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segunda-feira, 17 de novembro de 2014

As Crateras de Platão e a Cidade Lunar



            A astronomia é cheia de histórias curiosas e de personagens quixotescos. Grandes astrônomos nem sempre são lembrados por suas maiores descobertas mas sim pelos seus maiores erros. Um dos  "Dons Quixotes" deste post é Franz von Paula Gruithuisen.
            Este médico e astronômo nascido na Bravaria em 19 de junho de 1774  poderia ser lembrado por diversas e nobres razões. Foi o inventor de um equipamento que permitiu a remoção de pedras na vesícula  de forma muito mais segura  e foi o primeiro a sustentar que as crateras lunares seriam fruto do impacto de meteoritos com Selene. Durante suas observações ele percebeu que a grande Cratera Plato ( Platão...) possuía diversas mini crateras (craterlets) manchando seu escuro e liso fundo.
            Apesar de o Nuncius Australis ser um Blog mais devotado a observação do céu profundo a geometria do universo e as obras do metro somadas a um desafio realizado por Phill Harrigton em seu "Cosmic Challenge" acabaram por levar-nos a um passeio que inicialmente nos leva até Plato e depois até Wallwerk...
            Como já foi dito Gruithuisen foi o primeiro a perceber pequenas crateras no interior de Plato.

            Plato propriamente dita é uma proeminente cicatriz causada por um impacto cósmico ( como suposto corretamente pelo nosso primeiro Don Quixote do dia ) que possui 101 km de diâmetro e é facilmente percebida com o uso de binóculos com 10X de aumento ( até menos...) . Ao contrario da maioria das crateras de impacto Plato não apresenta um pico central e nem um relevo caótico em seu "chão". Isto deve-se ao fato de que pouco ( lembrem-se  que sempre falamos de períodos de  tempo geológico por aqui...) a piscina causada pelo impacto foi preenchida com lava. Assim percebemos o incomum fundo escuro que destaca-se contra o mais claro Mare Imbrium ao sul e o Mare Frigoris ao norte.
            Em 1824 Gruithuisen foi o primeiro a perceber pequenas crateras no fundo de Plato. O desafio de Harrigton consiste em perceber o maior numero destas. A descoberta do médico Bávaro chamou a atenção de diversos astrônomos e o número de pequena crateras aumentou muito.
            É aí que entra nosso segundo Don Quixote. O observador britânico A. Stanley Williams.
            Este senhor foi para Plato o que Percivel Lowell ( mais uma figura quixotesca)  foi para Marte. Embora Williams não tenha chegado a perceber sinais de vida inteligente nem canais cortando o fundo da cratera ele percebeu os chamados fenômenos lunares transitórios Ele periodicamente percebia crateras que iam e vinham , tempestades de areia e faixas que se deslocavam na cratera. Ele associou este fenômenos a atividade vulcânica na cratera. Hoje sabem-se que os fenômenos se devem a turbulenta atmosfera terrestre e que o vulcanismo na lua encerrou-se muito antes de o homem caminhar sobre a terra.

            De qualquer forma o numero de pequenas crateras subiu e o desafio proposto por Harrigton é que você observe 16 "craterlets". Na foto (Lunar orbiter) estão indicadas 25. (William chegou a 40!!!)  Eu só consegui perceber 6. E mesmo assim com muito esforço. Não sou um grande observador lunar e assim minha ocular de 5 mm é de péssima qualidade. O melhor resultado que obtido foi utilizando minha 10 mm com uma Barlow 2X.
            Mas apesar do fracasso em observar as "crateras de Platão" acabei por conhecer a formação que acabou tornando Gruithuisen famoso e motivo de chacota de seus pares.

            No primórdios da astronomia muitos cientistas de renome acreditaram ser a lua um local habitado ( seriam todos eles lunáticos?) . Nomes como Da Vinci e mesmo William Herschel  ( este achava que a maioria dos planetas o era...) acreditavam em uma civilização marciana. E assim nosso querido Gruithuisen , utilizando o mesmo telescópio que descobriu a primeira micro cratera em Plato, descobriu Wallwerk. Uma cidade murada próxima a Cratera Schröeter.
            Curiosamente Schröeter ( 1745-1816) foi um topografo lunar que assim como Williams percebia fenômenos transientes no nosso satélite. Mas este os atribuía a presença de uma atmosfera lunar. E assim via brumas e tempestades surrando os habitante de Wallwerk.
Desenhos de Gruithuisen

            A cidade de Gruithuisen é uma interessante formação para ser observada. Embora nada tenha de cidade. T .W. Webb descreve  região da seguinte forma: " ...uma curiosa espécie de paralelismo mas extremamente grosseiro que esta evidente ser de origem natural.Não é uma formação difícil ( de ser observada) "

            Com o uso de telescópios mais poderosos as observações de Gruithuisen realmente parceem contos da Carochinha. Mas é incrível notar que com o mesmo telescópio de 60 mm ele percebeu uma das crateras de Platão...

