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sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

De volta ao Sul - Log de 3 de Fevereiro 2012

Apesar da lua a primeira sessão de observação com o Vanguard 10x50 abaixo do equador Foi surpreendente. O Novo binóculo revelou diversos esfuminhos que sequer eram possíveis de se suspeitar utilizando o Sumax.


Navegando por um céu conhecido e com o uso de todas as técnicas que conheço (averted vision, balançar o binóculo, respiração e etc...) ele revelou diversos DSO que são desafiadores em céus urbanos e especialmente com a presença da lua.

Este log. pode ser considerado um post-scriptum da avaliação que apresentei no ultimo post.

Já de madrugada resolvo aproveitar que os vizinhos já tinham encerrado suas funções e aproveitar a boa transparência que o céu apresentava.

Começo pelo Cruzeiro. Tudo no lugar. Percebo a caixa de Jóias e seu shape triangular. Noto que a noite esta boa. Resolvo forçar a barra. E com paciência percebo de forma discreta vários aglomerados galácticos que existem na constelação. Todos bem discretos e alvos binoculares difíceis. NGC 4609 na borda do Saco de Carvão se faz presente. Ngc 4349 idem. Alvos difíceis. Quase um espírito...

Depois o Centauro. Omega sempre faz uma graça e começo por ali. Bem melhor que no Sumax. Percebe-se alguma granulosidade.

Escondido abaixo de Beta Cen NGC 5281 também comparece. Apesar de sua magnitude é bem discreto e raramente o percebo no Rio. Mas bem presente com averted.

Outro desafio esta em Musca e o novo binóculo não desaponta. A pequena estrela enevoada não deixa duvida. Ngc 4833 um dos globs mais austrais.

Parto para Carina e aí é festa. Eta Carina e a nebulosa, Plêiades do Sul e Ngc 4766 em um rápido passeio.

Encerrando os clássicos próximos ao Falso Cruzeiro. IC 2391 (que gosto de chamar de a Pequena Cassiopéia) e Ngc 2516 com bastantes detalhes.

Um belo retorno ao céu austral e bastante satisfeito com a nova aquisição...



quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Vanguard 10x50



                Em uma visita a Maison de L´Astronomie, situada na Rua Rivoli 33 (bem próxima ao Museu do Louvre) comprei um binóculo Vanguard 10x50. 
                Cercado de Fujinons, Nikons, Leicas e Swaroskis e etc... ele era a ovelha negra da loja. E também o único que cabia em meu orçamento. Eur$ 99,00. 
                É um Binóculo porro prismático, Bak 4. Suas imagens são muito claras e definidas. Carrega a sina de ser Made in China...
                   O Vanguard é facilmente encontrado no Brasil .
                Em observações diurnas, usando o Sumax 10x50 como comparação, ele suplantou o meu antigo favorito em todos os quesitos. As imagens sempre mais claras e melhor definidas. O foco mais fácil e bla bla bla...
                Em Paris a observação astronômica é possível, mas não é exatamente o que se pode chamar de “piece de Resistance”.
                Em sua missão-turístico-astronômica o Nuncius Australis achou melhor abandonar a Cidade Luz para testar sua nova aquisição. A próxima perna da viagem era mais promissora. O sul da França prometia céus mais escuros. E Assim foi.
                A próxima parada foi em Grasse. Próxima a Cannes a antiga cidade é conhecida como a capital do perfume. E apresenta um céu bastante honesto (Bortle 4) .
Com tudo de cabeça para baixo e um monte de constelações novas para explorar me dispus a sair do apartamento de minha cunhada com um frio de rachar e caçar um canto escuro no condomínio para testar a nova peça.
O binóculo apresenta excelentes características e o anel de foco central é bem justo. Assim como a dioptria (somente no olho direito). Um pouco pesado para um 10x50. Atribui isso a uma possível ótica mais apurada que o meu querido Sumax.
Seu corpo é emborrachado e ele se diz” weather resistant” ( resistente ao clima).A empunhadura é confortável. Mas devido ao frio a condensação vai me perseguir ao longo de toda viagem. Mantinha sempre o bino dentro de meu casaco quando não observando. Apresenta um bom eye relief e o utilizei com e sem óculos. O uso de lentes não chega a atrapalhar o usuário. 
Para começar os trabalhos recorro a constelações bem conhecidas e começo a gostar da brincadeira. Com Orion e Auriga muito altos no céu (o céu aqui é diferente...) rapidamente reconheço todos os clássicos. M42, M36, M37, M38 e mais varias “fuzzies” do NGC que não me dou a trabalho de tirar a limpo.
A seguir M45 mostra toda a potencialidade do no Binóculo. Dezenas de estrelas se revelam e praticamente lotam o campo de 7 graus do Vanguard. A posição muito alta da Pleyades nesta latitude deve colaborar mas eu nunca a tinha visto tão rica. O novo brinquedo marca vários pontos.
As Hyades também se mostram “a vero”. Grandes aglomerados abertos são o máximo no Vanguard. Seu campo grande, de 7º, mostra-se muito útil.  
Agora as novidades.
A próxima parada é em Valberg. O pequeno vilarejo encravado no Departamento do Alpes Provençais é conhecido como o porto de entrada para o Parque de Mercantour. Não vou falar mais sobre céu escuro. ( Talvez um pouco...) 
Depois de subir uma pequena encosta e me afastar das luzes do vilarejo parto para as novidades.
A Ursa maior é a constelação boreal por excelência. “Le Cassaroule” é como é chamado por aqui um dos asterismos mais famosos de todos. O Arado em português. Big Diper para os americanos. The Plough para ingleses.  É a parte mais conhecida da constelação.
Mizar e Alcor foram o primeiro par estelar registrado.  Fiz a mesma coisa. Fácil.
A fim de deixar os olhos se adaptarem ainda mais parto atrás dos Aglomerados abertos de Cassiopéia. A rainha é outra constelação boreal tradicionalíssima. M 103 é obvio. Mas não resolvo.  NGC 129 idem. Os campos estelares são incríveis e percebo tantas “fuzzies” que não consigo nem contar. Realmente um pedaço riquíssimo da via láctea.
Algum lugar em Cassiopéia
Volto para a Ursa Maior. E agora vou mais longe. M81 é bastante obvia e com averted percebo também M82. O céu do Mercantour é realmente impressionante.  A NELM (naked eye limit magnitude) era facilmente de 6.5. Provavelmente mais. O Vanguard se aproveita disso e faz bonito.
Na outra noite, bem mais cedo, capturo M33 como nunca antes. A galáxia se estendia pelo campo do binóculo e se apresentou melhor que em qualquer observação telescópica que já tenho feito desta galáxia com baixo brilho de Superfície. M 31 era claramente visível a olho nu e consegui perceber claramente M32 e M110 com o uso de visão periférica (Averted vision). E nem estavam no meridiano. 
Um bom binóculo. E com o auxilio de céus de cristal ele mostrou ser uma grande aquisição para a coleção.

P.S. Pé de Boi . Descolimou depois de algum tempo. Mas foi bem maltratado...


terça-feira, 31 de janeiro de 2012

A Trilha Planetária


O Sentier Planétaire é uma trilha bastante diferente. É ao mesmo tempo um itinerário de caminhada, uma representação do sistema solar em escala e um a ferramenta pedagógica. Ainda, um planetário a céu aberto e cercado pela natureza.


Valberg é uma pequena vila escondida nas montanhas dos Alpes da Provence, na França. É considerada como a porta de entrada do Parque do Mercantour. Uma das maiores biodiversidades da Europa e também um dos céus mais escuros do continente.

