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sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Observando M65 e M66

Galáxias são sempre alvos mais difíceis para o observador que gosta de céu profundo. Elas são longe, ténues e geralmente não visíveis por sua buscadora.
Esta época do ano há um premio interessante ao alcance de pequenos telescópios. Talvez até mesmo de binóculos ( Veja Desafios Binoculares). São as galáxias M65 e M66. Localizadas em Leão
Vamos até Chertan nos quartos traseiros... De lá um salto e se chega até Eta Leo. Daí para frente vale o faro. Localize HIP 55262 uma discreta estrela de 7.6 magnitude. Você está muito perto. M66 e M65 estão na ocular. Junto a M66 de 9.0 mag. existe algumas estrelas muito fracas.  Na região você talvez também perceba NGC 3628. Uma terceira galáxia que pertence ao "Triplet" de Leão. Ela é mais apagada que as outras e brilha com 9.5 mag.

M65 é uma galáxia espiral que apesar de sofrer influencia dos outros membros do triplet não sofreu grandes influencias o perturbações dos outros membros. É uma descoberta original de Messier e foi catalogada em  1 de Março de 1780. Algumas fontes atribuem a descoberta a Mechain. Mas Messier não o faz e como este sempre foi justo para com Mechain é provável que isto seja um erro.Mag.9.3

M66 é também uma galáxia em espiral e é a mais brilhante do grupo. Seu braços apresentam algum grau de perturbação . Provavelmente devido a um encontro com NGC 3628. É o maior membro do grupo que batiza. Foi catalogada juntamente com M65 em 1780.Mag.9.0
Veja o Log desta observação em http://nunciusaustralis.blogspot.com/2011/02/astrolog-12-de-fevereiro-2011.html
Curiosamente ele não percebeu estas galáxias em 1773 quando um cometa passou por entre as mesmas. Provavelmente devido ao brilho do cometa.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Desafios Binoculares

Dos autores de livros de astronomia pratica ( Guias e afins...) Phil  Harrigton é um de meus favoritos. Possua alguns livros dele e sua coluna no Cloudy Nights , Phil Harrigton´s Binocular Universe. Este mês ele apresenta alguns desafios que ele propõem em seu novo livro "Cosmic Challenge".
Ele descreve como conseguiu ver a nebulosa cabeça de cavalo com um Fujinon 10x70mm . A formula inclui um céu perfeito , um super binóculo e um mapa bastante detalhado da região.
Mas há um desafio mais "factível". Observar M78 com um 10x50. Segundo o artigo o objeto será visível, ainda que ténue, em céus suburbanos.  Seria ainda um indicador da qualidade do céu. Em céu escuro seria bem evidente. Veja o post sobre M78 no Nuncius. Existe um truque bastante útil para localizar a nebulosa. 
Ele apresenta também um alvo bem fácil. Cr 70 . O Aglomerado que compõem o cinturão de Orion. Um objeto só visível por binóculos tão grande é o aglomerado. Pode parecer incrível mas centenas de estrelas viajam juntas pela Via Láctea. É um aglomerado aberto de fato. Phil diz que a maior parte de seus componentes são estrelas de 9a magnitude . Logo dentro do alcance de binóculos 10x50 em ambientes suburbanos.( Este já observei . É obrigatório)
Isto me colocou com a pulga atrás da orelha . Se 9 magnitude esta dentro do alcance me ocorreu um outro desafio . Será M66 visível com um 10x50mm. E sua parceira M65?

Pretendo tentar a sorte na próxima lua nova. Orion ainda estará bem alto no inicio da noite...

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Astrolog 12 de fevereiro 2011

Sessão observacional : 22:45.
Saquarema
Equipamento: Binóculo 20x50 mm

Uma rapida sessão utilizando meu binóculo. O 20x50 apresenta uma maior magnificação e consequentemente uma imagem um pouco mais escura que o meu habitual 10x50. Por outro lado ele apresenta um maior poder de resolução. Ou seja ele resolve estrelas em aglomerados que o 10x50 só percebe nébula.
Foi uma sessão bem rapida. Comecei pela lua onde pude perceber junto a terminator Longomontanus,Wilhelm e Blancanus. Todas grandes crateras com mais de 100km quadrados . Outras crateras se percebem mais não tão claramenete.
Posteriormente fiz uma rapida inspeção sobre os aglomerados no Falso Cruzeiro. Em uma rapida sucessão percebi claramente :
IC 2391- Junto a Delta Velorum. Resolve-se em varias estrelas.
NGC 2669- Proximo ao anterior. . Só se percebe nebulosidade . Com visão periférica percebi estrelas nos limiar da resolução.
NGC 2516- Se resolve e é um dos mais interessantes aglomerados da região. Proximo a Avior.
IC 2488- Se resolve. Bem brilhante. Próximo a Aspidiske ( Iota Carina)   .
Caixa de Jóias (NGC 4755)- Não chega a se resolver . Se percebem estrlelas com periférica. A lado de beta Crucis. 

