terça-feira, 10 de janeiro de 2012

O Aglomerado de Berenice


O Aglomerado da Cabeleira de Berenice é um grande grupo de estrelas visíveis a olho nu. Embora seja um aglomerado muito famoso no hemisfério norte ele não possui o mesmo apreço aqui por nossas bandas. Provavelmente por passear baixo no horizonte norte e se apresentar menos brilhante que em céus boreais. Mas é um dos mais belos campos visuais que já tive por um binóculo. Em algum Lugar entre Alpha Canum (Cor Carolis) e Beta Leonis (Denebola).


Este aglomerado é melhor observado com binóculos e pela buscadora do que com telescópios que acabam fracionando este belo aglomerado galáctico.

Me recordo da primeira vez que o vi. Quase ao acaso. Tinha viajado para Visconde de Mauá. Mais precisamente para o Vale de Santa Clara. O céu era bem escuro e eu tinha comigo meu fiel 10x50. Era um fim de semana de Lua quase nova. O céu bem escuro e eu olhando para o horizonte norte. M 44 era claramente visível a olho nu e passeando com meus olhos pelo horizonte norte percebo baixo, logo acima das montanhas, um nó de estrelas. Dirijo meu binóculo para lá o campo se enche de estrelas. Lindo. Espremendo-se no campo visual do pequeno binóculo.

Curiosamente este belo aglomerado não consta NE do catalogo Messier e tampouco do NGC. Esporadicamente ele é chamado de “Mel 111”. Melotte 111. Um catalogo menos famoso.

Cobrindo uma área de aproximadamente 5º graus de diâmetro este aglomerado possui como membros mais brilhantes as seguintes estrelas de 5ª magnitude: 12, 13, 14, 16 e 21 Comae. Cerca de outras 30 estrelas menos brilhantes foram relacionadas como possíveis membros do aglomerado com mais algumas poucas estrelas talvez ainda aguardando para serem descobertas e associadas. As brilhantes estrelas 15, 18 e 7 Comae parecem não serem fisicamente associadas ao grupo mas ajudam a compor o quadro.

O aglomerado carrega uma interessante história. Ele foi nomeado em honra de Berenice II do Egito, que foi a rainha de Ptolomeu III (246 – 221 AC). Em uma das mais belas lendas celestiais conta-se que Berenice prometeu seus famosos cabelos com “Tranças de âmbar” no templo de Afrodite em Zephyrium no caso do retorno seguro de seu amado Ptolomeu de uma campanha especialmente perigosa. Depois de cumprida a promessa, os cabelos que ficaram em exposição no templo desapareceram e a fim de salvar as aparências e talvez algumas cabeças o astrônomo da corte Conon convenceu o casal real que as tranças sumidas teriam sido transformadas pelos deuses em uma constelação para serem preservadas para a eternidade entre as estrelas.

Algumas moedas recuperadas, conhecidas como as moedas de Berenice mostram a rainha com seus belos cabelos. São Octadaracmas e dodecadracmas do inicio do reinado de Ptolomeu.

Entretanto a ignorância astronômica de nosso casal real parece ter salvado varias cabeças, pois o aglomerado já fora descrito antes. Na verdade este aglomerado em tempos pré- ptolomaicos fazia parte da constelação de leão e marcava o tufo de sua cauda. O nome árabe para o aglomerado leva a essa conclusão. Al Dafirah (O tufo). Erastóstenes, entretanto, no Sec. III AC chama o aglomerado de A cabeleira de Ariadne. E em diversos mapas da idade média ele é associado a uma coroa de trigo que contribuía para a constelação de Virgo.

Há cerca de 250 anos luz o Aglomerado de Berenice é um dos aglomerados mais próximos que conhecemos. Sendo provavelmente suplantado apenas pelo aglomerado das Hyades, em touro. E o aglomerado da Ursa Maior.

A velocidade radial de seus membros é muito próxima a zero e qualquer estrela que componha o quadro e fuja deste parâmetro provavelmente não fará parte deste grupo.

O grupo não possue membros gigantes ainda que o a analise do diagrama H-R do grupo leve a acreditar que seus membros começam a evoluir para este estagio.

A dispersão do grupo sugere que ele esteja se desagregando. Sua densidade estelar é de 1 estrela por 10 parsecs cúbicos . Um valor muito próximo do limite inferior teórico para aglomerados estáveis.


Localizá-lo é fácil desde que em em local escuro. Olhe para o horizonte norte e abaixo de Denebola. Não tem como não perceber o pequeno nó de estrelas que falei no inicio desta matéria.  Em locais com muita poluição luminosa a tarefa se torna bem mais dificil.

Com o auxilio de qualquer binóculo você vai ver um espetáculo com séculos de história.

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