O Nuncius Australis foi à busca de ski, céu escuro e ganhou de bônus um passeio pelo sistema solar bastante diferente.

A pouco mais de uma hora de Nice (de ônibus) fica Valberg. Uma pequena vila agradabilíssima  e com um povo muito simpatico. Bons restaurantes e um dominio esquiavel enorme. Logo a lado fica Beuil que se une a esta e em anos especiais é também uma area de ski. A estrada que leva até lá sobe costeando o Rio Var e é uma experiencia bem radical. Um canion com parede verticais e uma estrada de mão dupla das mais estreitas.

O tal Sentier Planétaire é uma representação em escala do sistema solar. 1 metro para cada milhão de kilometros. Isto implica em uma trilha que pode ser percorrida a pé no verão ou de raquetes no inverno (Ou a pé caso um inverno muito seco...).

É uma experiência inesquecível. Partindo-se da vila siga em rumo aos planetas representados por diversas expressões artísticas. Existe um guia GPSmultimídia disponível no “Office du Turisme”. O caminho é balizado.
O percurso apresenta diversas possibilidades.

Um é o chamado percurso telúrico e consiste em visitar o sistema solar até Marte. Se faz este passeio em cerca de 1hora.
Mercurio
Outro pacote é ir até Júpiter. O percurso azul (itinéraire bleu) o leva até Lac du Senateur e dura cerca de 3 horas.

E o passeio completo vai até Netuno. Plutão já tinha sido rebaixado quando criaram o passeio... Descubra todos os planetas terrestres mais os gigantes gasosos e diversos outros temas astronômicos. Este uma empreitada para um dia inteiro e vai demonstrar ao caminhante de forma clara a Lei de Titus – Bode. Netuno é longe... ¨
Netuno

Um belíssimo passeio é mais uma mostra de algo que o Nuncius Australis tenta sempre lembrar por aqui. Mostrar que ciência é algo que se ensina de uma forma leve e interessante. É só querer...

E depois desta longa e " exaustiva" caminhada você pode relaxar vendo o céu  do Mercantour ao entardecer sentado no " Schuss" bebendo um bom vinho nacional (ou o "chop" da casa, sempre gelado) . Este é o mais simpático bar de Valberg. Bem ao pé das pistas e trilhas deste refugio alpino...

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Paris e Astronomia




O Nuncius Australis vai apresentar uma série devotada a astronomia contando sua estada na França. Apesar do céu ser boreal ele não pretende trair seus objetivos originais (talvez um pouco...).

E nada melhor para iniciar este projeto que apresentar um passeio que vai unir História e Astronomia enquanto se passeia pelas ruas da Cidade Luz: Paris.

Foi aqui que Messier realizou as observações do que pode ser considerada uma das bíblias da astronomia amadora. O Catalogo Messier foi desenvolvido a partir das observações realizadas pelo caçador de cometas a partir do Observatório de Cluny. Não consigo imaginar um lugar melhor para começar o meu passeio astronômico pelas ruas de Paris.

Cluny nos tempos de Messier
Com minha base no Arrondissement 5 ( Rue Monge) , no coração do Quartier Latin, a chegada ao antigo observatório é quase instintiva. Caminhe em direção a estação Sorbonne- Cluny e você vai ver logo a antiga construção. Hoje abriga o Museu da Idade Média e é um dos últimos vestígios medievais no centro de Paris. Seu endereço atual é 24, Rue de Sommerard. De frente para a Academia Francesa. O Hotel de Cluny foi transformado em observatório por Delisle em 1748 e Messier realizou a maior parte de sua carreira utilizando suas instalações. De 1750 até 1817. Pouco antes de sua morte. O Hotel de Cluny, como era chamado na época foi construído sobre fundações de uma termas romana que data do século IV. A cúpula no topo da torre foi retirada no inicio do século XIX.

