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Mostrando postagens com marcador M 23. Mostrar todas as postagens
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sábado, 5 de agosto de 2017

M 23 : O Aglomerado Pérola Negra

        


          Com o projeto “Sul Profundo” (um livro sobre a obra de Lacaille e seu Catalogo de Nebulosas) em seus retoques finais tenho me dedicado muito em organizar minhas observações e fotos do Catalogo Messier. Com quase todos os globulares deste já fotografados me deparei com uma foto perdida em meu HD de M 23. Fiquei feliz em poder mudar um pouco de espécie.  Um belíssimo aberto em Sagitário. A primeira coisa que me ocorreu é como este DSO escapou do escrutínio do Abbe Lacaille em seu pioneiro trabalho realizado em 1751/52. É um alvo evidente com qualquer auxílio ótico e perceptível mesmo a olho nu em céus bem escuros. Tudo bem que habita uma região tão rica da Via Láctea que pode ser considerado uma espécie de primo pobre. Fosse este encravado em quase qualquer outra região do céu e seria cantado em prosa e verso.  Se localiza próximo demais das famosas Nebulosa da Lagoa (M8) e da Nebulosa Trífida (M20) mas, ao contrário de M 21 (que reside bem ao lado destas), longe demais... E desta forma muito vezes é relegado ao esquecimento.  


            M 23 (Ngc 6494) se localiza a noroeste do asterismo do “Bule” que é formado pelas estrelas mais brilhantes de Sagitário. Mais precisamente a 2,5o norte e 3,5o oeste do belo sistema múltiplo formado por Mu Sagittarii.
            Messier descobriu esta joia e a inclui já na primeira versão de seu catalogo de nebulosas publicado em 1771:
            “ Na noite de 20 para 21 de Junho de 1764 , eu determinei a posição  de um aglomerado de pequenas estrelas o qual é situado entre a extremidade norte do arco de Sagitário e do pé direito de Ophiuchus , muito próximo de uma estrela de 6a magnitude , a sexagésima quinta da última constelação ( Oph) segundo o Catalogo de Flamsteed: Estas estrelas são muito próximas umas das outras e não há nenhuma que possa ser vista facilmente com um refrator comum ( não acromático) de três pés e meio (distância focal) e que foi utilizado para estas pequenas estrelas. O diâmetro geral é de cerca de 15 minutos de arco. Eu determinei sua posição comparando o centro com a estrela Mu Sagitarii: Eu achei a ascenção reta de 265o 44´50´´ e sua declinação de 18o45´55´´ sul. ”



            Conforme passou-se o tempo e melhores telescópios foram apontados para M 23 o aglomerado cresceu. Ainda no séc. XVII Herschel já nos fala em “ ... um aglomerado de lindas e esparsas estrelas de magnitudes quase iguais (visível em minha buscadora), se estende por muito além do campo que o telescópio abarca, e que pela buscadora parece se estender por cerca de meio grau. ”
            Flammarion , o astrônomo espirita que psicografou algumas entradas póstumas para o Catalogo Messier, destaca  um círculo de seis estrelas junto a seu centro com “nove estrelas em arco” na porção NE do aglomerado.  
            Burnham já no século XX nos fala em 25´e apresenta as observações de K.G. Jones (1968) onde este vê “três ou mais” das cadeias de estrelas parecem ser porções de arcos concêntricos os quais parecem focalizar a brilhante estrela (mag. 8.23) no lado NE do aglomerado.
            Dados ainda mais atuais nos dizer que M 23 possui 27´. Classificado como um aglomerado I 2 r na escala Trumpler implica que este possui uma forte concentração central, se destaca das estrelas do campo a seu redor (I), suas estrelas possuem uma moderada variação de brilho (2) e é um aglomerado rico com mais de 100 membros (r).
            M 23 possui 176 membros confirmados. A maioria de suas estrelas encontra-se 10a e 13a magnitude e mais de 100 de sus membros estão acima de 13a. Seu raio é algo entre 15 e 20 anos luz e com no mínimo de 220 milhões de anos pode ser um aberto “antigo”.

            Quando observado com binóculos (10x50 mm) percebo o aglomerado como uma condensação de luz com algumas estrelas no limite da resolução. Uma brilhante estrela de magnitude 6,5 9 (HR 6679 ou HIP 87782 ou HD163245) vai se destacar no canto noroeste. Não é um membro verdadeiro do aglomerado. Está a apenas 320 anos luz de nós enquanto M 23 esta a mais de 2100. Com meu 15X70 mm algumas estrelas do aglomerado se resolvem com mais dignidade. Com o “Newton” (um refletor de 150 mm f8) com 60X de aumento diversas dúzias de estrelas se resolvem e o aglomerado começa a ser espetacular.

