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segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Ngc 1851: O Aglomerado de Rosse

         
               William Parson, 30 Conde de Rosse construiu o maior telescópio de seu tempo. Um monstro (para época) com um espelho primário de 1.8 metros. Foi uma árdua batalha pois as técnicas para a confecção de um espelho deste tamanho simplesmente não existiam e os que tinham alguma experiência guardavam suas técnicas debaixo de sete chaves. A metalização deste foi resultado de muitas tentativas e erros. 

                O “Leviatã de Parsontown” era realmente um monstro. Sua operação demandava diversos assistentes. Entre eles  ninguém menos que  J. Dreyer ( entre 1874 e 1878)  , responsável e organizador do monumental “New General Catalog”  (Ngc) e do “ Index Catalog”( IC) .
                Apesar do inclemente clima irlandês Parson realizou, a partir de abril de 1845, diversas observações e desenhos. Seu grande legado foi a descoberta da estrutura espiralada de diversas nebulosas. Ele foi o primeiro a perceber o que hoje chamamos de galáxias espirais e os desenho por ele feitos   muito lembram modernas fotografias. 
30X 20 seg asa 3200 Newton 150 mm f8 Canon T3 -2X drizzle no DSS + Gimp + fits
A foto que abre o Post é resultado das mesmas fotos mas foi submetida a 3X drizzle no DSS; 
                Mas seu sucesso acabou por ser sua desgraça. Ele começou a ver espirais em todos os lugares. Até mesmo em aglomerados abertos.
                Assim o DSO que apresentamos hoje deve seu nome e sobrenome aos Jardins do Castelo de Birr.  Ngc 1851 (a entrada de numero 1851 do New General Catalog de Dreyer) também é chamado  de “O Aglomerado de Rosse”.  Embora não existam registros de que Lorde Rosse tenha alguma vez o observado.

                O apelido nasceu de minha primeira impressão ao fotografar Ngc 1851. Em uma noite devotada exclusivamente a astrofotografia eu tinha  obtido um foco mais aceitável do que normalmente obtenho com meu focalizador de cremalheira. E assim decidi que não iria mais tirar a câmera para caçar os DSO´s que eu tinha listados para a noite. Observando sob céus urbanos ( bortle 8)  caçar DSO´s utilizando somente a buscadora pode ser bem ingrato. Mas quando se fala em teoria das probabilidades é bom lembrar que ele poderia ser chamada de Teoria das Improbabilidades... E assim acabei por localizar o que desconfiava ser Ngc 1851 utilizando somente a buscadora. Logicamente que havia feito bem o dever de casa e tinha estudado bastante os mapas da constelação de Columba (a Pomba) aonde reside O Aglomerado de Rosse.
Sem nenhuma forma de ampliação esta foto é muito semelhante ao que você irá perceber junto a uma ocular de 30 mm. 

                Columba não é exatamente uma das constelações mais populares. Localizada logo abaixo de Lepus ( a Lebre) e desta forma habitando  fronteira pouco vigiada entre Cão Maior e  Puppis  perceber algo na região sob os faróis de xênon que iluminavam os céus de Botafogo as vésperas do réveillon foi um misto de improbabilidade e de eficiência tecnológica. O “go-to” de Mmde. Herschel (minha cabeça equatorial HEQ5) estava em noite de glória e apesar de não me enviar diretamente para Ngc 1851 me deixou bem perto. E assim mesmo pela buscadora haviam poucos suspeitos. Depois de fotografar um suspeito por engano acabei por identificar a estrela “peluda” no campo da buscadora.
                Logo que vi a primeira foto me lembrei de Lord Rosse. O pequeno globular possui “braços” se enroscando em volta de seu núcleo mais denso e brilhante e não posso deixar de me lembra de uma galáxia espiralando-se. O 3o Conde de Earl  iria amar a paisagem. Praticamente “confirmaria” sua hipótese...

                Ngc 1851 fica a aproximadamente 8o de Phact, a estrela alfa de Columbae. Com mag. 2.65 é uma estrela de muita história. Diversas construções no Egito antigo tinham sua construção orientada por ela.  Outra interessante estrela na apagada constelação é MU Columbae. Esta uma “estrela fugitiva” que deve ter sido ejetada da associação estelar de Orion devido a explosões de supernovas. Apresenta uma incrível velocidade se comparada ao meio interestelar a sua volta e deve dividir a origem de sua história com AE Auriga. Ambas deve ter se lançado em direções contrarias a partir da Nebulosa de Órion no momento que uma ou mais supernovas criaram o atual Loop de Barnard.  53 Arietis também faz parte desta coleção de fugitivas.
                Ngc 1851 foi descoberto por Dunlop e incluído como a entrada número 508 do seu catálogo de 1827.
                “ Uma extremamente brilhante, redonda, bem definida nebulosa, extremamente condensada, até quase o limite. Esta é a mais brilhante pequena nebulosa que já avistei. Tentei diversas magnificações neste lindo globo; uma considerável porção em suas margens é resolvível, mas a condensação central é tamanha que eu não consigo separar estrelas. Eu a comparo com 68 com,des Temps ( M68 e o catalogo Messier) e esta nebulosa supera em muito 68 em condensação e brilho”.
                Como não poderia deixar de ser Ngc 1851 também foi observada por John Herschel, o qual também se encantou com a peça. Com mais poder de fogo ele resolve o globular quase na integra.
                “Aglomerado globular soberbo, todo resolvido em estrelas de 14a magnitude; repentinamente muito mais brilhante em direção ao centro para um esplendor ou núcleo de luz. Diâmetro em A.R.= 15 ´´. A diferença em se observando este objeto com meu olho direito e depois o esquerdo é memorável.  Retornando do esquerdo para o direito, o objeto (em comparação) parece envolto em um filme opaco”.
                Utilizo esporadicamente esta técnica  (de observar hora com um olho hora com outro) e sempre percebo diferença. Mas atribuo isto ao fato que minha vista esquerda tem menos astigmatismo que a direita. Embora meu olho dominante seja o direito e por isto o use mais em observações. O efeito obtido por Herschel não me parece ter outra razão de ser.
                Em tempos mais modernos Ngc é incluído por Burnham em se “ Celestial´s Handbook”, mas este somente apresenta a descrição do Ngc.
                Sir Patrick Moore o inclui como a sua 73a de sua lista observacional e assim James O´Meara o descreve em seu “The Caldwell Objects”. Neste ele percebe os “braços espirais” que eu notei como “tênues asas semelhantes as que se vê em M13”. Ele deve ser referir as famosas “hélices” (“The Propellers”) que são bem evidentes sobrepostas no Grande Globular de Hercules e que foram descritas por Lorde Rosse.
                Ngc 1851 é um globular bem estudado e que traz folego a teorias recentes sobre como globulares (especialmente o que habitam o halo) tem uma formação bem mais complexa do que se supunha e que estes apresentam diversas fases de formação estelar. Desta forma se aproximando muito das chamadas galáxias anãs esferoidais e demonstrando como o antigo modelo monolítico de formação de globulares e galáxias ainda é incompleto.
                Ngc 1851 ainda é candidato a possuir um buraco negro em sua região central.



