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domingo, 21 de março de 2021

Brilho de Superfície: Ver ou Não Ver

 


Recentemente recebi uma pergunta no Nuncius Australis.  No post sobre “Magnitude Limite” o amigo rsuzano indaga o seguinte:

                “Olá, gostei do post, mas tenho dúvidas... li ali q vc diz "...tenha em mente que quando digo que um telescópio de 150 mm pode ver estrelas de 13ª magnitude isto não significa que ele vai revelar uma galáxia de 13ª magnitude..."

 

Pois bem, tenho um Newtoniano de 200mm, teoricamente, +13.6 de magnitude limite. Mas por exemplo, uma Galáxia como a NGC5128(+6.64) ou a NGC4945 (+7,91) ... praticamente a metade da magnitude limite do meu equipamento eu não consigo ver...

Já NGC5139 (+3,68) - Aglomerado Ômega Centauri, eu consigo ver...

O que mais influência nisso?”

                Quando falamos de DSO´s (Objetos de Céu Profundo. DSO é uma abreviação e um anglicismo para tal. Vem de Deep Sky Objects) muito mais do que a magnitude o que vai definir o que você vai ou não ver é o Brilho de Superfície do DSO em questão. São também de fundamental importância a poluição luminosa e a pratica do observador.

                De volta ao brilho de superfície e o que você vai ou não ver... A resposta é, tornando curta uma longa resposta, é o tamanho.

                Quando falamos em magnitude esse é um conceito que se aplica bem a estrelas. Dessa forma é de se esperar que seu telescópio chegue ao seu limite quando observando estrelas. Mas estas são fontes pontuais. Todo o brilho da estrela se concentra em um único ponto. Quando falamos em brilho de superfície “toda essa magnitude se espalha” por uma área muito maior que um único ponto.

                Glenn Chaple, autor durante anos em uma coluna da Astronomy Magazine, dá um exemplo didático da questão. Ele usa como exemplo a Helix Nebula e a Nebulosa Saturno. Ambas em Aquário. Embora a Helix Nebula tenha a magnitude de 7 e a Nebulosa saturno tenha a magnitude de 8 a segunda é muito mais fácil de se observar que a primeira. Por um motivo bem simples. Enquanto a Helix Nebula se espalha por uma área de quase meia lua cheia em sua ocular a Nebulosa Saturno se concentra em um disco do tamanho aproximado de Saturno. E desta forma sua luz é muito mais condensada que na Helix.  Enquanto a Helix apresenta um brilho de superfície de 20,4 magnitudes por segundo de arco, A Nebulosa saturno possui um Brilho de superfície de 14,6 magnitudes por segundo de arco.

                Relacionando o tamanho do DSO que você quer ver com a magnitude indicada a você chega ao seu brilho de Superfície. Um dado muito mais realista se você vai ou não ver o objeto em questão.  Como regra geral você pode considerar que objetos com brilho de superfície abaixo de 22,0 magnitudes por segundos de arco (13 ,0 magnitudes por minutos de arco) são ossos duros de se roer... Muito tênues.

                Tenha em mente que o Brilho de superfície é apenas o brilho por uma unidade de área. E assim podemos chamar isso de A/B. Então se magnitude é igual a -2,5 X Log Brilho (m= -2,5 x log B) então “a magnitude de superfície” =-2,5X log (A/B). Um pouco de álgebra nos conduz até (-2,5X logB) + (-2,5X log A). Como a magnitude original era (é ainda) -2,5X log B simplificamos e S= m+ (2,5 log A). 

Não entendeu nada? Sem problema. Descubra o tamanho (em minutos de arco) e a magnitude do objeto desejada e entre em:

   http://www.users.on.net/~dbenn/ECMAScript/surface_brightness.html

Melhor ainda. No Stellarium vem o brilho de superfície dos objetos catalogados.

                Falta falar algumas coisas importantes. Tudo que foi dito vale se o objeto tiver um brilho homogêneo. O que geralmente não acontece.  Um outro exemplo de Chaple é didático. Peguemos a galáxia de Andrômeda. Você a “observa” facilmente de locais de extrema poluição luminosa. Embora seu brilho de superfície seja de 22.3.  É bom lembrar que o brilho de superfície é uma média. M 31 (a Galáxia de Andrômeda) possui um núcleo super brilhante que rapidamente dá lugar a tênues braços espirais que se espraiam por mais de 4 graus de firmamento. Ver o núcleo é uma coisa. Os braços, outra. Embora o brilho de superfície seja um dado muito mais valioso do que a magnitude de um DSO ele não é, por si só, uma garantia de que você vai ver algo. Seria muito útil se os guias observacionais nos dessem uma medida de brilho de superfície para o núcleo das galáxias e outro para o resto...

                Dessa forma podemos dizer que (de uma forma genérica) que uma galáxia de 10a magnitude que se espalha por 3 minutos de arco vais ser mais fácil de se observar que uma galáxia de 10a magnitude que se espalha por 15 minutos de arco. A menos que a segunda possua um núcleo super brilhante. É muito comum, quando você navega pelo aglomerado de Virgem perceber muitas estrelas muito tênues. Não são estrelas. São núcleos galácticos. Só que você não ´percebe a real natureza do que está vendo. Quando você fotografa a região as galáxias pipocam em grande quantidade...

                Por fim, a qualidade do céu que você observa (galáxias só se revelam mesmo abaixo de Bortle 4/3) e da sua experiencia como observador são fatores fundamentais. Técnicas como visão periférica, respiração e etc. são importantíssimas.  Meu amigo rsuzano nos diz que não percebe Ngc 5128 com seu 200 mm. Provavelmente observa de um local de forte poluição luminosa. Eu já a observei diversas vezes como Galileo. Um refrator de 70 mm. De local escuro. É uma galáxia fácil já a observei com o Newton (Newtoniano de 150 mm f8) de Búzios. Bortle 5/6.  

             Observar é um exercícioE como já dizia Raul Seixas: - O homem é o exercício quem faz.

sábado, 13 de fevereiro de 2021

Ngc 2423: O Super Aglomerado das Hiades, Leis, Hipoteses, Lendas e Coincidências

 


                Quem acompanha o Nuncius Australis já deve conhecer as Coincidências de Adams. Essa são coincidências que levam a crer que dois fenômenos não relacionados tenham algo a ver com leis fundamentais do Universo. Mas são apenas uma coincidência.  São uma criação de Douglas Adams, autor do “Guia do Mochileiro das Galáxias”. Uma obra obrigatória para qualquer amador .

Dois exemplos clássicos:

1.     1  Em um triangulo retângulo onde o cateto maior possui o tamanho da soma do diâmetro da Lua e da Terra e o cateto menor possui o tamanho da terra vai nos levar a uma hipotenusa com o valor de Phi. E voilá:  Proporção Aurea, Fibonacci e outras numerologias se apresentam. Uma “Coincidências de Adams” para minha coleção.

2.        2  A Lei de Titius Bode. Apesar de parecer as orbitas planetárias não são quantizadas. Outra para a coleção. Esta alçada a lei, mas é apenas uma licença poética.

Na hierarquia do método, depois das Coincidência de Adams, vem as hipóteses.

