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sábado, 17 de dezembro de 2011

O Centro da Via Lactea vai se acender?

Astrônomos publicaram no jornal on line Nature  a descoberta de uma nuvem de poeira e gás ionizado que se desloca diretamente para o super massivo buraco negro no centro da Via láctea.
Vai ser uma das raras oportunidades de ver a besta se alimentar. Em 2013 a nuvem vai atingir a maior proximidade de Sag A* . Apenas 260 UA. É a maior proximidade de um corpo com este , com a exceção de 2 estrelas ,desde que este começou a ser monitorado nos anos 90.
A nuvem tem cerca de 3 vezes a massa da terra e deverá se esticar como um spaghetti com um comprimento de 120 UA segundo o co-autor do artigo Steffan Gillessen.

Segundo os autores o melhor cenário seria  o centro de Via Láctea  vir a brilhar até 3 vezes mais por 10 anos. O Nuncius certa vez contou uma história sobre como seria ter o centro da via láctea ativo e sobre ver dragões se alimentando.
Como contado na história dos dragões isto é uma tarefa para o Spitzer e outros telescópio do genero...

Mais em:
http://www.skyandtelescope.com/community/skyblog/newsblog/Black-Hole-Breakfast-En-Route-135511323.html

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

O Loop de Barnard

Vem chegando o verão. Orion começa a acender no horizonte nordeste logo com o por do Sol.

Hospedando a azulada Rigel. Esta uma estrela dupla que é sempre um desafio.

Com a super gigante Betelgeuse que aguarda o momento para seu grande show final.

A Brilhante Belatrix de Bônus.

No seu cinturão carrega um dos asterismos mais conhecidos do céu.

Neste vem pendurada a espada do caçador com a nebulosa mais famosa do céu. M42.

Esta dispensa apresentações e buscadora

Claramente visível a olho nu mesmo em áreas suburbanas.

Orion domina o céu do verão

Mas desta vez não vou falar de um desafio fácil. Em um post recente falei a respeito de observar a Nebulosa Cabeça de Cavalo a olho nu. Vai ficar mais dificil.

Desta vez vou apresentar uma nebulosa um pouco mais obscura (perdoem um trocadilho...). O Loop de Barnard.

.É o mesmo Barnard da história da Cabeça de Cavalo. Aliás, ambas tem muita coisa em comum. Foi também registrada primeiramente por Pickering em uma chapa fotográfica feita no Monte Wilson. Barnard a registrou também através de foto quatro anos mais tarde. 1894.

Catalogado como Sh 2-276. O catalogo Sharpless trata de Regiões HII no céu

Apesar de citar em suas anotações o trabalho de Pickering extensivamente Barnard foi quem levou as honras.

Trata-se dos restos de uma supernova. Um imenso, tênue arco de gás inflamado. De certa forma semelhante a mais conhecida Nebulosa do Véu em Cygnus. Mas maior. Caso forma-se um circulo completo teria algo como 10 graus de diâmetro e estaria quase centralizada na espada do caçador. Sua metade Leste é bem definida . Já a oeste é quase inexistete e percebida apenas em alguns pontos.Cruza a constelação toda. E tem sua origem ainda em discussão. Outra hipotese é que ele seja fruto de varias explosões de supernovas...

Freqüentemente fotografada são raros os relatos de observação visual deste imenso segredo de Orion.

Mas ha mais coisas entre o céu e a terra que os aviões de carreira. E assim o primeiro registro visual que encontrei de uma observação do Loop foi do grande Walter Scott Houston.

Scott foi o cabeça da Coluna “Deep Sky Wonders” na Sky and Telescope de 1946 até 1993. Foi talvez um dos maiores observadores de todos os tempos. E avistou a Loop a olho nu. Ou quase. Ele já havia tentado com um 250 mm, feito por ele mesmo. Um refrator Clark de 150 mm e outro Clark de 350 mm. E nada.

Acredito que o tamanho do Loop seja demais para observar com telescópios

E é um caso típico da tal história que você não vê a floresta só porque viu uma arvore. Aqui é o conjunto da obra. Perceber pedaços dele não é o que interessa.

Quando ele já considerava o Loop um objeto somente ao alcance de fotografias ele foi realizar testes com um filtro recém lançado pela Lumicon. O III.

