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quarta-feira, 8 de abril de 2015

O Tamanho das Coisas

       


         Quando observamos pequenas nebulosas junto a ocular de nosso telescópio não podemos sequer imaginar a imensidão de espaço que é abarcada por aquele pequeno esfuminho.
            Da mesma forma que quando resolvemos um aglomerado aberto não realizamos plenamente quão iluminado seria o céu de uma planeta que porventura orbitasse uma daquelas estrelas.
            Recentemente "descobri" um aglomerado aberto que "não existia". Depois de muitas reviravoltas cheguei a prova da existência do mesmo. Um desafio lógico. Só que apesar de ter substanciado a existência de Ngc 5269 eu não descobri nada a seu respeito. Tornou-se um aglomerado sem parâmetros físicos. Através da analise fotográfica do meio e de uma matemática mais para Mandrake do que para Gauss eu cheguei até alguns valores que ainda que suspeitos nos davam um retrato da paisagem.
            Posto tudo isto como podemos determinar o tamanho das coisas que observamos a partir de imagens com apenas alguns minutos ou mesmo segundos de arco e no limite da capacidade de nossos telescópios?
            Até encontrar Ngc 5269 eu geralmente obtinha dados como o tamanho físico e a distancia do DSO que estou observando através de programas planetários , na minha biblioteca ou em bancos de dados espalhados pela web.
            Claro que há um método matemático para o mesmo. E na descoberta deste descobri que muitas vezes o que descobrimos é muita vezes um chute educado...
            Sou um jovem homem velho e assim ainda possuo muitos livros. Em geral confio mais nestes que em fontes virtuais. E assim localizei  uma interessante passagem e uma formula ainda mais legal folheando o meu "The Messier Objects" da série Deep Sky Companions e de autoria de meu ídolo Stephen James O´Meara . Um livro fundamental e prefaciado pelo "Messier moderno" David Levy.
            Ele nos diz  em um trecho do 3 capitulo ( The Making of this Book)  que os astrônomos continuam discutindo a distancia das galaxias no Aglomerado de Virgem. Estimativas conservadoras  variam entre  varam entre 49 e 72 milhões de anos.  Existe um catalogo  ( que apesar de já um pouco datado continua sendo um modelo...) chamado Nearby Galaxies Catalog , deR. Brent Tully  que assume uma constante de Hubble de 75 Km /seg/ Megaparsec ( não se desesperem pois a formula que chegaremos implica que você apenas saiba multiplicar...)   e que uma galaxia é desviada  por 300 Km/seg da expansão universal pela massa do aglomerado de Virgem. Tully chega a uma distancia de 55 milhões de anos luz para o centro deste...
            Desta forma o diâmetro físico de uma galaxia pode ser determinado usando´se a singela formula:
            diâmetro (em anos luz) = 0.292xDXR
            Onde D é o diâmetro aparente da galaxia em minutos de arco e R é a distancia do objeto em mega parsecs .

            Quando queremos tratar de outros DSO´s galácticos a formula muda. Na verdade a constante muda. E aí temos:
            diâmetro=0,000292XDXR
            Aqui D continua sendo o diâmetro aparente em minutos de arco mas R é a distancia em anos luz.

