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segunda-feira, 15 de agosto de 2011

O Catalogo JESS de Nebulosas e Objetos Estelares1768 e 1769

Cap. 6- 1768 e 1769


Vou apresentar neste capitulo as diversos achados que foram registradas no diário de Silvano Silva no período compreendido entre os anos de 1768 e 69.

De forma que todas elas são anteriores as atualizações do catalogo Messier original. Este publicado em 1771.

Sabemos que Silvano Silva possuía os levantamentos realizados por Messier até a sua entrada de numero 40. E diversas das entradas seguintes do catalogo se referem a objetos conhecidos desde a antiguidade.

De qualquer forma diversas das entradas de Silvano Silva realizou durante este período se referem a objetos que foram incluídos no catalogo Messier somente em versões posteriores. Estas entradas, se não originais, são com certeza “redescoberta” realizadas de forma independente por Silvano Silva e José Eustaquio.

Uma curiosidade: Silvano Silva, na maioria das entradas (mas não em todas), classifica os objetos com os seguintes termos:

• Luminosae

• Nebulosae

• Occultae

E define Luminosae como agrupamentos de estrelas perceptíveis com a vista desarmada.

Nebulosae são objetos nebulosos que se resolvem em estrelas com o uso de telescópios.

Occultae seriam as nebulosas que não se resolveriam em estrelas.

Em seus escritos ele deixa transparecer que todas as nebulosas seriam compostas de aglomerados estelares.

“... as nebulosas são aqueles aglomerados mais distantes e que escapam a potencia de meu telescópio.”

Ele escreve em um pequeno texto solto que encontrei. Neste mesmo texto ele apresenta que José não acreditava tão ceticamente com relação a isto e acreditava que certos objetos eram de outra natureza.

“... o meu amigo crê que alguns objetos nebulosos apresentam características diferentes e podem ser compostos por estruturas diferentes de estrelas”



Curioso de fato é sua classificação ser idêntica a utilizada por Hodierna.

Giovanni Batista Hodierna (1597-1660) foi um astrônomo italiano bastante desconhecido e que por razões obvias não pode ter se encontrado com nenhum de nossos heróis. De qualquer forma ele deixou um catalogo com cerca de 40 entradas e com 19 objetos confirmados como autênticos . Seu trabalho foi pouquíssimo conhecido em seu tempo e embora pouco provável que Silvano Silva o tenha tido em mãos tudo indica que ele foi apresentado a esta obra ou pelo menos as suas idéias. O catalogo original de Hodierna foi publicado em 1654. Diversas entradas do catalogo J.E.S.S. são divididas com este catalogo antigo. Se forem descobertas ou compilações foram algo que se perdeu.

O Catalogo Hodierna é como um catalogo secreto. Ficou desaparecido durante séculos e foi redescoberto nos Anos de 1980. Apesar de utilizar uma nomenclatura semelhante à de Hodierna eu acho muito pouco provável o conhecimento prévio de Silvano Silva sobre o catalogo italiano. Os objetos em comum são bastante luminosos e provavelmente são descobertas originais de Silvano Silva ou de José Eustaquio.



Apresento abaixo os registros de Silvano Silva de entradas em comum entre estes dois Catálogos. São elas NGC 2362, 2451, 6231, M41 e M47.

8 - 07h18m 57.9s ,:-24°57' 47" “ Nebulosae, este são revela sua verdadeira natureza com grandes aumentos . Bem Junto à cauda do Cão Maior. “Não creio que o tenha resolvido na integralidade.”



Esta entrada é um objeto que devemos considerar como original. O texto de Silvano Silva não deixa muitas duvidas que ele desconheça o catalogo de Hodierna. Anteriormente ele sempre deu crédito a descobertas anteriormente registradas e que ele tinha conhecimento. Trata-se do aglomerado de Tau Canis Majoris. Ele só foi registrado posteriormente por Herschel como H VII.17. Trata-se de um aglomerado aberto contem cerca de 60 estrelas e 25 milhões de anos, o que o faz bastante jovem. E ainda é associado a alguma nebulosidade. É possível que Silvano Silva e hodierna apenas o identificassem como uma estrela esfumada...

É curioso o comentário em relação a grandes aumentos. Por minhas pesquisas os telescópios da época, bem como os telescópios dos próprios, não apresentavam oculares intercambiáveis. O comentário leva a acreditar que Silvano Silva confeccionou diversas oculares para seu telescópio. O comentário sugere também que talvez Silvano Silva resolvesse alguns elementos do grupo.



9- 07h45m 31.9s , -37°59'02" “ Nebulosae .Aglomerado Em Puppis . Dominado por uma grande estrela vermelha. Diversos membros...”



Bastante sucinto na apresentação o aglomerado junto a c Puppis é perceptível a olho nu. Resolve-se facilmente com qualquer auxilio ótico. Foi descrito também por Hodierna e posteriormente só é redescoberto por John Herschel (o filho) já no sec. XIX. Discutem se trata realmente de um aglomerado verdadeiro o somente um alinhamento casual.



10- 16h54m 31.7s , :-41°49' 37" “ Luminosae -Aglomerado já bastante conhecido . Na base da cauda do escorpião, Bem próxima a uma estrela dupla.”

Ngc 6321 evidentemente. Um aglomerado aberto que na época já havia sido incluído em quase todos os catálogos clássicos. Hodierna, Halley, Lacaille. Zeta Scorpio (dupla) indica facilmente sua posição. Aglomerado muito jovem com idade estimada em menos de 3.5 milhões de anos.



11- 06h46m05.9s , :-20°45' 11" “ Nebulosae – Outro aglomerado conhecido desde antiguidade . “Messier o inclui na cópia que não possuo de seu catalogo como a entrada 41”

M41 dispensa comentários e é um aglomerado talvez descrito por Aristóteles. O que faria dele o objeto mais tênue descrito na antiguidade clássica.



12- 07h36m 42.2s , :-14°29' 17" “ Luminosae Grande aglomerado em Puppis , resolve-se em dezenas de membros. Foi-me indicado por José. “Uma leve nebulosidade percebida se prolongado a pata do Cão Maior...”

È uma descoberta de Hodierna. Posteriormente foi redescoberto por Messier e foi sua entrada de numero 47. Tudo indica que é uma descoberta de José Eustaquio. José deveria ter a vista muito apurada, já que percebe-lo a olho nu é uma tarefa bastante difícil. Os textos de Silvano Silva levem a crer que ele achava se tratar de uma descoberta original.

Estas são entradas que não apresentam nenhuma duvida junto a material encontrado e que curiosamente aproximam o catalogo J.E.S.S. do clássico texto de Hodierna.

Estranhamente parece tratar-se de conhecidência tanto a nomenclatura como as entradas em comum entre estes catálogos tão distantes no tempo e no espaço. Outra entrada em comum levam a uma eterna suspeita. A de que Silvano silva tenha tido contato com o antigo catalogo italiano.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Catalogo J.E.S.S. - Cap. 5

Cap. 5- Os telescópios e equipamentos




Os equipamentos disponíveis para a realização do Catalogo José Eustaquio e Silvano Silva de Nebulosas e Objetos Estelares foram utilizados  em um metódico levantamento dos céus austrais por nossos dois astrônomos pioneiros e era também o resultado de avanços tecnológicos que se desenrolaram ao longo de vários séculos de pesquisa astronômica.

Sabemos pelos textos de Silvano e Silva que José Eustaquio “herdara” um dos telescópios que Lacaille trouxera em sua expedição para o Sul. Este teria ficado em poder de seu pai que segundo dados circunstanciais parece ter servido ao Abade em sua estada no Rio de Janeiro.



Sabemos por diversas fontes que o grande astrônomo francês não deixara saudade e tampouco a sentia em relação a cidade maravilhosa . Em diversos textos o abade falava da sujeira e do mau cheiro que invadia a Rua do Rosario. Foi ali que ele montou sua banca. Apesar da grande herança deixada por Lacaille ele realizou todos os seus feitos com telescópios deveras simples. Na realidade pouco mais que pequenas lunetas. Instrumentos de cerca de 25 mm de diâmetro de objetiva. E com aumentos da ordem de 6 a 9 vezes. É impressionante que este homem tenha deixado seu catalogo e mais uma família de constelações nos céus austrais com equipamento tão simples.

O próprio Silvano Silva nos diz:

“... o telescópio de Eustaquio pouco mais é que um monóculo de opera. E apesar disto ele reconhece centenas de nebulosas. Sua criação junto aos marinheiros deixou-lhe um profundo conhecimento dos céus e de seu comportamento.”


Já o equipamento de que dispunha o padre parecia ser mais sofisticado. Segundo suas próprias palavras seu aparelho era em muito superior ao pequeno newtoniano de Messier. Porém com uma menor distancia focal. Apesar de não citar valores em nenhum dos textos encontrados podemos fazer algumas suposições.

Os telescópios que Messier utilizou são conhecidos pela história e pelas palvras de Silvano podemos fazer sérias conjecturas .

Segundo Frommert e Kronenberg (SEDS) Charles Messier observou e/ou possui alguns telescópios;

1. Refrator de 8 metros de Distancia focal, Mag. 138x

2. Refrator Acromático, 4 metros DF Mag. 120x

3. Refletor Newtoniano 1500 mm  DF, Mag. 60x

4. Refrator Acromatico, 1200 mm DF (Dollond), Mag. 120x

5.  RefratorCampani, de propriedade do M. Maraldi, Mag. 64x

6. Refrator 6 m DF, Observatorio de Paris, Mag. 76x

Estes são apenas alguns dos telescópios utilizados por Messier . É importante lembrar que devido a tecnologia da época eles eram bem mais limitados do que sugerem as grandes distancias focais. Percebe-se também que na época a idéia de oculares variadas ainda não havia feito escola.

Mas devido a um pequeno recorte encontrado entre os escritos de Silvano Silva dois destes aparelhos se mostram muito significativos para minha pesquisa.

“... Tive a felicidade de conservar comigo dois belos aparelhos que ainda curtos me apresentam alta qualidade e aumento de 60x e 120x. O primeiro um modelo como o de Newton e o outro , meu favorito , um belo modelo inspirado em Galileu.
São muito semelhantes aos telescópios que utilizei em França . Sendo que um deles é um Dollond...”



Até devido a viagem que trouxe Silvano Silva ao Brasil lhe era impossível possuir um telescópio de grande porte aqui na Colônia. Mas sua temporada em Paris o ensinou a conhecer equipamento astronômico e ter acesso ao que havia de melhor em seu tempo.

