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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

M 67 : O Barrete Frígio

       


            M 67 é aquele outro aglomerado aberto em Câncer. Dividindo a constelação com M 44,O Aglomerado do Presépio, que é facilmente percebido a olho nu este mais discreto e nem por isto menos belo aglomerado é menos visitado. As apagadas estrelas do caranguejo celestial não facilitam a navegação até o mesmo em locais de poluição luminosa.  E assim M 67 sofre uma daquelas injustiças celestiais comuns a vizinhos de grandes e brilhantes aglomerados.
            O Aglomerado foi descoberto por Johann Gottfried Köhler em Dresden, Alemanha, antes de 1779. “ Uma nebulosa bastante proeminente com um formato alongado”. Como seu registro nunca foi publicado Messier redescobre M 67 de forma independente em 6 de abril de 1780. Este o resolve parcialmente. Um aglomerado de pequenas estrelas com nebulosidade”. Ambas as descrições demonstram como o equipamento destes pioneiros era modesto. Já observei M 67 com o “Galileo” (um refrator de 70 mm) e o resolvi totalmente. Nada de nebulosidade envolvida.
            William Herschel é o primeiro a resolve-lo. Ele o descreve assim:
            “Um lindo e muito comprimido aglomerado de estrelas, facilmente observável com qualquer bom telescópio e onde observei mais de 200 estrelas no campo de meu grande refletor, com um aumento de 157X”.
            Leo Brenner (um controverso e muito “criativo” observador alemão do final do século XIX e início do sec. XX. Autor do primeiro Guia observacional de Céu Profundo em língua alemã (1902)) também deixa claro como eram simples os telescópios utilizados por seus descobridores: “ Na buscadora aparenta ser um retalho nebuloso, mas já com pequenos aumentos é reconhecido como um aglomerado estelar e esplendido objeto. Cercado por um semicírculo de estrelas mais brilhantes repousam 230 estrelas de magnitude 9 a 12. ”
            O Admiral Smyth é que associa M 67 ao formato que hoje leva a seu apelido: O Barrete Frígio. Quase um século depois O ‘Meara nos conta que muitos discordam da semelhança apresentada por Smyth. Ele mesmo acha que o aglomerado lembra um Cobra-Rei pronta para o bote e destaca que Flamarion acredita que o aglomerado recorda a uma espiga de milho e que Luginbuhl e Skiff criam sua própria metáfora e associam o mesmo a “uma arvore de fibras óticas”.
Brasão da Cidade do Rio 

            Somente para esclarecer: O chapéu frígio recorda uma mitra (aquele chapéu de bispo) e é também conhecido como o Barrete de Liberdade por ter sido utilizado pelos revolucionários franceses. O mesmo está presente no brasão da cidade do Rio de Janeiro.
            M 67 é um dos mais antigos aglomerados abertos conhecidos e estudo recente (Michaud e colegas, 2004) estima uma idade de 3.7 bilhões de anos o que é quase tão antigo quanto o sistema solar. O mesmo estudo acredita que ele manterá sua dinâmica de aglomerado por mais 5 bilhões de anos.  Muitos poucos aglomerados abertos atingem idades sequer próximas a isto. Ngc 188 é o único aglomerado aberto conhecido que (sem controvérsias...) é mais antigo que nosso convidado. A razão desta longevidade esta associada a sua riqueza e a sua grande distância do plano e do centro galáctico; o que evita interações gravitacionais destrutivas.
             A idade de M 67 nos permite ver neste um grande número de estrelas altamente desenvolvidas. É rico em gigantes vermelhas, com pelo menos 20 confirmadas. Possui também um grande número de anãs brancas (150). Foram descobertas também 23 “Blue stragglers” que são mais típicas em aglomerados globulares mais densos e antigos que os tradicionais aglomerados galácticos.
            Localizada a 3000 anos luz de nós pode-se derivar um tamanho de 21 anos luz para M 67.
            Observar M 67 em locais escuros não chega a ser difícil. O´Meara nos diz que em uma noite perfeita ele é visível a olho nu. Eu duvido.... Com meu binóculo 10X50 mm em céus Bortle 6 ele é perceptível como uma pequena mancha enevoada. Com meu 15X70 ele começa a se resolver.  Com o Galileo ele se resolve e conforme aumenta-se o poder de fogo mais estrelas irão comparecer.
            Stoyan nos diz que o equipamento mínimo para resolve-lo é um telescópio de cerca de 60 mm.
            Com o Newton (um refletor de 150 mm f8) consigo perceber várias dezenas de estrelas. Em céus muito escuros podemos checar a uma centena com 120X de aumento. M 67 é um alvo telescópico e nestes é muito mais interessante que seu mais conhecido M 44. Este devido a sua enorme área aparente é melhor observado com binóculos.  

