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sábado, 8 de agosto de 2015

Ngc 6633- Tweedledee e os Aglomerados que Existem

            

               Certos DSO´s são pouco ou nunca observados. Em uma leitura errada e bastante vendida  da física quântica alguns gurus  podem interpretar que  algo que não observamos  não existe.  Claro que só o que nós podemos observar existe. Desta forma eu esporadicamente vou atrás de objetos que não são muito observados. Na maior parte das vezes estes DSO´s não participam do roteiro de viagens por serem destinos desinteressantes. Tipo ir até Itaboraí. Mas esporadicamente eles não existem de fato ou são identificados como algo que não são. Nas diversas revisões descobrimos que varias entradas do Catalogo feito por Dreyer e de nome completo New General Catalog ( Ngc) não existem de fato e outras são asterismos e não DSO´s "puro sangue".  Estes , em geral, não são para ser observados. Não sendo observados não existem. O problema entre isto e a verdade é que se eu o você ou o Deepak Chopra  não observarmos algo não tem a menor importância para a elas... As partículas se observam.  E assim as estrelas também nos  observam. Quando você olha para o abismo ele também olha para você.
                 E emocionado com a nova cabeça equatorial digito um numero ao acaso no controle do Synscan. Ngc 6833.
                Eu acredito que um dos baratos da astronomia observacional é que você pode tentar ver tudo que existe. Depois fazer um registro fotográfico daquilo.   
                Antes ou depois  disto ( geralmente depois) gosto de conhecer o que estou observando. Pelo menos nome, telefone e signo.

                Ngc 6833 ao contrario do que poderia supor não era um destino qualquer. Apesar do adiantado da hora e de um alinhamento polar já desalinhado fiz  umas poucas fotos e registrei a existência do mesmo. É  um aglomerado aberto bem espaçoso e achei que seria melhor observado com meu binoculo 15X70.
                Mas quando pedi o telefone a coisa melhorou. O aglomerado foi descoberto por Cheseaux ( o mesmo descobridor de M17) entre 1745-46. É  a terceira entrada em seu catalogo. Ch.3. Cheseaux criou um catalogo com 20 entradas onde 8 se confirmaram como DSO´s nunca antes observados.  Ele o descreveu de forma bastante simples: " Próxima a Cauda da Serpente existe um pequeno aglomerado de estrelas que se destaca do resto em direção ao oeste."
                Posteriormente foi redescoberto por uma muito querida convidada aqui no Nuncius Australis.Mme. Herschel. Ou melhor Caroline Herschel.  Seu irmão William inclui a descoberta em seu General Catalog ( avô do NGC) como H VII 72.  " Aproximadamente no meio do caminho entre S Serpentarii e Theta Serpentis ,um aglomerado de grandes estrelas. Eu contei cerca de 80". Caroline utilizava um telescópio que apresentava um aumento de 24 X e um campo de um pouco mais de 2o que se revela perfeito para descobrir grandes aglomerados abertos. Foi-lhe dado por seu irmão William para que ela escaneasse o céu em busca de  cometas.
                 Localizado em Ophiucus o grande aglomerado aberto se espalha por  30´ de céu. Sabendo-se que sua distancia de nós é pouco mais de 1000 anos luz  implica  que este se espalha por aproximadamente 8,5 anos luz .   Existem já algumas gigantes vermelhas entre suas estrelas componentes o que faz deste um aglomerado galáctico de idade mais avançada.  660 milhões de anos.   O Aglomerado é bastante estudado e  quase contemporâneo da Híades  e do Presépio ( M44).
                Ngc 6633 se apresenta bem próximo ( 3 o) um outro aglomerado grande e que também se apresenta como um bom alvo binocular. IC 4756. Por esta razão O´Meara em seu "Deep Sky Companions: Hidden Treasures" os apresenta como os aglomerados "Tweedledee" e  "Tweedledum". Personagens de Lewis Caroll em seu  "Através do Espelho e o que Alice Encontrou Lá" e que se tornaram um exemplo clássico de duas coisas semelhantes. Também observei 4756 e posso garantir que este existe. Mas fiquei devendo um encontro mais intimo...   Curiosamente este grande aglomerado ( talvez por seu tamanho) escapou de Cheseaux, de toda família Herschel, Lacaille , Dunlop e todos os observadores pioneiros para ser descoberto apenas através de uma placa fotográfica realizada na Estação de Harvard em Arequipa. Seu identificador foi Solon Bailey.
                6633 é também um DSO que é melhor observado com telescópios de campos grandes ou binóculos.  Por isto talvez tenha  escapado de ser uma jóia mais visitada.
                Observei Ngc 6633 já cansado e em noite de lua cheia. Mesmo com uma magnitude  de 4,6 as descrições apaixonadas de O´Meara  e de Walter Houston me pareceram um pouco exageradas. Mas Ngc 6633 definitivamente existe e é um aglomerado que vale  ser visitado.



                Localiza-lo é bem facil . Localize  Rasalhague ( Alpha Ophiucus) e seguindo rumo ao leste  e localize 71 e 72 Ophiucus. Sendo a distância destas até Rasalhague um passo dê mais um passo na mesma direção e chegue até 6633.  A navegação será fácil pela buscadora.
                Novamente O´Meara nos conta que ele e um amigo conseguiram perceber "Tweedledee" e Tweddledum" a olho nu e chegaram quase  a perceber estrelas individuais  sob  o céu muito escuro do cume do Mauna Kea ( mais de 4000 m de altitude....).
                Com a Lua cheia não percebi nem mesmo algum gradiente de luz na região. O aglomerado se manifestava apenas na buscadora. Junto a ocular achei o aglomerado  disperso e provavelmente devido a forte lua bem descolorido. Entre seus membros percebem-se diversos mini asterismos mas não percebo nenhuma padrão marcante ou semelhança curiosa...   Realizei apenas umas poucas fotos de Ngc 6633 quando percebi que o acompanhamento não estava bom.
                Apesar de seu tamanho GG incluo ele na mesma categoria que coloquei  Ngc 5269. "Aglomerados que existem".   


