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quarta-feira, 16 de setembro de 2015

M 70 e a Avenida dos Globulares

                
                Avenida dos Globulares  ,  Quadra M  no 70.   Neste "endereço" reside ou existe M 70.  Este é o ultimo dos Globulares Messier que residem nestas parte de Sagitário e que ainda não apresentei na missão que estabeleci para este inverno. Esta seria fotografar todos os Globulares presentes no Catalogo Messier e que habitassem Escorpião , Sagitário e Ophiucus. Ficaram faltando alguns em Ophiucus que ainda tenho esperança de abater aqui do Rio. Mas sendo estes pequenos e tênues não sei se serão viáveis da Stonehenge dos Pobres.  Especialmente M 107...
                A Av. dos Globulares é uma linha imaginaria que liga alguns globulares na base do Asterismo do Bule. " By the Book" a Avenida é definida pela linha que liga as estrelas Kaus Australis e Ascella. E Assim habitariam dentro destes limites apenas M 69,M70,Ngc 6652 e M54 . Mas acompanhando as obras da derrubada da Perimetral e a revitalização da zona portuária para as Olimpíadas eu acredito que podemos estender a Avenida . Esta agora começaria em Ngc 6441 e se estenderia até M75. Com M 55 habitando uma pequena transversal sem saída.
              M70 é uma descoberta original de Messier e foi observado na mesma noite que M69. Acho curioso ( por razões que já expliquei no ultimo post ) que este não tenha sido percebido por Lacaille em seu escrutínio do céus austrais.

                O melhor meio para se localizar M 70 me parece calcular o centro da linha imaginaria entre Kaus Austrlais e Ascella . M 70 estará lá. Muito próximo de M69 é importante ter atenção para não confundir um com o outro . Especialmente se utilizar um refrator sem diagonal na tarefa...
                Messier nos diz o seguinte em seu catalogo:
"(Observado em 31 de agosto 1780) Nébula sem estrelas próxima a prévia ( M69) , e no mesmo paralelo.Próximo existe uma estrela de 9a magnitude e quatro tênues estrelas telescópicas quase em linha reta , muito próximas umas das outras e que repousam acima da nebulosa se visto em um telescópio "inversor". A posição da nebulosa foi determinada a partir da mesma estrela e Sagitarii. "
                Localizado a 35.200 anos luz e com aproximadamente 82 anos luz de diâmetro . Parece uma pequena estrela fora de foco em binóculos e buscadoras e demanda atenção para ser percebido.

3X Drizzle


                M 70 é um daqueles poucos globulares ( M15 , M 62 e mais uma ou duas dezenas)  que sofreu um colapso do seu núcleo e é extremamente concentrado. Com 240X de aumento percebo algumas estrelas em seu halo. Habitando muito próximo ao centro galáctico é muito exposto a fortes marés gravitacionais.

                Quando observando M 70 com pouca ampliação e grande campo ( Oculares de 30 mm ou mais e com um grande AFV) você talvez perceba uma pequena estrela levemente desfocada. Trata-se de uma nebulosa planetária . IC 4776. Bem discreta e abaixo de 10a  magnitude. 
                As fotos deste post foram resultado do "stacking" de 20 fotos com exposição de 15 segundos em ASA 3200. Telescópio Newtoniano de 150 mm f8 . Montagem HEQ 5 pro. Canon T3 . A primeira foto foi relizada no modo stand do Deep Sky Stacker e a 2 é um drizzle de 3 X croped no Photoshop.  Foram utilizados 8 dark frames. Sem bias e sem flats. 

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Observando Messier: M70- Um Aglomerado Globular

M 70


Completando a saga dos  aglomerados Messier na base do asterismo do Bule (em Sagitário) esta M 70. Os outros são M54 e M69

M70 é o mais tênue e mais difícil do trio. Brilhando com magnitude 8.1 e com um tamanho pouco maior que 7´ (em fotografias) ele não será facilmente percebido através de sua buscadora. Mesmo em binóculos 10x50 ele será pouco mais que uma estrela “desfocada”.