            Fui em busca de Wallwerk. Descobri que é necessário aguardar o momento certo e o  quarto crescente é o momento certo. Utilizei primeiro a 10 mm e depois esta com a barlow. O bom da lua é que ela suporta bem magnificação. na verdade ela é feita para os grandes aumentos...  
            O terreno na região é bastante interessante e rugoso. Mas admito que Gruithuisen era um cidadão bem imaginativo. Com muito esforço consigo imaginar algo como terraços incas ou Minas Tirith ( Cidade Murada do Senhor dos Anéis)  . Mas é mais um esforço de vontade do que vejo mesmo. Nada é o que parece ser que não é...

            Localizar Schoeder pode ser delicado. Apesar de grande ela não se sobressai na paisagem. Eu achei mais fácil localizar a "cidade" navegando a partir de Erastothenes. Utilizei o Virtual Moon Atlas para  ajudar ... 



Virtual Moon Atlas


            Visitar a lua é sempre uma grande diversão. Acho que mês que vem vou procurar por uma ponte que foi localizada por um outro Don Quixote. Ou seria um São Jorge?

P.S.- Gruithuisen também acreditava que Vênus apresentava floresta como a Amazônica. Porém esta crescia muito mais rapidamente devido a proximidade com o Sol...

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Saturno Dança com a Lua

            Saturno dança com a Lua no próximo dia 17.
            Durante o amanhecer do dia ele passará a menos de 20 minutos ( Rio de Janeiro) do Limbo Lunar.
            Será uma grande oportunidade para a astrofotografia.
             Uma rápida simulação feita com o Stellarium apresenta o evento . O período apresentado é entre 5:00 e 6:00 horas da manhã do dia 17 de Abril de 2014. 
            Na verdade não pesquisei se o evento já foi cantado em prosa e verso por aí.  Mas como o ócio ,as vezes, nos leva a descobertas interessantes e nos permite ficar brincando com nosso programa planetário favorito achei de bom tom avisar.

             Boa sorte e boas fotos..

sábado, 22 de junho de 2013

Supermoon e o Virtual Moon Atlas

              

               Com a “Supermoon” se aproximando e com minha atual guerra contra os refletores da Obra do Metro aqui em casa não é exatamente o momento para se caçar DSO (Deep Sky Objects ou Objetos de Céu Profundo).
            O termo “Supermoon” ou Super Lua não é um termo antigo. Apenas no final do século XX começou a ser utilizado. Tem uma origem herética e foi cunhado por Richard Nolle, um (arghhh...) astrólogo , ha pouco mais de 30 anos. Mas o termo se tornou popular e a definição de Nolle para uma "Supermoon” é abrangente como deve ser uma previsão astrológica:”. Uma lua nova ou cheia que ocorre com a Lua durante ou próxima (até 90%) de sua maior aproximação com a terra em uma dada orbita”.
            Por esta generosa definição acontece cem varias delas ao ano. Houve uma “Supermoon” na noite de 24 para 25 de Maio.
            Mas agora em Junho teremos a maior “Supermoon” do ano.
            Na verdade o fenômeno é conhecido desde a antiguidade e os astrônomos apenas a chamavam de Lua cheia no perigeu. Acontece que o perigeu não é um valor constante e assim na noite de 23 de Março de 2013 acontecerá a maior aproximação da Lua com a Terra. E assim ela estará a apenas 356.991 km da Terra. E desta forma o disco Lunar será o maior do ano.
            Veremos se será possível fotografar a super “Supermoon” de 2013. O tempo não tem ajudado neste inicio de inverno Senão der também não precisamos nos preocupar. Esta Supermoon especial em que ocorre em comunhão com o perigeu mais próximo do ano se repete como os ciclos lunares e desta forma você terá outra chance muito semelhante em um ano, um mês e dezoito dias. Teremos a Lua cheia acontecendo no “Proxigeo” (o Perigeu “mais” próximo. Não tenho certeza se o termo existe em português. Em inglês se usa Proxigee (...)) em Agosto 10, 2014; Setembro 28, 2015; Novembro 14, 2016, e Janeiro 2, 2018.  Não vai haver uma Lua cheia durante o Perigeu em 2017 porque estes não vão se realinhar até Janeiro 2, 2018. Na foto abaixo você pode perceber bem a diferença do tamanho do disco de uma "supermoon" ordinária e de uma “ Supermoon” super.

            Mas com esse papo de Supermoon passeando pela web e o tempo nublado eu acabei sendo abduzido pelo Uncle Rod e acabei conhecendo a Nova versão do Virtual Moon Atlas. Ainda que não seja a especialidade da casa eu gosto de tempos em tempos dar uma passeada pelos vales e crateras de nosso satélite. O Uncle Rod, em seu post semanal, fala de um Atlas Lunar clássico. O “Atlas of the Moon” de Antonin Rukl. (http://www.amazon.com/Astronomy-Atlas-Moon-Antonin-Rukl/dp/0913135178)
                Custando mais de US$ 200,00 eu não creio que um dia comprarei este clássico.
            Mas no mesmo Post o Uncle no da o Link par ao gratuito e mais tecnológico “Virtual Moon Atlas”. Eu tenho uma versão antiga do mesmo instalada no meu laptop. Resolvo visitar e ver se houve alguma modificação. Foi uma boa ideia