                

terça-feira, 3 de março de 2015

Ngc 2232 e os 400 de Herschel

         

             William Herschel provavelmente é o maior observador visual de todos os tempos. Ele é sempre lembrado pela descoberta de Urano.
                Nascido Friedrich Wilhelm (William) Herschel  em 15 de novembro de 1738 em Hanover em uma Alemanha ainda não unificada. Para manter a veracidade histórica Hanover era parte do Sacro Império Romano Germanico e este era capitaneado pelos Von Habsburg.
                Em 1754 o jovem Herschel se muda para Inglaterra e acaba estabelecendo-se em Bath. Nestes tempos sua grande paixão era a musica e ele acaba por obter uma confortável vida como organista e professor de musica.  Em 1772 ele acaba por levar sua amada irmã Caroline para morar com ele. Era um momento de transição na vida de William. Sua paixão migrava da musica para a astronomia e a fabricação de telescópios.  Nove anos depois da chegada dela,  especificamente na noite   13 de março de 1781 ( uma terça feira valesse nosso calendário...) , Herschel observou o que viria a ser Urano. Ele reporta sua descoberta em  26 de Abril   e acredita que trata-se de um  cometa. Cálculos posteriores demonstram tratar-se de um novo planeta. Herschel o batiza em homenagem a seu soberano ( agora o rei Inglês)  com Georgium Sidus.  O nome não colou e posteriormente seu nome é "atualizado" e  honra o Deus Grego do Céu .  Pai de Cronos (Saturno) e avô de Zeus ( Júpiter).
                Depois disto William e declarado astrônomo ( e astrólogo) real e tanto ele como sua irmã ganham uma saudável "ajuda de custo" para continuarem a explorar o firmamento.
                Herschel ( e Caroline) após 20 anos de observações deixam nada menos que 2580 novas "nébulas" e aglomerados . Este trabalho acabou sendo registrado nos "Catalogue of One  new Nebula and Clusters of Stars" (publicado em 27 de abril de 1786) , " Catalogue of a Second Thousand              of New Nebula and Stars Clusters of Stars" e  no final "Catalogue of 500 new Nebula , Nebulous Stars, Planetary Nebulae and Clusters of Stars". Publicados respectivamente em 11 de junho de 1789 e em 1 de julho de 1802.
                A fim  de organizar a variedade de objetos que ele observou Herschel criou um sistema de classificação assim como Lacaille o fez anos antes dele. Em seu sistema criado por  Herschel        consistia na Letra H ( para Herschel) , um numeral romano para classificar a classe de cada objeto; onde: 
I- Nébula brilhante
II-Nébula tênue
III- Nébula muito tênue
IV- Nebulosa Planetária (Estrelas desfocadas, com aparência leitosa, com pequenos raios , com formas memoráveis e etc...)
V- Nébulas muito grandes
VI-Aglomerados muito concentrados de estrelas grande e/ou pequenas)
VII- Aglomerados de estrelas esparsos.
                E um Numeral romano que consiste apenas na ordem que o objeto de uma determinada ordem foi observado. assim H VII 11 é o 11o objeto da classe VII a ser observado.  Simples e empírico...
                De suas mais de 2500 entradas o catalogo Herschel apresenta uma vasta coleção de galaxias e nebulosas planetárias que são muito tênues e sem graça para o astrônomo amador médio. E dista nasce uma lista conhecida como Herschel 400. é uma especie de projeto observacional que pretende levar o amador a conhecer os 400 mais belos objetos das descobertas feitas por Herschel.  Conta-nos a história que os membros do Ancient CityAstronomy Club de St. Augustine na Flórida foram os responsáveis por esta lista. Nesta eles incluem 400 objetos descobertos por Herschel que seriam um desafio para amadores com telescópio de 150 ou mais mm de abertura.
                A contrario do que se pode imaginar por esta proposta muito dos objetos incluídos entre os "400 de Herschel" são alvos fáceis para observadores com modestos telescópios e mesmo com binóculos.
                Este é o caso de nosso convidado. Ngc 2232 ( H VII- 25 ) é um aglomerado aberto em Monoceros que é facilmente percebido até mesmo com modestas buscadoras de 7X30.
                Habitando a discreta constelação do Unicórnio ele acaba passando desapercebido na Via Láctea sendo sua base eclipsada pelas famosas constelações de Órion e Cão Maior.E também pelas mais famosas vizinhas na mesma constelação que carrega a nebulosa da roseta como grande estrela.
              a mag.) . Com este obvio na ocular de 25 mm não pude deixar de realizar umas poucas fotos para posteriormente pesquisar do que se tratava o obvio e esparso aglomerado que havia " descoberto". 
  Acabei por fotografar Ngc 2232 meio que por acaso. Passeando pela região em busca do mais famoso ( e menos brilhante)  Ngc 2244  , o aglomerado aberto associado a nebulosa da Roseta ( Ngc 2237)    acabei por perceber o esparso "ajuntamento" de estrelas brilhante concentrado ao redor de  10 Monoceros ( 5
                As fotos que você vê aqui revelam duas coisas sobre ótica.Uma é que telescópios newtonianos sofrem de um problema "genético" conhecido como "coma". As estrelas podem vir a se parecer com pequenas virgulas. A outra é que meu telescópio esta descolimado e que este desalinho do sistema  óptico aumenta a coma barbaramente...