Existem dois caminhos para se chegar até ele.
Eu gosto mais do que chamo “Método do Meio”. Primeiro localize o “bule”. É um asterismo que recorda claramente um bule de chá e que inclui a maior parte da constelação de Sagitário. Fica logo a leste da cauda do Escorpião e com estrelas relativamente brilhantes é percebido mesmo em ambientes urbanos.  Depois localize Kaus Australis (épsilon Sag) e Ascella (Zeta Sag). São respectivamente as estrelas mais ao oeste e ao leste da base do “bule” e brilham com 1.75 e 3.25 de magnitude. Utilizando uma buscadora de Led (Red dot finder) imagine uma linha ligando ambas as estrelas. M 70 fica exatamente no meio.  Com minha ocular wide Field (25 mm) eu sempre o acho no campo. Quando muito uma pequena escaneada e o aglomerado se apresentará.
O outro método é por Star Hooping. Se você não possui uma red dot ele também resolve. Comece centrando em Kaus Australis e depois localize no campo da buscadora as duas estrelas mais brilhantes depois dela (se você já foi a M69 conhece bem a região). Serão HIP 90763 e HIP 91014. Centralize de novo em 91014 e seguindo para leste você vai perceber uma estrela mais tênue. É HIP 91386 (mag. 7.25). Ainda mais a leste você vai perceber uma dupla de estrelas ainda mais tênues A mais Brilhante será HIP 91713 A (mag. 7.75). Atenção que dependendo de sua buscadora e da poluição luminosa você só vai notar esta estrela (ou nem ela...). Sua companheira com Magnitude inferior a 8 é difícil de notar. Centralize a buscadora em 91713 e o aglomerado estará dentro do campo de sua ocular wide Field (> 20 mm).  Caso não consiga perceber HIP 91713 centralize em HIP 91386 e escaneie já na ocular para sudeste. O Aglomerado esta um a cerca de um campo ocular de distancia desta. M70 não é uma rota fácil de achar...
M70 se encontra fisicamente muito próximo a M69 e tem diversas características semelhantes a seu companheiro. Foram descobertos na mesma noite. 31 de agosto de 1780. Encontra-se a 29.300AL da terra e a menos de 400 AL de M69.  Encontra-se muito próximo a centro galáctico. Herschel foi o primeiro a resolver o aglomerado em estrelas e o descreve como “uma miniatura de M3”. Seu núcleo é muito denso e já sofreu um colapso. Uma ocorrência que foi registrada em pelo menos 21 dos globulares da via láctea, entre eles M15, M30 e possivelmente M62. Sua classificação na escala Shapley é V.
M70 é um dos mais discretos dos globulares do catalogo Messier e viveu seus quinze minutos de fama em 1995 quando o Grande Cometa Hale – Boop foi descoberto por Alan Hale e Thomas Boop  (separadamente)enquanto estes observavam o globular. 

terça-feira, 24 de julho de 2012

Observando de Ouvido e com Partitura.



Depois de algum tempo sem me dedicar a nobre arte da observação astronômica (com a exceção de alguns rápidos passeios binoculares) estava de volta a carga e à meu velho conhecido : o  céu mais escuro da Armação dos Buzios.
 Desta vez com um projeto novo. 
Como iria com toda a família e com o veiculo abarrotado decidi ressuscitar meu bom e velho refrator : Galileo.
Mas com novos trejeitos.
Minha ideia parecia muito boa. Levo o meu velho Celestron 70 mm, mas levo também a montagem EQ-3. Com o pequeno telescópio ela vai ser mais estável que um Kart.
Eu que aprendi a observar naquele modesto telescópio galileano em uma montagem que tremia mais que bambu verde em noite de temporal realmente achei que houve uma grande melhora. E outra grande vantagem é que o peso do conjunto realmente se tornou muito menor. O telescópio é muito mais leve e maleável que o “Newton” (150 mm) e a necessidade de contrapeso também se torna menor. 
E apesar das controvérsias que meu argumento possa causar um quilo de chumbo a menos é muito peso a menos. E foi mais de um kilo a menos...