Ao acaso avistou o objeto. Usando apenas o filtro e um pano preto sobre sua cabeça. Sua mulher viu também.

Repetiu o feito de lugares mais escuros diversas vezes utilizando filtros UHC (ultra high contrast).

Ele mesmo indica registros de mais dois amadores, Richard Johnson e John Bartels, que tambem realizaram o feito utilizando a mesma técnica.

Por outro lado também existem registros de pessoas terem tentado com telescópios de 100 mm, de campo rico, debaixo de condições ideais e sem o uso de filtros. Todos eles terminam em desespero, amargura e uma ocular vazia...

Nos tempos do filme era um grande feito registrar o Loop de Barnard.

Por incrível que pareça este objeto tem varias coisas em comum com a brilhante M42. Assim como ele faz parte de grande nuvem molecular de Orion, a cerca d 1600 AL. Seus gases são incandescidos pela estrelas que residem dentro da grande nebulosa de Orion. E assim como sua companheira mais famosa não precisa de buscadora. Olhe em direção a Orion através de um dos filtros indicados pelo grande Scott e veja a bagaça. Ela se espalha por toda a constelação.

Nuca nem tentei. Mas como vou viajar voltarei com um UHC na bagagem...

Não tem mapa hoje. Só uma foto.

O Loop se apresenta sozinho e não precisa de buscadora.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Astrofotografia: A primeira foto


IC 2391
 IC 2391 é conhecido também como o aglomerado de Omicron Velorum. Fica logo ao lado de Delta Velorum, uma das estrelas que forma o conhecido asterismo do Falso Cruzeiro.


É um aglomerado que tenho uma forte relação sentimental. Foi o primeiro aglomerado que descobri. Ou pelo menos redescobri.

Na época o Nuncius estava dando seus primeiro passos na arte de olhar os céus. Tinha comprado meu primeiro telescópio e passado uma temporada realizando um trabalho na Serra do Mar. Céu escuro e eu tentando entender como funcionava uma cabeça equatorial. Logo após este serviço eu consegui uma nova colocação em um filme que me levaria até Foz do Iguaçu. Na tríplice fronteira, consegui ir até o Paraguai em um dia de folga.

Um amigo já tinha ido até lá e me contara que tinha visto um binóculo enorme. E que era muito barato. Eu, inocente, puro e besta, fui direto à loja que ele indicara. Era uma beleza. 80 mm com um zoom de 15 até um numero impossível de ser verdade. Suas as lentes eram “coated” com mercúrio cromo (diziam que era ruby coated, aquelas lentes vermelhas...). Mas era barato. E eram 80 mm. O Trucuçu como veio a ser conhecido achava muitas coisas pelo céu, afinal um 80 mm é um senhor diâmetro para um binóculo. Na verdade o Trucuçu tinha suas qualidades. Mostrava tudo que eu apontasse. Com certa aberração, mas mostrava. No universo tudo tinha um desvio para o magenta...

Então fui para Buzios levando o “brand new” Trucuçu e comecei a olhar o céu.

Era bem iniciante e possuía um Telescópio  com quem ainda não tinha me entendido muito bem, um atlas estelar e o Trucuçu com suas lentes ”Mercúrio cromo coated”.

Comecei a vasculhar o céu junto ao falso cruzeiro e não demorei a avistar o belo aglomerado em forma de M.

-Uau, um aglomerado aberto bonitão!

Depois de muito olhar fui ver o Atlas. Não havia nada no local. O Atlas na verdade não era exatamente um atlas . Era um daqueles genéricos que tem entre seus capítulos uma coleção de mapas mensais com destaque para alguns objetos em cada constelação. Um bom Livro até: The Star Guide de Robin Kerrod. Usei então o programa que viera junto com o telescópio e nada lá também. Pronto achei meu primeiro DSO e rapidamente batizei de BZ 1.

Posteriormente descobri a verdade, mas aí eu já tinha curtido o barato de descobrir um DSO.

Talvez por tudo isto e por estar no lugar certo na hora certa eu resolvi que IC 2391 seria o alvo para meu primeiro experimento de verdade em astrofotografia.

Preparei tudo com calma. Montei os motor-drives na cabeça do meu 150 mm. Depois fiz um alinhamento polar. Provavelmente o mais cuidadoso que já fiz. Coloquei tudo a mão e preparei a câmera, T Ring e mais todos os cacarecos necessários para o evento. Estava esperando por isto a mais de um mês.