                Acabei por descobrir que o aglomerado de virgulas que registrei tratava-se de 2232 . E depois descubro que assim como muitos aglomerados brilhantes e fáceis de serem observados ele faz parte da supostamente temível lista do "400 de Herschel".
                Localizar Ngc 2232 é bastante facil.  Trata-se de um brilhante embora pouco condensado aglomerado com aproximadamente 20 estrelas no entorno de 10 Mon. Percebo seus membros mais brilhantes ( 5 estrelas) facilmente com meu 10X50 mesmo no Rio de Janeiro . Em Búzios consigo perceber mais algumas estrelas a beira da resolução.



                Entre Betelgeuse  em Órion e Sirius na Cão Maior existem apenas duas estrelas mais brilhantes facilmente visíveis a olho nu . São Alfa e Beta Monoceros. Identifique Beta Mon e confirme a observando com cerca de 100X de aumento . É um interessante sistema triplo.  Depois pela buscadora localize 10 Mon. Será evidente pela buscadora a assim como os membros mais brilhantes do aglomerado.  Com  50X você vai perceber o aglomerado se destacando  do fundo galáctico. Mais magnificação e em telescópios maiores vão revelar mais estrelas em campo e tornar o aglomerado menos obvio.  2232 é o oposto do que se imaginaria em uma lista observacional teoricamente desafiadora...
                O aglomerado é relativamente bem estudado e é um caso daqueles DSO´s que rejuvenesceram. Papers mais antigos chegam a atribuir-lhe 100 milhões de anos de idade. Os dados mais recentes atribuem apenas  30 milhões de anos ao aglomerado. Há diversos estudos e observações confirmam  que Ngc 2232 apresenta poucos indicios de discos planetários que muita vezes se supõem  comuns em estrelas jovens . Seu estudo demonstra que os processos envolvidos na formação de sistemas planetários não são realmente ainda muito bem entendidos.  Localiza-se a aproximadamente 1200 anos luz da terra.  Ele localiza=se a cerca de 300 anos luz da grande nebulosa de Órion  e ha indícios que ambos podem ter se originado da mesma grande nuvem de gás e poeira de onde surgiu M42.

                Visitar Ngc 2232 e um interessante programa e ainda um bom começo no ambicioso projeto que é observar o "400 de Herschel". 

domingo, 5 de janeiro de 2014

Ngc 3372 : A Grande Nebulosa de Eta Carina

           
           

             
       A Nebulosa de Eta Carina é um DSO de muitos DSO´S. Há anos eu fujo de apresentá-la. Ela é  a Grande Dama dos céus austrais. E assim sendo deve ser tratada com o devido respeito.



            A Nebulosa foi um dos primeiros objetos que observei. Ela é facilmente localizada de nossas latitudes. A Via Láctea passa entre Órion e Gêmeos. Ruma para o Sul passando por Sirius e segue para Canopus. As duas estrelas mais brilhantes do firmamento. Depois segue direto para o Cruzeiro do Sul. Neste trecho ela vai passar pelo asterismo do Falso Cruzeiro. Suas estrelas são um pouco mais afastadas e mais fracas que as do Cruzeiro original. Procure por um "Nó de Luz" encravado na Via Láctea entre o Falsa Cruz e o Cruzeiro do Sul. Em céus escuros ela é evidente a olho nu. Mesmo em céus menos generosos pode-se perceber uma diferença no gradiente de luminosidade do céu na região. Em sua buscadora ela se apresenta-rá como uma região enevoada.
            Use uma ocular de grande campo. 25 ,30 ou mais mm. A nebulosa vai preencher o campo. Você vai perceber um bem estruturado conjunto de áreas brilhante permeada por linhas mais escuras e diversos aglomerados e outras estruturas. Na sua parte central vai perceber uma pequena área alaranjada . É o Homunculus onde se escondem Eta Carina e suas companheiras. Linhas escuras vão constituir o que passou a ser chamada de Nebulosa da Fechadura ( Keyhole Nebula). Vários aglomerados estarão por lá também.
            Com as férias de fim de ano  fiz uma foto que pela primeira vez achei a altura da tarefa de introduzir a dama a sociedade. As experiências anteriores não eram dignas nem de tablóide inglês. E assim vou arriscar  realizar o debut da moça no Nuncius Australis.
            A nebulosa possui vários nomes : A Grande Nebulosa de Carina, A Nebulosa de Eta Carina, Ngc 3372 ou simplesmente a Grande Nébula. É uma imensa e brilhante nebulosa que possui dentro de suas fronteiras diversos aglomerados abertos e estrelas de grande interesse. É uma das maiores nebulosas difusas dos céus. Ela é quatro vezes maior e mais brilhante que a mais famosa Nebulosa de Órion. Logicamente que devido a sua localização austral é menos conhecida. Ela é um segredo do céus do sul. Provavelmente a maior jóia da Coroa Australis. 
A Grande Nebulosa de Eta Carina e adjacências-. 30 X 1 min 1600 ISO-Canon T3 -Lente Canon EF 70-300 mm @ 75 mm Esta foto é um "post scriptum.". Foi realizada anos após o post. empilhada no DSS e esticada no PI e PS. 

