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segunda-feira, 6 de junho de 2016

Ngc 3115- A Galaxia do Fuso


            Ngc 3115 é uma das mais interessantes galaxias ao alcance de pequenos telescópios. Com um brilho de superfície alto ela se destaca mesmo com modestos binóculos.  Mas ao habitar a obscura constelação do Sextante ( Sextans) ela muitas vezes é esquecida pelo amador.  Não foi por acaso que Messier não inclui em seu famoso catalogo. Ela não é muito mais ao sul que a Nebulosa de Órion e nem sequer alvo tão difícil como diversas galaxias que Messier descobriu.  E ainda é uma galaxia próxima a eclíptica tão vasculhada por nosso caçador de cometas.  A maior possibilidade é que Messier tenha deixado escapar o vazio onde reside Sextans como a maior parte dos observadores.  Mesmo lembrando que a galaxia não passeia alta pelos céus de Paris.
                Coube a William Herschel em seu muito mais organizado levantamento localizar Ngc 3115.  Ele a registrou em 23 de abril de 1787. " Extremamente brilhante , consideravelmente grande,muito extensa , 45o com o sul precedendo e o norte seguindo [de sudoeste para nordeste] Possui um núcleo brilhante 2´longo. Fraco ( braço?) 5´longo ( H 1-163)"
                O Adm. Smyth em seu "Cycles" nos conta ainda que Herschel observou a galaxia também com seu  telescópio de 20 pés com o diâmetro reduzido a apenas 150 mm de abertura. Sob estas condições perceber a galaxia era bem mais difícil. Rapidamente percebo que o '"Newton" ( meu refletor de 150 mm e f8) possui uma óptica bem superior ao espelho  de Herschel.  Smyth com seu refrator de 150 mm percebia ainda mais diferença.
                Seu apelido "Galaxia do Fuso" tem raiz no termo em Inglês " The Spindle Galaxy". Suas origens parecem perdidas nas brumas do tempo. Mas Burnham em seu " Celestial Handbook" nos diz " que ela é popularmente chamada de " Spindle Nebula". Repare aí o uso da palavra nébula em vez de galaxia. Isto nos leva a pesquisar tempos mais antigos quando as nebulosas espirais e/ou lenticulares e sua posição no universo eram alvo de intensa discussão.   Mas nada durante este período tão distante nos dá uma dica. Finalmente localizo no "Caldwell Objects" do O´Meara a provavel solução. Hartung em seu " Astronomical Objects for Southern Telescopes"  escreve : " Esta elíptica e extragalactica nebulosa se parece com um brilhante e apontado fuso de fiar ( Spindle)". Lançado em em 1968 e portanto anterior a Burnham... O´Meara descobre uma fonte que utiliza o termo ainda mais antiga em um ( na verdade quem descobre esta é Archinal ...) paper publicado por Pease no Astrophisical Journal  " Photographs  of Nebulae with the 60-inch Reflector 1911-1916" publicado em 1917 .
                Sendo uma galaxia tão brilhante e que escapou a Messier ela achou seu lugar no Catalogo Caldwell com o numero 53.  Este catalogo organizado por Sir Patrick Moore reúne algumas das maiores maravilhas celestiais que escaparam ao caçador de cometas francês. São geralmente alvos um pouco mais difíceis ou austrais  demais. Um belo desafio para fugir de objetos muito manjados e nem por isto impossíveis para possuidores de telescópios mais modesto. C 53 é uma das galaxias mais acessíveis no catalogo Caldwell.

                Localizar Ngc 3115 é mais difícil do que observa-la. Sem o auxilio de uma cabeça equatorial com "go-to" será um exercicío de Starhooping para gente grande. Segundo o patrono da minha coluna favorita na "Sky and Telescope" Walter Scott Houston e seu maior fã Steve O´Meara a melhor forma de se localizar 3115 é esquecer do vazio chamado de Sextans e partir de Hydra. Localizar Alphard ( Alpha Hydrae) não chega a ser difícil já que é uma estrela vermelha e que habita uma area pouco povoada do céu. A tenho utilizada com frequência para alinhar o Synscan de Mme. Herschel ( minha cabeça equatorial) e sei que e difícil confundi-la com outra estrela na sua região do céu. Partindo deste farol  caminhe 9o rumo ao leste e localize duas estrelas de entre 6.5 e 7a magnitude. É possível que perceba ainda 3115 compondo o quadro em sua buscadora. Não chega a ser tão difícil já que a região é pouco povoada.

                Na minha ocular 25 mm ela é evidente e apresenta sua forma de lente mesmo com visão direta. Com a 17 mm ela é ainda mais obvia e seu núcleo destaca-se.
                Hubble  classificou Ngc 3115 como uma galaxia elíptica E7 na escala inventada por ele , ele mesmo e o próprio. Uma elíptica quase transitando em lenticular. Hoje em dia ela é considerada uma lenticular pura ( S0).   Posteriormente o Telescópio Hubble indicou a presença de um super maciço buraco negro em seu núcleo com uma massa de 2 bilhões de sóis. Foi o terceiro buraco negro super maciço documentado no núcleo de uma galaxia pelo HST.   A confirmação foi detalhada em 10 de março de 1996 no mesmo Astro-physical Journal que registrou a alcunha de " Spindle" para Ngc 3115 .  Exatamente  79 anos antes.
                Localizada a 22 milhões de anos luz de nós a galaxia cobre 40.000 anos luz de universo e brilha como 7 bilhões de sóis. Se apresenta quase de perfil para nós.
                Ele é percebida pela minha buscadora 9X50 mm discretamente de Búzios. De áreas ainda mais claras ela será um desafio para pequenos telescópios.
                Uma galaxia "fácil" de ser observada.  E mais fácil ainda de ser fotografada

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