Messier utilizou com freqüência telescópios com objetivas de 90 mm e 1200mm de distancia focal e 120 x de magnificação. Um deles feito por   Dollond. Silvano Silva se refere ao mesmo textualmente.

Estes refratores acromáticos são capazes de observar todo o catalogo Messier assim como alguns alvos mais difíceis.

Como já foi dito quando se observa o céu o obsevador é tão ou mais importante que o diâmetro ou qualidade ótica do próprio telescópio.

E a descrição do Newtoniano não deixa muitas duvidas de se tratar de um aparelho semelhante ao descrito por Messier. Com 1500 mm de ditancia focal e com cerca de 90 mm de espelho. Na época os newtonianos sofriam do uso de espelhos especulares e isto seria aproximandamente um 60 mm moderno.

Já o  Refrator acromático era um show de tecnologia em uma das fronteiras do mundo conhecido. E Silvano Silva sabia disto.

E ele sabia também que ele poderia descobrir o véu sobre o céu profundo que vivia escondido abaixo do Equador.

Em outro trecho ele deixa clara sua ambição:

“... com os meus equipamentos em muito superiores serei capaz de mapear um numero de nebulosas  muito maior que os encontrados pelo Abbe... e com isto enaltecer o brilhantismo da Terra Lusitana e a gloria de nosso Rei.”


Acredita-se que a pequena luneta de José Eustaquio e o Refrator de Silvano Silva foram a tecnologia que nos levou até o Catalogo J.E.S.S. O pequeno Newtoniano também ha de ser lembrado e coforme saberemos este torna-se um favorito de José. Segundo alguns escritos pode-se suspeitar que este tinha um grande campo de visão. Seria um telescopio de menor razão focal e por isto util para observação do céu profundo. Bem como mais portatil.

É aceito hoje que nenhum dos telescópios descritos aqui seja superior a um refrator de 100 mm ou um refletor newtoniano de 150 mm moderno. Segundo algumas opiniões até mesmo um bom refrator de 60 mm de diametro seria  um forte opositor.

Todos os objetos descritos nesta pesquisa são acessíveis a tais telescópios e em sua grande maioria estão ao alcance de Binóculos 10x50. A pequena luneta descrita por Silvano Silva como de propriedade de José não superaria de forma alguma um bom binóculo moderno. Mas novamente sou obrigado a lembrar que o observador é parte importante do equipamento. A mais importante.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Cap. 4- Catalogo JESS Primeiras Entradas – O Caminho das Pedras

A seguir apresento um guia para a observação das entradas encontradas no capitulo anterior. Apresentarei também um breve histórico sobre os objetos em questão.

O Catalogo J.E.S.S de Nebulosas e Objetos Estelares apresentará este formato.

Após apresentação dos objetos realizada por Silvano Silva e o resgate histórico permitido pela recuperação dos textos do mesmo e apresentados no capitulo anterior, os astrônomos amadores interessados em acompanhar o caminho trilhado por estes pioneiros nos céus austrais poderão utilizar as seções “ Caminho das Pedras” que se seguirá as entradas .

Estas introduzidas seguindo a cronologia original apresentada nos textos de Silvano e Silva .

As coordenadas dos objetos terão como referencia o programa Cartes du Ciel.

Registros de observações que possam ser significativos para a localização ou de caráter histórico podem ser descritos.

Objetos interessantes nas proximidades podem ser apresentados  mas não são de forma alguma parte do Catalogo J.E.S.S.

Serão incluidas duas imagens .

A primeira panorâmica e com o objeto sobre o meridiano e uma que simula a imagem por uma buscadora com 5º TFOV(True Field of View).

A primeira pretende ajudar a localização inicial o do objeto e a segunda seu reconhecimento pela buscadora.

A capacidade o não de se perceber os objetos pela buscadora depende de diversos fatores. A dificuldade de se percebê-lo será apresentada na apresentação de cada objeto. Pressupõem-se céu escuro.

Aqui o Link que remete para o capitulo 3 ( O Catalogo original e parte de sua transcrição)


J.E.S.S. 1


.



Magnitude: 4.00

Brilho da Superfície:

Dimensão: 30.0 x 30.0 '

Posição Angular: 90

Classe: III

Nome: 47 Tucanae

Constelação: Tucana

Coordenadas: Aparente

Aparente RA: 00h24m 34.3s DE:-72°01' 31"

Abaixo da data RA: 00h24m 35.2s DE:-72°01' 20"

Abaixo de J2000 RA: 00h24m06.0s DE:-72°05'00"

Eclíptica L: +311°23'55" B:-62°21'21"

Galáctica L: +305°53'37" B:-44°53'15"



- O Aglomerado Globular NGC 104 é uma descoberta original do Abbe Lacaille. Nos registros históricos anteriores ficou registrado que ele o catalogou em 14 de setembro de 1751. Mas nada impede este de ter realizado observações anteriores do mesmo objeto durante sua viagem para a Cidade do Cabo. Há diversos registros de sua passagem pela cidade do Rio de Janeiro e este realizou diversas observações na época. O objeto é facilmente notado a olho nu em céus escuros. Na verdade é o segundo globular mais brilhante do céu. É um dos poucos objetos de Lacaille ( entres os presentes nos escritos apresentados a este por José Eustaquio) que Silvano Silva apresenta com a mesma numeração utilizada posteriormente no catalogo Lacaille . Esta é uma das mais fortes evidencias de que os escritos apresentados por José Eustaquio para Silvano silva e que se tornaram as primeiras entradas no catalogo J.E.S.S são em grande parte derivadas dos trabalhos do Abbe.

O Aglomerado foi catalogado também como Lacaille I.1 , Dunlop 18 e Bennett 2





J.E.S.S. 2




Magnitude: 3.90

Brilho da Superfície:

Dimensão: 36.3 x 36.3 '

Posição Angular: 90

Classe: VIII

Name: Omega Centauri

Constelação: Centaurus

Coordenadas: Aparente

Aparente RA: 13h27m 31.9s DE:-47°32' 50"

Abaixo da data RA: 13h27m 29.2s DE:-47°32' 32"

Abaixo de J2000 RA: 13h26m 48.0s DE:-47°29'00"

Eclíptica L: +219°55'53" B:-35°13'56"

Galáctica L: +309°06'13" B:+14°57'51"



- Ngc139 é o maior aglomerado globular do céu. Omega Centauro. Foi primeiramente registrado por Edmund Halley em 1677. È percebido a olho nu em céus escuros. Composto por cerca de 5 milhões de massas solares . Foi o primeiro aglomerado a ter registrado diversas populações estelares. Houveram diversos períodos de formação estelar e a fortes indícios de ser um núcleo galáctico remanescente . A galáxia que o originou teria sido absorvida pela Via- láctea.

Catalogado também como De Chéseaux No. 18 ,Lacaille I.5 , Dunlop 440 e Bennett 61



J.E.S.S. 3




Magnitude: 8.30

Brilho da Superfície:

Dimensão: 20.0 x 20.0 '

Posição Angular: 90

Classe: E

Name: ESO 57-EN6

Constelação: Dorado

Coordenadas: Aparente

Aparente RA: 05h38m 27.7s DE:-69°05' 47"

Abaixo da data RA: 05h38m 31.4s DE:-69°05' 39"

Abaixo de J2000 RA: 05h38m 36.0s DE:-69°06'00"

Eclíptica L: +306°15'05" B:-86°45'15"

Galáctica L: +279°27'55" B:-31°40'53"


- Outra evidencia da relação entre José Eustaquio e Lacaille. O objeto foi historicamente registrado no por Lacaille em 5 de dezembro de 1751. È um objeto mais delicado que os anteriores e muito mais distante. Localizada na grande Nuvem de Magalhães é um gigantesco berçário estelar e pode ser lar da maior estrela conhecida. Aparente na buscadora como um pequeno X . Ou uma estrela “diferente”.

Foi catalogado também como Lacaille I.2 , Dunlop 142 e Bennett 35



J.E.S.S.4



Magnitude: 3.30

Brilho da Superfície: 12.00

Dimensão: 80.0 x 80.0 '

Posição Angular: 90

Classe: II 2 r

Name: NGC 6475

Constelação: Scorpius

Coordenadas: Aparente

Aparente RA: 17h54m 42.4s DE:-34°48'03"

Abaixo da data RA: 17h54m 39.6s DE:-34°48'06"

Abaixo de J2000 RA: 17h53m 54.0s DE:-34°48'00"

Eclíptica L: +268°53'30" B:-11°22'05"

Galáctica L: +355°51'36" B:-04°30'47"


Conhecido desde a antiguidade seu primeiro registro é feito por Ptolomeu em 130 DC. Facilmente visível a olho nu. Um grande aglomerado aberto. Houveram diversos outros .registros incluindo Hodierna antes de 1654. Posteriormente foi incluído por Halley, Lacaille e Messier em seu catálogos. Um objeto indicado para iniciantes.



J.E.S.S. 5

Magnitude: 4.20


Brilho da Superfície: 10.00

Dimensão: 20.0 x 20.0 '

Posição Angular: 90

Classe: III 2 p

Name: NGC 6405

Constelação: Scorpius

Coordenadas: Aparente

Aparente RA: 17h41m05.3s DE:-32°15' 18"

Abaixo da data RA: 17h41m02.6s DE:-32°15' 19"

Abaixo de J2000 RA: 17h40m 18.0s DE:-32°15'00"

Eclíptica L: +265°57'16" B:-08°53'01"

Galáctica L: +356°34'46" B:-00°46'09"


Outro aglomerado aberto conhecido desde a antiguidade e catalogado por Hodierna antes de 1654. Existem sugestões que Ptolomeu o incluísse juntamente com M7 como a nebulosidade na cauda de Escorpião. Mas parece ser pouco provável. Apesar de facilmente visível a olho nu ele é mais discreto. Apresenta o claro formato de uma borboleta e é um aglomerado também indicado para os iniciantes. Também se encontra no Catalogo Lacaille como quase todas as primeiras entradas do catalogo J.E.S.S.