            Como localizei a foto perdida de M 23 poucos minutos depois de saber da morte do meu querido sambista “bluseiro” e devido a elegância discreta , poética e com um que de maldito deste DSO não resisti e tive de apelida-lo como o “Aglomerado Pérola Negra”. 

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Vorontsov- Velyaminov, Nebulosas Planetarias e NGC 6445 – The Box Nebula.



NGC 6445

Boris Vorontsov-Velyaminov (1904-1994) foi um astrofísico russo. Seu nome não é tão conhecido como o de Walter Arp. Mas ele também deixou um grande catalogo de galáxias que passam por algum processo de interação. Mas sua herança para a astronomia é muito maior que isto.  
Seu sistema de classificação morfológica de nebulosas planetárias é o mais utilizado atualmente (embora não o único) e foi apresentado em 1934.  Um legado mais desconhecido por nossas bandas é que ele é o autor do livro texto mais popular em astronomia na antiga União Soviética e utilizado no ensino médio da Rússia e Cia...
Seu sistema se divide em seis categorias principais e duas destas apresentam subtipos.
            1
Imagem Estelar Ex: IC 4997
2
Disco regular ex: 2003 (a. Mais brilhante em direção ao centro ex: IC 4776 b. Uniforme ex: IC 2448 c. traços de estrutura anelar ex: IC 972).
3
Disco irregular ex; IC 7008(a. Distribuição de brilho muito irregular ex: IC 4776 b. traços de estrutura anelar ex: NGC 246).
           4
Estrutura Anelar ex: M57
           5
Forma irregular semelhante a uma Nebulosa difusa ex : NGC 5189
           6
Forma atípica ex: NGC 6302
Obs.: Nebulosas Planetárias com estruturas mais complexas podem ser classificadas por uma combinação de categorias. Ngc 6886, por exemplo, é classificada como “2+3” devido à complexa morfologia de seu disco.

            Agora que sabemos como classificar nebulosas planetárias eu gostaria de apresentar uma das mais estranhas do firmamento. Conhecida como “The Box Nebula” (algo como “ A Nebulosa – Caixote)  NGC 6445 é um passeio muito interessante por Sagitário.  Ela também é conhecida como “ The Little Gem”. Aliás em rapida pesquisa descubro que 6445 tem vários apelidos. Um dos mais estranhos é " The Crawling Monster Nebula "....
            Embora visível com quase qualquer telescópio seja necessário ao menos 150 mm para que NGC 6445 revele sua bizarra estrutura.
            O material que em ultima instancia forma uma nebulosa planetária é expelido por uma estrela semelhante em massa ao nosso sol. É uma das mais curtas fases da vida de uma estrela. Não dura mais que alguns milhares de anos. O material expelido pela estrela assume um formato cilíndrico. Se olharmos por este eixo nós percebemos o clássico formato de um anel de fumaça. Como em M 57. Mas conforme o tempo passa outras influencias gravitacionais , como o fluxo de matéria saindo de sua estrela progenitora ou a presença de uma família de planetas , vão retorcendo a matéria e transformando esta concha em algo bem mais complexo morfologicamente.
Estudos demonstram que NGC 6445 é uma das nebulosas planetárias mais antigas da galáxia. Têm provectos 3.300 anos. E assim houve tempo para que ela assumisse seu estranho formato. Ngc 6445 não é somente uma das mais antigas NP. È também uma das maiores e se espalha por algo como quatro anos luz.  É importante ressaltar que seu formato é também devido à perspectiva que nós olhamos. São muito estranhos ângulos retos em estruturas naturais...
Fotografias revelam uma estrutura bipolar altamente assimétrica.  Com um anel central mais brilhante cercado por tentáculos nebulosos mais tênues.  Na escala V-V eu imagino que sua classificação seria “6+3b”.