                Localizar o aglomerado em céus urbanos pode ser difícil. Na verdade, contei com o auxilio luxuoso de Mdme. Herschel nesta tarefa. Mas o starhopping mais obvio se inicia em Phact (Alfa Columbae) que será percebida ainda que discreta em céu urbano. Ela forma um triangulo reto com Beta e Épsilon Columbae. Com Épsilon na buscadora calcule um pouco mais de meio campo (3o) e comece a perscrutar por um pequeno triangulo de estrelas. Com este centralizado na buscadora procure uma estrela “suspeita” a sul-sudoeste. Será Ngc 1851.

                Um interessantíssimo globular com um forma realmente encantadora e que se apresenta longe da maioria dos globulares, que costumam  se localizar em direção ao centro galáctico. Juntamente com M79 forma uma dupla de globulares deslocados e disponíveis para o verão.

                

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Galáxias e Pequenos Telescópios

           Observar galáxias visualmente com pequenos e médios telescópios é um exercício de paciência e tenacidade.
                Algum treino e técnicas serão de grande valia para a o neófito.
                Para aqueles que compraram seu primeiro telescópio (e imaginando que este se trata de um refrator de até 90 mm de diâmetro) recomendo iniciar seu treinamento buscando por outros DSO´s até que tenha desenvolvido sua capacidade navegacional e se entendido bem com sua montagem (especialmente se esta for equatorial). Outra coisa fundamental é possuir uma buscadora ótica de qualidade e com o máximo de aumento possível. Recomendo que utilize uma buscadora 10X50 mm. Ou seja: uma buscadora com uma lente de 50 mm de diâmetro e com uma magnificação de 10X. A menos que você consiga um prisma eretor é importante também acostumar-se com observar tudo invertido. Em cima será embaixo e direita será esquerda.
EU VERIA O JARDIM MUITO MELHOR”, disse Alice para
si mesma, “se pudesse chegar ao topo
daquele morro, e cá está uma trilha que leva
direto para lá… pelo menos — não, não tão
direto…” (depois de seguir a trilha por alguns
metros e dar várias viradas bruscas)
“mas suponho que por fim chega lá. É interessante
como se enrosca! Mais parece um
saca-rolha que um caminho! Bem, esta volta
vai dar no morro, suponho… não vai! Vai
dar direto na casa de novo! Bem, neste caso
vou tentar na direção contrária. ”
                                                         Alice Através do Espelho (Lewis Caroll)  

                Depois de aprender a caminhar no País do Espelhos que se esconde dentro de sua buscadora ficará bem mais fácil localizar alvos tímidos como galáxias. Mesmo que você possua uma montagem equipada com Go-To.  Galáxias, muitas vezes não se apresentam imediatamente ao observador. E desta forma desenvolver suas habilidades de “star-hooping” (pulando estrelas) será fundamental para localizar estes universos-ilhas.  Você geralmente irá começar o passeio junto a sua buscadora e depois de determinado ponto seguirá viagem utilizando sua ocular de maior campo. Atualmente utilizo ou minha 40 mm ou minha 26 mm.
                Quando caçando por DSO´s em geral e por galáxias especificamente telescópios terão uma função diferente de quando buscamos por imagens da lua, planetas ou paisagens terrestres. Nestes casos seu principal propósito é ampliar o detalhe distante. Com DSO´s terá como principal missão (mas não somente esta...) coletar luz para seus olhos pouco sensíveis.  Ao observarmos galáxias o nosso problema não é que estas sejam muito pequenas.  É que elas são muito “escuras”.  
                Observar DSO`s inclui um repertório de técnicas e normas que no caso de galáxias devem ser conhecidos e respeitadas à risca.
                Brilho do Céu -  O fator isolado mais importante para a observação de galáxias (e dso´s) é a poluição luminosa. Passei anos tentando observar M 83 do Rio de Janeiro sem nenhum sucesso e bastaram alguns minutos para localiza-la em diversos locais de céus mais “limpos”. Não que seja impossível, mas o que você irá perceber será como um espirito assombrando sua ocular.  Alguns truques podem ajudar aqui. Um é tentar observar os objetos sempre o mais próximo a zênite possível. Observar depois de 00:00 e durante a madrugada também ajuda um pouco já que muitas luzes externas são apagadas durante a madrugada.
                A lua é uma inimiga terrível de DSO´s.
                Adaptação ao escuro- O ser humano é um ser diurno apesar da boêmia ser responsável por algumas de suas mais belas criações. E assim o olho humano funciona de forma muito mais eficientes com níveis de luminosidade altos e estando-se sóbrio. Sem entrar em detalhes sobre a fisiologia do olho humano vamos deixar claro que nossa capacidade visual noturna melhora com a adaptação ao escuro. Depois de quinze no escuro total você vai ver melhor no escuro (até seis vezes mais ou duas magnitudes...). Mas as coisas ainda continuarão melhorando por mais uma hora e quinze minutos. Inicie sua observação com alvos mais fáceis e depois ataque galáxias tênues e inicialmente invisíveis para sua visão.
                Visão Periférica – Uma técnica fundamental para perceber objetos muito escuros ou tênues. Olhando diretamente para eles a luz destes objetos vai recair sobre a fóvea centralis (a parte mais central de sua retina) a qual possui muitas células cone. Estas embora percebam cores não se dão bem com baixos níveis de luminosidade. Por isto não percebemos cores em nebulosas e galáxias. Mas evitando-se olhar diretamente para os objetos que observamos (olhando de rabo de olho...) conseguimos perceber estruturas com baixíssimo nível de luminosidade. Esta técnica faz com que a luz destes tênues objetos recais mais nas bordas de retina aonde se concentram bastonetes. Estas são células que percebem luminosidade. Mas não cor. Por isto galáxias, quase sempre, serão imagens em escala de cinza para observadores visuais. Mesmo em telescópios bem grandes... A quem interessar possa pesquise por “rodopsina” no Google.
                Aumento ótimo-  Reza a lenda que pequenas magnificações funcionam melhor para DSO´s. Afinal com pequenos aumentos a pouca luz destes objetos será concentrada em uma área menor e assim aumentar seu brilho de superfície. (a quantidade de luz atingindo x milímetros quadrados em sua retina.) Mas estudos recentes nos dizem que nem tudo é o que parece ser. E assim vamos aprofundar um pouco o assunto.
                Ao contrário de câmeras ou outros sistemas puramente eletrônicos, químicos ou mecânicos os olhos perdem resolução em baixos níveis de luminosidade. É por isto que você não consegue ler a Astronomy Magazine no escuro embora possa ver a revista mesmo que sua retina dilatada deveria, teoricamente, resolver as letras melhor que durante o sol de meio dia. Estudos revelam que o olho humano pode resolver detalhes de quase 1 arcmin (1/60 de grau) em luz brilhante, mas não pode revelar detalhes menores que 20 ou 30 arcmin (1/3 a ½ de grau) em condições de baixa luz. Uma área quase equivalente a lua no céu. Assim detalhes ou mesmo a existência de alguns dsos só pode ser registrada se este forem ampliados até algumas dezenas de minutos de arco.  
                O recado é simples. Embora você use sua ocular com o maior campo disponível para localizar suas galáxias você poderá ter que acreditar que seu “star-hooping” foi eficiente e trocar esta por uma com um campo mais modesto e tentar ver o que você não via antes... Uma boa ideia é possuir uma boa ocular com zoom. E as boas são caras...