Cluny hoje em dia

Atualmente responde pelo pomposo nome de “Musée National Du Moyen Ages, des Thermes et de l'Hôtel de Cluny”. Apresenta ainda um lindo relógio solar na base da torre que sustentou a antiga cúpula. Visite o site: www.musee-moyenage.fr

Agora após uma longa caminhada vamos visitar uma das mais nobres famílias da astronomia. E que por isso quase perderam a cabeça na revolução francesa. A história do Observatório de Paris é entrelaçada com a da família Cassini. Na verdade o Observatório foi dirigido pela família, que chegou a habitar o local, durante seus primeiros 125 anos.
Observatorio de Paris

Em 1666, Luis XIV e Jean-Baptiste Colbert fundaram a Academia Real de Ciências (Académie Royale des Sciences). Logo em seguida, em 22 de setembro de 1666, foi decidida a criação do observatório real, que mais tarde se tornaria o observatório de Paris. Ele deveria servir de lugar de reunião e de realização de experimentos científicos para todos os acadêmicos.



Em 21 de junho de 1667 (dia do solstício de verão), os matemáticos da Academia traçaram sobre o terreno, no lugar da contrução atual, o meridiano e outras direções necessárias para a implantação exata do edifício concebido pelo arquiteto e médico Claude Perrault (irmão de Charles Perrault, secretário de Colbert). O plano mediano do observatório definiria a partir de então, o meridiano de Paris A Linha então traçada hoje habita o “ Salão Cassini".
Salão Cassini

Em 1669, Colbert chamou Jean-Dominique Cassini ( Cassini I) para dirigir o observatório .Seu ultimo herdeiro foi Jean Dominique ( Cassini IV) , Conde de Cassini abandonou o osso em 1793. Ele era monarquista.

Visite em: http://www.obspm.fr/



É seguindo esta linha que vamos cruzar os Jardins de Luxemburgo após passar pelo senado e seu belíssimo palácio (o parque é sensacional) você vai chegar a uma das igrejas mais belas que já conheci.

St. Sulpice e a Linha Rosa

St. Sulpice. Esta tem também marcada no chão o Meridiano. Estamos caminhando por sobre a famosa linha rosa que é conhecida de todos devido a Dan Brown e seu Best seller “O Código Da Vinci”. E desnecessário dizer que a igreja é deslumbrante. E em minha opinião mais charmosa que as outras componentes da Trindade parisiense (Sacre Coeur e Notre Dame).

Agora abandonando a História vamos falar de outra história.

Após passar pelo Louvre (procure pelos marcos que indicam o meridiano) você não deve deixar de passear por um dos templos do consumo: a Rue Rivoli. Em meio as mais famosas marcas do mundo habita uma loja que não existe nada semelhante no Brasil. La Maison de L´Astronomie. De um lado só “Jumelles” (Binóculos) e do outro, Telescópios. Apesar do euro é muito mais barato que no Brasil e a diversidade é imensa. . Quando penso na Astroshop e no Armazém me bate certa amargura. Seguindo pelo Rivoli tem o Hotel de Ville. Bom para as crianças.

Consumo...

Vou falar dela de novo no post sobre o Vanguard 10x50 que comprei lá...

http://www.maison-astronomie.com/

Agora já bem próximo a onde tudo começou, na Rue dês Ecoles, existe outra lojinha que é mais conhecida por seus produtos devotados a montanhismo. Espalhada pela região “Au Vieux Campeur” tem, no numero 28, uma de suas lojas dedicada a binóculos. Lá vi vários sonhos de consumo. Infelizmente não dava para comer e comprar os brinquedos. Mas só para dar água na boca eu apresento dois dos brinquedos que estavam na Janela. Um Kepler e um Vixen. Grandes...
Sonho de Consumo... Au Vieux campeur

Perto dali ainda achei uma pequena luneta que me lembrou Lacaille. Vou falar disso em outro post.