O dove tail mais barato do mundo
Montar o velho Galileu na “nova” montagem foi bem simples. Um projeto que apesar de um pouco tosco revelou-se extremamente funcional e, sobretudo (mantendo a tradição) bem barato. Uma rápida visita a madeireira próxima a casa, uma passagem na vidraçaria, um pouco de simpatia e um rolo de gaffer tape e pronto. Uma sobra de esquadria de alumínio e um pedaço de sarrafo de madeira e eis pronto o Dove Tail mais barato do mundo. Custo Zero.
Tá lá o telescópio sentado na EQ-3.
Como sempre gosto de recordar a presença de outros humanos me atrapalha(uns mais e outros menos)  barbaramente na observação. Pessoas sempre querem luzes acesas e afins. E eu, do contra, não.
Agora em uma casa cheia  e com uma moqueca sendo preparada pela cunhada começamos a “astronomia de guerrilha”. Luzes acesas em todas as direções e pessoa passando para lá e para cá e eu tentando apresentar alguma coisa para “o mais interessado”. Um sobrinho de 13 anos de minha cunhada estava disposto a ver Saturno.
Em um voo as cegas, onde até mesmo para se perceber a cruzeta da buscadora era necessário se fantasiar de lambe-lambe,  eu consigo alinhar e colocar o Senhor dos Anéis na ocular.
 É infalível. Forma-se fila e todos visitam o planeta. " Uau!!!" pra lá e pra cá...
Com o som rolando AC/DC no ultimo furo eu continuo fazendo meu tradicional tour de Ouvido (sem cartas, Stellarium e afins.)  Numa rápida sucessão apresento os clássicos da guerrilha. Caixa de Joias, M7 e M6. Ainda de ouvido apresento os aglomerados próximos a Zeta Scorpio (Ngc 6231, 6232 e outras entradas mais obscuras do New General Catalog...). São clássicos eternos que vou visitar para sempre. Assim como o som que vai nas pick ups. Se sucedem Pearl Jam, Aretha Franklin e outro mais. Realmente não parece uma sessão de observação e assim que a moqueca fica pronta se suspendem os trabalhos.
Depois de cumprir minhas obrigações paternas e levar as crianças para passear a 10 metros do chão em um circuito de arvorismo (um esporte que apesar do nome é praticado,no mais das vezes, sobre cabos de aço ligado por postes...) eu me vejo em condições de tentar algo um pouco mais elaborado.
O povo todo se animou a ver um show que aconteceria na praça da cidade e eu e o “mais interessado” damos um perdido e retornamos para casa. A banda “Casuarina” não entra no hall dos gigantes já citados dentro de minha humilde e solitária opinião. E Graças a isto consigo finalmente ter o telescópio montado no quintal dos fundos e a maioria das luzes da casa apagadas. Os postes da rua são um projeto que venho elaborando há algum tempo e talvez um dia consiga me livrar de pelo menos um deles...
Como eu não conto nem debaixo de  tortura.
No quintal dos fundos agora se encontram eu, o sobrinho e meu irmão (que tinha dado o perdido antes do arvorismo) com o telescópio apontado, ainda de ouvido, para M4. O Globular próximo a Antares se apresenta discreto. Seu formato meio fora de esquadro é inconfundível. O sobrinho se mostra fascinado com as histórias que conto. Parece que teremos mais um amador no Maranhão. O fato de ser o segundo (provavelmente) globular mais próximo da Terra parece ser relevante para o jovem. Junto com aglomerados abertos, Saturno e algumas duplas o garoto estava fisgado.
Com Sagitário ainda em posição muito incomoda resolvo fazer uma visita breve ao horizonte norte.
Albireo (ß Cygnus) é provavelmente a minha dupla favorita. E um alvo fácil para pequeno refrator. Divide-se facilmente com pequenos aumentos ( hoje 36x) e toda vez eu percebo colorações levemente diferentes. Hoje ela estava laranja (primaria) e “quase verde” (secundaria). O calouro ficou boquiaberto. Nunca ouviu (ou viu.) falar de estrela verde.
Na verdade é possível que não existam estrelas verdes de fato. E o contraste entre as componentes preguem uma peça no ingênuo cérebro humano. Mas eu mesmo já vi outras estrelas verdes. 
No ló creo en Brujas. Mas que las hay las hay...
Decidido a testar o seeing e o meu velho telescópio continuo navegando nas águas do Triangulo de Inverno (Asterismo formado pelas estrelas Altair, Vega e Deneb) e me dirijo para Vega.
A partir da brilhante estrela se percebe facilmente a dupla Épsilon Lyra No mesmo campo de buscadora. Já na ocular tente dividir suas componentes mais uma vez. È um bom teste tanto para o modesto telescópio como para a estabilidade da atmosfera. Com 90x divido um dos membros. Mas o outro se recusa. A “Dupla –Dupla “ na se rende tão facilmente . Meto uma Barlow 2x no conjunto da obra e acredito que em alguns momentos separo todos os componentes, depois já acho que não, e depois acho que sim de novo...
A estrela épsilon da harpa é sempre diversão garantida.
Agora chegou a vez de Sagitário. Ainda tocando de ouvido apresento M8 para meu amiguinho. O Aglomerado aberto é bem visível. A nebulosa requer um pouco de averted vision. Enquanto tento explicar a técnica começo aperceber mais e mais nebulosidade na estrutura.
Dali resolvo apresentar um globular mais impressionante e rapidamente estou em M22.
Este é um globular de outro naipe. Considero ele parte da trindade dos aglomerados. Junto com Omega centauro e Tuc 30.
O tão cantado M 13 fica no chinelo. Cheira-me a premio de consolação dos amigos boreais...
O próximo alvo se recusa a sair de ouvido. E então pego as partituras. Na verdade apenas ligo o computador e traço uma rota até ele com o auxilio do Stellarium.  M69 é uma musica mais difícil.
Primeiro centralize Kaus Australis (Épsilon Sag), na base do "bule"( é o asterismo que reúne a maior parte das estrelas de Sagitário ). Com ela no canto de cima da buscadora (sul) você vai perceber claramente duas estrelas de aproximadamente 5ª magnitude. São HIP 90763 (que possui um pequeno “nozinho” de estrelas ao sul) e HIP 91014. Centralize em HIP 90763 (a menos brilhante) e vá para a ocular do telescópio. Com a 25 mm eu encontro M 69 no mesmo campo. O brilho da estrela ofusca um pouco o pequeno globular, mas ele se apresenta claramente. Com a 10 mm fica ainda mais fácil. É um globular bem modesto na ocular. Mas a navegação até o mesmo é bem divertida. Depois de ler a partitura achamos melhor encerrar e aguardar pelo próximo dia para combater de novo. Espero sinceramente que meus camaradas se encantem com a musica de novo e que resolvam ver meu querido Jards Macalé que se apresentará na mesma praça...   
Na noite seguinte a observação praticamente se resume a Lua. Jards Macalé conta com menos fãs do que eu supunha...
Sem Barlow