                 Valores de magnitude podem enganar. Procure pelo brilho de superfície das galáxias que você tem em mente observar para imaginar quão duro será o teste.
                “Last but not least”: Galáxias em espiral de perfil para nós (edge on) são mais facilmente percebidas que galáxia de “frente para nós” (face on). M 33 por exemplo é uma galáxia de 5,7a magnitude. Mas de frente para nós e cobrindo uma área de mais de um grau de firmamento apresenta um brilho de superfície baixíssimo e é um alvo bastante difícil de ser observado. Seria como o brilho de uma estrela de 6a magnitude se espalhando por uma área com o dobro do tamanho da lua cheia...
                P.S. – Faça seu dever da casa e estude os mapas que você conseguir em programas planetários. Localize padrões em estrelas que indiquem que você chegou ao seu destino.
                Agora gostaria de apresentar uma lista de galáxias que são mais simpáticas a observação por pequenos aparelhos e o caminho das pedras para que você não só chegue como as observe de fato.  



               M 31-  Grande Nebulosa de Andrômeda. É certamente a galáxia mais facilmente observável do céu. Seu núcleo é facilmente percebido a olho nu mesmo em locais bastante poluição luminosa (bortle 6 ou 7). Em locais escuros a nebulosidade cobre uma área enorme mesmo com vista desarmada. Pelo telescópio em locais escuros o núcleo é muito brilhante e percebem-se faixas escuras entre seus braços que se apresentam claramente com o uso de visão periférica. Mesmo com visão direta se consegue detalhes.   Localizar Andrômeda é bem fácil.  Primeiro ache o “Quadrado de Pégaso”. Uma de suas estrelas é Alpha Andrômeda. A constelação em si parece como uma cauda se esticando do quadrado em direção a nordeste. Em Andrômeda Localize Mirach e duas estrelas menos brilhantes (Upsilon e v And) que marcam a “cintura de Andrômeda”. Seguindo a corrente você irá perceber uma pequena região enevoada. Ela será obvia pela buscadora. Este é seguramente o alvo mais fácil desta lista. Como cobre uma área muito grande se você utilizar muita ampliação é possível que não consiga ver todo o conjunto da obra. Seu núcleo suporta ampliações absurdas e é mais fácil de se perceber que diversos globulares.





           M 33     - A galáxia do Triangulo.  Esta demanda céus muito escuros. Cobrindo também uma área muito grande do céu muitas vezes é difícil percebe-la com muita magnificação. Acho M 33 um alvo binocular difícil e um alvo telescópico mais difícil. Em locais escuros ela se revela com bastante detalhe usando-se visão periférica. É possível perceber diversas regiões HII nos braços da mesma que possuem entrada no catalogo Ngc e IC só delas. IC 133 é o mais fácil deles. Para localizar M33 ache Mothallah (Alpha Triangulo) e Mirach calcule a posição dela em relação a estas estrelas e tente a sorte. Partindo-se de Mothala existe uma estrela de 7a magnitude que indica o caminho.... Estude bem o mapa e boa sorte.



               

      
 Ngc 5128- Em Centauros. Facilmente percebida pela buscadora. Geralmente parto de Ômega Centauro (o Globular mais brilhante e que você deve estar localizando até mesmo vendado antes de tentar galáxias...) e seguindo uma linha de fracas estrelas rumo norte ela estará lá. Revela muitos detalhes e suporta bem magnificação. Sua faixa de poeira é muito evidente mesmo em binóculos grandes (15X70). Um espetáculo nos céus austrais.


   

                                                    

                                                                             
                                                                     
  Ngc 4945- Esta é fácil de achar. Localize z centauro (uma estrela dupla) e com seus dois membros em quadro e Ngc 4945 estará lá. Muita visão periférica e hiperventilação (respirar profundamente durante vários segundos antes de olhar na ocular...) poderá ajudar a separar esta do fundo do céu. Sua extremidade leste é mais brilhante que a oeste.   










Ngc 55 – Localizada próxima a Ankaa (Alpha Phoenix) Ngc 55 é uma bela galáxia que se apresenta de perfil para nós. O que, em tese, facilita as coisas. Mas atenção e céus escuros vão ajudar muito.  A partir de Ankaa siga um sinuoso caminho de fracas estrelas (mas em um campo sem muitas estrelas...) que lhe levará até o destino. Assim como Ngc 4945 uma de suas extremidades é mais brilhante e mais facilmente percebida.