A Luneta de Lacaille

Depois caminho mais um pouco e vejo outra cúpula. Mais um observatório escondido perto da Sorbonne. Via vários passeando pela cidade.
Mais um... Perto de Cluny.


A cidade transpira ciência.

E de noite Paris  apresentou   que apesar do nome de Cidade Luz é mais escura que o Leblon...
Orion mostra a sua cara.


Da varanda do hotel : 15 seg 75-300  mm F4 e M42 mostra sua cara... ( em 75mm)


terça-feira, 10 de janeiro de 2012

O Aglomerado de Berenice


O Aglomerado da Cabeleira de Berenice é um grande grupo de estrelas visíveis a olho nu. Embora seja um aglomerado muito famoso no hemisfério norte ele não possui o mesmo apreço aqui por nossas bandas. Provavelmente por passear baixo no horizonte norte e se apresentar menos brilhante que em céus boreais. Mas é um dos mais belos campos visuais que já tive por um binóculo. Em algum Lugar entre Alpha Canum (Cor Carolis) e Beta Leonis (Denebola).


Este aglomerado é melhor observado com binóculos e pela buscadora do que com telescópios que acabam fracionando este belo aglomerado galáctico.

Me recordo da primeira vez que o vi. Quase ao acaso. Tinha viajado para Visconde de Mauá. Mais precisamente para o Vale de Santa Clara. O céu era bem escuro e eu tinha comigo meu fiel 10x50. Era um fim de semana de Lua quase nova. O céu bem escuro e eu olhando para o horizonte norte. M 44 era claramente visível a olho nu e passeando com meus olhos pelo horizonte norte percebo baixo, logo acima das montanhas, um nó de estrelas. Dirijo meu binóculo para lá o campo se enche de estrelas. Lindo. Espremendo-se no campo visual do pequeno binóculo.

Curiosamente este belo aglomerado não consta NE do catalogo Messier e tampouco do NGC. Esporadicamente ele é chamado de “Mel 111”. Melotte 111. Um catalogo menos famoso.

Cobrindo uma área de aproximadamente 5º graus de diâmetro este aglomerado possui como membros mais brilhantes as seguintes estrelas de 5ª magnitude: 12, 13, 14, 16 e 21 Comae. Cerca de outras 30 estrelas menos brilhantes foram relacionadas como possíveis membros do aglomerado com mais algumas poucas estrelas talvez ainda aguardando para serem descobertas e associadas. As brilhantes estrelas 15, 18 e 7 Comae parecem não serem fisicamente associadas ao grupo mas ajudam a compor o quadro.

O aglomerado carrega uma interessante história. Ele foi nomeado em honra de Berenice II do Egito, que foi a rainha de Ptolomeu III (246 – 221 AC). Em uma das mais belas lendas celestiais conta-se que Berenice prometeu seus famosos cabelos com “Tranças de âmbar” no templo de Afrodite em Zephyrium no caso do retorno seguro de seu amado Ptolomeu de uma campanha especialmente perigosa. Depois de cumprida a promessa, os cabelos que ficaram em exposição no templo desapareceram e a fim de salvar as aparências e talvez algumas cabeças o astrônomo da corte Conon convenceu o casal real que as tranças sumidas teriam sido transformadas pelos deuses em uma constelação para serem preservadas para a eternidade entre as estrelas.

Algumas moedas recuperadas, conhecidas como as moedas de Berenice mostram a rainha com seus belos cabelos. São Octadaracmas e dodecadracmas do inicio do reinado de Ptolomeu.

Entretanto a ignorância astronômica de nosso casal real parece ter salvado varias cabeças, pois o aglomerado já fora descrito antes. Na verdade este aglomerado em tempos pré- ptolomaicos fazia parte da constelação de leão e marcava o tufo de sua cauda. O nome árabe para o aglomerado leva a essa conclusão. Al Dafirah (O tufo). Erastóstenes, entretanto, no Sec. III AC chama o aglomerado de A cabeleira de Ariadne. E em diversos mapas da idade média ele é associado a uma coroa de trigo que contribuía para a constelação de Virgo.

