quinta-feira, 29 de setembro de 2016

J.E.S.S. 120 - O Aglomerado nem tão Perdido

          
              Em recente visita ao posto mais avançado do Nuncius Australis , nas terras de onde José Eustáquio e o Pd. Silvano e Silva compilaram e /ou observaram o lendário Catalogo J.E.S.S. de Nebulosas e Objetos Estelares ,  eu acabei fotografando o que poderia ser uma entrada obscura e um interessante campo estelar que acabou por confundir nossos astrônomos seminais .
                O  Catalogo J.E.S.S  é fruto de alguns papéis muito velhos , cartas mais velhas ainda, um "ajuntamento" de tradições orais comuns a pescadores e outros mentirosos na Região dos Lagos no Litoral Norte ( geograficamente falando ele poderia ser chamado de Litoral Leste e a Região dos Lagos de Região das Lagoas .) do Rio de Janeiro  e lendas por mim reunidas. Resultado de uma cruza entre História, Etno-Astronomia, Romance e conversa fiada.  Cientistas sérios e técnicos em geral devem sentir calafrios neste momento...
                De qualquer forma em um dos papéis muito velhos ( pouco mais que uma pedaço de pagina rasgada) encontra-se escrito em moldes que remetem a José Eustáquio :
"  120 - Cardume.  Luminosae -  37 35   17 35- Pequeno e esparso cardume entre  Lam e Kap Sco"


                A descrição do aglomerado como cardume não deixa duvida que a nota é de punho de José Eustáquio. Silvano Silva jamais se permitiu a tal liberdade. A classificação deste como Luminosae ( como Hodierna o fazia) também substância a suspeita.
                Mas entre as notas mais organizadas de nosso Padre desterrado as entradas do catalogo J.E.S.S só chegam até o numero 101. Este então seria um objeto perdido do catalogo.
                Eu mesmo me deparei com este DSO totalmente ao acaso. Na verdade nem ao acaso . Foi um erro mesmo. caçando por Ngc 6400 e com o go-to de Mdm. Herschel sem nenhuma precisão cai neste campo estelar. Posteriormente em analise feita do campo no site da "Astrometry" identificou-se apenas estrelas do Catalogo elaborado por Henry Draper ( HD) na região. Pesquisando no Stellarium não ha nenhum DSO na região. Mas decido aprofundar as investigações e utilizando o Simbad descubro que algumas daquelas estrelas possuem um desvio para o vermelho semelhante e andam em velocidades semelhantes pelo universo. Dai até pesquisar por algumas delas no Cartes do Ciel é um passo. Parece-me que J.E.S.S. 120 existe e compartilha pelo menos uma parte de Cr 338.  Embora as coordenadas deixadas por José não sejam cravadas são mais próximas que muitas entradas aceitas no Catalogo Dunlop e a posição entre Lambda  e Kappa Scorpio não deixa muitas duvidas.

                Este modesto e disperso aglomerado  não possui muita bibliografia. Localizando a distancia até algumas das estrelas do Catalogo Tycho que parecem ser membros reais do mesmo determinei uma distancia estimada entre 2500 e 3000 anos luz de nós.  Segundo o CdC  possui 8a magnitude. Com cerca de 30 ´ de diâmetro aparente e "chutando" uma distancia de 2500 anos luz ele se espalha por mais de 19 anos luz. Algumas das estrelas mais brilhantes   na região são estrelas de massa intermediaria em estado já mais avançado na sequencia principal.   Muitos  dos aglomerados abertos ´próximos  são associados a Cinturão de Gould e possuem estrelas um pouco mais jovens em sua maioria.  De qualquer forma Cr 338 parece ter quase 500.000.000 de anos segundo Dias e Alessi.
                De qualquer forma J,E,S,S, 120 ou Collinder 338 são um campo interessante e que levantam suspeitas. Sendo estes um asterismo ou um DSO " bonne fide" vale uma visita a região.  Na verdade a cauda de Escorpião é uma das áreas mais ricas em aglomerados abertos que conheço. Ha muitos que nunca visitei.
                É importante frisar que o campo que fotografei não engloba toda a área que Cr 336 reside. Supondo que JESS 120 é de fato o grupo fotografado este divide algumas estrelas do sul do aglomerado descrito por Collinder. Mas tendo passeado bem pela região o "cardume" fotografado tem muito mais pinta de aglomerado aberto do que qualquer outro "ajuntamento" em uma área de pelo menos 1o.

                Não posso deixar de recordar algumas entradas no Secret Deep do O´Meara que ele acreditava serem descobertas originais suas e que depois habitavam o Catalogo Alessi. Este um catalogo elaborado por Bruno Alessi , um astrônomo paulista , contém algumas dezenas de entradas e  reúne possíveis aglomerados dispersos e vários asterismos. Eu sei que o trabalho dele já vai mais adiantado mas podem dar uma boa olhada em algumas de suas primeiras  entradas em   http://www.deepskypedia.com/wiki/List:Alessi  . Foi em uma tabela organizada por ele que achei os dados mais confiáveis a respeito de Cr 338.  Parece que Collinder também chegou atrasado ...

                                                                                                                                                                   

                

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