Ngc 253- A grande galáxia de escultor. Localizada quase exatamente entre Diphda (Beta Ceti) e Alpha Sculptor e com Ngc 188 (um obvio globular) bem próximo Ngc 253 é um alvo relativamente fácil. Só se revela para a buscadora em locais escuros. Mas tendo-se estudado bem a área em mapas bem ampliados vai se perceber um pequeno triangulo de estrelas sobreposto a galáxia e que denuncia sua posição.







M 83- A galáxia do Cata-Vento austral. Localizada na fronteira entre Hydra e centauros é uma galáxia de frente para nós.  A navegação até a mesma não é muito fácil. Ela reside entre Menkent (q Cen) e y Hydra . Partindo-se de Menkent passa-se por algumas estrelas mais brilhantes rumo ao norte. Seguindo-se em direção a Hydra em uma região bem pobre de estrelas em campo se encontra a galáxia. Pouco mais que uma estrela fora de foco. Com atenção e em céus mais escuros se percebe a nebulosidade ao redor. Com mais ampliação percebe-se traços de seus braços. Um mais evidente que o outro. Foi incrível Lacaille descobrir este DSO com uma luneta de apenas 12,5 mm.   É o alvo mais difícil no catalogo Lacaille e o ultimo que observei. Céus escuro são importantes para pequenos instrumentos.  




Não poderia deixar de citar M66 , M65 e M 104 como outras belas e "fáceis" galaxias para possuidores de pequenos telescópios  e que estejam se iniciando nesta nobre arte. Estas até mais fáceis que algumas das galaxias acima presentadas. Mas achei importante apresentar diversas representantes dos céus austrais que embora acessíveis a pequenos aparelhos ficam de fora de muitas listas.
Depois de estes alvos tentar a sorte no Aglomerado da Virgem será um passo óbvio. A região pipoca em galáxias e diversas destas são até mais fáceis que algumas das aqui apresentadas. Mas com tantas galáxias seu “starhooping) deverá ser afiado. Pois em campo com poucas estrelas e muitas galáxias pode ser difícil de saber quem é quem. E mesmo em campo tão rico em galáxias percebe-las pode ser bem mais difícil que se supõe.  Você vai utilizar técnicas de “galaxyhooping”.
A Observação visual de galáxias em pequenos aparelhos é para aqueles que realmente gostam de DSO´s. será difícil achar e não espere detalhes (ao menos na maioria das galáxias).

Galaxias são também interessantíssimos alvos fotográficos e através da astrofotografia revelam detalhes muitas vezes inimagináveis junto a pequenos ( e mesmo grandes) telescópios.

Todas as galaxias aqui apresentadas já foram apresentadas de forma mais aprofundada no Nuncius Australis. Uma rápida pesquisa pode levar aos respectivos posts para aquele que assim desejarem.  




                 
               




sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Ngc 253- A Grande Galaxia de Escultor

                


                 A observação visual de galaxias em pequenos telescópios é uma arte que é parente próxima das obsessões e monomanias tão citadas por Simão Bacamarte  em um dos contos mais divertidos do Mago do Cosme Velho ( Joaquim Maria Machado de Assis) . Como a busca destes universos ilhas , com muito poucas exceções,  demanda céus mais escuros que os de meu Rio de Janeiro querido geralmente preciso ir para Búzios realizar a caça. Talvez por isto sempre que penso em galaxias me recordo do "O Alienista" e da máxima de Simão Bacamarte ( O Alienista do título) : - A ciência é meu emprego único ; Itaguaí o meu universo . 
                Na verdade toda esta história  faz parte de um folclore familiar e de um terrível mal entendido geográfico. A caminho de Búzios se passa por Itaboraí. Mas esta  sem graça cidade fluminense assim como Itaguaí possui também uma casa de Orates.  Que em vez de ser chamada de Casa Verde é chamada de Clinica Ego . E sempre que minha filha  vai a Búzios vem a tona o velho sonho de se ter uma casa na serra com Cavalos, céus muito escuros  e outras cositas mais . Eu entendo o desejo ingênuo  dela e dou maior apoio. Mas lembrando sempre de minha pindaíba aviso que na atual conjuntura uma Casa na serra só se for pintada de verde. Seria um desvario... Da mesma forma que querer ver galaxias distantes em modestos telescópios.
                Buscar por  Ngc 253 talvez não garantissem uma visita forçada a Casa Verde. É uma das galaxias mais brilhantes dos céus e com um brilho de superfície relativamente alto apesar de seu grande  tamanho aparente   ela é facilmente percebida mesmo com visão direta e em céus nem tão generosos. Buzios atinge 6 na escala Bortle de Poluição Luminosa ( Subúrbios Claros) ela se apresenta até mesmo com alguns detalhes no Newton ( um telescópio refletor de 150 mm f8) .  Com Magnitude de 7.1 e um brilho de superfície de 13.2 ela é generosa com amadores.
                O´Meara nos diz que  "... de vislumbre a galaxia parece com o inicio da ordem inicial emergindo do fervilhante caos ".
                Localizada a 9.8 milhões de anos luz do nosso grupo local Ngc 253 é a galaxia mais brilhante do Aglomerado de Escultor. É o aglomerado galáctico mais próximo de nosso grupo.

                Ngc 253 foi uma descoberta de Caroline Herschel . A mesma que batiza minha cabeça equatorial e irmã de William.  Em seu primeiro catalogo " A Thousand New Nebulae" William nos diz: " Esta nebulosa foi descoberta por minha irmã Caroline Herschel,  com um excelente pequeno Newtoniano de 27 polegadas de distancia focal e com ampliação de 30.1 que possui entalhadas as iniciais C.H. de seu nome."  Caroline utilizou este telescópio para realizar varreduras dos céus entre  1782 e 1783 em busca de cometas. Herschel registrou o objeto em 30 de outubro de 1783.  Coube ao sobrinho de Caroline , John Herschel, observando a partir da Cidade do Cabo descrever a galaxia em detalhes. Em novembro de 1835 ele diz "  levemente raiada e nodosa em sua constituição e talvez seja resolvível".
                É lógico que Herschel ( filho) não resolveu estrelas individuais em Ngc 253 . Mas é compreensível ele ter esta impressão. Eu mesmo a tive com o uso de visão periférica. O efeito é bem comum em galaxia elípticas.
Tratatda no PixInSight

                Ngc 253 ´uma espiral barrada e uma das mais fáceis de ser percebidas visualmente. Muitos livros comparam Ngc 253 com M 31 ( a grande galaxia de Andrômeda)  mas creio que o único fato para tal é que ambas são facilmente observáveis com pequenos telescópios.  Com 54 mil anos luz de extensão e uma massa total de cerca de 75 bilhões de sóis  ela é  2 , 5 vezes menor e 4 vezes menos maciça que M 31.

