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quinta-feira, 17 de agosto de 2017

M 9 , suas Distâncias e a "Relatividade"

      

        Continuando a apresentação dos globulares Messier em Ophiuchus chegamos a M 9. Apesar de ter sido um dos primeiros destes a ser fotografados sua imagem acabou ficando guardada no HD e somente agora cheguei até ele. Estou tentando zerar os objetos Messier que já fotografei e apresenta-los todos aqui no Nuncius Australis antes de entrar setembro. A primavera vai chegar com muito trabalho e como já disse quando tenho tempo não tenho dinheiro para observar e quando tenho dinheiro não tenho tempo. Espero chegar em outubro com esta equação mais bem acertada e poder tirar alguns dias para observar em um local bem escuro...

Esta versão é resultado de 22 X 30 Seg 3200 ISO Canon T3. DSS 3 drizzle +PS e Fits.  A foto que abre o post é fruto de um novo processamento usando o mesmo arquivo Tiff de 16 bits gerado pelo DSS e esticado no PixInsight.  Ambas tem tem pontos a favor. O PI tem menos ruido e está mais nitido. Mas o fits revela mais estrelas e aapesar do gradiente de fundo mais evidente revelou mais estrelas no campo. 
            Messier descobriu M 9 na noite de 28 para 29 de maio de 1764 (seu annus mirabilis) como “ uma nébula sem estrelas” e “ é arredondada e sua luz fraca, 3´de diâmetro. ”  Quase 20 anos depois (na verdade 19 anos ,11 meses e 5 dias) William Herschel descreveu que este é um DSO é, na verdade, um aglomerado estelar muito rico. E seguindo a ordem natural das coisas o Admiral Smyth, nos anos de 1830, o apresenta de forma mais detalhada:  “Este encantador objeto é composto de uma miríade de pequenas estrelas, aglomerando-se em uma chama em seu centro, e maravilhosamente agregadas, com numerosas estrelas externas sendo vislumbradas”. Lorde Rosse (dono do maior telescópio de seu tempo) menciona: “ Seu formato não é redondo; do lado sul há uma porção exterior separada de sua parte principal por uma passagem escura. ”  Heinrich d´Arrest por sua vez fala em um “aglomerado possuidor de um núcleo quase duplo e destaca uma elongação na direção Norte-Sul.
            Curiosamente nenhum destes jamais falou na elipsidade do último globular Messier que foi apresentado aqui no Nuncius Australis. E M 19 é muito mais alongado que M 9.

            Segundo Stoyan M 9 esta a aproximadamente 14.000 anos-luz do centro galáctico, situado do seu lado mais distante, além do bojo galáctico e a uma distância de nós de 46.000 anos luz. Em todas as outras fontes (e não foram poucas) que consultei este se encontra entre 5 e 7.000 anos luz do centro galáctico e entre 22 e 26.000 anos luz de nós. Pelo se tamanho aparente e brilho é difícil concordar com Stoyan. O que é curioso já que considero seu “Atlas of the Messier Objects-Highlights off the Deep Sky” (Cambridge Press 2008) um dos mais completos e belos trabalhos sobre Messier.  Sua massa total é ao redor de 300.000 sóis (desta vez sem muitas divergências).  21 variaveis RR Lyrae já foram catalogadas em M 9 e uma Cefeida do tipo II. Devido a sua localização no braço mais interno e oposto ao nosso M 9 sofre de muita absorção intergaláctica o que o apaga cerca de 1,5 magnitudes e pode tornar difícil o cálculo de distância. Mas nada tão exagerado como parece supor Stoyan (ele apresenta como justificativa para a distância por ele apresentada observações de algumas desta RR Lyrae feitas em 1999). Na verdade, M 9 é cercado por duas nebulosas escuras que são evidentes quando o observamos com binóculos. (B 64 e B 259). Sua idade é de aproximadamente 12 bilhões de anos.
            Apesar de sua magnitude (no Stellarium e outra fontes é de 8,4) e de diversas descrições falando que M 9 é um objeto Messier difícil eu sou obrigado a discordar. Concordo aqui com O´Meara e acho que sua magnitude é , na pior das hipóteses, de 7,8 (acho que 7,5 é um bom valor).   O observei de Búzios em noite de Lua nova. Em um mundo perfeito seria um céu Bortle 6. E este era pequeno, porém obvio em minha buscadora 8X50mm.  Utilizando o Newton (um refletor 150 mm f8) com 120X de aumento resolvi várias estrelas em sua borda mesmo com visão direta. Apesar de muito comentada não achei sua elipsidade tão óbvia (pelo menos nada comparável a M 19). A foto que ilustra este post é resultado de algumas dezenas de fotos e foi empilhada no Deep sky Stacker. Foi utilizado 3 drizzle de ampliação o que pode dar impressão de uma grandiosidade exagerada. M 9 não é grande, mas seguramente tem 5 a 6 ´de arco de diâmetro aparente. Reza a lenda que telescópios a partir de 300 mm o resolvem na integra. Acredito que é possível com bem menos que isto.  É importante frisar que a maior parte das descrições feitas é de observadores muito a norte. Desta forma são um pouco pessimistas. Sob a maior parte dos céus da Pindorama M 9 passa alto no céu  e ele nos revela bem mais detalhes do que dizem...


