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quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Galáxias e Pequenos Telescópios

           Observar galáxias visualmente com pequenos e médios telescópios é um exercício de paciência e tenacidade.
                Algum treino e técnicas serão de grande valia para a o neófito.
                Para aqueles que compraram seu primeiro telescópio (e imaginando que este se trata de um refrator de até 90 mm de diâmetro) recomendo iniciar seu treinamento buscando por outros DSO´s até que tenha desenvolvido sua capacidade navegacional e se entendido bem com sua montagem (especialmente se esta for equatorial). Outra coisa fundamental é possuir uma buscadora ótica de qualidade e com o máximo de aumento possível. Recomendo que utilize uma buscadora 10X50 mm. Ou seja: uma buscadora com uma lente de 50 mm de diâmetro e com uma magnificação de 10X. A menos que você consiga um prisma eretor é importante também acostumar-se com observar tudo invertido. Em cima será embaixo e direita será esquerda.
EU VERIA O JARDIM MUITO MELHOR”, disse Alice para
si mesma, “se pudesse chegar ao topo
daquele morro, e cá está uma trilha que leva
direto para lá… pelo menos — não, não tão
direto…” (depois de seguir a trilha por alguns
metros e dar várias viradas bruscas)
“mas suponho que por fim chega lá. É interessante
como se enrosca! Mais parece um
saca-rolha que um caminho! Bem, esta volta
vai dar no morro, suponho… não vai! Vai
dar direto na casa de novo! Bem, neste caso
vou tentar na direção contrária. ”
                                                         Alice Através do Espelho (Lewis Caroll)  

                Depois de aprender a caminhar no País do Espelhos que se esconde dentro de sua buscadora ficará bem mais fácil localizar alvos tímidos como galáxias. Mesmo que você possua uma montagem equipada com Go-To.  Galáxias, muitas vezes não se apresentam imediatamente ao observador. E desta forma desenvolver suas habilidades de “star-hooping” (pulando estrelas) será fundamental para localizar estes universos-ilhas.  Você geralmente irá começar o passeio junto a sua buscadora e depois de determinado ponto seguirá viagem utilizando sua ocular de maior campo. Atualmente utilizo ou minha 40 mm ou minha 26 mm.
                Quando caçando por DSO´s em geral e por galáxias especificamente telescópios terão uma função diferente de quando buscamos por imagens da lua, planetas ou paisagens terrestres. Nestes casos seu principal propósito é ampliar o detalhe distante. Com DSO´s terá como principal missão (mas não somente esta...) coletar luz para seus olhos pouco sensíveis.  Ao observarmos galáxias o nosso problema não é que estas sejam muito pequenas.  É que elas são muito “escuras”.  
                Observar DSO`s inclui um repertório de técnicas e normas que no caso de galáxias devem ser conhecidos e respeitadas à risca.
                Brilho do Céu -  O fator isolado mais importante para a observação de galáxias (e dso´s) é a poluição luminosa. Passei anos tentando observar M 83 do Rio de Janeiro sem nenhum sucesso e bastaram alguns minutos para localiza-la em diversos locais de céus mais “limpos”. Não que seja impossível, mas o que você irá perceber será como um espirito assombrando sua ocular.  Alguns truques podem ajudar aqui. Um é tentar observar os objetos sempre o mais próximo a zênite possível. Observar depois de 00:00 e durante a madrugada também ajuda um pouco já que muitas luzes externas são apagadas durante a madrugada.
                A lua é uma inimiga terrível de DSO´s.
                Adaptação ao escuro- O ser humano é um ser diurno apesar da boêmia ser responsável por algumas de suas mais belas criações. E assim o olho humano funciona de forma muito mais eficientes com níveis de luminosidade altos e estando-se sóbrio. Sem entrar em detalhes sobre a fisiologia do olho humano vamos deixar claro que nossa capacidade visual noturna melhora com a adaptação ao escuro. Depois de quinze no escuro total você vai ver melhor no escuro (até seis vezes mais ou duas magnitudes...). Mas as coisas ainda continuarão melhorando por mais uma hora e quinze minutos. Inicie sua observação com alvos mais fáceis e depois ataque galáxias tênues e inicialmente invisíveis para sua visão.
                Visão Periférica – Uma técnica fundamental para perceber objetos muito escuros ou tênues. Olhando diretamente para eles a luz destes objetos vai recair sobre a fóvea centralis (a parte mais central de sua retina) a qual possui muitas células cone. Estas embora percebam cores não se dão bem com baixos níveis de luminosidade. Por isto não percebemos cores em nebulosas e galáxias. Mas evitando-se olhar diretamente para os objetos que observamos (olhando de rabo de olho...) conseguimos perceber estruturas com baixíssimo nível de luminosidade. Esta técnica faz com que a luz destes tênues objetos recais mais nas bordas de retina aonde se concentram bastonetes. Estas são células que percebem luminosidade. Mas não cor. Por isto galáxias, quase sempre, serão imagens em escala de cinza para observadores visuais. Mesmo em telescópios bem grandes... A quem interessar possa pesquise por “rodopsina” no Google.
                Aumento ótimo-  Reza a lenda que pequenas magnificações funcionam melhor para DSO´s. Afinal com pequenos aumentos a pouca luz destes objetos será concentrada em uma área menor e assim aumentar seu brilho de superfície. (a quantidade de luz atingindo x milímetros quadrados em sua retina.) Mas estudos recentes nos dizem que nem tudo é o que parece ser. E assim vamos aprofundar um pouco o assunto.
                Ao contrário de câmeras ou outros sistemas puramente eletrônicos, químicos ou mecânicos os olhos perdem resolução em baixos níveis de luminosidade. É por isto que você não consegue ler a Astronomy Magazine no escuro embora possa ver a revista mesmo que sua retina dilatada deveria, teoricamente, resolver as letras melhor que durante o sol de meio dia. Estudos revelam que o olho humano pode resolver detalhes de quase 1 arcmin (1/60 de grau) em luz brilhante, mas não pode revelar detalhes menores que 20 ou 30 arcmin (1/3 a ½ de grau) em condições de baixa luz. Uma área quase equivalente a lua no céu. Assim detalhes ou mesmo a existência de alguns dsos só pode ser registrada se este forem ampliados até algumas dezenas de minutos de arco.  
                O recado é simples. Embora você use sua ocular com o maior campo disponível para localizar suas galáxias você poderá ter que acreditar que seu “star-hooping” foi eficiente e trocar esta por uma com um campo mais modesto e tentar ver o que você não via antes... Uma boa ideia é possuir uma boa ocular com zoom. E as boas são caras...