Agora vem a melhor parte.
Para se localizar Ngc 6445 você irá fazer um tour de force por diversos DSO`s em Sagitário.  È uma nebulosa 3 em 1. Seu maior desafio será localizar a nebulosa em meio aos ricos campos estelares da região.
Comece localizando M23 (cliqueaqui para visitar este caminho) Este será um visual interessantíssimo com a pequena magnificação que você estará usando para fazer o “hoop” até 6445. Eu usei minha ocular wide angle 25 mm. ( 48x)  .
A sudoeste de M23 você vai perceber um sol amarelado brilhando com magnitude próxima a 7.  HiP 87782 é o seu registro no Stellarium. A partir dele localize um triangulo de estrelas cerca de 1º mais ao sul. Depois pule mais um grau na a direção que o triangulo aponta e você vai perceber NGC 6440. Um belo globular que não se resolverá. Este está a menos de 1/3 de grau ao sul de nossa Box Nebula. Preste atenção e a localize. Depois aumente a magnificação e explore esta atípica nebulosa planetária.  Sua estrela central brilha em, com a ridícula magnitude 19.
Não deixe de aproveitar e dê uma namorada em Ngc 6440.   Não espere resolver este globular. Suas estrelas não brilham acima de 16ª magnitude e, portanto somente ao alcance de telescópio muito grande...



segunda-feira, 11 de junho de 2012

Eminências Pardas e Patinhos Feios



François Leclerc du Tremblay (4 Novembro 1577 – 17 Dezembro 1638), também conhecido como Pére Joseph, foi um frei capuchinho que poucas pessoas vão identificar.
Mas foi uma figura importantíssima na corte francesa e um dos homens mais poderosos de seu período. Ele é a “eminência parda” original. Vivendo a sombra do mais famoso Cardeal Richelieu ele foi uma das figuras chaves de diversos eventos históricos e na vida de diversas pessoas passaram por sua mão.  O termo que posteriormente identifica aqueles que detêm o poder de uma forma disfarçada se deve a cor das vestimentas deste “obscuro” religioso.
O inverno vem chegando. Dia 21 será o solstício e com ele se dá o inicio da estação. E junto com este estará dominando os céus à belíssima constelação de Escorpião. Mas não é dela que pretendo falar hoje. Afinal a eminência parda dos céus invernais é Sagitário.
A constelação que mais se assemelha a um bule é o um dos maiores celeiros de DSO´S do firmamento. Localizada no centro galáctico é simplesmente a constelação com o maior numero de Objetos Messier que existe.  A lista é grande e não irei abordar a todos.

Na verdade iremos hoje prestar também o tributo a Hans Christian Andersen, escritor dinamarquês, e fazer um paralelo com uma de suas mais famosas historias: O Patinho Feio...
Os dois DSO´s que pretendo apresentar são como o herói desta história. Cercados por maravilhas cósmicas como as famosas Nebulosas da Lagoa, Trifida e Globulares antiguíssimos como M22 e M28 nossos convidados passam em geral despercebidos em navegações pela região.
Os aglomerados abertos M 23 e M25 são belos.  Mas são vitimas das circunstancias. Estivessem no céu em outra estação ou em outra constelação e seriam “showpieces”.
Para localizar ambos os aglomerados parta de Kaus Borealis, a estrela que aponta o topo do bule celestial (Mag. 2.80).  A partir dela caminhe mais ao norte e localize a mais fraca Mu Sagitário (Mag.3.80). Depois disto caminhe cerca de um campo da buscadora (5º) ora para o leste (M 25) ora para o nor-noroeste (M23).  Com Mu sendo centro do relógio M 25 estaria as 2:00 horas e M 23 estaria em uma posição entre 8:00 e 9:00 horas.
Ambos serão percebidos pela buscadora de alguma maneira. M23 como uma área mais nebulosa e M25 se resolvendo em algumas (3) estrelas.
No telescópio M 23 é uma coleção de aproximadamente 30 estrelas na casa de 9ª e 10ª magnitude envoltas em uma “neblina" de estrelas mais tênues. Quanto maior seu telescópio menos neblina... Você vai perceber também uma estrela de 6.5 mag. no mesmo campo. Não relacionada.


M 23

M 23 possui mais de 100 estrelas em uma nuvem espalhada por aproximadamente 30 anos-luz. Se localiza há aproximadamente de 4.000 anos luz da Terra. É um aglomerado característico por possuir a maior parte de seus membros com o mesmo tamanho e brilho  A maior parte de seus membros pertence  a classe espectral “B” com uns poucos membros sendo gigantes amarelos mas nenhum membro vermelho ou laranja presente.  










M 25
M 25 é menor e mais compacto. Em pequenos telescópios você vai perceber cerca de seis estrelas envoltas em cerca de duas dúzias de estrelas muito mais tênues.  Dos dois patinhos M 25 é o mais desinteressante... Ele se encontra 2.000 anos luz e é um “bola murcha” com cerca de 20 anos luz de diâmetro. Sua estrela “central” é U Sagitarii, uma variável cepheida que oscila entre as magnitudes 6.3 e 7.4 no período de seis dias e 18 horas.