terça-feira, 21 de agosto de 2012

Ophiuchus - O Reino dos Globulares



O mês de agosto, apesar da fama, costuma me ser bastante amigável. Geralmente tenho bastante trabalho e consequentemente quando entrar setembro possuo algum dinheiro (não, eu não gosto de Beto Guedes, Lô Borges e afins...). Em contrapartida dificilmente tenho tempo ou disposição para a observação astronômica.  
Este agosto, porém, consegui conjugar ambas as coisas. Me foi oferecido um trabalho em Parati. Um comercial. Um diretor americano de renome foi contratado para filmar a campanha de um grande banco.
O gajo também tinha em mente comemorar seu aniversário com a nova namorada e diversos amigos na histórica cidade que ele tanto aprecia. Assim sendo, apesar de algumas dificuldades logísticas, o trabalho se tornou mais ameno do que é em condições normais de temperatura e pressão.  Diariamente às três da tarde era declarado que a luz não era mais apropriada para realização deste marco da propaganda mundial e voltávamos para a  cidade em nossa escuna. Aqui no Brasil chamaríamos o evento de “Trem da Alegria”.
Apesar de ter sempre que despertar muito cedo sobrou algum tempo para viajar pelos céus. A lua senão ajudava também não atrapalhava. Na verdade ela mesma permitiu algumas fotos para enriquecer a experiencia. Na visita de locação ela ainda ia bem cheia e permitiu um belo show em 300 mm de distancia focal e f 22...


Já durante as filmagens eu estava consciente de que não poderia me dar ao luxo de telescópio e levei meu Vanguard 10x50.  Tinha em mente explorar a região de Ophiuchus.
Esta foi alvo da coluna "Binocular Universe", de Phill Harrington, no Cloudy Nights deste mês.  E assim me parecia perfeito para a exploração binocular.


Ophiuchus, o encantador de Serpentes, não é exatamente uma constelação popular. De tempos em tempos ele é lembrado como o décimo terceiro signo e para desespero dos astrólogos é apresentada em algumas pautas desesperadas por noticias. Fora isso é um segredo bem guardado por astrônomos. Ainda bem, pois é um poço quase inesgotável de DSO ´S. Sendo membro da tríplice fronteira no centro galáctico (junto com Sagitário e Escorpião) abundam Aglomerados de todas as formas e tamanhos.
Ophiuchus passa bem próximo ao zênite e assim é mais facilmente observado de binóculo. Basta uma canga e uma praia escura e você lá deitadão...
Próximo ao centro da galáxia Ophiuchus é o reino dos globulares. Nele se encontram não menos que 20 Globulares do catalogo NGC. Mais que em qualquer outra constelação.
Meus planos não são tão pretensiosos e me contentarei em visitar cinco deles. Estes são compartilhados pelo meu querido catalogo Messier.
Como recentemente visitei M9 começo por aí. Entre Sabik e Xi Ophiuchi ele se encontra. Pequeno e quase estelar você deve prestar atenção para diferencia-lo das estrelas na região. Com olhos treinados ele salta a vista rapidamente.
Depois volte a Sabik (Eta Ophiuchi) e procure por Delta e Épsilon Ophiuchi , conhecidas também como Yed Prior e Yed Posterior. A partir desta você vai localizar facilmente M10 que se apresentará como uma pequena bola de algodão acinzentada. Os dois são como um aglomerado duplo, cabendo no mesmo campo ocular. M10 é mais evidente que M12.
Se você seguir a ordem apresentada estará nas pegadas de Messier que descobriu estes aglomerados em um espaço de dois dias. Primeiro M9 e depois os dois apresentados. M11 ele também achou nesta mesma rodada. Mas este já tinha sido avistado por alguém. Não é um Messier Original.

M 107

Depois tente M 107, um daqueles Messier Póstumos.Foi incluído na lista somente em 1947 por sugestão de Helen Hogg. Escaneando para sul a Partir de Zeta Ophiuchi não será difícil perceber a pequena estrela esfumaçada. Mas apesar de ser um dos globulares menos densos que se conhece não espere resolver estrelas com binóculos. Na verdade não espere resolver nada com menos de 200 mm de abertura... Vai requerer muita atenção.
Para finalizar tente achar M 14. Calcule um ponto aproximadamente entre Sabik e Celbarai (Beta Ophiuchi) e boa sorte.
IC 4665
Como premio de consolação, caso M14 se revele muito difícil, visite IC 4665. Um belíssimo aglomerado aberto pertinho de Celbarai. E um daqueles que é mais bem visto de Binóculos que em qualquer telescópio. É uma descoberta de De Cheséaux em 1745 e com apenas 40 milhões de  de anos é bem jovem para um aglomerado aberto. De locais escuros é percebido mesmo a olho nu.  
Este mês se juntou o útil e o agradável...

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