                 Valores de magnitude podem enganar. Procure pelo brilho de superfície das galáxias que você tem em mente observar para imaginar quão duro será o teste.
                “Last but not least”: Galáxias em espiral de perfil para nós (edge on) são mais facilmente percebidas que galáxia de “frente para nós” (face on). M 33 por exemplo é uma galáxia de 5,7a magnitude. Mas de frente para nós e cobrindo uma área de mais de um grau de firmamento apresenta um brilho de superfície baixíssimo e é um alvo bastante difícil de ser observado. Seria como o brilho de uma estrela de 6a magnitude se espalhando por uma área com o dobro do tamanho da lua cheia...
                P.S. – Faça seu dever da casa e estude os mapas que você conseguir em programas planetários. Localize padrões em estrelas que indiquem que você chegou ao seu destino.
                Agora gostaria de apresentar uma lista de galáxias que são mais simpáticas a observação por pequenos aparelhos e o caminho das pedras para que você não só chegue como as observe de fato.  



               M 31-  Grande Nebulosa de Andrômeda. É certamente a galáxia mais facilmente observável do céu. Seu núcleo é facilmente percebido a olho nu mesmo em locais bastante poluição luminosa (bortle 6 ou 7). Em locais escuros a nebulosidade cobre uma área enorme mesmo com vista desarmada. Pelo telescópio em locais escuros o núcleo é muito brilhante e percebem-se faixas escuras entre seus braços que se apresentam claramente com o uso de visão periférica. Mesmo com visão direta se consegue detalhes.   Localizar Andrômeda é bem fácil.  Primeiro ache o “Quadrado de Pégaso”. Uma de suas estrelas é Alpha Andrômeda. A constelação em si parece como uma cauda se esticando do quadrado em direção a nordeste. Em Andrômeda Localize Mirach e duas estrelas menos brilhantes (Upsilon e v And) que marcam a “cintura de Andrômeda”. Seguindo a corrente você irá perceber uma pequena região enevoada. Ela será obvia pela buscadora. Este é seguramente o alvo mais fácil desta lista. Como cobre uma área muito grande se você utilizar muita ampliação é possível que não consiga ver todo o conjunto da obra. Seu núcleo suporta ampliações absurdas e é mais fácil de se perceber que diversos globulares.





           M 33     - A galáxia do Triangulo.  Esta demanda céus muito escuros. Cobrindo também uma área muito grande do céu muitas vezes é difícil percebe-la com muita magnificação. Acho M 33 um alvo binocular difícil e um alvo telescópico mais difícil. Em locais escuros ela se revela com bastante detalhe usando-se visão periférica. É possível perceber diversas regiões HII nos braços da mesma que possuem entrada no catalogo Ngc e IC só delas. IC 133 é o mais fácil deles. Para localizar M33 ache Mothallah (Alpha Triangulo) e Mirach calcule a posição dela em relação a estas estrelas e tente a sorte. Partindo-se de Mothala existe uma estrela de 7a magnitude que indica o caminho.... Estude bem o mapa e boa sorte.



