurar o globular. Este se encontra a aproximadamente 3º 25´´ a leste de Sabik. Usando a buscadora sequer desconfio de sua posição.
 Por um método de aproximação eu começo a ficar frustrado .
Não sou muito de utilizar coordenadas para localizar DSO´s. Mas desta vez uso de um truque bem útil. Com o auxilio do Stellarium estabeleço que partindo de Sabik e olhando para o horizonte oeste eu devo deslocar o telescópio 3º para o sul e 2º para leste . Estes serão movimentos no eixo de RA e declinação. Utilizando a buscadora  ( que tem um campo de 5º )eu calculo o salto e ao olhar na ocular eu não vejo nada . Mas utilizando os ajustes finos e com uma rápida escaneada o pequeno globular dá enfim o ar de sua graça.
É bem modesto.
Devido a sua posição bem alta no horizonte ele se apresentou mais claramente que M54 e M70.
M70 é o mais apagado deles brilhando com magnitude de 8.1. E sem duvida foi o mais assombrado da noite.
Na verdade , acostumado que sou de visitar os aglomerados ‘grandes” , preciso me lembrar que globulares se  ( muitas vezes) apresentam como estrelas que nunca dão foco. Especialmente em pequenos telescópios . Isto faz deles alvos bastante elusivos . Especialmente em campos muito ricos. Não é o caso de M 9. Há Poucas estrelas no campo e são muito tênues . Mesmo com a ocular de 25 mm .Ele se apresenta com um pouco mais de dignidade com a 17 mm.
Uma história para os calouros: M 9 é uma descoberta original de Messier e e´um dos aglomerados globulares mais próximo do centro galático.
Como brinde , enquanto batia cabeça atrás de M9, dei de frente com M23. É um pequeno aglomerado aberto bastante delicado. Ocupado que estava caçando o globular só o observei com a 25 mm.
 Mas ele bem que merecia um pouco mais de atenção e magnificação.
Depois de um bom tempo sem observar fico contente com o revival de meu refrator. Apesar da evidente limitação o set up é bastante útil e extremamente pratico. Consigo montar tudo em poucos minutos e a leveza do conjunto torna a vida junto a ocular muito mais fácil. A coluna lombar  agradece. 
Apesar da casa cheia  foi um fim de semana bastante proveitoso. 
E três  Messier novos são sempre motivo de alegria. 
Agora só faltam os difíceis e assim sendo cada um é um a menos para se completar o clássico catalogo.
Como considerações finais gostaria de lembrar ( talvez para eu não esquecer...) que um telescópio pequeno não tem o mesmo poder de fogo que um maior. É berrante a diferença do que que se vê e do nível de detalhamento obtido. Mas por outro lado você ganha em conforto e o desafio se torna maior. Para quem gosta da caçada ele são muito legais. E sua maleabilidade permite observações de DSO´s  junto a zênite e também ao meridiano que com um telescópio maior seriam muito difíceis e até mesmo impossíveis.
Espero agora a oportunidade de testar o velho Galileo em astrofotografia de uma forma mais comprometida.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Vanguard 10x50