Malditas nuvens!

Eram 19h47min quando comecei a alinhar a buscadora com Venus. Este vinha caindo a oeste.

IC 2391 não era uma escolha totalmente sentimental. Eu sabia que era um aglomerado bem “claro” com uma magnitude de 2.5. Sabia também, graças às observações feitas na véspera que estaria bem na frente de minha janela entre 23h00min e 00h30min.

Primeiro fiz alguns testes para o foco usando Miaplacidus (Beta Carina). Aguardei até que a posição fosse ideal e apontei o telescópio para a vitima. Fiz algumas exposições para afinar o foco. E sentei o dedo.

É fazendo que se aprende. Fiz diversas exposições com 15 seg. E depois varias com 30 seg.
30 seg.


15 seg.

Pode-se perceber nas fotos que as com 15 seg. são menos afetadas pela poluição luminosa e que o numero de estrelas não muda. Como é um aglomerado muito brilhante acredito que é melhor fazer um “stack” com mais fotos de 15 do que de 30 seg.

Preciso evidentemente ainda aprender a usar dark frames e fotografar em raw, mas fiquei bastante feliz com o resultado destas primeiras fotos. Pensando friamente tudo pode ficar melhor. Mas ainda assim deu mais certo do que eu esperava e nem doeu. Pretendo fotografar todo o catalogo Lacaille. Creio que será uma boa escola.

Depois fiz o Stacking com o Rot and Stack. Um programa divertido, mas que usa de licença poética. Na verdade creio que se eu fizer um crop cuidados do mosaico final possa até mesmo parecer com o que se observa. Mas em todo caso ficou bem bonito. Esse mosaico é quase uma nova descoberta. Seria um lindo Aglomerado.
Rot n stack



Mas definitivamente a ferramenta certa para o trabalho é o Deep Sky Stacker. Ainda engatinho no uso deste. Mas a interface é até amigável.

Para não perder o habito vai aqui um mapinha para quem quiser conhecer este belo aglomerado galáctico registrado por Lacaille em 1752. Ele o descobriu bem antes de mim. É um excelente alvo para os astrônomos urbanos. Sua observação visual também é linda e o aglomerado possui diversas duplas que o tornam ainda mais interessante.


Continuamos andando...

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Log de Observação- 11 de Dezembro 2011

Depois de muito tempo sem observar nada , com o final da primavera apresentando um aspecto londrino aqui pela cidade maravilhosa , finalmente o céu abriu. Fim de tarde , céu de anil e pude ver Vênus se pondo atrás do Morro Dois Irmãos. Parecia assinalar a pacificação das comunidades em seu entorno.

Eram cerca de 19:30. Ainda bem claro. Termino minha corrida correndo mais ainda .  Chego em casa e começa o furacão . Afasto a mesa , cadeiras e poltrona liberando a janela. Arrasto o telescópio ( o Newton, um refletor de 150 mm ) e aponto o eixo polar para o sul . Aqui da janela eu sei exatamente onde ele deve olhar.  Milagrosamente a buscadora esta bem afinada apesar do telescópio ter ficado no canto da sala por mais de 20 dias , sem uso... 
Tudo bem a tempo de dar uma olhada na Deusa ainda descendo.
Muito brilhante coloco a tampa no telescópio e o uso com apenas 50 mm . Mais que isto ofuscava minha vista. Coloco a SP10 mm . Mesmo com toda poluição luminosa do mundo percebo ela com cerca de 80% de sua face iluminada. E só.
Vênus não é de se revelar facilmente e a fase não permite tentativas heróicas do tipo ver " Ashen Venus".  

Depois disto aguardo a vizinhança sossegar .
As 23:45 volto a carga.
Minha filha já dormiu. E percebo a Falsa Cruz indicando o caminho. Com Canopus já bem alta.  
Calço a SP 25 mm na porta ocular e vamos em frente
Observar de uma janela limita muito a area do céu que você pode olhar. Mas já sei por onde vou passear. Carina é uma velha conhecida.  Apesar do vizinho da frente não quere colaborar muito e ter a maior parte das suas luzes acesas eu sei que vou ver algo de belo na região. 
Rapidamente e quase sem querer percebo um pequeno nó de luz em meio as estrelas desta rica região da Via Láctea. Centralizo na buscadora . Um velho conhecido que há muito não visitava.
 NGC 3532 é uma descoberta do Abbe Lacaille e com  tem cerca de 50´ x50´. Apresenta um colorido interessante com estrelas de diversas cores. Bem bonito e grande . Um Clássico.  Troco a ocular para minha 17 mm e percebo ainda mais detalhes .  Tento alguma fotos por método afocal . Os motor drives estão guardados esperando por um local mais espaçoso. Não dá muito certo...