            Como não podia deixar de ser foi uma descoberta do nosso sócio. O Abbe Lacaille. Os primeiros registros de sua natureza nebulosa foram feitas em sua expedição ao Cabo da Boa Esperança entre 1751-52. Sua inclusão em seu catalogo foi realizada , precisamente, em 25 de janeiro de 1752. É a entrada Lac III.6 A categoria III do Catalogo Lacaille reúne o que o Abbe considerou "Estrelas Nebulosas"; E como o que ele observou foi anterior ao evento de 1843 é bem provável que a região tivesse um aspecto bem diferente.  
            Para introduzir este rico DSO creio que a melhor forma seria apresentar a dona da casa. Eta Carina.
            Eta Carina é uma estrela com uma história riquíssima e de grande interesse cosmológico . Como boa diva tem um comportamento bastante "explosivo". Sabe-se hoje que é um sistema estelar localizado entre 7.500 e 8000 anos luz de nós. Encontrei diversas distancias descritas na literatura. Uma curiosidade: em livros mais antigos chega a ser dito que a distancia do complexo poderia ser algo entre 2000 e 10.000 anos luz devido a sua posição na Via Láctea e qual seria a quantidade de poeira a ser corrigida para determinar-se a distancia. Sua estrela primaria é uma Luminosa Variável Azul ( LBV na sigla em inglês)  que possuía inicialmente algo como uma massa de 150 sóis das quais já perdeu, pelo menos, 30. Isto faz dela uma das maiores estrelas conhecidas no universo.  O sistema possui ainda uma quente super gigante com aproximadamente 30 vezes a massa solar orbitando a primaria.Infelizmente uma enorme e densa nebulosa vermelha envolve esta impedindo de se ver a secundaria. O sistema Eta Carina esta encapsulado na chamada Nebulosa do Homunculus.  Estrelas da classe de Eta Carina são muito raras. Umas poucas duzias por galaxia do tamanho da Via Láctea. Elas se aproximam , e potencialmente excedem, o Limite de Eddigton  Um lugar onde a pressão da radiação é praticamente suficiente para gerar um contra ponto para a gravidade que mantem toda radiação e gás estruturados em forma de estrela. Estrelas com mais de 120 massas solares excedem Eddigton. Provavelmente isto tem algo relacionado com o evento que causa a grande importância astrofísica de nossa amiga. A grande erupção ou o "Evento impostor de Supernova de 1843".
            Quando Eta Car foi catalogada pela primeira vez em 1667 por Edmond Halley (o do cometa)  ela era uma estrela de 4a magnitude. Em 1730 diversos observadores já haviam percebido um aumento considerável de seu brilho. Quando Lacaille esteve pela região ele deu a designação Bayer de Eta para a estrela. No momento com  2a magnitude . Posteriormente a estrela enfraqueceu de brilho e por volta de 1782 ela havia retornado a seu brilho original. Em 1827 seu brilho havia crescido mais de dez vezes e atingiu seu apíce em abril de 1843 quando atingiu a magnitude de -0.8. Se tornou a segunda estrela mais brilhante do céu. É importante lembrar que Sirius (a mais brilhante) esta a 8.6 anos luz da terra. E Eta Carina habita a 7.500 anos luz. Comparações utilizando velas, faróis e afins são desnecessárias... Falar que esta é uma candidata a supernova em futuro próximo é também redundante. E próximo, em astronomia, compreende um período que vai desde amanhã até alguns milhões de anos...



            O Homunculus é uma formação nova. Este foi formado durante e logo após a grande erupção de 1843 . Trata-se de uma nebulosa de reflexão que faz parte do conjunto que responde por Ngc3372.  Facilmente identificado na nossa foto ele não chega a apresentar claramente a  forma que lhe empresta o nome. Mas também demonstra que não é necessária tanta magnificação ou telescópios tão grandes quanto já imaginei para observa-lo.
            Como já falei ,mas não custa repetir, é outra parte do conjunto Ngc 3372 a conhecida Nebulosa da Fechadura. O Nome foi dado por John Herschel ( o filho) durante o séc. XIX. É uma nuvem poeira escura com filamentos de gás mais quentes  que aparece silhuetada contra a mais brilhante nebulosa ao fundo. A formação possui um Ngc só dela. 3224.
            Ngc 3372 é uma das mais dinâmicas regiões de formação estelar . A região há meros 2.3 kpc é a mais próxima região de formação estelar com uma população de estrelas muito maciças (com pelo menos 70 estrelas do tipo O e  4 estrelas Wolf-Rayet) Entre estas estas estão diversas das estrelas mais maciças e luminosas da galaxia ( com M>~100 massas solares). Entre elas a já citada LBV Eta Carina , HD93129Aa e diversas estrelas O3 da sequência principal.  Diversas destas estrelas residem em frouxo aglomerados próximos ao centro do complexo.
            Entre estes aglomerados podemos destacar Tr 14,15 e 16. todos eles muito jovens com idades variando de 1 a 8 milhões de anos apenas.  Tr é sigla que  identifica os aglomerados do catalogo Trumpler. O mesmo Trumpler que criou a classificação Trumpler para descrição de aglomerados galácticos. Falei nele no nosso ultimo post. A forte radiação com o feed back de estrelas tão maciças  já dispersou muita da original nuvem de gás. Levantamentos recentes indicam a formação de uma nova geração estelar nas densa nuvem remanescente , em especial na região conhecida como "Pilares do Sul ". (Southern Pillars)

