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terça-feira, 10 de janeiro de 2012
O Aglomerado de Berenice
O Aglomerado da Cabeleira de Berenice é um grande grupo de estrelas visíveis a olho nu. Embora seja um aglomerado muito famoso no hemisfério norte ele não possui o mesmo apreço aqui por nossas bandas. Provavelmente por passear baixo no horizonte norte e se apresentar menos brilhante que em céus boreais. Mas é um dos mais belos campos visuais que já tive por um binóculo. Em algum Lugar entre Alpha Canum (Cor Carolis) e Beta Leonis (Denebola).
Este aglomerado é melhor observado com binóculos e pela buscadora do que com telescópios que acabam fracionando este belo aglomerado galáctico.
Me recordo da primeira vez que o vi. Quase ao acaso. Tinha viajado para Visconde de Mauá. Mais precisamente para o Vale de Santa Clara. O céu era bem escuro e eu tinha comigo meu fiel 10x50. Era um fim de semana de Lua quase nova. O céu bem escuro e eu olhando para o horizonte norte. M 44 era claramente visível a olho nu e passeando com meus olhos pelo horizonte norte percebo baixo, logo acima das montanhas, um nó de estrelas. Dirijo meu binóculo para lá o campo se enche de estrelas. Lindo. Espremendo-se no campo visual do pequeno binóculo.
Curiosamente este belo aglomerado não consta NE do catalogo Messier e tampouco do NGC. Esporadicamente ele é chamado de “Mel 111”. Melotte 111. Um catalogo menos famoso.
Cobrindo uma área de aproximadamente 5º graus de diâmetro este aglomerado possui como membros mais brilhantes as seguintes estrelas de 5ª magnitude: 12, 13, 14, 16 e 21 Comae. Cerca de outras 30 estrelas menos brilhantes foram relacionadas como possíveis membros do aglomerado com mais algumas poucas estrelas talvez ainda aguardando para serem descobertas e associadas. As brilhantes estrelas 15, 18 e 7 Comae parecem não serem fisicamente associadas ao grupo mas ajudam a compor o quadro.
O aglomerado carrega uma interessante história. Ele foi nomeado em honra de Berenice II do Egito, que foi a rainha de Ptolomeu III (246 – 221 AC). Em uma das mais belas lendas celestiais conta-se que Berenice prometeu seus famosos cabelos com “Tranças de âmbar” no templo de Afrodite em Zephyrium no caso do retorno seguro de seu amado Ptolomeu de uma campanha especialmente perigosa. Depois de cumprida a promessa, os cabelos que ficaram em exposição no templo desapareceram e a fim de salvar as aparências e talvez algumas cabeças o astrônomo da corte Conon convenceu o casal real que as tranças sumidas teriam sido transformadas pelos deuses em uma constelação para serem preservadas para a eternidade entre as estrelas.
Algumas moedas recuperadas, conhecidas como as moedas de Berenice mostram a rainha com seus belos cabelos. São Octadaracmas e dodecadracmas do inicio do reinado de Ptolomeu.
Entretanto a ignorância astronômica de nosso casal real parece ter salvado varias cabeças, pois o aglomerado já fora descrito antes. Na verdade este aglomerado em tempos pré- ptolomaicos fazia parte da constelação de leão e marcava o tufo de sua cauda. O nome árabe para o aglomerado leva a essa conclusão. Al Dafirah (O tufo). Erastóstenes, entretanto, no Sec. III AC chama o aglomerado de A cabeleira de Ariadne. E em diversos mapas da idade média ele é associado a uma coroa de trigo que contribuía para a constelação de Virgo.
Há cerca de 250 anos luz o Aglomerado de Berenice é um dos aglomerados mais próximos que conhecemos. Sendo provavelmente suplantado apenas pelo aglomerado das Hyades, em touro. E o aglomerado da Ursa Maior.
A velocidade radial de seus membros é muito próxima a zero e qualquer estrela que componha o quadro e fuja deste parâmetro provavelmente não fará parte deste grupo.
O grupo não possue membros gigantes ainda que o a analise do diagrama H-R do grupo leve a acreditar que seus membros começam a evoluir para este estagio.
A dispersão do grupo sugere que ele esteja se desagregando. Sua densidade estelar é de 1 estrela por 10 parsecs cúbicos . Um valor muito próximo do limite inferior teórico para aglomerados estáveis.