               Para chegar até Ngc 5269 eu fiz um treino com seu aglomerado padrinho  (Ngc 5281) e utilizei de  handicap antes de fazer meu chute nem tão educado com o aglomerado que não existia. 
            Ngc 5281 é um de meus aglomerados abertos favoritos . Me lembra o Gato de Cheshire   e sempre quis conhecer o Pais das Maravilhas. Em um estudo recente sobre o mesmo para meu projeto sobre o Catalogo Lacaille descobri que o mesmo possui informações conflitantes sobre seu tamanho.  . Enquanto pagina da SEDS diz este possuir apenas 5´de minutos de arco o Stellarium apresenta 14´e O´Meara diz 9`. Inclino-me a concordar com a ultima. Botando mais lenha na fogueira eu diria que este se espalha por 7´de arco.
            Como existem muitos métodos para se determinar a distancia de estrelas e assumindo que HD 11 9002 é um membro real do aglomerado e confiando mais ainda no Banco de dados da WEBDA resolvi tirar a limpo a questão. Determinar onde acaba um aglomerado aberto e começam estrelas que estão apenas contaminado o campo po de ser bem complicado. Mas levando-se em conta a fonte que é a minha favorita e da torcida do Fogão ( "Star Clusters" Wilmman- Bell 2000)   e o banco de dados da WEBDA sabemos que Ngc 5821 se encontra a 4200 anos luz de nós e suas estrelas se espalham por ~10 anos luz de espaço...
            Começaremos pelo perdulário  Stellarium. -
            Diâmetro = 0,000292 x 14 x 4200
            E assim Ngc deveria se espalhar por 17,1 anos luz. Ou estar bem mais perto do que a fotometria de diversas estrelas realizadas em um trabalho feito por Stanner indica...
            Agora a pão dura SEDS:
            Diâmetro =0,000292 x 5 x 4200
            E chegamos a 6,1 anos luz... Mais realista  meu ver mas ainda longe da pesquisa.
            Agora meu Idolo Stephen James O´Meara em seu "Southern Gems"...
            Diâmetro= 0,000292 x 9 x4200
            11,03. Chegando bem perto.
            E finalmente o vinho da casa...
            Diâmetro= 0,000292 x 7 x 4200
            8,6 anos luz.  
            Se a distancia entre nós e o centro do Aglomerado de Virgem pode variar   23 milhões de anos o diâmetro real de Ngc 5821 varia apenas uns poucos anos luz. Mas eu defendo que ele tem 7 arc min no meu telescópio. E  se espalha por modestos 8,6  de anos luz. O céu de um imaginário planeta ao redor de uma estrela em seu centro ia ter um céu cheio de estrelas bem brilhantes.

            O tamanho das coisas e as contas do tamanho...

terça-feira, 22 de junho de 2010

Kepler, as Leis do Movimento Planetário e 2012.




As idéias de Copérnico causavam profunda estranheza a seus contemporâneos. Quando nos deslocamos à posição relativa dos objetos não parecem se deslocar junto? Se a terra viaja ao redor do sol o mesmo efeito não deveria ser observado em relação às estrelas?
É então razoável supor que se as idéias de Copérnico estiverem corretas então a posição relativa das estrelas deveria mudar, ao menos um pouco. Com isto se tornava necessário medidas extremamente acuradas da posição das estrelas. Acuradas como nunca antes...
Três anos após a morte de Copérnico nasceu, na Dinamarca, um cidadão batizado Tycho Brahe. Cresceu extravagante, pretensioso e arrogante. E que aceitou a desafio de seu tempo. Estabeleceu o mais moderno observatório astronômicos que o mundo já tivera noticia. Uraniborg, na ilha de Hveen. Durante 20 anos ele e seu assistente se dedicaram a desenvolver o mais preciso levantamento astronômico de todos os tempos.
Tycho Brahe assumiu que as estrelas estariam sete vezes mias distante da terra que o sol. Acreditava que com isto pudesse determinar a mudança da posição relativa das estrelas.
Isto não aconteceu. Em primeiro lugar porque as estrelas se encontram muito mais distantes que o pressuposto por Tycho. Em segundo lugar os equipamentos que ele dispunha (sec. Xvi) não eram acurados o suficiente para determinar paralaxes tão pequenos.
Devido a suas observações Tycho Brahe recusa o modelo heliocêntrico. Mas suas “mensurações” se revelam extremamente valiosas para a astronomia no séc. XVII. Com sua morte , em 1601, suas anotações foram parar nas mãos de seu talentoso assistente Johannes Kepler. Este fora estudante de Teologia durante sua juventude e se convertera ao Copernicanismo. Rapidamente ele percebeu que a teoria Copernicana não precisava as posições planetárias medidas por Tycho. Com isto Kepler começou a trabalhar nos detalhes dos movimentos planetários. Kepler se concentrou especialmente no “problemático” Marte. Por cerca de dez anos Kepler tentou todos os tipos de epiciclos, deferentes e todas as loucuras propostas por Tycho Brahe e antepassados. Todas as tentativas davam errado. Em desespero ocorreu a Kepler que seus problemas poderiam ter como raiz o uso de círculos. Durante milênios os astrônomos se referiam a círculos para descrever o movimento dos planetas. Talvez o circulo fosse a curva errada. Kepler descobre que o comportamento de marte se comporta muito bem com outro tipo de curva. A elipse.