               

      
 Ngc 5128- Em Centauros. Facilmente percebida pela buscadora. Geralmente parto de Ômega Centauro (o Globular mais brilhante e que você deve estar localizando até mesmo vendado antes de tentar galáxias...) e seguindo uma linha de fracas estrelas rumo norte ela estará lá. Revela muitos detalhes e suporta bem magnificação. Sua faixa de poeira é muito evidente mesmo em binóculos grandes (15X70). Um espetáculo nos céus austrais.


   

                                                    

                                                                             
                                                                     
  Ngc 4945- Esta é fácil de achar. Localize z centauro (uma estrela dupla) e com seus dois membros em quadro e Ngc 4945 estará lá. Muita visão periférica e hiperventilação (respirar profundamente durante vários segundos antes de olhar na ocular...) poderá ajudar a separar esta do fundo do céu. Sua extremidade leste é mais brilhante que a oeste.   










Ngc 55 – Localizada próxima a Ankaa (Alpha Phoenix) Ngc 55 é uma bela galáxia que se apresenta de perfil para nós. O que, em tese, facilita as coisas. Mas atenção e céus escuros vão ajudar muito.  A partir de Ankaa siga um sinuoso caminho de fracas estrelas (mas em um campo sem muitas estrelas...) que lhe levará até o destino. Assim como Ngc 4945 uma de suas extremidades é mais brilhante e mais facilmente percebida.









Ngc 253- A grande galáxia de escultor. Localizada quase exatamente entre Diphda (Beta Ceti) e Alpha Sculptor e com Ngc 188 (um obvio globular) bem próximo Ngc 253 é um alvo relativamente fácil. Só se revela para a buscadora em locais escuros. Mas tendo-se estudado bem a área em mapas bem ampliados vai se perceber um pequeno triangulo de estrelas sobreposto a galáxia e que denuncia sua posição.







M 83- A galáxia do Cata-Vento austral. Localizada na fronteira entre Hydra e centauros é uma galáxia de frente para nós.  A navegação até a mesma não é muito fácil. Ela reside entre Menkent (q Cen) e y Hydra . Partindo-se de Menkent passa-se por algumas estrelas mais brilhantes rumo ao norte. Seguindo-se em direção a Hydra em uma região bem pobre de estrelas em campo se encontra a galáxia. Pouco mais que uma estrela fora de foco. Com atenção e em céus mais escuros se percebe a nebulosidade ao redor. Com mais ampliação percebe-se traços de seus braços. Um mais evidente que o outro. Foi incrível Lacaille descobrir este DSO com uma luneta de apenas 12,5 mm.   É o alvo mais difícil no catalogo Lacaille e o ultimo que observei. Céus escuro são importantes para pequenos instrumentos.  




Não poderia deixar de citar M66 , M65 e M 104 como outras belas e "fáceis" galaxias para possuidores de pequenos telescópios  e que estejam se iniciando nesta nobre arte. Estas até mais fáceis que algumas das galaxias acima presentadas. Mas achei importante apresentar diversas representantes dos céus austrais que embora acessíveis a pequenos aparelhos ficam de fora de muitas listas.
Depois de estes alvos tentar a sorte no Aglomerado da Virgem será um passo óbvio. A região pipoca em galáxias e diversas destas são até mais fáceis que algumas das aqui apresentadas. Mas com tantas galáxias seu “starhooping) deverá ser afiado. Pois em campo com poucas estrelas e muitas galáxias pode ser difícil de saber quem é quem. E mesmo em campo tão rico em galáxias percebe-las pode ser bem mais difícil que se supõe.  Você vai utilizar técnicas de “galaxyhooping”.
A Observação visual de galáxias em pequenos aparelhos é para aqueles que realmente gostam de DSO´s. será difícil achar e não espere detalhes (ao menos na maioria das galáxias).

Galaxias são também interessantíssimos alvos fotográficos e através da astrofotografia revelam detalhes muitas vezes inimagináveis junto a pequenos ( e mesmo grandes) telescópios.

Todas as galaxias aqui apresentadas já foram apresentadas de forma mais aprofundada no Nuncius Australis. Uma rápida pesquisa pode levar aos respectivos posts para aquele que assim desejarem.  




                 
               