Localizá-lo é fácil desde que em em local escuro. Olhe para o horizonte norte e abaixo de Denebola. Não tem como não perceber o pequeno nó de estrelas que falei no inicio desta matéria. Em locais com muita poluição luminosa a tarefa se torna bem mais dificil.
Com o auxilio de qualquer binóculo você vai ver um espetáculo com séculos de história.
sábado, 24 de dezembro de 2011
Poluição Luminosa no Natal e NGC 104
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| NGC 104 |
Quando mais novo ouvi sempre que a observação do céu só seria possível em locais de céu muito escuro e que do Rio de janeiro isto seria impossível.
Não é verdade.
Mesmo que não seja o ideal a observação em áreas urbanas é muito compensadora . Até porque o desafio se torna maior. A navegação é muito mais difícil e localizar DSO´S sem estrelas para lhe guiar o caminho pode ser bastante duro. Você deve estar preparado para isto . Caso contrario poderá terminar frustrado.
Cabe a você ser realista. Não espere avistar nebulosas tênues , nem galaxias de baixíssimo brilho de superfície. Na verdade em se tratando de galaxias é melhor tentar um local um pouco mais escuro. M 33 é um sonho impossível para o astrônomo urbano.
Mas mesmo assim existem centenas , quiçá milhares de DSO´S ao alcance do astrônomo urbano. Talvez não em todo seu esplendor mas ainda assim se apresentando com dignidade.
Ontem a noite eu me lembrei disso.
Pretendia o observar NGC 104 . Ou Tuc 47. São o mesmo objeto. Trata-se do segundo aglomerado globular mais brilhante do céu. Só perdendo para o gigantesco Omega Centauro.
Partí de Achernar ( Alpha Eridanus) e com grande esforço localizei Beta Hidra. Uma discreta estrela no horizonte sul carioca. A partir daí é uma rápida caçada através de minha buscadora 9x50. Caminhando lentamente para norte e oeste o Aglomerado revela sua origem como uma pequena estrela esfumaçada pelo "finder". Vai ser uma das "estrelas" mais brilhantes desta região. Com ela centralizada faço uma rápida inspeção usando uma 17 mm. É o aglomerado mesmo . Nem foi tão difícil de achar. Em céus mais camaradas ele é percebido facilmente a olho nu. Tem inclusive um numero Flamsteed. Que nem uma estrela...
Na verdade sempre que visito Ngc 104 centralizo Achernar na minha "red dot finder" e chuto uma posição aproximada. Em geral com a buscadora ótica eu localizo facilmente por ele na região.
Na verdade sempre que visito Ngc 104 centralizo Achernar na minha "red dot finder" e chuto uma posição aproximada. Em geral com a buscadora ótica eu localizo facilmente por ele na região.
Este período natalino sofre ainda mais com a poluição luminosa. São diversos ornamento pendurados pelas janelas dos prédios a minha frente. Pequenas luzes de neon , led´s e etc.... E culminando o desperdício de energia vários faróis de xênon , como em uma bateria anti-aérea passeiam pelos horizontes da cidade.dois deles em especial pelo horizonte sul. Iluminando nada.São uma praga que ataca a arvore de natal que habita a Lagoa Rodrigo de Freitas durante o fim de ano.
Como apregoado na campanha Needless, a qual o Nuncius Australis apresenta já a alguns anos, a iluminação urbana é necessária . Mas deve iluminar o chão e não o céu...
Ainda assim insisto e me preparo para fotografar mais um objeto do catalogo Lacaille.
Primeiro uma lição de astro foto. Use sempre uma estrela mais brilhante para focar. Recentemente li uma matéria dizendo que deveria fazer o foco me utilizando da estrela mais tênue que conseguisse perceber pelo viewfinder da camera de preferência aquelas que eu só percebe-se no momento em que se realiza o foco. Não é uma boa idéia. Fiz varias exposições fora de foco utilizando as fracas estrelas que percebia no campo de Ngc 104.
Assim voltei a Alpha Hyidra e fiz um foco decente. Algumas exposições para confirmar e finalmente voltei a meu tão suado Globular.
Realizei varias exposições de diversas durações. Apresento aqui alguns resultados obtidos. O DSS apanhou para empilhar isto aí. O registro é muito próximo do que você vai ver na sua ocular. Bem, talvez um pouco melhor...