            Para se navegar até M 67 localize Acubens (Alfa Câncer) e navegando rumo a oeste passe por 60 Cnc (fraca e avermelhada). O aglomerado se apresentará discreto na buscadora em locais de poluição luminosa intensa...
            A foto que abre o post é resultado de cerca de 1 dezena de exposições de 30 segundos com ASA 3200. Na verdade foi um aquecimento na noite em que me dediquei a fotografar M 66 e M 65.  Foi utilizado o Newton montado sobre a Mdme. Herschel (uma montagem HEQ 5 pro) e uma câmera Canon T3 sem modificação. Foram feitos uns poucos “dark frames”.  A imagem foi processada no Deep Sky Stacker.

domingo, 31 de maio de 2015

M 4 - Astrofotografias de um Globular Notável

          

          Tentando concluir o meu antigo projeto de fotografar todos os membros do Catalogo Lacaille aproveitei uma excursão profissional para capturar alguns dos elementos que ainda se encontram foragidos. Por uma daquelas coincidências que nada tem a ver com as leis fundamentais do universo e que se somadas dão 42 estes são todos alvos fáceis de serem localizados e que os observei mais que algumas dezenas de vezes. Talvez por serem todos também membros do Catalogo Messier e diretamente associados a este acabaram sendo deixados para trás na missão Lacaille. São todos habitantes da Região central da Galaxia e se espalham por Escorpião(3) e Sagitário (1).
            Este post é dedicado ao primeiro elemento a ser detido para fotografias. As prisões foram realizadas em ordem numérica e seguindo a ordem que foi estabelecida por Charles Messier ainda no Séc. XVIII.   
            M4 possui uma relativamente curta história até ser batizado desta forma. Ele é uma descoberta original de De Cheseaux em 1746. Lacaille o inclui em seu catalogo em 1752 e o registrou como Lac I.9 ( a nona entrada de nebulosas do tipo 1) Sua descrição é tão concisa como na maioria das vezes: " parece o nucleo de um fraco cometa". E finalmente Messier o catalogou  na sua lista de objetos a não serem observados em 1764. Foi sua quarta entrada.
            Ele o descreve assim: " Aglomerado de Estrelas bem tênues. Com um pequeno telescópio parece ser uma nebulosa. Este aglomerado é próximo a Antares e no mesmo paralelo. Observado por
M. de la Caille e incluído em seu catalogo. Observado novamente em 30 de janeiro e 22 de março 1781".
            Ainda mais tarde ele ganhou seu Registro no New General Catalog de Dreyer. Ngc 6121.
            Localizar M 4 é muito fácil. Localizado a pouco mais de 1o de Antares ( Alpha Scorpio)foi um dos primeiros DSO´s que observei. Pela foto abaixo você conseguirá ver que a navegação entre Antares e M4 é bastante simples. Pela buscadora ambos estarão no mesmo campo e utilizando uma ocular de 25 ou mais milímetros no telescópio será um fácil salto entre estes.
M4 é facilmente percebido como uma estrela enevoada acima e a direita de Antares. Antares é a estrela avermelhada pouco abaixo  do centro da foto.

            O aglomerado é uma bola de algodão celestial mesmo para binóculos bem modestos. Com pouco aumento telescópios começarão a resolver membros individuais  63entre suas estrela que começam a se apresentar com magnitude de 10.8 ; uma evidente barra central é formada por uma coleção de estrelas entre 11a e 12a magnitude que se destacam das demais. Esta estrutura é descrita por diversos autores e Herschel ( o descobridor de Urano) a destaca já em 1783 como uma "aresta" formada por 8 a 10 belas estrelas brilhantes. Esta caracteristica levou O´Meara a batizar M4 com o 'Aglomerado Olho de Gato" por parece-lhe uma pupila felina cruzando o globular.
10 exp;X 30 segundos no Deep Sky Stacker . ASA 6400. foto realizada com o "Galileu"" um refrator de 70 mm em montagem EQ2. A foto que abre o Post foi realizada com o " Newton" . Um refletor de 150 mm e com uma montagem HEQ 5 pro. 25 fotos de 30 seg ASA 3200.  Percebam a diferença... 
            M4 é considerado o 2o globular mais próximo da Terra. A 7.200 anos luz ele só perde para Ngc 6317 e mesmo assim a decisão é no Photo Chart e controversa...
            Como quase todos aglomerados globulares M4 é membro do Conselho de Anciões do Universo e tem entre 10 e 13 bilhões de anos de Idade. depende da fonte. 12.2 bilhões de anos parece ser a idade mais aceita e de fonte mais recente...

            O aglomerado passa bem perto do centro galáctico durante sua orbita de 116 (+-3) milhões de ano ao longo do halo galáctico. Com isto já foi possivelmente mais denso e rico. Ele é destripado de tempos em tempos pela gravidade...
1 Exposição 30 segundos ASA 6400
            M 4 possui algumas estrela notáveis. Uma delas é uma anã branca que parece ser uma das mais antigas da galaxia com estimados 13 bilhões de anos. Possui ainda uma outra anã branca que participa de um sistema binário com um pulsar e que possui um planeta com massa de cerca de 2,5 a de Júpiter a sua volta. Por fim foi registrado outro Pulsar (1987) que possui um período e 3.0 mili segundos. 10 vezes mais rápido que o Pulsar da Nebulosa do Caranguejo ( M 1).
            M 4 é realmente um bom começo de passeio pela região do Escorpião que vai dominar os céus pelos próximos meses...