            Localiza-lo é fácil. Encontra-se a   cerca de 3o a sudeste de Sabik ou Eta Ophiuchi, uma estrela de 2a magnitude e a segunda mais brilhante da constelação. Outra possibilidade é imaginar uma linha entre Antares e Altair e almejar por um lugar no primeiro terço da viagem. Com binóculos é a melhor forma. O campo é lindo. Sempre que posso visito a região com meu 15X70. Neste M 9 é “quase granular”. E seus "apêndices" lhe dão um aspecto espiral. Quase galáctico. 
            M 9 é supostamente um dos mais apagados globulares Messier. Embora eu ache M 71 e diversos outros que viajam mais baixos no horizonte norte bem mais difíceis. Então aproveite para capturar um “DSO difícil” sem muito esforço. Tudo é relativo ao observador...



terça-feira, 21 de agosto de 2012

Ophiuchus - O Reino dos Globulares



O mês de agosto, apesar da fama, costuma me ser bastante amigável. Geralmente tenho bastante trabalho e consequentemente quando entrar setembro possuo algum dinheiro (não, eu não gosto de Beto Guedes, Lô Borges e afins...). Em contrapartida dificilmente tenho tempo ou disposição para a observação astronômica.  
Este agosto, porém, consegui conjugar ambas as coisas. Me foi oferecido um trabalho em Parati. Um comercial. Um diretor americano de renome foi contratado para filmar a campanha de um grande banco.
O gajo também tinha em mente comemorar seu aniversário com a nova namorada e diversos amigos na histórica cidade que ele tanto aprecia. Assim sendo, apesar de algumas dificuldades logísticas, o trabalho se tornou mais ameno do que é em condições normais de temperatura e pressão.  Diariamente às três da tarde era declarado que a luz não era mais apropriada para realização deste marco da propaganda mundial e voltávamos para a  cidade em nossa escuna. Aqui no Brasil chamaríamos o evento de “Trem da Alegria”.
Apesar de ter sempre que despertar muito cedo sobrou algum tempo para viajar pelos céus. A lua senão ajudava também não atrapalhava. Na verdade ela mesma permitiu algumas fotos para enriquecer a experiencia. Na visita de locação ela ainda ia bem cheia e permitiu um belo show em 300 mm de distancia focal e f 22...


Já durante as filmagens eu estava consciente de que não poderia me dar ao luxo de telescópio e levei meu Vanguard 10x50.  Tinha em mente explorar a região de Ophiuchus.
Esta foi alvo da coluna "Binocular Universe", de Phill Harrington, no Cloudy Nights deste mês.  E assim me parecia perfeito para a exploração binocular.