J.E.S.S. 6



Magnitude: 5.60

Name: OCL 953

Constelação: Norma

Coordenadas: Aparente

Aparente RA: 16h14m09.8s DE:-54°14' 47"

Abaixo da data RA: 16h14m05.9s DE:-54°14' 42"

Abaixo de J2000 RA: 16h13m 12.0s DE:-54°13'00"

Eclíptica L: +252°01'52" B:-32°26'48"

Galáctica L: +329°44'54" B:-02°12'19"


Trata-se provavelmente da primeira entrada original do Catalogo José Eustaquio e Silvano Silva de Nebulosas e Objetos Estelares. Como é fruto de escritos delegados por José Eustaquio a Silvano Silva pode-se depreender que seria uma entrada realizada anteriormente por Lacaille em suas observações e os registros desta terem por fim chegado até nós. Ou seria ainda um objeto localizado pelo pai de José Eustaquio. Sua posição não deixa duvidas e o aglomerado aberto estaria ao alcance dos equipamentos que dispunham tanto José como Lacaille . E facilmente percebido por uma buscadora 6x30 e mais claramente ainda em uma 9x50. É possível se perceber certa nebulosidade na região em céus escuros com a vista desarmada.



J.E.S.S. 7




Magnitude: 5.40

Brilho da Superfície: 12.00

Dimensão: 26.3 x 26.3 '

Posição Angular: 90

Classe: IX

Name: NGC 6121

Constelação: Scorpius

Coordenadas: Aparente

Aparente RA: 16h24m 20.7s DE:-26°33' 38"

Abaixo da data RA: 16h24m 18.0s DE:-26°33' 33"

Abaixo de J2000 RA: 16h23m 36.0s DE:-26°32'00"

Eclíptica L: +248°39'36" B:-04°52'37"

Galáctica L: +350°58'09" B:+15°57'53"

Pode ser percebido de forma tênue a olho nu em locais muito escuros e se apresenta facilmente com a menor ajuda ótica . Foi descrito pela primeira vêz por De Cheseaux em 1746. Posteriormente foi incluído no catalogo de Lacaille. Um Interessante aglomerado globular próximo a Antares. É um dos globulares mais próximos da Terra.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Capitulo 3 – O Catalogo J.E.S.S. – Primeiras Entradas.

Capitulo 3 – O Catalogo J.E.S.S. – Primeiras Entradas.


Aqui esta a transcrição dos escritos de Silvano Silva relativos aos primeiros objetos que ele relacionou tanto a José Eustaquio como a Lacaille. Há seis objetos que são certamente entradas do catalogo elaborado pelo Abade. O de numero 6 , como veremos , parece ser um objeto descrito por José Eustaquio e novo entre a lista de objetos de céu profundo conhecidos até aquele momento. As coordenadas celestes são as indicadas por Silvano Silva e seriam relativas ao Sec. XVI. O catalogo Lacaille propriamente dito foi publicado em 1755. As coordenadas apresentadas são exatamente iguais as desta primeira edição. O que confirma o encontro de José Eustaquio (pai) com Lacaille.

“... a seguir as nebulosas as quais já confirmei as posições entre as que me foram confiadas nos escritos doados pelo Sr José Eustaquio do Nascimento no mês passado. Alguns dos objetos não constam do Catalogo elaborado por Mnsr. Messier. O catalogo completo elaborado pelo Abbe Lacaille foi publicado em França em 1755 porém não possuo uma cópia. Recordo-me de que possuía 42 entradas e por isto insisti que Mnsr. Messier incluísse nebulosas já conhecidas em seu catalogo para que este superasse seu antecessor... De qualquer forma os alfarrábios que José me disponibilizou apresenta a nomenclatura utilizada pelo Abbe em seu catalogo. Tenho agora certeza que o telescópio por ele apresentado foi outrora do Abbe Lacaille...”

“... Espero conseguir que me enviem de Europa uma cópia em breve.”


1- OO:22:54 , -73:26:50 – Como pude observar este seria o Objeto denominado por Abbe Lacaille com 1.1 . È provável, portanto que ele tenha começado seu levantamento dos céus Austrais antes de se estabelecer na Cidade do Cabo. “Eu mesmo nunca tinha avistado tal nebulosa e não percebi nenhuma característica estelar.”



Esta entrada é clara o bastante e demonstra que Silvano Silva obtivera um esboço do que veio a ser o catálogo elaborado por Lacaille. É fato publico que Lacaille observou o céu e inclusive determinou posições em sua estada no Rio de Janeiro. O Objeto em questão é o aglomerado globular Tuc 47. Na constelação de Tucano. Esta mesma criada por Lacaille. É o segundo aglomerado globular mais brilhante do céu e não há duvidas sobre esta entrada. (N.A)


2- 13:12:09 , -46:10:45- Este é a entrada I.2 do catalogo de Abbe Lacaille. Semelhante ao objeto anterior, porém mais brilhante. Recorda-me a entrada 13 de Mnsr. Messier. Ainda mais brilhante. Percebo como uma pequena névoa mesmo a vista desarmada. “

Outra entrada obvia e que não deixa nenhuma duvida. Trata-se de Omega Centauro. O Maior aglomerado globular conhecido Porém no catálogo publicado em 1755 este objeto é registrado como Lac I.5 .(N.A)


3- 05:40;01 ,- 69:17:20 – “O Abbe o classificou como I .3 .Um belo objeto . Parece um pequeno x. Parece-me levemente estelar. É engolfado na grande nuvem.”

Este é outro que mudou de numero no catalogo publicado. Trata-se da Nebulosa da Tarântula. Na grande nuvem de Magalhães. Ele foi denominado de Lac I. 2 na publicação oficial. É o suposto lar da maior estrela conhecida pelo homem. (N.A)


4- 17:37:12 , -34:39:55 – “Lac II .1 . Este me é conhecido. .É um ajuntamento estelar incluído por Mnsr. Messier como sua entrada de numero 7. Na cauda do Escorpião. Facilmente percebido a olho nu.”

Como dito é M7. É curioso que Lacaille posteriormente alterou a entrada para Lac II. 14. Outro dado importante é que Lacaille classificou seus objetos da seguinte forma:

I- Nebulosas sem estrelas

II- Aglomerados estelares nebulosos

III- Estrelas acompanhadas de nebulosidade


5- 17:24:00 ,-32:02:45 “Lac III. 1 . Outro objeto reconhecido por Mnsr. Messier Entrada de numero 6 . Este aglomerado estelar em forma de losango me recorda uma borboleta. Na cauda do Escorpião. Próximo a ultima entrada”

Dispensa qualquer comentário (M6). Apenas foi alterada a numeração do catalogo original. Veio a se tornar Lac III.11


6- 15:54:20. ,-53:33:43 “Curiosamente este objeto não apresentou sua classificação. Mas consiste de um belíssimo campo estelar que envolve um pequeno aglomerado estelar acompanhado de certa nebulosidade . Nas anotações que chegaram as minhas mãos ele não possuía sequer descrição sendo apenas uma coordenada”



Esta é uma entrada curiosa. O aglomerado em questão, segundo minhas pesquisas é NGC 6067, que é um aglomerado aberto que se resolve com óticas melhores. É um delicado aglomerado aberto que se vê acompanhado de um belíssimo campo estelar. Este é um objeto novo a lista de objetos de céu profundo históricos conhecidos até o levantamento sistemático realizado por Herschel (a partir de 17820) e posteriormente por seu filho. Esta entrada seria original do catalogo J.E.S.S. e a primeira vez que este objeto teria sido descrito é nos escritos de Silvano Silva. As coordenadas apresentadas seriam corretas para o objeto em 1750. Hoje (2000) ele se encontra em RA: 16h13m12.00s DE:-54°13'00.0"


7- 16:08:33, -25:54:55 “Classificado como I . 4 Outro objeto que Mnsr. Messier catalogou. É a 4ª entrada do catalogo e parece um pequeno cometa sem cauda”

Outro velho conhecido (M4) que teve sua numeração alterada para Lac I.9

Com isto temos esta tabua de equivalências e coordenadas atualizadas das primeiras entradas do Catalogo José Eustaquio e Silvano Silva de Nebulosas e Objetos Estelares



JESS 1 – NGC 104 - RA: 0h24m06.00s DE:-72°05'00.0"

JESS2 - NGC 5139 - RA: 13h26m48.00s DE:-47°29'00.0"

JESS3 - NGC 2070 - RA: 5h38m36.00s DE:-69°05'60.0"

JESS4 - M 7 - RA: 17h53m54.00s DE:-34°48'00.0"

JESS5 - M 6 - RA: 17h40m18.00s DE:-32°15'00.0"

JESS6 – NGC 6067 -RA: 16h13m12.00s DE:-54°13'00.0"

JESS7 - M 4 -RA: 16h23m36.00s DE:-26°32'00.0"

terça-feira, 3 de maio de 2011

Catalogo J.E.S.S. de Nebulosas e Objetos Estelares- Cap. 2

Capitulo 2- As Origens de José Eustaquio


José Eustaquio tem uma origem mais difícil de ser rastreada. É uma figura mais misteriosa e sua história anterior ao seu encontro com Silvano Silva deixou pouquíssimos traços.

O único registro que possivelmente existe de sua vida pregressa é um velho e borrado registro encontrado na Biblioteca Nacional entre registros da Intendência de Policia.

Na época o conceito de policia que conhecemos hoje ainda não existia. A intendência de Policia era um órgão de caráter administrativo. A ordem publica era mantida pelos chamados quadrilheiros. Estes eram ligados aos senhores dominantes da colônia e também ligados de certa maneira as incipientes Maltas que se organizavam nas regiões centrais do Rio.

De qualquer maneira uma desavença em relação a uma garrafa de aguardente levou o registro de um crime na Intendência de Policia.

Por esta o cidadão de nome José Eustaquio do Nascimento e Islas, natural da Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro foi responsabilizado pela agressão ao escravo Manuel Congola de propriedade do cidadão José Hermeto Pereira. O ano que conseguimos ler no documento o localiza na cidade também no ano de 1768.

O documento dá a entender que José Eustaquio seria nascido no Brasil. Isto é um pouco duvidoso em função de alguns relatos que encontrei posteriormente. De qualquer maneira isto nos permite localizar o momento em que Silvano Silva e José Eustaquio se encontraram. E permite perceber que José possuía uma origem simples porém de certo prestigio . Se por um lado envolvera-se numa briga com um escravo ele é tratado como cidadão no documento em questão. Escravos eram um bem de grande valor e o fato de José Eustaquio ter agredido e impossibilitado este para o trabalho levou seu proprietário a buscar reparação.

Sua pena teria o levado a prestar serviços junto a Paróquia de Santo Antonio.

O primeiro registro sobre ele por Silvano Silva é bastante interessante. Ele fala com certo respeito e também com certo temor. E revela um segredo de confissão.

Ele roubou. Mas como a males que vem para bem este foi um exemplo claro disto.

“... um dos contraventores que foram enviados pela justiça para ajudar na pintura da fachada de minha paróquia pediu-me para realizar uma confissão. Levei-o até o confessionário e ele me contou que percebera a presença de uma luneta na Casa Paroquial. E aquilo só poderia ser um sinal do Senhor. Disse-me seu nome: José...”

