quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

M 104- Uma Fotografia do Sombreiro

                  

                       M 104  pode ser chamada de a "primeira entrada da póstuma" do Catalogo Messier. O original , publicado no Conossaince dus Temps, termina em M 103. Sua entrada "oficial" só ocorreu em 1821 quando Flammarion , de posse da cópia pessoal de Messier, encontrou uma nota  escrita a mão.  A descoberta se deve a Mechain e foi feita em 11 de  maio de 1781. É a única entrada além de M 103 aceita por Burnham em seu " Celestiall Handbook" e a anotação de Messier na sua cópia pessoal justifica sua presença no catalogo acima de qualquer questão ética. Não ha duvida de que ele observou o objeto. Nesta anotação ele descreve a galaxia como " Uma nebulosa bem tênue." Herschel a descobriu de forma independente  em 9 de Maio de 1784. É possivelmente o primeiro a perceber a grande faixa de poeira que torna M 104 tão característica.

33 frames empilhados pelo método HDR no DSS 2X Drizzle + PS CS apenas para converter em Jpeg. Noiseware para melhorar o ruido. 

                Com um bojo central muito preponderante ela é um objeto de caráter quimérico na classificação Hubble de Galaxias já que o bojo dominante indica uma coisa mas a presença de poeira demonstra um grau mais evoluído no ramo das galaxias espirais.
                Foi ainda uma das primeiras galaxias a ter um grande  desvio para o vermelho medido e afastando-se de nós a 1120 km/s foi um dos pregos no caixão da tese  de que as nebulosas espirais fariam parte de nossa galaxia. Durante o seculo XIX sua aparência levou muitos astrônomos a acharem que tratava-se de uma grande estrela "arrodeada" de um disco proto-planetário. Foi ainda a primeira galaxia , alem da nossa, onde foi confirmado movimento de rotação. Vesto Slipher ao estudar seu espectro registrou que um lado dela se afastava de nós enquanto o outro se aproximava...
Esta ainda seguiu ao Fitswork onde foi reduzido o gradiente de fundo e teve o ruido mais tratado...

                Parecendo ser afeita a confusões sua distância já foi alvo de controvérsias. Enquanto encontrei tanto no "Messier Objects " do O´Meara quanto na pagina da SEDS distancias entre 50 e 70 milhões de anos luz fontes mais recentes ( Hubblesite. org e Wiki...) falam em algo ao redor de 30 milhões de anos luz. De qualquer forma é uma habitante das margens do Grande Aglomerado de Virgem.  Imagens do Hubble registraram um enorme sistema de Globulares . Cerca de dois mil . Dez vezes mais que em nossa galaxia. Possui seu próprio grupo e algumas pequenas galaxias a acompanham por aí .


Esta é igual a que abre o post mas ainda mais simples ; Não visitou sequer o Noiseware.Foi utilizado o DSS no método de proporção  e 3X Drizzle. Depois o nivel foi ajustado no PS CS5  e o arquivo convertido para Jpeg. 

                M 104 é uma das mais interessantes galaxias para possuidores de pequenos telescópios. Apesar da Wiki  nos dizer que  é necessário, no minimo, um telescópio de 250 mm para se perceber o disco de poeira da galaxia eu posso garantir que ele é visível com um modesto refrator de 70 mm f 10 com 90X de aumento. Eu vi e tenho outras testemunhas que viram também. Garanto mais testemunhos que nos casos do ET de Varginha e de Roswel somados... 
                Sendo tão brilhante e cheia de detalhes M 104 foi um alvo obvio para eu tentar realizar minha primeira foto de uma outra galaxia ( Andrômeda não conta...) .
                Fotografar outras galaxias ( e nebulosas mais discretas...)  exige um exercício de captura  um pouco mais refinado que os meus já conhecidos aglomerados . Abertos ou Globulares. Para se obter algum tipo de detalhe  descobri que é necessário um tempo bem maior de captura , condições atmosféricas no minimo aceitáveis e se possível pouca poluição luminosa...
                Na madrugada do dia 8 de janeiro de 2016 a maior partes destes pressupostos pareciam ter se reunido sobre a Armação dos Búzios.
                O equipamento utilizado foi uma câmera Canon 3T não modificada regulada para 3200 ASA, um telescópio Newtoniano de 150 mm f8 (conhecido como Newton) e uma montagem equatorial HEQ 5Pro da Skywatcher. Todo este equipamento pode ser considerado bastante modesto para  missão. Já fotografei muito com uma Montagem 3-2 com motor drive em ambos o eixos. A minha vida se tornou bem mais simples e as fotos melhores com a aquisição da nova cabeça ( batizada Mme. Herschel).
                M 104 é um bom alvo para se iniciar na astrofotografia de galaxias por um motivo bem simples . Ela é um bom alvo para você se iniciar na observação de galaxias. Com um brilho de superfície alto ela é facilmente percebida na ocular ( no caso uma plossl 17 mm) mesmo com visão direta. Com olhos treinados e com pouca luz você vai notar ela mesmo em sua buscadora.
               