Estas, as hipóteses, podem ser entendidas como sendo pressuposições sobre o esperado. Ter uma ou algumas hipóteses vão contribuir para orientar a direção da sua pesquisa. Logo, ajuda você a manter o foco.

Mas não se preocupe, não existem normas para criação de hipóteses. Elas podem ser provenientes de conhecimento de: senso comum; observação de uma situação pelo pesquisador; comparação de estudo; dedução lógica de teoria; cultura na qual a problemática é observada; analogias entre duas ou mais variáveis.

hipótese é algo que não é, mas que fazemos de conta que é, para ver como seria se ela fosse.

Uma hipótese que sobreviveu a observação, experimento e mais algumas premissas se candidata a lei.

Uma lei é provada matematicamente e sobrevive a qualquer escrutínio lógico e permite prever o que vai acontecer em qualquer local do universo em qualquer data.

Na ciência existe ainda algo que caminha na tênue linha entre a hipótese, a coincidência e a lei... São as Lendas da ciência.

Dizem que lendas sempre tem um fundo de verdade.  Ou que são mentiras que ganharam a autoridade do tempo.

E assim, meandrando pelo método científico, chegamos até Ngc 2423 e ao super aglomerado das Hiades.



Até Ngc 2423 chegamos porque eu fotografei o aglomerado por acaso. Ele fica muito próximo a M 47. E quando descobri que M 47 tinha mais um agregado além de M46 (estes dois aglomerados de Messier tem um que de siameses) fiquei boquiaberto. Mais ainda quando descobri que este era um alvo perfeito para o “Projeto tudo que Existe”; este inclui todo e qualquer DSO que escapou das garras de O´Meara, Burnham e cia ltda e não se encontra em nenhum guia observacional que eu possua. Na verdade, uma vítima perfeita já que é um belo aglomerado, com um tamanho razoável, visível com quase qualquer equipamento e por incrível que pareça relativamente bem estudado.

Mais que isso. Um possível remanescente do lendário Super aglomerado das Hiades.

Hiades


As Hiades são o aglomerado mais próximo da terra e conhecido desde a antiguidade. Localizadas ao redor de Aldebarã (a Estrela laranja que representa o Olho do Touro e não é um membro de fato das Hiades) dispensam apresentações. Se você já olhou para o céu com alguma atenção já as viu. Mesmo sem saber.

Mas, de volta a Ngc 2423, vamos ver como estes se relacionam. Começa a nascer uma hipótese. Quando fotografo um objeto o passo seguinte é pesquisar sua história e cosmologia. Geralmente começa caçando o mesmo na minha biblioteca. Quando esse escapa e todos os meus alfarrábios parto para a internet. E aí descubro que apesar de ignorado por todos os pervertidos que assim como eu adoram caçar DSO´s pouco conhecidos o nosso aglomerado é bem conhecido nos círculos mais sérios da astronomia por um motivo muito em moda atualmente. Ao redor de uma de suas estrelas foi encontrado um planeta exo solar. Pelo que entendi Ngc 2423-3 possui um Júpiter quente ou um anão marrom. Isto é alvo de discussão.  Uma coisa leva a outra e vários papers começam a surgir a respeito do aglomerado com um planeta. Um deles me chama a atenção. Reconheço o nome do autor. Não sei bem da onda. tipo aquela música “esqueci seu sobrenome, mas me lembro de você”. Não sei lá o que Eggden...

Vamos voltar um pouco no tempo. Quando estudamos o universo é uma ferramenta útil. Para o horror de alguns astrônomos mais Caxias a história é também uma ciência. Aliás as ciências humanas, a filosofia e etc... tem papel fundamental no avanço da ciência. Na verdade, para desespero de alguns, toda e qualquer ciência é humana. A menos que você conheça uma paca ou um tatu (cotia não) que tenha exposto de forma lógica e coerente alguma ideia e estabelecido alguma lei fundamental toda ciência é humana. Uma exclusividade da espécie. Se você me apresentar um primo do Dr. Spock também posso dar o braço a torcer.

Richard A. Proctor, no prefacio de seu “Myths and Marvels of Astronomy” (1903), consubstancia minhas afirmações acima: “O principal charme da Astronomia, entre muitos, reside nas maravilhas reveladas a nós pela ciência, mas também na tradição e lendas relacionadas com sua história, as estranhas fantasias com as quais foi associada pelos antigos, aos mitos meio esquecidos ao qual deu à luz. Em nossos tempos também, a astronomia tem também seus mitos e fantasias, sua natureza, invenções e paradoxos surpreendentes...

...Mitos astronômicos, que na devida proporção, relacionam-se a algumas das principais maravilhas que a moderna astronomia nos revelou.

                É esse mesmo Proctor (do também super clássico e charmoso “Half -Hours with a Telescope. Um guia observacional do tempo do onça...) que primeiro lança luz sobre o Super aglomerado da Hiades. Um misto de mito astronômico moderno ou quiçá uma hipótese a ser provada.

                O chamado Super aglomerado das Hiades é também conhecido como a Corrente da Hiades. Proctor em 1893 percebeu que diversas estrelas espalhadas pelo céu e distantes destas compartilham um movimento similar pelo espaço.  Em 1908 Lewis Boss reportou quase 25 anos de observação que suportavam esta premissa. Boss publicou um mapa que traça o movimento destas estrelas de volta até um ponto de convergência. Alguns anos depois Eggden (meu velho desconhecido que estava refugiado em algum local de meu córtex cerebral...)   assume que estas estrelas (e aglomerados menores) são relictos do que ele chamou do super aglomerado da Hiades. O argumento de Eggden (1958), de que grupos deste tipo são, de fato, remanescentes do super aglomerado continua em debate. Afinal o fenômeno pode ser causado por mecanismos completamente diferentes dos propostos por Proctor, Boss e Eggden.  Famaey reporta que cerca de 85% das estrelas na “corrente da Hiades” se mostraram completamente dissociadas do aglomerado inicial se relacionarmos estas por sua metalicidade e idade.; seu movimento semelhante pode ser atribuído a efeitos de maré do maciço braço rotatório no centro da Via láctea. Mas entre os remanescentes membros da corrente temos elementos tão espalhados como as estrelas de Ngc 2423 e Iota Horologii. No mapa abaixo podemos perceber a vasta distribuição destas. Curiosamente, seja por uma coincidência de Adams ou por uma lei desconhecida tanto Iota como Ngc 2423 são portadoras de exoplanetas recém descobertos e por isso renovam as suspeitas de que há algo além de uma lenda nesta hipótese. Talvez um fundo de verdade.

Podemos perceber como se dispersaram pelo firmamento os supostos membros do Super aglomerado das Hiades ou A " Corrente das Hiades". 


                Continuando minhas investigações cheguei a um paper bem mais recente de Eggden (1983) e lá está:  Ngc 2423 and the red giants do super aglomerado das Hiades.

(http://articles.adsabs.harvard.edu/cgi-bin/nph-iarticle_query?bibcode=1983AJ.....88..190E&db_key=AST&page_ind=0&data_type=GIF&type=SCREEN_VIEW&classic=YES )

                Neste ele apresenta similaridade das estrelas das Hiades com as de Ngc 2423.

                Ele conclui o trabalho assim:


 

 

                    E assim nascem as lendas.