Este trecho assim como depoimento a seguir estava no diário mais mal tratado que encontrei na fazenda de Buzios.

Após muita luta e o trabalho de uma grande amiga que realiza conservação e recuperação de livros junto a Biblioteca Nacional consegui recuperar diversos trechos deste diário.

A grosso modo pude descobrir que José contou ao padre uma série de varios crimes. Todos eles associados à diversos furtos . Mas também que ele não era responsável por estes crimes . Sua culpa teria sido ocultar o responsável pelos mesmos. Mas infelizmente não dá evidencia nenhuma de quem seria o responsável. Em uma abstração deduzi que este seria seu pai. E que seu pai seria também responsável por apresentar José Eustaquio aos mistérios do céu.

Como apresentando em um dos capítulos das lendas a passagem de Lacaille pelo Brasil foi um fato que realmente ocorreu e registrado em diversas fontes. Conforme os escritos de Silvano Silva um dos Telescópios de Lacaille foi deixado no Brasil. Aos cuidados do pais de José Eustaquio. Segundo o próprio seu pai teria trabalhado no Observatório estabelecido por Lacaille na Rua do Rosário.

Outro trcho do relato que me chamou atenção foi relativo a uma pequena série de objetos que fariam parte de um catalogo que estaria sendo organizado por Lacaille. Estas podem ser consideradas as primeiras entrada do Catalogo J.E.S.S. .



Isto levou o padre a pedir que o preso fosse posto a seu serviço e que o auxiliasse em seus afazeres.

“ ... o Sr. José Eustaquio me revelou grandes fatos sobre a passagem de Abbe Lacaille pelo Brasil. Estou encantado com seu conhecimento a respeito do céu austral e ele me prometeu levar até o telescópio que foi confiado a seu pai. Acredito que o objeto tenha sido subtraído pelo pai de meu novo funcionário. Mas prefiro relevar. Aguardo ansioso ... E pretendo confirmar as posições das nebulosas que estão no papéis que ele me apresentou”.

Os objetos indicados por José de fato existiam e os cataloguei como J.E.S.S 1 ,2, 3, 4,5,6 e 7.

Isto provavelmente ocorreu entre 1768 e 69. È difícil afirmar .

domingo, 3 de abril de 2011

Catalogo J.E.S.S. - Index

O Catalogo J.E.S. S de Nebulosas e Objetos Estelares é o que se pode chamar de "romance histórico astronômico”. Vai distrair enquanto realiza um trabalho de divulgação cientifica. Pretende ainda ser um belo projeto observacional para latitudes próximas ao Trópico de Capricórnio. Divide-se até o momento em duas fases. As Lendas que são um primeiro tratamento. Este mais “blogistico" e descompromissado.


E a história “verdadeira” que tem um tratamento mais formal, próximo ao jornalismo cientifico.

Espero que gostem. É um projeto em evolução...

Abaixo segue um Índice que busca facilitar e organizar o trabalho até agora realizado.

Perceba que a “história verdadeira” vai organizar muitos dos fatos até agora desencontrados reunidos na seção “ Lendas”.

Os três capítulos na seção “Sem data são de certa forma associados a “história verdadeira” mas se encontram fora da cronologia que agora foi estabelecida para o trabalho e podem ser lidas sem preocupação com esta.

Os links abaixo apresentam a ordem mais adequada para se inteirar no trabalho e na história.

A História “Verdadeira”:

http://nunciusaustralis.blogspot.com/2011/03/o-catalogo-jess-de-nebulosas-e-objetos.html

http://nunciusaustralis.blogspot.com/2011/04/o-catalogo-jess-de-nebulosas-e-objetos.html

http://nunciusaustralis.blogspot.com/2011/05/catalogo-jess-de-nebulosas-e-objetos.html

http://nunciusaustralis.blogspot.com/2011/05/capitulo-3-o-catalogo-jess-primeiras.html

http://nunciusaustralis.blogspot.com/2011/05/cap-4-catalogo-jess-primeiras-entradas.html

http://nunciusaustralis.blogspot.com/2011/06/catalogo-jess-cap-5.html

Sem data:

http://nunciusaustralis.blogspot.com/2010/08/o-catalogo-jess-de-objetos-estelares.html

http://nunciusaustralis.blogspot.com/2010/12/o-catalogo-jess-os-escritos-de-jose.html

http://nunciusaustralis.blogspot.com/2011/01/o-catalogo-jess-de-objetos-estelares.html

http://nunciusaustralis.blogspot.com/2011/03/catlogo-jess-o-cinturao-de-jupiter.html



As Lendas:


http://nunciusaustralis.blogspot.com/2009/07/o-catalogo-jess-de-objetos-estelares.html

http://nunciusaustralis.blogspot.com/2009/09/catalogo-jess-de-objetos-estelares-cap.html

http://nunciusaustralis.blogspot.com/2010/09/catalogo-jess-de-objetos-estelares.html

http://nunciusaustralis.blogspot.com/2009/10/o-catalogo-jess-de-objetos-estelares.html

http://nunciusaustralis.blogspot.com/2009/10/o-catalogo-jess-de-objetos-estelares_25.html

http://nunciusaustralis.blogspot.com/2009/12/o-catalogo-jess-de-objetos-estelares.html

http://nunciusaustralis.blogspot.com/2010/02/o-catalogo-jess-de-objetos-estelares.html

http://nunciusaustralis.blogspot.com/2010/03/o-catalogo-jess-de-objetos-estelare.html

http://nunciusaustralis.blogspot.com/2010/05/o-catalogo-jess-de-objetos-estelares-o.html

sábado, 2 de abril de 2011

O Catalogo J.E.S.S. de Nebulosas e Objetos Estelares

Capitulo 1- Silvano Silva e seu Caminho até o Brasil


A história da chegada de Dom João do Silvano e Silva até sua chegada ao Brasil foi um pouco diferente da lenda contada no intitulado Catalogo J.E.S.S. de objetos estelares.

Na verdade ele nunca teve nenhum parentesco com o autor e suas aventuras européias são muito mais obscuras do que pode parecer no primeiro tratamento.

Após visitar diversas paróquias de Lisboa localizei o que parece ser o registro de seu batizado.

Ele nasceu em 1734. Em Lisboa. Seu pai chamava-se Manuel Silvano e Silva.

Fidalgos o rapaz parece realmente ter seguido o caminho do seminário. Era um caminho comum aos segundos filhos naqueles tempos.

Encontrei registros dele em visita ao Vaticano onde se reunem todos os documentos relativos a Congregação de Seminarios e atas de suas reuniões.

O Papa Bento XIV criou a Congregação dos Seminários, em prol das vocações eclesiásticas. O Papa, que se tornaria Bento XII, é o único Papa descendente da família real portuguesa. Isto é a única razão que encontro para encontrar o nome de Silvano e Silva em uma das atas da Congregação. A vocação de Silvano e Silva é altamente discutível como já foi apresentado no primeiro tratamento desta pesquisa. Só como uma curiosidade: O Papa Bento XII só assume este nome posteriormente. No momento de sua ascensão a trono de Pedro ele se denominou Bento XIV, pois acreditava ser o numero 13 negativo.

Finalmente a relação deste com Messier parece ter ocorrido de fato. São diversos os textos encontrados em posse de meu avô onde o próprio Silvano Silva discorreu sobre estes encontros.

Ele escreve em um de seus diários (um dos mais bem conservados apesar de ser um dos mais antigos: “... Messier estava à procura do cometa de Halley, e o procurava todas as noites. Ele acreditava piamente no retorno deste previsto por Halley para ocorrer ainda naquele ano. Isto era apenas uma hipótese naqueles tempos. De qualquer forma ele trabalhava para o Sr. Joseph Nicolas Delisle, astrônomo da marinha. Ele fora empregado por sua bela caligrafia e acabou sendo instruído no uso de telescópios e afins. Estava ele buscando o cometa de Halley na região prevista para seu retorno quando encontrou uma pequena nebulosidade a qual acreditou ser o cometa. Era o dia 12 de setembro do ano do Senhor de 1758.

Como astrônomo precavido que era e ciente de seus deveres para o Senhor Delisle ele nada anunciou e continuou suas observações por mais alguns dias. Logo percebeu que aquele cometa não se movia em relação às estrelas de fundo. Não era um cometa e sim uma nevoa que habitava aquele lugar do espaço. Esta nevoa viria e se tornar o objeto Messier numero 1 ou M1.”

Diversos outros trechos deste diário descrevem as descobertas de Messier.

Parece bastante claro seu convívio bastante intimo com Messier durante o período que compreendeu entre 1758 e 1765. O que compreende a elaboração da primeira parte do catalogo Messier. Ou seja, até o objeto M45. Na verdade a primeira versão só foi publicada em 1771.

Aqui apresento alguns trechos selecionados dos diários deste período. Apesar de desorganizado e afeito as bebidas como foi fácil perceber pelas notas manchadas de vinho, Dom João era um escritor compulsivo. Um habito que ele não perdeu durante toda sua vida.

“Reuníamos-nos sempre em Clugny (Faziam observações quase diárias do observatório da marinha situado em uma torre no hotel de Clugny em Paris. O prédio fora construído em 1480 sobre fundações de uma ruína romana de sec. IV. Era perfeito, escuro e com um horizonte livre em todas as direções.). O maior objetivo de Messier era localizar cometas.”

De fato Charles Messier criou a profissão de caçador de cometas. Uma profissão que poderia ser considerada um “trade Mark” do iluminismo. A sua especialização é precursora das teses atuais. Quase um conquistador do inútil. É importante lembrar aqui que o catalogo por ele organizado foi feito com o objetivo de registrar áreas nebulosas no céu para que estas não fossem confundidas com cometas. Os cometas eram seu santo graal e o objeto mais puro. Estes homens estavam descobrindo que cometas circulavam o sol. De uma forma diferente dos planetas. Estes pequenos blocos de gelo eram verdadeira amostra do ignoto.

“esperávamos o retorno do Cometa descrito por Halley em 1682. Já passava do natal de 1758 e Messier procurava pelo cometa conforme indicações do Sr. Delisle. Nada acontecera desde então. A nebulosa observada por Messier me encanta. Extremamente tênue. Parece uma concha pequena.”