            O Novo “VMA” apresenta varias novidades e aperfeiçoamentos. Este freeware desenvolvido por Patrick Chevalley e Christian Legrand se aperfeiçoou. E sua apresentação se tornou muito mais bacana.
Foi lançada uma edição comemorativa pelos 10 anos do VMA e esta possui diversos novos recursos. Batizada de VMA “Pro” version 6.0 esta apresenta um novo painel de comando, um dispositivo chamado “weblun” que linka o programa aos principais sites da web, sombras mais dinâmica no “terminator”, duas novas texturas com alta resolução e quatro “texturas históricas”: Langrenus, Grimaldi e Cia., mapa geológico e diversas novas bossa.
Usando as Imagens da Clementine como textura..
 
            O mecanismo de pesquisa também se tornou mais fácil e poderoso.
            E o VMA ainda permite que você o configure dentro das possibilidades de seu computador. Quanto mais poderoso seu PC mais visual e gráfico ele se torna.
Lunar Recoinassance Orbiter..Favorito...

            Possui ainda um tutorial bem completo que vai guia-lo sem maiores problemas durante sua configuração.
Artístico...
            Ele permite ainda exportar imagens para você organizar suas observações. Para não falar em uma grande livraria de imagens de alta resolução de diversas sondas lunares. Bem como as fotos de Damian Peach.
            E ele mantém todos os recursos que já eram “de casa”. E assim muitas informações sobre todos os acidentes lunares tanto do lado visível como também do lado oposto da lua.
            A interface é bem amiga e com uma rápida olhada no tutorial qualquer criança será capaz de utilizar o VMA.


            Achei um upgrade bastante eficiente e com o novo VMA creio que jamais comprarei o belo livro do Rulk...  



terça-feira, 26 de março de 2013

Carl Sagan, Giordano Bruno e um Desafio


 
   Sempre quis falar, aqui no Nuncius Australis, a respeito de dois astrônomos que habitaram a minha infância e foram como heróis para mim. Mas como aqui não é a Wikipédia não encontrava razão para tal. O post iria ficar parecendo um verbete de dicionário. 
   Mas graças ao you tube tive a chance de juntar este desejo a um desafio observacional.  E assim vi o verbete completo...
   Carl Sagan foi um dos maiores divulgadores de ciência de todos os tempos e através do site já citado tive o prazer de rever seu testamento para a humanidade. A serie “Cosmos” foi provavelmente uma das maiores responsáveis pelo meu interesse em astronomia.
   Este post é cheio de lendas e de fatos não confirmados. Mas é exatamente assim que ele deve ser. Quase todos os seus parágrafos poderiam começar com um de meus bordões favoritos: “E assim reza a lenda”.
   Sagan conta-nos no episódio numero quatro de sua obra magna sobre diversos impactos cósmicos. O episódio se chama “Heaven and Hell” (Céu e Inferno).

   Reza a lenda que este episódio em especial se encontra bloqueado no you tube em diversos países. Não é uma informação confirmada. Mas pode ser verdade. 
   Ele começa falando sobre o “Evento de Tunguska”. Este um dos maiores mistérios astronômicos recentes e que voltou a moda com o bólido que derrubou casas pela Rússia. Nem tão distante de Tunguska...
   Posteriormente ele fala de um impacto na lua que serviria para confirmar a hipótese “cometaria” de tal evento. 
   Este evento que ele descreve se encontra entre “Os Contos de Canterbury”. O titulo  poderia também ser traduzido para “As Lendas de Canterbury”.  
    Reza a lenda (promessa é divida) que em 18 de junho de 1178 cinco monges viram algo muito estranho acontecendo na Lua. Em tempos em que o céu era imutável estes praticamente calaram. Seria uma grande perda para ciência. Mas estes, felizmente, descreveram sua “visão” (para eles só poderia ser uma visão...) para o cronista da Abadia, Gervase, que o “Chifre” superior da lua se dividiu em dois. Posteriormente este escreveu :
“De uma área central uma tocha flamejante lançou um brilho a uma considerável distancia, este envolto em carvões em brasa e faíscas. Entrementes o corpo da Lua tremeu como que se tomado por ansiedade. O que observaram isto com seus próprios olhos me garantiram que o fenômeno se repetiu algumas vezes e que a Lua tremeu. Posteriormente tudo voltou ao normal e a Lua escureceu...”.
    O evento e seu desenrolar é belamente descrito no vídeo. Eu recomendo que o veja...