Ophiuchus, o encantador de Serpentes, não é exatamente uma constelação popular. De tempos em tempos ele é lembrado como o décimo terceiro signo e para desespero dos astrólogos é apresentada em algumas pautas desesperadas por noticias. Fora isso é um segredo bem guardado por astrônomos. Ainda bem, pois é um poço quase inesgotável de DSO ´S. Sendo membro da tríplice fronteira no centro galáctico (junto com Sagitário e Escorpião) abundam Aglomerados de todas as formas e tamanhos.
Ophiuchus passa bem próximo ao zênite e assim é mais facilmente observado de binóculo. Basta uma canga e uma praia escura e você lá deitadão...
Próximo ao centro da galáxia Ophiuchus é o reino dos globulares. Nele se encontram não menos que 20 Globulares do catalogo NGC. Mais que em qualquer outra constelação.
Meus planos não são tão pretensiosos e me contentarei em visitar cinco deles. Estes são compartilhados pelo meu querido catalogo Messier.
Como recentemente visitei M9 começo por aí. Entre Sabik e Xi Ophiuchi ele se encontra. Pequeno e quase estelar você deve prestar atenção para diferencia-lo das estrelas na região. Com olhos treinados ele salta a vista rapidamente.
Depois volte a Sabik (Eta Ophiuchi) e procure por Delta e Épsilon Ophiuchi , conhecidas também como Yed Prior e Yed Posterior. A partir desta você vai localizar facilmente M10 que se apresentará como uma pequena bola de algodão acinzentada. Os dois são como um aglomerado duplo, cabendo no mesmo campo ocular. M10 é mais evidente que M12.
Se você seguir a ordem apresentada estará nas pegadas de Messier que descobriu estes aglomerados em um espaço de dois dias. Primeiro M9 e depois os dois apresentados. M11 ele também achou nesta mesma rodada. Mas este já tinha sido avistado por alguém. Não é um Messier Original.

M 107

Depois tente M 107, um daqueles Messier Póstumos.Foi incluído na lista somente em 1947 por sugestão de Helen Hogg. Escaneando para sul a Partir de Zeta Ophiuchi não será difícil perceber a pequena estrela esfumaçada. Mas apesar de ser um dos globulares menos densos que se conhece não espere resolver estrelas com binóculos. Na verdade não espere resolver nada com menos de 200 mm de abertura... Vai requerer muita atenção.
Para finalizar tente achar M 14. Calcule um ponto aproximadamente entre Sabik e Celbarai (Beta Ophiuchi) e boa sorte.
IC 4665
Como premio de consolação, caso M14 se revele muito difícil, visite IC 4665. Um belíssimo aglomerado aberto pertinho de Celbarai. E um daqueles que é mais bem visto de Binóculos que em qualquer telescópio. É uma descoberta de De Cheséaux em 1745 e com apenas 40 milhões de  de anos é bem jovem para um aglomerado aberto. De locais escuros é percebido mesmo a olho nu.  
Este mês se juntou o útil e o agradável...

terça-feira, 24 de julho de 2012

Observando de Ouvido e com Partitura.



Depois de algum tempo sem me dedicar a nobre arte da observação astronômica (com a exceção de alguns rápidos passeios binoculares) estava de volta a carga e à meu velho conhecido : o  céu mais escuro da Armação dos Buzios.
 Desta vez com um projeto novo. 
Como iria com toda a família e com o veiculo abarrotado decidi ressuscitar meu bom e velho refrator : Galileo.
Mas com novos trejeitos.
Minha ideia parecia muito boa. Levo o meu velho Celestron 70 mm, mas levo também a montagem EQ-3. Com o pequeno telescópio ela vai ser mais estável que um Kart.
Eu que aprendi a observar naquele modesto telescópio galileano em uma montagem que tremia mais que bambu verde em noite de temporal realmente achei que houve uma grande melhora. E outra grande vantagem é que o peso do conjunto realmente se tornou muito menor. O telescópio é muito mais leve e maleável que o “Newton” (150 mm) e a necessidade de contrapeso também se torna menor. 
E apesar das controvérsias que meu argumento possa causar um quilo de chumbo a menos é muito peso a menos. E foi mais de um kilo a menos...

