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quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

O Deep Sky Stacker e a Vingaça da Tarântula

      
     

          No ultimo post falei sobre a Nebulosa da Tarântula. Ngc 2070. Tratando-se de um DSO extra galáctico não é exatamente  um objeto simples de ser fotografado. Especialmente em condições de forte poluição luminosa como no "Stonehenge dos Pobres". Nada como os aglomerados abertos tão mais comuns no Catalogo Lacaille e consequentemente a especialidade desta casa. A Tarantula foi um dos últimos membros do catalogo a ser registrado...
            Caso queira saber mais sobre os DSO´S da Grande Nuvem de Magalhães clique aqui. Ou aqui.http://www.mnassa.org.za/html/Feb2011/2011MNASSA..70..Feb..29.pdf
            Este post é dedicado para aqueles que se interessam pela tal da  astro fotografia e desejam tomar pé sobre as capacidades do Deep Sky Stacker  e  seus poderes para revelar o universo.  Pressupõe também algum conhecimento prévio sobre a matéria...
            Como ha séculos não fotografava DSO algum e muito menos "brincava de laboratorista" com meus programas cometi uma injustiça.
            Todas as fotos apresentadas no ultimo post foram "empilhadas" (stacking) com o auxilio do Rot and Stack (RnS).
            E  falei que o Deep Sky Stacker (DSS) é um programa cheio de manias.
            Não chega a ser mentira. Mas em nome da justiça não posso deixar de dizer que apesar disto ele é um programa muito mais poderoso que o RnS.
            O RnS é um programa amigo de  iniciantes e de preguiçosos. Mesmo sendo necessário um numero muito maior de "clicks" de mouse para determinar os pontos de alinhamento em cada um dos frames a serem alinhados ( ele possue a opção de determinar de forma automática os pontos de alinhamento, mas não recomendo...). No caso de nosso post anterior significaram 140 clicks para 70 frames. Mas ele permite que a preguiça se apresente de outra forma. Sendo um programa bom para os iniciante ele irá empilhar qualquer coisa que você ofereça pontos para sua orientação ( são os 140 "clicks" que falei). Fora isto ele dispensa foco, alinhamento polar , dark , flats e cia LTDA. no momento da captura de suas imagens. Um programam bom para preguiçosos e sua interface é a prova de imbecis...
            Abaixo alguns dos resultados obtidos com ele. Percebam que a foto do modo Sort parece boa. Mas é também atingida por muita "pirotecnia"... De qualquer forma aí estão todos os 70 frames que mandei empilhar. Obediente...
Este é o resultado de horas de processamento posterior ao stacking feito no RnS
               
Modo Mean do RnS. O mais reaalista...

Modo Sort

               Já o DSS demanda e oferece mais finesse.
            No post passado eu me encontrava por demais afoito em fotografar algo e ver resultados. Desta forma o DSS simplesmente me ignorou e apesar das tentativas os resultados finais não apresentavam nenhuma imagem sequer semelhante a Ngc 2070.
            Logo apelei para o RnS e consegui minhas fotos e meu post ha tanto sonhado. Os últimos meses foram uma maratona de trabalho e o Blog assim como os céus se encontravam bem abandonados.
            Não podia me deixar ser vencido pela mãe de todos os vicios e assim com mais calma resolvi obter uma foto digna da Tarântula utilizando o DSS como laboratório.
            A primeira coisa foi obter Dark Frames. 25 deles. E também 15 flat frames.  
            È claro que como quase tudo aqui no Nuncius Australis eles não foram obtidos pelo método indicado pela mídia especializada e nem pelo bom senso. Os Black frames foram simplesmente obtido com a tampa da lente montada em minha 50 mm. E os flats foram feitos embrulhando a câmera com sua 50 mm em uma camisa branca e apontando para uma lampada Day Light que mora em meu quarto...
            O DSS possui varias opções de calibragem para realizar o stacking no menu "Parâmetros de Integração". Em primeiro lugar eu alterei o método pelo qual o programa determina o resultado final do processo de empilhamento ( stacking). Mudei a configuração do modo standart para o modo de Intersecção. Este era mais apropriado para as fotos que obtive e com um acompanhamento dos mais medíocres. Desta forma garantiria que alguma coisa estivesse alinhada com a mesma coisa na coleção de frames bem diferentes uns dos outros.