                

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Astrofotografia Cética

           
 
               O surgimento da world wide web foi um marco no final do século XX.Uma revolução.  Nunca tanta informação foi tão acessível a tantas pessoas em tão pouco tempo. Curiosamente idéias que eu considerava parte de contos de fadas passaram a ser discutidas e para minha surpresa apresentarem um numero considerável de defensores. Ideias fundamentalistas e leituras medievais de bíblia que para mim só permaneciam vivas em recantos distantes do oriente ou em enclaves no bible belt americano   eram defendidas por conterrâneos meus. Foi um choque.
                Com o tempo percebi que na verdade estes eram a resposta a um outro grupo que devido imenso aumento de informação surgiu alguns milhares de anos depois dos  fiéis clássicos  . O Cético de Internet.
                Em sua maioria são pessoas até bem intencionadas e com algum discernimento. Mas que acabam por adotar o ceticismo como uma filosofia, ou pior ainda, um way of life.  Em vez de encarar ceticismo como uma postura pratica de extremo eficiência na analisa de questões cientificas na qual é necessário confirmar o que foi dito ou proposto através de provas concretas estes passam a acreditar que devem examinar o conhecimento e as percepções sempre de uma forma critica e dependendo da corrente filosófica renegar a ciência como uma forma de saber que depende de comprovação e utilidade real. Seu objetivo é apenas renegar crenças alheias. Na sua luta para renegar o primeiro grupo de fundamentalistas citados se tornam eles mesmos um deles. Passam a acreditar que a ciência é uma crença organizada e e hierarquizada dentro de conceitos e/ou parâmetros  propostos por algum filosofo da moda. Me formei ha 20 anos . Mudam a cada 3 anos. As vezes menos. E passam a confundir sua filosofia com ceticismo e o ideário filosófico de algum favorito como uma verdade absoluta. Se tornam céticos profissionais e cientistas de merda.  
                Irão criar conceitos para sustentar suas idéias e uma lista infindável de falacias irá surgir como se fosse um bíblia cética. E curiosamente novas e novas falacias serão descritas por cada um dos grupos sem que nenhum resultado pratico seja obtido ou um novo saber criado.São dois lados da mesma moeda e como todo radical estão ambos defendendo a mesma coisa. A sua certeza de que o outro lado esta errado.
                Muita informação acabou por causar desinformação e o cordão dos toscos cada vez aumenta mais...  
                Inicialmente eu ficava revoltado com isto. Depois comecei a achar graça . E finalmente não achei mais nada. Não tem a menor importância para para mim e nenhuma para a ciência. E a web é um espaço democrático ( pelo menos aparentemente...)  que permite que qualquer que seja sua carência ou necessidade de afirmação  você possa criar um realidade virtual onde o que você acredita pode até mesmo parecer que é verdade . É o sonho do filosofo . Embora a filosofia seja tão útil para a ciência quanto a ornitologia é para os pássaros ela agora pode servir a dois patrões. De um lado crentes disfarçados de cientistas e do outro falsos cientistas disfarçados de intelectuais   Finalmente os pombos tem uma Ágora livre e defecada e podem até ir ao buletério.
                De qualquer forma  acredito que ceticismo é um recurso útil e fundamental. Assim esporadicamente redescubro que duvidar não é a mesma coisa que renegar. E que a duvida é que alimenta a ciência e não a certeza.  É o exercício que faz o homem.
                Sempre fui um auto didata na minha astronomia e suas especialidades. Com a astro fotografia não poderia deixar de ser a mesma coisa. E graças a web também posso apresentar o resultado de minhas experiências.
                Na mesma web falei existe muita informação a  respeito do assunto. E alguns dogmas podem se estabelecer.
                Um dos mais comuns é que é impossível observar DSO´s em grandes centros e que a observação astronômica só pode ser praticada de forma apropriada em locais desertos e longe de qualquer população humana. Há anos observo de um dos locais de maior poluição luminosa no mundo e fui capaz de observar e fotografar o mais diversos tipos de DSO´s. Não acreditei e sendo cético aprendi a ter esperança ... E com esta pude aprender a navegar por céus urbanos com poucas bóias e apresentar maravilhas celestiais a quem possa interessar. Em vez de repetir textos céticos e me conformar com frases feitas e repetidas a exaustão em textos para lá de manjados fui desconfiado e busquei pela resposta junto a ocular. Bom ceticismo.
                É engraçado aquele que se diz cético mas descreve sempre  a experiência de outra pessoa.  Sagan deve estar de saco cheio de servir de guarda costas para mediocridade e de ter seus belos textos mal traduzidos.  Asimov escreveria contos de terror ...
                Recentemente voltara de Búzios  remontei a Stonehenge dos Pobres. E depois de um dia péssimo me lembrei que astro fotografia é a melhor diversão. Mas me lembrei também que ele implica em muito trabalho. Estava com preguiça.
                Sempre li e já havia comprovado que para realizar fotografias de DSO é necessário utilizar uma montagem equatorial , fazer seu alinhamento polar , realizar longas exposições e outra tarefas mais.
                Porém tento na arte como na ciência existe alguns conceitos que devem ser respeitados. Um é a escala do evento . Outro é a pretensão do artista e finalmente o equipamento disponível.
                Já apresentei aqui o que considero o set up basico para a pratica de astro fotografia a sério. Mas existem outras formas nem tão comprometidas de pratica-la.
                Objeto a ser fotografado é um dado fundamental . Caso pretenda fotografar a lua diversas técnicas descritas são desnecessárias.
                A noite não era promissora e com alguns buracos entre nuvens não me dei nem ao trabalho de olhar o Stellarium e muito menos de montar o motor drive no eixo de A.R.    Não iria fotografar nada e também apenas aproximei o os pés do tripé do que seria um alinhamento polar adequado e comecei o passeio. Visitei  Ngc 4755 e depois fiquei caçando qualquer coisa que surgisse entre as nuvens. cabei me deparando com um aberto grandee que ja conhecia.
                Esqueci seu sobrenome mas me lembro de você. E assim resolvi que tinha que fotografar o bruto para submete-lo ao Astrometry e ter uma identificação do suspeito.
                Como São Tomé só vendo para acreditar e contrariando quase tudo que se diz por aí resolvi tentar a sorte e simplesmente acoplei a câmera ao telescópio e realizei algumas exposições de apenas 1 segundo utilizando ASA 6400. Apesar de tudo que é dito por aí obtive um registro que tinha certeza seria mais que suficiente para identificar o elemento.
                E assim ficou provado que apesar do que dizem é possível registrar DSO´s ( desde que sem a pretensão de capturar todos os membros Catalogo Lacaille desta forma... só a maioria) sem acompanhamento ne alinhamento polar. Claro que não se espera uma Brastemp mas ua cervejinha gelada vai sair...
                Foi engraçado ter fé de que algo seria registrado e aplicar o ceticismo para comprovar minha hipótese .   Deve ser uma falacia. Algo como uma Definição contraditória carpada de costas. ( Na verdade é só uma antítese...)
              