            As vezes é difícil dizer quem é quem na minha modesta fotografia, realizada com meios bastante amadores, mas fiz um esforço para identificar todos os abertos que vou apresentar neste post.
            Tr 14 é facilmente percebido a direita e acima da região mais densa da Nebulosa.Possui cerca de 290 estrelas e sendo bem jovem  ainda tem muito membros em estágios pré sequência principal. O Tal equilíbrio hidro estático é algo difícil de ser atingido por estas plagas. Seja por causa de Edidgton ou por causa de Hayashi.  
            Tr 16 é visto do mesmo lado da nebulosa mas mais abaixo  de nosso quadro e pode ser considerado um parente muito próximo de nosso aglomerado anterior. São os dois mais populosos aglomerados da região de Ngc 3372 e são a maior aproximação que temos das coisas que acontecem em 30 Douradus na Grande Nuvem de Magalhães. Não poderia deixar de perceber  e chamar atenção para as relações entre a região e a muto mias distante Nebulosa da Tarantula. Ambos os aglomerados ajudaram a determinar a extinção na região e encurtar uma discussão que já durava muito tempo. A quem interessar possa este é um paper bastante completo sobre os rapazes. http://iopscience.iop.org/0004-637X/549/1/578/pdf/0004-637X_549_1_578.pdf
            Tr 15 é também parente próximo e sofre das mesmas questões . Mas diversos papers consultados indicam que os aglomerados aqui indicados surgem a mesma distancia e tem idades semelhantes sendo associados a fenômenos relacionados a dinâmica da região de Ngc 3372.  Mais em Tr 15 em: http://mnras.oxfordjournals.org/content/331/3/785.full.pdf+html
            Cr232 é um aglomerado aberto bem próximo ao  Homunculus e em posição bem central no complexo. É evidente na foto e me permitiu ver que as vezes o que parece uma estrela com rastro devido a um mal acompanhamento polar na captura das imagens é na verdade um difícil aglomerado aberto. Astronomia e óptica são a mesma matéria...
            Cr 234 é outro que indico na meu modesto levantamento ótico da Grande Nebulosa de Carina. Sua história parece ser semelhantes aos demais...
            Cr 228 já se encontra mais afastado da região central mas compõe o quadro. Tenho duvidas se o identifiquei corretamente  na minha foto. Mas não sou o único com duvidas a respeito de sua real localização. É provavelmente  composto de estrelas recém formadas do material da nebulosa. Segundo Ronald Stoyan a posição e descrição dadas por Lacaille em seu catalogo indicam que o "perdido" objeto Lac.III.5 seria o aglomerado e não uma parte de  Lac III.6 como se sustentou durante muito tempo. Lacaille define III.5 como "Duas pequenas estrelas cercadas de nebulosidade.". Difícil imaginar ele resolvendo duas estrelas aqui com uma luneta de 25 mm.


            Na imagem do Cartes do Ciel existem ainda mais aglomerados abertos espalhados pela região. Não os identifiquei na foto realizada por clareza e por não localiza-los claramente na imagem.
            E o o Catalogo Bochum é , no minimo, bastante obscuro...  Para dizerem que não falei de flores desccobri que trata-se de um catalogo publicado em 1975 e elaborado no Astronomical Intitute, Ruhr Univ. Bochum, Germany...

            Segundo um dos meus livros mais queridos " Turn Left at Orion" a melhor época para se observar a região de Ngc 3372 é em abril. Queimei a largada e não me arrependo. Gosto de observar em horários mais tardios e assim conseguir céus um pouco mais escuros em meus tão claros céus urbanos... A Grande Nebulosa de Eta Carina já é uma mocinha bem crescida e passa a noite quase toda fora.

domingo, 21 de julho de 2013

Halton Arp, Amazônia e o Céu e a Terra

         

        Depois de muito tempo sem ver um céu verdadeiramente escuro surgiu uma colocação em um documentário que iria me levar para muito além do esperado. Eu, que sonhava com um fim de semana no céu suburbano da Armação dos Buzios fazia muito tempo, fui parar na Amazônia.
            Desta vez em uma pequena aldeia a cerca de cem km de Manaus em um afluente do baixo Rio Negro. No extremo leste do Arquipélago das Anavilhanas.


            A lua ainda bem modesta com apenas 20 % do seu disco iluminado e deixando os céus antes da meia noite.
            Já no dia da chegada percebi o que me aguardava. Enquanto terminávamos os preparativos para nossa saída, no Cais do Hotel Tropical, comecei a namorar o céu. Como sempre ,quando a serviço, meu companheiro seria o “Pau de Dar em Doido”. Meu Celestron Skymaster 15x70 mm.
            Assim que nos afastamos um pouco da cidade o céu se apresentou em grande estilo. A via láctea dominando o Céu. 
            Como uma introdução eu resolvi passear por campos bem conhecidos e fazer logo um belo “bodycount” para começar os trabalhos.
            Só para ser um pouco diferente iniciei com M83. A primeira galáxia de um longo plano. Mas isto eu vou contar depois... A primeira galáxia descoberta fora do grupo local. Pelo Abbe Lacaille. Fácil...
            Com Escorpião e Sagitário já raiados eu parto para um “Tour Messier” de dar inveja.
Em pouco menos de 30 minutos, deitado no teto do “Victoria Amazônica”, eu tinha colocado na bagagem nada menos que M4, M80, M7, M6, M22, M28, M21, M20, M23, M17, M18, M16, M25, M26 e M11. Sem contar um numero próximo de NGC´s mais discretos que residem sobre a Via láctea.  Adoro observar de Binóculo...  Isto para não falar nas bobagens que vejo sempre no meu Rio de Janeiro no entorno do Cruzeiro, Centauro e Cia. Ltda. Que aqui são todos óbvios objetos mesmo a olho nu. Foi curioso ver Eta Carina passeando tão baixa pelo horizonte.
            Mas agora me preparo para os convidados menos chegados. Estando a apenas 3º do Equador todo um horizonte norte que raramente vejo esta ao meu dispor.
            Começo a olho nu. O grande Rift se apresenta obvio agora que já estamos rio acima e as luzes de Manaus não mais perturbam. Fico olhando fascinado para toda região de Cygnus e com o Triangulo de Inverno dominando o Horizonte norte resolvo partir para outras plagas que não me são tão conhecidas. 
            Meus planos para a viagem são bem diferentes. Como companheiro de viagem estou levando Halton Arp, seu “Catalogo de Galáxias Peculiares” e seu” O Universo Vermelho”.