            Depois alterei o  o modo Light de Kappa Sigma para Proporção. Não sei o porque . Foi mais um sentimento e o fato de que na véspera utilizara o Kappa Sigma com resultados nefastos...
            Por fim  fui no menu "registrar configurações". E na aba " Avançado" baixei a detecção threshold  da estrela para apenas 4%. Mais que isto e o DSS não aceitava empilhar nada... Cheio de frescura.

            Com isto e sem medo de ser feliz mandei empilhar tudo... 69 frames de light,25 darks e 15 flats.
            Depois de muito minutos de processamento o DSS fabricou um Master dark e um master flat os quais foram subtraídos dos 28 melhores light frames escolhidos por ele e me deu um resultado que se não bom pelo menos aceitável.
            Depois disto esta foto ainda visitou o Photo Shop CS5 e o Noiseware.  Não utilizei o IRIS , mas ele seria capaz de gerar um fundo negro para foto e disfarçar a vinhetagem. Para saber mais sobre estes e outros programas clique aqui.
            Depois disto tentei varias outras combinações mas a única que apresentou um resultado ( ainda que pífio) aceitável foi utilizando no modo Light dos parâmetros de integração o método High Entropy. Mas como podem perceber o  ruído foi parar na lua.. Com o Auxilio do Photoshop e do Noiseware as coisas ficaram um pouco melhor. Neste método o DSS só empilhou 19 dos 69 light frames...




           E com o Kappa Sigma os resultados , mesmo utilizando Darks e Flats , foram abaixo da critica. Melhor dizendo : da autocritica...
           
            Os resultados obtidos com o DSS são sempre mais naturais que os obtidos com os algoritmos dos Rns. O Modo mean do RnS é o que mais se assemelha aos resultados do DSS.
             Acredito que se possuísse um equipamento melhor ( uma cabeça equatorial mais solida e precisa...) eu usaria mais o DSS. Mas no meu humilde set up o RnS se encaixa melhor.  É fundamental lembrar que ambos tem uma relação de dependência com outros programas. O Photoshop (ou o Lightroom ou o GIMP e etc...)  é fundamental para o tratamento após o processo de stacking. 
            
Ngc 2070 - 28 de 69 light frames de 10 segundos de exposição+ 16 darks+ 12 flats- ASA3200 empilhados no DSS. Posteriormente a imagem foi submetida ao Photo shop CS 5 e o Noiseware.
Canon T3 + Newtoniano 1200mm 
P.S.  I    Combatendo o maior de todos os vícios em doses homeopáticas levei o produto final mais bem acabado obtido com o DSS e que já havia visitado o PhotoShop e O Noiseware algumas vezes para fazer um tour pelo IRIS. Este é um progrma bastante  complexo mas que realiza diversos milagres. Depois de conseguir um fundo sintético para a nossa foto de Ngc 2070 ele conseguiu eliminar a vinheta e uma parte do ruido pré-existente. Mais uma visita ao Photoshop e é este o resultado final da peregrinação de nosso light frames. ( acrescente isto aos 160.000 anos luz que estes já haviam viajado e tenha uma ideia de quão longa é a jornada deste fótons até você...)          


Com visita ao Noiseware...

Sem visita ao Noiseware...

         Ainda acho que o DSS vai requerer mais estudo e prática de minha parte para que se torne a primeira opção aqui pelo Nuncius Australis. Mas os resultados são muito mais naturais e a razão sinal é incrementada de uma forma muito mais bem feita que no RnS. 