Parto em busca de um eterno favorito  IC 2602 . As Plêiades do Sul ao redor de Theta Carina. Coloco a 25 mm de novo para abarcar este monstro.  Dispensa comentários . Em uma rapida contegem percebo 22 estrelas . 

Por fim  , navegando pela ocular chego até  a area de NGC 3372 . A nebulosa sofre muito com a poluição mas o diversos aglomerados pela região fazem o serviço e fico passeando por ali mais um pouco.

Esta região que visitei é esteio para o observador urbano carioca. Muitos aglomerados abertos brilhantes o suficiente para sobreviverem até mesmo a mega cidades. E o Horizonte sul na zona sul do Rio é bem defendido . Tirando as  Ilhas Cagarras  você só encontra terra depois lá nas Falklands...

Não foi muito mas como diz o ditado é melhor pingar do que secar. E depois de mais de um mês de tempo nublado foi uma alegria....
São 00:45

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Sigma Orionis - Um Sistema Multiplo.


O sistema de Sigma Orionis esta localizado a cerca de 1200 anos-luz de nós . Consiste de um sistema quíntuplo. Seus componentes A e B  são estrelas muito brilhantes e massivas  separada por apenas 100 UA (unidades astronômicas). Muito próximas para  telescópios amadores. As estrelas  C e D estão separadas por uma distancia maior . Algo como 3000 UA e 4500 UA respectivamente.  E  E se encontra a quase 1/3 de ano-luz de A.

Para localizar Sigma Orionis primeiro localize a constelação de Órion ( claro...). Localize então o cinturão do caçador. São as Três Marias. O nome das santas é Alnitak , Alnilam e Mintaka.
Alnitak é a estrela mais a leste  . Logo acima (sul) você vai perceber  uma estrela levemente menos brilhante . É Sigma Orionis.

O campo da buscadora é bem congestionado. Sigma é claramente a quarta estrela mais brilhante da buscadora só sendo ofuscada  pelas Três Marias . Forma claramente um triangulo com Alnitak e Alnilam. É um alvo fácil.

O telescópio vai revelar  A e B como uma única estrela de 3.8 mag. de cor branca.  A leste de A/B está a estrela D , de mag. 7.2 e levemente avermelhada. A cerca de três vezes esta distancia  encontra-se E de 6.5 mag e cor azulada. Telescópios de pelo menos 150 mm podem revelar ainda o componente C do outro lado de A/B.  Ela brilha com esbranquiçada com uma magnitude de apenas 10.

Nunca consegui separar C. Mas confesso que só visitei Sigma uma única vez. E seeing é tudo quando se fala de duplas difíceis.

Sigma Orionis é o sistema que " inflama" IC 434. Essa por sua vez cria B 33. E todo o conjunto  desta região  de Órion viaja junto pelo espaço. Tanto Alnitak como Mintaka  ( das Três Marias...) também são estrelas duplas. Alnitak é bem difícil de separar. Já Mintaka é mais dada...

Órion vai dominar o céu pelos próximos meses e isto é sempre uma alegria.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Nebulosa Cabeça de Cavalo


Tenho medo de cair em um lugar comum. Mas ela ,  a Nebulosa Cabeça de Cavalo, é um destes símbolos que não podem ser evitados . Ela é um  DSO ( deep sky object)  que marcou a minha memória desde que vi sua primeira foto. Na verdade imagino que isto aconteça com quase todos os astrônomos.Ela( percebem.. )  é sempre tratada na terceira pessoa. Ela é parte do imaginário coletivo da astronomia amadora.