    O fruto deste evento, que ocorreu em tempos históricos, me leva a falar de outro astrônomo que sempre habitou minha imaginação. Provavelmente devido a seu triste fim.
Giordano Bruno foi um homem a frente de seu tempo, mas também de seu tempo. Fiel seguidor da teoria Heliocêntrica ele foi um dos primeiros a pensar a respeito de um universo infinito e de vislumbrar a dimensão do Cosmos.  Ele antecipa a relatividade e considera em seu ideário a importância do observador na compreensão de fenômenos. Ele “pregou” um universo infinito e com uma multitude de estrelas planetas e a possibilidade de vida inteligente espalhada por ele.  
   "Nós declaramos esse espaço infinito, dado que não há qualquer razão, conveniência, possibilidade, sentido ou natureza que lhe trace um limite." (Giordano Bruno, Acerca do Infinito, o Universo e os Mundos, 1584).
    Ele não foi queimado por defender a ideia heliocêntrica como se pensa. 
   Bruno era crente que tudo possuía vida e que tudo possuía alma. E isto foi demais para o Século XVI... Terminou na fogueira. E no imaginário de todos os astrônomos e livres pensadores.
    Agora voltamos ao mundo presente. 
   O evento descrito nos “Contos de Canterbury” foi analisado posteriormente e com o estudo da superfície lunar se chegou à conclusão de que uma cratera que homenageia o pioneiro Bruno teria sido formada naquele evento observado pelos monges. O aspecto claro da ejeta que cerca a cratera Giordano Bruno leva a crer que se trata de uma formação muito jovem.
    Essa lenda foi primeiramente defendida pelo geólogo Jack B. Hartung e parece que a ideia foi encampada por Sagan.  É um bom fiador para mim.  O alto albedo da raiação que é centralizada na cratera também é um forte indicio de haver algum fundo de verdade. Este sistema de raios se estende por mais de 150 km.

    Giordano Bruno é uma cratera de impacto de 22 km de diâmetro no lado distante da lua. Exatamente logo após o Limbo nordeste.
   Sua posição é que a faz um grande desafio para os observadores situados na Terra (como Giordano Bruno já dizia: tudo é relativo ao observador...).
   Habitando a zona das librações ela é, em teoria, visível (em parte) para observadores na terra. Não espere perceber detalhes. Se perceber suas encostas já será um feito. Em um tópico do Cloudy Nights é discutido se é ou não possível observa-la. A mesma consta dos objetos disponíveis na lista da Série Nexstar de telescópios GO-TO (Celestron). Imagine que você deve busca-la numa libração super favorável.  
    Situada entre as Crateras Harkebi ao noroeste e Szilard ao sudoeste e com a cratera Fairy ao norte sendo a maior coisa por perto Giordano Bruno é um grande desafio.
"The Pale Red Dot" indica a posição de Giordano Bruno
Perceba que a libração tem que ser muito especial... 

    Segundo o Virtual Moon Atlas a mesma pode ser observada (em uma libração excelente) dois dias depois da Lua Nova e um dia após a Lua Cheia. E a mesma estaria ao alcance de telescópios de 50 mm. Eu duvido... 
    Tentei a sorte duas vezes e não vi nada. Gauss é uma cratera grande e que pode te ajudar no caminho. Só cheguei até ela.  Imagino que nunca tentei em uma libração favorável.  E pelo que vi esta tem que ser muito especial...

   Se você conseguir observa-la é possível que voc~e veja uma das poucas, senão a única, cratera na superfície lunar que surgiu durante a presença humana na Terra...

PS Libração, é um balanceio da Lua, fazendo com que mostre parte de sua face oculta. Notadamente, o nome refere-se ao balanceio da Lua em relação à Terra, mostrando partes de sua face oculta. 





quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Astrofotografia : Lua




Astrofotografia é, muitas vezes, uma amante ingrata. Cheia de vontades e caprichos. Depende de bom alinhamento polar, céus escuros, longas exposições e equipamento caro. Recentemente chorei minhas magoas por aqui. Mas...
Selene é a filha dos Titãs Hyperion e Theia. No sincretismo galo- romano ela se torna Luna. A deusa da Lua. Irmã do de Helius (o Sol).  Curiosamente ela surge sempre fresca e banhada por Oceanus toda vez que o seu irmão se põe. Percebe-se que a Grécia é cercada pelo mar...
Ela é uma deusa “dada” e deixou 50 filhos.
E mantendo a tradição ela é um alvo “fácil” para os astrofotografos iniciantes e/ou na pindaíba.
A lua pode ser fotografada com o uso de diversos equipamentos. Em composições digamos ,artísticas, ela pode ser registrada até mesmo com celulares.
 Outra forma é utilizando-se teleobjetivas. Diversas câmeras, mesmo sem lentes intercambiáveis, tem poder de fogo suficiente para registrar detalhes de sua superfície.
Creio que com uma teleobjetiva a partir de 300 mm é possível obter-se resultados bastante satisfatórios. Como se trata de um objeto extremamente claro não existe a necessidade de lentes muito claras e consequentemente caras. E ainda assim utilizarás velocidades de diafragma que na maior parte das vezes dispensam o uso de tripés para apoio. 
              300 mm                       ampliado photohsop

Com o uso de um programa tipo Photoshop você poderá ainda utilizar-se de recursos digitais para a ampliação da imagem e conseguir um excelente nível de detalhamento da superfície lunar. Outros programas poderão ainda incrementar mais ainda o nivel de detalahamento . O Registax é um deles. 
Registax (centro foto da esquerda)
Qualquer telescópio, por mais modesto, será uma plataforma excelente para registros lunares.
Este acompanhado por qualquer câmera servirá para fotos pelo método afocal. Registros interessantíssimos poderão ser obtidos desta forma. Fixando-se a câmera junto a ocular e fotografando a imagem projetada por esta é tudo que você precisa.  Lembro-me das primeiras fotos que fiz assim. Simplesmente fiz um tubo de cartolina e fita crepe que se adaptava de um lado a bitola da ocular (1.25 pol.) e do outro a objetiva (um pouco menos...) de minha “camereta”.