segunda-feira, 6 de junho de 2016

Ngc 3115- A Galaxia do Fuso


            Ngc 3115 é uma das mais interessantes galaxias ao alcance de pequenos telescópios. Com um brilho de superfície alto ela se destaca mesmo com modestos binóculos.  Mas ao habitar a obscura constelação do Sextante ( Sextans) ela muitas vezes é esquecida pelo amador.  Não foi por acaso que Messier não inclui em seu famoso catalogo. Ela não é muito mais ao sul que a Nebulosa de Órion e nem sequer alvo tão difícil como diversas galaxias que Messier descobriu.  E ainda é uma galaxia próxima a eclíptica tão vasculhada por nosso caçador de cometas.  A maior possibilidade é que Messier tenha deixado escapar o vazio onde reside Sextans como a maior parte dos observadores.  Mesmo lembrando que a galaxia não passeia alta pelos céus de Paris.
                Coube a William Herschel em seu muito mais organizado levantamento localizar Ngc 3115.  Ele a registrou em 23 de abril de 1787. " Extremamente brilhante , consideravelmente grande,muito extensa , 45o com o sul precedendo e o norte seguindo [de sudoeste para nordeste] Possui um núcleo brilhante 2´longo. Fraco ( braço?) 5´longo ( H 1-163)"
                O Adm. Smyth em seu "Cycles" nos conta ainda que Herschel observou a galaxia também com seu  telescópio de 20 pés com o diâmetro reduzido a apenas 150 mm de abertura. Sob estas condições perceber a galaxia era bem mais difícil. Rapidamente percebo que o '"Newton" ( meu refletor de 150 mm e f8) possui uma óptica bem superior ao espelho  de Herschel.  Smyth com seu refrator de 150 mm percebia ainda mais diferença.
                Seu apelido "Galaxia do Fuso" tem raiz no termo em Inglês " The Spindle Galaxy". Suas origens parecem perdidas nas brumas do tempo. Mas Burnham em seu " Celestial Handbook" nos diz " que ela é popularmente chamada de " Spindle Nebula". Repare aí o uso da palavra nébula em vez de galaxia. Isto nos leva a pesquisar tempos mais antigos quando as nebulosas espirais e/ou lenticulares e sua posição no universo eram alvo de intensa discussão.   Mas nada durante este período tão distante nos dá uma dica. Finalmente localizo no "Caldwell Objects" do O´Meara a provavel solução. Hartung em seu " Astronomical Objects for Southern Telescopes"  escreve : " Esta elíptica e extragalactica nebulosa se parece com um brilhante e apontado fuso de fiar ( Spindle)". Lançado em em 1968 e portanto anterior a Burnham... O´Meara descobre uma fonte que utiliza o termo ainda mais antiga em um ( na verdade quem descobre esta é Archinal ...) paper publicado por Pease no Astrophisical Journal  " Photographs  of Nebulae with the 60-inch Reflector 1911-1916" publicado em 1917 .
                Sendo uma galaxia tão brilhante e que escapou a Messier ela achou seu lugar no Catalogo Caldwell com o numero 53.  Este catalogo organizado por Sir Patrick Moore reúne algumas das maiores maravilhas celestiais que escaparam ao caçador de cometas francês. São geralmente alvos um pouco mais difíceis ou austrais  demais. Um belo desafio para fugir de objetos muito manjados e nem por isto impossíveis para possuidores de telescópios mais modesto. C 53 é uma das galaxias mais acessíveis no catalogo Caldwell.

                Localizar Ngc 3115 é mais difícil do que observa-la. Sem o auxilio de uma cabeça equatorial com "go-to" será um exercicío de Starhooping para gente grande. Segundo o patrono da minha coluna favorita na "Sky and Telescope" Walter Scott Houston e seu maior fã Steve O´Meara a melhor forma de se localizar 3115 é esquecer do vazio chamado de Sextans e partir de Hydra. Localizar Alphard ( Alpha Hydrae) não chega a ser difícil já que é uma estrela vermelha e que habita uma area pouco povoada do céu. A tenho utilizada com frequência para alinhar o Synscan de Mme. Herschel ( minha cabeça equatorial) e sei que e difícil confundi-la com outra estrela na sua região do céu. Partindo deste farol  caminhe 9o rumo ao leste e localize duas estrelas de entre 6.5 e 7a magnitude. É possível que perceba ainda 3115 compondo o quadro em sua buscadora. Não chega a ser tão difícil já que a região é pouco povoada.

                Na minha ocular 25 mm ela é evidente e apresenta sua forma de lente mesmo com visão direta. Com a 17 mm ela é ainda mais obvia e seu núcleo destaca-se.
                Hubble  classificou Ngc 3115 como uma galaxia elíptica E7 na escala inventada por ele , ele mesmo e o próprio. Uma elíptica quase transitando em lenticular. Hoje em dia ela é considerada uma lenticular pura ( S0).   Posteriormente o Telescópio Hubble indicou a presença de um super maciço buraco negro em seu núcleo com uma massa de 2 bilhões de sóis. Foi o terceiro buraco negro super maciço documentado no núcleo de uma galaxia pelo HST.   A confirmação foi detalhada em 10 de março de 1996 no mesmo Astro-physical Journal que registrou a alcunha de " Spindle" para Ngc 3115 .  Exatamente  79 anos antes.
                Localizada a 22 milhões de anos luz de nós a galaxia cobre 40.000 anos luz de universo e brilha como 7 bilhões de sóis. Se apresenta quase de perfil para nós.
                Ele é percebida pela minha buscadora 9X50 mm discretamente de Búzios. De áreas ainda mais claras ela será um desafio para pequenos telescópios.
                Uma galaxia "fácil" de ser observada.  E mais fácil ainda de ser fotografada

domingo, 21 de julho de 2013

Halton Arp, Amazônia e o Céu e a Terra

         

        Depois de muito tempo sem ver um céu verdadeiramente escuro surgiu uma colocação em um documentário que iria me levar para muito além do esperado. Eu, que sonhava com um fim de semana no céu suburbano da Armação dos Buzios fazia muito tempo, fui parar na Amazônia.
            Desta vez em uma pequena aldeia a cerca de cem km de Manaus em um afluente do baixo Rio Negro. No extremo leste do Arquipélago das Anavilhanas.