Uma elipse é uma forma básica geométrica que consiste em uma curva com dois focos. A distancia entre estes focos é importante e vai determinar o formato desta. Um circulo pode ser entendido como uma elipse em que os focos são sobrepostos. Graças à elipse Kepler dá o primeiro grande salto na cosmologia desde Copérnico. Veja a figura e veja como se pode traçar uma elipse e entender seus constituintes
Na realidade a diferença entre o eixo maior e menor dos planetas é muito pequena..
Em seu Livro “A Nova Astronomia”, lançado em 1609, ele explica o que vem a ser conhecido como a primeira lei de Kepler:
“Cada planeta se move ao redor do sol em uma órbita que é uma elipse, com o sol em um dos focos da elipse”
É IMPORTANTE FRISAR QUE A ÓRBITA DOS PLANETAS É APENAS LEVEMENTE ELIPSÓIDE. É NOTAVEL QUE KEPLER TENHA REALIZADO ISTO. O desenho acima é extremamente exagerado em relação as orbitas reais.
Além de estabelecer o formato real das órbitas dos planetas Kepler também investigou a velocidade dos planetas ao longo da órbita. Os planetas se movem mais rapidamente quando próximos ao sol e mais lentamente quando mais distantes. Ele descobre uma relação bem simples para estabelecer esta velocidade e daí nasce à segunda lei de Kepler:


“Uma linha reta unindo o sol e o planeta cobre a mesma área em iguais intervalos de tempo” O planeta demora o mesmo tempo para percorrer AB que demora para percorrer CD.
E por fim ele estabelece a sua terceira lei que vai criar as bases para a moderna cosmologia.
“O quadrado do período orbital é diretamente proporcional ao cubo do eixo maior de sua orbita”
Esta parece mais complexa, mas não é .

Podemos utilizá-la para provar que uma das mais famosas asneiras das pseudociências associadas ao ano de 2012 é simplesmente isto: uma asneira.
Nibiru seria um planeta que possui uma orbita extremamente elíptica e que segundo um cara chamado Sitchin, que seria também auto didata em escrita cuneiforme, possui papel importante na formação do sistema solar. Este planeta que possui o sol em um de seus focos e o outro para além da orbita de Plutão foi responsável pela criação do cinturão de asteróides e pelo surgimento da Terra e da Lua (teria colidido com todos ). A ordem dos fatos não importa posto que pelos escritos do amigo isto seja dificílimo de estabelecer. E também é dito que Nibiru orbita o sol a cada 3600 anos. O que o coloca POR AQUI EM ...Adivinhem? 2012. Tudo escrito em Sumério...Na pedra...
Aplicando a Terceira lei:
A²=P³ onde A é igual ao eixo maior (em unidades astronômicas) e P é igual ao período orbital.
Aplicando um pouco de álgebra e os valores que se pode imaginar dos delírios de Sitchin se obtêm:
A=³√(P²)
Sabendo- se que o tal planeta passa muito perto da terra (chegando a colidir...) seu periélio (posição mais próxima do sol de um planeta em sua orbita) será considerado igual a 1 A.U. ( Unidade astronômica : tamanho do eixo maior da órbita da terra. 149.597.870,7 km)
Assim sendo podemos estabelecer que sua distancia (d) no afélio( maior distancia do sol em uma orbita) será igual a 2A -1. Ou seja: d=2A-1
Acrescentando isto a nossa formula:
d=2(³√ (P²))-1
d=2(³√3600²)-1
d=2(³√12960000)-1
d=2(234.892058)-1
d=469.784116-1
d=468.784116
Ou seja, 469 AU.
Plutão está a uma média de 39.5 AU do sol . E apresenta uma orbita altamente elíptica e que só sobrevive graças a fato de estar em ressonancia com a orbita de Netuno em uma razão de 3:2, a órbita de Nibiru é de tão forma elíptica que o coloca em algum lugar para alem do cinturão de Kuiper e muito além da área de influencia do sol e depois ele passa tão perto do sol quanto a Terra... Ou seja sua orbita cruza todos os corpos do sistema solar . Nem em 2012 e nem nunca. Nem em sumeriano arcaico.
.
A segunda lei também serve para acabar com isto. Um planeta nesta orbita ia passar tão rápido em seu eixo menor que estaria quase a velocidade de escape do sol. E depois a uma distancia tão grande que a influencia gravitacional do sol seria quase nula. Só a existência de Júpiter já garante arremessar este corpo para sabe-se lá onde .Esta orbita é totalmente instável.
Como Kepler faleceu em 1630 ele não precisou ouvir as besteiras apregoadas por Sitchin e ainda assim mostrou que sua terceira lei serve a ciência até hoje
Aqueles que quiserem saber mais sobre a estupidez humana podem visitar: http://www.2012hoax.org/nibiru .
Kepler é fundamental para Newton chegar a sua lei da gravitação e o novo grande passo na cosmologia. A seguir Isaac Newton