Afocal



Posteriormente comprei um acessório especifico para isto. Não me recordo do preço . Mas foi na casa de dois dígitos.
Já em set-up´s mais elaborados o céu é o limite (perdoem-me mais não resisti...).
Utilizando uma câmera DSLR e um T - ring (adaptador) é possível fixar a câmera a qualquer telescópio. E utilizando-se de lentes barlows a capacidade de ampliação só será limitada pelo seeing (estabilidade atmosférica).
Recentemente fiz algumas experiências.
Utilizando meu refrator 900 mm e utilizando a carcaça da barlow (sem lente) como adaptador fiz algumas fotos de Selene.
Neste set up a lua se apresenta bem clara e o foco ocorre facilmente. A razão focal do telescópio (900/70) é F13 (para os cdf´s de plantão 12,8571...). E a velocidade do obturador foi regulada para 1/160. Câmeras digitais apresentam uma latitude enorme e outras combinações de abertura e velocidade são viáveis. O freguês tem sempre razão...
Depois utilizei a barlow completa. Com isto a imagem apresenta um aumento de 2x a imagem inicial. 

Seria como se o 900 mm vira-se um 1800 mm. A imagem escurece na mesma proporção.  Numa simulação a abertura seria por volta de F 26. Quadrados e raízes fora a exposição na foto é de 1/40. Ou seja, 4 vezes mais lenta. A foto é mais escura. Em tese eu deveria tentar 1/12. Ou algo assim... Ótica não é uma ciência exata no Nuncius Australis.
Finalmente tento algo que eu imaginava que seria um total fracasso. Coloco mais uma Barlow 2X na obra.

Agora o meu velho “Galileu” se disfarça de uma teleobjetiva de 3600 mm e o tamanho da imagem que atinge o ccd da Canon tem quatro vezes o tamanho inicial... Na foto que vocês veem a velocidade do obturador é de 1/ 4. E a razão focal (imaginaria) lá na casa de F 51. Brincado de ótica... Quadrados e raízes e tire a foto. Depois tente de novo...  
A imagem se torna bem escura no view finder e o foco muito difícil de ser alcançado. A imagem se torna muito suscetível ao seeing e utilizando a minha montagem EQ 1 tudo fica meio balançante. De diversas fotos que tirei a única que apresentou resultados minimamente aceitáveis foi a que vos apresento. Mas acredito que com uma montagem mais estável e com a lua mais alta no céu o pequeno “Galileu” suporte o aumento proporcionado por este setup.
Realmente a imagem fica bem escura junto a View finder da câmera.
Durante este período do ano só consigo avistar Selene quando já vai baixa no horizonte oeste. E assim muita sujeita as instabilidades da atmosfera e consequente mal seeing.
Outros fatores devem ser considerados quando fotografamos a lua. Uma delas é a fidelidade na cor. E assim como todos os objetos celestes quanto mais baixos no horizonte menos fidedigno será o registro. Mas fotografar a lua é uma excelente forma de se introduzir na astrofotografia e uma especialidade cheia de truques.
Hoje à noite tenho um encontro marcado. 

P.S.  Acho importante que as fotos que você tira não sejam um fim nelas mesmas. No caso da lua elas devem servir como uma ferramenta para que conhecer de fato a superfície lunar. Acho um excelente exercício tentar identificar o maior numero de estruturas  nas fotos . Com o auxilio de um atlas lunar é possível reconhecer diversas estruturas e ainda aprender algo sobre a história da astronomia que se esconde atrás dos nomes das crateras , vales e afins. Eu recomendo o Virtual Moon Atlas (freeware)  para isto. E depois é só abrir sua foto no Photo Shop e sair localizando ( ou pelo menos tentando localizar..) cada uma das estruturas visíveis em suas fotos. 

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Aliacensis - Pen and Ink

Aliacensis é uma cratera tipica do periodo Nectariano (3.9 -3.8 bilhões de anos).
Apresenta um diametro de 82 km e com isto pode ser percebida por refratores de 50 mm.
Localizada na região próxima a Tycho. No quadrante sudeste lunar. Bastante alta. ( circa 3700 m)
 Seu nome foi dado po Riciolli em 1651 . Em tributo ao Geografo e Teologo Frances do sec. XIV Pierre d´Ailly.
Sua borda parece enrugada e apresenta uma "ponta" claramente percebida com um amento de 120x.
Venho estudando diversas técnicas para registro Lunar.
Este esboço  foi realizado com Pigmento negro e o uso de canetas 0.2 , 0.5 e 0.8. O esboço inicial foi feito com lapis H.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Cyrillus , Teophilus e Beaumont

Um sketch lunar realizado no ultimo dia 21 de Junho.  Por volta de 3:30 am.