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| Na ocular ou quase... |
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| Zoom e Crop no PhotoShop |
O belo aglomerado consegue sobreviver a poluição Luminosa severa que se apresenta durante o fim de ano. Como já tinha percebido em outra observação o aglomerado não é perfeitamente circular. E apresenta uma coloração amarelada. Não possua olhos muito sensiveis a cores em globulares . Outra pessoas percebem um desvio para o vermelho. cada um com seu cada um....
No fim de ano a poluição luminosa é realmente muito maior do que em outros periodos. O natal é sempre um periodo de fartura e desperdicio. Contraditório.
Não deveria...
P.S. Em período não natalino e anos depois fiz algumas novas fotos de Tuc 47. Desta vez o DSS aceitou quase todos os Frames . E no meio do bolo temos também fotos empilhadas no Rot n´Stack. As quatro ultimas fotos foram realizadas com uma Canon T3. As antigas são do tempo da falecida 350D,
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| RnS Canon T3 |
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| DSS Canon 3T |
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| DSS Canon 3T |
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| DSS Canon 3T |
sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
Sky Walk , Alinhamento Polar e NGC 2516
O clima não vem colaborando muito, mas apesar dos pesares esta ultima semana me permitiu algumas aventuras urbanas. O Nuncius Australis observa quase que exclusivamente de dois locais. Na Armação de Buzios é o observatório “escuro”. Na verdade apresenta típicas condições suburbanas. Em dias especiais apresenta um NELM (do inglês, naked eye limit magnitude) de+- 5.0 próximo ao zênite.
O outro é o observatório mais guerreiro. Janela da Sala, em condições urbanas extremas,tela de proteção para criança , gato que passeia pela janela etc.. Em dezembro tem também dois faróis de Xenon patrocinados pelo Bradesco que simulam uma bateria anti-aerea contra os céu da cidade. Pode-se caminhar pelo horizonte sul. Cada época do ano passeia alguma coisa pela região.Chamo de Stonehedge dos pobres. Na verdade possui como área útil uma faixa de 35 graus do céu. NELM 3,5. De madrugada talvez um pouco mais.
Essa semana foi um unico e longo alinhamento polar.
Terça dia 21 começou a missão. Tinha tido uma idéia brilhante. Baixei um aplicativo no meu telefone. Sky Walk. Basicamente um programa planetário com serviço de GPS. Paguei US$ 2,99 na Apple Store. Tinha em mente fazer do alinhamento polar uma coisa simples e indolor.
O aplicativo me pareceu perfeito. Você simplesmente o aponta para o céu e ele mostra exatamente para onde e o que você esta olhando. Trás ainda um banco de dados com diversos DSO`S bem como um almanaque com todas as efemérides que você quiser. Bastante útil. E um sucesso com as crianças.
Minha idéia era bastante óbvia. Fixar o I Phone alinhado com meu eixo polar e com isto localizar o pólo sul celeste com precisão de GPS.
Não deu certo. Apesar de me permitir uma boa aproximação o sistema não tem a precisão necessária.
É um bom aplicativo para você se situar. Especialmente em constelações mais apagadas. Mas oscila muito. Às vezes fica meio perdido.
Fiz o alinhamento utilizando I Phone e cometi o primeiro erro. Mexi na minha Latitude na cabeça. Sempre a mantive no mesmo lugar e nunca deu errado. Mas empolgado com a tal da tecnologia errei. Passei essa noite tentando melhorar o alinhamento e insistindo no pequeno aplicativo.
Com a câmera instalada no 150 mm tentei exposições de 30 seg. Parecia arte moderna. Um monte de rabiscos. 15 segundos: rabiscos menores. 10 Segundos: Ainda rabiscos. O tempo abre e fecha e eu lutando para fazer um acompanhamento mais digno de Miaplacidus.
Já vai tarde a noite quando me dou por vencido.
Quarta Feira eu volto à carga. Mas desta vez a cerveja atrapalhou. Tento alguns registros da Caixa de Jóias (Ngc 4755). Nada aproveitável.
Quinta Feira. Hoje vai . Meu objetivo é fotografar todo o catalogo Lacaille e hoje eu decidira que NGC 2516 ia ser a bola da vez.
Assim que Venus acendeu a oeste, o dia ainda era claro. Comecei os trabalhos.