                Depois de enquadra la e de refinar a máximo o foco eu começo a captura. Alguns truques podem ajudar nesta hora.
                O foco no Newton é bem difícil . Primeiro utilizo uma estrela bem brilhante e que eu consiga perceber no live view da câmera. Depois de fazer o foco por esta estrela ( neste dia foi Aldebarã) eu marco o tubo do focalizador com uma fita branca. Depois de localizar a galaxia com o uso do go-to de Mme. Herschel eu substituo a ocular pela câmera e movo o focalizador para a posição marcada. O focalizador do Newton é de cremalheira e bem tosco. O foco é difícil e de precisão bem aquém do que eu gostaria. Assim que tiver algum dinheiro sobrando ( se tiver...) comprarei um focalizador melhor.  Depois faço uma primeira foto e ajusto a diferença o melhor possível.
                Como não possuo um sistema de acompanhamento utilizo uma técnica simples mas eficiente para que se a precisão do acompanhamento não chegar na casa dos pixeis pelo menos sobreviva na região dos milímetros... Como vai-se capturar varias dezenas de frames não realizar nenhum sistema de correção levará a desastres como da foto abaixo.  

                   Então marco o núcleo da galaxia no LCD da câmera com auxilio de uma seta de papel ou fita e corrijo o desvio causado pelo erro periódico e/ou um alinhamento polar menos que perfeito a cada poucas exposições. Neste caso de 25 segundos cada uma.
Sistema de "acompanhamento" tabajara...
                Depois de tudo isto começa a função do pós processamento. Este é bem maior e mais delicado quando tratam-se de tênues galaxias ou nebulosas.
O Famoso "over processing". Visitou todos os programas e não sei bem ao certo o que foi feito em cada um deles. Depois sofreu um crop no PS... 

                Geralmente o processo começa no Deep Sky Stacker ( a menos em capturas bem descompromissadas que podem começar e terminar no Rot n Stack...).
                Foram feitas 48 imagens de M 104 ( Light Frames daqui para frente) . Depois capturei mais 8 Dark frames ( são fotos feitas com  telescópio fechado e com o meso tempo e ASA da captura utilizada nos light frames). Estes servem para calibrar a exposição e a eescala e cinza da foto final. Não utilizei nem Flats nem Bias. Estes também servem para calibrar a foto final...
                No DSS existem vários set ups possíveis. Utilizei tanto o método de Proporção como o HDR.  Com alguns set ups foram aceitas todas a fotos capturadas. Mas com um threshold um pouco mais alto foram aproveitadas apenas as 33 melhores. Com isto as exposições finais ficam em 12 minutos.
                Geralmente faço um pequeno ajuste nas saídas RGB ainda no DSS. Dai salvo um arquivo TIFF  16 bits .
                As fotos  seguiram  para o Photoshop CS 5 onde fiz um pequeno ajuste de níveis e curvas .
                Depois uma visita a o  Fitswork onde foram utilizadas diversos recursos. Algumas delas ainda visitaram em algum momento do processo o Noiseware.  
                     Utilizar ASA 3200 é uma faca de dois gumes . Diminuo o tempo de captura necessária e assim posso conviver com um tempo de captura mais modesto . Mas o ruído..,É muito ruído.
                     Os resultados são visíveis ao longo deste post. Embaixo de cada uma das fotos esta a legenda descrevendo os programas e técnicas que utilizei. Nunca sei ao certo qual é o melhor resultado final com certeza. Nem mesmo o   "menos ruim".

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