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

O Morte do Tempo e a Velocidade da Luz



Apesar do Nuncius não devotar este blog a cosmologia a leitura de um artigo recentemente publicado na Revista Astronomy de Agosto de 2009, levou-o a divagar. ( O artigo foi escrito por Bob Berman em sua coluna Strange Universe).Embora o artigo trate de galáxias distantes ele me levou a uma curiosa associação destas a aglomerados globulares.
Aglomerados globulares são claramente objeto de carater exótico.Orbitam o halo galáctico e possuem órbitas as vezes excêntricas , as vezes não .
Muito Antigos. Talvez demais.
Hipotese:
Possivelmente galáxias primitivas que acabaram agregadas a galáxias mais jovens e evoluídas. (o espaço aumenta)
Estruturalmente galácticos , geograficamente satélites.
A presença de planetas orbitando em aglomerados globulares , bem como existência de buracos negros em seu núcleo representam provas a favor desta hipótese.
Ainda no nível de hipótese , a primeira geração de mega estrelas pode ter sido constituida de Imensos aglomerados de curta duração com milhões de estrelas furiosamente quentes e de muita especulação.Inflação imensa ainda.(pouco tempo+pouco espaço=inflação).
Será que a velocidade da luz foi sempre a mesma no tempo e no espaço?
Observação de galáxias muito distantes indicam que talvez não.( vide matéria citada acima)

PROPOSTA DE EXPERIMENTO.

Localizar a as galáxias mais distantes e comparar suas estruturas a de aglomerados globulares mais próximos e comparar esta com a das galáxias elípticas de céu profundo( + de 12 bilhões de anos luz).
E daí?
Possuem elas aglomerados em seu halo?
Há alguma sem nenhum?
Não seriam aglomerados globulares as primeras estruturas mais complexas a se formarem a partir do big bang.(evidentemente depois da desunificação das forças).
Considerações:
Caso no auge do movimento inflacionário e especialmente antes deste poderia a matéria viajar mais rápido que a luz?
Desta forma a informação poderia estar adiante no tempo do que o tempo.(Há de haver mais espaço do que percebemos)
Desta forma passado e futuro se unem e o tempo deixa de existir .
O tempo é uma construção humana . Não existe de fato.O Big Bang não começa nem acaba , é eterno antes do tempo . E depois também.E neste momento não existe o tempo.


Outras viagens:

Mutação na matéria. A união de dois tijolos fundamentais (bosons, por exemplo) mesmo que se repetisse com as estas partcuilas não necessariamente construíam a mesma estrutura. Bilhões de vezes x+y=z . Porem nestas condições de contorno 1 vez ( ou mais) x+y=m (mutação).