sábado, 13 de abril de 2013

Ngc 6242 - Escondido na Multidão




Ngc 6242 é mais um daqueles injustiçados celestes. É um brilhante aglomerado aberto que estivesse em qualquer outro lugar seria sempre lembrado com uma maravilha galáctica.  Mas para seu azar ele se encontra muito próximo e ao mesmo tempo suficientemente distante de uma das mais dinâmicas áreas da região de Escorpião na via láctea. Na verdade a região da cauda de Escorpião e seu vizinho Sagitário são lar de mais tesouros que qualquer outra no céu.  A região especifica que onde se esconde 6242 é conhecida como a associação OB1 de Escorpião. Esta esparramada família de estrelas jovens marca a locação da gigantesca Região H-II no Braço Galáctico de Escorpião-Carina.

Esta área inclui maravilhas como Zeta1,2(z1,2) Scorpio e o objeto que mais se parece com um cometa (a olho nu) em todo o céu: Ngc 6231 sendo seu núcleo e Trumpler 24 sua cauda.
Pouco mais de 1º ao norte desta maravilha reside Ngc 6242.  Suficientemente distante para você elimina-lo da paisagem em prol das atrações mais proeminentes.
6242 é outra descoberta do Abbe Lacaille durante seu pioneiro levantamento telescópico do céu austral realizado entre 1751 e 52. Ele é a entrada de numero 10 da classe I de seus objetos. Lac I 10. Isto faria dele uma nebulosa sem estrelas. Fica claro como eram modestos os telescópios de Lacaille. Mesmo com meu binóculo 10X50 eu resolvo algumas estrelas no aglomerado. 
Lacaille mesmo diz: “... é possível que todos os objetos nesta classe (I) sejam débeis cometas. O tempo não me permite, em procurando pelo céu, retornar a todos os objetos e verificar se eles permanecem no mesmo lugar.”.

Como não tenho problemas com o tempo posso me deleitar calmamente com Ngc 6242.  Em um primeiro momento ele se apresenta como um esfuminho oval no qual os membros mais brilhantes pipocam facilmente com pouquíssimo esforço em meu 15X70 mm. Percebo algo como uma dúzia de estrelas empacotadas que residem sobre uma névoa de sóis mais distantes.


Utilizando o  “Newton” (meu refletor de 150 mm) e 40X de aumento ele se resolve quase completamente.  Seu núcleo apresenta a forma de um “x” e a leve nebulosidade restante se resolve como vidro moído com o uso de visão periférica. Com mais ampliação ele se resolve plenamente e conto cerca de 70 estrelas.
Uma brilhante estrela amarela se localiza ao sudeste do aglomerado. Ela não é membro do aglomerado e se encontra 1000 anos luz mais próxima que suas companheiras. O Aglomerado em si se encontra 2500 anos luz mais próximo de nós que os mais famosos 6231 e Trumpler 24 que formam o falso cometa e que residem, de fato, na associação OB1 de Escorpião. Mas todos eles habitam o braço interior ao nosso na Via Láctea.
Ngc 6242 é “apagado” em cerca de meia magnitude pela poeira interestelar. Isto é comum devido a se localizar próximo ao plano galáctico.  Assim podemos situar Ngc 6242 a 3600 anos luz do sol e calcular que ele possua 9,5 anos luz de ponta a ponta.

Apesar de eu contar quase 70 estrelas o aglomerado possui apenas cerca de 23 membros. Os outros são estrelas de fundo
A idade calculada do aglomerado é de 50 milhões de anos. O que pode ser considerado bem maduro para um aglomerado deste tipo. Suas estrelas mais maciças já tiveram tempo para tornarem-se supernovas deixando para trás apenas o modesto grupo que citei.
Um mistério ronda nosso convidado e refere-se ao conflito entre as observações dos pioneiros (e armados de telescópios bem mais poderosos que o Abbe...). John Herschel e James Dunlop.
Herschel em sua segunda observação, com um refletor de 450 mm, reporta uma estrela avermelhada de 8ª ou 9ª magnitude no centro do aglomerado.
Dunlop anteriormente (1826) descreve o aglomerado como muito comprimido em direção ao centro, mas não nota nenhuma cor.  
Na sua terceira observação Herschel aponta novamente uma estrela central, mas desta vez não fala em cor.
Mesmo fotos a cores recusam-se a mostrar cor nas estrelas centrais de 6242.
Mais interessante ainda é que nenhum dos dois se refere a evidente estrela amarelada no limite sudeste do aglomerado.
É claro que olhos diferentes veem cores diferentes. Mas o caso nunca foi bem explicado.
Mas como já foi dito olhos diferentes vêem cores diferentes e localizei diversas observações de astrônomos respeitados (Steve Coe, Luginbuhl and Skiff) que não percebem cor em nenhuma estrela . O´Meara percebe o mesmo tom amarelado que eu na estrela sudeste.
Visite este belo aglomerado e veja as suas cores... Ou a ausência delas.

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