Foi só. Acabei por volta de 23:00.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Astrolog 9 de fevereiro 2011

Astrolog de 09/02/11


Equipamento: Newtoniano 150 mm

Oculares utilizadas: SP 25 mm, 17 mm e 10 mm + Barlow 2x

Seeing : Bom

Lunação : 6.8 dias 36.6% iluminada.

Inicio a observação ainda dia claro . A lua vai alta ainda a noroeste. Sigo tendo a oportunidade de acompanhar a lunação aqui de Buzios. As crateras que se destacaram junto a “terminator” (a área da fronteira clara / escura da lua) foram varias .

Ao sul do Mare Tranquilitatis já me dirigindo para o Nectaris (utilizando a ocular de 25 mm) percebo de cara Delambre. Uma cratera muito interessante com 54 km quadrados. Com uma altitude de 1500m desde seu chão acidentado. Apresenta uma montanha central e diversas craterlets. (10 mm).

No extremo norte do Mare Serenitatis (mar da serenidade) observo com a 10 mm Aristóteles e Eudoxus formando um par sensacional. Duas crateras grandes lado a lado no sentido norte-sul.

Aristóteles tem 90 km quadrados. Uma área de chão extensa e plana. Rampas bem íngremes a leste conduzem a Cratera Mitchell.

Mais ao sul Eudoxus. Apresenta um pico central e têm 70 km quadrados. Ao oeste é possível observar os Montes Apeninos cortados pelo “terminator”.

Agora já mais próximo ao Equador lunar percebo próximas e mais a oeste das nossas estrelas de ontem (Theophilus e Cia) as duas crateras que inicialmente me chamaram mais atenção hoje. Abulfeda e Almanon.

Abulfeda é uma cratera danificada com idade entre 3.92 e 3.85 bilhões de anos. (Período Nectaris). Seu nome vem de Ismail Abu- Al- Nida. Um historiador árabe do sec. XIV.

Almanon por sua vez tem cerca de 50 km quadrados e é do mesmo período.

A seguir me encantam três Crateras muito próximas e bem no terminator.

Agrippa, uma Cratera mais recente (3.2 a 1.1 bilhões de anos) flanqueada por uma muito antiga a leste, Tempel. È interessante perceber suas diferenças. Tempel é do período pré- imbriano (entre 4.55 e 3.55 bilhões de anos). E coroando o trio a mais jovem delas: Godin. Do período copernicano (entre 1.1 bilhões até hoje em dia.). É interessante poder comparar as características morfológicas de três crateras de períodos distintos em um único campo ocular.

Finalmente chegamos a sul do terminator e lá eu destacaria Maurolycus e Clairaut.

Clairaut tem 77 km e esta mais ao sul. Apresenta diversas crateras associadas (a, b, c, d e etc..).

Maurolycus é a maior com 117 km quadrados. É uma cratera chamativa.

Com isto estava resolvida a minha observação lunar. Hoje foi um dia realmente valido. Acordei cedo e fui a três diferentes praias. Depois realizei toda a observação de nossa parceira mais próxima até cerca de 20h45min.

Pude aproveitar bem o nascer da noite.

As 19h47min Sirius e júpiter já brilhavam no céu. As 19h52min começo a perceber Orion. Primeiro Betelgeuse e Rigel com as Três Marias de forma discreta. Saiph da o ar de sua graça as 20h00min PM. Pouco depois o céu esta todo aceso.

É tempo de céu profundo. Ainda que com a lua no céu.

Me viro para o horizonte sudeste e assim afasto ao maximo a poluição luminosa gerada pela Sister Moon.



Vamos visitar Puppis, a Popa do navio do Argonautas. Três belos alvos para o inicio da noite.


NGC 2451- Aglomerado facilmente localizável acima da estrela Naos. Brilha com 2.80 de magnitude e é fácil de ser localizado. Primeiro localize Naos. A partir do asterismo do Falso Cruzeiro siga a trilha das estrelas mais brilhantes em direção a Sirius. Naos vai ser a segunda acima de Delta Velorum no falso Cruzeiro. Ou a primeira abaixo de Aludra, bem na ponta do rabo do Cão Maior (constelação). Ele é facilmente visto pela buscadora e c Puppis é uma estrela gigante vermelha que marca bem o seu centro. Utilizei o Stellarium como programa planetário esta noite e ele foi muito bem. É perfeito para estes alvos brilhantes.