Ngc 3293- 4x 1 seg +4X 0,8 seg  newtoniano 150 mm Canon T3 . Empilhaas no Rot n´Stack Sem motor ou alinhamento polar e com muita nebulosidade... 
                Com 4 fotos de 1 segundo e 4 de 0,8  entre as nuvens e com um minimo de esforço Ngc  3293 se apresenta . Na verdade de uma forma quase idêntica ao que eu vejo por minha ocular 26 mm.
                E fica provado que sem uma montagem equatorial alinhada ou motorizada , com uma transparência péssima e com exposições muito curtas é possível obter registros que se não bons pelo menos uteis de DSO´s. Por uteis entendo que trata-se de uma imagem que permita não só a caracterização do que se esta observando como também a identificação do DSO.
Fiz umpost há algum tempo abordando a vitima. Acho interessante a comparação ente a os resultados obtidos nas fotografias.
8 X20 seg ASA 1600 Deep Sky Stacker
1X30 seg 800 ASA.


              
                      Ver para crer.  Astofotografia é a melhor  diversão. 

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Eta Carina Reloaded

           
           


           A Grande Nebulosa de Eta Carina é um dos mais impressionantes DSO´s de todo o céu. A maior jóia da Coroa Austral. Já fiz um grande post a respeito da moça. Neste apresentei sua história cheia de reviravoltas e lances explosivos ( literalmente). E pincelei a cosmologia envolvida na estrutura.
            Desta vez vou contar a história de uma foto. Na verdade de varias fotos.
            O fim de ano é sempre tempo de astro fotografia no posto avançado do Nuncius Australis. Em ambiente mais propicio a pratica da "difícil arte" que na Stonehenge do Pobres eu não poderia perder a chance de visitar a grande dama cm o Newton ( um refletor de 150 mm). E assim obter algumas fotos um pouco mais dignas que as do ano passado realizadas com o galileu ( um refrator de 70 mm e de óptica pedestre...) .
            Como já contei o posto avançado apresenta obstaculos distintos da fotos que realizo no Rio de Janeiro. Geribá é uma espécie de área suburbana na Armação dos Búzios . Durante a Lua cheia  as condições do céu são algo como Bortle 6/7. ( Veja Escala Bortle)
            Com Eta carina do lado oposto a  lua e com um alinhamento polar recem afinado eu decido revisitar a nebulosa por volta de 00:30 de 8 de janeiro de 2015. A observação visual não chega a ser alentadora. Se percebem muitas estrelas mas a nebulosa em si esta bem lavada e é discreta. A olho nú não chego a perceber nebulosidade nenhuma na região. E com uma ocular 25 mm ela se destaca apenas utilizando visão periférica. Na verdade precisei fazer um certo star hooping a partir das Plêiades do Sul para localiza-la.
            Depois de centralizar esta na ocular substituo a 25 mm pela câmera. Como a noite esta bastante ventosa prefiro apostar em exposições bem curtas e subir um pouco a ASA. Neste fim de ano estava tentendo realizar as astrofotos utilizando exposições mais longas ( de até 1 min. A maioria com 30 seg...) e ASA mais baixa. Mas com até os galhos mais grossos da Aroeira que adorna o portão da casa balançando fortemente nas rajadas mais fortes do nordeste que limpava as nuvens eu decidi que 15 segundos e 3200 ASA seriam um método mais conservador e efetivo. O vento é um adversario terrível para astrofotografia. É como  um "pé de gancho" ( cidadão que esbarra em tudo...) rondando o seu telescópio. 
             De mais de 50 exposições realizadas só passaram pelo meu frouxo controle de qualidade 27 das fotos. O alinhamento polar estava bem honesto . Mas o vento ....
            No Processamento das 27 fotos só passaram 22 destas pelo mais rígido controle de qualidade do Deep Sky Stacker.
            Fiz duas versões das fotos neste programa . Uma sem nenhum Dark frame e outra com 17 dark frames. Ao contrario de o que se poderia imaginar a diferença não chega a ser imensa. Como não havia realizado darks na noite eu resolvi fazer alguns com a maquina utilizando uma lente 18-55 mm com a tampa na frente e com esta utilizando f8 como obturador ( o equivalente a razão focal do Newton). Vivendo e aprendendo e as fotos não servem como darks . São rejeitadas pelo DSS. Este alega que o tamanho ou outra variável não é compatível com os Light frames gerados. Retiro a lente e a coloco a tampa do corpo da Canon T3 acoplada e refaço os darks. Agora sim...
Canon T3 Newtoniano 15o mm de diametro 1200mm DF- 22 Light Frames 15 seg -22 dark frames Empilhadas no Deep Sky Stacker e posteriormente visitando o Noiseware.