Desta vez contando com técnicas menos modernas e comprovadamente eficientes fiz o alinhamento polar. Usando de uma bussola ,um inclinometro e um pouco de bom senso acabo conseguindo um alinhamento polar aceitável. Faço algumas experiências com Canopus a utilizo para focar minha câmera. Faço algumas exposições de 15 segundos e depois de varias considero o acompanhamento aceitável. Somando-se todas as horas para esse alinhamento acontecer passaram-se muitas horas e varios dias.E ainda pode melhorar mais. Mas enfim... Um alinhamento polar correto é uma das coisas mais dificeis que voce pode esperar fazer junto a um telescópio.
Agora é esperar 2516 se apresentar no local certo.
Lacaille catalogou este aglomerado em seu “Nébulas do Céu Austral” coma a entrada II. 3, Sua categoria II referia-se a aglomerados estelares associados a nebulosidade. Lacaille usava refratores muito pequenos . Toda essa categoria consiste de aglomerados abertos sem nebulosodade associada.
Ele comenta: um aglomerado de estrelas de 7ª e 8ª magnitude que forma uma nébula visível a olho nu.
Um Aglomerado aberto bem brilhante. Com uma Magnitude de 3.8 e medindo 30´ ele é facilmente percebido pela buscadora. O a olho nu da descrição do Abbe depende de um céu um pouco mais generoso que o do Observatório do Rio. Em Buzios percebo a nébula.
Usando-se o asterismo do Falso Cruzeiro ele é facilmente localizado. È só estender a linha que liga Kappa Velorum a Avior (Épsilon Carina) no eixo maior do Falso Cruzeiro e você vai achar o belo aglomerado. Eu percebo cinco estrelas pela Buscadora.
Com o Aglomerado na Buscadora realizo algumas dezenas de exposições de 15 segundos com uma Canon 350 d. Capturo também alguns Dark Frames.
E assim o verão começa com NGC 2516 sendo registrado e assim se tornando o segundo objeto Lacaille que foi capturado. Com alguns membros já transitando no vermelho é um aglomerado colorido e uma gema do céu austral
Deu trabalho...
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| Ngc 2516 -20 exposições de 15 Seg. Deep Sky Stacker Outra serie de 20 exp... |
sábado, 17 de dezembro de 2011
O Centro da Via Lactea vai se acender?
Astrônomos publicaram no jornal on line Nature a descoberta de uma nuvem de poeira e gás ionizado que se desloca diretamente para o super massivo buraco negro no centro da Via láctea.
Vai ser uma das raras oportunidades de ver a besta se alimentar. Em 2013 a nuvem vai atingir a maior proximidade de Sag A* . Apenas 260 UA. É a maior proximidade de um corpo com este , com a exceção de 2 estrelas ,desde que este começou a ser monitorado nos anos 90.
A nuvem tem cerca de 3 vezes a massa da terra e deverá se esticar como um spaghetti com um comprimento de 120 UA segundo o co-autor do artigo Steffan Gillessen.
Segundo os autores o melhor cenário seria o centro de Via Láctea vir a brilhar até 3 vezes mais por 10 anos. O Nuncius certa vez contou uma história sobre como seria ter o centro da via láctea ativo e sobre ver dragões se alimentando.
Como contado na história dos dragões isto é uma tarefa para o Spitzer e outros telescópio do genero...
Mais em:
http://www.skyandtelescope.com/community/skyblog/newsblog/Black-Hole-Breakfast-En-Route-135511323.html
sexta-feira, 16 de dezembro de 2011
O Loop de Barnard
Vem chegando o verão. Orion começa a acender no horizonte nordeste logo com o por do Sol.
Hospedando a azulada Rigel. Esta uma estrela dupla que é sempre um desafio.
Com a super gigante Betelgeuse que aguarda o momento para seu grande show final.
A Brilhante Belatrix de Bônus.
No seu cinturão carrega um dos asterismos mais conhecidos do céu.
Neste vem pendurada a espada do caçador com a nebulosa mais famosa do céu. M42.
Esta dispensa apresentações e buscadora
Claramente visível a olho nu mesmo em áreas suburbanas.
Orion domina o céu do verão
Mas desta vez não vou falar de um desafio fácil. Em um post recente falei a respeito de observar a Nebulosa Cabeça de Cavalo a olho nu. Vai ficar mais dificil.