NGC 2477- mais discreto que o aglomerado acima. Uma jóia bem mais delicada que brilha com 5.80 de mag.. Fica logo ao sul do aglomerado acima e acho mais fácil localiza-lo a partir de 2451 navegando com uma ocular wide angle (no caso a minha 25 mm). Depois de localizado utilizei a 17 mm para resolver melhor suas estrelas mais fracas. Pode-se partir de Naos e localizar a estrela b Puppis pela buscadora. Ele vai estar bem próximo.Acho o aglomerado mais interessante desta região próxima a Naos.

NGC 2546 – Um aglomerado maior que o anterior ainda que de magnitude 6.30. Achei que é mais claro que isto. Percebi pela buscadora. Partindo-se de Naos calcule um campo de buscadora para Leste. Ele vai aparecer. Usei novamente o Stellarium para calcular a posição aproximada e o achei facilmente combinando as duas buscadoras.

Já mais tarde (23h40min PM) vou atrás de uma conta antiga. Finalmente separo os membros de Algieba. Esta dupla em Leo é em tese fácil. Não separei com 50x. Em 120x desconfio que com um seeing ótimo seja fácil. Em 240 x (10 mm + Barlow) separei claramente. Algieba 1 me parece mais amarelada que sua companheira. Mas pode ser um truque que a tal da ótica esta me pregando...

Visitando o Leão; galáxias por perto. São 00h00min aproximadamente. Vamos até Chertan nos quartos traseiros... De lá um salto e chego até Eta Leo. Daí para frente vale o faro. Localize HIP 55262 uma discreta estrela de 7.6 magnitudes. Você está muito perto. M66 e M65 estão na ocular. Junto a M66 de 9.0 mag. existe algumas estrelas muito fracas. Vejo as duas com visão periférica. Regulo a respiração e percebo uma leve nebulosidade com visão direta. Fico minutos vendo aquelas tênues nebulosidades no campo da ocular de 25 mm. Coloco a 10 mm. Graças às estrelas junto à M66 consigo enquadrar M66. M65 se revela mais difícil. Volto para a 25 mm. E fico namorando as duas um bom tempo. Galáxias são sempre um premio especial. E duas no mesmo campo... Só alegria. M66 apresenta mais “forma”. Ainda que muito pequena nas 25 mm. Nas 10 mm ela fica maior, mas muito escura e é difícil o foco. Céu muito profundo. M 65 e M66, juntamente com NGC 3628 formam o Grupo M66. Há 35.000.000 de anos luz de nós. M65 tem 9.3 de mag. e M66 8.9. M66 é maior e tem braços mais proeminentes sendo ambas espirais. Influenciam-se gravitacional mente. São todas galáxias espirais. M66 é mais fácil de notar a espiral. Podem perceber que M66 foi citada como de magnitude 8.9 e 9.0. Depende da fonte. No Stellarium 9.0 e na pagina da SEDS 8.9.

Voltando a águas mais rasas. Saturno se torna viável por volta da 00h40min. Livra-se das arvores e aparece entre Porrima e Spica ; em Virgem. É sempre um espetáculo. 50x e 120x. Percebo quatro luas e duas estrelas de campo. Ou serão três luas e três estrelas de campo. Depois de uma rápida visita ao Stellarium e decido que vi Titã (essa eu sabia...) e Réia de um lado do planeta e provavelmente Tétis do outro. Poderia ainda ser Dione. As duas estrelas são decididamente HIP 63938 e uma companheira sem batismo. E uma das luas era vontade...

São 00h56min AM. Abro meu vinho e termino a brincadeira de Lobo Solitário. Amanhã volto para o Rio de Janeiro e para a família. Foi uma sessão de observação das mais prazerosas que já tive.