            Arp tem ideias cosmológicas bastante originais (para se dizer o mínimo). Mas suas galáxias peculiares são algumas das mais belas paisagens que podem ser representadas por DSO´s. E apesar de sua maioria ir muito além das possibilidades de meu modesto aparelho diversas delas serão alvos viáveis em céus tão escuros e nesta latitude.
            Devido ao horário devo deixar para o dia seguinte meus objetivos primordiais. Mas ainda assim percebo que a temporada será boa e cheia de novidades. E encerrando o dia, com um barco em movimento e vibrando sobre seu imenso motor diesel ainda faço um belo tour pelo o “novo” horizonte que se apresenta.  Diversos Messier´s que nunca tinha visto com tanta dignidade se apresentam. M39 faz belo par com Ngc 7082. A região é tão rica que é difícil saber exatamente o que esta se vendo. Mas no meio deste lindo campo colhi Ngc7062, 7039 e 7082.  Do Index Catalog (uma continuação do Ngc...) se apresentou e não deve ser esquecida IC 5146 (A Nebulosa do Casulo). Isto somente entre os DSO´s mais óbvios próximos a Deneb (Alpha Cygnus). Diversos outros estavam lá mais se camuflam em meio à multidão. Subindo um pouco e ao redor de Sadr vejo M29 e Ngc 6910. Isto sem procurar... Todo região de Cygnus é encantadora e são dezenas (ou centenas) de DSO´s em campos estelares riquíssimos. Uma das vizinhanças mais povoadas da Galáxia que espero conhecer melhor...
            Para encerrar a noite e descansar depois de um longo dia visitei um belo aberto que é pouco lembrado, mas que merece respeito. Brilhando com 4ª mag. e se espalhando por mais de 40´ de grau IC4665 fica pertinho de Celbarai (Beta Ophiucus) e é um alvo excelente para binóculos.
            De volta a Halton Arp e suas galáxias peculiares eu tenho em mente procurar por dois membros que são peculiares e também membros do tradicional Catalogo Messier. E assim ao alcance de meus modestos meios.
            Arp é um físico impar. Como falei trouxe como companheiro de viagem seu “O Universo Vermelho”. Livro o qual achei em um garimpo na Livraria de Travessa e que me permitiu conhecer (e me divertir) com sua cosmologia diferente. Nada que tenha mudado meu modo de ver as coisas. Mas é divertido ver até onde vai a imaginação humana. Uma das passagens que achei mais significativa é uma conversa que ele tem com Arthur C. Clark. Nesta passagem ambos encontram-se na Índia e Arp chega ansioso em levar-lhe alguma novidade cientifica que fosse surpreender ao escritor de Sci-fi. E ele esqueceu que ciência não é ficção cientifica e que sua louca teoria já havia passado pela cabeça do mesmo. Só que este a manteve no terreno da ficção. E assim quando ele fala:
“Há raios cósmicos com energia extremamente alta, raios gamas e raios X vindos do centro do Superaglomerado Local”.
Ele simplesmente responde, como se não fosse nada demais:
-“Oh, sim, criação de matéria”...
            Arp apresenta em seu “O Universo Vermelho” e seu livro anterior” Quasars, Redshifts and Controversies” uma hipótese das mais doidas que poderia ser resumida da seguinte forma: A evidência empírica estabelece um padrão onde se pode estabelecer que galáxias grandes e velhas ativas ejetam material mais jovem que forma galáxias companheiras menores, que por sua vez ejetam material que dão origem a quasares e objetos BL Lac ainda mais jovens. Segundo Arp a hierarquia etária é evidente a partir das propriedades dos objetos nos grupos característicos em que aparecem as galáxias. Em uma geometria muito “Mandrake” ele vê em diversas de suas galáxias velhas um emparelhamento que ocorre lado a lado (às vezes paralelo, às vezes perpendicular, às vezes os dois e etc..) dos núcleos ativos, de suas conexões luminosas de volta até os centros ativos e da propensão geral para a ejeção de material emitindo radio, raios X e gás excitado.
            O samba do crioulo doido "Arpiano" continua com uma relação a respeito de uma correspondência um a um com a hierarquia etária, há uma hierarquia de desvio para o vermelho. Toda linha de evidência analisável mostra (segundo Arp, eu não tenho nada com isto...) que quanto mais jovem o objeto mais alto é seu desvio para o vermelho intrínseco. O que significa jovem para estrelas e galáxia é outra longa discussão em meu FEBEAPA (procurem por Stanislaw Ponte Preta no GOOGLE...) cosmológico. De uma forma curta e grossa ele renega Hubble e determina que o desvio para o vermelho não possui nenhuma relação com distancia. Ma sim com idades... Isto por sua vez tem alguma relação com o fato de que elétrons jovens não viram muito do universo e por isto tem menor massa. Ele utiliza Fred Hoyle para embasar este ponto de sua ideia...
            De qualquer forma o livro é divertido (já falei porque) e graças a ele eu tenho meus dois alvos para o inicio de minha segunda noite. São M106 e M51. Ambos os casos de desvios para o vermelho esquizoides e membros do grande Livro de Arp. A frisar “The Atlas of Peculiar Galaxies” (1966). Baixe-o aqui.
E claro ao alcance teórico do “Pau de Dar em Doido”.   São objetos Messier.
Após um longo dia visitando as locações onde filmaríamos o nosso hibrido de comercial com documentário volto para o “Vitória Amazônica” e fico aguardando anoitecer com mala e cuia para observar e fazer fotos de campo aberto. As observações hoje devem se limitar aos dois alvos determinados e tem hora para acontecer. E assim fico pelo convés superior vendo os espetáculos da natureza se sucederam sob um calor equatorial...
Anoitece. Estou pronto para ao ataque.
Com tudo combinado e nada pronto.
E assim a grande presença da noite foi M101... Como já é habito por aqui o que esta combinado não esta muito certo.
Formando figura geométrica (adivinhem qual...) com Mizar e Alkalid foi vitimada rapidamente.  Clara e obvia ela seria presente mesmo em minha buscadora 9x50 mm. A diferença entre o “Pau de dar em doido” e a buscadora é como um filtro ND 6 em um refletor. ND significa “Neutral Density”.
N6 são filtros ou gelatinas que irão comer luz de sua foto. N6 vai comer algo como um ponto de diafragma (maybe more...) de sua foto. E assim permitir maiores aberturas e menor profundidade de campo. N6 é jargão “local” para “Neutral density 6”. Que por sua vez é o primo- irmão do código Morse...
O processo aqui foi simples. Bortle 2. Se não conhece a Escala Bortle clique aqui.  
-Se percebia uma luz de fundo a Sueste, Manaus!
Mas nada que atrapalha-se. Na verdade fiquei impressionado como uma única fonte de luz (sendo única...) pode se fazer presente de tão longe.
M 101 se torna uma de minhas galáxias favoritas e o esfuminho dela é obvio e claro.  Conhecida como a Galaxia do Cata Vento ela é um exemplo clássico  de espiral.
M 101 (Hubble)
Quanto às galáxias de Arp que tinha em mente observar eu as observei. Nada de estrutura e nem fogos de artifício. Mas bastante fáceis e com nebulosidade evidente com visão periférica. M51 não eram duas galáxias em colisão. Mas um esfuminho onde com vontade, poderiam existir duas condensações mais brilhantes. Você sabendo poderia até mesmo imaginar dois núcleos galácticos. Mas só sabendo...
M 106 só se apresenta com visão periférica, mas não chega a ser difícil. Uma vez localizada é possível percebe-la com a visão direta, mas apenas como uma estrela de baixa magnitude. Utilizando-se novamente de sua visão periférica ela novamente se apresenta como uma condensação evidente e de bom tamanho. Quanto mais olho maior fica... Na região habitam mais galaxias e desconfio de sua presença sendo que com visão periférica consigo perceber pequenas mudanças do gradiente de luz  mas nada muito notável. O 15x70 funcionando no seu limite.
O céu neste pequeno poço amazônico é algo surreal. A noite vai seguindo e depois de diversos registros fotográficos percebi que M7 estava muito exibido.  Apareceu em diversos dos ângulos escolhidos. Um verdadeiro ator.
M 6 “shows off”. Assim com Ngc 6231...