Sem Darks e sem noiseware

            Apesar de estrelas não exatamente redondas fico feliz com as fotos . A região coberta pela nebulosa é imensa  (bem maior que M42) e diversas estruturas associadas a nebulosa se apresentam. A Keyhole Nebula é evidente .O Homunculus também e  diversos dos abertos que abundam na região se apresenta evidentes.
            Não poderia deixar de realizar um alinhamento também utilizando o bom e velho Rot n´ Stack. Apesar de menos poderoso que o DSS é um software que tem suas qualidades e seus logaritmos apresentam sempre resultados diferentes.  E ele sempre aceita todas as fotos. O controle de qualidade do mesmo é inexistente... O que as vezes garante efeitos mais pirotécnicos que fotográficos. Eu que gosto de Pop Art me divirto muito com o mesmo...
Rot n´Stack modo mean

           
Modo Sort... 
O Newton é uma telescópio com 1200 mm de distancia focal. Estou a me convencer que a EQ 3-2 funciona em seu limite máximo com tal set up. Na verdade um pouco sobre carregada. Mesmo com um alinhamento polar cuidadoso é rara a foto "perfeita". O erro periódico é bastante grande. Mas fico feliz de conseguir manter o meu hobby na seara do barato. E mais feliz ainda com as fotos . São um belo registro da maior jóia dos céus austrais.


P.S. Localizei entre as sobras do fim de ano uma foto que não sabia de onde era. Com auxilio do Astrometry descobri tratar-se de um dos campos estelares que compõe 3372 ( A nebulosa de Eta Carina..) . Para não deixa-la perdida no HD a adicionei aqui  
 




domingo, 7 de setembro de 2014

Brincando no Deep Sky Stacker



O Deep Sky Stacker é um software gratuito capaz de empilhar e alinhar fotografias astronômicas. Em ultima instancia ele oferece ferramentas capazes de melhorar a razão sinal ruido de suas fotos. Sua utilização não é complexa mas este oferece muitas possibilidades e me recordo das surras que levei dele aé conseguir obter resultados ao menos decentes.
                O Deep Sky Stacker ( DSS) é mais exigente que outros programas que realizam "stacking" ( empilhar e alinhar...) gratuitos . Me refiro especialmente ao Rot and Stack. Suas fotos ( Light Frames) devem ter um minimo de qualidade e um alinhamento polar ao menos digno . Caso contrario você deverá trabalhar com um limite ( threshold) muito baixo e sua fotos podem se transfirmar em rabiscos superespostos sem nenhum valor.. Ou ele tembém pode lhe mandar uma mensagem avisando que só um frame foi aceito e que não será realizado nenhum stacking...
                Como o ócio pode ser um momento adequado para se produzir algo achei que depois de 1 mes sem trabalho era chegada a hora de fazer uma apresentação decente do DSS e de minha experiencia com este. Como já contei por aqui parece que Moira e Mania são primas irmãs e dependendo da fonte a mesma pessoas. E assim ambas madrinhas do Nuncius Australis.e posse destas e com muito tempo sobrando testei diversas da possibilidades do DSS.
                Para tal capturei diversas fotos que servirão de "grupo de controle" paa nossas experiências
                Foram capturadas 11 fotos com 10 segundos de exposição em ASA 6400. E 3 dark frames para este set up.

                Depois fiz mais 11 fotos com 20 segundos de exposição em ASA 3200. E 3 Dark frames para estas. É importante frisar que existe uma lenda que o numero de darks deve ser igual ao de lights. Mas para este teste isto não se faz necessário. 
10seg 6400 asa                                                 20 seg 32200


                     Não capturei nem flat e nem bias frames.
                 Eu preferi as fotos realizadas com 3200 ASA . Apesar da exposição mais longa eu percebo menos ruido que com 6400 asa. Quanto as estrelas elas não chegam a ser pontuais em nenhum dos casos. Atribuo o fato a um alinhamento apenas razoável . Mas também percebo que preciso melhorar a colimação
                E comeste material parti para o DSS.
                ...
                1) Em primeiro lugar você deve importar as fotos para o DSS (Abrir suas fotos no canto superior esquerdo. )

      

              2) Depois carregue os Dark frames. Estes são fotos feitas com o telescópio fechado e servem para que o DSS calibre suas fotos e também são utilizados para definir o que é sinal e o que é ruido em suas fotos. E assim melhorar a relação sinal ruido destas. 