Silvano Silva se refere constantemente a esta pequena nébula. Ele na verdade era obcecado por estas pequenas nebulosas que não se provavam cometas. Suas anotações levavam a crer que ele conhecia diversas delas antes mesmo do catalogo Messier começar a ser organizado. Na verdade é bastante claro que ele já conhecia claramente a natureza nebulosa de diversos objetos que viriam a pertencer ao catalogo Messier. Objetos como a grande nebulosa de Orion, O Presépio em Orion e diversa outras nebulosas conhecidas desde a antiguidade são citadas freqüentemente em seus registros. Ele também conhecia diversos trabalhos pioneiros e catálogos pouco conhecidos. O pequeno catalogo que Halley escreveu em Santa Helena e o Catalogo também austral desenvolvido pelo Abbe Lacaille (como ele sempre se refere a Nicholas Louis de La Caille (1713-1762)) lhe eram conhecidos.

( Tudo indica que ele só viria a conhecer o Cataloga de Lacaille anos mais tarde e por um caminho surpreendente.)

Eram tempos curiosos. Enquanto a inquisição espanhola ainda torturava pessoas idéias cientificas tinham ampla difusão entre certas classes em Paris.

Passaram-se dois anos antes que Messier registra-se uma nova entrada em seu catalogo. Na verdade nem catalogo ainda. Esta idéia só iria se firmar com o objeto conhecido como M3.

“... Era a madrugada de 3 de maio de 1764. Estávamos com frio. Messier notara esta “manche” arredondada. Ele a registrou assim :

3. 13h 31m 08s(202d 51´19´´)+29d 32´57´´ (Maio 3, 1764) - Nebulosa descoberta entre Bootes e um dos Cães de caça de Hevelius [Canes Venatici] , não contém nenhuma estrela. Seu centro é brilhante e vai enfraquecendo em direção as bordas. Ela foi avistada com um telescópio de 1 Pé.”

O texto é quase idêntico ao encontrado no catalogo Messier original. È praticamente uma tradução exata para o português do catalogo Messier. Foi neste momento que comecei a acreditar na relação entre ambos.

Curiosamente esta entrada no catalogo Messier é uma espécie de pedra fundamental. É a primeira descoberta original de Messier. Naquele momento descrito por Silvano Silva o homem registrava o septuagésimo sexto objeto de céu profundo registrado por olhos humanos ( com e sem telescópios). Ainda que na época fossem apenas cinqüenta e cinco sendo outros vinte e um “objetos perdidos”. Foi apenas a partir deste terceiro objeto (M3) que Messier passou a se dedicar de uma forma sistemática para a localização destas nebulosas que poderiam confundir o astrônomo de seu tempo na caça por seus tão fundamentais cometas. Na verdade foi um ano onde Messier foi extremamente ativo e há diversos registros nos diários de Silvano Silva referentes ao ano de 1764. Entre maio e o fim do ano Messier registrou quarenta entradas em seu catalogo.

“Messier finalmente percebeu a necessidade de organizar as descobertas realizadas em Clugny. Está organizando todas as nebulosas localizadas no ano passado e com isto acredito termos acrescentado cerca de 20 novas nebulosas aos céus.”

Este trecho demonstra a extrema proximidade entre ele e Messier. E seus cálculos eram bem precisos para um tempo onde o saber não estava tão à disposição. Na verdade no ano de 1764 Messier descobriu 18 novos objetos de céu profundo nunca antes avistados. Sendo esse catalogados como M3,M9,M10,M12,M14,M18,M19,M20,M21,M23,M24,M26,M27,M28,M29,M30,M39 e M40.

Logo após o ano de 1765 os escritos apresentam um vazio. Parece ter sido um período conturbado para Silvano Silva e em sua ultima entrada podemos perceber certa urgência:

“... parto de Paris. Sentirei falta de Clugny. E de nada mais. Messier me presenteou com uma bela cópia de seus achados. Foi feita por uma copista de altíssimo nível e acredito não possuir ninguém mais uma cópia deste material. Vou à busca de uma saída...”

Não sei o que de fato se passou no decorrer dos próximos três anos. Entre os diários e notas que me chegaram não há nenhum registro dos caminhos percorridos por Silvano Silva.

Mas fica claro que ele deixou Paris com uma cópia das descobertas de Messier até o ano de 1764. Isto seria fundamental no desenvolvimento do Catalogo José Eustaquio e Silvano Silva de Objetos Nebulosos.

Este material não seria disponível até o ano de 1771. Neste ano Messier apresentaria a primeira versão de seu catalogo com as entradas de M1 a M45. Como já sabemos Silvano Silva conhecia todos os objetos do catálogo até a entrada de numero 40. Os outros cinco objetos incluídos por Messier nesta primeira versão eram conhecidos desde a antiguidade e certamente conhecidos por Silvano Silva. Com isto ele se tornou dono da primeira cópia do Catalogo Messier. E isto será de fundamental importância para a criação do Catalogo J.E.S.S. de Nebulosas e Objetos Estelares.

O próximo registro do padre só ocorre em 1768. E já no Brasil. Mas precisamente na Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. Um registro de Casamento na Paróquia de Santo Antonio é o primeiro indicio da presença Dom João Silvano e Silva nas terras do Brasil. Santo Antonio é a região hoje conhecida como a Lapa. 1 de Maio de 1768.



“ ...o aqueduto foi inaugurado a mais de uma década e se encontra em excelente estado . Domina a paisagem e liga o santo Antonio a Santa Teresa, esporadicamente vou ao convento. “

Este pequeno trecho foi extraído de um texto mais longo onde alguém parece descrever a paisagem na região nos meados do Sec. Xvii.. Foi encontrado por uma tia minha eue foi reclusa no Convento Parece-me muito com a caligrafia de Silvano Silva. E os Arcos da Lapa foram inaugurados em 1750. Isto permite estabelecer com certeza a presença de Silvano Silva no Rio em 1768.

Acredito que os escritos que encontrei com meu avô tenham vindo da mesma origem.

quinta-feira, 31 de março de 2011

O Catalogo J.E.S.S de Nebulosas e Objetos Estelares: A verdadeira História

O Catalogo J.E.S.S de Nebulosas e Objetos Estelares:


a verdadeira história.



Introdução

O catalogo JES.S. surgiu para mim como uma espécie de herança. Posteriormente se tornou um trabalho delicioso. O projeto de recuperar esta parte da história da Astronomia em seu período clássico foi realmente gratificante. Cheio de surpresas e ensinamentos.

Neste trabalho pude recuperar a obra de dois gigantes desconhecidos da astronomia. O que o tornava às vezes árduo.

Os papéis que me chegaram em mãos e os que depois continuaram sendo localizados conforme minhas pesquisas se aprofundaram estavam sempre em péssimas condições e muitas veze eram apenas garranchos quase ilegíveis escritos a mais 250 anos .

A cronologia de minha pesquisa é algo próximo ao realismo fantástico de Macondo. Uma pesquisa sobre um lugar e dois homens que não existem mais. E não fosse a curiosidade de outros homens jamais seriam lembrados.

Os textos iniciais foram encontrados entre milhares de livros que meu avô estocava em nossa casa de praia. Os textos iniciais foram obtidos provavelmente pelo próprio. Meu avô nunca fora um homem organizado.

Ele foi um dos primeiros forasteiros a comprar terras na antiga Armação do Buzios. Isso nos idos dos anos 40. Na verdade na comarca de Cabo Frio. Buzios só se tornaria município muitas décadas depois.

Sempre gostou de antigüidades e manteve um pequeno antiquário na Rua do Lavradio, no centro do Rio de Janeiro, até o fim da vida.

Eu procurava algo interessante para tese de meu mestrado em História.

Meu amor sempre fora a história da astronomia. Quando se fala de astronomia se pensa sempre nos grandes nomes. Galileu, Newton e até mesmo Einstein. Mas meus favoritos sempre foram os autores dos catálogos clássicos. Lacaille, Messier e Herschel formavam minha trindade.

Assim meu projeto era desenvolver a tese fazendo um paralelo entre a história dos catálogos de nebulosas dos séculos xvii e xix e o desenvolvimento da cosmologia. Bem interessante, não acham?

Com este tremendo abacaxi pela frente resolvo ir até nossa fazenda e me isolar lá enquanto me preparo para escrever a bendita da tese.

Certa noite fui caçar algo para ler no escritório de meu falecido avô. Uma caixa de papelão que lembrava estar lá desde sua morte jazia sobre a mesa. Molhada, úmida, podre mesmo. Fui fuçar e não foi minha surpresa quando vi entre os muitos papéis ali dentro uma folha. Muito velha. Peguei com cuidado. Escrito em uma letra rebuscada e evidentemente com uma pena consigo vislumbrar escrito: “Nebulosas sobre o céu do Arraial dos Peixes de Buzios”. Estava datada de 1767. Não apresentava o nome de seu autor. Lendo mais um pouco percebi que chegara até minhas mãos o primeiro catalogo de nebulosas realizado no Brasil e um dos primeiros do Hemisfério Sul.

Outros papéis, estes em péssimo estado, via-se claramente a data de 13 de maio de 1764. Era evidentemente uma copia de um catalogo estelar. Apesar do péssimo estado dos papéis pude notar que descreviam alguns objetos do Catalogo Maessier.

Isto me deixou incrédulo . O primeira versão do catalogo Messier só fora lançada em 1771. Eu tinha em minhas mãos o “Catalogo Perdido de Messier em minhas mãos.

Charles Messier era uma das pedras fundamentais de minha tese .

O Catalogo Messier é uma bíblia da astronomia amadora e foi a maior referencia sobre objetos de céu profundo durante o final do renascimento. Na verdade até 1782 quando Herschell iniciou sua busca era o maior coleção de objetos de céu profundo já catalogada.

Neste momento gostaria de abrir aspas para esclarecer os leitores.

“O que são objetos de céu profundo ?

Isto é bastante vago e neste artigo vou apresentar de forma mais clara as diversas categorias de objetos que em seu conjunto são chamados de Objetos de Céu Profundo (DSO, do inglês, Deep Sky Objects). Utilizarei deste anglicismo daqui para frente . D.S.O.