Há cerca de 250 anos luz o Aglomerado de Berenice é um dos aglomerados mais próximos que conhecemos. Sendo provavelmente suplantado apenas pelo aglomerado das Hyades, em touro. E o aglomerado da Ursa Maior.

A velocidade radial de seus membros é muito próxima a zero e qualquer estrela que componha o quadro e fuja deste parâmetro provavelmente não fará parte deste grupo.

O grupo não possue membros gigantes ainda que o a analise do diagrama H-R do grupo leve a acreditar que seus membros começam a evoluir para este estagio.

A dispersão do grupo sugere que ele esteja se desagregando. Sua densidade estelar é de 1 estrela por 10 parsecs cúbicos . Um valor muito próximo do limite inferior teórico para aglomerados estáveis.


Localizá-lo é fácil desde que em em local escuro. Olhe para o horizonte norte e abaixo de Denebola. Não tem como não perceber o pequeno nó de estrelas que falei no inicio desta matéria.  Em locais com muita poluição luminosa a tarefa se torna bem mais dificil.

Com o auxilio de qualquer binóculo você vai ver um espetáculo com séculos de história.

sábado, 24 de dezembro de 2011

Poluição Luminosa no Natal e NGC 104


NGC 104

Quando mais novo ouvi sempre que a observação do céu só seria possível em locais de céu muito escuro e que do Rio de janeiro isto seria impossível.

Não é verdade.

Mesmo que não seja o ideal a observação em áreas urbanas é muito compensadora . Até porque o desafio se torna maior. A navegação é muito mais difícil e localizar DSO´S sem estrelas para lhe guiar o caminho pode ser bastante duro. Você deve estar preparado para isto . Caso contrario poderá terminar frustrado.

Cabe a você ser realista. Não espere avistar nebulosas tênues , nem galaxias de baixíssimo brilho de superfície. Na verdade em se tratando de galaxias é melhor tentar um local um pouco mais escuro. M 33 é um sonho impossível para o astrônomo urbano.

Mas mesmo assim existem centenas , quiçá milhares de DSO´S ao alcance do astrônomo urbano. Talvez não em todo seu esplendor mas ainda assim se apresentando com dignidade.

Ontem a noite eu me lembrei disso.

Pretendia o observar NGC 104 . Ou Tuc 47. São o mesmo objeto. Trata-se do segundo aglomerado globular mais brilhante do céu. Só perdendo para o gigantesco Omega Centauro.

Partí de Achernar ( Alpha Eridanus) e com grande esforço localizei Beta Hidra. Uma discreta estrela no horizonte sul carioca. A partir daí é uma rápida caçada através de minha buscadora 9x50. Caminhando lentamente para norte e oeste  o Aglomerado revela sua origem como uma pequena estrela esfumaçada pelo "finder". Vai ser uma das "estrelas" mais brilhantes desta região.  Com ela centralizada faço uma rápida inspeção usando uma 17 mm. É o aglomerado mesmo . Nem foi tão difícil de achar. Em céus mais camaradas ele é percebido facilmente a olho nu. Tem inclusive um numero Flamsteed. Que nem uma estrela...

Na verdade sempre que visito Ngc 104 centralizo Achernar na minha "red dot finder" e chuto uma posição aproximada. Em geral com a buscadora ótica eu localizo facilmente por ele na região.

Agora voltamos a poluição luminosa.

Este período natalino sofre ainda mais com a poluição luminosa. São diversos ornamento pendurados pelas janelas dos prédios a minha frente. Pequenas luzes de neon , led´s e etc.... E culminando o desperdício de energia vários  faróis de xênon  , como em uma bateria anti-aérea passeiam pelos horizontes da cidade.dois deles em especial pelo horizonte sul. Iluminando nada.São uma praga que ataca a arvore de natal que habita a Lagoa Rodrigo de Freitas durante o fim de ano.