               3 ) Uma vez com suas fotos carregadas você vai clicar em "verificar tudo" e em  depois em" registrar fotos que foram verificadas" e se abrirá o menu principal.


                    4) Clique na aba Avançado e acesse o controlo de limite do DSS ( Threshold) . Se você o colocar no minimo ele vai "empilhar qualquer coisa . Mas é provável que o resultado seja desprezível. Já se apostar em um valor muito alto é provavel que ele recuse a maioria de suas fotos. Eu geralmente atribuo entre 5 e 10%. Dependendo da qualidade das fotos que tenha capturado. 



             5)De volta ao menu principal clique em parâmetros de integração . Na aba Resultados serão apresentados as possibilidades de alinhamento . São estes Standart , Mosaico e Intersecção. 



                Abaixo eu apresento fotos comparando o resultado obtido com cada um dos métodos em ambos os grupos de controle.
standart


Mosaico


Intersecção



                Eu costumo achar o resultado do modo Intersecção geralmente melhor...

                Agora que já apresentamos os resultados gerais e as formas de empilhar vou apresentar  a aba light. Ela vai determinar como o DSS vai realizar a integração de seus light frames  na luta para melhorar a razão sinal ruido...
                Como eu , de forma arbitraria, achei os resultados obtidos com as fotos de 20 seg e 3200 asa estes stackings serão apresentados como exemplo.

                6) Com a Aba Light aberta surgirão diversos modos de integração : Proporção, Media, Mediana Kappa- Sigma Aparando , Auto Avaliação de Proporções Adaptadas, Proporções Avaliadas de Entropia ( HDR)  e Maximo


      7) Modo de Integraçao Proporção- Este e um metodo simples. A media de todos os pixels e por cada pixel.




       8) Média-Este e o método usual quando se utilizam os masters dark criados, flat e offset/bias. O valor mediano de cada pixel integrado e calculado por cada pixel.


     9)Kappa Sigma Aparando- Este e o método usado para eliminar literalmente o desvio dos pixels. Dois parâmetros são usados: numeros de interacções e o uso do desvio stand-normal que e multi plicativo (Kappa).


   10)Mediana Kappa Sigma Aparando- Este método e parecido ao Kappa-Sigma Limado, mas em vez de rejeitar os valores dos pixels, substituo-os por uma media de valores.



   
         11)Auto avaliação de proporções adaptativas - Esta avaliacão da proporção e adaptada do trabalho de Stetson.
Este método calcula a consistente proporcao obtida por interatividade analisada de cada pixel desde o desvio  padrão comparativamente ao desvio standart criado.




         12) Proporções avaliadas Entropia (HDR)- Todas as descrições 

com relação aos métodos de integração aqui descritos são extraídas do manual Do Deep Sky Stacker. Na descrição dos parâmetros utilizados para oStacking no modo HDR ele diz o seguinte: Este método e baseado no trabalho de German, Jenkin e Lesperance (veja Entropy-Based image merging - 2005) usado para integrar as fotografias harmonizando-as mantendo em cada pixel a melhor dinâmica.

É particularmente importante quando se integram fotografias com diferentes tempos de exposição e diferentes Velocidades e Sensibilidades ISO, numa enorme riqueza de informacão logarítmica. Usando este conhecimento, evita-se queimar o centro das nebulosas e galaxias.
Nota: este método exige uma intensa aplicação da memoria e do processador do CPU.

         Devido a explicação do manual  achei uma boa idéia fazer um teste. Empilhei o conjunto total dos grupos de controles. Assim a foto abaixo é fruto do stacking de 11 fotos de 10 seg. e 6400 asa + 11 fotos de 20 seg. e 3200 asa+ 3 Darks de 20 seg. 3200 asa+ 3 darks 10 seg.6400 asa.  HDR parece funcionar embora o resultado seja "diferente"... 




              14)Diversas outra abas existem . Na aba dark você vai determinar o modo de integração para gerar seu dark frame que será subtraído de seus light frame s e assim melhorar a razão sinal ruido. 



                15) As outra abas são mais burocráticas e eu não pretendo me estender o assunto.
                16) A 1a foto gerada pelo procedimento de stacking será um tif de 32 Bits. Ela vai lhe parecer muito exposta. Não se preocupe. você vai gerar um outro arquivo TIF de 16 bits onde através de ferramentas do próprio DSS você ajusta a foto. 
     
            17) Olhe o Historiograma e usando os controles deslizantes a esquerda "desça " os registros RGB na curva.  E perceba que as coisa melhoram bem....


        18) geralmente eu dou uma ajustada no contraste ainda no DSS. Entre 15 e 20% darão mais colorido as estrelas. As vezes pode gerar um desvio para o Magenta meio estranho..