De uma forma geral pode-se dizer que D.S.O. É qualquer objeto que não seja uma estrela e que esteja além do nosso sistema solar. A maioria dos D.S.O. É tênue, difuso e necessita de um telescópio para ser avistado. Aparecem maravilhosos em fotografias de longa exposição mas em geral aparecem apenas como “esfumaçamentos” de luz para os olhos humanos, até mesmo através de grandes telescópios. D.S.O. Dividem-se em diversas categorias:

Aglomerados Estelares Abertos

Aglomerados Estelares Globulares

Nebulosas Difusas

Nebulosas Escuras

Nebulosas Planetárias

Resíduos de supernovas

Galáxias

Grupos de Galáxias

Quasares

Lentes Gravitacionais

Aglomerados estelares Abertos- São agrupamentos frouxos de estrelas. Alguns aglomerados abertos são grandes e espalhados. As Hyades (em Touro), as Pleyades (idem) e o Presépio (em Câncer) são desta forma e visíveis a olho nu. Outros são pequenos e tênues. Suas estrelas não se resolvem e o aglomerado parece uma névoa no céu. Quando podemos ver as estrelas que formam o aglomerado dizemos que ele foi resolvido. De uma forma geral quanto maior o telescópio (Diâmetro), mais aglomerados ele vai resolver. Alguns aglomerados terão apenas poucas estrelas. Outros apresentarão centenas, parecendo um derrame de sal sobre o céu. Tente perceber a diferença de cores nas estrelas que os compõem.

Assim como diversos D.S.O. Alguns aglomerados abertos aparecem melhor em telescópios pequenos do que em grandes. M11 (Em Scutum) vale a pena em qualquer tamanho. O Presépio (em Câncer) é melhor em telescópios pequenos. Já Ngc 2158 melhor em grandes.

Porque estrelas acontecem em aglomerados? Estrelas se formam de gigantes coleções de gás no espaço quando algum tipo de onda de choque passa por estas nuvens de gás as comprimindo e as fazendo colapsar sobre si mesmas formando estrelas. Ao contrario da gente todas as estrelas se formam quase que simultaneamente desta maneira. Através do tempo começam a se afastar uma das outras, mas dependendo de diversos fatores podem permanecer unidas por longos períodos. As gigantes nuvens de gás em que se formam as estrelas se concentram no plano da galáxia, ao longo da Via Lactea. è por isto que a maior parte dos aglomerados abertos aí se encontram. Por isso são chamados também de aglomerados Galácticos.

Aglomerados Estelares Globulares- Estes aglomerados estelares são grupos muito maiores de estrelas mantidas juntas de forma muito mais concentrada e em um formato esférico. Aglomerados globulares possuem, em geral, centenas de milhares de estrelas reunidas em uma “bola”.

Se concentre nos Globulares mais brilhantes para vistas sensacionais (Tuc 47, Omega Centauro, M22). Posteriormente olho por outros mais tênues.

Aglomerados Globulares são compostos de estrelas velhas, Ao contrario dos abertos que se formam de forma continua, todos os globulares se formaram a bilhões de anos. Parece que estes aglomerados se formam quando duas ou mais galáxias colidem; tais colisões estimulam a formação de estrelas em escalas muito maiores (devido às imensas ondas de choque). Todos os aglomerados globulares de nossa galáxia se formaram aproximadamente ao mesmo tempo. Eles são encontrados fora do disco galáctico. Na região conhecida como Halo, formando uma espécie de nuvem a redor do centro galáctico. Por causa disto é que podemos ver a sua maioria durante o inverno em direção a sagitário que é onde se encontra o centro de nossa galáxia.

Nebulosas Difusas- São nuvens brilhantes de gás e poeira. A nossa galáxia está cheia delas e elas se posicionam ao longo do disco galáctico (principalmente). A maior parte deste gás e escuro, porém na proximidade de uma estrela quente e brilhante o suficiente ele pode incandescer Há duas maneiras de um gás brilhar. Ambas requerem grandes quantidades de luz azul e radiação UV adentrando a nebulosa. Estrelas quentes e massivas são excelente fonte de ambas.

São estas nébulas que causam os maiores desapontamentos porá os astrônomos iniciantes que esperam ver cores vívidas e detalhes observados em fotografias. Esqueça seus olhos não podem perceber cores e detalhes como um CCD em uma exposição de varias horas. Nem como um Filme 400 asa. Elas sertão P&B e bastantes difusas. Assim como neblina. Uma das melhores nebulosas para se observar é M42 em Orion. Situada na espada do guerreiro você será capaz de perceber sua nebulosidade até mesmo a olho nu. Mesmo com um pequeno telescópio você vai notar alguma estrutura nela. Até mesmo alguma cor.

A luz é difundida conforme ela penetra na nuvem de gás de uma forma semelhante a como a luz do sol ao penetrar a atmosfera terrestre. São as partículas de poeira que fazem a difração. È a luz azul que se difunde com maior facilidade sendo os que os outros comprimentos de onda passam “lisos”. A luz azul porem se difunde em todas as direções. Os astrônomos chamam a isto de Nebulosas de reflexão. Por isto são azuladas em fotografias.

A outra forma de uma nuvem brilhar é quando a luz de uma estrela é absorvida pelos átomos de gás e então reemitida. Átomos de hidrogênio gostam de absorver radia luz UV. Com isto seu único elétron obtém energia para sair livre e leve até encontrar outro núcleo de hidrogênio, se recombinar e fazer outro átomo de hidrogênio. Com isto devolvendo a energia roubada geralmente em forma de luz. Desta vez avermelhada. Muito semelhante a um anuncio em neon. Os astrônomos chamam isto de regiões HII. Novamente só serão avermelhadas para um CCD. Para você serão acinzentadas.

Nebulosas Escuras- Estas são nuvens de gás e poeira que escondem as estrelas atrás dela. O gás no espaço interestelar é acompanhado por minúsculas partículas de poeira, muito parecida com a fumaça de um cigarro. Se a nuvem é densa o suficiente esta grãos refratem e absorvem luz suficiente para tornarem as estrelas que estão atrás invisíveis. Estas nebulosas são talvez melhor observadas de binóculos A via lacte durante o inverno é um bom local para se procurar por elas. Procure por locais ao longo do disco onde parecem estar faltando estrelas.

A mais conhecida destas nebulosas é a Nebulosa Cabeça de Cavalo em Orion Famosa em fotografias e um objeto muito procurado e pouquíssimo visto por astrônomos visuais. O formato de uma cabeça de cavalo é delineado pela nebulosa escura sobre uma tênue nebulosa de reflexão no back ground. O problema é que se você não é capaz de perceber esta tênue e fraca nebulosa de reflexão ao fundo imagine a nebulosa escura a sua frente. Ver isto não é para iniciante e às vezes nem para iniciados.

Nebulosas Planetárias- Estas são outro tipo de nuvens de gás incandescente. Elas se formam quando estrelas atingem a meia idade. Estas estrelas se inflam varias vezes acima de sua circunferência original (um pouco como os homens...). Até um ponto que expelem suas camadas de gás mais externas para o espaço. A quente estrela central faz esse gás brilhar muito como nas regiões HII. A diferença que o gás não é hidrogênio. Oxigênio em geral e alguns outros resíduos. Ou seja, estas nebulosas nada têm em comum com planetas. Algumas Nebulosas planetárias aparecem como um azul muito tênue ou esverdeada (pelo menos as mais brilhantes).

Estas nebulosas existem em diversas formas e tamanhos. Algumas são descritas como muito brilhantes mas são tão grandes que esta luz se espalha sobre uma grande área. Isto as faz difíceis de serem avistadas. Pois como o mais importante é o caminho e não a chegada achar estes objetos pode ser extremamente prazeroso.

Algumas outras são pequenas e com isto se tornam mais fáceis de serem vistas. Um exemplo clássico é a conhecida Nebulosa do Anel (M 57) em Lyra. Localizada entre duas estrelas visíveis a olho nu é um alvo indicado para iniciantes. Não espere ver muitos detalhes em telescópios pequenos.

Resíduos de Supernovas- Quando uma estrela explode como uma Supernovas ela deixa uma enorme nuvem de gás em expansão. Estes vestígios variam desde a “brilhante” Nebulosa do Caranguejo (M 1) em Touro até a tênue Nebulosa do Véu em Cygnus.

M 1 é a mais brilhante dessas Supernovas e aparece como um ponto levemente enevoado em telescópios pequenos (Até 100 mm). Outros exemplos necessitam de telescópios muito maiores e filtros OIII eUHC podem ajudar.

Galáxias- Galáxias são universos ilhas assim como a nossa. Apresentam estrelas, aglomerados e nebulosas próprias. Galáxias assim como estrelas tendem a se agrupar em aglomerados. A galáxia de Andrômeda é o objeto mais distante visível a olho nu. Ela faz parte do chamado grupo local do qual a Via-lactea é um integrante.

As galáxias aparecem em sua maioria como pequenas nebulosas. A dois tipos principais de Galáxias: as espirais e as elípticas. As primeiras apresentam uma forma discóide como a nossa . As outras apresentam um aspecto arredondado ou ovóide e um núcleo estelar.

Lembre se que a magnitude das galáxias é imaginada como se fosse possível juntar toda a luz de uma galáxia em único ponto estelar. Elas apresentam um baixo brilho de superfície o que as torna objetos difíceis.

Aglomerados de Galáxias- São grupos de galáxias visíveis em um mesmo campo ocular. São famosos os catálogos Hickson e Abell. São voltados para astrônomos com grandes telescópios e experiência idem. São as maiores estruturas do universo. Neste caso cobrindo imensas áreas de céu. O Aglomerado de Virgem apresenta algumas galáxias ao alcance de telescópios pequenos.

Quasares – São objetos semelhantes a estrelas, porém extremamente distantes. Eles são os centros extremamente brilhantes de galáxias que em todos os outros aspectos são normais. Tudo indica que as galáxias possuem em seu centro massivos buracos negros. Quando uma galáxia colide com outra, gás e poeira são jogados para o centro da galáxia. Uma parte deste material acha sua orbita em direção ao buraco negro. A imensa gravidade faz o material em orbita emitir enormes quantidades de energia. Este quasar ao centro desta galáxia sobrepuja o brilho de toda a galáxia. E por isto a galáxia parece com uma estrela. Ou quase uma estrela (Quasar).

A física dos quasares os torna interessantes para o pensamento, porém nem tanto para a visão. São objetos distantes que brilham como uma estrela tênue. O Mais brilhante dos quasares responde pela alcunha de 3c 273. Ele visível em um telescópio de 150 mm. E só.

Lentes Gravitacionais- Não são D.S.O. Propriamente. Se refere geralmente a quasares que ao terem sua luz dobradas por um aglomerado galáctico alinhados com ele apresentam mais de uma imagem do mesmo objeto , “ dobrando assim sua magnitude. Este efeito também pode ser entendido como a cruz de Einstein. Não se conhece nada visível para Telescópios pequenos.

Isto foi o que a humanidade colecionou até meados do séc. XXI. O desenvolvimento da compreensão destas estruturas é também um dos pontos a serem abordados em nossa história. Nossos heróis são parte das engrenagens que levaram ao conhecimento que nos permite compreender (ou pelo menos tentar) a geografia do universo.