O dove tail mais barato do mundo
Montar o velho Galileu na “nova” montagem foi bem simples. Um projeto que apesar de um pouco tosco revelou-se extremamente funcional e, sobretudo (mantendo a tradição) bem barato. Uma rápida visita a madeireira próxima a casa, uma passagem na vidraçaria, um pouco de simpatia e um rolo de gaffer tape e pronto. Uma sobra de esquadria de alumínio e um pedaço de sarrafo de madeira e eis pronto o Dove Tail mais barato do mundo. Custo Zero.
Tá lá o telescópio sentado na EQ-3.
Como sempre gosto de recordar a presença de outros humanos me atrapalha(uns mais e outros menos)  barbaramente na observação. Pessoas sempre querem luzes acesas e afins. E eu, do contra, não.
Agora em uma casa cheia  e com uma moqueca sendo preparada pela cunhada começamos a “astronomia de guerrilha”. Luzes acesas em todas as direções e pessoa passando para lá e para cá e eu tentando apresentar alguma coisa para “o mais interessado”. Um sobrinho de 13 anos de minha cunhada estava disposto a ver Saturno.
Em um voo as cegas, onde até mesmo para se perceber a cruzeta da buscadora era necessário se fantasiar de lambe-lambe,  eu consigo alinhar e colocar o Senhor dos Anéis na ocular.
 É infalível. Forma-se fila e todos visitam o planeta. " Uau!!!" pra lá e pra cá...
Com o som rolando AC/DC no ultimo furo eu continuo fazendo meu tradicional tour de Ouvido (sem cartas, Stellarium e afins.)  Numa rápida sucessão apresento os clássicos da guerrilha. Caixa de Joias, M7 e M6. Ainda de ouvido apresento os aglomerados próximos a Zeta Scorpio (Ngc 6231, 6232 e outras entradas mais obscuras do New General Catalog...). São clássicos eternos que vou visitar para sempre. Assim como o som que vai nas pick ups. Se sucedem Pearl Jam, Aretha Franklin e outro mais. Realmente não parece uma sessão de observação e assim que a moqueca fica pronta se suspendem os trabalhos.
Depois de cumprir minhas obrigações paternas e levar as crianças para passear a 10 metros do chão em um circuito de arvorismo (um esporte que apesar do nome é praticado,no mais das vezes, sobre cabos de aço ligado por postes...) eu me vejo em condições de tentar algo um pouco mais elaborado.
O povo todo se animou a ver um show que aconteceria na praça da cidade e eu e o “mais interessado” damos um perdido e retornamos para casa. A banda “Casuarina” não entra no hall dos gigantes já citados dentro de minha humilde e solitária opinião. E Graças a isto consigo finalmente ter o telescópio montado no quintal dos fundos e a maioria das luzes da casa apagadas. Os postes da rua são um projeto que venho elaborando há algum tempo e talvez um dia consiga me livrar de pelo menos um deles...
Como eu não conto nem debaixo de  tortura.
No quintal dos fundos agora se encontram eu, o sobrinho e meu irmão (que tinha dado o perdido antes do arvorismo) com o telescópio apontado, ainda de ouvido, para M4. O Globular próximo a Antares se apresenta discreto. Seu formato meio fora de esquadro é inconfundível. O sobrinho se mostra fascinado com as histórias que conto. Parece que teremos mais um amador no Maranhão. O fato de ser o segundo (provavelmente) globular mais próximo da Terra parece ser relevante para o jovem. Junto com aglomerados abertos, Saturno e algumas duplas o garoto estava fisgado.
Com Sagitário ainda em posição muito incomoda resolvo fazer uma visita breve ao horizonte norte.
Albireo (ß Cygnus) é provavelmente a minha dupla favorita. E um alvo fácil para pequeno refrator. Divide-se facilmente com pequenos aumentos ( hoje 36x) e toda vez eu percebo colorações levemente diferentes. Hoje ela estava laranja (primaria) e “quase verde” (secundaria). O calouro ficou boquiaberto. Nunca ouviu (ou viu.) falar de estrela verde.
Na verdade é possível que não existam estrelas verdes de fato. E o contraste entre as componentes preguem uma peça no ingênuo cérebro humano. Mas eu mesmo já vi outras estrelas verdes. 
No ló creo en Brujas. Mas que las hay las hay...
Decidido a testar o seeing e o meu velho telescópio continuo navegando nas águas do Triangulo de Inverno (Asterismo formado pelas estrelas Altair, Vega e Deneb) e me dirijo para Vega.
A partir da brilhante estrela se percebe facilmente a dupla Épsilon Lyra No mesmo campo de buscadora. Já na ocular tente dividir suas componentes mais uma vez. È um bom teste tanto para o modesto telescópio como para a estabilidade da atmosfera. Com 90x divido um dos membros. Mas o outro se recusa. A “Dupla –Dupla “ na se rende tão facilmente . Meto uma Barlow 2x no conjunto da obra e acredito que em alguns momentos separo todos os componentes, depois já acho que não, e depois acho que sim de novo...
A estrela épsilon da harpa é sempre diversão garantida.
Agora chegou a vez de Sagitário. Ainda tocando de ouvido apresento M8 para meu amiguinho. O Aglomerado aberto é bem visível. A nebulosa requer um pouco de averted vision. Enquanto tento explicar a técnica começo aperceber mais e mais nebulosidade na estrutura.
Dali resolvo apresentar um globular mais impressionante e rapidamente estou em M22.
Este é um globular de outro naipe. Considero ele parte da trindade dos aglomerados. Junto com Omega centauro e Tuc 30.
O tão cantado M 13 fica no chinelo. Cheira-me a premio de consolação dos amigos boreais...
O próximo alvo se recusa a sair de ouvido. E então pego as partituras. Na verdade apenas ligo o computador e traço uma rota até ele com o auxilio do Stellarium.  M69 é uma musica mais difícil.
Primeiro centralize Kaus Australis (Épsilon Sag), na base do "bule"( é o asterismo que reúne a maior parte das estrelas de Sagitário ). Com ela no canto de cima da buscadora (sul) você vai perceber claramente duas estrelas de aproximadamente 5ª magnitude. São HIP 90763 (que possui um pequeno “nozinho” de estrelas ao sul) e HIP 91014. Centralize em HIP 90763 (a menos brilhante) e vá para a ocular do telescópio. Com a 25 mm eu encontro M 69 no mesmo campo. O brilho da estrela ofusca um pouco o pequeno globular, mas ele se apresenta claramente. Com a 10 mm fica ainda mais fácil. É um globular bem modesto na ocular. Mas a navegação até o mesmo é bem divertida. Depois de ler a partitura achamos melhor encerrar e aguardar pelo próximo dia para combater de novo. Espero sinceramente que meus camaradas se encantem com a musica de novo e que resolvam ver meu querido Jards Macalé que se apresentará na mesma praça...   
Na noite seguinte a observação praticamente se resume a Lua. Jards Macalé conta com menos fãs do que eu supunha...
Sem Barlow