Com Barlow 2x

Fico feliz em descobrir que o 70 mm se revela um bom fotografo. Ainda que sem tempo para motorizar a montagem e muito menos realizar algo parecido com alinhamento polar faço algumas fotos de Selene. Com e sem barlow. Nas fotos originais se percebem mais detalhes ( evidentemente ...) na foto  em que utilizei a  barlow . Mas o compressão do Blogger parece que nivelou as coisas. Vai entender...  De qualquer forma o Mare Crisium domina a cena flanqueado por Cleomedes , Burk hardt e Geminus ( acima do  Mare  na foto...) . Abaixo se sobressai Langrenus . Todas belas crateras ao alcance de pequenos telescópios.
Ainda que pressionado para iniciar os trabalhos junto à churrasqueira consigo fazer um sketch    apressado de Ngc 5617 . Trata-se de um discreto aglomerado aberto bem proximo a Alpha Centauro. Recomendo que retire Alpha do campo ocular .
ngc 5617
 Depois de  operar churrasqueira e beber algumas garrafas de vinho a vaca foi pro brejo (ou para a brasa) em definitivo e guardo o telescópio antes que algo pior aconteça.
Na verdade  nem guardo o telescópio que é encontrado ao sol   ao  amanhecer.
No domingo resolvo tocar com partitura. Diversos globulares do catalogo Messier que eu evitava  (ou eles a mim...)  ha anos demandavam uma aproximação  mais conservadora.
Com Partitura ( no caso somente o Stellarium e o Cartes du Ciel que habitam meu HD)  parto em busca destes fantasmas. Apesar do catalogo Messier ser (em tese...) possível com 70 mm nem tudo será   exatamente musica popular...