Vivendo em um barco você não possui a base mais estável possível para realizar fotografias. E com o contra regras querendo pescar lulas na Amazônia e assim perturbando minha sessão fotográfica usando uma lanterna das mais potentes consegui resultados diferentes em pontos diferentes do céu. Se voltar aqui trarei “pads” antivibração, pois “Victoria’ apesar de ser um barcão e muito bem fundeado ainda é um “Alvo Móvel”“. Mas este nem é o problema maior. Este é a vibração de seu gerador sempre ligado. É um “filme de bacana” e assim o interior do veiculo esta sempre “climatizado”.
Na fronteira. Modo Sort R n´S

Conta um amigo que a invenção do Ar-condicionado e a do Gin tônica tornou possível habitação dos trópicos.
E que assim seja!
Desta forma depois de ter cumprido a “Missão Arp” e tirado umas fotos. Eu vou fazer o que este céu merece. Freestyle.
No conjunto Centauros- Scorpio e mais algumas constelações mais obscuras somadas a Via Láctea (Ok, norma, Ara e Cia Ltda...) eu contava, a olho nu, nove DSO´S óbvios. A Via Láctea se apresentava como uma nuvem densa.
De volta à janela favorita do Nuncius, vi coisas que um dia achei ter visto. O 15X70 se apresentava devorador.
Ngc 5662 eu acho que é novidade. . Depois uma coleção de Ngc´s na fronteira Centauro-Lupus.
Depois de ficar estupefato com NGC 6067, obvia a olho nu, resolvendo estrelas para meu binóculo eu ainda fico mais feliz em perceber uma vasta coleção de abertos entre Alpha Centauro e o aberto em questão.
“Subindo o rio Nilo” chego ao “Falso Cometa”. Ngc 6231, Trumpler desconhecido, Ngc 6242 e mais umas belezuras se apresentam de tal forma para o “Pau de Dar em Doido” que eu demorei a entender o que estava vendo. Uma das paisagens mais deslumbrante que já tive olhando o céu. Eu não sabia que o conjunto da obra era assim... O que é um céu escuro.
Eu percebia claramente dezenas de DSO´s óbvios a olho nu.
Ngc 6067, Ngc 6087 e 6031 forma uma nuvem entre as nuvens que compõem o que chamamos de Via láctea de uma densidade nunca observada por este que vos escreve. M7 e M6 são ridiculamente óbvios. O falso cometa é  o falso cometa de meus sonhos mais apocalípticos.  Mas tem mais. M8 evidente. Varias condensações menores bastante claras. Pelo “Pau de dar em doido e visão periférica parecia até o ‘Stellarium”... 
Dias após dia a lua se tornava maior.  E o trabalho também. No terceiro dia resolvi fazer mais algumas fotos. Morando em um barco a plataforma não chega a ser ideal. Mas mesmo assim o miolo da Galáxia sempre se apresenta. Novamente M7 a melindrosa mais metida de quase todas as fotos que realizei. Sem muito foco nem muita mira. Nas fotos abaixo é possível localizar diversos DSO´s . Eu mesmo chego a diferentes resultados cada vez que as inspeciono. Quantos DSO´s você localiza aqui?
Deep Sky Stacker- 9x 15 seg. Asa 3200. 