Com Barlow 2x

Fico feliz em descobrir que o 70 mm se revela um bom fotografo. Ainda que sem tempo para motorizar a montagem e muito menos realizar algo parecido com alinhamento polar faço algumas fotos de Selene. Com e sem barlow. Nas fotos originais se percebem mais detalhes ( evidentemente ...) na foto  em que utilizei a  barlow . Mas o compressão do Blogger parece que nivelou as coisas. Vai entender...  De qualquer forma o Mare Crisium domina a cena flanqueado por Cleomedes , Burk hardt e Geminus ( acima do  Mare  na foto...) . Abaixo se sobressai Langrenus . Todas belas crateras ao alcance de pequenos telescópios.
Ainda que pressionado para iniciar os trabalhos junto à churrasqueira consigo fazer um sketch    apressado de Ngc 5617 . Trata-se de um discreto aglomerado aberto bem proximo a Alpha Centauro. Recomendo que retire Alpha do campo ocular .
ngc 5617
 Depois de  operar churrasqueira e beber algumas garrafas de vinho a vaca foi pro brejo (ou para a brasa) em definitivo e guardo o telescópio antes que algo pior aconteça.
Na verdade  nem guardo o telescópio que é encontrado ao sol   ao  amanhecer.
No domingo resolvo tocar com partitura. Diversos globulares do catalogo Messier que eu evitava  (ou eles a mim...)  ha anos demandavam uma aproximação  mais conservadora.
Com Partitura ( no caso somente o Stellarium e o Cartes du Ciel que habitam meu HD)  parto em busca destes fantasmas. Apesar do catalogo Messier ser (em tese...) possível com 70 mm nem tudo será   exatamente musica popular...