Com isto cancelei meus planos e minha tão inspirada dissertação sobre a cosmologia e os catálogos de nebulosas europeus. E mergulhei na aventura que resultou no Catalogo J.E.S.S. de Nebulosas e Objetos Estelares.

Vou relatar para vocês a história de José Eustaquio do Nascimento e Islas e de Dom João Silvano Silva que resgatei.

E de todo o processo de pesquisa e investigação que permitiu resgatar a grande obra destes homens.

Por fim apresentarei o grande catalogo deixado por eles e que acrescenta objetos aos ditos 152 objetos clássicos de céu profundo conhecidos até 1780 quando Herschel começou sua tal busca sistemática por estes tipos de objetos celestes. E também uma coleção de relatos sobre diversas descobertas astronômicas surpreendentes que os nivela com os gigantes de que falamos. Vou apresentar as figuras humanas, sua cosmo visão e cosmologia.

E ainda apresentar o Catalogo J.E.S.S. para todos. Bem como o caminho das pedras para aqueles que buscam localizar estes objetos no firmamento...

Por fim: eu criei o nome “Catalogo J.E.S.S.”. E uma brincadeira com as iniciais de seus autores: José Eustaquio e Silvano Silva.

PS – Diversas histórias que foram já divulgadas sobre o Catalogo Silvano Silva e José Eustaquio podem ser situadas no terreno das lendas. Era apenas o rascunho de um trabalho. Um romance na verdade. Algumas destas histórias estarão aqui. Outras não. Para que no futuro não haja confusões os textos que foram escritos e que ainda podem ser encontrados espalhados pela internet e em algumas copias perdidas são todos reconhecidos pelo titulo equivocado de “O catalogo J.E.S.S de Objetos Estelares”. Isto foi um erro devido a péssimas condições de alguns dos escritos. Pareceu-me , em um primeiro tratamento e antes da restauração dos escritos, que ambos ( Silvano Silva e José Eustaquio ) consideravam todas as estrururas nebulosas que observavam como que compostas por estrelas. Apenas não eram capazes de resolver estas devido a potencia de seus telescópios. Isto não é verdade e a cosmologia que ambos desenvolveram é bastante mais complexa. Pondo um fim neste assunto foram encontradas anotações onde ambos se referem a seu levantamento dos céus com o titulo de Nebulosas e Objetos Estelares sobre o Arraial dos Peixes de Buzios.Assim sendo achei que em respeito a nossos pioneiros heróis o titulo deste trabalho deva ser: “O Catalogo J.E.S.S. de Nebulosas e Objetos Estelares”.

terça-feira, 1 de março de 2011

Catlogo J.E.S.S. - O cinturão de Júpiter

O Cinturão Perdido de Jupiter.




Finalmente chegaram de volta a minha pessoa os manuscritos mais antigos dos deixados por Silvano e Silva e José Eustaquio.

São centenas de paginas. Estou destrinchando o material. Pode parecer fácil. Mesmo depois do trabalho de recuperação a que foram submetidos o termo “recuperados” é bastante otimista. As caligrafias são péssimas e a organização dos dois senhores surpreende até mesmo ao autor. Ele mesmo um prodígio da baderna.

De qualquer forma os primeiros anos de Silvano e Silva no Brasil deixaram um grande legado. Escrevia muito.

Manteve durante os primeiros anos anotações detalhadas sobre diversos planetas. Especialmente Júpiter e Saturno.

Ele acreditava que um dos maiores momentos da humanidade se dera quando Galileu apontou seu telescópio para o deus Júpiter e viu apenas um planeta cercado por quatro luas. E mudou o mundo.

O planeta é conhecido desde a antiguidade. Um dos astros mais brilhantes de todo o céu. Só é subjugado pela Lua e por Venus. É um gigante muito mais distante que estes pequenos mundos.

Galileu batizou as luas com o nome de Stella Mediceana. Fazendo assim boa política com seu patrono. Silvano Silva ainda se refere a elas assim.

São conhecidas hoje por Io, Europa, Ganimedes e Calisto.

Ganimedes nos dá bem a escala. Ela é maior que o planeta Mercúrio.

Nosso padre pagão também o chamava de Marduk. E adorava ser jovial. Dizia ele que porque jovial vinha de Joviano. E Este era o adjetivo para Júpiter.

Matava a lingüística e mostrava o pau. Nosso querido padre sofria por não poder crer em Deus. Então o chamava de um deus pagão e se vingava dele mesmo.

O conhecimento sobre a real estrutura Jupteriana era ainda um grande mistério e Dom João buscava a verdade. Um dos escritos mais interessantes que achei foram relativos a eventos na atmosfera de Júpiter.

Como sabemos Silvano e Silva foi se tornando cada vez mais desregrado ao longo dos anos. Os escritos que me chegaram às mãos agora é o melhor de sua produção. Ele mantinha ainda um diário e datas. Por isto este evento astronômico foi bem registrado.

Na noite de 1 de março de 1764 Júpiter dominava o horizonte Noroeste . Segundo Dom João:

“... Marduk se mostra glorioso. Emoldurado por Aldebarã. Faz escolta para as Hyades e as Plêiades. Em sua vizinhança se esconde um dos encantos que José me mostrou a algumas noites. (Provavelmente ele refere-se ao aglomerado aberto NGC 1647.) Aponto o telescópio em sua direção a 34º na direção Noroeste. E me surpreendo. A minha tão cara estrutura de cinturões esta desfigurada. Algo aconteceu ao cinturão sul. Ele simplesmente sumiu. Não posso afirmar exatamente quando. Minha ultima observação do Planeta foi a cerca de 20 dias. O clima tem estado deveras chuvoso.”.



Dom João então acompanhou todo um processo . Primeiramente ele achou que nunca mais veria o cinturão. Mas a evolução da coisa foi menos cruel. Aos poucos ele foi se refazendo. E Dom João descreve um ciclo que na época era desconhecido.

Naqueles tempos a dinâmica atmosférica deste gigante gasoso ainda era desconhecida e o fenômeno pareceu quase como mágico para Dom João e posteriormente José.

Segundo o texto de Dom João nosso amigo José Eustaquio do Nascimento e Islas novamente se mostra a frente de seu tempo. Ainda que errado ele acerta. Ele diz que os planetas são como a terra. Aquilo era apenas uma mudança climática.



Hoje sabemos que júpiter é um planeta gigantesco. Composto quase que exclusivamente de hidrogênio e Helio. Assim se assemelhando a uma estrela. Caso fosse maior sua massa teria tornado a pressão e a temperatura em seu núcleo tão alta que este seria uma estrela de fato.

Júpiter apresenta padrões climáticos bem estáveis. Sua grande mancha vermelha é uma estrutura conhecida há séculos e apesar de mudanças sempre se manteve. É uma imensa tempestade que dura mais de 400 anos. Assim o desaparecimento de um de seus cinturões equatoriais é um fato digno de nota.

Recentemente isto aconteceu novamente (maio de 2010) e a registros de desaparecimento também em 1991 e em 1973.

Mas em 1764 nunca havia sido registrado tal fenômeno. Isto torna a observação de José Eustaquio marcante. O Ciclo que ocorreu ainda é um mistério. Pois foi muito mais rápido que qualquer um já registrado. E não há registros europeus para tal fato.

Hoje sabemos que Júpiter possui 2.5 vezes a massa de todos os outros planetas do sistema solar juntos. Isto é tão massivo que o baricentro do sistema Jupiter-Sol esta acima do disco solar. Há 1.68 rad. do centro do Sol.

Sua estrutura interna ainda é incerta. Supõe-se que seu núcleo seja composto de uma mistura de elementos. Cercado por uma camada se hidrogênio metálico e algum Hélio e uma camada de hidrogênio molecular embalando tudo isto.

Sua atmosfera é a maior do sistema solar com mais de 5000 km de espessura. Júpiter não possui uma superfície sólida e então a base de sua atmosfera é considerado um ponto onde a pressão atinge 10 bares (10 vezes a pressão na superfície da Terra).

Sua camada de nuvens, que é responsável pelo fenômeno aqui descrito, é composta basicamente de cristais de amônia e de hridrosulfito de amônia. Elas se localizam na tropopausa do planeta e se organizam em diferentes cinturões. Com diferentes cores. E em diferentes Latitudes. Formando assim padrões como os que vemos. É possível que haja uma fina camada de nuvens de vapor d’água abaixo destas. Isto explicaria a presença de raios e outros fenômenos eletromagnéticos observados em Júpiter. A água é uma molécula “polar”. Ou seja, apresenta carga. E a separação destas leva a esses fenômenos.

Hoje sabemos que o desaparecimento deste cinturão se deve a intensa atividade ciclonica na atmosfera. Isto faz com que Nuvens claras que em geral se encontram mais baixas “cubram” as nuvens mais escuras que habitam o cinturão. O que dispara isto ainda é um mistério para os astrônomos.

Isto não era problema para José que atribuía isto a exatamente o que acontecia. Um fato comum a dinâmica atmosférica do planeta. Ele mesmo já havia visto isto e não se impressionou com o fenômeno. Aquilo chocou Silvano Silva e segundo entendo causou acaloradas discussões entre ambos.

Acompanhando as próximas observações o fenômeno teve uma duração muito curta. Entre os meus alfarrábios as descrições de Júpiter voltaram à normal imediatamente. Segundo as datas o fenômeno não passou de dois meses de duração. Ou seja, o cinturão se restabeleceu em um período muito menor que o recente evento em 2010.

Minhas próprias observações demonstram que o cinturão sumiu por volta do começo de maio2010 e ainda estava se restabelecendo no final de fevereiro de 2011. Segundo outros registros o ciclo dura cerca de um ano.

Silvano Silva pode ser considerado o descobridor deste fenômeno. Ou se acreditando em José Eustaquio este seria o descobridor. De qualquer forma Dom João é o primeiro a registrar isto.