               

                Ngc 2423 possui 750 milhões de anos. E está a cerca de 2500 anos luz de nós. Sua idade (embora calcular idades estelares seja algo meio Mandrake...) é contemporânea da Hiades. Bem como seu digrama HP também.  Iota Horologii é outra contemporânea. Mas esta seria uma estrela fugitiva e desgarrada de qualquer subgrupo do superaglomerado original. Recentemente falamos de uma estrela semelhante (embora muito mais jovem) por aqui.

                  Algo que pode ser uma coincidencia ou ser relacionado a leis mais fundamentais do universo é a presença de exoplanetas registrados ao redor de gigantes vermelhas nas Hiades, Ngc 2423 e em Iota Horologii.

                    No mais o aglomerado é um belo alvo é interessante que um objeto cercado de tantas histórias, cosmologia e ao lado de um dos aglomerados duplos mais manjados dos céus (M47 e M 46) seja tão pouco visitado e não tenha sido descrito em nenhum guia observacional clássico ou moderno.

                Localiza-lo é tarefa fácil e ele se presenta plenamente resolvido com um telescópio de 150 mm f8 com 60 X de aumento. As fotos aqui apresentadas foram realizadas com uma Lente Canon 300 mm f 5.6. São resultado de 10 exposições de 1 minuto empilhadas no Deep Sky Stacker e processadas no PixInsight. 4 dark frames para calibragem.   


                Um belo programa para o amador nesse fim de verão é iniciar pela Hiades, seguir rumo ao sul passando por 2423 (e visitar seus lindos arredores) e depois visitar Iota Horologii. Esta uma tarefa difícil em locais de céus menos generosos. Você vai passar em vários exo planetas pelo caminho. e não vai ver nenhum. Mas eles existem... Não são lendas, hipóteses ou coincidências.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

M 72 , a Era de Aquário e a Escala de Pagel

 




        

  David Pagel, em um dos mais celebrados artigos da Climbing magazine (Leviathan: The legendary route on the legendary Eiger), nos conta:

“Viajar metade do mundo para ver ou fazer alguma coisa é considerado uma peregrinação. Está entre comportamentos considerados normais.  Realizar tal jornada duas vezes é, ainda, considerado aceitável. Quem entre nós não se permitiu, nostalgicamente, revisitar alguma experiencia memorável de nossa juventude? Já fazer isso uma terceira vez começa a levantar algumas suspeitas – dão pistas de uma obsessão.  Lá estava eu encarando pela terceira vez a Face norte do Eiger, com os olhos de um moderno Ahab.  E pela terceira vez em minha vida estava lá eu tremendo de frio na sombra de minha baleia.  Eu ainda podia me considerar sortudo; tenho um amigo que já havia estado ali oito vezes e ainda esperava pela oportunidade de se encordar para um ataque a montanha.”

                Quando li essas palavras não pude deixar de me identificar. Como um membro da comunidade dos “Conquistadores do Inútil” eu não podia deixar de me lembrar das 6 vezes que atravessei as trilhas da Diamantina indo até um poço frio de uma das cachoeiras mais altas do Brasil. A primeira vez arrastando a cara metade e me fiando em um mapa desenhado por uma menina que tinha feito a jornada alguns anos antes., para piorar, depois disso fiz a Travessia do Vale do Paty também três vezes em menos de um mês. Sendo a primeira vez sozinho e confiando em um mapa que vira desenhado nas paredes de uma pequena pousada chamada “O Tatu Feliz” no Vale do Capão.

                Mas, novamente naquela noite de setembro de 2020, eu me lembrava das palavras de Pagel. Dessa vez com mais preocupação. Era a enésima vez que eu procurava por M 72. O último globular do Catálogo Messier que me faltava conhecer. Essa peregrinação já me levara por muitos milhares de anos luz da galáxia e se mostrava novamente infrutífera. Em uma Armação dos Búzios cada vez mais iluminada e vagava por aquário e nada do miserável se apresentar. Nem mesmo com o auxílio de Mlle. Herschel. Uma cabeça equatorial com goto e que deveria, em tese, achar tudo que eu pedisse para ela.  

                Provavelmente Olavo de Carvalho deve nos dizer que Aquário é um signo de muita luz. Aliás não conheço nenhum astrólogo que localize constelações no céu (bem, talvez Escorpião) ... e se me apresentar um que localize a constelação de Aquário ganha uma lata de presuntada de presente. É um lugarzinho no universo difícil de se navegar e bem apagado. Nenhuma estrela brilhante (as estrelas mais brilhantes de Aquario são de 3 mag.) e poucas estrelas em geral para se tentar realizar um “starhooping” até qualquer DSO. Em céus muito escuros você terá alguma chance de perceber algo a olho nu na região. Aliás esse papo de que a era de Aquário já começou e que a Luz venceu não parece estar de acordo nem com a constelação e menos ainda com os novos tempos cada vez mais medievais...



                Bem, lá estava eu perdido no espaço, caçando por M 72 e tentando concluir a minha peregrinação cósmica auto imposta de observar e fotografar todos Globulares do CatálogoMessier.  Não sei se por causa da noite com muita umidade, se o espelho do Newton (meu telescópio 150 mm f8) sujo ou se devido a uma conspiração dos Pleidianos e do Papa eu não achava o maldito globular. O último da coleção.

                Finalmente, depois de muitas horas, desconfio que há uma pequena mancha enevoada na ocular. Mas uma daquelas no limite do existir.  Quase sou obrigado a invocar Espinoza para acreditar no seu existir, um exercício de monismo quase absoluto.



                Na dúvida apelamos para a tecnologia e depois de muitas fotos M 72 comparece. Ainda que de forma tímida. O último do Globulares Messier a se revelar para esse que vos escreve não é nenhum “showpiece”. Mas eu, enfim, conseguira completar minha peregrinação. Chegára até Meca. Ou melhor ao Nirvana. Meca entre os Globulares Messier fica em M 22.

                Foi Pierre Méchain que descobriu M 72 na noite de 29 para 30 de agosto de 1780. Um dos mais difíceis Globulares Messier para se localizar (4 de 5 segundo Stoyan). Messier o observa em outubro e descreve o mesmo como “nébula, a luz tênue como o prévio (M 71). Uma estrela telescópica próxima.

                Herschel é quem denota sua verdadeira natureza em 1810. Seu filho posteriormente faz uma descrição que me agrada; “Tênue, arredondado, 2´ de diâmetro; resolvível, mas eu não vejo estrelas separadas o suficiente para contar. Um objeto bastante insignificante.”

                O Admiral Smyth, em seu Cycles of celestial Objects, utilizando seu refrator de 5.9 polegadas diz perceber estrelas diminutas.

                Se localiza entre 58.510 e 62.750 anos luz de nós. Dependendo da técnica utilizada. A esta distância ele se torna um dos Globulares Messier mais distantes no catálogo. Sua localização o coloca muito além do centro galáctico e este circula a galáxia em uma orbita retrógrada. E assim é, muito provavelmente um Globular sequestrado da Galáxia anã de Sagitário. É um dos globulares menos densos da lista com IX na escala Shapley. Com sua distância e sua estrela apagadas não será resolvido com nada menor que um telescópio de 200 mm ou mais.  Com metalicidade bem baixa é um objeto do halo galáctico externo. A pouco mais de 1º norte de M 72 habita a galáxia Anã de Aquário. Mas não são relacionados. Esta está a 3 milhões de anos luz.