P.S. II - Anos passaram-se e o DSS virou um amigo mais próximo. A primeira coisa que você deve fazer é esquecer os modos Kappa Sigma e Proporção para realizar o empilhamento. Os melhores resultados serão obtidos no modo HDR ( Proporções avaliadas de Entropia).   O Rns é uma memória quase distante ( que as vezes uso para brincar... seu resultados são "divertidos"). Atualmente utilizo o DSS para empilhar os frames e realizo o pós processsamento com o PixInSight 1.8. O set up tembém melhorou. Utilizo uma Canon T 3 e a cabeça equatorial se tornou uma HEQ 5 pro. A foto abaixo demonstra bem como as coisas evoluem se vc insistir... foi realizada na Rua da Passagem com muito mais poluição luminosa que as apresentadas acima. E foram feitos 30 frames de 30 seg. com ISO 1600.  O Pix empilha também mas é bem mais enrolado e o DSS chega a resultados semelhantes com bem menos esforço. É possível que um dia eu volte aqui e diga que passei a empilhar no Pix. conheço muito poucas pessoas que o façam.. Mesmo astrofotografos muito mais sérios que eu prefrem empilhar no DSS também.  As fotos abaixo demonstram bem como as coisas evoluiram.


       

            São dois tratamentos muito semelhantes. E descobrir recursos no Photoshop também será uma parte importante da evolução...





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terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Ngc 2070 : A Nebulosa da Tarântula e Outros Amigos

            



             Após muito tempo sem poder me dedicar aos meus tão amados D.S.O´s (um anglicismo e uma sigla: Deep Sky Objects) eu finalmente tinha a chance de tentar a sorte com um dos poucos objetos descobertos pelo meu tão caro Abbe Lacaille que eu ainda não tinha fotografado. Ngc  2070. A Nebulosa da Tarântula. 

A foto que originalmente abriu  este post. A que abre atualmente é resultado de uma captura posterior e de um processamento bem diferente. O PixInSight combinado com o DSS apresenta resultados melhores que os que obtia nos primórdios...

 

            Localizada na Grande Nuvem de Magalhães, uma das galáxias mais próximas de nós no grupo Local, ela é um objeto fácil de perceber-se de locais mais escuros que o Rio de Janeiro. Na verdade a GNM é facilmente percebida a olho nu de ambientes rurais. Sua presença tão óbvia que seus registros remontam a Américo Vespúcio no ano de 1503. Mas os registros de Magalhães em sua saga pelos mares austrais levaram a melhor e este acabou por ter seu nome eternizado no firmamento. Vespúcio por sua vez desbancou Colombo e teve seu nome eternizado em forma de continente... 
           
            Ngc 2070 é apenas um dos DSO´s ao alcance de meu querido " Newton" (meu refletor de 150mm) que habitam a GNM.                             . 
           
      Mas como continuo com o "Projeto Lacaille" e assim devo fotografar todos os membros do catalogo realizado pelo abade francês em seu levantamento dos céus do sul realizado entre 1751 e 1752 na Cidade do Cabo "ela" (A Tarântula) seria meu alvo primordial na caçada desta noite.
           
             De lambuja eu levaria para casa mais algumas presas intergalácticas. 

            A Nebulosa da Tarântula é extremamente brilhante (em céus muito escuros e por volta do sec.XVI) e devido a isto foi inicialmente confundida por uma estrela.. Daí seu nome 30 Dourado. Evidentemente que a GNM mora dentro das fronteiras da constelação de Dourado.
            Também conhecida com Bennet 35 a grande Nebulosa da Tarântula dispensa comentários sobre a razão deste apelido.                        . 

            Tarântula é na verdade uma coleção de DSO´s com Ngc 2070 sendo o coração da mesma. No centro da mesma reside o aglomerado R 136 onde foram recentemente descobertas algumas das estrelas mais maciças conhecidas no universo. Algumas (suspeita-se...) com mais de 200 massas solares               . 
           
            Situada aproximadamente a 190.000 AL de nós a nebulosa se espalha por entre 600 e 700 anos luz em diâmetro. Reza a lenda que fosse ela tão próxima quanto a Nebulosa de Órion  lançaria sombras na noite...                       
           