Desaparecimento registrado durante 2010/2011 Sul para cima

sábado, 25 de setembro de 2010

Catalogo J.E.S.S. de Objetos Estelares - A Linha Magica

A Linha Mágica





Silvano Silva anotava incessantemente os segredos do céu que aprendia com José Eustaquio. O Nome de seu catalogo era o Catalogo Silvano e Silva de Nebulosas e Aglomerados Estelares. Porém em um dia que tomado de grande humildade (talvez o único dia que isto se abateu sobre o padre) ele admitiu que os objetos catalogados eram fruto do catalogo Messier ou descobertas originais de José ele mudou o nome. Ele não gostava de chamar suas queridas nebulosas e aglomerados de objetos estelares. Já José achava que eram todos objetos estelares e que só não se resolviam em estrelas devido a falta de aparatos óticos poderosos o suficiente. De qualquer maneira Dom João achava que mesmo resolvendo estes em estrelas, objetos estelares só deveriam compreender estruturas formadas por uma única estrela. Porém naquele dia único, em que a humildade visitou aquela alma, ele batizou sua grande obra com o belo titulo: O Catalogo J.E.S.S. de Objetos Estelares. Incrivelmente acrescentou o nome de seu companheiro na frente do seu como utilizou sua classificação. Isto se revelou um equivoco. Seria melhor a utilização de nebulosas e aglomerados.

Acredito que isto se deveu a uma das mais belas jornadas realizadas por ambos. Nesta José revelou uma percepção que estava há séculos a frente do conhecimento de seu tempo. Isto deve ter impressionado muito a Dom João. De seu jeito rústico ele diferenciou claramente a diferente natureza das estruturas que observavam como ainda detectou a diferente localização em relação ao universo de cada uma destas estruturas. Um feito incrível em um tempo que não se conhecia a estrutura do universo. O conceito de galáxia estava a mais de um século de distancia.

Eles se prepararam mais uma vez para sua jornada de Lua Nova. Nada de fogueiras na região.

José estava preparado para apresentar o que ele chamava de “A Corrente” para Dom João Silvano e Silva. Em um primeiro momento isto não impressionava muito o padre. Era só como José se referia a Via- Láctea. Por um lado ele estava certo por outro não poderia estar mais errado.

Ele ia conhecer seria conhecido como a linha mágica. E na linha mágica a pesca só apresentava cardumes. Isto era fundamental.

O que hoje chamamos de aglomerados abertos ou galácticos eram chamados de cardumes por José Eustaquio. Os aglomerados abertos ocorrem apenas em braços da nossa galáxia. . São agrupamentos frouxos de estrelas. Alguns aglomerados abertos são grandes e espalhados. As Hyades (em Touro), as Pleyades (idem) e o Presépio (em Câncer) são desta forma e visíveis são a olho nu. Outros são pequenos e tênues. Suas estrelas não se resolvem e o aglomerado parece uma névoa no céu. Quando podemos ver as estrelas que formam o aglomerado dizemos que ele foi resolvido. De uma forma geral quanto maior o telescópio (Diâmetro), mais aglomerados ele vai resolver. Alguns aglomerados terão apenas poucas estrelas. Outros apresentarão centenas, parecendo um derrame de sal sobre o céu. Tente perceber a diferença de cores nas estrelas que os compõem.

Assim como diversos D.S.O. Alguns aglomerados abertos aparecem melhor em telescópios pequenos do que em grandes. M11 (Em Scutum) vale a pena em qualquer tamanho. O Presépio (em Câncer) é melhor em telescópios pequenos. Já Ngc 2158 melhor em grandes.

Porque estrelas acontecem em aglomerados? Estrelas se formam de gigantes coleções de gás no espaço quando algum tipo de onda de choque passa por estas nuvens de gás as comprimindo e as fazendo colapsar sobre si mesmas formando estrelas. Ao contrario da gente todas as estrelas se formam quase que simultâneamente desta maneira. Através do tempo começam a se afastar uma das outras, mas dependendo de diversos fatores podem permanecer unidas por longos períodos. As gigantes nuvens de gás em que se formam as estrelas se concentram no plano da galáxia, ao longo da Via Láctea. È por isto que a maior parte dos aglomerados abertos aí se encontra. Por isso são chamados também de aglomerados Galácticos.

José Eustaquio percebeu que os seus Cardumes ocorriam sempre ao Longo da via láctea e por isso calculou que ao longo daquela mancha no céu estavam sistemas associados. Mais que isto percebeu que outras estruturas tais como as Tocas e parceis se encontravam se olhando para fora da mancha leitosa que cruzava o céu e onde se encontravam os cardumes. Ele dizia que lá as águas eram mais profundas. Ele percebeu algo que só se teve certeza no século XX.

Edwin Hubble foi um observador do céu. Assim como José.

Edwin Powell Hubble nasceu em 20 de novembro de 1889. Foi ele que conseguiu determinar a distancia das nebulosas que a seculos escondiam dos cientistas sua verdadeira natureza. Ao conseguir determainar a verdadeira distancia destas ele provou que estas se encontravam para muito além da via lactea. Ele utilizou o telescópio de monte Wilson, Um Monstro em comparação ao pequeno aparelho de José Eustaquio. Utilizando variaveis Cefeidas , uma espécie de estrela que pode ser utilizada como um farol cósmico devido que o período de variação de seu brilho ser associada a seu brilho intrínseco , que ele conseguiu isolar com seu monstro na então Nebulosa de Andromeda. Posteriormente alargou ainda mais a coompreensão do universo com a máxima que “O universo esta se expandindo”. Sua constante determinou que” quanto mais longe mais rapidamente as outras galáxias se afastam de nossa via láctea.” Ele faleceu em 28de setembro de 1953.

José falou:

– Caro padre vou lhe mostrar que os cardumes seguem essa corrente . E somente os cardumes seguem a corrente .

Era Abril e a Via Láctea dominava o horizonte Sul . Se estendia desde Regor (Y velorum) a Sudoeste até Altair em Águia . Naquela noite ele ia mostrar para Dom João Silvano e Silva uma coisa que só se saberia em mais ou menos 180 anos. Talvez mais.

Os mais belos aglomerados abertos iam se descortinar perante o padre na frente do telescópio de José. E eles todos seguiam a tal corrente. Que desde a mais remota antiguidade era chamada de Via Láctea...

Segundo as nota de Silvano Silva que chegaram a meu poder a jornada daquela noite caminhou de Sudoeste para Les- nordeste seguindo a Via Láctea e observando os objetos já em direção a seu poente. Próximos ao horizonte oeste...

Começaram por Ngc 2547 , bem próximo a Regor .Em se levando em conta a data esta jornada começou bem cedo . Por volta das 18:00 no horário local. Devido a proximidade de Regor não há duvida com relação a este aglomerado. Como todos os aglomerados desta jornada ele se resolvia claramente para nossos observadores. O fato de telescópio de José resolver este aglomerado me leva a acreditar que este realmente tivesse em suas mãos o melhor telescópio que Lacaille teria levado para sua expedição já que este não resolveu este aglomerado em seu catalogo . Considerou este uma estrela nebulosa... O furto do seu telescópio permitiu que José fosse o primeiro a ver esta maravilha e desvendar sua verdadeira natureza. Provavelmente seu pai... Lacaille a catalogou como Lac III 2. È possível percebe-lo a olho nu como uma leve névoa próxima a Regor(Gama Velorum).

O próximo “cardume a cair nas redes de José foi o belo Ngc 2516 . Este em Carina . Este facilmente identificável devido a palavras de Dom João: “... seguindo –se no prolongamento do falso cruzeiro.” Este aglomerado fica exatamenteno exten~sao de uma linha imaginaria entre Kappa Velorum e Epsilon Carina no astreismo do falso cruzeiro.É outro objeto compartilhado por Lacaille.

Como que perseguindo o antigo dono de seu telescópio o próximo objeto é o belo IC 2391 , bem próximo a Delta Velorum. O que não deixa duvidas quanto a quem seja o objeto descrito.

O Objeto seguinte é um pouco mais difícil de se estabelecer. Ele é descrito como um cardume e claramente resolvido. Pela sua posição ( As posições registradas por Silvano Silva não são muito confiáveis e José não deixou registros de coordenadas de nenhuma espécie.) ele seria Ngc 2669. Como dito ele é bem próximo de Ic 2391 . A questão é que pelo equipamento de nossos amigos ele não se resolveria completamente. E devido a pequeno campo de visão ele não seria tão óbvio como em telescópios modernos que utilizando oculares diferentes seriam até mesmo capaz de ter ambos objetos no mesmo campo ocular. De qualquer forma é a opinião do autor que este objeto foi avistado e coompreendido por José.

Ngc 3114 é o próximo objeto. É possível percebe-lo a olho nú e só por isso foi possível determinar que objeto seria este . O padre diz apenas – “ pequena nebulosidade próxima a q Carina. Se resolve ao telescópio”. Este seria então uma descoberta original já que só foi registrado muitos anos depois por James Dunlop em 1826.

A seguir eles continuam no encalço de Lacaille e esta será uma eterna disputa. Parece que o Astrónomo frances deixou uma parte sua na ocular daquele telescópio perdido por ele ou roubado por alguém...

Um objeto famoso e facil: IC 2602 . As Plêiades do Sul. Este dispensa apresentações e inclui Theta Carina.



Outra piece de resistance segue na maratona e ele apresenta a grande nebulosa de Etha Carina . Há diversos aglomerados abertos envolvidos e parece que Dom João se refere a estes não percebendo tanto a nebulosidade. No periodeo é provavel que Etha Carina apresenta-se um brilho muito superior ao de hoje.

A seguir Ngc 3532 é visitado e não deixa duvidas quanto a sua natureza. Dom João a descreve co m bastante precisão : “... a ENE de Etha Carina , é proeminente a olho nú . Se resolve em muitas dezenas de estrelas . Sua região central é muito condensada...”. É de fato um belo Aglomerado.

Seguindo aquela linha magica que Dom João começava a vislumbrar eles desembocam num dos favoritas deste autor. Ngc 3766. Já em Centauro. Outro que não há como ter duvida da descrição deixada por Dom João. Descreve ainda o aglomerado de IC 2944 em volta de Lambda Centauro como um objeto próximo.

A seguir um objeto que pode ser original. Ngc 4755 . A Caixa de Jóias. Junto a Beta Crux e com Kappa crux como parceira não tem como não localizar. Dom João fala diversas vezes deste aglomerado e o estudou a fundo...

Seguindo os apontadores do cruzeiro na contra mão ele partem para constelações na época ainda não muito mapeadas .

Consegui determinar mais dois achados pela descrição de dom João. Um é o belíssimo campo onde se encontra Ngc 6067 na atual constelação ( criada por Lacaille)de Norma . E provavelmente em Lupus , o lobo eles encerram em Ngc 5822 que também seria um original de José Eustaquio.

Dom João batiza esta jornada como a linha Magica. E é de fato a linha mais marcante no horizonte austral durante o inicio do autono. Na próxima jornada José prometeu a Dom João mostrar a outra metade da linha. Esta Dom João desconfiava. Eram áreas do céu por ele mais visitadas. Mas José sempre trazia uma surpresa na manga.