                Observar M 72 é mais fruto de uma obsessão do que uma peregrinação. Pelo Menos se seguirmos a “Escala de Pagel”.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

Astronomia Binocular e muitos Aglomerados Duplos

 


          Eu tento ter por hábito realizar pelo menos uma grande sessão observacional por estação. Neste verão fiz as coisas um pouco diferentes. Indo viajar durante muito tempo, pulando de uma locação para outra no meio do período e em um carro muito pequeno me vi obrigado a abrir mão de levar o Newton junto com a família.  Optei por levar Mlle. Herschel (minha montagem equatorial HEQ 5) para servir de base para minha câmera. E diversas lentes.

                Isso iria garantir a parte fotográfica da expedição.

                Sempre digo por aqui que o astrônomo amador não pode cair na armadilha de só fotografar os céus. Você tem que ver com seus próprios olhos. E desta forma coloquei no já super socado veículo um  Vanguard 10X50 mm. Um modesto binoculo.

Astrofotografia binocular é um exercício que todo amador deve praticar. Ela vai te ensinar a ver. Com binóculos diferenciar um globular de estrela pode ser um divertido e útil exercício quando for partir em busca de galáxias pelo céu. O catálogo Lacaille, por exemplo, foi todo “descoberto” por equipamentos muito inferiores ao Vanguard. E a primeiro registro de uma galáxia fora do grupo local foi feito por Lacaille (M83). Embora ele não soubesse disso e galáxias fossem um conceito ainda bem distante...

Outra qualidade é que com campos enormes (5 ou mais graus) você abarca porções generosas do céu. Desta forma grandes abertos como as Plêiades, Hiades e IC 2602 são mais bem observados com binóculos que com grandes aumentos telescópicos. Eu, embora não tenha levado meu 15X70 acho ele um dos melhores instrumentos para observações descompromissadas.  O campo com cerca de 3,5º abarca muita coisa e o maior aumento ajuda a destacar DSO´s mais discretos e tímidos.  Om o 10X50 é importante atenção e mais treino vai ajudar muito.

Neste post vou apresentar diversos aglomerado e regiões que com um binoculo você vai ser capaz de observar 2 ou mais aglomerados (e ou nebulosas) com o uso de um 10X50 (e geralmente com o 15X70 mm também. Galáxias são alvos difíceis para o iniciante com pequenos aumentos. Mas em Virgem e Leão são diversas as áreas onde você vai conseguir reunir várias em um único campo (mas aí até mesmo com telescópios ...). Não vou abordá-las. Fica para uma próxima vez.






M 47 e 46


A primeira dupla a ser apresentada é M 47 e M 46. São um clássico e demonstra como dois aglomerados abertos podem ter caráter tão visual tão distinto. enquanto M 47 é um oferecido que vai logo saltar a vista e se resolver em sua maioria M 46 vai ser bem mais discreto e demandar mais carinho e visão periférica e se apresentar como uma pequena nebulosa querendo se resolver em algumas estrela que “flicam” na sua visão.  Na verdade, no campo apresentado estarão ainda mais DSO´s. Mas estes terão caráter estelar e serão bem discretos. Com o dever de casa bem feito você vai perceber que algo além se passa por ali. Mas o dois Messier roubam a cena.  Em Puppis

Na observação binocular é importante lembrar que muitos abertos serão esfuminhos sem nenhuma resolução. Mas que evidentemente são mais do que parecem ser...





A seguir outa dupla que roubou a cena na última Aporema foi Ngc 2451 e 2477. Também na Popa da antiga constelação de Argos.  No mesmo estilo que os anteriores. Um mais dado e o outro mais discreto. Ngc 2451 parece até um campo rico em estrelas. Já Ngc 2477 é um esfuminho mais delicado e que demanda carinho na observação. Mas com uma grande área. É um de meus abertos favoritos em qualquer equipamento.





Seguindo a Via láctea e saltando o cão Maior chegamos a Monoceros, o Unicórnio. Aqui um campo riquíssimo. Tão rico que é conhecido como o Paraiso Pirata tamanha a coleção de tesouros que vai se apresentar. No Mesmo campo teremos dezenas de DSO´s. todos envoltos em nebulosidade obvia em céus escuros. M 50 é o mais obvio desses, mas você, com visão periférica, vai perceber vários outros abertos dignos de nota.  IC 2177 pode parecer algo estelar. Mas se percebe que é um local especial mesmo sem muito esforço. Ngc 2335 é um esfuminho obvio assim como 2343. Ngc 2327 não aparece. Para nós ele parece ser uma estrela em um falso aglomerado bem obvio, mas que não é um DSO´s de fato. Mas que parece, parece.





Seguindo rumo a Orion temos a espada do caçador. Com M 42 como seu coração ne mesmo campo ocular podemos ver vários outros DSO´s. Um dos campos mais belo de se observar de binóculos. Não vou sequer entrar em detalhes já que a região é muito manjada. Se você está se iniciando passe algumas horas passeando por ali e descobrindo quem é quem. É fácil, educativo e belíssimo.  Aliás a constelação inteira de Orion ´um programa binocular obrigatório e impagável. Veja mais aqui.





Last but not Least chegamos a Gêmeos. Aqui um dos mais famosos e maiores abertos de todos. M 35. Mas o mais legal é que geralmente quando se observa M 35 você mesmo com telescópios vai estar vendo Ngc 2158. Mas ele acaba sendo engolido por M 35. Binóculos realçam mais sua existência. já que como não o resolvem não o tornam apenas um anexo ou prolongamento de M 35. Ele será um discreto esfuminho no campo. É interessante saber que este, muito mais distante, tem o mesmo tamanho real de M 35. Seu diminuto e discreto aspecto é fruto da distância. Ele fica a mais do dobro da distância de nós.

Existem diversos outros campos binoculares onde você consegue achar diversos DSO´s simultaneamente.

Observar de binóculos é uma imensa diversão. E você consegue fazer um “body count” enorme. Já completei a Maratona Lacaille diversas vezes com meu 15X70 mm. De telescópio somente uma... A navegação binocular é mais fácil e mais confortável. Se você conhece bem o firmamento dispensa (na maioria dos alvos) até mesmo um mapa.  

Ainda que não idênticas, as áreas cobertas com a 300 mm que foi utilizada nas fotos aqui apresentadas são muito semelhantes as áreas abrangidas pelo meu 15X70 mm. Acho que assim e em conjunto com os mapas o Stellarium (que simulam o 15X70 mm) servirão como um excelente guia para quem quiser realizar o passeio acima descrito. Com o 10X50 não muda tanto. Os campos ficam maiores e os DSO´s menores mais vai estar tudo lá. Especialmente se você, que leu o texto e fez o dever de casa souber onde olhar.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2021

Ngc 2301: O Dragão de Hagrid

 




             Ngc 2301 é um pequeno e delicado aglomerado aberto em Monoceros. Sendo vizinho da Roseta, do aglomerado daArvore de Natal, do “Paraiso Pirata” e de M 50 é difícil que se destaque. Mas de uns tempos para cá ele se tornou mais popular.