Apresento a região de Cyrillus. Acompanham Teophilus , Beaumont e Madler.

O desenho inicial foi realizado com Lápis H,B,2B e 6B. Alguns detalhes foram feitos com caneta de pigmento negro ( ink black) 0.2. Foi utilizado um esfuminho n. 1.

O registro foi feito com uma ocular plossl de 10 mm. Telescópio newtoniano 150 mm . 1200 mm de distancia focal. 

O segundo desenho foi obtido a partir da imagem escaneada. E posteriormente tratada no Photo Shop.



desenho 1
Grafite e Black ink

Desenho 2
Cyrillus é do período Nectariano( entre 3.92 e 3.85 bilhões de anos). Tem 100 km de diâmetro. Fica no quadrante sudeste e pode ser percebida com refratores de 50mm.

Cyrillus foi batizada assim por Riciolli em 1651. Homenageou um filosofo e jurista grego do séc. V.
Foi um estudioso sobre a encarnação de Cristo e condenou Nestor por heresia.
Nasceu em 376 e morreu em 444.  Viveu em Alexandria.  Foi papa da igreja copta e é também Santo Cirilio de Alexandria.  

Theophilus possui 104 km de diâmetro e é mais recente . Do período Erathosteniano.3.2 e 1.1 bilhões de ano. Se revela a binóculos com 10x.. Foi ele também um Filosofo grego do sec. IV.

Se pode perceber também a direita do desenho Beaumont. Com 54 km. de diâmetro. Do período Imbriano( de 4.55 a3.85 bilhões de anos). Pode ser percebida com o uso de refratores de 50 mm. O desenho não faz justiça a formação. Beaumont foi um geólogo francês do sec XIX. Foi batizada assim por Madler em 1837.

Madler é o nome da cratera mais abaixo e totalmente sombreada abaixo no desenho. É tambêm do Erathosteniano e Madler foi um astronomo alemão do séc XIX.
 
 

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Longomontanus


Christen Sørensen Longomontanus (or Longberg) (4 de Outubro 1562 – 8 de Outubro 1647) foi um astrônomo dinamarquês.
Foi assistente de Tycho Brahe assim como Keppler. Mas ao contrario deste não acreditava no sistema heliocentrico e desenvolveu um sistema chamado de Semi Tycho para explicar as coisas...
Acreditava também que cometas eram um sinal do Mal.
Acreditou também que havia descoberto a solução para o problema sobre a quadrartura do circulo. Pelo menos o de raio 43. Ningúem o conseguiu dissuadir de que ele estava errado . Mas vários tentaram...
Foi inimigo de Kepler. Trabalharam juntos à Tycho Brahe no maior observatório de seu tempo. Uraniborg , na ilha de Hven. Não me perguntem como se pronuncia isso...
Escreveu vários livros e suas tábuas lunares ( há duvidas) seriam mais precisas que as de Kepler...
Seu livro Astronomia Danica foi "popular". Reeditado duas vezes
Foi enfim imortalizado na Lua tendo seu nome batizado ado uma bela cratera . Riciolli o homenageou em 1651.
Uma bela cratera que faz par com Montanari ( menor).
É uma cratera do periodo Nectariano (entre 3.92 e 3.85 bilhões de anos). Possui um diâmetro de 150 Km. Esta localizada no quadrante sudoeste. É possível avista-la utilizando um binocúlo de 10x50 mm.
Foi , juntamente com Montanari e Wilhem , o alvo escolhido para ser registrado na madrugada do dia 25 de Junho de 2011.
 Foram usadas diversas técnicas.  O primeiro desenho foi realizado junto ao telescópio com lápis H,HB,B2 e B6 e um esfuminho n1. Posteriormente foi renderado no PhotoShop. 
 O desenho final é um registro  do que observei na ocular.
E o original é, bem.... um registro rápido.
Se quiser saber mais sobre Longomontanus , clique aqui.






final

Original

sexta-feira, 25 de março de 2011

Astrolog 25 de março 2011


Astrolog 25 de março 2011


Após um longo período de céus nublados consigo, enfim, observar algo.

Depois da rápida transformação necessária para que o observatório se instale na Sala do Nuncius.
A lua vai raiando no Horizonte leste. Vamos visitar Selene. Filha de Hyperion e Theya.

Começo com a 25 mm Plossl. Isto me permite observar a lua inteira (48X). Alguns detalhes me atraem a atenção. Como a lua é um objeto muito claro utilizo o telescópio apenas com 50 mm.

Embora longe do “terminator” (área que divide a parte sombreada da parte iluminada) Grimaldi, Bem no limbo oeste me chama a atenção. É uma grande formação circular e dependendo da libração é mais ou menos visível. Sempre me chama atenção. É pequena para ser uma Maria. Possui cerca de 228 x 228 km. Apresenta um fundo plano coberto por material magmático e apresenta diversas craterlets.

Vou vendo velhas crateras conhecidas espalhadas pela sua face. Copérnico, Ptolomeu e Alphonsus parecem apontar para Maurolycus e Barocius. São duas crateras geminadas. Maurolycus é maior e Barocius esta bastante danificada. São ambas as crateras do Período Nectariano (entre 3.98 e 3.85 Bilhões de anos.)