            A lua ainda bem modesta com apenas 20 % do seu disco iluminado e deixando os céus antes da meia noite.
            Já no dia da chegada percebi o que me aguardava. Enquanto terminávamos os preparativos para nossa saída, no Cais do Hotel Tropical, comecei a namorar o céu. Como sempre ,quando a serviço, meu companheiro seria o “Pau de Dar em Doido”. Meu Celestron Skymaster 15x70 mm.
            Assim que nos afastamos um pouco da cidade o céu se apresentou em grande estilo. A via láctea dominando o Céu. 
            Como uma introdução eu resolvi passear por campos bem conhecidos e fazer logo um belo “bodycount” para começar os trabalhos.
            Só para ser um pouco diferente iniciei com M83. A primeira galáxia de um longo plano. Mas isto eu vou contar depois... A primeira galáxia descoberta fora do grupo local. Pelo Abbe Lacaille. Fácil...
            Com Escorpião e Sagitário já raiados eu parto para um “Tour Messier” de dar inveja.
Em pouco menos de 30 minutos, deitado no teto do “Victoria Amazônica”, eu tinha colocado na bagagem nada menos que M4, M80, M7, M6, M22, M28, M21, M20, M23, M17, M18, M16, M25, M26 e M11. Sem contar um numero próximo de NGC´s mais discretos que residem sobre a Via láctea.  Adoro observar de Binóculo...  Isto para não falar nas bobagens que vejo sempre no meu Rio de Janeiro no entorno do Cruzeiro, Centauro e Cia. Ltda. Que aqui são todos óbvios objetos mesmo a olho nu. Foi curioso ver Eta Carina passeando tão baixa pelo horizonte.
            Mas agora me preparo para os convidados menos chegados. Estando a apenas 3º do Equador todo um horizonte norte que raramente vejo esta ao meu dispor.
            Começo a olho nu. O grande Rift se apresenta obvio agora que já estamos rio acima e as luzes de Manaus não mais perturbam. Fico olhando fascinado para toda região de Cygnus e com o Triangulo de Inverno dominando o Horizonte norte resolvo partir para outras plagas que não me são tão conhecidas. 
            Meus planos para a viagem são bem diferentes. Como companheiro de viagem estou levando Halton Arp, seu “Catalogo de Galáxias Peculiares” e seu” O Universo Vermelho”.