            A nebulosa lança longos braços de gentil nebulosidade rasgada por canais mais escuros e um núcleo extremamente brilhante ( R 136). 
             É uma região HII e uma das áreas de mais intensa formação estelar conhecidas no universo próximo.

            Foi nas bordas da Tarântula que explodiu a Supernova 1987. Foi uma explosão titânica e deixou provavelmente uma estrela de Nêutrons de recordação... A estrela Sanduleak -69o 202 brilhava com magnitude 11.7 antes da explosão. Explodiu com a força de de 100.000.000 de sóis e brilhou 2000 x mais forte que antes. Ainda que atualmente brilhando 1.000.000 de vezes menos que em sua glória ela começa a apresentar ecos de luz que começam a mostrar seus arredores... 
           
            Star hopping no Rio de Janeiro não é para impacientes ou fracos de espírito. Em geral você tem que começar bem longe de seu destino o e contar com a pratica e a sorte para achar seu destino final. Não poucas vezes mirei no que vi e acertei no que não queria ver.                                    . 
           

           

           
              Meu caminho até Ngc 2070 começa em Canopus. ( a Carina) e com esta centralizada na ocular eu calculo um pulo de cerca de 13 graus para o Oeste e assim espero estar por perto de b Dourado. Após diversas tentativas acredito estar com a segunda estrela centrada na Buscadora. E assim partir par a ocular. Estou usando minha Plossl 25 mm e depois de um ensaio realizado no Stellarium calculo os movimentos que me levarão até a Tarântula... Ela não será visível pela buscadora em tempos de obras faraônicas ao pé do Observatório mais urbano do mundo... Antes das obras do metro eu conseguia percebe-la ainda que de forma discreta em minha 9x50 mm. 
            Claro que a lua já vai em seu primeiro quarto. Afinal porque tentar o que é fácil...
            Partindo de b  devo localizar d Dourado e desta dar um pequeno salto para Ngc 2070. Utilizando-se uma ocular com cerca de 1 grau de campo de visão a tarefa exige um pouco de paciência e concentração. Após algumas tentativas , sempre voltando até b eu acabo com a Tarântula centralizada e com diversos DSO´s extra galácticos escondidos no campo. Nenhum deles é tão evidente quanto 2070 e só percebo (com visão periférica) Ngc 2100. Os outros DSO vistos nas fotos são fruto da sensibilidade do sensor e de muito pós processamento das imagens obtidas          
70 EXP DE +- 10 SEG - Canon T3 refletor 150 mm. Rot and Stack + PS CS 5+ Noiseware - imagem ampliada e cropada posteriormente no PhotoShop
. 
           
            Realizei cerca de 70 exposições com diferentes tempos e diferentes asas. O grosso do caldo consiste de exposições de 10 segundos com asa 3200. Foram utilizadas também no empilhamento cerca de 12 fotos feitas com exposições de 15 segundos e ainda algumas de 10 seg. e 15 segundos com asa 6400. Deste samba do crioulo doido obtive melhores resultados utilizando o Rot and Stack que o Deep Sky Stacker. As fotos sofrem de um foco bastante soft e o RnS é mais "pé de boi" e lida melhor com as capturas desastradas que são uma marca registrada no Nuncius Australis.  A foto que abre este post foi realizada depois do post original.  E é resultado de algumas dezenas de exposições de 20 seg. com asa 3200. Fotos realizadas em Búzios em condições bem melhores que as originais. O DSS , o FITSWORK  e o Photoshop foram utilizados no pós-processamento

            .           Astro fotografia é a melhor diversão e alinhamento polar é algo muito chato de fazer-se a sério.                       . 
           
            Foi  ainda utilizado o Photoshop CS 5                  .                   
           