O universo é muito mais doido do que somos capazes de supor. E assim Ela é também conhecida por Barnard 33 (B33). Uma nebulosa escura. É considerada um alvo fotografico por excelência.
Sua história  nos conta isto.
Ela é uma nebulosa escura que se percebe porque encobre uma outra nebulosa , IC 434. Esta por sua vez é avermelhada e é alimentada pela energia de Sigma Orionis e foi descoberta através de uma chapa fotográfica feita por Pickering em 1889. A Cabeça só foi realmente registrada , também através de foto feita por Isaac Robertson em 1900. É possível que seu primeiro registro tenha sido feito Williamina Fleming que trabalhou como assistente de Pickering e ela registrou algo que poderia ser Ela . Podemos perceber a clara natureza feminina desta beleza. 

Posteriormente a primeira publicação a seu respeito foi feita por Barnard em 1913. Se tornou a entrada de numero 33 de seu catalogo de 1919.

Tanto IC 434 como B 33 fazem parte da  Nuvem Molecular de Orion.Outros membros desta mesma nuvem são M78, M42 ( a grande nebulosa de Orion) e a Nebulosa da Flama (NGC 2024)

Como já disse ela é uma modelo fotográfica das mais requisitadas. Porém se mostra tímida a observações visuais.

Sendo um glóbulo de poeira e gases não luminosos que nasce ao apagar a luz de moderadamente brilhante nebulosa IC 434 não me parece estranho que seja difícil  vê-la usando seus olhos  e não de CCD´s , CMOS ou antigos filmes sensibilizados.

Mas reza a lenda que isto não é impossível . Então vamos tentar.

Outro dia recebi um E-mail de um grupo de discussão que participo no yahoo.
 The 60 mm Telescope Group.
É um dos grupos ou forums de astronomia mais ativos que conheço.

 E a discussão seria sobre a possibilidade de avistar a Cabeça de Cavalo com o uso de instrumentos pequenos. "By the book" nada menor que 200 mm tem chance.

Mas a história esta só começando...

Me lembrei de um post que li no Uncle Rod a respeito de como a observar. Ele falava que era de extrema importância saber sua exata posição. Pois afinal ela era pequena , obscura e tímida . Saber exatamente onde olhar é fundamental.  Ele acaba por avista la . Parecia mais um pequeno caroço de feijão que propriamente a grandiosa Cabeça de cavalo. mas estava lá. O uso de filtros H beta ajuda muito.

Uma coisa ficou na minha cabeça . O Tamanho pequeno. Mas isto ia mudar.

Em meio a discussão do forum se levantou que M 57 , a nebulosa do anel , seria muito menor com uma area de apenas 1´ de arco. E ningúem diz que ela é pequena.  A Cabeça de Cavalo se espalha por uma area de 6x4 arcmin. 

Apesar de sua natureza ser totalmente distinta de M57 ela não é pequena. 

Existem registros da observação da cabeça de cavalo usando binóculos em grande quantidade. A mais conhecida virou um post de Phill Harrigton ( Sky watch , Cosmic Challenge...)  no qual ele conta como a avistou juntamente com Tom Lorenzino na Florida usando um 10x70 no qual eles colaram dois Hidrogênio - beta filtro em cada ocular. Ambos a viram . Pequena mais com certeza estava lá. 

Consegui localizar diversos registros de pessoas que avistaram a dama com pequenos telescópios. Um tal de Roger Clarks alega ter visto ela com um refrator de 75 mm em um céu muito escuro. Scotty Houston afirma observa-la freqüentemente com seu 100 mm Clark ( um senhor telescópio). David Knisely , no forum da  Cloudy Nights ,  relatou observa-la com seu Orion 100mm F6 usando um filtro H- Beta.

Existem diversos registros de observações visuais com pequenos aparelhos ao longo dos últimos 20 anos.
Todos tem como ponto em comum céus muito escuros. O uso de filtros H-beta também são muito comuns. Seu uso em telescópios grandes é quase como magica para observa-la.

Saber exatamente onde procurar é condição sine-qua-non.

 Last but not least B33 fica a  menos de 0,5 graus sul-sueste de Zeta Orionis, também conhecida como Alnitak. É a estrela mais a leste do cinturão de Orion. Este conhecido como "As Três Marias".












domingo, 4 de dezembro de 2011

Galaxias Seyfert

Galáxias Seyfert foram assim batizadas em homenagem a Carl K. Seyfert que em 1943 as descreveu como uma classe de galáxias que apresentam em comum um núcleo com linhas de emissão notáveis.