Desta vez vou apresentar uma nebulosa um pouco mais obscura (perdoem um trocadilho...). O Loop de Barnard.
.É o mesmo Barnard da história da Cabeça de Cavalo. Aliás, ambas tem muita coisa em comum. Foi também registrada primeiramente por Pickering em uma chapa fotográfica feita no Monte Wilson. Barnard a registrou também através de foto quatro anos mais tarde. 1894.
Catalogado como Sh 2-276. O catalogo Sharpless trata de Regiões HII no céu
Apesar de citar em suas anotações o trabalho de Pickering extensivamente Barnard foi quem levou as honras.
Trata-se dos restos de uma supernova. Um imenso, tênue arco de gás inflamado. De certa forma semelhante a mais conhecida Nebulosa do Véu em Cygnus. Mas maior. Caso forma-se um circulo completo teria algo como 10 graus de diâmetro e estaria quase centralizada na espada do caçador. Sua metade Leste é bem definida . Já a oeste é quase inexistete e percebida apenas em alguns pontos.Cruza a constelação toda. E tem sua origem ainda em discussão. Outra hipotese é que ele seja fruto de varias explosões de supernovas...
Freqüentemente fotografada são raros os relatos de observação visual deste imenso segredo de Orion.
Mas ha mais coisas entre o céu e a terra que os aviões de carreira. E assim o primeiro registro visual que encontrei de uma observação do Loop foi do grande Walter Scott Houston.
Scott foi o cabeça da Coluna “Deep Sky Wonders” na Sky and Telescope de 1946 até 1993. Foi talvez um dos maiores observadores de todos os tempos. E avistou a Loop a olho nu. Ou quase. Ele já havia tentado com um 250 mm, feito por ele mesmo. Um refrator Clark de 150 mm e outro Clark de 350 mm. E nada.
Acredito que o tamanho do Loop seja demais para observar com telescópios
E é um caso típico da tal história que você não vê a floresta só porque viu uma arvore. Aqui é o conjunto da obra. Perceber pedaços dele não é o que interessa.
Quando ele já considerava o Loop um objeto somente ao alcance de fotografias ele foi realizar testes com um filtro recém lançado pela Lumicon. O III.
Ao acaso avistou o objeto. Usando apenas o filtro e um pano preto sobre sua cabeça. Sua mulher viu também.
Repetiu o feito de lugares mais escuros diversas vezes utilizando filtros UHC (ultra high contrast).
Ele mesmo indica registros de mais dois amadores, Richard Johnson e John Bartels, que tambem realizaram o feito utilizando a mesma técnica.
Por outro lado também existem registros de pessoas terem tentado com telescópios de 100 mm, de campo rico, debaixo de condições ideais e sem o uso de filtros. Todos eles terminam em desespero, amargura e uma ocular vazia...
Nos tempos do filme era um grande feito registrar o Loop de Barnard.
Por incrível que pareça este objeto tem varias coisas em comum com a brilhante M42. Assim como ele faz parte de grande nuvem molecular de Orion, a cerca d 1600 AL. Seus gases são incandescidos pela estrelas que residem dentro da grande nebulosa de Orion. E assim como sua companheira mais famosa não precisa de buscadora. Olhe em direção a Orion através de um dos filtros indicados pelo grande Scott e veja a bagaça. Ela se espalha por toda a constelação.
Nuca nem tentei. Mas como vou viajar voltarei com um UHC na bagagem...
Não tem mapa hoje. Só uma foto.
O Loop se apresenta sozinho e não precisa de buscadora.
terça-feira, 13 de dezembro de 2011
Astrofotografia: A primeira foto
IC 2391 é conhecido também como o aglomerado de Omicron Velorum. Fica logo ao lado de Delta Velorum, uma das estrelas que forma o conhecido asterismo do Falso Cruzeiro.
É um aglomerado que tenho uma forte relação sentimental. Foi o primeiro aglomerado que descobri. Ou pelo menos redescobri.
Na época o Nuncius estava dando seus primeiro passos na arte de olhar os céus. Tinha comprado meu primeiro telescópio e passado uma temporada realizando um trabalho na Serra do Mar. Céu escuro e eu tentando entender como funcionava uma cabeça equatorial. Logo após este serviço eu consegui uma nova colocação em um filme que me levaria até Foz do Iguaçu. Na tríplice fronteira, consegui ir até o Paraguai em um dia de folga.