            As fotos demonstram a riqueza que a GNM apresenta facilmente em ambientes bem escuros. Sempre me recordo de um passeio pela mesma que fiz de um lugar longe e escuro. E utilizando apenas meuquerido "Pau de dar em doido " (meu binoculo 15x70mm). 

            Existem diversos DSO´s no campo desta foto.        
Os DSO´s destacados (além de 2070) são apenas os mais faceis de serem visualizados . Mesmo assim não espere moleza em areas urbanas.
      . 

           
            Ngc 2100 é um aglomerado aberto. Tem cerca de 15 milhões de anos e esta localizada a aproximadamente 163.000 AL. Embora seu formato 
as vezes nos confunda com um globular trata-se de um aglomerado aberto bastante denso 

Ngc 2074 é um aglomerado aberto com nebulosidade envolvida. É uma descoberta de John Herschel 
(O Filho).                              . 

            E por fim 2080 é outra região H II de intensa formação estelar também conhecida como Nebulosa cabeça de fantasma ( Ghost Head Nebula). Outra descoberta do filho de Sir William Herschel. 
           
            Na foto ainda podemos perceber de forma discreta diversas outras formações. E apesar dos pesares confirma-se a minha suspeita de que só não vê nada no céu quem não tenta.

               Alguns devaneios:
- Nunca pendure o controle ou o batery pack do motor drive na sua cabeça equatorial.
-O Auto dark frame do RnS é verde...
-O uso de um dark frame capturado por você melhora o resultado. Mas ele tem que ser salvo em PNG.
- O Deep Sky Stacker é um programa cheio de manias...  



Abaixo varias fotos e diferentes resultados....
Modo Mean do RnS

1 exp. 15 segundos asa 3200

Modo sort do RnS com auto dark frame
           

                         

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Cinema, Astrofotografia e Vênus

            
           
 As ultimas doze semanas foram uma experiência sensorial para o Nuncius Australis.
                            
             Também tempos de muito trabalho e estresse.

         E  ainda uma aula de fotografia.  Junto a um premiado fotógrafo americano (de origem filipina) revelaram-se dias difíceis em diversos sentidos. Há começar por jornadas de mais de 15 horas de trabalho. Seis dias por semana. Não fosse só isto já bastante duro o meu querido e cosmopolita chefe possui um curiosos sistema de trabalho. 

            Ele possui um sistema de rádio o qual ele distribui para alguns " cúmplices" no set. Este rádio tem um código de uso bastante específico. Basicamente ele fala e você esta autorizado a dizer somente o essencial. Evidentemente ele mantém seu rádio " aberto" o tempo todo. Assim você vai escutar tudo que ele diz  (e pensa ...) para a 1a assistente de direção, os operadores de câmera, os 1o´s assistentes de câmera, o D.I.T (Digital Image Technician) e eu. Nove candidatos o insanidade. Cada um com seus problemas mas sabendo do problema de todos. 
Mad Man´s Making Machine (MMMM)


            E escutando o chefe bufando... 

           Este bufar a maior parte do tempo era causado pela pouca experiência da dupla de meninos e irmãos que foram nomeados diretores de nosso filme.

             Ambos pouco queridos por todos e chamados ao final da missão de Ass and Hole, the Animalist Brother´s 
Ass and Hole dirigindo...

           
            Ele também tinha como vítimas favoritas a assistente de direção e o operador da 3a câmera.
           
            Isto tudo no meu ouvido esquerdo. No ouvido direito  outro rádio com o qual me comunicava com o resto da equipe. Incluindo aí meus companheiros da elétrica e maquinaria. Bem como a tal da produção.
             
          Apesar do cenário a experiência foi um work shop de fotografia impagável (melhor ainda: me pagaram para isto). 



            Mas a chances de se praticar qualquer coisa semelhante a astronomia eram remotas. Na verdade a única vez que olhei para o firmamento foi após uma virada de noite em um campo de futebol. 
Órion, ao amanhecer, vem voltando por aí e o verão esta chegando ... 
           