                O´Meara o batizou de o “Aglomerado do Dragão de Hagrid”. Com uma filha com 17 e um filho com 7 anos a saga de Harry Potter é frequentemente alvo de longas maratonas aqui em casa. Então quando descobri no “Hidden Treasures” (guia observacional de O´Meara na já clássica série “Deep Sky Companions”) essa indicação tive minha curiosidade despertada.

                Para aqueles que desconhecem o trabalho de J.K. Rowling uma breve introdução.

                Hagrid é um misto de gigante, guarda-parque, professor e um dos mais simpáticos personagens da série. Ele acaba por cuidar de um ovo de dragão e deste nasce um dragãozinho (original...) invocado. Este é batizado de Norberto. Alguns capítulos mais tarde e muitas aventuras se descobre que Norberto é na verdade Norberta. Seu comportamento agressivo e furioso denuncia seu gênero. As fêmeas dos Dragões Noruegueses de Crista (Ridgeback Dragons) são bastante temperamentais.

                O aglomerado também é chamado de o “Aglomerado do Grande Pássaro” e ainda de “O Aglomerado do verme dourado de Copeland”.  De qualquer forma, um dragão na constelação do Unicórnio é bem apropriado.

                Já que o nome do Aglomerado virou a casa da mãe joana eu vou dar meu palpite também. Seu formato me lembra o de um Biguá voando.  Biguá é um pássaro preto aquático e muito comum aqui no Rio de janeiro. Abundantes na Lagoa Rodrigo de Freitas. Seus bandos formam lindas esquadrilhas com seu formato de cunha e com o líder se sucedendo a frente. 





                Já que o Dragão que deu origem a série mudou não só de nome como de gênero acho coerente a confusão.

                Agora de volta a cartório. Ngc 2301 é extremamente brilhante (6ª Mag.) e bem destacado aglomerado. Quando observado com um binoculo 10X50 ele forma uma evidente linha de estrelas centradas em uma dupla. Com o uso de um telescópio e mais aumento se percebe que este repousa no plano galáctico e o campo é bem contaminado.  Mas aglomerado se destaca das estrelas de campo.





                Sendo Monoceros um campo sem estrelas muito brilhantes localizar o Dragão pode ser um pouco difícil. Mas Triangulando com Betelgeuse, Prócion e 22 Monocerotis e fazendo seu dever de casa você chegará lá. Sendo um do “400 de Herschel” O´Meara apresenta um caminho bem diferente em seu “Herschel Observing Guide”. Eu não vou apresentar o caminho aqui pois ele só vai funcionar se você possuir uma cópia do mesmo.



                O Burnham´s Celestial Handbook não declara seu amor ao aglomerado e o apresenta apenas entre os DSO´s presentes em Monoceros na entrada genérica no começa de cada apresentação. Neste estará a descrição do NGC (New General Catalog de 1888): “Mag. 6, diam 15'. class D; L, Ri, about 60 stars mags 8.” As abreviações do Catálogo de Breyer também são obrigação.  Uma dica: L é para Large. Ri é para Rich...

                Devem ter percebido que aqui no Nuncius Australis temos evitado traduzir toda e qualquer coisa. Se você pretende se dedicar a astronomia a sério é fundamental que se aprofunde na língua de Shakespeare. 

                Ngc 2301 foi descoberto, evidentemente, por William Herschel (é um dos 400 de Herschel...) na noite de 27 de dezembro de 1786. Eu o observei 233 anos e 355 dias depois.  Sem levar em conta os anos bissextos...  A Lua quase nova em ambos os casos.

                Herschel nos diz: “Um aglomerado muito denso e lindo. Tênue e com Estrelas bem brilhantes (?) 20´ de diâmetro.” Atualmente ele diminuiu. Possui 15´de diâmetro. Metade do tamanho da lua.

                Vamos há alguns dados; o aglomerado tem 110 milhões de anos o aglomerado já foi submetido a um levantamento fotométrico que abrangeu mais de 800 estrelas. Apenas 80 se revelaram membros bonne fide do aglomerado. Localiza-se a 2500 anos luz da terra e se espalha por 11 anos luz de universo.

                Uma dupla marca sua extensão norte. Uma delas possui ,claramente, um tom “mais quente”. Smyth, Lunginbuhl e Skiff falam a respeito. E enquanto fala em "palha clara" (pale straw) os outros falam em avermelhado. Não observei o aglomerado com aumento suficiente para tanta poesia. Nas fotos tendo a me inclinar em direção a Smyth . Ou , ainda, cravar coluna do meio...

                Lealand Copeland fala em um "grupo curvilíneo de estrelas com uma cunha voadora de estrelas". Como daí se chegou ao “Aglomerado do Verme Dourado de Copeland” é um dos mistérios da astronomia amadora mais bem guardados.

                Um passeio “zoo-mitológico” moderno pelos céus. O verão é a época de visitá-lo.

sábado, 16 de janeiro de 2021

Orion : O Caçador , O Mensageiro das Nuvens e outras histórias.


 

               Orion é uma das primeiras constelações que você vai aprender a reconhecer. Lar das Três Marias e com duas das 10 estrelas mais brilhantes dos céus em seus pelotões é tarefa fácil e obrigatória. Para navegar pelos céus do verão no hemisfério sul ele é a maior referência. Ainda por cima, localizado no equador celeste, é visível de todas as partes habitadas do mundo (de +85º até -75º).

                Não bastasse isso Phil Harrington, na sua coluna Binocular Astronomy, em célebre artigo nos conta que a constelação é uma aula em evolução estelar. Contém desde estrelas ainda em formação até candidatas a supernovas já para lá da sequência principal (que já queimaram todo o seu hidrogênio).

https://nova.astrometry.net/annotated_full/4862662 


                É ainda um longo curso de filosofia e história sendo um dos grupamentos estelares mais antigos conhecidos sendo cantado em prosa e verso por todas as culturas.

                Desta forma esse post será um daqueles com muitas palavras ( seu titulo já entrega isso) e se você não é afeito a leitura é melhor parar logo por aqui. Orion não é para preguiçosos, ignorantes e sendo uma constelação possui luz própria e tem horror a obscurantistas e seus asseclas... 

                Como já falei a constelação é identificada por quase todas as culturas. Então tentarei aqui organizar de uma forma quase cronológica a história deste que chegou até nós como Orion, o caçador.

                Devido a nossa herança é quase impossível não começar pelos gregos, apesar de civilizações anteriores terem registrado a região e criado suas lendas para essas bandas do universo.

                Embora seja uma constelação mais evidente, bonita e diversa a história de Orion é menos conhecida que a de Hércules. Burnham, em seu “Celestial Handbook” (que de Handbook nada tem já que são três volumes somando mais de 2000 páginas ...), nos diz: “... em contraste com Hércules, o qual possui uma personalidade bem definida e é creditado com uma detalhada série de explorações, Orion parece uma figura vaga e sombria.”

                Homero, na Odisseia, nos diz apenas que era um homem muito alto e o mais belo dos homens. A maioria dos relatos nos diz que este era filho de Poseidon com Gaia. Mas há controvérsias. Sua mãe poderia ter sido Euryale, filha do rei Minos. Poderia ainda ser filho ou neto ou algo assim de Apolo. Sabe-se lá com quem...

As perseguidas Plêiades. 