Em seu trabalho ele elaborou uma lista com 12 galáxias relacionadas e posteriormente fez uma pesquisa mais detalhada em seis destas. Não confundir as chamadas seis galáxias Seyferts originais com o Sexteto de Seyfert. São coisas completamente diferentes.

O Sexteto é um aglomerado galáctico cujo membro mais brilhante é Ngc 6027. Com magnitude de 14,7 é muito além das pretensões deste post.

Já na lista de 12 galáxias primeiro descritas por Seyfert em 1943 existem diversos alvos ao alcance de telescópios pequenos.

As galáxias Seyfert fazem parte das chamadas galáxias com núcleos ativos. Um dos tópicos mais badalados da pesquisa astrofísica. Na verdade antes mesmo de sabermos que eram galáxias, diversos destes objetos já chamavam atenção dos astrônomos.

Seus núcleos são alimentados por buracos negros super massivos. Isto os faz super brilhantes. E com isto alvos perfeitos para os astrônomos amadores. 

 M 77, NGC 1275, NGC 3516, NGC 4051, NGC 4151, and NGC 7469. Estas são as seis Seyferts originais. Hoje em dia calcula-se que cerca de 10 % de todas as galáxias sejam Seyferts.

O Nuncius Australis vai apresentar uma lista com algumas das mais belas e brilhantes galáxias Seyfert.

Como o arquétipo de galáxias Seyfert poderia citar M 77.


Localizada em Cetus, a menos de 1º de Delta Cetus esta galáxia teve suas unusuais características notadas já no inicio do sec. XIX por William Ross devido a sua cor azulada em seu gigantesco telescópio (1800 mm). M 77 é uma galáxia gigantesca com massa superior a 1 trilhão de sóis. Seus braços cobrem mais de 170.000 anos luz.

Um alvo austral e uma das mais brilhantes Seyfert no céu é NGC 1365.


Uma das galáxias mais brilhantes do aglomerado de Fornax. Apresenta-se com uma espiral barrada com braços bem desenvolvidos e com estrutura visível (em locais escuros) ao alcance de pequenos telescópios (90 mm). Seu núcleo é um pouco menos brilhante do que é esperado de uma Seyfert já que é obscurecido por linha de poeira bem notável.



Outro exemplar deste tipo de galáxia AGN (da sigla em inglês para active galaxy nucleus) é NGC 3227.

 A menos de 1º a leste de Algieba (Gamma Leonis) você vai localizar esta espiral barrada. Ela brilha com magnitude 10.4 e apresenta uma companheira menor, NGC 3226. Esta é uma pequena elíptica que apresenta 11.4 como magnitude. O conjunto lembra um pouco M51, a galáxia do redemoinho. É aceito que a interação entre ambas tenha aumentado o fluxo de material presente no disco do buraco negro central de NGC 3227.

Entre Leão e Virgem habita o reino das galáxias e próximo a seu coração está M88.

 Esta também uma galáxia Seyfert. Localizada praticamente no maio da linha que liga Denebola (Beta Leonis) e Vendimiatrix (Épsilon Virgo). Mais precisamente a 10.4º de Denebola. Trata-se de uma espiral com os braços extremamente fechados e com um núcleo que hospeda um buraco negro com a massa de 80 milhões de sóis...

Outra Seyfert que se encontra no catalogo Messier é M106.

 Porém mais difícil para os astrônomos austrais. É uma espiral barrada altamente inclinada para nossa linha de visada. Isto a faz bem notável com quase qualquer instrumento. Apresenta 8.4 de magnitude

As galáxias Seyfert, em geral, apresentam um alto brilho de superfície e com isto são (pelo menos seus núcleos) bons alvos para astrônomos que sofrem com poluição luminosa.

Nem todas as galáxias Seyfert são espirais (sua grande maioria é). A lista de 12 galáxias inicialmente utilizada por Seyfert para a criação desta classe consistia em:

NGC 1068 (M 77), NGC 1275, NGC 2782, NGC 3077, NGC 3227, NGC 3516, NGC 4051, NGC 4151, NGC 4258 (M 106), NGC 5548, NGC 6814, and NGC 7469.

Posteriormente NGC 3077 e 2782 foram retiradas da lista e consideradas galáxias de outra classe.

A web apresenta muito material sobre galáxias Seyfert e AGN em geral.

Aqui um bom começo.