Como apregoado na campanha Needless, a qual o Nuncius Australis   apresenta já a alguns anos, a iluminação urbana é necessária . Mas deve iluminar o chão e não o céu...

Ainda assim insisto e me preparo para fotografar mais um objeto do catalogo Lacaille.

Primeiro uma lição de astro foto. Use sempre uma estrela mais brilhante para focar. Recentemente li uma matéria dizendo que deveria fazer o foco me utilizando da estrela mais tênue que conseguisse perceber pelo viewfinder da camera de preferência aquelas que eu só percebe-se no momento em que se realiza o foco. Não é uma boa idéia. Fiz varias exposições fora de foco utilizando as fracas estrelas que percebia no campo de Ngc 104.

Assim voltei a Alpha Hyidra e fiz um foco decente. Algumas exposições para confirmar e finalmente voltei a meu tão suado Globular.

Realizei varias exposições de diversas durações. Apresento aqui alguns resultados obtidos.  O DSS apanhou para empilhar isto aí. O registro é muito próximo do que você vai ver na sua ocular.  Bem, talvez um pouco melhor...

Na ocular ou quase... 

Zoom e Crop no PhotoShop

O belo aglomerado consegue sobreviver a poluição Luminosa severa que se apresenta  durante o fim de ano.  Como já tinha percebido em outra observação o aglomerado não é perfeitamente circular. E apresenta uma coloração amarelada. Não possua olhos muito sensiveis a cores em globulares . Outra pessoas percebem um desvio para o vermelho. cada um com seu cada um....

 No fim de ano a poluição luminosa é realmente muito maior do que em outros periodos. O natal é sempre um periodo de fartura e desperdicio. Contraditório.
Não deveria...

RnS  Canon T3
P.S. Em período não natalino e anos depois fiz algumas novas fotos de Tuc 47. Desta vez o DSS aceitou quase todos os Frames . E no meio do bolo  temos também fotos empilhadas no Rot n´Stack. As quatro ultimas fotos foram realizadas com uma Canon T3. As antigas são do tempo da falecida 350D,

DSS Canon 3T

DSS Canon 3T

DSS Canon 3T


sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Sky Walk , Alinhamento Polar e NGC 2516


Ngc 2516

O clima não vem colaborando muito, mas apesar dos pesares esta ultima semana me permitiu algumas aventuras urbanas. O Nuncius Australis observa quase que exclusivamente de dois locais. Na Armação de Buzios é o observatório “escuro”. Na verdade apresenta típicas condições suburbanas. Em dias especiais apresenta um NELM (do inglês, naked eye limit magnitude) de+- 5.0 próximo ao zênite.



O outro é o observatório mais guerreiro. Janela da Sala, em condições urbanas extremas,tela de proteção para criança , gato que passeia pela janela etc.. Em dezembro tem também dois faróis de Xenon patrocinados pelo Bradesco que simulam uma bateria anti-aerea  contra os céu da cidade. Pode-se caminhar pelo horizonte sul. Cada época do ano passeia alguma coisa pela região.Chamo de Stonehedge dos pobres. Na verdade possui como área útil uma faixa de 35 graus do céu. NELM 3,5. De madrugada talvez um pouco mais.

Essa semana foi um unico e longo alinhamento polar.

Terça dia 21 começou a missão. Tinha tido uma idéia brilhante. Baixei um aplicativo no meu telefone. Sky Walk. Basicamente um programa planetário com serviço de GPS. Paguei US$ 2,99 na Apple Store. Tinha em mente fazer do alinhamento polar uma coisa simples e indolor.

O aplicativo me pareceu perfeito. Você simplesmente o aponta para o céu e ele mostra exatamente para onde e o que você esta olhando. Trás ainda um banco de dados com diversos DSO`S bem como um almanaque com todas as efemérides que você quiser. Bastante útil. E um sucesso com as crianças.