                Em uma visita a Maison de L´Astronomie, situada na Rua Rivoli 33 (bem próxima ao Museu do Louvre) comprei um binóculo Vanguard 10x50. 
                Cercado de Fujinons, Nikons, Leicas e Swaroskis e etc... ele era a ovelha negra da loja. E também o único que cabia em meu orçamento. Eur$ 99,00. 
                É um Binóculo porro prismático, Bak 4. Suas imagens são muito claras e definidas. Carrega a sina de ser Made in China...
                   O Vanguard é facilmente encontrado no Brasil .
                Em observações diurnas, usando o Sumax 10x50 como comparação, ele suplantou o meu antigo favorito em todos os quesitos. As imagens sempre mais claras e melhor definidas. O foco mais fácil e bla bla bla...
                Em Paris a observação astronômica é possível, mas não é exatamente o que se pode chamar de “piece de Resistance”.
                Em sua missão-turístico-astronômica o Nuncius Australis achou melhor abandonar a Cidade Luz para testar sua nova aquisição. A próxima perna da viagem era mais promissora. O sul da França prometia céus mais escuros. E Assim foi.
                A próxima parada foi em Grasse. Próxima a Cannes a antiga cidade é conhecida como a capital do perfume. E apresenta um céu bastante honesto (Bortle 4) .
Com tudo de cabeça para baixo e um monte de constelações novas para explorar me dispus a sair do apartamento de minha cunhada com um frio de rachar e caçar um canto escuro no condomínio para testar a nova peça.
O binóculo apresenta excelentes características e o anel de foco central é bem justo. Assim como a dioptria (somente no olho direito). Um pouco pesado para um 10x50. Atribui isso a uma possível ótica mais apurada que o meu querido Sumax.
Seu corpo é emborrachado e ele se diz” weather resistant” ( resistente ao clima).A empunhadura é confortável. Mas devido ao frio a condensação vai me perseguir ao longo de toda viagem. Mantinha sempre o bino dentro de meu casaco quando não observando. Apresenta um bom eye relief e o utilizei com e sem óculos. O uso de lentes não chega a atrapalhar o usuário. 
Para começar os trabalhos recorro a constelações bem conhecidas e começo a gostar da brincadeira. Com Orion e Auriga muito altos no céu (o céu aqui é diferente...) rapidamente reconheço todos os clássicos. M42, M36, M37, M38 e mais varias “fuzzies” do NGC que não me dou a trabalho de tirar a limpo.
A seguir M45 mostra toda a potencialidade do no Binóculo. Dezenas de estrelas se revelam e praticamente lotam o campo de 7 graus do Vanguard. A posição muito alta da Pleyades nesta latitude deve colaborar mas eu nunca a tinha visto tão rica. O novo brinquedo marca vários pontos.
As Hyades também se mostram “a vero”. Grandes aglomerados abertos são o máximo no Vanguard. Seu campo grande, de 7º, mostra-se muito útil.  
Agora as novidades.
A próxima parada é em Valberg. O pequeno vilarejo encravado no Departamento do Alpes Provençais é conhecido como o porto de entrada para o Parque de Mercantour. Não vou falar mais sobre céu escuro. ( Talvez um pouco...) 
Depois de subir uma pequena encosta e me afastar das luzes do vilarejo parto para as novidades.
A Ursa maior é a constelação boreal por excelência. “Le Cassaroule” é como é chamado por aqui um dos asterismos mais famosos de todos. O Arado em português. Big Diper para os americanos. The Plough para ingleses.  É a parte mais conhecida da constelação.
Mizar e Alcor foram o primeiro par estelar registrado.  Fiz a mesma coisa. Fácil.
A fim de deixar os olhos se adaptarem ainda mais parto atrás dos Aglomerados abertos de Cassiopéia. A rainha é outra constelação boreal tradicionalíssima. M 103 é obvio. Mas não resolvo.  NGC 129 idem. Os campos estelares são incríveis e percebo tantas “fuzzies” que não consigo nem contar. Realmente um pedaço riquíssimo da via láctea.
Algum lugar em Cassiopéia
Volto para a Ursa Maior. E agora vou mais longe. M81 é bastante obvia e com averted percebo também M82. O céu do Mercantour é realmente impressionante.  A NELM (naked eye limit magnitude) era facilmente de 6.5. Provavelmente mais. O Vanguard se aproveita disso e faz bonito.
Na outra noite, bem mais cedo, capturo M33 como nunca antes. A galáxia se estendia pelo campo do binóculo e se apresentou melhor que em qualquer observação telescópica que já tenho feito desta galáxia com baixo brilho de Superfície. M 31 era claramente visível a olho nu e consegui perceber claramente M32 e M110 com o uso de visão periférica (Averted vision). E nem estavam no meridiano. 
Um bom binóculo. E com o auxilio de céus de cristal ele mostrou ser uma grande aquisição para a coleção.

P.S. Pé de Boi . Descolimou depois de algum tempo. Mas foi bem maltratado...


terça-feira, 27 de abril de 2010

NEAF 2010- A maior feira de astronomia do mundo

Acabou de ocorrer a NEAF(northeast astronomy forum). É a maior feira de astronomia do mundo com centenas de expositores. As novidades do ano levaram o Nuncius aos maiores sonhos de consumo. A home page do evento :www.rocklandastronomy.com/NEAF/index.html
Alguns do "brinquedos" são sensacionais. Vejam isto

Os Telescópios de Tolkien


Modelo de 12 Polegadas



O Hobbit




A serie Monster , o mais novo lançamento da Orion . A brincadeira começa em 56.000.000 usd.



Takahashi - Astrofotografia . O par perfeito para uma Pentax médio formato ou para ccd´s enormes...


E isto é só uma pequena amostra.