terça-feira, 9 de maio de 2017

M 107 - O Ultimo Globular Messier

                


                 M 107 é uma das entradas controversas do Catálogo Messier. É uma descoberta de Mechain (“sócio” de Messier na obra) e a descoberta mais tardia de todo o Catálogo. Foi registrado em abril de 1782. E assim tarde demais para ser incluído na lista final original do catalogo.
                O Catalogo Messier em sua forma “final”, como publicado na Connaissance du Temp para 1784, possui apenas 103 entradas. Assim como revistas astronômicas o Connaissance é publicado com uma certa antecedência. A de 1784 foi publicada em 1781.
                Mechain observou “ uma pequena nebulosa no lado esquerdo de Ophiuchus entre as estrelas Zeta e Phi. ” Méchain informou Messier de sua descoberta. Notas manuscritas provam que este sabia de sua existência, mas nada indica que ele tenha observado M 107 pessoalmente.
                Em um artigo, hoje clássico, escrito por Owen Gingerich e publicado em duas partes na Sky and Telescope de agosto e setembro de 1953 nos conta que como Hellen Sawyer Hogg, em 1948, trouxe a luz uma carta de Méchain para Johan Bernoulli e uma publicação no Berliner Astonomisches Jahrbuch onde se apresentam o que viriam a ser M 105, 106 ,107 e 108. E apoiou a inclusão destes na lista de Objetos Messier. Estes formariam junto com M 104 entradas póstumas do catalogo Messier. É importante frisar que as anotações descobertas na cópia pessoal de Messier de seu catalogo feitas por Flammarion provam que M 104 foi observada pelo mesmo. Burnham em seu “ Handbook” considera M 104 como a última entrada valida do Catálogo Messier.
                Herschel (que sempre ignorou as descobertas de Messier em respeito ao mesmo) inclui M 107 em seu   “Catalogue of One Thousand new Nebulae and clusters of Stars” (1786). É a entrada H VI. 40.
                Smyth apresenta M 107 em seu “Cycles of Celestial Objects” como uma descoberta de William Herschel:  “  (Maio ,1837) Um aglomerado grande, mas pálido e de pequenas estrelas na perna esquerda do “Encantador de Serpentes”. Existem cinco estrelas telescópicas, dispostas a formar um crucifixo, quando o aglomerado está alto no campo. Mas a região logo além é comparativamente deserta. Foi descoberto por William Herschel em maio de 1793 e registrado com 5´ ou 6´ de diâmetro. ”
                M 107 é um aglomerado globular localizado a 20.900 anos da terra.
                O aglomerado é um alvo difícil para binóculos e irá se apresentar de forma quase estelar. Apesar da descrição de Smyth, ele não possui mais que 3´visualmente.
                Observando como Newton (meu Refletor de 150 mm f8) sob os céus de Búzios (Bortle 6 ou 7) ele é pouco mais que um esfuminho com alguma granulosidade nas bordas.  Não percebo nada na buscadora.  Com observação atenta percebe-se um núcleo mais concentrado e brilhante. M 107 não é um aglomerado muito concentrado e com telescópios grandes se resolve quase na integra. Creio que o Newton resolva suas bordas em céus mais generosos.  Possuidores de grandes telescópios podem ter seus “Momentos de Rosse” (suas cadeias deestrelas podem lembrar braços espirais em uma galáxia.)

                Localizar M 107 pode ser trabalhoso, mas nada hercúleo será necessário. A partir de Antares localize Zeta Ophiuchi  (Saik). Fica a 16 o ao norte. (Cerca de cinco dedos com a mão bem fechada). A partir daí ele estará a cerca de ½ campo de buscadora (2,75o) a sudoeste. Outra forma é imaginar uma linha entre Beta Scorpii e Beta Ophiuchi. Zeta estará no primeiro terço do caminho... em meu projeto para fotografar todos os Globulares Messier em Ophiuchus ele foi o antepenúltimo. Faltam 2...
                M 107 é um globular X na escala Shapley. Bem frouxo (a escala vai até XI).  Sua magnitude ´de 8.8. Seu raio é de aproximadamente 40 anos luz e ele possui aproximadamente 13.95 bilhões de anos.  Um ancião entre anciões.
                  A foto que abre o post é resultado de um stack de cerca de 15 fotos com 20 segundos de exposição ASA 3200. É definitivamente mais do que eu consegui perceber visualmente em uma noite de pouquíssima transparência.
   
MPG/ESO 2,2 Meters Telescope . Observatório La Silla - Chile - Imagem: ESO

                A melhor época para a observação é justamente em junho... 

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