                Ngc 253 é ainda uma galaxia "starburst". Possuindo muito gás em seus braços ela produz estrelas em um passo 4 vezes maior que a maioria da espirais.  Especialmente junto a região mais próxima a seu núcleo.  Em seu núcleo habita um gigantesco aglomerado estelar parecido com a Nebulosa de tarantula na grande Nuvem de Magalhães. Esta uma região muito dinamica onde surgem aglomerados de estrelas jovens mas com massa e características semelhantes aos anciões aglomerados globulares. São elos na evolução do universo muito interessante e alvo de muitos estudos recentes.  estes surtos de nascimento estelar são , geralmente, resultado da interação de galaxias. Isto deve  ter acontecido entre 100 e 150 milhões de naos atrás. A outra galaxia envolvida não é conhecida e provavelmente e o surto é fruto da absorção da mesma. O mais recente surto de nascimento estelar deve vir se desenrolando por cerca de 20 a 30 milhões de anos. Aglomerados muito jovens foram registrados pelo Hubble Space telescope.  Ngc 253 é  mais precisamente uma espiral mixta ( SABc). Algo entre uma Espiral "grande design" e uma barrada.
                Em latitudes austrais Ngc 253 é uma das grandes damas da noite e é possível desconfiar de sua presença mesmo a olho nu de regiões e céu muito escuro. Tive este prazer a partir da Serra da Águia Branca ( S.C.) .  Desta forma ela se assemelha muito a M33. Mas M 33 é definitivamente um alvo mais difícil de ser observado. Em Búzios M33 é um objeto dificílimo e que só se apresenta com visão periférica e mesmo assim para quem já tem uma certa pratica observacional. 253 é acessível aos mais neófitos.

                Localizar a mesma céus suburbanos não é tão fácil quando se poderia supor a partir deste depoimento.  Olhe bem o mapa e calcule a posição a partir de Diphda e Alpha Sculptoris. A região não é muito povoada e como  a galaxia se revela discretamente mesmo para binóculos uma tentativa de aproximação e erro costuma funcionar bem. É comum se esbarrar em Ngc 288 ( Um globular ) quando se parte de Alpha Sculptoris. A Galaxia tem quase 30´ de tamanho aparente e não se confunde um com o outro nem com muita vontade. Em meu 7X50 ( binoculo)  posso enquadrar 253 e 288 juntos. Com isto é possível comprimir mais de 9.000.000 de anos luz em um único campo visual. Um conceito de 3D que deixaria os realizadores de Hollywood morrendo de inveja...
                Ngc 253 é popular e possui vários nomes. A Grande galaxia de Escultor é o mais famoso. Mas A Galaxia "Moeda de Prata" é tão ou mais apropriado. ( The Silver Coin). É  também a entrada  de numero 65 da Catalogo Caldwell ( C 65) , uma lista observacional organizada pelo finado Patrick Moore.
                Em fotografias mais esmeradas que as que realizei ela revela muito s detalhes. densos nós estelares onde habitam os novos aglomerados citados são evidentes. Com paciência e insistência estas estruturas são espíritos insistente para observadores visuais aplicados.
1 unica exposição de 30 segundos. É muito semelhante ao que você ver´com visão direta em uma ocular wide field.

                As fotos  que ilustram este post foram fruto de algumas dezenas de exposições de 30 segundos ( algumas 25 e outras 32...) com ASA 3200 em uma Canon T3 sem modificação alguma. O telescópio utilizado foi um newtoniano 150 mm f8 montado em uma HEQ 5. Sem acompanhamento. Passaram por diferentes processos de "revelação". Foram utilizados programas como o DSS ( Deep SkyStacker) , Rot n´ Stack , Fits , Photoshop , Noiseware e talvez mais alguma coisa...  Foram utilizados dark frames também.
                Nestas é possível perceber bem os dois braços principais e seu ativo núcleo. A estrutura nodosa e fruto do seus numerosos aglomerados também se apresenta timidamente. A granulosidade que deve ter dado a Herschel sua sensação de resolver  estrelas é bem evidente.

                A Moeda de Prata é um dos mais interessantes alvos extragalácticos da primavera e de todo céu Austral . E visualiza-la não irá colocar em risco sua sanidade nem sua paciência.

sábado, 24 de janeiro de 2015

Ngc 5617- " The Dracula Cluster"

     
            Ngc 5617 é um belo aglomerado aberto na Constelação de Centauros. Localizado a pouco mais de 1o de Alpha Cen é estranho que não seja muito mais visitado. Talvez por habitar tão próximo a  famosa estrela e em uma vizinhança marcada por DSO´s extremamente conhecidos ( Omega Centauro ,  Caixinha de Jóias e cia. Ltda. ) esta bela jóia fica um pouco esquecida.
        