            Anotei em algum lugar que as luzes que eu montava não deviam ser notadas nas paredes, que a compensação (também chamado de fill light...) deve sempre vir ir do mesmo lado que o sol ou o ataque (também chamado de key light.) E noções de exposição e composição.
Substituindo a noite pelo dia...

Going big...

Sem luz nas paredes... Usando saias e "baffles"

           
            Para coroar o evento o filme foi realizado com uma nova câmera.

'           A "R.E.D Dragon". Uma câmera digital com um novo sensor capaz de" filmar o invisível"... 
"Riding the Dragon..."
     

            Existem apenas quatro delas. Três estavam em nosso set.
           
            Nosso diretor de fotografia e querido chefinho é realmente F... 

            A quem interessar possa: Foi resolvido que as sombras ainda se apresentam melhor na concorrente (ALEXA),


            Depois de tanta cinematografia eu queria relaxar. Astro fotografia... 

            Entre o final desta longa maratona e o inicio de um pequeno curta da serie "Rio Eu te Amo" eu finalmente me aproximei do "Newton" (meu refletor de 150 mm). 

            Como a tal da fotografia tem significado muito esforço nestes últimos tempos eu não queria nada muito difícil. 
           
            Me esquecendo que a rotina junto ao telescópio, geralmente, significa muito suor nas noites quentes do verão eu resolvi escolher um alvo que dispensaria alinhamento polar e menos ainda uma caça atenta junto à buscadora. Vênus se pondo pouco após o astro rei seria uma vítima óbvia. 

            Antes de começar a suar alinhando a buscadora do Newtoniano há meses esquecido eu resolvi brincar mais um pouco de cinema (maldita cachaça...) e assim fiz algumas fotos que poderiam ser chamadas de "Establishing Shots". Nelas podemos localizar a paisagem por cima de onde a Deusa do Amor iria se apresentar. E também mostrar as condições extremas do observatório mais urbano que conheço... 

            Diversas combinações de velocidades de obturação e de números f´s levam a resultados diferentes e ainda mais diferentes com um passeio pela 18-55mm (Lente zoom). 
           
            Agora já com o telescópio apontado para vítima podemos perceber como se desenvolve o processo fotográfico aqui no Nuncius Australis.
           
            Ao contrário de quando a trabalho a idéia aqui é lazer.   As coisas são sempre "meio nas coxas". Por tentativa e erro descubro que o "Newton" funciona melhor quando rebaixado a meros 50 mm de diâmetro. Desta forma ele se torna uma lente com 1200 m e f 24. Podemos perceber que nas primeiras fotos do dia não percebemos nada.   
Superexposto...


            Super exposto seria uma delicadeza e não seria exatamente o adjetivo correto. 
Sendo um objeto muito brilhante o foco não chega a ser difícil e após o "rebaixamento" do refletor consigo algumas imagens que sem nenhum detalhe apresentam bem a fase em que se encontra Vênus. Dificilmente conseguirei algo além disso. Vênus não é exatamente um planeta com muito detalhes. Menos ainda sendo fotografado com DSLR´s.  Espero um dia me dedicar a fotografia planetária utilizando web cams e o Registax. Parece-me ser o melhor custo-beneficio disponível para a atual tecnologia.



Comparando exposições. Sem o uso de Barlow. A esquerda o obturador esta regulado para 1/640 e a Direita 1/320.

           
            Mas seguindo minha metodologia cinematográfica não poderia impedir o próximo passo. Fechar ainda mais o plano. Percebam a diferença de "tamanho" de nossa "estrela".   


Sem Barlow a esquerda. O tamanho "dobra".

           
            Agora com uma Barlow 2x calçada no telescópio eu utilizo novamente os 150 mm de diâmetro de minha "lente" e a promovo a uma 2400 mm. Após novas experiências com o obturador eu consigo uma exposição ao menos decente e faço diversas fotos. 