                Em um mito Orion cai de amores pelas Plêiades (as sete irmãs). Mas o amor de Orion toma mais forma de assédio que de namorico e Zeus coloca as irmãs no céu para sua proteção. Atualmente existe um Touro entre Orion e as donzelas.  

                Uma outra versão da saga (serão muitas) nos diz que esta se apaixonou perdidamente por Merope, a linda filha do Rei Oenopion, a qual não retornou suas intenções.  Aqui as coisas ficam ainda mais confusas pois Mérope é também o nome de uma das Plêiades, mas estas são filhas de Atlas...  De qualquer forma nosso anti-herói não reagiu bem ao ter seu amor renegado e em certa noite, embriagado, tentou violentar a moça. Seu pai, enraivecido, arrancou os olhos de Orion e o baniu da Ilha de Chios. Hephaestus teve pena de Orion cego e vagando perdido e ofereceu um de seus assistentes para guiar o caçador e atuar como seus olhos. Por fim este encontrou um oraculo que disse que se este peregrinasse rumo a leste e ao nascer do sol teria sua visão restaurada. Ele o fez.  E assim, milagrosamente, ele recuperou sua visão.

                A constelação de Orion possui suas origens traçadas até a mitologia suméria e se relaciona com o Mito de Gilgamesh. Na verdade, sua figura é associada a quase todos os heróis nacionais, guerreiros e semideuses conhecidos.





                O nome Orion é obscuro (Burnham) embora alguns classicistas sugerem uma ligação com o grego Aorion que significa simplesmente “caçador”.

                Robert Brown Jr. Acredita ter achado sua origem no acadiano Uru-ANA (A Luz dos céus). Embora Uruana, em escritos primevos babilônicos, o termo se refira ao deus sol.  Entre os sumérios conta uma lenda que Gilgamesh lutou contra um touro celestial. Eles nomeavam a constelação de Touro com GUD-NA- ANA. Ou o Touro do Céu.



                A saga de Orion segue por várias culturas e entre os Tupis a região faz arte da constelação do Homem Velho.  Mesmo no século XX continuou-se a criar mitologia ao redor da figura mais chamativa do céu do nosso verão. Na Terra média de Tolkien a constelação é conhecida como Menelvagor (O espadachim dos céus).


                A História da morte de Orion tem também várias versões. E contraditórias entre si.

                Em uma das lendas Orion teria se gabado para Artêmis (que posteriormente os romanos batizaram de Diana) e sua mãe Leto que seria capaz de matar qualquer fera sobre a Terra. A mãe desta, a Deusa Terra (que até onde sei é Gaia é possível mãe de Orion...), teria escutado isso e não gostou. E assim mandou um escorpião picar Orion e o matou. Em outra versão o caçador tentou violentar Artêmis e foi esta que mandou o escorpião atrás dele.  De qualquer forma todas estas versões têm um mesmo fim. Orion é colocado de um lado do céu e o Escorpião do outro. Desta forma quando um nasce o outro se põe e eles nunca se encontram no firmamento. Orion domina as noites de verão e Escorpião é o Senhor do Inverno abaixo do Equador.

                Outra versão é completamente oposta a essa e o escorpião não participa.  Artêmis, deusa da caça, se apaixona pelo caçador. E Apolo, seu irmão, (e que segundo outras fontes o Pai de Orion), a fim de impedir que esta quebre seu voto de castidade a engana e a faz matar Orion. Artêmis era uma grande arqueira e Apolo a desafia a acertar um minúsculo alvo a milhas de distância. A alvo era Orion. Devastada por matar seu amado ela o coloca no céu.  Esta versão daria uma bela novela. Onde um pai, a fim de evitar um incesto, leva a filha a cometer fratricídio. Mas isto é uma interpretação minha e sem nenhum valor histórico, mitológico ou seriedade...

Cinturão de Orion . As Três Marias e cia.ltda.


                Orion ainda é lar de um dos mais famosos asterismos dos céus. Na Australia as estrelas que formam o cinturão de Orion e sua espada é conhecida com “A Panela” ou a “Frigideira”. O mesmo cinturão é conhecido na Espanha e na américa latina como “As Três Marias”. Na África do Sul o mesmo conjunto é chamado de “Drie Konings” (Os Três Reis) ou ainda “Drie Susters” (as Três Irmãs).

                Na Babilônia a constelação era também chamada de MUL.SIPA.ZI.AN.NA, O Verdadeiro Pastor.

                No Egito a figura é associada a Osiris, o deus da morte, do pós vida e do renascimento. Já se falou muita besteira sobre o alinhamento das Grandes pirâmides de Gizé com o cinturão de Orion. Há controvérsia. Mas é aceito, com ressalvas, que a entrada de ar para câmara do faráo da grande pirâmide possui um alinhamento intencional com Alnitak, Zeta Orionis, a estrela mais a leste do cinturão.

                Uma outra antiga lenda remonta a cerca e 2000 anos antes de cristo. Os Hititas, um povo de Idade do bronze que habitou a Anatólia (localizada atualmente na Turquia), associavam a constelação com Aqhat, um mítico caçador. A Deusa da Guerra Anant, caiu de amores (já ouvimos isso por aqui...) por ele. Mas depois que este se recusou a emprestar seu arco para a mesma ela tentou roubar-lhe. Entretanto o homem enviado para fazer o serviço acabou fazendo uma lambança e acabou matando Aqhat e deixando o arco cair no mar. E por isso a constelação fica abaixo do horizonte por 2 meses. Nos tempos da pós verdade é possível imaginar que os cimérios viam na constelação de Orion a figura de Conan, O bárbaro. Afinal, A Anatólia foi invadida pelo cimérios por volta de 695...  E a criação de Robert E. Edward era nada mais nada menos que o mais famoso guerreiro cimeriano da Época Hiboreana. Um Orion clássico.

                Mas Orion é incansável e nos deixa um legado também literário.  De acordo com Thomas Hyde, um nome extremamente popular entre os árabes, no século XVII, para Orion era El Babadur “O Homem Forte” (é uma tradução livre...). Mas tradicional ainda era Al Jabbar, “O Gigante”. Alguém pode imaginar por que Ferdinand Lewis Alcindo jr. Se tornou Karim Abdul -Jabbar?

                De volta a literatura ... ( e  ao Handbook de Burnham) Al Jabbar deriva do mais antigo sírio Gabbara e do hebraico Gibbor. Estes nomes, por sua vez, são a fonte de outro nome que é imortalizado por Henry W. Longfellow em um poema, que indo na contramão do guerreiro é uma peça pacifista de 1866. The Occultation Of Orion:

"Begirt with many a blazing stars'­

Stood the great giant Algebar­

Orion­ hunter of the beast!

His sword hung gleaming by his side­

And on his arm­ the lion's hide

Scattered across the midnight air

The golden radiance of its hair.,"

                Burnham ainda destaca a presença de Orion na abertura do épico Locksley Hall aonde Tennynson faz a mais bela e famosa descrição da Plêiades na Língua Inglesa:

"Many a night from yonder ivied casement,

           ere I went to rest  

Did I 'look on great Orion, sloping slowly

               to the west.