            Arp tem ideias cosmológicas bastante originais (para se dizer o mínimo). Mas suas galáxias peculiares são algumas das mais belas paisagens que podem ser representadas por DSO´s. E apesar de sua maioria ir muito além das possibilidades de meu modesto aparelho diversas delas serão alvos viáveis em céus tão escuros e nesta latitude.
            Devido ao horário devo deixar para o dia seguinte meus objetivos primordiais. Mas ainda assim percebo que a temporada será boa e cheia de novidades. E encerrando o dia, com um barco em movimento e vibrando sobre seu imenso motor diesel ainda faço um belo tour pelo o “novo” horizonte que se apresenta.  Diversos Messier´s que nunca tinha visto com tanta dignidade se apresentam. M39 faz belo par com Ngc 7082. A região é tão rica que é difícil saber exatamente o que esta se vendo. Mas no meio deste lindo campo colhi Ngc7062, 7039 e 7082.  Do Index Catalog (uma continuação do Ngc...) se apresentou e não deve ser esquecida IC 5146 (A Nebulosa do Casulo). Isto somente entre os DSO´s mais óbvios próximos a Deneb (Alpha Cygnus). Diversos outros estavam lá mais se camuflam em meio à multidão. Subindo um pouco e ao redor de Sadr vejo M29 e Ngc 6910. Isto sem procurar... Todo região de Cygnus é encantadora e são dezenas (ou centenas) de DSO´s em campos estelares riquíssimos. Uma das vizinhanças mais povoadas da Galáxia que espero conhecer melhor...
            Para encerrar a noite e descansar depois de um longo dia visitei um belo aberto que é pouco lembrado, mas que merece respeito. Brilhando com 4ª mag. e se espalhando por mais de 40´ de grau IC4665 fica pertinho de Celbarai (Beta Ophiucus) e é um alvo excelente para binóculos.
            De volta a Halton Arp e suas galáxias peculiares eu tenho em mente procurar por dois membros que são peculiares e também membros do tradicional Catalogo Messier. E assim ao alcance de meus modestos meios.
            Arp é um físico impar. Como falei trouxe como companheiro de viagem seu “O Universo Vermelho”. Livro o qual achei em um garimpo na Livraria de Travessa e que me permitiu conhecer (e me divertir) com sua cosmologia diferente. Nada que tenha mudado meu modo de ver as coisas. Mas é divertido ver até onde vai a imaginação humana. Uma das passagens que achei mais significativa é uma conversa que ele tem com Arthur C. Clark. Nesta passagem ambos encontram-se na Índia e Arp chega ansioso em levar-lhe alguma novidade cientifica que fosse surpreender ao escritor de Sci-fi. E ele esqueceu que ciência não é ficção cientifica e que sua louca teoria já havia passado pela cabeça do mesmo. Só que este a manteve no terreno da ficção. E assim quando ele fala:
“Há raios cósmicos com energia extremamente alta, raios gamas e raios X vindos do centro do Superaglomerado Local”.
Ele simplesmente responde, como se não fosse nada demais:
-“Oh, sim, criação de matéria”...
            Arp apresenta em seu “O Universo Vermelho” e seu livro anterior” Quasars, Redshifts and Controversies” uma hipótese das mais doidas que poderia ser resumida da seguinte forma: A evidência empírica estabelece um padrão onde se pode estabelecer que galáxias grandes e velhas ativas ejetam material mais jovem que forma galáxias companheiras menores, que por sua vez ejetam material que dão origem a quasares e objetos BL Lac ainda mais jovens. Segundo Arp a hierarquia etária é evidente a partir das propriedades dos objetos nos grupos característicos em que aparecem as galáxias. Em uma geometria muito “Mandrake” ele vê em diversas de suas galáxias velhas um emparelhamento que ocorre lado a lado (às vezes paralelo, às vezes perpendicular, às vezes os dois e etc..) dos núcleos ativos, de suas conexões luminosas de volta até os centros ativos e da propensão geral para a ejeção de material emitindo radio, raios X e gás excitado.
            O samba do crioulo doido "Arpiano" continua com uma relação a respeito de uma correspondência um a um com a hierarquia etária, há uma hierarquia de desvio para o vermelho. Toda linha de evidência analisável mostra (segundo Arp, eu não tenho nada com isto...) que quanto mais jovem o objeto mais alto é seu desvio para o vermelho intrínseco. O que significa jovem para estrelas e galáxia é outra longa discussão em meu FEBEAPA (procurem por Stanislaw Ponte Preta no GOOGLE...) cosmológico. De uma forma curta e grossa ele renega Hubble e determina que o desvio para o vermelho não possui nenhuma relação com distancia. Ma sim com idades... Isto por sua vez tem alguma relação com o fato de que elétrons jovens não viram muito do universo e por isto tem menor massa. Ele utiliza Fred Hoyle para embasar este ponto de sua ideia...
            De qualquer forma o livro é divertido (já falei porque) e graças a ele eu tenho meus dois alvos para o inicio de minha segunda noite. São M106 e M51. Ambos os casos de desvios para o vermelho esquizoides e membros do grande Livro de Arp. A frisar “The Atlas of Peculiar Galaxies” (1966). Baixe-o aqui.
E claro ao alcance teórico do “Pau de Dar em Doido”.   São objetos Messier.
Após um longo dia visitando as locações onde filmaríamos o nosso hibrido de comercial com documentário volto para o “Vitória Amazônica” e fico aguardando anoitecer com mala e cuia para observar e fazer fotos de campo aberto. As observações hoje devem se limitar aos dois alvos determinados e tem hora para acontecer. E assim fico pelo convés superior vendo os espetáculos da natureza se sucederam sob um calor equatorial...
Anoitece. Estou pronto para ao ataque.
Com tudo combinado e nada pronto.
E assim a grande presença da noite foi M101... Como já é habito por aqui o que esta combinado não esta muito certo.
Formando figura geométrica (adivinhem qual...) com Mizar e Alkalid foi vitimada rapidamente.  Clara e obvia ela seria presente mesmo em minha buscadora 9x50 mm. A diferença entre o “Pau de dar em doido” e a buscadora é como um filtro ND 6 em um refletor. ND significa “Neutral Density”.
N6 são filtros ou gelatinas que irão comer luz de sua foto. N6 vai comer algo como um ponto de diafragma (maybe more...) de sua foto. E assim permitir maiores aberturas e menor profundidade de campo. N6 é jargão “local” para “Neutral density 6”. Que por sua vez é o primo- irmão do código Morse...
O processo aqui foi simples. Bortle 2. Se não conhece a Escala Bortle clique aqui.  
-Se percebia uma luz de fundo a Sueste, Manaus!
Mas nada que atrapalha-se. Na verdade fiquei impressionado como uma única fonte de luz (sendo única...) pode se fazer presente de tão longe.
M 101 se torna uma de minhas galáxias favoritas e o esfuminho dela é obvio e claro.  Conhecida como a Galaxia do Cata Vento ela é um exemplo clássico  de espiral.
M 101 (Hubble)
Quanto às galáxias de Arp que tinha em mente observar eu as observei. Nada de estrutura e nem fogos de artifício. Mas bastante fáceis e com nebulosidade evidente com visão periférica. M51 não eram duas galáxias em colisão. Mas um esfuminho onde com vontade, poderiam existir duas condensações mais brilhantes. Você sabendo poderia até mesmo imaginar dois núcleos galácticos. Mas só sabendo...
M 106 só se apresenta com visão periférica, mas não chega a ser difícil. Uma vez localizada é possível percebe-la com a visão direta, mas apenas como uma estrela de baixa magnitude. Utilizando-se novamente de sua visão periférica ela novamente se apresenta como uma condensação evidente e de bom tamanho. Quanto mais olho maior fica... Na região habitam mais galaxias e desconfio de sua presença sendo que com visão periférica consigo perceber pequenas mudanças do gradiente de luz  mas nada muito notável. O 15x70 funcionando no seu limite.
O céu neste pequeno poço amazônico é algo surreal. A noite vai seguindo e depois de diversos registros fotográficos percebi que M7 estava muito exibido.  Apareceu em diversos dos ângulos escolhidos. Um verdadeiro ator.
M 6 “shows off”. Assim com Ngc 6231...