crop de Ngc 5617.
                Outro detalhe é que mesmo tão próxima a um farol  obvio como Rigel Kent (Alpha Cen) a navegação até este porto pirata pode ser mais difícil do que  pode supor a vã filosofia. Durante muito tempo procurei por este tesouro e não o localizei. Chequei a ser enganado e acabei "descobrindo" Lynga 2 em seu lugar. Este um pequeno aglomerado aberto com pinta de asterismo e com menos estrelas, mas mais brilhantes que o original...  
                Ngc 5617 é conhecido também como " Aglomerado Dracula". ( The Dracula Cluster).
                Não consigo entender a razão e acredito ser mais um daqueles apelidos inventados pelo O´Meara e que só ele sabe a razão. Em seu Southern Gems ( um belo  livro que completa sua coleção Deep Sky Companions e aborda as melhores peças descobertas por Dunlop) e alega poder perceber o Vampiro com braços abertos esticando sua capa.  O aglomerado é a entrada de numero 69 em seu  livro. O minimo que posso dizer é que le é bem imaginativo.  
                Como já disse o aglomerado me ludibriou diversas vezes até que o conseguisse observar e fotografar. PaComo já disse o aglomerado me ludibriou diversas vezes até que o conseguisse obsrvar e fotografar. Partindo-se de Alpha Cen ele reside pouco mais de um campo ocular ( usando uma 26 mm em um Newtoniano 150 mm f8) a oeste da conhecida estrela dupla. Mas como sempre repito nem tudo é como parece ser e muito menos como achamos que é. E atualmente sempre que quero visitar o aglomerado eu parto de Alpha cen vou até Lynga 2 e deste um pequeno salto me leva até o aglomerado. caçar discretos DSO´s não é para impacientes e com um pouco de vontade e algumas tentativas você acabará chegando em 5617 de um modo ou de outro. Eu nunca consegui perceber o mesmo pela buscadora. Mas é provavelmente factivel em locais de céu bem escuro.
                 O aglomerado uma vez na ocular é inconfundivel. bastante concentrado e com dezenas de pequenas estrelas se resolvendo mesmo com pequenos aumentos ele é um espetaculo.  Trumpler o classificou como um aglomerado aberto I 2 r . O que significa que o mesmo se destaca bem do fundo galactico, possui um grande concentração central, uma larga escala de brilho em suas estrelas e posui muito membros ( mais de 100).

 A descrição feita por Dreyer também deixa bem clara a beleza de Ngc 5617.  Cl,L,pRi,pCM,st 8...que traduzindo em miudos significa que é um aglomerado (Cl), grande ( L), bem rico (pRi) , bem concentrado no centro ( pCM) e com estrelas de 8a magnitude e menos...


 rt
                Nossa jóia foi descoberta por James Dunlop em 1826 em seu levantamento feito em Canberra , Austrália. É a entrada de numero 302 em seu confuso e muitas vezes equivocado catalogo. Ele nos diz que trata-se de um aglomerado de pequenas estrelas de magnitudes variadas e consideravelmente concentrado em seu centro. com 4´ou 5´de diâmetro (cluster of small stars of mixt magnitudes, considerably congregated towards the centre, 4´ or 5' diameter). Ele observou este aglomerado duas vezes.
                O aglomerado é relativamente bem estudado e especialmente citado em papers que tratam de "Blue Stragglers" (um caminho evolutivo "diferente" para estrelas duplas...) . Com  80.000.000 de anos é um contemporâneo das Plêiades e sua distancia é alvo de alguma controvérsia .  É um daqueles casos de aglomerados que foram se afastando de nós conforme fomos melhorando as estimativas. Um interessante paper de 1967   diz que Raab nos dá uma distancia de 625 pc; Depois Trumpler fala em 1110 pc. Collinder recua para 850. Depois Barankhova fala em 900 e um tal de Waltenquist  diz que ele se encontra a 730. Em avaliações mais recentes os valores oscilam entre 5000 e 7500 anos luz.  Devido a sua posição na galaxia o "redenning " deste aglomerado é difícil de ser calculado e assim sua distancia é incerta...  1 Parsec ( Pc) é igual a  3,2616 anos luz.  "Redenning" é o desvio para o vermelho nas luz das  estrelas causado pela poeira entre nós... Os cálculos mais atuais se baseiam em variáveis cefeidas suspeitas de serem membros do aglomerado. 
                Utilizei diversas oculares na observação mais recente que fiz de 5617. Ele sobrevive bem a magnificação e com uma 10 mm ele quase enche o campo visual. Novamente o melhor resultado foi utilizando uma 17 mm  Não devido ao tamanho. A 17mm é minha melhor ocular e salvo alvos muito pequenos ou muito grande ela em geral é a melhor opção . Com a 26 ele se assemelha muito a foto sem crop apresentada acima e chega a ser discreto. Com atenção se percebe mais estrelas. O uso de visão periférica será útil . Pode-se perceber o colorido e a presença de estrelas vermelhas. Afinal já não é mais um garotão...

                Quanto as imagens foram realizadas cerca de uma dezena (o valor exato se perdeu nas anotações que eu não fiz...)  de fotos  com ASA 3200 e 20 segundo de exposição . A câmera utilizada foi uma Canon T3 não modificada e utilizando um newtoniano 150mm f8.  O alinhamento polar foi apenas suficiente.O foco idem. Como em geral acontece aqui no Nuncius Australis. Astrofotografia é a melhor diversão.
Foto analisada no Astrometry. O catalogo HD é incluido no Skychart ( Cartes du Ciel) e creio poder ajudar na localização ...
              Ngc 5617 é um belíssimo aglomerado marcado pela forte concentração central  e de grande riqueza. É melhor observado com telescópios e sua visualização com binóculos nunca me convenceu. Na verdade mesmo como o Galileu ( um refrator de 70 mm e f 13) eu nunca tive plena consciência da beleza deste tesouro.   Um novo favorito...






                

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Ngc 2669- Escondido no Falso Cruzeiro