Many a night I Saw the Pleiads­

               Rising thro' the mellow shade­

Glitter like a swarm of fireflies

      tangled in a silver braid. "



                Orion é ainda muito associado ao mau tempo. Constelação invernal no hemisfério norte. Desde mitos babilônicos e lendas Hindus. Polybius no sec. II ac atribui a destruição da esquadra romana durante a 1ª Guerra Punica ao fato de esta ter se lançado ao mar com Orion nascendo logo a início da noite. Virgílio, Plinio e Horácio se referem ao mesmo como “O Portador de nuvens”,” O Intempestivo” e “Aquele que traz perigo aos mares”.  Milton, séculos depois, nos fala em seu “Paraiso Perdido”:

“...when with fierce winds Orion arm' d

Hath vexed the Red-sea coast, whose waves

o ' erthrew Busiris and his Memphian chivalry”

(Quando Órion lhe fustiga iroso as margens,

Capitaneando os ventos iracundos

(No Rubro-Mar que em si tragou inteira

De Busíris a audaz cavalaria... Na tradução de Antonio José da Lima Leitão)

                Agora chega de lendas, poesias e outras coisas temidas pela corja que nos governa vamos falar de estrelas e das ciências (outra heresia) que abundam em   Orion e ao curso de evolução estelar citado por Harrington há alguns anos na Astronomy Magazine.

                Alpha Orionis possui o nome próprio de Betelgeuse. A Origem do nome é longa. Com quase tudo neste texto... Novamente recorro o Celestial Handbook para iniciar a apresentação. É inevitável. A outra opção seria recorrer ao “Star nomes and their Meaning “do Hinckley. E aí ter que se entender com um inglês que já era antiquado em 1900. E já bastou Milton para quase me enlouquecer ...

“O nome da estrela é geralmente traduzido como a Axila do Caçador. Ou como O Braço daquele que está no meio.”  Aqui pelo Rio, as vésperas do carnaval, O Sovaco do Caçador é um nome que me soa quase poético.

                A estrela também já foi chamada de “A Estrela Marcial”. Evidentemente devido a sua cor avermelhada.

                Sua cor, na verdade, é mais para o alaranjado. Burnham defende que a exótica palavra em hindi, “padparadaschah”, utilizada na Índia para designar uma rara safira laranja seria o nome perfeito para Betelgeuse; seu sentido aproximado seria “A Joia Real da Flor de Lótus”.

                Betelgeuse é uma estrela variável, e desta forma ela é durante a maior parte do tempo a segunda estrela mais brilhante de Orion. Raramente a primeira... É uma super gigante vermelha da classe M 1-2. É uma das maiores estrelas visíveis com vista desarmada e a primeira a ter seu disco fotografado. Estivesse no centro do sistema solar provavelmente engoliria Jupiter.  Sua distância se encontra entre 500 e 600 anos luz da terra. E sua massa é algo entre 10 e 20 massas solares.  Com 10.000 de anos é relativamente jovem, mas... Devido a sua enorme massa já cruzou a sequência principal e é uma candidata a supernova nos próximos 100.000 anos. Uma James Dean estelar. É ainda uma estrela fugitiva (renegadas que de falamos recentemente por aqui) que foi expelida da Associação OB de Orion e viaja a 30 km/s pelo meio estelar.  Com sua culminação ocorrendo (ponto mais alto a 00:00) ocorrendo em 21 de dezembro sempre muito próxima   ao solstício possui muitas lendas.  

 

                Rigel (Beta Orionis) Trata-se da Primeira estrela brilhante do caçador a alçar-se aos céus. Utilizo com frequência para alinhar o Go-to de Mlle. Herschel (Minha cabeça equatorial HEQ 5). É uma dupla interessante para o amador. Com sua primaria super brilhante o maior desafio é perceber sua secundária sem que esta seja ofuscada. Já a separei várias vezes. Ambas têm um brilho branco azulado intenso. Rigel é uma super gigante azul e na verdade um sistema bem mais complexo que as duas estrelas que o amador consegue separar.  Seu nome também tem origem Árabe e era conhecida desde os tempos de Aladim com Rijl Jauzah al Yusra. Simplesmente “A perna esquerda do Gigante”. Orion, assim como Escorpião é uma das poucas constelações que recordam o que pretendem ser... Geralmente é a sétima estrela mais brilhante do céu (sendo, raramente, suplantada por Betelgeuse) e assim como sua comadre já queimou seu hidrogênio e caminha ruma a se tornar ou uma estrela de nêutrons ou um buraco negro. E explodir como supernova. Dependendo de sua massa original. Esta, com meros 8 milhões de anos, segue o caminho de rock star. Se Betelgeuse é James Dean, Rigel pode ser parente do Jimmy Hendrix.  Se localiza a cerca de 860 anos luz de nós.

                Bellatrix é Gama Orion. A estrela Amazona.  O Nome significa o que parece ser. A Estrela Guerreira. Como Gama Orionis parece obvio que é a terceira estrela mais brilhante da constelação.  Com 8.6 vezes a massa solar e 25 milhões de anos esta, provavelmente, dando seus últimos goles de hidrogênio e saindo da sequência principal (mas ainda nela) para começar a fumar hélio. Uma guerreira coma a voz engraçada... É utilizada como a estrela padrão para a classe B2 III. Embora a precisão dos equipamentos venha tornando padrão uma palavra em desuso... Os Inuits (em tempos não tão politicamente corretos eram os esquimós) quando percebem Betelgeuse e Bellatrix altas no horizonte sul após o por do sol e os dias mias longos lá para o início de março sabem que a primavera se aproxima. As chamam de Akuttujuuk, “As duas distantes “se referindo entre a distância entre elas. Especialmente o povo ao norte de Ilha de Baffin e na Península de Mellville.  Nunca a observei de forma dedicada. Mas sua cor me parece de um branco pálido. Fosse uma rock star seria menos acelerada. Algo com Procol Harum. A Whiter Shade of Pale. Sendo uma estrela do tipo B ainda apresentará uma morte menos explosiva que as anteriores. Mas ainda assim bem brilhante. Com 8.6 massa solares é candidata a Estrela de nêutrons. Mas é melhor checar com Chandrasekhar. De qualquer maneira continuamos com a idéia de Orion como campo escola de evolução estela descrita por Harrington. Mais sobre o assunto aqui. E aqui...

                Mintaka ou Delta Orionis. É a estrela mais a oeste do cinturão de Orion e uma da Três Marias. Seu nome significa “O Cinto”. Estando no cinturão de Orion é bem lógico. É um membro gigante da associação OB de Orion (Já falamos dela por aqui) e se encontra a cerca de 1200 anos luz de nós. Cerca de 20.000 x mais brilhante que o sol. Outra candidata a banda de rock. Telescópios modestos vão localizar uma companheira azulada de magnitude 6.5. O sistema possui várias estrelas. Ela é circundada por um aglomerado de pequenas estrelas. O cinturão inteiro é um espetáculo para observadores com qualquer equipamento. Apesar de ser heresia não posso deixar de comentar que Mintaka é considerada por muitos astrólogos como uma mensageira da boa fortuna.