Aproximando-me do terminator outra dupla me chama a atenção. No norte percebo completamente iluminadas e a oeste do Terminator duas belas crateras. Aristóteles e Eudoxus. Estas separadas por Bilhões de anos na história geológica de nosso satélite. A primeira é do período Erathosteniano (entre 3.2 e 1.1 bilhões de anos) e a segunda mais recente do período Copernicano (de 1.1 bilhões e o presente)

Aumento a Magnificação e me concentro na região em volta de duas crateras que se encontram exatamente no terminator. Theophilus e Cyrillus. Ambas parecem se conectar. Aumento ainda mais a Magnifcação e coloco uma ocular de 4 mm .Retiro completamente a tampa do telescópio. A ocular é mais escura e permite o uso dos 150mm do espelho sem agredir minha vista. Com Isto tenho bastante detalhe da região. Percebo claramente Cyrillus A. Dentro de Cyrillus. Kant se encontra em posição perfeita e se percebe muito detalhe desta pequena Cratera nas encostas do Monte Penck. Este se revela claramente e se percebe suas altas encostas (4000 metros). Um refrator de 50 mm já é capaz de revelar esta antiga formação. Calculada como do Pré - Imbriano (4.5 até 3.85 Bilhões de anos). Sua datação é controversa;

Outras crateras que me chamam a atenção e olho por mais tempo são Ibn Rushd, ao sul de Kant e a norte do Monte observa longamente Alfraganus. E mais a norte a grande Delambre.

Depois do tour Lunar faço uma rápida visita até Alfa centauro para dividi la com a nova ocular Plossl 4mm. Fácil.
Texto a colimação na brilhante estrela e tudo esta bem.
Rápido, fácil e divertido...

PS- Observação com Newtoniano 150mm. . Oculares utilizadas : Plossl 25 ,10, 4 mm.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Astrolog 9 de fevereiro 2011

Astrolog de 09/02/11


Equipamento: Newtoniano 150 mm

Oculares utilizadas: SP 25 mm, 17 mm e 10 mm + Barlow 2x

Seeing : Bom

Lunação : 6.8 dias 36.6% iluminada.

Inicio a observação ainda dia claro . A lua vai alta ainda a noroeste. Sigo tendo a oportunidade de acompanhar a lunação aqui de Buzios. As crateras que se destacaram junto a “terminator” (a área da fronteira clara / escura da lua) foram varias .

Ao sul do Mare Tranquilitatis já me dirigindo para o Nectaris (utilizando a ocular de 25 mm) percebo de cara Delambre. Uma cratera muito interessante com 54 km quadrados. Com uma altitude de 1500m desde seu chão acidentado. Apresenta uma montanha central e diversas craterlets. (10 mm).

No extremo norte do Mare Serenitatis (mar da serenidade) observo com a 10 mm Aristóteles e Eudoxus formando um par sensacional. Duas crateras grandes lado a lado no sentido norte-sul.

Aristóteles tem 90 km quadrados. Uma área de chão extensa e plana. Rampas bem íngremes a leste conduzem a Cratera Mitchell.

Mais ao sul Eudoxus. Apresenta um pico central e têm 70 km quadrados. Ao oeste é possível observar os Montes Apeninos cortados pelo “terminator”.

Agora já mais próximo ao Equador lunar percebo próximas e mais a oeste das nossas estrelas de ontem (Theophilus e Cia) as duas crateras que inicialmente me chamaram mais atenção hoje. Abulfeda e Almanon.

Abulfeda é uma cratera danificada com idade entre 3.92 e 3.85 bilhões de anos. (Período Nectaris). Seu nome vem de Ismail Abu- Al- Nida. Um historiador árabe do sec. XIV.

Almanon por sua vez tem cerca de 50 km quadrados e é do mesmo período.

A seguir me encantam três Crateras muito próximas e bem no terminator.

Agrippa, uma Cratera mais recente (3.2 a 1.1 bilhões de anos) flanqueada por uma muito antiga a leste, Tempel. È interessante perceber suas diferenças. Tempel é do período pré- imbriano (entre 4.55 e 3.55 bilhões de anos). E coroando o trio a mais jovem delas: Godin. Do período copernicano (entre 1.1 bilhões até hoje em dia.). É interessante poder comparar as características morfológicas de três crateras de períodos distintos em um único campo ocular.

Finalmente chegamos a sul do terminator e lá eu destacaria Maurolycus e Clairaut.

Clairaut tem 77 km e esta mais ao sul. Apresenta diversas crateras associadas (a, b, c, d e etc..).

Maurolycus é a maior com 117 km quadrados. É uma cratera chamativa.

Com isto estava resolvida a minha observação lunar. Hoje foi um dia realmente valido. Acordei cedo e fui a três diferentes praias. Depois realizei toda a observação de nossa parceira mais próxima até cerca de 20h45min.

Pude aproveitar bem o nascer da noite.