Um amigo já tinha ido até lá e me contara que tinha visto um binóculo enorme. E que era muito barato. Eu, inocente, puro e besta, fui direto à loja que ele indicara. Era uma beleza. 80 mm com um zoom de 15 até um numero impossível de ser verdade. Suas as lentes eram “coated” com mercúrio cromo (diziam que era ruby coated, aquelas lentes vermelhas...). Mas era barato. E eram 80 mm. O Trucuçu como veio a ser conhecido achava muitas coisas pelo céu, afinal um 80 mm é um senhor diâmetro para um binóculo. Na verdade o Trucuçu tinha suas qualidades. Mostrava tudo que eu apontasse. Com certa aberração, mas mostrava. No universo tudo tinha um desvio para o magenta...
Então fui para Buzios levando o “brand new” Trucuçu e comecei a olhar o céu.
Era bem iniciante e possuía um Telescópio com quem ainda não tinha me entendido muito bem, um atlas estelar e o Trucuçu com suas lentes ”Mercúrio cromo coated”.
Comecei a vasculhar o céu junto ao falso cruzeiro e não demorei a avistar o belo aglomerado em forma de M.
-Uau, um aglomerado aberto bonitão!
Depois de muito olhar fui ver o Atlas. Não havia nada no local. O Atlas na verdade não era exatamente um atlas . Era um daqueles genéricos que tem entre seus capítulos uma coleção de mapas mensais com destaque para alguns objetos em cada constelação. Um bom Livro até: The Star Guide de Robin Kerrod. Usei então o programa que viera junto com o telescópio e nada lá também. Pronto achei meu primeiro DSO e rapidamente batizei de BZ 1.
Posteriormente descobri a verdade, mas aí eu já tinha curtido o barato de descobrir um DSO.
Talvez por tudo isto e por estar no lugar certo na hora certa eu resolvi que IC 2391 seria o alvo para meu primeiro experimento de verdade em astrofotografia.
Preparei tudo com calma. Montei os motor-drives na cabeça do meu 150 mm. Depois fiz um alinhamento polar. Provavelmente o mais cuidadoso que já fiz. Coloquei tudo a mão e preparei a câmera, T Ring e mais todos os cacarecos necessários para o evento. Estava esperando por isto a mais de um mês.
Malditas nuvens!
Eram 19h47min quando comecei a alinhar a buscadora com Venus. Este vinha caindo a oeste.
IC 2391 não era uma escolha totalmente sentimental. Eu sabia que era um aglomerado bem “claro” com uma magnitude de 2.5. Sabia também, graças às observações feitas na véspera que estaria bem na frente de minha janela entre 23h00min e 00h30min.
Primeiro fiz alguns testes para o foco usando Miaplacidus (Beta Carina). Aguardei até que a posição fosse ideal e apontei o telescópio para a vitima. Fiz algumas exposições para afinar o foco. E sentei o dedo.
É fazendo que se aprende. Fiz diversas exposições com 15 seg. E depois varias com 30 seg.
Pode-se perceber nas fotos que as com 15 seg. são menos afetadas pela poluição luminosa e que o numero de estrelas não muda. Como é um aglomerado muito brilhante acredito que é melhor fazer um “stack” com mais fotos de 15 do que de 30 seg.
Preciso evidentemente ainda aprender a usar dark frames e fotografar em raw, mas fiquei bastante feliz com o resultado destas primeiras fotos. Pensando friamente tudo pode ficar melhor. Mas ainda assim deu mais certo do que eu esperava e nem doeu. Pretendo fotografar todo o catalogo Lacaille. Creio que será uma boa escola.
Depois fiz o Stacking com o Rot and Stack. Um programa divertido, mas que usa de licença poética. Na verdade creio que se eu fizer um crop cuidados do mosaico final possa até mesmo parecer com o que se observa. Mas em todo caso ficou bem bonito. Esse mosaico é quase uma nova descoberta. Seria um lindo Aglomerado.
Mas definitivamente a ferramenta certa para o trabalho é o Deep Sky Stacker. Ainda engatinho no uso deste. Mas a interface é até amigável.
Para não perder o habito vai aqui um mapinha para quem quiser conhecer este belo aglomerado galáctico registrado por Lacaille em 1752. Ele o descobriu bem antes de mim. É um excelente alvo para os astrônomos urbanos. Sua observação visual também é linda e o aglomerado possui diversas duplas que o tornam ainda mais interessante.