Ainda cedo consigo me reencontrar com M69. È um alvo “fácil”.
M 70 não tem nada muito brilhante perto para ajudar no star hop. Assim parto de M 69 em busca de HIP 91386 e depois de HIP 91713 A. Entre 7ª e 8ª mag não são exatamente faróis na buscadora. À noite ainda cedo e a luz das vizinhanças não colabora. Mas depois de algum tempo e com muita hiperventilação, visão periférica e reza forte percebo um fantasminha na ocular. No limite do pequeno refrator. Mas tava lá. Meu jovem assistente não consegue resolver, mas creio que lhe falta experiência para algo tão tênue. Para garantir  a paz do espirito toda a navegação e encontrei o fantasma novamente . E com isto confirmo ao avistamento.
M 54 é bem tênue, mas com Ascella bem próxima foi bem mais fácil de ser localizado. O pequeno refrator torna o desafio bem maior . Começo a sentir falta de uma abertura maior. O elemento ainda vai relativamente baixo no horizonte e creio que seja mais obvio em melhor posição.
Nunca fui muito amigo da região do  Serpentario celestial. Na verdade três constelações que me parecem ser só uma. Ofiuco ( o encantador) , Serpente ( a cauda) e Serpente ( a cabeça). 
 Sua posição sempre muito alta é bem incomoda .  Mas  com pouca atmosfera no meu caminho alvos tênues se mostram promissores. 
 Por fim uma outra possível razão para a antipatia é que sempre que falo Ofiuco tem alguêm que faz associações improprias e joguetes de palavra de gosto duvidoso. 
Após estudar a partitura eu parto ( aaaaiii!!!) em busca de M9.
O primeiro movimento consiste em identificar Sabik ( Eta Ofiuco).
Não conheço muito bem a constelação e como tenho que dividir meu computador com minha amada esposa faço visitas de tempos em tempos até a sala da casa para confirmar a navegação.
 Depois de me enrolar um pouco misturando Eta com Fi acabo por me entender em grego e começo a procurar o globular. Este se encontra a aproximadamente 3º 25´´ a leste de Sabik. Usando a buscadora sequer desconfio de sua posição.
 Por um método de aproximação eu começo a ficar frustrado .
Não sou muito de utilizar coordenadas para localizar DSO´s. Mas desta vez uso de um truque bem útil. Com o auxilio do Stellarium estabeleço que partindo de Sabik e olhando para o horizonte oeste eu devo deslocar o telescópio 3º para o sul e 2º para leste . Estes serão movimentos no eixo de RA e declinação. Utilizando a buscadora  ( que tem um campo de 5º )eu calculo o salto e ao olhar na ocular eu não vejo nada . Mas utilizando os ajustes finos e com uma rápida escaneada o pequeno globular dá enfim o ar de sua graça.
É bem modesto.
Devido a sua posição bem alta no horizonte ele se apresentou mais claramente que M54 e M70.
M70 é o mais apagado deles brilhando com magnitude de 8.1. E sem duvida foi o mais assombrado da noite.
Na verdade , acostumado que sou de visitar os aglomerados ‘grandes” , preciso me lembrar que globulares se  ( muitas vezes) apresentam como estrelas que nunca dão foco. Especialmente em pequenos telescópios . Isto faz deles alvos bastante elusivos . Especialmente em campos muito ricos. Não é o caso de M 9. Há Poucas estrelas no campo e são muito tênues . Mesmo com a ocular de 25 mm .Ele se apresenta com um pouco mais de dignidade com a 17 mm.
Uma história para os calouros: M 9 é uma descoberta original de Messier e e´um dos aglomerados globulares mais próximo do centro galático.
Como brinde , enquanto batia cabeça atrás de M9, dei de frente com M23. É um pequeno aglomerado aberto bastante delicado. Ocupado que estava caçando o globular só o observei com a 25 mm.
 Mas ele bem que merecia um pouco mais de atenção e magnificação.
Depois de um bom tempo sem observar fico contente com o revival de meu refrator. Apesar da evidente limitação o set up é bastante útil e extremamente pratico. Consigo montar tudo em poucos minutos e a leveza do conjunto torna a vida junto a ocular muito mais fácil. A coluna lombar  agradece. 
Apesar da casa cheia  foi um fim de semana bastante proveitoso. 
E três  Messier novos são sempre motivo de alegria. 
Agora só faltam os difíceis e assim sendo cada um é um a menos para se completar o clássico catalogo.
Como considerações finais gostaria de lembrar ( talvez para eu não esquecer...) que um telescópio pequeno não tem o mesmo poder de fogo que um maior. É berrante a diferença do que que se vê e do nível de detalhamento obtido. Mas por outro lado você ganha em conforto e o desafio se torna maior. Para quem gosta da caçada ele são muito legais. E sua maleabilidade permite observações de DSO´s  junto a zênite e também ao meridiano que com um telescópio maior seriam muito difíceis e até mesmo impossíveis.
Espero agora a oportunidade de testar o velho Galileo em astrofotografia de uma forma mais comprometida.