Todas as fotos astronômicas aqui apresentadas foram feitas  com uma zoom 18-55 mm e minha Canon T3.  Foram utilizados os seguinte programas para o processamento das imagens finais: Deep Sky Stacker, Rot n´ Stack, Photoshop e Noiseware  
Já com 60 % do disco lunar iluminado eu ainda localizo M9, M10 e M12. Todos globulares em Ophiucus. Não me recordo de ter jamais observado os dois últimos. E M9 somente de Paraty . Também com o 15X70...
Apesar de meus planos anteriores (que seriam uma coleção do Catalogo Arp de Galáxias Peculiares) eu acabo me esbaldando nos braços do rio galáctico. Nas proximidades das Anavilhanas e com a galáxia dominando o meu céu era fatal que eu caminha-se de arquipélago em arquipélago pela Via láctea . E Assim, noite após noite. Eu visitei uma centena de aglomerados abertos, nebulosas e globulares. Minha viagem foi “fluvial”.
            De novo o “efeito Arp” atua. Em meus sonhos mais loucos começo a ver uma conexão entre nós e o universo (mas não consigo perceber nada como “criação de matéria”...).
A presença de Escorpião e Sagitário dominando o céu e me “obrigando” a olhar para o umbigo galáctico esculhambou meus planos (as evidencia empíricas de Arp...) e as coisa aconteceram de uma forma bem orgânica.Seu nome é  a Via láctea.
Esta quando se apresenta, em alto estilo, explica o termo “Umbilical”.
 Na companhia de Arp e vivendo nas margens do Rio Cueiras eu começo a viajar. Ocorrem-me expressões como “Geografia galáctica” e "Astronomia Terrena”.

A “Geografia galáctica” nos diz que habitam os braços galácticos nebulosas, que são berçários estelares, Aglomerados abertos, que são um conjunto de estrelas que residem no braço galáctico e que nasceram destas nebulosas antes citadas (às vezes coabitam...). Estes são organizações familiares.  
Diz-nos também que aglomerados Globulares habitam o halo galáctico (subúrbios...).
Quanto a “Astronomia terrestre”: existe o Rio (no caso o Negro e alguns afluentes) onde habitam grupos familiares basicamente compostos de carbono que são a menor organização da terra. (Formigueiros e Cia ltda. possuem muito mais indivíduos que os tais grupos familiares). Conheci dois aglomerados terrestres bastante interessantes. Um responde por Aldeia Kaunã e o outro por Aldeia Três Unidos. Como já estive no Alto Xingu eu diria que são dois aglomerados próximos. Mas como aglomerados abertos cada um não tem o mesmo caráter (já discuti o assunto aqui). Ainda sob o termo poderia falar do efeito que o céu tinha sobre os meus companheiro de trabalho. Acostumados ao céus urbanos a presença de tanta beleza os tornou grandes interessados em fenômenos que jamais habitaram seus interesses. E assim o pequeno laser verde apresentou muitas novidades aos meus companheiros.
Na verdade a viagem foi tanta que acabei realizando mais relações entre estrutura humanas na terra e estruturas galácticas. Uma espécie de viagem fractal.
Com o tempo a Lua foi crescendo, o trabalho aumentando e acabou a birita
E aprendi como a lua pode influenciar o céu. Comecei observando com Bortle 8 (veja a escala Bortle de Escuridão aqui). A Via láctea cortando o céu de cabo a rabo. Evidente desde o extremo sul. Por perto do Cruzeiro. Até Cygnus no lado norte. Depois de algum tempo ela só foi evidente próxima a Sagitário. Até finalmente ser muito discreta. Se via dezenas de DSO´s olho nu no inicio da jornada ao final mesmo M7 (uma “franga” que gosta de aparecer...) era uma senhora recatada.
"Cygnus Rising"

Já  Selene nos brinda com um belíssimo halo lunar. O maior que já vi.



Outra lembrança que devo a mim mesmo é Vênus  ao entardecer.

A Amazônia é enorme. Mas a galáxia é maior. Se podem ver os aglomerados humanos na beira do Baixo rio Negro muito mais de perto...
Convivendo com o Povo da Floresta eu aprendi que o objeto celeste que posso observar mais de perto é a Terra. E assim fujo um pouco do que chamas-se astrofotografia.  E se as astro fotos do céu mais escuro que visitei no ultimo ano ficaram a desejar as estruturas da tal “Astronomia Terrena” foram as estrelas da festa.
Como imagens falam mais que mil palavras eu encerro com algum dos Aglomerados Humanos que habitaram as margens do Rio Cueiras em julho de 2013. Afinal não posso excluir deste post o pequeno grupo móvel do qual fiz parte e que embora tenha tido breve existência habitou este rincão do universo...
Luz




Aglomerado

Lei

Iauaretê

Vitoria

Igapó

Luas

Saber

Pitúna

Amizade

Reflexo

aglomerado II

Japiim

fome

Katu Pitúna

Polarizador

Katuara

Alegria



Globalização



lkjmlkjm
Globular

Beleza

farinha

Aglomerado II

Desconhecido

Scorpio

Steady Cam...