Continuamos andando...
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| IC 2391 |
É um aglomerado que tenho uma forte relação sentimental. Foi o primeiro aglomerado que descobri. Ou pelo menos redescobri.
Na época o Nuncius estava dando seus primeiro passos na arte de olhar os céus. Tinha comprado meu primeiro telescópio e passado uma temporada realizando um trabalho na Serra do Mar. Céu escuro e eu tentando entender como funcionava uma cabeça equatorial. Logo após este serviço eu consegui uma nova colocação em um filme que me levaria até Foz do Iguaçu. Na tríplice fronteira, consegui ir até o Paraguai em um dia de folga.
Um amigo já tinha ido até lá e me contara que tinha visto um binóculo enorme. E que era muito barato. Eu, inocente, puro e besta, fui direto à loja que ele indicara. Era uma beleza. 80 mm com um zoom de 15 até um numero impossível de ser verdade. Suas as lentes eram “coated” com mercúrio cromo (diziam que era ruby coated, aquelas lentes vermelhas...). Mas era barato. E eram 80 mm. O Trucuçu como veio a ser conhecido achava muitas coisas pelo céu, afinal um 80 mm é um senhor diâmetro para um binóculo. Na verdade o Trucuçu tinha suas qualidades. Mostrava tudo que eu apontasse. Com certa aberração, mas mostrava. No universo tudo tinha um desvio para o magenta...
Então fui para Buzios levando o “brand new” Trucuçu e comecei a olhar o céu.
Era bem iniciante e possuía um Telescópio com quem ainda não tinha me entendido muito bem, um atlas estelar e o Trucuçu com suas lentes ”Mercúrio cromo coated”.
Comecei a vasculhar o céu junto ao falso cruzeiro e não demorei a avistar o belo aglomerado em forma de M.
-Uau, um aglomerado aberto bonitão!
Depois de muito olhar fui ver o Atlas. Não havia nada no local. O Atlas na verdade não era exatamente um atlas . Era um daqueles genéricos que tem entre seus capítulos uma coleção de mapas mensais com destaque para alguns objetos em cada constelação. Um bom Livro até: The Star Guide de Robin Kerrod. Usei então o programa que viera junto com o telescópio e nada lá também. Pronto achei meu primeiro DSO e rapidamente batizei de BZ 1.
Posteriormente descobri a verdade, mas aí eu já tinha curtido o barato de descobrir um DSO.
Talvez por tudo isto e por estar no lugar certo na hora certa eu resolvi que IC 2391 seria o alvo para meu primeiro experimento de verdade em astrofotografia.
Preparei tudo com calma. Montei os motor-drives na cabeça do meu 150 mm. Depois fiz um alinhamento polar. Provavelmente o mais cuidadoso que já fiz. Coloquei tudo a mão e preparei a câmera, T Ring e mais todos os cacarecos necessários para o evento. Estava esperando por isto a mais de um mês.
Malditas nuvens!
Eram 19h47min quando comecei a alinhar a buscadora com Venus. Este vinha caindo a oeste.
IC 2391 não era uma escolha totalmente sentimental. Eu sabia que era um aglomerado bem “claro” com uma magnitude de 2.5. Sabia também, graças às observações feitas na véspera que estaria bem na frente de minha janela entre 23h00min e 00h30min.
Primeiro fiz alguns testes para o foco usando Miaplacidus (Beta Carina). Aguardei até que a posição fosse ideal e apontei o telescópio para a vitima. Fiz algumas exposições para afinar o foco. E sentei o dedo.
É fazendo que se aprende. Fiz diversas exposições com 15 seg. E depois varias com 30 seg.
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| 30 seg. |
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| 15 seg. |
Pode-se perceber nas fotos que as com 15 seg. são menos afetadas pela poluição luminosa e que o numero de estrelas não muda. Como é um aglomerado muito brilhante acredito que é melhor fazer um “stack” com mais fotos de 15 do que de 30 seg.
Preciso evidentemente ainda aprender a usar dark frames e fotografar em raw, mas fiquei bastante feliz com o resultado destas primeiras fotos. Pensando friamente tudo pode ficar melhor. Mas ainda assim deu mais certo do que eu esperava e nem doeu. Pretendo fotografar todo o catalogo Lacaille. Creio que será uma boa escola.