Ainda cedo consigo me reencontrar com M69. È um alvo “fácil”.
M 70 não tem nada muito brilhante perto para ajudar no star hop. Assim parto de M 69 em busca de HIP 91386 e depois de HIP 91713 A. Entre 7ª e 8ª mag não são exatamente faróis na buscadora. À noite ainda cedo e a luz das vizinhanças não colabora. Mas depois de algum tempo e com muita hiperventilação, visão periférica e reza forte percebo um fantasminha na ocular. No limite do pequeno refrator. Mas tava lá. Meu jovem assistente não consegue resolver, mas creio que lhe falta experiência para algo tão tênue. Para garantir  a paz do espirito toda a navegação e encontrei o fantasma novamente . E com isto confirmo ao avistamento.
M 54 é bem tênue, mas com Ascella bem próxima foi bem mais fácil de ser localizado. O pequeno refrator torna o desafio bem maior . Começo a sentir falta de uma abertura maior. O elemento ainda vai relativamente baixo no horizonte e creio que seja mais obvio em melhor posição.
Nunca fui muito amigo da região do  Serpentario celestial. Na verdade três constelações que me parecem ser só uma. Ofiuco ( o encantador) , Serpente ( a cauda) e Serpente ( a cabeça). 
 Sua posição sempre muito alta é bem incomoda .  Mas  com pouca atmosfera no meu caminho alvos tênues se mostram promissores. 
 Por fim uma outra possível razão para a antipatia é que sempre que falo Ofiuco tem alguêm que faz associações improprias e joguetes de palavra de gosto duvidoso. 
Após estudar a partitura eu parto ( aaaaiii!!!) em busca de M9.
O primeiro movimento consiste em identificar Sabik ( Eta Ofiuco).
Não conheço muito bem a constelação e como tenho que dividir meu computador com minha amada esposa faço visitas de tempos em tempos até a sala da casa para confirmar a navegação.
 Depois de me enrolar um pouco misturando Eta com Fi acabo por me entender em grego e começo a procurar o globular. Este se encontra a aproximadamente 3º 25´´ a leste de Sabik. Usando a buscadora sequer desconfio de sua posição.
 Por um método de aproximação eu começo a ficar frustrado .
Não sou muito de utilizar coordenadas para localizar DSO´s. Mas desta vez uso de um truque bem útil. Com o auxilio do Stellarium estabeleço que partindo de Sabik e olhando para o horizonte oeste eu devo deslocar o telescópio 3º para o sul e 2º para leste . Estes serão movimentos no eixo de RA e declinação. Utilizando a buscadora  ( que tem um campo de 5º )eu calculo o salto e ao olhar na ocular eu não vejo nada . Mas utilizando os ajustes finos e com uma rápida escaneada o pequeno globular dá enfim o ar de sua graça.
É bem modesto.
Devido a sua posição bem alta no horizonte ele se apresentou mais claramente que M54 e M70.
M70 é o mais apagado deles brilhando com magnitude de 8.1. E sem duvida foi o mais assombrado da noite.
Na verdade , acostumado que sou de visitar os aglomerados ‘grandes” , preciso me lembrar que globulares se  ( muitas vezes) apresentam como estrelas que nunca dão foco. Especialmente em pequenos telescópios . Isto faz deles alvos bastante elusivos . Especialmente em campos muito ricos. Não é o caso de M 9. Há Poucas estrelas no campo e são muito tênues . Mesmo com a ocular de 25 mm .Ele se apresenta com um pouco mais de dignidade com a 17 mm.
Uma história para os calouros: M 9 é uma descoberta original de Messier e e´um dos aglomerados globulares mais próximo do centro galático.
Como brinde , enquanto batia cabeça atrás de M9, dei de frente com M23. É um pequeno aglomerado aberto bastante delicado. Ocupado que estava caçando o globular só o observei com a 25 mm.
 Mas ele bem que merecia um pouco mais de atenção e magnificação.
Depois de um bom tempo sem observar fico contente com o revival de meu refrator. Apesar da evidente limitação o set up é bastante útil e extremamente pratico. Consigo montar tudo em poucos minutos e a leveza do conjunto torna a vida junto a ocular muito mais fácil. A coluna lombar  agradece. 
Apesar da casa cheia  foi um fim de semana bastante proveitoso. 
E três  Messier novos são sempre motivo de alegria. 
Agora só faltam os difíceis e assim sendo cada um é um a menos para se completar o clássico catalogo.
Como considerações finais gostaria de lembrar ( talvez para eu não esquecer...) que um telescópio pequeno não tem o mesmo poder de fogo que um maior. É berrante a diferença do que que se vê e do nível de detalhamento obtido. Mas por outro lado você ganha em conforto e o desafio se torna maior. Para quem gosta da caçada ele são muito legais. E sua maleabilidade permite observações de DSO´s  junto a zênite e também ao meridiano que com um telescópio maior seriam muito difíceis e até mesmo impossíveis.
Espero agora a oportunidade de testar o velho Galileo em astrofotografia de uma forma mais comprometida.