Vivendo em um barco você não possui a base mais estável possível para realizar fotografias. E com o contra regras querendo pescar lulas na Amazônia e assim perturbando minha sessão fotográfica usando uma lanterna das mais potentes consegui resultados diferentes em pontos diferentes do céu. Se voltar aqui trarei “pads” antivibração, pois “Victoria’ apesar de ser um barcão e muito bem fundeado ainda é um “Alvo Móvel”“. Mas este nem é o problema maior. Este é a vibração de seu gerador sempre ligado. É um “filme de bacana” e assim o interior do veiculo esta sempre “climatizado”.
Na fronteira. Modo Sort R n´S

Conta um amigo que a invenção do Ar-condicionado e a do Gin tônica tornou possível habitação dos trópicos.
E que assim seja!
Desta forma depois de ter cumprido a “Missão Arp” e tirado umas fotos. Eu vou fazer o que este céu merece. Freestyle.
No conjunto Centauros- Scorpio e mais algumas constelações mais obscuras somadas a Via Láctea (Ok, norma, Ara e Cia Ltda...) eu contava, a olho nu, nove DSO´S óbvios. A Via Láctea se apresentava como uma nuvem densa.
De volta à janela favorita do Nuncius, vi coisas que um dia achei ter visto. O 15X70 se apresentava devorador.
Ngc 5662 eu acho que é novidade. . Depois uma coleção de Ngc´s na fronteira Centauro-Lupus.
Depois de ficar estupefato com NGC 6067, obvia a olho nu, resolvendo estrelas para meu binóculo eu ainda fico mais feliz em perceber uma vasta coleção de abertos entre Alpha Centauro e o aberto em questão.
“Subindo o rio Nilo” chego ao “Falso Cometa”. Ngc 6231, Trumpler desconhecido, Ngc 6242 e mais umas belezuras se apresentam de tal forma para o “Pau de Dar em Doido” que eu demorei a entender o que estava vendo. Uma das paisagens mais deslumbrante que já tive olhando o céu. Eu não sabia que o conjunto da obra era assim... O que é um céu escuro.
Eu percebia claramente dezenas de DSO´s óbvios a olho nu.
Ngc 6067, Ngc 6087 e 6031 forma uma nuvem entre as nuvens que compõem o que chamamos de Via láctea de uma densidade nunca observada por este que vos escreve. M7 e M6 são ridiculamente óbvios. O falso cometa é  o falso cometa de meus sonhos mais apocalípticos.  Mas tem mais. M8 evidente. Varias condensações menores bastante claras. Pelo “Pau de dar em doido e visão periférica parecia até o ‘Stellarium”... 
Dias após dia a lua se tornava maior.  E o trabalho também. No terceiro dia resolvi fazer mais algumas fotos. Morando em um barco a plataforma não chega a ser ideal. Mas mesmo assim o miolo da Galáxia sempre se apresenta. Novamente M7 a melindrosa mais metida de quase todas as fotos que realizei. Sem muito foco nem muita mira. Nas fotos abaixo é possível localizar diversos DSO´s . Eu mesmo chego a diferentes resultados cada vez que as inspeciono. Quantos DSO´s você localiza aqui?
Deep Sky Stacker- 9x 15 seg. Asa 3200. 