           
                Quando falamos de aglomerados abertos a maior parte dos astrônomos imagina algo como as Pleiâdes. Ou quando um pouco mais conhecedores as Caixinha de Jóias. Outros sérios candidatos seriam o Presépio ( M44) ou ainda as Híades.
                Quando falamos de aglomerados abertos a maioria dos mortais não imagina nada.
                Mas a grande maioria dos aglomerados abertos são muito mais discretos que seus companheiros mais famosos.  E estes em geral são bem próximos.
                O nosso convidado esta noite é Ngc 2669. Um discreto habitante da constelação de Vela. Além de ser um pequeno aglomerado escondido bem fundo ao sul do céu tem como vizinho um grande e mais conhecido latifúndio. Isto fez dele um ilustre desconhecido. Não esta em nenhuma das listagens mais conhecidas e nem frequenta os mais tradicionais autores do gênero DSO. Messier nunca o avistaria de Paris. Era por demais tênue para ser avistado por Lacaille. Sua descoberta foi realizada por  John Herschel ( o filho ) em já no seculo XIX. Mais precisamente em 1834.  Dreyer inclui este em seu completíssimo New General Catalog publicado em 1888. Por aqui caia o Império...
                 Posteriormente foi incluído em catálogos mais obscuros como  Harvard (3), Collinder(202) , Lund (481) e outros ainda menos manjados... 
                Ele não é citado nem mesmo no Catalogo Caldwell. E passa liso por diversos autores mais modernos e sempre ávidos por novidades com Walter Houston , Phil Harrigton , O´Meara e Cia. Ltda.
                Mas é preciso corrigir esta injustiça. Em primeiro lugar por este não ser assim tão pequeno. tem cerca de 20´ de tamanho (um pouco menos que a Lua ) . Nem é tão apagado assim. Magnitude 6.1. E nem é tão difícil de ser achado.  E claro além de ser um belo pingente para a Coroa Austral.
                Ao Lado de Delta Velorum , no Falso Cruzeiro , esta talvez a maior ameaça a Ngc 2669. IC 2391. O primeiro DSO " descoberto" pelo Nuncius Australis.  Também batizado de Aglomerado da Pequena Cassiopéia em homenagem a constelação Boreal este espetáculo celeste se espalho por 2o de céu e brilha com magnitude  2,5. é facilmente percebido a olho nu mesmo em locais de intensa poluição luminosa.
                Se por um lado a Pequena Cassiopéia acaba com qualquer chance de fama para este singelo aglomerado ela também é o farol que torna localiza-lo bem simples.  (HD  74535)
                 As duas mais brilhantes estrelas que marcam o pé mais a leste do M que é formado por IC 2391 habitam o mesmo campo que  Ngc 2669.  Na buscadora você talvez não perceba o aglomerado mas as estrelas que o emolduram serão evidentes em qualquer instrumento óptico.
                Ngc 2669 foi duro na queda . Diversas vezes que o procurei ele não quis se apresentar. Outra vezes caiu vitima rapidamente. Quase sempre o percebi com meu 15X70. Menos em condições muito extremas   ( Lua cheia e forte poluição luminosa) . Mas provavelmente devido a seu tamanho não tão grande localiza-lo com um telescópio pode ser mais difícil que parece. Ele se apresenta discreto em oculares wide field. E com maiores ampliações pequenos desvios nos levam ao lugar errado. A região é rica em estrelas e você pode acabar se confundindo.
                Nunca conseguira o fotografar da Stonehege dos Pobres ( O Observatório mais Urbano do Mundo) . Mas  visitando a Armação dos Búzios eu decidi que isto iria mudar.  Fiz um ensaio na véspera da viagem com o 15X70 só para garantir que ele continuava por lá.
                No céu "escuro " rapidamente o tinha enquadrado. O alinhamento polar como sempre deixou um pouco a desejar. Mas fiz diversas exposições do próprio . A lua quase cheia . Mas ele se apresentou.
                Agora o trabalho era descobrir mais fatos a respeito do suspeito . Foi mais dificil do que parecia. Pouquíssimos papers o citam e quase nenhum é lá muito especifico. Ele sempre faz é um coadjuvante em amostragens com milhares de aglomerados abertos.
                Depois de muito fuçar localizei um trabalho realizado por N. Vogt e A. Moffat  do Instituto Astronômico Ruhr de  em 1972  ( publicado em  Astrophysiccs and Astronomy Suplemment  9 de 1973) onde estes levantaram dados fotométricos de 11 Aglomerados galácticos no hemisfério Sul celestial.  ( Southern Open Star Clusters II- UBV- H b photometry of 11 Cluster between Galactic Longitudes 259and 280o)
                Daí vem toda a ficha do Individuo.
                Ngc 2669 se localiza entre 3000 e 4000 anos luz de nós. Embora sem grandes certezas eles atribuem uma idade intermediaria para o aglomerado  devido ao numero de estrelas Azuis e Gigantes vermelhas, A idade do elemento é de 6x10anos ( sempre quis usar notação cientifica em meus posts... ) 
                 E é só . Os rapazes não se aprofundam muito nos aglomerados em estudo. Aliás todos pouco conhecidos. A maioria pertence ao Catalogo Pysmis. Acho que nunca observei nenhum membro deste aí...
6x25 seg +6 darks DSS Newtoniano 150 mm Canon t3 asa 1600
                O que vejo na ocular me leva a crer que trata-se de um aglomerado pouco denso e sem um grande numero de membros. Embora seja difícil determinar quem pertence de fato ao aglomerado eu conto entre 35 e 45 membros.   Quanto as cores a lua cheia lava bastante da informação mas consigo perceber algumas estrelas levemente mais avermelhadas.
                Ngc 2669 é um belo pingente e não deve ser desprezado quando você for visitar IV 2391. Um bom exercício seria fotografar ambos em um mesmo campo.  Eu ( preguiçoso) fiz um pequeno mosaico bastante tosco. Creio que possa ajudar na localização do Aglomerado em relação a IC 2319. Mas creio que com um telescópio wide field ou mesmo uma tele objetiva a tarefa seja relativamente simples.

                Como já falei Ngc 2669 é um belo pingente entre as jóias da Coroa Austral. Mas localiza-lo requer atenção mais especial que muito s abertos . Seria um cristal bem transparente...

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Ngc 2360- Astronomia : Substantivo Feminino