Minha idéia era bastante óbvia. Fixar o I Phone alinhado com meu eixo polar e com isto localizar o pólo sul celeste com precisão de GPS.

Não deu certo. Apesar de me permitir uma boa aproximação o sistema não tem a precisão necessária.

É um bom aplicativo para você se situar. Especialmente em constelações mais apagadas. Mas oscila muito. Às vezes fica meio perdido.

Fiz o alinhamento utilizando I Phone e cometi o primeiro erro. Mexi na minha Latitude na cabeça. Sempre a mantive no mesmo lugar e nunca deu errado. Mas empolgado com a tal da tecnologia errei. Passei essa noite tentando melhorar o alinhamento e insistindo no pequeno aplicativo.

Com a câmera instalada no 150 mm tentei exposições de 30 seg. Parecia arte moderna. Um monte de rabiscos. 15 segundos: rabiscos menores. 10 Segundos: Ainda rabiscos. O tempo abre e fecha e eu lutando para fazer um acompanhamento mais digno de Miaplacidus.

Já vai tarde a noite quando me dou por vencido.

Quarta Feira eu volto à carga. Mas desta vez a cerveja atrapalhou. Tento alguns registros da Caixa de Jóias (Ngc 4755). Nada aproveitável.

Quinta Feira. Hoje vai . Meu objetivo é fotografar todo o catalogo Lacaille e hoje eu decidira que NGC 2516 ia ser a bola da vez.

Assim que Venus acendeu a oeste, o dia ainda era claro. Comecei os trabalhos.

Desta vez contando com técnicas menos modernas e comprovadamente eficientes fiz o alinhamento polar. Usando de uma bussola ,um inclinometro e um pouco de bom senso acabo conseguindo um alinhamento polar aceitável. Faço algumas experiências com Canopus a utilizo para focar minha câmera. Faço algumas exposições de 15 segundos e depois de varias considero  o acompanhamento aceitável. Somando-se todas as horas para esse alinhamento acontecer passaram-se muitas horas e varios dias.E ainda pode melhorar mais. Mas enfim... Um alinhamento polar correto é uma das coisas mais dificeis que voce pode esperar fazer junto a um telescópio.

Canopus (Alpha Carina)



Agora é esperar 2516 se apresentar no local certo.

Lacaille catalogou este aglomerado em seu “Nébulas do Céu Austral” coma a entrada II. 3, Sua categoria II referia-se a aglomerados estelares associados a nebulosidade. Lacaille usava refratores muito pequenos . Toda essa categoria consiste de aglomerados abertos  sem nebulosodade associada.
Ele  comenta: um aglomerado de estrelas de 7ª e 8ª magnitude que forma uma nébula visível a olho nu.

Um Aglomerado aberto bem brilhante. Com uma Magnitude de 3.8 e medindo 30´ ele é facilmente percebido pela buscadora. O a olho nu da descrição do Abbe depende de um céu um pouco mais generoso que o do Observatório do Rio. Em Buzios percebo a nébula.

Usando-se o asterismo do Falso Cruzeiro ele é facilmente localizado. È só estender a linha que liga Kappa Velorum a Avior (Épsilon Carina) no eixo maior do Falso Cruzeiro e você vai achar o belo aglomerado. Eu percebo cinco estrelas pela Buscadora.

Com o Aglomerado na Buscadora realizo algumas dezenas de exposições de 15 segundos com uma Canon 350 d. Capturo também alguns Dark Frames.

E assim o verão começa com NGC 2516 sendo registrado e assim se tornando o segundo objeto Lacaille que foi capturado. Com alguns membros já transitando no vermelho é um aglomerado colorido e uma gema do céu austral

Deu trabalho...





Ngc 2516 -20 exposições de 15 Seg. Deep Sky Stacker


Outra serie de 20 exp...