As 19h47min Sirius e júpiter já brilhavam no céu. As 19h52min começo a perceber Orion. Primeiro Betelgeuse e Rigel com as Três Marias de forma discreta. Saiph da o ar de sua graça as 20h00min PM. Pouco depois o céu esta todo aceso.

É tempo de céu profundo. Ainda que com a lua no céu.

Me viro para o horizonte sudeste e assim afasto ao maximo a poluição luminosa gerada pela Sister Moon.



Vamos visitar Puppis, a Popa do navio do Argonautas. Três belos alvos para o inicio da noite.


NGC 2451- Aglomerado facilmente localizável acima da estrela Naos. Brilha com 2.80 de magnitude e é fácil de ser localizado. Primeiro localize Naos. A partir do asterismo do Falso Cruzeiro siga a trilha das estrelas mais brilhantes em direção a Sirius. Naos vai ser a segunda acima de Delta Velorum no falso Cruzeiro. Ou a primeira abaixo de Aludra, bem na ponta do rabo do Cão Maior (constelação). Ele é facilmente visto pela buscadora e c Puppis é uma estrela gigante vermelha que marca bem o seu centro. Utilizei o Stellarium como programa planetário esta noite e ele foi muito bem. É perfeito para estes alvos brilhantes.

NGC 2477- mais discreto que o aglomerado acima. Uma jóia bem mais delicada que brilha com 5.80 de mag.. Fica logo ao sul do aglomerado acima e acho mais fácil localiza-lo a partir de 2451 navegando com uma ocular wide angle (no caso a minha 25 mm). Depois de localizado utilizei a 17 mm para resolver melhor suas estrelas mais fracas. Pode-se partir de Naos e localizar a estrela b Puppis pela buscadora. Ele vai estar bem próximo.Acho o aglomerado mais interessante desta região próxima a Naos.

NGC 2546 – Um aglomerado maior que o anterior ainda que de magnitude 6.30. Achei que é mais claro que isto. Percebi pela buscadora. Partindo-se de Naos calcule um campo de buscadora para Leste. Ele vai aparecer. Usei novamente o Stellarium para calcular a posição aproximada e o achei facilmente combinando as duas buscadoras.

Já mais tarde (23h40min PM) vou atrás de uma conta antiga. Finalmente separo os membros de Algieba. Esta dupla em Leo é em tese fácil. Não separei com 50x. Em 120x desconfio que com um seeing ótimo seja fácil. Em 240 x (10 mm + Barlow) separei claramente. Algieba 1 me parece mais amarelada que sua companheira. Mas pode ser um truque que a tal da ótica esta me pregando...

Visitando o Leão; galáxias por perto. São 00h00min aproximadamente. Vamos até Chertan nos quartos traseiros... De lá um salto e chego até Eta Leo. Daí para frente vale o faro. Localize HIP 55262 uma discreta estrela de 7.6 magnitudes. Você está muito perto. M66 e M65 estão na ocular. Junto a M66 de 9.0 mag. existe algumas estrelas muito fracas. Vejo as duas com visão periférica. Regulo a respiração e percebo uma leve nebulosidade com visão direta. Fico minutos vendo aquelas tênues nebulosidades no campo da ocular de 25 mm. Coloco a 10 mm. Graças às estrelas junto à M66 consigo enquadrar M66. M65 se revela mais difícil. Volto para a 25 mm. E fico namorando as duas um bom tempo. Galáxias são sempre um premio especial. E duas no mesmo campo... Só alegria. M66 apresenta mais “forma”. Ainda que muito pequena nas 25 mm. Nas 10 mm ela fica maior, mas muito escura e é difícil o foco. Céu muito profundo. M 65 e M66, juntamente com NGC 3628 formam o Grupo M66. Há 35.000.000 de anos luz de nós. M65 tem 9.3 de mag. e M66 8.9. M66 é maior e tem braços mais proeminentes sendo ambas espirais. Influenciam-se gravitacional mente. São todas galáxias espirais. M66 é mais fácil de notar a espiral. Podem perceber que M66 foi citada como de magnitude 8.9 e 9.0. Depende da fonte. No Stellarium 9.0 e na pagina da SEDS 8.9.

Voltando a águas mais rasas. Saturno se torna viável por volta da 00h40min. Livra-se das arvores e aparece entre Porrima e Spica ; em Virgem. É sempre um espetáculo. 50x e 120x. Percebo quatro luas e duas estrelas de campo. Ou serão três luas e três estrelas de campo. Depois de uma rápida visita ao Stellarium e decido que vi Titã (essa eu sabia...) e Réia de um lado do planeta e provavelmente Tétis do outro. Poderia ainda ser Dione. As duas estrelas são decididamente HIP 63938 e uma companheira sem batismo. E uma das luas era vontade...

São 00h56min AM. Abro meu vinho e termino a brincadeira de Lobo Solitário. Amanhã volto para o Rio de Janeiro e para a família. Foi uma sessão de observação das mais prazerosas que já tive.

Opa! Ficou faltando observar Ngc 2392 em Gêmeos. A nebulosa do Esquimó. Era o objeto que pretendia desde o começo. Mais cedo achei que 10ª mag. era querer demais com a lua no céu. Agora é tarde. Fica para próxima.