                Caroline Herschel foi a primeira astrônoma profissional da história. Irmã do celebrado William Herschel ( descobridor de Urano e provavelmente o maior observador visual de todos os tempos) é uma espécie de eminencia parda. Uma gigante com cerca de 1,40 metros esta pequena grande dama trabalhou junta a seu irmão na elaboração do  catalogo que deu origem ao General Catalog. Um titânico trabalho reunindo mais de 2500 DSO´s no qual ela trabalhou como assistente de seu irmão e com subsidio do Rei George III. Ela recebia 50 libras por ano como assistente de William , seu mais querido e amado irmão.  (este ganhava 200 Libras como astrônomo Real. É incrível o que a inflação pode fazer pouco mais de 200 anos...)
                Caroline nasceu em 16 de março de 1750. É a oitava de 10 irmãos. Ainda criança foi acometida de varíola o que lhe legou sua baixíssima estatura e uma aparência pouco atraente, Aos 11 contraiu tifo. Se tornou uma sobrevivente. Mas reza a lenda que após isto nunca mais adoeceu. Foi  infatigável assistente de seu irmão. Cuidava da casa, das anotações , polia espelhos e tudo mais que fosse necessário para manter seu amantíssimo irmão despreocupado dos afazeres terrenos. Conta uma história que esta chegou a alimentar o próprio na boca enquanto este trabalhava polindo um espelho para seu mais novo telescópio durante 16 horas.
                William a presenteou com um pequeno telescópio e a incumbiu de procurar cometas. Também a instrui para  que ela também anotasse qualquer outro tipo de objeto interessante no seu caminho.  Tratava-se de um refrator que William considerava como uma espécie de buscadora. Com este modesto instrumento ( e posteriormente com um refletor de 90 mm)  Caroline descobriu  11 DSO´nunca antes observados. 
                Na noite de 26 de fevereiro ,1783 ela escreveu: " Logo após Gama Canis Maj uma nébula extremamente tênue.  As observações de meu irmão desta nébula: encontra-se aproximadamente a 3 1/2 graus de Gamma Canis Maj  " Amas de etoiles" ( como Messier referia-se a aglomerados abertos)  cm cerca de 1/2 graus e próxima a uma estrela de 7a ou 8a  magnitude. om 456 (aumento) conta-se 15 ou 16 estrelas que são todas excessivamente obscuras e parecem um pouco nebulosas; mas creio que isto se deva  a sua baixa altura e ao aumento excessivo. Com 227 ( aumento) conta-se entre 40 e 50 pequenas estrelas mais densas que em M93. Não é um Messier".
                No caderno de William Herschel  encontra-se esta versão e em seu catalogo ele atribui a descoberta da nebulosa a Caroline. Ele a inclui como a entrada VII. 12 de seu levantamento.. Seu filho John ( que organizou o GC [general catalog]) faz uma pequena confusão corrigida pelo próprio William que esta descoberta de sua tia seria  VIII. 8 ( atual Ngc 2358) . E desta forma garante que a descoberta de Caroline é Ngc  2360 ( GC 1512) .
3X15 seg+3 Darks - DSS +Noiseware +Photoshop

                Este belo e delicado aglomerado é a primeira descoberta original de Caroline. Como não poderia deixar de acontecer se tornou conhecido como o "Aglomerado de Caroline".
                O Aglomerado foi incluído por Patrick Moore em sua lista de "showpieces" celestiais que formam o Catalogo Caldwell . É assim também C 58.
                Quando atualizei o Stellarium e este passou a incluir o Catalogo Caldwell percebi rapidamente a existência deste aglomerado de nome sugestivo habitando na  fronteira de Cão Maior e Monoceros. Não poderia deixar de visita-lo.

                Localizar Ngc 2360 não é uma tarefa tão fácil como se pode imaginar. Localizado a cerca de 3 1/2 graus ao leste de Muliphen (Gama Canis Maj) é um discreto esfuminho em locais escuros junto a buscadoras. Eu não o percebi  com minha 9x50 mm. Omeara considera o aglomerado facilmente perceptível com binóculos de 7X35 mm. Ele observa de mais de 1500 metros de altitude e com um céu bem mais escuro que de Búzios ou do Rio de Janeiro.  Muliphen em si é uma estrela de 4.3 Magnitudes e é difícil de locais com forte poluição luminosa. Assim inicio minha jornada em Sirius e utilizando a minha ocular de 26 mm e o Stelarium ao meu lado faço um longo Starhopping que passa por 20 CMa dai até Muliphen e daí no instinto até o Aglomerado. No processo acabei fotografando um pequeno asterismo que me enganou na primeira tentativa. repetidas vezes me deparo com o mesmo e acabo descobrindo ser formado por 4 pequenas estrelas por volta de 9a magnitude .

Asterismo guia...













                 Elas me recordam um pouco Ngc 5138 em Centauro. Com auxilio do Stelarium descubro que estou a meno de 1/2 grau do Aglomerado de Caroline e assim acabo chegando ao meu destino.   Na verdade partindo de Sirius calcule um salto por volta de 1 campo e meio de buscadora e "desça rumo ao horizonte leste. Ou Usando uma ocular wide field calcule  os seus pulinhos utilizando o Stelarium ou um programa similar e depois passeie rumo oeste só um "pouquinho". A persistência irá acabar vencendo e você chegará lá... O Adm. William Henry  Smith em seu "Cycle of Celestial Objects" propõe um outro caminho. Imagine uma linha se estendo 8 graus a partir de Sirius em direção ao aglomerado ( leste-Nordeste ) . Depois Imagine uma outra linha que passe por Aldebarã e Bellatrix . Onde as linhas se interceptam esta o aglomerado.  Não é uma navegação das mais simples de qualquer forma. Demorei dias tentando achar e fui ludibriado diversas vezes por campos estelares e asterismos diversos. Esta região da Via Láctea é rica em estrelas de 10a magnitude .
                O aglomerado propriamente dito é inconfundível e apresenta um núcleo mais concentrado e fileiras de estrelas escapando do mesmo como em espiral. Cada autor que consulto vê algo diferente. O´Meara diz nos ver um pequeno rato com cauda e tudo. E ressalta que Barbara Wilson salienta um formato pentagonal no mesmo. 
                Observei o aglomerado com diversas oculares. Sando pequeno ele gosta de grandes aumentos . A melhor visão do mesmo eu obtive com 120X. Utilizando minha 26 mm (46X) ele não chega a se resolver na integra e pode até mesmo passar desapercebido por um olhar menos atento. Com minha 17 mm ele começa a se resolver .
                O aglomerado contem 91 estrelas ( Archinal) e se espalha por 15 anos luz.  Sua estrela mais brilhante possui magnitude 10.4 e seu membro mais apagado é uma discretíssima estrela de magnitude 17. Isto faz que os limites do aglomerado sejam um pouco difíceis de se determinar em uma área da Via Láctea , como já dito, rica em estrelas desta magnitude. Já é um ancião em tratando-se de  um aglomerado galáctico. 2.2 bilhões de anos . diversos de seus membros caminham na região das gigantes vermelhas de seu diagrama HR. Foram encontradas também algumas Blue Straglers ( estrelas que consumindo outras parecem ser mais jovens do que realmente são...) .
                É um interessante e antigo aglomerado que ainda por cima nos leva até Caroline Herschel ." A  primeira astrônoma profissional".

                E nos lembra que astronomia   é um substantivo feminino.