      .O DSS é uma poderosa ferramenta e apresenta muitos recursos . Exprimentar não faz mal a ninguém. Espero ter apresentado alguns de seus recursos e manias. As fotos obtidas no DSS ainda podem percorrer um longo passeio no pós processamento. O Photo Shop é um parceiro característico.
                Eu tenho tentado utilizar o minimo de pós processamento e maquiagem nas minhas fotos. E assim tenho utilizado cada vez mais somente o DSS na produção das mesmas.

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Carpe Noctem e Harvard 5

                 
         


                Creio que a maioria dos leitores conheçam a expressão "Carpe Diem".
                 Ela é corriqueiramente traduzida como " Colha o dia" ou " Aproveite o dia".  A sua origem é bem mais erudita que nos faz supor Robin Williams e o filme "A Sociedade dos Poetas Mortos" ( filme que me levanta sempre a suspeita de ser uma espécie de remake de "O Ateneu" do Raul Pompéia ) .
                 É provável que o seu criador original tenha sido Horacio. Em Odes (I , 11.8)  ele diz a Leuconoe: " ... carpe diem quam minimum credula postero." ( Colhe o dia, quanto menos confia no amanhã).
                Ele busca convencer Leucone a aproveitar o momento presente e dele retirar todas as alegrias , sem se inquietar nem com o dia e nem com a hora de sua morte.
                Meu dia não seria um belo exemplo para o "postero" . Mas vinha por aí a noite e assim me ocorreu  uma máxima que convocou   minha  vontade astronômica.
                Carpe Noctem.
                Colheria a noite. Como quem colhe flores para um buquê. Mesmo que os campos na Stonehenge dos Pobres não fossem como as Ilhas Fortunosas.
                Na verdade   continuam em obras...
                De tão inspirado resolvi carpir ( capinar)  a minha noite de forma correta e aplicada. E assim nada como começar realizando um alinhamento polar melhor que o clássico "aponta e acredita" .  Uma tradição aqui pelo Nuncius Australis.
                 Conforme passa o ano vão mudando as estrelas que mimetizam a estrela polar em minha janela. Através de um método que reúne a preguiça com a falta de horizonte cada mês existe uma estrela mais bem colocada para a realização do Alinhamento Polar.
                Desdeque comecei a utilizar esta técnica já serviram para este papel Acrux ( Alpha do Cruzeiro) , Rigel Kent ( Alpha do Centauro) e agora a bola da vez e Atria (Alpha do Triângulo Austral). Ela cruzará o Meridiano as 19:42 horário local. E a estaria aguardando para te-la centralizada na cruzeta de minha buscadora polar imaginária.
                Como poderão ver se não deu certo deu quase certo. Exposições de 30 segundos com um drift minimo e incapaz de destruir minhas imagens.
                Meus planos são modestos. Visitar alguns velhos amigos e fazer umas poucas exposições de cada um deles. E  sempre tentar localizar algum buquê um pouco diferente para acrescentar as minha "Exsicatas".  Tudo isto em não mais que duas horas. Afinal preciso devolver se não os campos pelo menos a sala para o uso da família.
                 Eu poderia Carpe Noctem  mas não " all night long".
5 frames de 11 oferecidos ao DSS. + 4 dark frames. Só foi utiizado o DSS no pós processamento

                Assim nada como começar com uma velha amiga que em breve vai estar deixando os céus por algum tempo. Ngc 4755. A Caixinha de Jóias. Não pretendo me aprofundar sobre ela já que escrevi sobre a mesma ha algum tempo e tenho um esboço para um post dedicado.
                Mas vamos ao que viemos. Diversão . E Astro fotografia é a melhor diversão.
                Fiz pouco mais de uma dezena de exposições da vitima. A primeira com 30 segundos. Mas os níveis de poluição luminosa me levam a realizar exposições para  o "stacking" de apenas 15. Embora o alinhamento esteja bastante aceitável o fundo do céu e o bafo de sódio se apresentam muito evidentes em exposições mais longas. E os membros de 4755 não são timidos. Se apresentam mesmo nas menores
 exposições.  
                O bom da astrofotografia é que ela me garante um programa para noite toda. Pois mesmo depois que sou retirado da ocular pela cara metade ainda tenho todo o resto. O pós processamento , as vontades do Deep Sky Stacker ,as possibilidades do Photoshop. E ainda o post que registrará a observação. O log (blog) da observação. E assim diversas das etapas que fazem da astronomia amadora quase uma ciência. E uma arte com certeza...
Um mosaico com os resultados obtidos no Rot and Stack .
Canon T3 Newtoniano 150 mm
 11 frames + 1 dark Asa 3200 15 seg. exposição 
                Das 11 exposições que importei parao DSS ele concorda que 6 merecem ser "empilhadas". Como não estou na NASA e também não quero utilizar um Threshold muito baixo me dou satisfeito com o resultado. E como a Caixinha é de casa aplico uns poucos Dark frames e me dou por satisfeito. Ela sempre fica bonita. 
                Como dizem na capoeira : " A mulher para ser bonita não precisa se pintar...".
                Continuando pelos clássicos não resisto a posição favorável e visito alguem que ha muito não via. Omega Centauro. O Rei dos Globulares. Faço 15 exposições. Estas com 20 segundos. Um pouco mais alto no céu e menos comprometido pelas luzes do Metro. Mas confesso que a observação visual me deixou um pouco cabreiro. O gigante se apresentava bem lavado na buscadora e quase nada se resolvia na ocular de 25 mm.
Omega Cen. 8 light frames+5 Dark 20 seg asa 3200 . DSS