Opa! Ficou faltando observar Ngc 2392 em Gêmeos. A nebulosa do Esquimó. Era o objeto que pretendia desde o começo. Mais cedo achei que 10ª mag. era querer demais com a lua no céu. Agora é tarde. Fica para próxima.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

astrolog- 8 de fevereiro de 2011

Armação dos Buzios
Newtoniano 150mm f8
Seeing 3

Um dia cheio. Acordei e terminei a caixa que estava preparando para transportar o Newton. O tinha deixado para trás na ultima semana e precisava busca-lo. Assim peguei o carro , a caixa e uma muda de roupa e fui brincar de Lobo Solitario. Dois dias para observar sem ninguem para acender luzes . Um pouco solitario mas muito eficiente.
Cheguei a casa de meu irmão e rapidamente organizei as coisas . Montei o telescópio e ajustei as buscadoras.
Um progrema que não fazia a tempos. A lua. Com 29% do disco iluminado ela dominava o entardecer. Jupiter próximo. Começo com a 25 mm e rapidamente percebo o Mare Crisium totalmente iluminado. O Tranquilitatis quase todo. Em sua fronteira com o Mare Serenitatis , próximo aos montes Haemus se destaca Plinius um cratera de 44 x 44 km. Bem proxima ao "terminator".
O maior destaque é para Teophilus ,Cirinus e Cathalina nas margens do Mare Nectaris. Beaumont também faz presença. Aumento a Magnificação e me concentro nas Tres primeiras . primeiro 10mm e depois acrescento uma barlow 2x. 240 x . O seeing suporta bem por longos instantes.
 Depois de passear pelo terminator parto para Jupiter . Já baixo no horizonte oeste. Percebo o gradual retorno do cinturão Sul. Ainda não tão destacado como era praxe. Mas claramente retornando. Os Quatro satelites visiveis.
Já mais tarde um pouco uma rapida sessão de céu profundo. Os Messiers de Auriga. M36 , 37 e 38. A transparencia não me pareceu das melhores .M38 bastante difuso.... O Dia foi cheio. Após perder bastante tempo atras de  M67 e não achar nada desisto. A lua ainda  fazia presença e o cansaço atrapalhava.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Obsevando M45


Um dos aglomerados abertos mais conhecidos. Facilmente localizavel a olho nú. Siga as "Tres Marias" em direção a Aldebarã (Alpha Tauri) siga em frente e vai ver claramente o aglomerado. Em condições urbanas ela me aparece como uma nebulosidade. em Ambientes menos iluminados resolvo seis estrelas.Há quem veja sete. São conhecidas como as "sete irmãs".Existem registros de pessoas de olhos muito afiados e em locais muito escuros que conseguiram visualizar até 18 estrelas a olho nú.  São melhor observaveis entre outubro e março.
As Pleiades são um alvo excelente para binoculos . Cobrem uma area enorme do céu. com telescópios com mais de 150mm é possivel começar a se perceber alguma nebulosidade envolvida. Há controvérsias se a nebulosidade é resto da nebulosa que criou o aglomerado ou se está apenas " na frente do aglomerado". Mais de 200 estrelas já foram contadas.  Esta a cerca de 400 anos luz de nós. A maioria das estrelas se espalha por cerca de 8 anos luz porém suas bordas mais externas apresentam membros por mais de 30  anos luz.
Conhecida desde a antiguidade o aglomerado foi citado por Homero ( c. 750 ac.) . Messier inclui em seu catalogo em 4 de março de 1769. Composta principalmente por estrelas de classe espectral A e B ( jovens estrelas azuis). Como nenhum dos componentes ainda evolui em gigantes vermelhas é amplamente aceito que o aglomerado é bastante jovem . cerca de 50.000.000 de anos ( 1% da idade do Sol).

Observando M13

Visível durante o inverno M13 é um dos mais interessantes globulares do céu . Luta com M22 pelo terceiro posto entre os globulares. Se você mora no hemisfério norte será o primeiro inconteste.
  Localize Vega e Arcturus . Entre estas duas estrelas você vai perceber um trapézio de de estrelas . São representantes de Hercules.Não são muito brilhantes . Serão visíveis em ambiente suburbano.  Localize Eta hércules . Dai será fácil... Entre Zeta e Eta Hercules estará o aglomerado. O aglomerado é flanqueado por duas estrelas de sétima mag. e é claramente percebido em uma buscadora 6x30.
Um telescópio de 150 mm vai resolver inúmeras estrelas em sua  borda.
O aglomerado possui cerca de um milhão de estrelas. A sua parte central cobre mais de 100 anos luz. Esta localizado a cerca de 25.000 anos luz da terra. Grandes telescópios resolvem mais de 30.000 estrelas em suas bordas. seu centro é tão densamente povoado que mesmo grandes telescópios não o resolvem. Pode-se dizer que " densamente" significa uma distancia de cerca de 1 décimo de ano luz. Assim sendo colisões são bem raras. Estas estrelas estão assim concentradas  a pelo menos 10 bilhões de anos. Provavelmente desde a origem da Via Lactea.
Foi registrado pela primeira vez por Halley em  1714 e incluído por Messier em seu catalogo na data de 1 de junho de 1764.