Todas as fotos astronômicas aqui apresentadas foram feitas  com uma zoom 18-55 mm e minha Canon T3.  Foram utilizados os seguinte programas para o processamento das imagens finais: Deep Sky Stacker, Rot n´ Stack, Photoshop e Noiseware  
Já com 60 % do disco lunar iluminado eu ainda localizo M9, M10 e M12. Todos globulares em Ophiucus. Não me recordo de ter jamais observado os dois últimos. E M9 somente de Paraty . Também com o 15X70...
Apesar de meus planos anteriores (que seriam uma coleção do Catalogo Arp de Galáxias Peculiares) eu acabo me esbaldando nos braços do rio galáctico. Nas proximidades das Anavilhanas e com a galáxia dominando o meu céu era fatal que eu caminha-se de arquipélago em arquipélago pela Via láctea . E Assim, noite após noite. Eu visitei uma centena de aglomerados abertos, nebulosas e globulares. Minha viagem foi “fluvial”.
            De novo o “efeito Arp” atua. Em meus sonhos mais loucos começo a ver uma conexão entre nós e o universo (mas não consigo perceber nada como “criação de matéria”...).
A presença de Escorpião e Sagitário dominando o céu e me “obrigando” a olhar para o umbigo galáctico esculhambou meus planos (as evidencia empíricas de Arp...) e as coisa aconteceram de uma forma bem orgânica.Seu nome é  a Via láctea.
Esta quando se apresenta, em alto estilo, explica o termo “Umbilical”.
 Na companhia de Arp e vivendo nas margens do Rio Cueiras eu começo a viajar. Ocorrem-me expressões como “Geografia galáctica” e "Astronomia Terrena”.

A “Geografia galáctica” nos diz que habitam os braços galácticos nebulosas, que são berçários estelares, Aglomerados abertos, que são um conjunto de estrelas que residem no braço galáctico e que nasceram destas nebulosas antes citadas (às vezes coabitam...). Estes são organizações familiares.  
Diz-nos também que aglomerados Globulares habitam o halo galáctico (subúrbios...).
Quanto a “Astronomia terrestre”: existe o Rio (no caso o Negro e alguns afluentes) onde habitam grupos familiares basicamente compostos de carbono que são a menor organização da terra. (Formigueiros e Cia ltda. possuem muito mais indivíduos que os tais grupos familiares). Conheci dois aglomerados terrestres bastante interessantes. Um responde por Aldeia Kaunã e o outro por Aldeia Três Unidos. Como já estive no Alto Xingu eu diria que são dois aglomerados próximos. Mas como aglomerados abertos cada um não tem o mesmo caráter (já discuti o assunto aqui). Ainda sob o termo poderia falar do efeito que o céu tinha sobre os meus companheiro de trabalho. Acostumados ao céus urbanos a presença de tanta beleza os tornou grandes interessados em fenômenos que jamais habitaram seus interesses. E assim o pequeno laser verde apresentou muitas novidades aos meus companheiros.
Na verdade a viagem foi tanta que acabei realizando mais relações entre estrutura humanas na terra e estruturas galácticas. Uma espécie de viagem fractal.
Com o tempo a Lua foi crescendo, o trabalho aumentando e acabou a birita
E aprendi como a lua pode influenciar o céu. Comecei observando com Bortle 8 (veja a escala Bortle de Escuridão aqui). A Via láctea cortando o céu de cabo a rabo. Evidente desde o extremo sul. Por perto do Cruzeiro. Até Cygnus no lado norte. Depois de algum tempo ela só foi evidente próxima a Sagitário. Até finalmente ser muito discreta. Se via dezenas de DSO´s olho nu no inicio da jornada ao final mesmo M7 (uma “franga” que gosta de aparecer...) era uma senhora recatada.
"Cygnus Rising"

Já  Selene nos brinda com um belíssimo halo lunar. O maior que já vi.



Outra lembrança que devo a mim mesmo é Vênus  ao entardecer.

A Amazônia é enorme. Mas a galáxia é maior. Se podem ver os aglomerados humanos na beira do Baixo rio Negro muito mais de perto...
Convivendo com o Povo da Floresta eu aprendi que o objeto celeste que posso observar mais de perto é a Terra. E assim fujo um pouco do que chamas-se astrofotografia.  E se as astro fotos do céu mais escuro que visitei no ultimo ano ficaram a desejar as estruturas da tal “Astronomia Terrena” foram as estrelas da festa.
Como imagens falam mais que mil palavras eu encerro com algum dos Aglomerados Humanos que habitaram as margens do Rio Cueiras em julho de 2013. Afinal não posso excluir deste post o pequeno grupo móvel do qual fiz parte e que embora tenha tido breve existência habitou este rincão do universo...
Luz




Aglomerado

Lei

Iauaretê

Vitoria

Igapó

Luas

Saber

Pitúna

Amizade

Reflexo

aglomerado II

Japiim

fome

Katu Pitúna

Polarizador

Katuara

Alegria



Globalização



lkjmlkjm
Globular

Beleza

farinha

Aglomerado II

Desconhecido

Scorpio

Steady Cam...