Depois fiz o Stacking com o Rot and Stack. Um programa divertido, mas que usa de licença poética. Na verdade creio que se eu fizer um crop cuidados do mosaico final possa até mesmo parecer com o que se observa. Mas em todo caso ficou bem bonito. Esse mosaico é quase uma nova descoberta. Seria um lindo Aglomerado.
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| Rot n stack |
Mas definitivamente a ferramenta certa para o trabalho é o Deep Sky Stacker. Ainda engatinho no uso deste. Mas a interface é até amigável.
Para não perder o habito vai aqui um mapinha para quem quiser conhecer este belo aglomerado galáctico registrado por Lacaille em 1752. Ele o descobriu bem antes de mim. É um excelente alvo para os astrônomos urbanos. Sua observação visual também é linda e o aglomerado possui diversas duplas que o tornam ainda mais interessante.
Continuamos andando...
segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
Log de Observação- 11 de Dezembro 2011
Depois de muito tempo sem observar nada , com o final da primavera apresentando um aspecto londrino aqui pela cidade maravilhosa , finalmente o céu abriu. Fim de tarde , céu de anil e pude ver Vênus se pondo atrás do Morro Dois Irmãos. Parecia assinalar a pacificação das comunidades em seu entorno.
Eram cerca de 19:30. Ainda bem claro. Termino minha corrida correndo mais ainda . Chego em casa e começa o furacão . Afasto a mesa , cadeiras e poltrona liberando a janela. Arrasto o telescópio ( o Newton, um refletor de 150 mm ) e aponto o eixo polar para o sul . Aqui da janela eu sei exatamente onde ele deve olhar. Milagrosamente a buscadora esta bem afinada apesar do telescópio ter ficado no canto da sala por mais de 20 dias , sem uso...
Tudo bem a tempo de dar uma olhada na Deusa ainda descendo.
Muito brilhante coloco a tampa no telescópio e o uso com apenas 50 mm . Mais que isto ofuscava minha vista. Coloco a SP10 mm . Mesmo com toda poluição luminosa do mundo percebo ela com cerca de 80% de sua face iluminada. E só.
Vênus não é de se revelar facilmente e a fase não permite tentativas heróicas do tipo ver " Ashen Venus".
Depois disto aguardo a vizinhança sossegar .
As 23:45 volto a carga.
Minha filha já dormiu. E percebo a Falsa Cruz indicando o caminho. Com Canopus já bem alta.
Calço a SP 25 mm na porta ocular e vamos em frente
Observar de uma janela limita muito a area do céu que você pode olhar. Mas já sei por onde vou passear. Carina é uma velha conhecida. Apesar do vizinho da frente não quere colaborar muito e ter a maior parte das suas luzes acesas eu sei que vou ver algo de belo na região.
Rapidamente e quase sem querer percebo um pequeno nó de luz em meio as estrelas desta rica região da Via Láctea. Centralizo na buscadora . Um velho conhecido que há muito não visitava.
NGC 3532 é uma descoberta do Abbe Lacaille e com tem cerca de 50´ x50´. Apresenta um colorido interessante com estrelas de diversas cores. Bem bonito e grande . Um Clássico. Troco a ocular para minha 17 mm e percebo ainda mais detalhes . Tento alguma fotos por método afocal . Os motor drives estão guardados esperando por um local mais espaçoso. Não dá muito certo...
Parto em busca de um eterno favorito IC 2602 . As Plêiades do Sul ao redor de Theta Carina. Coloco a 25 mm de novo para abarcar este monstro. Dispensa comentários . Em uma rapida contegem percebo 22 estrelas .
Por fim , navegando pela ocular chego até a area de NGC 3372 . A nebulosa sofre muito com a poluição mas o diversos aglomerados pela região fazem o serviço e fico passeando por ali mais um pouco.
Esta região que visitei é esteio para o observador urbano carioca. Muitos aglomerados abertos brilhantes o suficiente para sobreviverem até mesmo a mega cidades. E o Horizonte sul na zona sul do Rio é bem defendido . Tirando as Ilhas Cagarras você só encontra terra depois lá nas Falklands...
Não foi muito mas como diz o ditado é melhor pingar do que secar. E depois de mais de um mês de tempo nublado foi uma alegria....
São 00:45
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