            Para encerrar a missão brinco de D.I.T. (Digital Image Technician) e "estico" um pouco as fotos no Photoshop e empilho as 6 melhores no Rot and Stack. Vale pela brincadeira. As fotos continuam apenas apresentando a fase do planeta e um certo desvio para o laranja, ou talvez magenta, na borda  exterior do planeta.  Abaixo as versões Máximo , Médio e Minimo do RnS.



            Logicamente que as "Cinzas deVênus" continuam sem nenhum registro fotográfico. Mas o registro das fases de Vênus foram um daqueles " grandes passos para a humanidade"....
           
            Claro que com tanta "cinematografia" eu não poderia deixar de realizar mais algumas coberturas da paisagem utilizando uma velha 75-300 mm. Todas fora do foco e tremidas. Como não poderia deixar de ser. Lazer...
           
            Astro fotografia é a maior diversão. Cinema dá muito trabalho...


( Este texto é baseado em fatos reais. Alguns nomes e locais foram alterados para preservar a identidade  dos envolvidos...) 

domingo, 22 de setembro de 2013

A Lua , Vênus , Piratas Liberianos e a Astronomia do Cotidiano

                

               Operando com bandeira Liberiana e engajado em um projeto cinematográfico que apresenta um mecenas peruano, um diretor de fotografia oscarizado de origem filipina, diretores americanos muito confusos  e contando a história de uma lenda futebolística brasileira tenho estado com pouquíssimas chances de me dedicar à meu tão caro hobby.
                 E assim aproveitando uma posição favorável da lua em minha janela no "Stonehenge do Pobres" fiz uma rápida sessão fotográfica e posteriormente ( com o auxilio do Virtual Moon Atlas) localizei as formações mais evidentes em Selene. Astronomia na sua mais pura forma.  Eainda uma forma de me solidarizar com meu querido Uncle Rod e seu projeto de fotografar as 300 formações mais significativas de nosso satélite. 
                Fotografar a Lua é sempre divertido e muito menos complexo que DSO´s. Utilizando rápidas exposições ela dispensa alinhamento polar e outra dores de cabeça. E permite que utilize minha Barlow para ajudar na montagem em foco direto. Desta forma meu telescópio simula uma Lente de 2400 mm e F16. 

                   Fiz também algumas fotos com a uma zoom 75-300 mm. A lua é um alvo ao alcance de quase qualquer equipamento e cada um apresenta características distintas de Selene.

                Ainda na seara da "Astronomia do Cotidiano" que é tão cara ao Nuncius Australis  aproveitei uma missão paterna ( buscar minha filha de uma excursão do colégio) para realizar algumas fotos a partir do " Parque dos Patins"  situado na Lagoa Rodrigo de Freitas.
Vênus com Saturno abaixo e à direita


                Sem maiores pretensões fiz diversas imagens de Vênus utilizando tanto minha 17-70 mm como a 75-300 mm. Enquanto a primeira permite algumas composições de caráter mais " artístico" a segunda surpreende e permita ( com auxilio de zoom digital...) perceber a fase que se encontra o planeta mais quente do sistema solar.  Com pouco mais de 60% de seu disco iluminado ele se apresenta de forma oblonga e inequívoca para a pequena tele objetiva.  Chego a perceber alguns padrões na cobertura de nuvens do acalorado planeta. Pode-se ainda perceber Saturno como uma apagada estrela abaixo de Vênus na imagem mais aberta...   
                    
                Outra incrível constatação é de como Vênus suporta níveis absurdos de poluição luminosa e chega a competir com postes  e suas luzes cheias de sódio... Percebo também que a série EF de lentes da Canon  ( a mais "tabajara" delas...) apresenta forte aberração cromática...
                     Antes do fim  faço uma visita ao Cristo com seus braços abertos sobre a Guanabara. E também ao espelho d´água da lagoa e seus reflexos.






                 Acho que a primavera será dedicada a tarefas mais mundanas que à astronomia.  Mas espero poder aproveitar os céus escuros de uma  Bauru cenográfica onde estarei filmando ao longo do próximo mês.   Afinal o céu também se apresenta para ospiratas liberianos