                Alnilam e Epsilon Orionis. É a estrela do meio do cinturão. Um monstro. cercada por um belíssimo aglomerado. Diria que o coração de um dos subgrupos da associação OB Orion de estrelas. Outra supergigante azul. classe B 0. Você vai observá-la no seu ponto mais alto do céu perto de 15 de dezembro. Espetáculo com seu Collinder (Catálogo de Aglomerados abertos) particular ao seu redor.  Jovencita deve estar consumindo hidrogênio em escala de cracudo na Praça da Sé e ainda se encontra na sequência principal. 5. 7 Milhões de anos. Estávamos nos especiando dos chimpanzés. O mais antigo no ramo humano é o Orrorin Tugenensis (Quênia), com 6 milhões de anos. Pelo menos até bem recentemente...



                Alnitak é Zeta Orionis. Um dos endereços mais nobres do universo próximo. Cercada pela nebulosa da Chama e ao lado da Nebulosa Cabeça de Cavalo e outros DSO´s famosos é uma foto qual você já viu... Mesmo esquema das anteriores. Viver 10 anos a mil. E é um sistema triplo onde duas são difíceis de se separar. Escaparam de Herschel. Mas em dias de bom seeing são viáveis com 150 mm. As cores são alvo de algum debate e demandam algum poder de fogo para apresentarem contraste de cor. Allen fala em Amarelo Topázio e Leva roxo. Parece decorador. Já Olcott fala em amarelo e azul. Gosto mais de Hartung que diz “Brilhante par branco.” Distância. tipo e etc. nos dizem que é uma das Três Maria.



 

Eta Orionis-É... Classe B e uma dupla difícil para telescópios amadores...

Theta Orionis. Um dos mais famosos sistemas múltiplos do céu. Alimentam a Grande nebulosa de Orion. Muito Jovens. conhecidas como o Trapézio será uma das primeiras coisas que você, caso se decida a observar os céus, vai ver. Tem que ter um post só seu...

Iota Orionis tem nome próprio. De “Nair el Saiph”. Novamente os árabes mostrando que as trevas impostas pelo cristianismo medieval são do mesmo naipe que o islã radical... “A Mais brilhante da Espada”.  Localizada a cerca de 2300 anos é um sistema múltiplo com nebulosidade presente e um espetáculo. Membro de Ngc 1980 tem aglomerado e nebula próprios. Tipo O 9 promete show de rock...

Kappa Orionis é membro fundamental da figura de Orion no céu. Se Rigel é a perna esquerda Saiph é à direita.  Outro membro da associação OB de Orion.

Lambda Orionis – Meissa. A cabeça do caçador. Um sistema triplo com aglomerado particular. anel de supernova e um espetáculo. Um dos últimos posts do Blog.

Depois disso resta falar de Pi Orionis. Um conjunto de estrela que formam o escudo de Orion. Passeie pela região.  Suspeito de várias estruturas e parece que Alessi inclui algumas em seu catálogo de asterismos e/ou aglomerados abertos frouxos ou quasse dissolutos...

                Há diversas outras estrelas interessantes em Orion. Mas a figura propriamente dita do caçador está acima... Orion é matéria para a vida inteira...

 Espada de Orion.


                E assim, finalmente chegamos aos favoritos do Nuncius Australis. Os objetos de céu profundo (D.S. O´s) que se escondem em Orion. Ou nem se escondem...

http://nova.astrometry.net/annotated_full/4865662 


                A Região da Espada de Orion é o Lar de diversos D.S.O. s.  É o lar d Grande Nebulosa de Orion e minha região do céu favorita para passear com qualquer instrumento ótico. É o coração do subgrupo mais jovem de estrelas na associação OB de Orion e se tem a nítida impressão de que estrelas brotam da sua região mais central marcada pelo Trapézio (Theta Orionis). É mais que uma impressão. As estrelas mais jovens e protoestrelas habitam o miolo de M 42 e conforme você se afasta seguindo em direção ao cinturão as estrelas, ainda que jovens vão envelhecendo gradualmente. Mais informações sobre a região aqui.



                Já ao redor de Alnitak habitam algumas das mais belas criações do universo. várias Nebulosas habitam a região. E de todos os tipos.  De Emissão, de reflexão, escuras etc. Bem como Sigma Orionis um sistema múltiplo que ilumina o miolo da festa.

                Junto a Rigel se encontra a Nebulosa Cabeça de Bruxa. Um desafiante alvo fotográfico e um sonho visual. Esta, sendo Caxias, habita a constelação de Eridanus.



                M 78 é a mais fácil nebulosa de reflexão que se pode observar.



                São dezenas de abertos mais ou menos conhecidos. Muitos dos alvos já foram visitados aqui pelo Nuncius Australis e assim f vamos fechar no compendio com uma lista de DSO que podem ser encontrados em Orion. E alguns links para aqueles que já visitamos.


M 42- A grande nebulosa de Orion. Um épico particular e que merece uma visita a seu post particular. É um uma das nebulosas mais estudadas e conhecidas. Um berçário estelar em pleno funcionamento. Visite o Post. Cantada em prosa e verso. Tenysson “O Poeta da ciência” (não à toa já apresentado por aqui) fala em “Merlin and Vivien”:

".......A single misty star'

Which is the second in a line of stars

That seem a sword beneath a belt of three­

I never gazed upon it but I dreamt

Of some vast charm concluded in that star'

To make fame nothing."

 

".... regions of lucid matter taking form,

Brushes of fire­ hazy gleams,

Clusters and bedS of ­orlds­ and bee-like sw­arms

Of suns and starry streams..."

                               

M 43 – A Nebulosa de Marian. É uma parte da grande nebulosa. Nunca entendi por que Messier dividiu as partes.

M78- A mais fácil nebulosa de reflexão que conheço. Existe um truque para localizá-la. Centralize Mintaka na ocular e espere...

Ngc 1980- A joia perdida de Orion. É o conjunto descrito em Iota Orionis ou Hatysa.

Ngc 1977 – Seguindo em direção ao Cinturão. Conhecida como A Nebulosa do Homem Correndo. O nome é bem dado e é fácil perceber a pareidolia. Bela nebulosa.

Ngc 1981- Um belo aberto que parece brotar de Ngc 1977. Ele é a parte mais alta da espada. Muito interessante e visível com qualquer equipamento ótico.

Collinder 70 A chegarmos ao cinturão (As Três Marias) nos deparamos de cara com m um imenso aglomerado aberto que abraça e inclui as três estrelas principais. Alvo binocular por excelência cobrindo mais de 3,5º de céu.

                Ngc2024 – Já ao lado de Alnitak é um alvo visual difícil. Porém fácil de fotografar. Vai ser parte de uma das mais famosas paisagens celestiais.

                IC 434- É a nebulosa de emissão que permite se esconde atrás de B 33, A nebulosa cabeça de Cavalo. Sem ela essa icônica imagem não existiria.

                IC2023 – Mais um detalhe no quadro maior que estou descrevendo ao redor de Alnitak

                Ngc2169- O aglomerado 37. Um divertido e pequeno. Chamado de as Pequenas Plêiades. É provavelmente uma das piores fotos que já tirei de um DSO.

 

                O Loop de Barnard- Uma imensa nuvem molecular que envolve boa parte da constelação. Nas fotos você o percebe.

                As fotos que ilustram este artigo foram feitas ao longo de vários anos com os mais diversos equipamentos. A grande maioria destas em Búzios. Outras em Friburgo. Há ainda muita chance de exploração e observação. Conhecer Orion a fundo é um trabalho hercúleo.  E certamente mais de doze.