                Novamente o DSS não aceita todos os light frames. Mas desta vez eu resolvo brincar um pouco mais no  Photoshop e com o auxilio da ferramenta "curves" faço uma bela maquiagem no Globular. Sempre reparo nas letras "ch" que Omega carrega como uma cicatriz em seu rosto
.
                Agora vou em busca de minha exsicata. De uma forma sempre divertida. Sei que existem diversos aglomerados abertos mais obscuros escondidos por dentro do Cruzeiro do Sul. Alguns Ngc e outra flores mais exóticas. Depois de alguns anos acho que aglomerados abertos mesmo mais esparsos se denunciam. As vezes sou enganado. Mas não esta noite.  saindo de Acrux me dirijo para oeste. E passeando me deparo com diversos suspeitos. Todos modestos. Um me chama a atenção. Tenue mas mais concentrado me deixa na certeza de ter localizado alguma novidade. Observo bem e com o auxilio da 10 mm tenho certeza de sua natureza. Tiro alguma fotos. A pratica leva a perfeição e aglomerados abertos são o esteio do Nuncius Australis.


                Costumo saber o que eu observei. No caso sabia tratar-se de um aglomerado aberto. Mas saber exatamente qual , especialmente quando o localiza pelo método "easy rider" pode ser bem dificil. Em geral utilizo o Astrometry.net. Mas as vezes ele tenta lhe enganar. E se você se deixar levar acaba  deixando de levar seu buquê. Ele não possui todos os catalogos. Mas é bom em descobrir estrelas . E assim o utilizando junto ao Cartes du Ciel você acaba descobrindo aquelas flores mais raras que passam desapercebidas  pelo Astrometry e não constam no Stellarium.  Coisas como aglomerados dos Catalogos Collinder , Hogg, Alessi , Ruprecht , Lynga e cia Ltda.


                A surpresa da noite foi Harvard 5. Também ou mais conhecido como   Collinder 258 o pequeno aglomerado deveria ser mais lembrado. Embora não chegue a ser muito chamativo é obvio e facil de se localizar.É ainda o terceiro aglomerado mais brilhante de Crux com magnitude aparente de 7.1. Conto pouco mais de uma dezena de membros espalhados por pouco mais que 5´ de arco.  Uma pequena estrela de um vermelho pálido se destaca e diversas estrelas flicam ao fundo. Com visão periférica consigo perceber mais alguns membros. Entre as jóias da coroa Austral não seria mais que um pequeno brinco. Mas bem delicado. Localiza-se cerca de 3.800 anos luz daqui. E tem entre 80 e 120 milhões de anos. Jovem ainda.  A única imagem do mesmo que localizei foi da home page da WEBDA e juntamente com suas cordenadas tenho certeza de que fotografei a vitima certa. É um aglomerado pouco estudado mas localizei alguns papers onde apresentam alguns estudos fotométricos do mesmo em conjunto com outros obscuros aglomerados austrais.
                Foram oito fotos de minha nova "exsicata" e realizei diversos tratamentos a fim de obter um raro registro fotográfico desde meu novo buquê. Uma grata surpresa em uma noite  já enluarada e na habitual PL do Rio de Janeiro.  Exsicatas são amostras de plantas prensadas e secas em uma estufa.  Para mim são também  uma recordação de minha vó. Ela tinha ,por habito, guardar folhas e flores prensadas dentro de enciclopédias. Atá hoje encontro alguma perdidas dentro da Britannica que habita m meu corredor. Como recomenda o procedimento devo registrar junto a planta o local e a data da coleta. Rio de Janeiro . Entre 19:50 e 21:00 de 6 de Agosto de 2014.   
                Abaixo as fotos de Harvard 5 e respectivos procedimentos e softs utilizados no pós processamento.
8 Lightf frames 20 seg.+ 5 darks. DSS
 
Crop e Curves no Photoshop. A compressão do blogger aumentou o ruido....
                Ainda com algum tempo antes de acabar com aquilo que Lavoisier chamaria de " Nuit de Bonheur" eu volto ao Centauro. Mas desta vez sou enganado. Mais uma vez saio em busca de Ngc 5617. E mais uma vez fotografo Lynga 2. Recentemente fiz um post a respeito deste . E como o foco deixou a desejar este registro encera uma parte da missão desta noite.
Linga 2. 5 frames de 20 Seg. Rot n´stack Mean mode. O Dark frame foi autogerado. Isto talvez explique a cor...
                Afinal se astro fotografia é a melhor diversão descobrir e estudar o que foi capturado durante a noite faz dela astronomia. E assim algo muito maior....

P.S. - A foto que abre este post é uma demostração de como o Deep Sky stacker tem seus momentos rot n´Stack... Eu chamo de Pollock Mode e adoro os resultados....